Num circuito tão complicado como Madring, ter tempo de pista é essencial, contudo, Lando Norris teve problemas de câmbio em sua McLaren e ficou de fora do segundo treino livre. Parecia que isso seria muito problemático para o atual campeão do mundo, mas mostrando que tirar o peso dos ombros do primeiro título fez muito bem à Lando, o inglês da McLaren conseguiu uma pole miraculosa em Madri. Lando Norris fez uma largada bem diagonal, lembrando as saídas truculentas de Michael Schumacher nos seus áureos tempos, tentando manter a ponta e acabar com a já folclórica história de que Lando é incapaz de manter a ponta largando da pole. Norris tinha o conjunto mais forte do domingo e venceria se não fosse o Virtual Safety Car, que apareceu segundos após o piloto da McLaren ter passado da entrada dos boxes. Norris caiu para quinto, se aproveitou das paradas de Leclerc e Russell para conseguir um lugar no pódio, porém, até mesmo o vencedor Andrea Kimi Antonelli sabia que aquela corrida pertencia à Lando Norris, que poderia ter conseguido sua terceira vitória em quatro corridas. A McLaren está em fase ascendente no campeonato e tem Lando Norris como seu principal piloto. Pena que a sorte não colaborou muito com o atual campeão da F1.
JCSPEEDWAY
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Figurão(ESP): Madring
Quando o Grande Prêmio da Espanha era sediado em Barcelona, no circuito de Montmeló, a reclamação era constante sobre a qualidade das corridas de F1 por lá. Não importando carros, pilotos ou regulamentos, a corrida em Barcelona invariavelmente era uma das piores do calendário, levantando questões sobre mudanças de sede, ainda mais com o automobilismo ganhando bastante popularidade na Espanha desde a já distante ‘Alonsomania’ em meados da década 2000. Surgiu a ideia de um circuito de rua em Madri, capital espanhola, e com a grande rivalidade em várias questões com Barcelona, o projeto saiu do papel. O novo circuito de rua, chamado de Madring estreou em 2026 e manteve a tradição de corridas nada empolgantes na Espanha. A prova realizada nesse domingo em Madri ficou muito a abaixo das expectativas de quem esperava caos num circuito que se provara difícil, mas os pilotos andaram com tanto cuidado, que o máximo de ocorrência que apareceu foi um Virtual Safety Car, que decidiu a corrida a favor de Andrea Kimi Antonelli. Não tivemos uma corrida boa de se assistir, algo que poderá mudar nos próximos anos, mas no momento, a primeira sensação do Madring não foi das melhores.
domingo, 13 de setembro de 2026
Com um braço e meio
Então a Aprilia viu o crescimento de Jorge Martín, trazido à equipe em 2024 e que mantém uma relação conturbada. Mais experiente, Martín se aproveitou inicialmente dos pontos baixos de Bezzecchi, mas já tendo anunciado que irá para a Yamaha em 2027 e com alguns problemas com a moto, Martín também começou a vacilar. Será que seria Ai Ogura, piloto da equipe satélite da Aprilia, que poderia salvar a colheita da Aprilia? Pois o introspectivo japonês machucou o pulso num treino particular e já conta com duas corridas de chinelinho.
Marc Márquez teve problemas físicos, perdeu corridas para realizar mais uma cirurgia e na semana do Grande Prêmio de San Marino, expôs uma foto onde seu ombro direito está claramente atrofiado pelas seguidas cirurgias no braço direito desde 2020. O cirurgião foi claro no relato: Marc Márquez está correndo com um braço e meio.
E com um braço e meio Marc Márquez deu show em Misano, local sempre hostil a ele, pois naquela região fica o 'setor duro' da torcida de Valentino Rossi, rival histórico de Márquez. Porém, o piloto da Ducati varreu o final de semana. Na Sprint superou o pole Bezzecchi para vencer com tranquilidade. No domingo, Bezzecchi ainda manteve a ponta, mas caiu ainda na primeira volta. Martín ainda tentou se manter na briga pela vitória, mas a Aprilia foi perdendo rendimento e Jorge acabou apenas em quinto. Marc controlou a aproximação do seu irmão Alex rumo a vitória, que o deixou empatado com Martín no campeonato, mas como tem mais vitórias, Marc assumiu a liderança do campeonato. Seis meses atrás ninguém poderia imaginar a Aprilia perdendo o campeonato. Ainda mais para um piloto com um braço e meio...
