segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Figura(ITA): Andrea Kimi Antonelli

 Dois anos antes, Andrea Kimi Antonelli estreava na F1 em uma sessão oficial em Monza, andando com a Mercedes de George Russell no primeiro treino livre do Grande Prêmio da Itália de 2024. Tendo feito 18 anos poucos dias antes, Kimi mostrou bastante velocidade, mas um forte acidente na Parabolica colocava muitas dúvidas se o italiano estava mesmo preparado para estrear na F1 no ano seguinte, com a pressão de substituir ninguém menos do que Lewis Hamilton na equipe Mercedes. A resposta foi dada nesse final de semana, seis vitórias depois e com a liderança do campeonato nas mãos. Andrea Kimi Antonelli chegou à Monza tendo que pegar uma punição por ter excedido o número de trocas na unidade de potência do seu Mercedes e mesmo correndo em casa, inicialmente a mentalidade de Antonelli era de contenção de prejuízos. Porém, Kimi fez muito mais. Acertando seu carro para a corrida e usando um motor novo, Antonelli fez uma corrida épica em Monza, surpreendendo a todos, incluindo aí seu companheiro de equipe George Russell, que sofreu um derrota do tamanho que foi a corrida de Kimi. Antonelli saiu da 19º posição rumo a uma vitória que significou o fim de um jejum de exatos sessenta anos sem um piloto italiano vencer em Monza na F1 e mais do que isso. Mesmo com muitos pontos ainda a disposição, uma vitória como a desse domingo deixa um piloto mais confiante do que nunca e psicologicamente Andrea Kimi Antonelli pode ter conquistado o título em Monza, que viu a maior festa para um vencedor não-Ferrari em sua longa história.

Figurão(ITA): George Russell

As perspectivas para George Russell em Monza eram as melhores possíveis. Mesmo correndo em casa seu companheiro de equipe e líder do campeonato Andrea Kimi Antonelli sofreria uma punição por ter excedido o limite de troca de peças na unidade de potência. Era a chance de ouro para Russell descontar alguns pontos da desvantagem que tem para Kimi e dar um respiro no campeonato. Para completar, o motor Mercedes se mostrou o melhor do pelotão e as clientes, leia-se McLaren, não se mostraram fortes o bastante para bater a equipe de fábrica nos treinos livres. Com Antonelli já avisado em ajudar George na classificação, a pole parecia protocolar para Russell. Faltou combinar com Pierre Gasly, que numa classificação mágica, conseguiu uma pole miraculosa com seu Alpine de motor Mercedes. Mesmo incrédulo, aquele parecia um incidente pontual para Russell e ainda na primeira volta o inglês assumiu a ponta rumo a uma vitória em Monza. No entanto, Russell deve ter ficado alarmado na bandeira vermelha na segunda volta quando percebeu que Kimi ganhara sete posições e ficaria ainda mais assustado quando com um terço de prova, viu seu companheiro de equipe lutando com ele pela vitória. Russell aproveitara a bandeira vermelha para colocar pneus duros e partir até o fim da prova, algo que Antonelli também tentaria, mas com pneus médios. Porém, um VSC fez com que a Mercedes trocasse a estratégia de Antonelli, que fez uma segunda parada e se tornou o piloto mais rápido do pelotão, em sua caçada à Russell, que com os pneus que tinha, pouco pôde fazer para se defender. Mesmo com tudo a seu favor, Russell não ficou com a pole e mesmo liderando boa parte da corrida em Monza, foi derrotado por Antonelli, que largara da 19º posição e conseguiu uma vitória extremamente popular e dar bastante confiança ao jovem italiano. Matematicamente ainda há bastante pontos a serem conquistados, mas uma derrota dessa poderá ser o fim da linha de George Russell como um piloto potencialmente campeão do mundo. 

domingo, 6 de setembro de 2026

Passando por cima

 


Largando da pole e sem adversários, Scott McLaughlin venceu em Laguna Seca na última etapa da temporada 2026 da Indy praticamente de ponta a ponta. O piloto da Penske acabou com dois anos de jejum sem vitórias, mas esse roteiro bem que poderia ter sido escrito por Alex Palou.

