domingo, 30 de agosto de 2026

Precisamos falar de Alex Palou

 


O espanhol de Sant Antoni de Vilamajor nem precisou de um final de semana brilhante no tradicional oval de Milwaukee para ratificar o que todos sabiam quando Alex Palou venceu em Long Beach, sua terceira vitória em seis etapas do compacto calendário da Indy. O espanhol da Ganassi conquistou nesse domingo seu quinto título em seis temporadas na Indy, um feito impressionante, mas que levanta algumas questões.

A facilidade com que Alex Palou domina a Indy na atualidade desconcerta até mesmo seus adversários. Em Washington, Kyle Kirkwood chegou a chamar Palou de lenda pela forma como conquistou a pole. Não se pode comparar a Indy atual com os seus áureos tempos na década de 1990, contudo o plantel da Indy em 2026 está longe de ser ruim. Além de Kirkwood, temos pilotos de um bom nível, como Pato O'Ward, que venceu a rodada dupla Milwaukee, seu companheiro de equipe na McLaren Christian Lundgaard, o trio da Penske, mesmo Josef Newgarden não estando mais no seu prime. Isso sem contar que Palou tem como companheiro de equipe Scott Dixon, uma lenda viva da Indy. Mesmo contando com esses e outros bons valores no grid, Alex Palou domina a Indy como poucas vezes foram vistas na longa história da categoria. 

Mas será que o nível está tão forte mesmo ou Palou é que está um patamar acima a ponto do espanhol pedir passagem em outras categorias top? No paddock da Indy corre a história que Palou só não conquistou o hexacampeonato consecutivo por causa da confusão que Palou se meteu com a McLaren e a própria Ganassi em 2022. Quando conquistou seu primeiro título Palou falava que pensava na F1 e via na McLaren uma porta para lá, contudo, tudo passou de ilusão e uma grande dor de cabeça para todos os envolvidos. Palou é da mesma geração de Verstappen, Norris, Russell, Albon e Leclerc. O espanhol andava no mesmo nível do que eles, mas em tempos de academias de pilotos e cheques pomposos, Palou acabou sem espaço nas grandes categorias de base da Europa, acabando por escolher o Japão, onde foi pinçado pela Honda e seus resultados o levaram para a Indy. O resto é história.

Palou caberia na F1? O espanhol parece ter talento para tal, mas já beirando os 30 anos de idade e com poucas portas boas realmente abertas na F1, uma ida de Palou para a categoria não parece a melhor das ideias, além de correr o risco de repetir o que aconteceu com Bourdais, que após conquistar quatro títulos consecutivos na Champ Car, esbarrou num Sebastian Vettel faminto e saiu da F1 pelas portas dos fundos. Isso sem contar que a experiência de Colton Herta na F2 não parece animar muito os que pensam nessa ideia, apesar de todos serem unânimes que Palou é bem mais piloto do que Herta. Se não pode ir para a F1, Palou já se aventura no rico mundo do Endurance nos Estados Unidos, correndo pela IMSA.

E o que resta para Palou na Indy? Interessante notar como vários fãs da Indy se aborrecem com o domínio de Palou. Mesmo nos tempos da vacas magérrimas, os torcedores mais hardcore da Indy se agarravam na competitividade da categoria, mas com Palou vencendo quatro títulos consecutivos, fica difícil apontar uma Indy realmente diversa, mesmo as corridas da categoria permaneçam bastante acirradas. Olhando ao redor e observando que muitos pilotos correm na Indy de forma competitiva até mesmo além dos 40 anos, fica difícil saber até onde Palou vai parar. A sua adaptação ao eterno carro atual da Indy pode ser uma resposta e para tristeza desses fãs, o novo carro só irá aparecer em 2028, ou seja, Palou já é favorito destacado para a próximo temporada.

No fim, percebemos que Alex Palou já é um piloto histórico dentro da Indy, com cinco títulos (quatro consecutivos) e uma 500 Milhas no currículo com menos de 29 anos e muito ainda a conquistar, pois sua carreira na Indy tende a ser ainda muito longa. Mesmo Palou tendo condições de migrar para a F1, a chance de brigar por vitórias e títulos é diminuta demais para fazer valer a pena. Correndo pela equipe com mais títulos na história da Indy (a Ganassi ultrapassou a Penske hoje) e com o mesmo carro em 2027, Alex Palou tem tudo para aumentar seus números já superlativos e entrar definitivamente na história de esporte a motor.

