segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Figura(MEX): Andrea Kimi Antonelli

 Quinze meses atrás Andrea Kimi Antonelli chegou para dar entrevista após conseguir uma opaca décima oitava posição no grid para o Grande Prêmio da Bélgica com lágrimas nos olhos. A escolha de Toto Wolff de colocar Antonelli, com 18 anos, numa equipe grande como a Mercedes era questionada por todos e Kimi parecia acuado com tamanha pressão. O italiano se recuperou no final da temporada 2025, mas ninguém apostava em Antonelli como campeão mundial em 2026. George Russell era o favorito destacado ao título e quando o inglês venceu a primeira corrida da temporada, parecia que Kimi seria apenas um coadjuvante esperando sua oportunidade. Então veio Xangai e Russell começar a ter problemas. Antonelli conseguiu sua primeira pole e sua primeira vitória, quebrando recordes de precocidade. Parecia um ligeiro percalço. Só que veio Suzuka, Miami, Montreal... Russell não conseguia se reerguer, enquanto a confiança de Antonelli só crescia. Em Mônaco Antonelli conseguia sua quinta vitória consecutiva. A Mercedes perdia terreno para as rivais, mas então Antonelli mostrou maturidade. A matemática estava a seu favor e ele foi conseguindo pontos, se mostrando sólido e exibindo poucos pontos fracos. Em Monza, Kimi conseguia uma vitória histórica na frente de uma torcida acostumada a só torcer pela Ferrari. O título passou a ser questão de 'quando', não mais de 'se'. Poderia ter vindo em Austin. Kimi fez sua parte ao vencer pela nona vez em 2026, mas a matemática não lhe ajudou no Texas. Porém, no México, Kimi controlou Russell o tempo inteiro e fez uma corrida cautelosa, da mesma forma como vinha fazendo nos últimos meses, correndo com o regulamento debaixo do braço. Um terceiro lugar bastou para Andrea Kimi Antonelli conquistar, com quatro (ou três...) corridas de antecedência o seu primeiro título mundial, se tornando com 20 anos de idade o mais jovem a conseguir o feito, quebrando mais um recorde, sendo o primeiro italiano campeão da F1 desde 1953, com o mítico Alberto Ascari. Ainda é difícil quantificar o tamanho do feito de Andrea Kimi Antonelli, mas com tantos recordes quebrados ao longo de 2026, é difícil não dizer que vimos a história ser feito na frente de nossos olhos.

Figurão(MEX): Oscar Piastri

 Com George Russell aparecendo nessa parte da coluna tantas vezes de forma merecida, está na hora de alguma variação e por isso um piloto que está numa situação parecida do inglês estará, com justiça, por aqui. Quinze meses atrás Oscar Piastri liderava o campeonato da F1 e era considerado um talento geracional captado pela McLaren, com um belo futuro pela frente. No entanto o australiano conseguiu perder um campeonato ganho para o seu companheiro de equipe e mesmo não sabendo o que aconteceu nos bastidores da McLaren naquele segundo semestre de 2025, a carreira de Piastri sofreu um forte abalo e até agora ele não se estabeleceu. No México, Piastri continuou sendo de três a quatro décimos de segundo mais lento do que Norris, algo que não ocorria nos anos anteriores, e isso significou ficar de fora do Q3 pela primeira vez no ano, quebrando uma longa sequência da McLaren com os dois pilotos no Q3. Mais do que isso, observando o grande abismo entre as quatro equipes top e o restante do pelotão, isso é bastante embaraçoso, mas na corrida a situação não foi muito diferente, com Piastri passando a corrida inteira brigando com a Racing Bulls de Arvid Lindblad, resultando num acidente entre eles que fez o inglês abandonar e numa punição de 10s para Piastri, que saiu da zona de pontos, atrapalhando a McLaren em sua luta pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores com a Red Bull. Todos sabem da capacidade de Oscar Piastri e que esses geniosos carros do novo regulamento técnico são complicados, porém, o australiano precisa se reinventar (como Russell) se quiser salvar sua carreira na F1.

domingo, 1 de novembro de 2026

História sendo feita

 