O piloto da Ganassi fez uma corrida discreta na California, onde teve problema de desgaste de pneus e foi apenas oitavo em Laguna Seca, mas isso não apaga o domínio de Palou esse ano, onde conquistou o quarto título consecutivo e o quinto no geral. Na corrida de despedida da Ganassi, onde correu por 25 temporadas, Scott Dixon teve os mesmos problemas de Palou e terminou numa obscura 17º colocação e pela primeira vez em 22 anos Dixon não venceu pelo menos uma corrida na Indy. Sem Dixon, de partida para a McLaren e claramente em fase descendente na carreira, a Ganassi se apoiará ainda mais em Palou.

Kirkwood chegou em segundo e garantiu o mesmo posto no campeonato, superando a dupla da McLaren Christian Lundgaard e Pato O'Ward, que trocaram farpas via imprensa, denunciando provavelmente o motivo da dispensa do dinamarquês mesmo Christian tendo chegado na frente de Pato no campeonato. Além de Dixon, a McLaren receberá o atual vencedor das 500 Milhas Felix Rosenqvist, com o time liderado por Tony Kanaan totalmente focado em vencer as 500 Milhas. De preferência com O'Ward, um dos pilotos mais populares da Indy na atualidade.

A vitória de McLaughlin diminuiu um pouco a sensação de que a Penske teve um dos seus piores anos. Newgarden cada vez mais só performa bem em ovais e David Malukas, o melhor piloto da Penske no campeonato, teima em bater na trave e não vencer. Mesmo com um trio de pilotos que não arranca suspiros de ninguém, Roger Penske os manteve para 2027, mas claramente pensando lá na frente em trazer alguém para os substituir. E Felipe Nasr não esconde de ninguém que está apenas esperando um convite...

Com a saída de Colton Herta no projeto até mesmo amalucado de estrear na F1 em algum momento, a Andretti passou apoiar Kirkwood e a aposta foi certeira, mesmo o americano não sendo capaz de igualar o rendimento de Palou. Power fez uma estreia boa com a equipe e Marcus Ericsson conseguiu renovar o contrato quando tudo indicava que não aconteceria. Com Kirkwood mais confiante, pode ser que a Andretti dê o necessário pulo em 2027 e o americano consiga bater de frente com Palou.

Das equipes médias, a Rahal foi bastante irregular, com atuações interessantes e outros horrorosas, principalmente em ovais. A Juncos se pautou no ótimo Rinus Veekay, que permanece em equipes pequenas ninguém sabe bem o motivo. Mesmo com apoio da Penske, a Foyt não foi a mesma e ainda manteve o irascível Ferrucci, com Caio Collet, que esteve longe de brilhar, sobrando para 2027. A Meyer&Shank conseguiu o grande feito do ano ao vencer as 500 Milhas, mas perdeu Rosenqvist para a McLaren. Quem a equipe trouxe? O desastrado Mick Schumacher, que pouco mostrou na Rahal, mas conta com o sobrenome para chamar a atenção de patrocinadores. A Carpenter teve prejuízos com seus dois pilotos (Rasmussen e Rossi) e a Dale Coyne esperava mais de Dennis Hauger, piloto protegido pela Andretti, mas o novato foi tão mal que talvez ele nem fique na Indy...

A Indy entra em seu absurdamente longo período de hibernação, só retornando em março do ano que vem. Palou deverá ser o principal favorito, com a Ganassi trabalhando para o espanhol, mas pode ter uma maior resistência de Kirkwood no campeonato, além de encarar a força da McLaren em Indianápolis, sempre um campeonato a parte. Porém 2027 ainda nem começou, mas as equipes estarão olhando mais para 2028 e a estreia do novo carro. O problema é que se as equipes pensarem demais em 2028, Alex Palou poderá atropelar como vem fazendo nos últimos anos. 