Madrinzzzzzz
No final da segunda volta a Red Bull entrou no rádio de Max o pedindo para ceder sua posição para Hamilton, que à essa altura estava em quarto. Verstappen esperneou via rádio, mas o neerlandês acabou tendo que perder duas posições no processo. 'Minha corrida acabou', lamuriou-se Max, mas nem tudo estava perdido, como se veria mais tarde. E a vida de Verstappen melhoraria logo em seguida com Lewis Hamilton vazando uma chicane e da mesma forma que Max uma volta antes, ter que ceder sua posição para o piloto da Red Bull. E a razão ficou clara rapidamente. Hamilton queixava-se dos freios e num circuito de rua, isso não era um problema simples. Após sair da pista uma vez, Hamilton ainda ficou na pista uma volta de forma inexplicável antes de abandonar pela primeira vez em 2026 com sua Ferrari sem freios.
A Mercedes se assustou quando Kimi chegou a perder mais de 1s para Leclerc e o italiano reclamou de algum problema no volante, mas com a Mercedes verificando que Kimi deu uma de Mansell em Mônaco/1992, Antonelli continuou sua perseguição à Leclerc. A pista evoluíra claramente desde o momento em que Russell disse que a corrida teria múltiplos pit-stops e Leclerc ficou na pista esperando por uma ocorrência, algo possível pelo o que foi visto durante o final de semana, tanto na F1, como nas demais categorias. Porém, os pilotos estavam 'vacinados' e não forçaram demais numa pista quente, com muros em volta e cheia de curvas cegas. Bernd Maylander manteve seu Mercedes guardadinho nos boxes, enquanto Leclerc mostrava a todos que o pneu duro era forte o bastante para se manter até a bandeirada, se o regulamento permitisse. Com Leclerc rezando por uma bandeira amarela, Kimi e Max administrando seus pneus, a corrida entrou num marasmo sem fim.
sábado, 12 de setembro de 2026
Como gente grande
Os jovens pilotos da F3 fizeram um teste no novo circuito de rua do calendário, localizado em Madri, e nada menos que dezenove (!) bandeiras vermelhas apareceram. Ao saber do número George Russell ficou impressionado, mas ao experimentar o circuito de Madring no simulador da Mercedes, a perspectiva de George mudou: dezenove interrupções era pouco! Construído nos arredores de um centro de eventos e próximo do CT do Real Madri, o novo circuito trouxe um verdadeiro drama todos os pilotos, que disseram ter batido em suas primeiras voltas nos simuladores. A combinação de curvas cegas e rápidas, além da já característica 'El Monumental', uma curva inclinada de 550m já fazem do circuito de rua em Madri uma das pistas mais complicada do calendário, lembrando Jedá em seu primeiro ano.
Com todo mundo em estado de alerta, pode-se dizer que os treinos livres não foram tão intensos, com apenas três interrupções e domínio completo da Mercedes, principalmente com Antonelli. Mais confiante do que nunca, o italiano dá a sensação de que a luta interna dentro da equipe Mercedes, a não ser que haja uma reviravolta histórica, já está totalmente a favor de Kimi. E como a equipe demonstrou sua força em Monza e na maioria dos circuitos, isso já seria o bastante pensando em título. Para tristeza da torcida espanhola, que lotou as arquibancadas, seus dois pilotos foram eliminados durante o Q1, mesmo Bearman (bateu forte no final do TL3) e Stroll não participando da classificação.
No entanto, são em circuitos seletivos e técnicos onde os pilotos mais avantajados em termos de talento podem fazer a diferença. Já no Q2 Max Verstappen mostrava força e entrava aos poucos na luta pela pole, enquanto Russell saía dela. Lando Norris tivera um problema no câmbio de sua McLaren no TL2 e foi um dos que menos quilometragem acumulou na pista nova, algo essencial num circuito tão traiçoeiro como Madriring. No final do Q3, a dupla da Mercedes fora a primeira a marcar seus tempos, com Antonelli na ponta. Max Verstappen vinha muito forte, mas antes que o neerlandês completasse sua volta, Lando Norris surpreendeu ao tirar a pole de Kimi, enquanto Max teve que se contentar com a terceira posição. A dupla da Ferrari veio logo atrás e após toda a confusão vista em Monza, espera-se um comportamento mais ameno de Hamilton e Leclerc. Russell e Piastri, que tomaram bastante tempo dos seus respectivos companheiros de equipe, talvez precisem repensar suas carreiras.