Sábado, 26 de julho de 2025. Andrea Kimi Antonelli chega para dar entrevista após conseguir uma pálida décima oitava posição no grid para o Grande Prêmio da Bélgica com lágrimas nos olhos. A fase do jovem piloto italiano da Mercedes era muito ruim e as críticas à escolha de Toto Wolff se acumulavam na medida em que Kimi, com 18 anos naquele momento, cometia erros e não confirmava a enorme velocidade esperada dele. Colocar um piloto tão novo numa equipe grande como a Mercedes parecia um erro. Kimi se recuperou no final do ano, voltou a subir ao pódio em Interlagos e mesmo que a mudança de regulamento fosse uma clara oportunidade para a Mercedes voltar aos tempos de glória, ninguém apostava em Antonelli como campeão mundial. Os olhos estavam em George Russell, indo para a sua oitava temporada na F1, sendo a quinta pela equipe Mercedes, líder da equipe no começo de 2026. A primeira corrida do desastroso novo regulamento técnico confirmava a força da Mercedes e Russell venceu a primeira prova em Melbourne. Parecia que seria um passeio do inglês. Com um segundo lugar, Andrea Kimi Antonelli parecia que seria apenas um coadjuvante esperando sua oportunidade, além de aprender com um piloto mais experiente do que ele. Veio Xangai e Russell tem problemas na classificação e Antonelli fica com a pole, se tornando o mais jovem a fazê-lo e no dia seguinte vence na China. Muitos esperavam que aquilo fosse mais um ligeiro percalço. Só que veio Suzuka, Miami, Montreal... Russell não conseguia se reerguer, enquanto a confiança de Antonelli só crescia. Muitos esperavam que a Ferrari ganhasse em Monte Carlo, mas Kimi tirou uma volta de classificação da cartola para ficar com a pole e venceu em Mônaco. Quinta vitória consecutiva. As demais equipes grandes se aproximaram da Mercedes, mas a maturidade de Antonelli o fez perceber que não precisava mais vencer todas as corridas. A matemática estava a seu favor, além de esbanjar confiança, Kimi foi amealhando pontos, sempre se mostrando sólido e exibindo poucos pontos fracos. A disputa interna já estava dominada. Russell nunca se recuperou e ainda viu o crescimento de Ferrari, McLaren e Red Bull mais lhe afetar do que ao próprio companheiro de equipe. Em Monza, muitos esperavam como a torcida italiana se comportaria. Torceria com a mesma intensidade para Antonelli como faz com a Ferrari? Mesmo punido, Kimi deu a resposta com uma inesquecível vitória em casa, terminando um recorde de sessenta anos. O título passou a ser questão de 'quando', não mais de 'se'. Poderia ter vindo em Austin. Kimi fez sua parte ao vencer pela nona vez em 2026, mas a matemática não lhe ajudou no Texas. Na Cidade do México, mesmo chegando doente ao final de semana, Kimi fez um final de semana ponderado. Controlou Russell o tempo inteiro e fez uma corrida cautelosa, da mesma forma como vinha fazendo nos últimos meses, correndo com o regulamento debaixo do braço. Enquanto via a Ferrari se atrapalhar pela enésima vez em 2026, entregando a vitória no colo de Max Verstappen, Andrea Kimi Antonelli administrou uma situação que a nona posição lhe bastava para ser terceiro e conquistar, com quatro (ou três...) corridas de antecedência o seu primeiro título mundial, se tornando com meros 20 anos de idade o mais jovem a conseguir o feito, quebrando mais um recorde, sendo o primeiro italiano campeão da F1 desde 1953, com o mítico Alberto Ascari.