Vitóra em território conhecido


Por mais que Marc Márquez ainda sofra com suas contusões, em certas pistas o espanhol ainda faz muita diferença e Aragão é uma delas. Na penúltima pista espanhola da temporada 2026, Marc Márquez varreu o final de semana e se no sábado Marc venceu com facilidade, no domingo ele teve mais trabalho. Vacinado pela largada da Sprint, Marco Bezzecchi teve mais cuidado na primeira volta e mesmo vendo repetida a manobra da primeira curva, Bezzecchi logo deu o troco em cima de Marc Márquez e ainda teve a ajuda involuntária do seu companheiro de equipe Jorge Martin, que pulou para segundo numa manobra bem audaciosa.

Sem tempo a perder, não demorou muito para Marc Márquez tomar a segunda posição de Martin de forma agressiva, fazendo o líder do campeonato fazer uma manobra evasiva que permitiu a ultrapassagem também de Pedro Acosta. Discreto e pensando no campeonato, Martin logo foi ultrapassado por Alex Márquez e completou a corrida em quinto. Sentindo um problema no joelho esquerdo além de sua recente cirurgia, Bezzecchi resistiu o quanto pôde, mas no mesmo local em que ultrapassou Martin, Marc emulou a manobra em cima de Bezzecchi. O italiano ainda ficou lado a lado na reta oposta, mas acabou surpreendido por Acosta, que veio por fora para ser segundo.

Ainda perseguindo sua primeira vitória de GP na MotoGP, Acosta andou demais para ser uma sombra à Marc Márquez, mas pilotando acima da capacidade de sua KTM, Acosta logo perdeu terreno, mas fez Marc Márquez forçar bastante para se manter na ponta. A vitória em Aragão fez Marc assumir a segunda posição no campeonato, fazendo com que o certame de 2026 da MotoGP ainda esteja bastante aberto.  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Figura(HOL): Aston Martin

 No início da temporada 2026 a Aston Martin tinha um carro tão complexo, que seus pilotos não conseguiam pilotar voltas seguidas por causa da excessiva vibração vindo do motor Honda. O time comandado por Adrian Newey arregaçou as mangas, da mesma forma que a Honda preparava um motor praticamente novo e o resultado é uma evolução que, colocado em porcentagem, é a maior da F1 nos últimos tempos, com o time esmeralda saindo das últimas posições, quando Alonso chegou a tomar mais de 4s do carro mais rápido do grid, com a Aston Martin chegando de vez no pelotão intermediário, culminando com Fernando Alonso chegando ao nono lugar numa mistura de talento e destreza tática do espanhol, que levou seu evoluído carro a zona de pontuação e pode vislumbrar melhoras para o futuro próximo.

Figurão(HOL): Oscar Piastri

 Um ano atrás Oscar Piastri vencia em Zandvoort e pavimentava o que parecia ser seu primeiro título mundial de F1, talvez iniciando uma nova era liderada pelo jovem australiano. Porém, na mesma pista neerlandesa, Piastri completou mais uma corrida de forma opaca e burocrática em 2026, recebendo a bandeirada em sexto, bem longe do seu companheiro de equipe e vencedor da corrida Lando Norris. O que passa com Oscar Piastri? Desde a derrota dolorida para Norris no ano passado, quando Piastri sucumbiu frente às 'Papayas rules', o australiano nunca mais performou como antes e em 2026 vem sendo sistematicamente derrotado por Norris, quando até meados do ano passado a disputa interna da McLaren era uma das mais equilibradas do grid da F1. A não adaptação ao carro com o novo regulamento técnico ou a dor da derrota com informações dos bastidores que não conhecemos (quem sabe as duas coisas) podem explicar atuações tão pobres de Piastri, ficando a certeza de que não estamos vendo a melhor versão de Oscar Piastri.

domingo, 23 de agosto de 2026

Uma festa americana

 