Observando as corridas das categorias menores, ultrapassar não é algo muito simples de se fazer em Madring, enquanto o desgaste de pneus será um fator, principalmente se o forte calor de sexta e sábado aparecer novamente no domingo. Norris na pole nem sempre significa o inglês em primeiro na curva um, porém a volta conseguida em Madring mostra que Lando, mais confiante com o título, está pilotando cada vez melhor.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Figura(ITA): Andrea Kimi Antonelli
Dois anos antes, Andrea Kimi Antonelli estreava na F1 em uma sessão oficial em Monza, andando com a Mercedes de George Russell no primeiro treino livre do Grande Prêmio da Itália de 2024. Tendo feito 18 anos poucos dias antes, Kimi mostrou bastante velocidade, mas um forte acidente na Parabolica colocava muitas dúvidas se o italiano estava mesmo preparado para estrear na F1 no ano seguinte, com a pressão de substituir ninguém menos do que Lewis Hamilton na equipe Mercedes. A resposta foi dada nesse final de semana, seis vitórias depois e com a liderança do campeonato nas mãos. Andrea Kimi Antonelli chegou à Monza tendo que pegar uma punição por ter excedido o número de trocas na unidade de potência do seu Mercedes e mesmo correndo em casa, inicialmente a mentalidade de Antonelli era de contenção de prejuízos. Porém, Kimi fez muito mais. Acertando seu carro para a corrida e usando um motor novo, Antonelli fez uma corrida épica em Monza, surpreendendo a todos, incluindo aí seu companheiro de equipe George Russell, que sofreu um derrota do tamanho que foi a corrida de Kimi. Antonelli saiu da 19º posição rumo a uma vitória que significou o fim de um jejum de exatos sessenta anos sem um piloto italiano vencer em Monza na F1 e mais do que isso. Mesmo com muitos pontos ainda a disposição, uma vitória como a desse domingo deixa um piloto mais confiante do que nunca e psicologicamente Andrea Kimi Antonelli pode ter conquistado o título em Monza, que viu a maior festa para um vencedor não-Ferrari em sua longa história.
Figurão(ITA): George Russell
As perspectivas para George Russell em Monza eram as melhores possíveis. Mesmo correndo em casa seu companheiro de equipe e líder do campeonato Andrea Kimi Antonelli sofreria uma punição por ter excedido o limite de troca de peças na unidade de potência. Era a chance de ouro para Russell descontar alguns pontos da desvantagem que tem para Kimi e dar um respiro no campeonato. Para completar, o motor Mercedes se mostrou o melhor do pelotão e as clientes, leia-se McLaren, não se mostraram fortes o bastante para bater a equipe de fábrica nos treinos livres. Com Antonelli já avisado em ajudar George na classificação, a pole parecia protocolar para Russell. Faltou combinar com Pierre Gasly, que numa classificação mágica, conseguiu uma pole miraculosa com seu Alpine de motor Mercedes. Mesmo incrédulo, aquele parecia um incidente pontual para Russell e ainda na primeira volta o inglês assumiu a ponta rumo a uma vitória em Monza. No entanto, Russell deve ter ficado alarmado na bandeira vermelha na segunda volta quando percebeu que Kimi ganhara sete posições e ficaria ainda mais assustado quando com um terço de prova, viu seu companheiro de equipe lutando com ele pela vitória. Russell aproveitara a bandeira vermelha para colocar pneus duros e partir até o fim da prova, algo que Antonelli também tentaria, mas com pneus médios. Porém, um VSC fez com que a Mercedes trocasse a estratégia de Antonelli, que fez uma segunda parada e se tornou o piloto mais rápido do pelotão, em sua caçada à Russell, que com os pneus que tinha, pouco pôde fazer para se defender. Mesmo com tudo a seu favor, Russell não ficou com a pole e mesmo liderando boa parte da corrida em Monza, foi derrotado por Antonelli, que largara da 19º posição e conseguiu uma vitória extremamente popular e dar bastante confiança ao jovem italiano. Matematicamente ainda há bastante pontos a serem conquistados, mas uma derrota dessa poderá ser o fim da linha de George Russell como um piloto potencialmente campeão do mundo.

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