A Itália tinha bons motivos para vibrar na Circuito Hermanos Rodríguez, pois além de Antonelli estar com oito dedos das mãos na taça, a Ferrari vinha forte com seus dois pilotos nas duas primeiras filas após demonstrar um bom ritmo em todos os treinos. Como é de conhecimento de todos, a largada para o Grande Prêmio da Cidade do México é uma das mais delicadas da temporada por causa do longo caminho até a freada, causando muito vácuo entre os carros. No apagar das luzes vermelhas, Hamilton logo se colocou por dentro, com os quatro primeiros colocados juntos e em fila indiana. Antes da freada, aparentemente Russell teve algum problema, pois ficou lento e isso foi a deixa para Antonelli se aproximar ainda mais do título ao ultrapassar o companheiro de equipe. Melhor ainda fez Max Verstappen, ao pular de quinto para terceiro, enquanto Leclerc começava os primeiros ataques em cima de Hamilton. Incrivelmente a apertada primeira chicane não entregou nenhum problemas e todos os carros saíram para a pequena reta antes da curva três incólumes. Foi quando os problemas que Fred Vasseur precisará resolver começaram. Leclerc vinha com mais ação e mergulhou por fora na curva 3. Querendo se defender, Hamilton freou no limite e 'embarrigou' a curva, saindo até mesmo do traçado, empurrando Leclerc para ainda mais longe. Sem espaço, Leclerc saiu pela grama e emergiu no asfalto com boa vantagem para quem vinha atrás. O problema foi que Hamilton perdeu tempo na manobra e acabou ultrapassado por Verstappen, separando as duas Ferraris. A situação claramente indicava que Leclerc teria que devolver a posição para Hamilton, mas isso entregaria a primeira posição para Verstappen.


A polêmica se instalou dentro do seio da Ferrari, com Hamilton reclamando que Leclerc deveria entregar sua posição, mas o monegasco preferiu dobrar a aposta e para não entregar a ponta para um carro da Red Bull, permaneceu em primeiro, com Verstappen também cobrando uma punição da FIA, que veio, mas para tristeza dos envolvidos, Charles tomaria apenas 5s. O fato de Hamilton também ter saído da pista amenizou a pena de Leclerc, que tratou de abrir a diferença para Verstappen, usando seus pneus macios contra a borracha média de Max. Com boa parte do grid largando com pneus macios mantendo um bom desempenho, a tática de uma parada seria padrão para todo o pelotão e bem no momento em que Leclerc se aproximava dos 5s de vantagem para Verstappen, ele foi chamado pela Ferrari na volta 27. Espertamente a Red Bull chamou Max na mesma volta. Com a Ferrari parada por 5s antes realizar a troca de pneus, Max saiu de sua parada confortavelmente na frente de Leclerc, coroando mais uma falta de gestão de pilotos da Ferrari em 2026. 


Contudo, Max teria que percorrer 43 voltas com pneus macios e ainda via Andrea Kimi Antonelli tentar dar o pulo do gato. Procurando não se envolver em disputas com outros pilotos que não tinham nada a perder, Kimi esticou ao máximo seu stint e mesmo perdendo tempo frente à Max e a dupla Ferrari, que andavam juntos nesse momento, a Mercedes pensou em deixar Antonelli com pneus médios com uma vantagem nas voltas finais. Kimi fez sua parada na volta 43 e quando o italiano retornou à pista na quarta posição, Valtteri Bottas sofreu um perigoso acidente na curva um. Num lugar onde os carros atingiram os 362 km/h, Bottas viu a suspensão dianteira esquerda se quebrar sozinha e o nórdico virou passageiro dentro do seu Cadillac, batendo forte no muro de proteção. Bottas demorou um pouco a sair do carro e com a barreira tendo que ser consertada, a bandeira vermelha foi dada, estancando qualquer vantagem que alguém pudesse ter. Quando os pilotos saíram dos seus carros durante a interrupção, estava claro que Lewis Hamilton estava furioso ainda pelo lance da primeira volta e com ele largando logo atrás de Leclerc, a tensão estava alta para a segunda largada.


Vindo de largada ruins nas últimas provas, dessa vez Max Verstappen manteve a ponta no apagar das luzes vermelhas e sem surpresas, Hamilton saiu com a faca nos dentes, rapidamente ultrapassando Leclerc, que dessa vez saiu mal. Hamilton chegou a emparelhar com Verstappen e de certa forma provou do próprio remédio, pois ao tentar ultrapassar por fora, viu Max jogar duro ao tangenciar a curva mais larga do que o normal, deixando praticamente nenhum espaço para Lewis. Charles tentou entrar nessa briga, mas ao frear forte, acabou fritando seus pneus e deixando-o com um flat spot no pneu dianteiro esquerdo que se mostrou decisivo. Na volta seguinte Andrea Kimi Antonelli conseguiu ultrapassar o sempre duro Leclerc na curva um e se colocar em terceiro lugar. Hamilton tentou de todas as formas ir para cima de Verstappen, mas o neerlandês usou a potência superior do seu motor Ford para vencer mais uma vez em 2026 e assumir a vice-liderança do campeonato, além de conquistar sua sexta vitória na Cidade do México. Hamilton lamentou bastante perder o que nas palavras dele, seria uma dobradinha para a Ferrari, mas a grande festa não era essa.

