sábado, 17 de julho de 2021

Mexer para que?

 


Não sou daqueles que se apegam às velhas tradições, em que nada pode ser alterado em nome da história. Contudo, enquanto a história está sendo contada, o mundo ao redor está mudando e ajustes precisam ser feitos para se modernizar, ainda mais numa categoria como a F1 que se auto-proclama o pináculo do automobilismo e que está sempre na vanguarda. Já fazem alguns anos que se fala de uma mini-corrida para se definir o grid e após muita negociação, chegou a primeira vez dessa novidade nesse sábabo.

Esse tipo de definição de grid não é exatamente uma novidade no esporte a motor. O Mundial de Kart realiza várias eliminatórias antes da corrida final. No Mundial de Motocross, uma corrida mais curta é realizada no sábado para definir o gate da primeira bateria no domingo, que por conseguinte define o gate da segunda bateria. O que me causa estranheza é mexer em algo que está funcionando bem. Me desculpem os puristas, mas detestava ficar esperando vinte minutos para entrar uma Minardi marcar tempo, depois mais alguns minutos para vir a segunda Minardi e só então o resto do grid entrar na pista para marcar tempo, muitas vezes não sendo possível acompanhar normalmente todos os pilotos. O que o chefe de equipe de uma equipe pequena/média argumentava com seu patrocinador num sábado como aqueles? Soltar um carro de vez era de dar sono, principalmente nos tempos dominantes de Ferrari e Schumacher. O setor comercial das equipes adoravam pela exibição das marcas, mas aquela classificação era muitas vezes um longo bocejo. A classificação trifásica é, na minha singela opinião, a melhor forma de definir o grid da F1 atual e já se passaram quinze anos sem maiores críticas. Uma tentativa mal-fadada de colocar tempo para que o último piloto classificado melhorasse o tempo foi um retumbante fracasso. Então, veio a ideia da mini-corrida (por sinal, ideia que vem desde os anos 1980), que logo ganhou o nome de Sprint Race.

Ao contrário de muita gente, esperei para ver essa experiência com a mente aberta, mas alguns sinais diziam que não seria a coisa mais emocionante do mundo, que era o objetivo da Liberty e seus blue caps. A notória dificuldade de ultrapassagem e o DRS praticamente não causou grandes variações no grid da largada de hoje e a bandeirada depois de meros 100 km. A emocionante 'pole' de Hamilton na sexta foi destruída por uma ótima largada de Verstappen e... pronto! O neerlandês administrou a vantagem sobre Lewis e a corrida terminou com os dois chegando próximos, mas afora algumas escaramuças na primeira volta, nada aconteceu entre eles. O mesmo com o terceiro colocado Bottas e o quarto Leclerc. Largaram nessas posições, mantiveram-nas na primeira volta e acabou-se. O único ponto de emoção foi a impressionante largada de Fernando Alonso, que pulou para quinto, mas não teve como segurar a dupla da McLaren, mesmo usando o polêmico expediente de ziguezaguear na reta. Claro que houveram perdedores. Carlos Sainz foi tocado na primeira volta, caiu para penúltimo e mesmo em dezessete voltas, conseguiu recuperar oito posições, mas ficou abaixo da posição em que largou. Pérez 'coroou' um final de semana miserável, onde nunca andou perto de Max Verstappen, com uma rodada sozinho e com o carro bagunçado, sequer conseguiu ultrapassar Latifi, acabando por convencer a Red Bull a recolher o carro e ter que largar dos boxes amanhã.

Valeu a pena tudo isso? A primeira impressão não foi das melhores e talvez por isso valha a pena tentar mais duas vezes, de acordo com a programação da Liberty. Não foi a coisa mais emocionante que a F1 viu nos últimos tempos e as vãs tentativas de Sergio Maurício em trazer algum entretenimento, pelo menos para mim, falharam. Pessoalmente, o maior crime disso tudo é que o vencedor Max Verstappen seja considerado o pole nas estatísticas, quando essa primazia deveria ter sido de Lewis Hamilton, o piloto que conseguiu encaixar a volta mais rápida do final de semana. Tudo bem que o grid seja definido por essa mini-corrida, mas estatisticamente o piloto mais rápido do final de semana seja oficialmente o pole. Essa deveria ser a principal mudança desse carnaval todo. A tal 'emoção' pretendida pela Liberty não aconteceu nesse sábado.

Mas fica a pergunta: para que mexer na classificação, se é algo que está dando certo na F1?

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