Em sua luta para retornar aos bons e velhos tempos, a Indy aceitou um grande desafio em preparar a toque de caixa uma corrida em Washington DC. Sim, a capital americana e seus vários protocolos de segurança. Claro, com patrocínio do presidente norte-americano, o irascível Donald Trump. Após o que foi visto semana passada em Markhan, haviam receios de mais um vexame da Indy, dessa vez para um público bem maior. Sim, uma corrida em Washington, tendo o majestoso Capitólio como pano de fundo chamou bastante atenção e a audiência prevista só era menor do que as 500 Milhas de Indianápolis e maior até mesmo que a tradicional prova em Long Beach. O pequeno circuito de rua construído não decepcionou e não tivemos grandes problemas de organização, além do que o público lotou as arquibancadas. O espanhol Alex Palou tinha chances de conquistar o título em Washington, mas para uma festa americana não cairia bem um estrangeiro se consagrar. Por sinal, Palou teve uma corrida irreconhecível e mesmo largando na pole, o piloto da Ganassi foi punido, rodou e tomou uma volta. Título adiado. Especialista em circuitos de rua, o piloto da Flórida Kyle Kirkwood fez uma corrida quase perfeita, onde chegou a abrir 12s para o segundo colocado. O piloto da Andretti venceu e fez a festa dos americanos em sua corrida em comemoração aos 250 anos da declaração de independência. A Andretti ainda colocou Power em terceiro e Ericsson em quarto, com Christian Lundgaard, da McLaren, sendo o intruso dessa festa da Andretti e também americana.

Que despedida!

 


Zandvoort é um palco histórico da F1, estando no calendário da categoria pela primeira vez em 1952, entrando e saindo ao longo dos anos, com algumas variações de traçado. O retumbante sucesso de Max Verstappen trouxe a pista neerlandesa de volta à F1, mesmo com um traçado travado e bastante estreito. De difíceis ultrapassagens, as corridas em Zandvoort em sua passagem pela F1 moderna ficou mais marcada pela enorme festa da torcida nas arquibancadas, principalmente nas vitórias de Verstappen. Porém, a ambição desmedida da Liberty Media fez com que Zandvoort anunciasse a despedida da F1 em 2026, mesmo sendo um sucesso de público. A corrida bem mais ou menos na Sprint Race no sábado diminuiu as expectativas no domingo, mas acabamos por ver uma excelente prova de despedida de Zandvoort, mesmo que a torcida tenha saído chateada com o prematuro abandono de Verstappen. Quem estava vibrando era mesmo Lando Norris, que lutou arduamente contra Andrea Kimi Antonelli para vencer pela segunda vez e colocar um pequena pulga atrás da orelha de Toto Wolff, com a segunda vitória consecutiva do atual campeão do mundo.


A semana do Grande Prêmio dos Países Baixos foi de previsões de clima instável em todo o final de semana em Zandvoort, mas a chuva acabou aparecendo sempre na hora errada. Se no sábado a precipitação aconteceu logo depois da Sprint Race e também nos minutos derradeiros do Q3, nesse domingo a chuva veio com certa força antes da largada, no que poderia ser a primeira sessão da F1 com os carros atuais em pista molhada. No entanto, o sol já brilhava no momento em que o Rei dos Países Baixos acompanhava o belo hino do seu país ser cantado e todos os pilotos largaram com pneus slicks, mesmo com alguns pontos úmidos. E foi justamente num desses pontos que a corrida de Max Verstappen acabou de forma abrupta. A largada viu novamente George Russell sair muito mal a ponto de atrapalhar Oscar Piastri e quem se aproveitou disso foi Antonelli, que pulou para segundo. Mais atrás Max chegou a ficar lado a lado com seu companheiro de equipe Liam Lawson e quando ambos chegaram na última curva, a Arie Luyendyk, Verstappen perdeu o controle do seu carro e bateu com força em ambos os muros. A pancada foi forte, mas felizmente Max emergiu do seu carro sem problemas, o mesmo não podendo dizer a torcida, que novamente lotou as arquibancadas para torcer para Verstappen, mas no início da segunda volta viu Max ir para os boxes. Logo depois as câmeras mostraram uma cena até mesmo mais perigosa. No mesmo ponto de Max, Gabriel Bortoleto perdeu o controle do seu carro e o brasileiro contou com os reflexos em dia de Nico Hulkenberg para não ser acertado em cheio pelo companheiro de equipe. 