Grande Kimi

 


Na semana do Grande Prêmio da Itália foi anunciado que Andrea Kimi Antonelli seria punido por ter excedido o número de peças trocadas em sua unidade de potência. A falta de confiabilidade da Mercedes antigira primeiramente o líder do campeonato e mesmo correndo em casa, a escolha de Monza para Antonelli cumprir sua punição faria sentido pela facilidade em se ultrapassar na mítica pista italiana. O que os engenheiros da Mercedes não poderiam prever era que Andrea Kimi Antonelli escolheria o dia 6 de setembro de 2026 para fazer uma corrida verdadeiramente épica, completando mais de vinte ultrapassagens antes de desmoralizar seu companheiro de equipe e pretenso rival pelo título George Russell para vencer a sua corrida caseira, quebrando um jejum de exatos sessenta anos, além de moralmente poder ter acabado o campeonato.


O calor na Lombardia era tamanho que a FIA emitiu um aviso para os pilotos se protegerem como pudessem das altas temperaturas, que ultrapassara os 30ºC. A expectativa era como Pierre Gasly se comportaria largando nitidamente fora de sua posição natural, no entanto o principal lance dos primeiros movimentos da corrida em Monza ocorreu na curva dois. Hamilton chegou à Monza na quinta-feira com uma bela Ferrari F40 e falando em vencer na casa espiritual da Ferrari. O inglês forçou por dentro em cima de Leclerc na freada da primeira curva e até ali, o monegasco lhe deu espaço. Lewis resolveu permanecer forçando, mas vindo por fora da segunda perna da chicane, talvez esperando que Leclerc lhe deixasse passar por ser seu companheiro de equipe, contudo, Charles Leclerc já provara em outras ocasiões que é um duro competidor. Cria da Ferrari, Charles não queria ser deixado para trás naquela situação e manteve a sua linha, não se importando que ali estava seu vizinho de boxe da Ferrari. Os dois se tocaram levemente e como Hamilton estava na beira da caixa de brita, o inglês acabou se atrasando bastante e, logicamente, reclamando via rádio. Culpa de Leclerc? Ele poderia ter deixado mais espaço para Hamilton, sim, mas provavelmente Leclerc pensou na política interna da Ferrari e tratou Hamilton como se ele fosse de outra equipe. Porém, a corrida de Leclerc não duraria muito e acabaria por afetar a estratégia de quase todo o grid. Na abertura da segunda volta, Charles fechou Piastri na entrada da Parabólica e ao fazer a curva ligeiramente mais aberta, perdeu abruptamente o controle de sua Ferrari, batendo forte no local onde seis anos antes se acidentara. Bandeira vermelha para reconstruir a barreira de pneus e Leclerc saindo do carro com dores no corpo e um problema no olho direito.


Com a bandeira vermelha as equipes puderam trocar os pneus de seus carros, iniciando uma tática agressiva, mas ao mesmo tempo longe de ser impossível: fazer o resto da corrida com o mesmo set de pneus. Monza é das corridas mais rápidas do calendário e não desgasta demais os pneus. Quem saiu para a pista quarenta minutos depois com pneus duro era quase uma certeza de fazer isso, entre eles estavam Russell e Verstappen. A segunda largada veio e... vocês gostam de jogar ioiô? Depois de algumas pistas onde o gerenciamento de energia não seria um fator, Monza mostrou que o novo regulamento técnico ainda tem sérios problemas. 'Ah, foi uma corrida cheia de ultrapassagens', falará o atento leitor, porém, será que foi pelo motivo correto? Por sinal, por esse motivo (o famigerado novo regulamento técnico) que a partir de 2027 as corridas serão diminuídas em torno de 5%. Como se aumentará o protagonismo do motor a combustão interna, haverá maior necessidade de combustível, porém, as equipes teriam que aumentar o tanque, o que faria que o conceito do carro atual fosse jogado fora e os custos aumentassem. De forma unânime, as equipes solicitaram (e será concedido) que as corridas diminuam no ano que vem. 