Após ultrapassar Leclerc, Antonelli se aproveitou do ritmo ruim do monegasco após ter estragado seus pneus e viu de camarote as tentativas de Hamilton ultrapassar Verstappen. O terceiro lugar era mais do que suficiente para Antonelli se consagrar como o novo Campeão Mundial da Formula 1. E nada mais simbólico do que Antonelli subir ao pódio junto de dois multicampeões e ser erguido por eles no pódio. 


Mesmo com o pneu onde podia ver a carcaça, Leclerc segurou os ataques de Lando Norris, que fez uma corrida inofensiva, onde muitas vezes tinha mais ritmo que o carro à frente, mas simplesmente não conseguia fazer a ultrapassagem. Um pálido quinto lugar foi tudo que Lando conseguiu, enquanto Leclerc terá que encarar uma tensa reunião com a cúpula da Ferrari. O sexto lugar de George Russell refletiu a temporada completamente opaca do inglês. Sua largada ruim o colocou atrás de Russell e isso afeta sobremaneira o psicológico de George, que a partir de então fez uma corrida modorrenta, onde não conseguiu acompanhar Antonelli e que foi piorada com uma punição de 10s por fazer Isack Hadjar rodar na primeira volta, estragando a corrida do francês. Mesmo antes da parada para pagar a punição, o ritmo de Russell era tão ruim que acabou tendo que se defender de Lando e mesmo quando se tornou caçador, não fez nada em cima do seu compatriota. Os resultados tímidos de Russell já o tirou da vice-liderança do campeonato, o que torna sua situação dentro da equipe Mercedes ainda mais vexatória. Como explicar que de favorito ao título, Russell tem a real possibilidade de nem ir à Xangai participar da festa da FIA dos melhores do campeonato? Fazendo igualmente um campeonato abaixo da crítica está Oscar Piastri. Após não ir ao Q3 na classificação, o que já é vergonhoso, Piastri acabou na briga com a Racing Bulls de Lindblad, o que acabou resultando num acidente entre os dois que trouxe o segundo Safety Car do dia, além de render uma punição de 10s ao australiano, que lhe tirou da zona de pontos.


Quem agradeceu com isso foi a Alpine, pois com Lindblad de fora, pontuou com seus dois pilotos, sendo que dessa vez foi Colapinto a ficar à frente de Gasly, com Liam Lawson os separando. O neozelandês se envolveu num sórdido incidente com Max Verstappen na sexta-feira, que rendeu a ambos uma punição de dedução de uma posição no grid, mas que Lawson aproveitou para trocar a unidade de potência e sair do pit-lane rumo aos pontos. Mais uma boa corrida para Liam Lawson, mas se envolver num incidente com a estrela do programa da Red Bull não pareceu uma ideia das melhores. No meio do furacão que foi o final de semana da Haas, Oliver Bearman fazia seu melhor final de semana em muito tempo e chegou a andar consistentemente na zona de pontos, mas na relargada após a bandeira vermelha acabou acertado na traseira por Nico Hulkenberg, fazendo o inglês abandonar e Hulkenberg ficar nas últimas posições. Ryo Hirakawa fez uma corrida decente dentro das circunstâncias, usando sua experiência de bicampeão do WEC para terminar a prova no México. Os incidentes de Bearman-Hulkenberg e a punição à Piastri fez com que Gabriel Bortoleto marcasse ponto depois de muito tempo e um final de semana bastante conturbado no México, onde mal conseguiu andar nos treinos livres por problemas de confiabilidade da Audi.