A bandeira vermelha consequente fez com que alguns pilotos trocassem seus pneus e de estratégia. A relargada, com os carros parados, viu Norris manter a escrita de sempre perder a pole, fazendo com que Kimi assumisse a ponta e as notícias para o italiano ficariam ainda melhores poucos metros depois, quando Oscar Piastri, que relargou com pneus duros, ultrapassou Russell na briga pelo terceiro lugar. A corrida ganha ritmo com Antonelli e Norris abrindo uma boa diferença para Piastri, que por sua vez segurava Russell e a dupla da Ferrari. Preso atrás de Piastri, Russell tomou a iniciativa de sair do tráfego e fez sua primeira parada ainda na volta 17, abrindo caminho para as duas Ferraris, com Leclerc na frente. Tendo colocado pneus duros e com um ritmo razoável, era esperado que Piastri ficasse na pista, mas a McLaren resolveu proteger a colocação do australiano e chamou seu piloto para trocar pneus novamente, porém, a equipe errou em seu pit-stop e quando retornou à pista, Piastri estava atrás de Russell. E a mentalidade de Piastri, tão elogiada ano passado, desapareceu na mesma medida em que Oscar desapareceu da corrida. Antonelli e Norris fizeram suas primeiras paradas na mesma volta e mesmo a Mercedes dando um ligeiro vacilo, o italiano retornou à frente e ainda teve que ultrapassar Hamilton, que postergou sua parada ao máximo para causar a primeira polêmica da corrida mais tarde.


Porém esse não era o maior obstáculo para Antonelli. Com pneus duros o ritmo de Kimi caiu claramente, ao contrário acontecendo com Norris e se antes da parada a diferença entre os dois era de 2s, Lando baixou essa diferença para menos de 1s e pressionava o italiano, que parecia desconfortável com a situação. Pior era a Ferrari. Hamilton se aproximou de Leclerc, que pressionava Russell e com o passar das voltas entrou no rádio pedindo passagem. Para evitar uma troca de posições na pista, a Ferrari optou por chamar Leclerc para os boxes, já que a segunda janela de pit-stops já havia iniciado com a dupla da Mercedes parando junta na volta 40. Charles percebeu na hora a manobra e desobedeceu a Ferrari por duas voltas antes de realizar a sua parada, para desespero de Hamilton, que esbravejou via rádio. E o motivo ficaria claro mais tarde. 

Ao contrário do esperado, a McLaren não respondeu de imediato à manobra da Mercedes e deixou Norris mais algumas voltas na pista. Quando Lando fez sua segunda parada, ele estava 3,5s atrás de Antonelli, mas num ritmo muito mais rápido do que o de Andrea, chegando a tirar 1,5s numa única volta. O queixume de Hamilton se mostraria nas últimas voltas quando ficou claro que Lewis tentaria completar a corrida com uma única parada. Não demorou para Antonelli encostar em Hamilton e Lando colar nos dois. Numa manobra belíssima, Hamilton se defendeu de Antonelli, enquanto Norris colocou por fora do italiano assumindo a segunda posição. Com pneus em melhores condições, Lando Norris tomou a liderança ainda na mesma volta para não mais perdê-la. Contudo a corrida ainda teria mais lances de emoção e polêmica. 


Logo após Antonelli tomar o segundo lugar de Hamilton, o carro de Esteban Ocon apareceu parado e o Virtual Safety Car deu as caras, no que Antonelli, Hamilton, Leclerc e Piastri aproveitaram o ensejo para irem aos boxes colocar pneus macios para as voltas finais. Norris chegou a questionar a McLaren o motivo de não ter parado, mas quando se aproximava da entrada dos pits, a bandeira verde foi mostrada. Outro que permaneceu na pista foi Russell, que com isso subiu para segundo, mas com pneus duros desgastados, seria facilmente atacado por Antonelli e a dupla da Ferrari. Porém, George não parecia muito disposto a ceder sua posição de forma tranquila, mas a Mercedes impôs uma troca de posições e Russell deixou Antonelli passar e quando estava prestes a perder o pódio para Hamilton, o VSC entrou em cena novamente na antepenúltima volta e George conseguiu segurar a posição, enquanto a dupla da Ferrari quase se encontraram na penúltima volta.


Mais do que a segunda vitória consecutiva de Lando Norris, a forma como o inglês da McLaren venceu em Zandvoort mostrou que o campeonato, que parecia nas mãos da Mercedes, pode estar sofrendo uma ligeira reviravolta. Hoje Norris mostrou um ritmo avassalador, muito superior ao da Mercedes com pneus duros e a bonita ultrapassagem sobre Antonelli mostrou que ele era bem mais rápido do que o italiano. O mesmo não se pode dizer de Piastri, que após o erro de pit-stop da McLaren simplesmente desapareceu da corrida e recebeu a bandeirada numa opaca sexta posição. Oscar precisa de um psicólogo. Outro recado dado foi feito pela Mercedes. Com a McLaren mostrando o mesmo nível de recuperação dos anos anteriores, a Mercedes terá que escolher alguém para lutar pelo título e a troca de posição entre Antonelli e Russell indicou quem Toto Wolff escolheu. Russell poderia ter argumentado mais e ao 'prender' Antonelli, poderia esperar uma ultrapassagem de Hamilton que teria separado a dupla da Mercedes, porém, cedeu a posição para o companheiro de equipe, mais alguns pontos e muito provavelmente a chance de ser campeão em 2026 ou até mesmo em outro ano. Russell foi mais rápido do que Antonelli em praticamente o final de semana inteiro, mas acabou dominado na corrida e viu sua desvantagem aumentar, com Lando Norris, claramente o primeiro piloto da McLaren, se aproximando dele. 