Russell já havia ultrapassado Gasly antes da bandeira vermelha, mas o inglês deve ter ficado de olhos arregalados quando percebeu que Antonelli pulara de 19º (Albon, Lawson e Alonso também foram punidos e foram para as profundezas do pelotão) para 12º e na segunda volta em bandeira verde já pulara para oitavo. O novo motor Mercedes fazia com que o avanço de Kimi fosse imparável. Para ajudar a vida de Antonelli, Russell não conseguiu abrir uma boa diferença na ponta e quando Verstappen assumiu a segunda posição, ele partiu para cima de George, tomando a primeira posição na volta 12, quando Antonelli tinha acabado de ultrapassar Hamilton e era quarto colocado. Max destruía a corrida de Russell na medida em que Antonelli ultrapassava Piastri e encostava nos dois líderes. Com um terço de prova, Antonelli já lutava pela vitória. Já era uma corrida histórica, mas ainda havia mais nuances. Continuando a troca de quem usava energia aonde, Max, George e Kimi trocavam de posições, quando a Mercedes pediu aos seus pilotos pararem de perder tempo naquela luta e focarem em abrir diferença para Verstappen. 


Quando Max começou a ficar para trás, veio o momento decisivo na metade da corrida. Lance Stroll estacionou seu Aston Martin com problemas hidráulicos na primeira variante, trazendo o Virtual Safety Car. Russell estava com pneus duros, talvez um composto mais adequado para se completar a corrida, enquanto Antonelli estava com pneus médios, sendo que Kimi já tinha vazado a primeira chicane uma vez. A Mercedes resolveu trazer Antonelli para os boxes, colocando pneus médios novos, o mesmo fazendo Verstappen. Quando a bandeira verde reapareceu, faltavam 23 voltas para o fim e 15s separavam os dois pilotos da Mercedes. Antonelli teria que andar muito forte, enfrentar o trânsito (ele voltou em quinto) e rezar para não ter nenhuma situação no resto da prova. Quando George acordou para o tamanho do problema de não ter parado, Kimi já voava na pista, não dando chances ao pessoal que ficara na pista sequer se defender. A pergunta não era se, mas quando Antonelli chegaria em Russell, que forçava o que podia, mas Kimi era de meio segundo a oito décimos mais rápido por volta. Faltando seis voltas Antonelli se aproximou de vez, enquanto Russell falou com a equipe que os pneus estavam acabados. Contudo, correndo em casa, fazendo a corrida de sua vida (até agora), Kimi se afobou e saiu da pista enquanto disputava posição na primeira variante. Toto Wolff teria problemas em segurar seus meninos? Max esfregava as mãos rumo a uma vitória caída no colo? Antonelli não demorou duas voltas para tirar toda a diferença e bem na Variante Ascari, reassumir de vez a ponta para não mais perdê-la.

Mesmo com todos os senões do novo regulamento, que muitas vezes causou uma troca de posições artificial, além do troféu horroroso, ninguém pode falar da grande corrida que Andrea Kimi Antonelli fez nesse domingo. Quando um piloto começa a vencer depois de colocar as mãos no melhor conjunto da temporada, questionamentos surgem, mas a vitória de hoje tirou qualquer contestação sobre o merecimento de Andrea Kimi Antonelli, que pode se tornar aos 20 anos o mais jovem campeão da história. George Russell tinha uma chance gigantesca para conseguir um respiro no campeonato e tirar bons pontos de Antonelli, porém, acabou saindo de Monza com uma derrota doída, viu Antonelli ficar ainda maior do que entrou nesse final de semana e com uma diferença de quase três corridas na moleira. Russell pode começar a pensar no enxoval de seu casamento...


Max Verstappen lutou como pôde contra a potência da Mercedes, mas andando nitidamente mais do que o carro o neerlandês ainda conseguiu um pódio, enquanto Lawson teve problemas diversos e ficou bem longe dos pontos, após um bom início de corrida de recuperação. Piastri e Hamilton passaram boa parte da corrida trocando de posição, talvez esperando por algum problema entre os pilotos da Mercedes para conseguir um pódio. Os dois não pararam durante o VSC e como Russell, foram atropelados por Antonelli, enquanto o australiano deu um ligeiro trabalho à Verstappen. Após o entrevero com Leclerc, Hamilton pareceu relargar com raiva e que até mesmo poderia se meter na briga das Mercedes, mas mesmo com o motor Ferrari recebendo melhorias com o ADUO, o máximo que Lewis fez foi brigar com Piastri e quando os pneus do inglês foram embora, acabou ultrapassado por Norris e teve que se conformar com a sexta posição. No começo da corrida Lando Norris lutou com Gasly e quando deixou o francês para trás, estava a uma boa distância da luta entre Oscar e Lewis, fazendo-o desgastar menos pneus e partir para cima dos dois nas voltas finais. Se contra o compatriota a briga não foi muito forte, Lando teve mais trabalho com Piastri, que chegou a empurrar o companheiro de equipe para fora da pista, gerando reclamações de Norris, mas o inglês acabou tomando o quarto lugar na última volta, porém, freando um pouco a reação de Norris, que vinha de duas vitórias consecutivas.