A Williams mal apareceu com seus dois pilotos, mas Albon sentiu um pequeno gosto de vingança após a frase de Alonso, que disse após a corrida em Austin que 'o terço final do pelotão tem um nível muito baixo', após uma briga do espanhol com Albon. No México novamente a Aston Martin teve um final de semana tenebroso e seus dois carros não conseguiram completar dez voltas. A Cadillac se viu envolvido num problema quase amadorístico nesse final de semana, e nem falo do sórdido acidente de Bottas, mais um onde um carro da Cadillac se desfaz sozinho e sem aviso. Cansado do péssimo desempenho de Bottas, a Cadillac irá tentar colocar Colton Herta na equipe em 2027, mesmo o norte-americano não tendo feito nada na F2 para fazer merecer a promoção. Na conta da FIA, Herta só precisava marcar mais um pontinho na super licença que ele seria estaria apto a correr na F1 em 2027 e para isso bastava completar 100 km no treino livre, algo que Colton fez sem maiores problemas na sexta-feira. O problema foi que descobriu-se que Colton Herta não fora sexto colocado em 2025 na Indy, mas sétimo, perdendo nos critérios de desempate para Felix Rosenqvist, com quem terminou aquele campeonato empatado. Um erro de cálculo que fará Herta participar de mais treinos livres para marcar mais um pontinho, enquanto correndo em casa, Pérez chegou a correr em 13º em sua corrida de número 300, mas um pit-stop ruim da Cadillac o colocou na última posição.


O campeonato de 2026 teve seu campeão em Andrea Kimi Antonelli, que em sua segunda temporada na F1 surpreendeu até mesmo a Mercedes, ao derrotar de forma tão fácil George Russell e controlar um campeonato onde, se a Mercedes não dominou, a equipe tedesca se mostrou forte em praticamente todas as corridas. E usando a antiga característica de George Russell, a solidez, mais seu talento, Antonelli administrou o campeonato com a maturidade de experiente piloto de F1 e a magia de um talento geracional. Ainda é difícil quantificar o tamanho do feito de Andrea Kimi Antonelli, mas com tantos recordes quebrados ao longo de 2026, é difícil não dizer que vimos a história ser feito na frente de nossos olhos.

Soco no tabu

 


Maior poleman da história da F1, Lewis Hamilton nunca havia passado tanto tempo sem largar com ninguém a sua frente em sua já longa carreira na F1. Mesmo com todos os problemas de altitude vistos na Cidade do México, além da performance recente da Ferrari de sempre vacilar na classificação, Hamilton conseguiu sua 105º pole na carreira, mas esse certamente não foi a grande notícia do dia.

Esteban Ocon tem cara de bom moço e muitos que cobrem a F1 in loco falam que o francês é afável com os fãs e bastante educado de modo geral. No entanto, o francês tem no seu currículo de dez anos de F1 várias situações de problemas internos nas equipes por onde esteve. Os toques com seus companheiros de equipe já entraram no folclore da F1, onde Ocon praticamente gabaritou. Werhlein, Pérez, Alonso, Gasly, Bearman... Todos tiveram algum problema com Ocon dentro da pista. No sábado pela manhã no México, a F1 foi acordada pela notícia de que Ocon não iria participar do restante do final de semana. Mal de Montezuma? Afinal, Antonelli e Pérez estavam doentes no começo da semana. A Haas logo desmentiu que Ocon estava doente e não teve pudor em retirar o nome de Ocon dos boxes, colocando o piloto reserva Ryo Hirakawa no lugar.

Não demorou para surgirem indícios de que um grande discussão ocorreu na sexta à noite e uma ríspida conversa via rádio entre Ocon e sua engenheira, a alemã Laura Müller, surgiu. Com Ocon voando para casa, o chefe de equipe Ayao Komatsu evitou ao máximo comentar o assunto, principalmente quando apareceu a hipótese que a briga foi tão grande que os dois teriam ido às vias de fato, algo que Ocon negou em postagem em rede social. Se Hirakawa, que quase foi ao Q2, participará do GP do México normalmente, próxima semana será complicado, pois o japonês está na briga pelo título do WEC e não se sabe se Hirakawa estará presente em Interlagos, abrindo a possibilidade de uma estreia antecipada de Rafael Câmara na Haas. Já para Ocon, além de sua demissão pela Haas ser algo que está faltando apenas ser anunciado, sua carreira na F1 deverá terminar de forma vergonhosa e quando lembrarmos da passagem de Esteban Ocon na F1, ao invés da velocidade e da vitória em Hungaroring, todos recordaremos seus inúmeros problemas internos e como um piloto tão encrenqueiro conseguiu ficar tanto tempo na F1.