Já no reino de Frederic Vasseur, a reunião pós-corrida da Ferrari tende a ser bem animada. Hamilton poderia ter conquistado um resultado melhor, mas quando Leclerc se recusou a sair de sua frente, perdeu um tempo precioso que lhe custo, no mínimo, um lugar no pódio e ainda viu Russell empatar com ele no campeonato. Cada vez mais à vontade dentro da Ferrari, Lewis Hamilton reclamou bastante da estratégia da Ferrari e, claro, do seu companheiro de equipe. Por sua vez, tido e havido como um piloto criado dentro da Ferrari para ser campeão e com o contrato renovado, Charles Leclerc não quer perder a posição de piloto principal da equipe, mesmo correndo ao lado de um heptacampeão mundial. Política sempre fez parte da gestão de pilotos da Ferrari, fica surpreso quem quer. Com Max Verstappen de fora logo na primeira volta, a Red Bull viu Liam Lawson levar seu carro até o fim sem maiores arroubos no sétimo lugar, ficando o time austríaco como a quarta força isolada em Zandvoort.


O pelotão intermediário teve inúmeras brigas e punições, com Nico Hulkenberg marcando pontos pela segunda corrida consecutiva e mostrando que a Audi tem condições de brigar com a Racing Bulls pelo quinto posto do Mundial de Construtores, mas o grande destaque foi mesmo Fernando Alonso. Com a Honda trazendo um motor praticamente novo para Zandvoort, a dupla da Aston Martin reclamou de problemas de noviciado e seus pilotos ficaram no Q1, mas Alonso parecia satisfeito com o potencial do carro. Mesmo ainda sofrendo com a potência do carro, Alonso arriscou para fazer uma parada a menos e se aproveitando do caos ao redor, levou à Aston Martin ao seu melhor resultado até o momento em 2026 com um honroso nono lugar, ficando à frente de Gasly, com seu Alpine com vários desenvolvimentos. A Racing Bulls viu Lindblad ser punido e Tsunoda fazer uma corrida de reestreia decente, mas fora dos pontos. A rodada na primeira volta depois de outra largada ruim deixou Bortoleto fora dos pontos a corrida inteira, mas sempre com Gabriel mostrando um ritmo forte quando teve pista livre. A Haas abandonou com seus dois carros, a Cadillac viu o novo chefe Marcin Budkowski se orgulhar de que nenhum carro se desfez na pista e a Williams... Bom a Williams viu seus dois pilotos baterem entre si no final da corrida quando ambos brigavam pelas últimas posições. James Vowles terá muito trabalho.


Zandvoort deixa a F1 com sua melhor corrida em seu retorno ao calendário e já deixando saudades. A torcida neerlandesa pode ter saído do autódromo frustrada pelo acidente de Max, mas os fãs da F1 viram uma grande corrida e o que pode ser o início de um novo campeonato, com a ascensão da McLaren. Norris pulou para quarto no campeonato e ainda está mais oitenta pontos atrás de Andrea Kimi Antonelli, mas os últimos campeonatos mostraram que o final de uma temporada pode ser bem diferente do seu início. Toto Wolff mostrou hoje que já abriu o olho para essa situação. Mais confiante com seu título conquistado, Lando Norris está crescendo no momento certo. Antonelli que se cuide! 

sábado, 22 de agosto de 2026

O troco de Lando

 


Lando Norris entrou de férias com uma vitória convincente em Hungaroring. O retorno da pausa do atual campeão da F1 indicava a continuidade de sua boa fase em Zandvoort, mas George Russell conseguiu a pole na Sprint rumo a uma vitória tranquila, enquanto Lando ficou na primeira fila e ainda foi ultrapassado por Leclerc no final da Sprint. Observando como foi a Sprint, todos sabiam que a classificação deverá um diferencial e tanto e Lando Norris de um troco no seu compatriota e como foi pole na corrida de domingo, ainda foi com juros.