A carruagem de Pierre Gasly não durou uma volta para voltar a se transformar numa abobora azul, porém, o francês continuou no primeiro pelotão por um terço da corrida e quando finalmente se descolou de Norris, Gasly fez uma corrida solitária, conseguindo um bom sétimo lugar. Colapinto conseguiu pular para quarto antes da bandeira vermelha e brigava com Hamilton quando o argentino se empolgou e saiu da pista nas curvas de Lesmo, o derrubando para o final do pelotão. Colapinto remou bastante até chegar nos pontos novamente, acabando a corrida em nono, que somado ao sétimo lugar de Gasly, a Alpine teve seu melhor final de semana até agora em 2026. Entre os dois carros da Alpine, chegaram a dupla da Racing Bulls, com Lindblad fazendo uma corrida sólida para ser oitavo, enquanto Tsunoda, que chegou a errar seu lugar no grid, pontuou pela primeira vez em 2026 com o décimo lugar. Gabriel Bortoleto largou mal mais uma vez, conseguiu se recuperar no meio do pelotão, passando por Williams e Haas, mas novamente terminou em 11º lugar, saindo zerado. Hulkenberg fez uma prova discreta e abaixo de Bortoleto. Bearman chegou a colocar a Haas na zona de pontuação, mas o jovem inglês não se segurou por muito tempo, enquanto Ocon, ainda com o motor antigo da Ferrari, chegou a tomar volta. A Cadillac mal apareceu, enquanto a Aston Martin sofreu com a falta de potência do novo motor Honda, com a equipe voltando a ocupar as últimas posições.


Por mais que Monza tenha visto o ônus do novo regulamento técnico, a mítica pista italiana vibrou como nunca com um piloto seu, mesmo ainda preferindo a Ferrari. Andrea Kimi Antonelli chorou ainda dentro do carro e Bono fez questão de falar em italiano, sabendo do tamanho do momento (Que narração de Everaldo Marques na última volta!) que seu piloto havia protagonizado. A sétima vitória de Kimi na F1 já se tornou um clássico, mais um em Monza e credencia ainda mais o italiano a se tornar o mais jovem campeão da história da F1. 

sábado, 5 de setembro de 2026

Fator Briatore?

 


Durante o primeiro treino livre para o Grande Prêmio da Itália, a FIA anunciou que a apelação de McLaren e Red Bull a respeito do confuso Grande Prêmio de Mônaco, quando vários pilotos foram punidos por excesso de velocidade nos pits, incluindo o terceiro colocado na pista Pierre Gasly, havia sido aceito e o francês da Alpine perderia o seu lugar no pódio. O velho chefe de equipe da Alpine Flavio Briatore reclamou ao seu modo, alegando que um dos juízes da corte de apelação teria ligações com a McLaren. Típico Briatore. Porém, a vingança viria no dia seguinte.

Com tantos problemas de confiabilidade em suas unidades de potência em 2026, a Mercedes escolheu Monza para trocar a unidade do líder do campeonato Andrea Kimi Antonelli, deixando o italiano no final do grid correndo em casa. Era uma chance de ouro para George Russell. Além de saber que seu companheiro de equipe estava largando no fundo do pelotão, George poderia contar com a ajuda de Kimi no sempre necessário vácuo em Monza. O motor Mercedes tinha clara vantagem sobre os demais, mesmo a Ferrari trazendo uma versão revisada pelo ADUO, além da motivação de correr na frente dos tifosi