Dentro da pista, a Ferrari novamente andou muito forte nos treinos livres, mas ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas etapas, o ritmo não caiu e a dupla ferrarista se manteve na luta pela pole no Q3. Hamilton sofreu um pouco no Q2, mas fez duas grandes voltas no Q3 e contou com um erro de Leclerc e Verstappen ter sido atrapalhado por Norris para conseguir sua primeira pole pela Ferrari. Russell andou atrás de Antonelli o final de semana inteiro, mas achou uma boa volta no Q3 para fazer uma primeira fila todinha da Inglaterra, mas com Antonelli logo atrás, em quarto.

domingo, 25 de outubro de 2026

Figura(EUA): Andrea Kimi Antonelli

 O título não veio em Austin, mas alguém ainda duvida que o campeão será Antonelli? O italiano teve um final de semana de almanaque em Austin, conquistando a pole quando todos pensavam que a Ferrari era a favorita e Max Verstappen surgiu forte no Q3, mas no final foi Kimi quem ficou a posição de honra. Enquanto todos imaginavam uma corrida de duas paradas, Kimi fez funcionar com perfeição uma tática de uma parada para vencer pela nona vez e só precisar de um nono lugar no México para garantir matematicamente o que todos já sabem.

Figurão(EUA): George Russell

 No começo do ano todos esperavam que George Russell conquistasse o título e a sempre ufanista imprensa inglesa fomentava isso, transformando George como principal favorito a se tornar campeão da F1 em 2026. Passados alguns meses, vemos um piloto completamente eclipsado por seu jovem companheiro de equipe de forma surpreendente e Russell vê não apenas o título ficar cada vez mais longe, como corre o risco de passar o vexame de acabar o campeonato em quinto lugar usando o mesmo carro do campeão antecipado. Em Austin Russell teve outra corrida horrorosa em sua longa coleção em 2026. Largando apenas em sétimo, tendo tomado em média quatro décimos de Antonelli em todo o final de semana, Russell não se ajudou ao se engalfinhar com Norris na primeira volta e tomar 5s de punição. Porém, isso não explica sua corrida pífia, onde ficou trinta voltas atrás da McLaren de Piastri e na bandeirada tomou 54s de Antonelli. Russell precisa rever bastante sua preparação para 2027, pois nesse momento sua imagem de piloto pronto para ser campeão mundial está bastante arranhada. 

Com as mãos na taça

 



A questão se tornou meramente matemática. Na antessala do pódio, Verstappen e Leclerc comentaram com o vencedor Andrea Kimi Antonelli que a decisão deve ser mesmo no México, na próxima semana e os dois já experientes pilotos não parecem afetados pelo título iminente do italiano. A nona vitória de Antonelli em 2026 o coloca numa situação bastante cômoda para garantir seu primeiro título na Cidade do México. Kimi executou uma corrida de almanaque em Austin, fazendo funcionar uma inesperada estratégia de uma parada para derrotar com certa tranquilidade a Red Bull de Verstappen e a ascendente Ferrari para colocar as mãos na taça.


O campeonato tinha chances de ser definido em Austin, mas era uma hipótese até mesmo remota e que dependeria de um abandono de Russell ou uma corrida problemática de Hamilton, no entanto, Andrea Kimi Antonelli precisava fazer sua parte. Além das ondulações que tanto preocupara os pilotos, o desgaste de pneus era outro ponto que fazia as equipes coçarem a cabeça para escolher a melhor estratégia. Os treinos livres indicavam que uma tática de dois pit-stops poderia ser a melhor opção para a corrida, mas o domingo em Austin, que recebeu um público enorme em todo o final de semana, estava nublado. Não havia risco de chuva, mas o forte calor visto na sexta e no sábado não estava presente, o que poderia ajudar a todos. Quando os pilotos foram para a volta de apresentação, Mercedes e McLaren escolheram largar de pneus médios, enquanto Ferrari e Red Bull foram com os pneus macios. Num primeiro momento isso poderia ajudar Max Verstappen a atacar Andrea Kimi Antonelli na sempre complicada primeira curva, com o neerlandês sabendo que o piloto da Mercedes não iria forçar a barra em caso de ataque. Contudo, Antonelli aprendeu a fazer boas largadas, ao contrário das primeiras provas do ano, e chegou confortavelmente na ponta na curva um. O mesmo não aconteceu com Verstappen, que sofreu forte ataque da dupla da Ferrari, já que Hadjar também largara muito mal. 