As três semanas sem F1 foi de algumas definições. Mesmo com Carlos Sainz bastante insatisfeito em seu segundo ano na Williams, o espanhol acabou renovando com a equipe, muito provavelmente por falta de oportunidades em outras equipes, o mesmo acontecendo com Alex Albon. Com seus dois pilotos na casa dos 30 anos, a Williams tentará não ser o cemitério das carreiras de Sainz e Albon. Na véspera das primeiras atividades de pista, Max Verstappen anunciou que renovou por mais dois anos com a Red Bull, ficando nas glebas austríacas pelo menos até 2030. O declínio técnico da Red Bull somado ao péssimo regulamento deixou a permanência de Max na Red Bull e na própria F1 em dúvida. Novamente Verstappen foi visto em companhia de Toto Wolff nas férias, alimentando rumores de uma ida para a Mercedes. E como Andrea Kimi Antonelli estava junto de Toto, a 'vítima' seria bem clara...

No entanto Wolff foi pragmático. O austríaco nunca escondeu seu descontentamento em lidar com a rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg e provavelmente Toto farejou que ter Max e Kimi juntos poderia ser bastante explosivo. Russell ainda pode ser útil na equipe, mesmo como um segundo piloto à Barrichello, ou seja, não muito satisfeito com a situação. Já para Verstappen ficar na Red Bull significará um compasso de espera para observar o que acontece ao seu redor. A Mercedes não parece uma porta atraente no momento, então olhar para outras equipes e ver o que acontece é uma opção mais segura, enquanto a Red Bull, que segue perdendo pessoas importantes no lado técnico, tenta um ressurgimento.

E falando em perdas na Red Bull, a equipe sofreu mais uma para o final de semana em Zandvoort, mesmo que de forma pontual. É de conhecimento de todos que Isack Hadjar gosta de praticar esportes de luta e enquanto treinava boxe num saco de areia, Hadjar sofreu uma fissura no punho direito, fazendo com que o francês, que conseguiu seu único pódio até agora nos Países Baixos ano passado, ficasse de fora da prova neerlandesa, substituído por Liam Lawson, que por sua vez cedeu seu carro na Racing Bulls para Yuki Tsunoda, que disse que recebeu a notícia que voltaria a F1 enquanto curtia uma praia na Grécia.

A morna corrida da Sprint, com vitória de Russell, alertou ainda mais as equipes para a importância da classificação, realizada poucas horas depois. O posicionamento em Zandvoort, que faz sua despedida da F1, poderia ser crucial no domingo. Desde seu acidente em Suzuka que Oliver Bearman não teve o mesmo bom desempenho de antes e ele foi a surpresa negativa ao ficar pelo caminho no Q1, perdendo para o cada vez mais ameaçado Ocon. No pelotão intermediário, a Alpine trouxe um grande pacote de updates para o carro de Gasly, mas o francês acabou ficando por muito pouco no Q2, superando Colapinto com boa margem. A briga pela quinta força ficou novamente entre Audi e Racing Bulls. Com Tsunoda fazendo um bom final de semana, mas eliminado no Q2, a Racing Bulls apostou tudo em Lindblad, que não decepcionou e novamente foi ao Q3, tendo a companhia de Bortoleto, que mais uma vez superou Hulkenberg com certa margem. E Gabriel superou Arvid no Q3.

A briga pela ponta tinha Mercedes e McLaren, com a Ferrari correndo por fora. A Red Bull se conformou rapidamente em ser a quarta força e nem mesmo a genialidade de Max Verstappen, correndo em casa, pôde mudar essa situação. Leclerc fez uma ótima Sprint, sendo o único a largar com pneus macios, mas o monegasco não repetiu o mesmo desempenho na classificação e com Hamilton errando várias vezes na famosa Curva Tarzan, a primeira de Zandvoort, ambos ficaram fora da briga pela pole. Piastri andava próximo de Norris, mas com o inglês sempre à frente, enquanto Antonelli parecia em clara desvantagem frente à Russell. Para completar a chuva deu as caras no final do Q3, fazendo todo mundo antecipar os trabalhos na pista e Norris conseguiu uma bela pole, superando a dupla da Mercedes por pouco. No fim, Antonelli mostrou seu talento e quase superou Russell quando mais importava, enquanto Piastri continua sua má fase e ficou apenas em quarto. Se Norris manter o bom posicionamento conquistado com a pole, ele poderá manter sua boa fase. O problema é Lando confirmar a pole, sem contar que o clima em Zandvoort não está dos mais firmes.