Os treinos livres indicavam favoritismo para a Mercedes, com Russell impávido rumo a uma pole tranquila. No meio do pelotão a Alpine fazia seu papel de melhor do resto com as atualizações agora nos dois carros, além da equipe gaulesa utilizar os motores Mercedes. Em nenhum treino livre Gasly ou Colapinto se meteram entre os líderes, mas tudo mudou na classificação, principalmente com o francês, especialista em Monza, local de sua única vitória na F1. Gasly ficou entre os mais rápidos tanto no Q1, como no Q2, indicando que poderia ter chances de estar na briga pela pole, mesmo a situação ser bastante complicada. No Q3 as principais equipes 'soltam a cavalaria' e normalmente sobem de produção, mas Gasly permaneceu na entre os primeiros na primeira tentativa dos pilotos.

Oscar Piastri era o primeiro a fazer sua segunda tentativa e errou logo na primeira curva, o que afetou o tempo de Norris, que teve que se contentar com a nona posição após duas poles consecutivas, enquanto Piastri estava em segundo. O líder Russell melhorou seu tempo e tudo indicava para a normalidade, quando Gasly assombrou a F1 com a sua primeira pole na carreira, além da primeira pole da Alpine, numa das maiores surpresas dos últimos tempos na F1. Russell parecia incrédulo, assim como boa parte da F1. Da onde tinha saído Gasly naquele sábado? Seria um fator Briatore?

Outros destaques ficaram para péssimo rendimento do novo motor Honda, jogando mais uma vez a Aston Martin para as últimas posições, Gabriel Bortoleto perdeu a vaga no Q3 por um milésimo, sendo que o eliminado seria Lewis Hamilton. O inglês andou sempre atrás de Leclerc e na primeira tentativa do Q3 chegou a tomar sete décimos do companheiro de equipe, mas Lewis se recuperou e largará em quinto, uma posição atrás de Leclerc. Piastri atrapalhou claramente Lawson no final do Q2 e poderá ser punido, enquanto Pierre Gasly poderá conseguir seu primeiro pódio de direito nesse domingo.

domingo, 30 de agosto de 2026

Precisamos falar de Alex Palou

 


O espanhol de Sant Antoni de Vilamajor nem precisou de um final de semana brilhante no tradicional oval de Milwaukee para ratificar o que todos sabiam quando Alex Palou venceu em Long Beach, sua terceira vitória em seis etapas do compacto calendário da Indy. O espanhol da Ganassi conquistou nesse domingo seu quinto título em seis temporadas na Indy, um feito impressionante, mas que levanta algumas questões.

A facilidade com que Alex Palou domina a Indy na atualidade desconcerta até mesmo seus adversários. Em Washington, Kyle Kirkwood chegou a chamar Palou de lenda pela forma como conquistou a pole. Não se pode comparar a Indy atual com os seus áureos tempos na década de 1990, contudo o plantel da Indy em 2026 está longe de ser ruim. Além de Kirkwood, temos pilotos de um bom nível, como Pato O'Ward, que venceu a rodada dupla Milwaukee, seu companheiro de equipe na McLaren Christian Lundgaard, o trio da Penske, mesmo Josef Newgarden não estando mais no seu prime. Isso sem contar que Palou tem como companheiro de equipe Scott Dixon, uma lenda viva da Indy. Mesmo contando com esses e outros bons valores no grid, Alex Palou domina a Indy como poucas vezes foram vistas na longa história da categoria. 

Mas será que o nível está tão forte mesmo ou Palou é que está um patamar acima a ponto do espanhol pedir passagem em outras categorias top? No paddock da Indy corre a história que Palou só não conquistou o hexacampeonato consecutivo por causa da confusão que Palou se meteu com a McLaren e a própria Ganassi em 2022. Quando conquistou seu primeiro título Palou falava que pensava na F1 e via na McLaren uma porta para lá, contudo, tudo passou de ilusão e uma grande dor de cabeça para todos os envolvidos. Palou é da mesma geração de Verstappen, Norris, Russell, Albon e Leclerc. O espanhol andava no mesmo nível do que eles, mas em tempos de academias de pilotos e cheques pomposos, Palou acabou sem espaço nas grandes categorias de base da Europa, acabando por escolher o Japão, onde foi pinçado pela Honda e seus resultados o levaram para a Indy. O resto é história.

Palou caberia na F1? O espanhol parece ter talento para tal, mas já beirando os 30 anos de idade e com poucas portas boas realmente abertas na F1, uma ida de Palou para a categoria não parece a melhor das ideias, além de correr o risco de repetir o que aconteceu com Bourdais, que após conquistar quatro títulos consecutivos na Champ Car, esbarrou num Sebastian Vettel faminto e saiu da F1 pelas portas dos fundos. Isso sem contar que a experiência de Colton Herta na F2 não parece animar muito os que pensam nessa ideia, apesar de todos serem unânimes que Palou é bem mais piloto do que Herta. Se não pode ir para a F1, Palou já se aventura no rico mundo do Endurance nos Estados Unidos, correndo pela IMSA.

E o que resta para Palou na Indy? Interessante notar como vários fãs da Indy se aborrecem com o domínio de Palou. Mesmo nos tempos da vacas magérrimas, os torcedores mais hardcore da Indy se agarravam na competitividade da categoria, mas com Palou vencendo quatro títulos consecutivos, fica difícil apontar uma Indy realmente diversa, mesmo as corridas da categoria permaneçam bastante acirradas. Olhando ao redor e observando que muitos pilotos correm na Indy de forma competitiva até mesmo além dos 40 anos, fica difícil saber até onde Palou vai parar. A sua adaptação ao eterno carro atual da Indy pode ser uma resposta e para tristeza desses fãs, o novo carro só irá aparecer em 2028, ou seja, Palou já é favorito destacado para a próximo temporada.

No fim, percebemos que Alex Palou já é um piloto histórico dentro da Indy, com cinco títulos (quatro consecutivos) e uma 500 Milhas no currículo com menos de 29 anos e muito ainda a conquistar, pois sua carreira na Indy tende a ser ainda muito longa. Mesmo Palou tendo condições de migrar para a F1, a chance de brigar por vitórias e títulos é diminuta demais para fazer valer a pena. Correndo pela equipe com mais títulos na história da Indy (a Ganassi ultrapassou a Penske hoje) e com o mesmo carro em 2027, Alex Palou tem tudo para aumentar seus números já superlativos e entrar definitivamente na história de esporte a motor.

Vitóra em território conhecido


Por mais que Marc Márquez ainda sofra com suas contusões, em certas pistas o espanhol ainda faz muita diferença e Aragão é uma delas. Na penúltima pista espanhola da temporada 2026, Marc Márquez varreu o final de semana e se no sábado Marc venceu com facilidade, no domingo ele teve mais trabalho. Vacinado pela largada da Sprint, Marco Bezzecchi teve mais cuidado na primeira volta e mesmo vendo repetida a manobra da primeira curva, Bezzecchi logo deu o troco em cima de Marc Márquez e ainda teve a ajuda involuntária do seu companheiro de equipe Jorge Martin, que pulou para segundo numa manobra bem audaciosa.

Sem tempo a perder, não demorou muito para Marc Márquez tomar a segunda posição de Martin de forma agressiva, fazendo o líder do campeonato fazer uma manobra evasiva que permitiu a ultrapassagem também de Pedro Acosta. Discreto e pensando no campeonato, Martin logo foi ultrapassado por Alex Márquez e completou a corrida em quinto. Sentindo um problema no joelho esquerdo além de sua recente cirurgia, Bezzecchi resistiu o quanto pôde, mas no mesmo local em que ultrapassou Martin, Marc emulou a manobra em cima de Bezzecchi. O italiano ainda ficou lado a lado na reta oposta, mas acabou surpreendido por Acosta, que veio por fora para ser segundo.

Ainda perseguindo sua primeira vitória de GP na MotoGP, Acosta andou demais para ser uma sombra à Marc Márquez, mas pilotando acima da capacidade de sua KTM, Acosta logo perdeu terreno, mas fez Marc Márquez forçar bastante para se manter na ponta. A vitória em Aragão fez Marc assumir a segunda posição no campeonato, fazendo com que o certame de 2026 da MotoGP ainda esteja bastante aberto.