A primeira volta foi frenética, com Verstappen se engalfinhando com Leclerc e Hamilton. Charles chegou a tomar a segunda posição de Max numa manobra audaciosa nas primeiras curvas, mas Verstappen não demorou muitas curvas para dar o troco e voltar à segunda posição. Enquanto isso, Kimi via tudo isso nos seus retrovisores cada vez mais de longe e quando o primeiro Virtual Safety Car apareceu ainda na segunda volta por causa de detritos na pista, Antonelli já abrira 2,5s sobre Verstappen. A corrida se acalmou no primeiro pelotão na bandeira verde, com Kimi mantendo a diferença para Verstappen, que era seguido pela dupla da Ferrari, Russell e a dupla da McLaren, mas com Piastri à frente, no entanto, a fase do australiano é tão tenebrosa que as Papayas Rules apareceram para Oscar cedesse sua posição à Norris e Piastri nem chiou.


Com pneus macios, Verstappen resguardava seus pneus, mas com Leclerc tentando uma nova aproximação, Max foi aos pits ainda na volta 14 e ao sair com pneus macios, o recado estava dado: Verstappen faria duas paradas. Era esperado uma peregrinação aos boxes para cobrir a manobra da Red Bull, mas apenas a dupla da Ferrari, que também escolhera os pneus macios, foram aos pits do primeiro pelotão. Antonelli só fez sua parada dez voltas mais tarde e ao colocar pneus duros, dava um recado: ele não pararia mais em condições normais. Restava ver como os pneus duros se comportariam e não demorou para Antonelli se tornar o piloto mais rápido da pista, retornando em quarto e logo encostando em Verstappen e Leclerc. Max parou pela segunda vez na volta 31, enquanto a Ferrari preferiu esticar seu stint, com Leclerc nem se importando muito em ser ultrapassado por Antonelli. Verstappen reclamava da dirigibilidade do seu Red Bull, algo corriqueiro em 2026, mas o ritmo de Max não parecia ser forte o suficiente para tentar um ataque em cima de Antonelli nas voltas finais e a situação do piloto da Red Bull se complicou ainda mais com o ritmo avassalador de Leclerc, que mesmo fazendo sua parada quando restavam apenas dezessete voltas, saiu com pneus duros, mas se tornara o piloto mais rápido da pista.

Norris imitou a estratégia de Antonelli, mesmo que 12s atrás do italiano e logo teria Verstappen o pressionando. Max não foi tão incisivo até Leclerc, 1s mais do que ele, encostar na Red Bull. Numa manobra esperta na curva um, Max se defendeu dos ataques de Leclerc efetuando uma manobra agressiva em cima de Norris, que pareceu surpreendido com o movimento de Max. Na freada da reta oposta Leclerc assumiu a terceira posição e com um ritmo superior, ultrapassou Verstappen, mas restando meras sete voltas e 10s atrás de Antonelli, a situação parecia liquidada. Foi então que o Cadillac de Bottas apareceu lento e o nórdico encostou seu carro numa 'agulha', trazendo o segundo VSC do dia. Os estrategistas da Mercedes devem ter sentido calafrios quando o Cadillac de Valtteri não saía do lugar, mesmo com os comissários de pista empurrando o carro. Parecia que o Safety Car real entraria na pista, o que traria uma forte emoção para as últimas voltas, mas um trator foi acionado de fora da pista e a bandeira verde foi mostrada quando faltavam três voltas.


Com uma diferença considerável e fazendo uma corrida exemplar, Andrea Kimi Antonelli garantiu sua nona vitória na carreira e a mais importante em 2026. Foi mais um exemplo da versatilidade do italiano, que fez uma baita largada, se posicionou muito bem e administrou uma surpreendente estratégia de uma parada, quando todos esperavam dois pit-stops. O título não veio por mero detalhe. Hamilton viu suas chances de subir ao pódio se perderem com o VSC, pois se não tinha o mesmo ritmo de Leclerc, Lewis era bem mais rápido do que Verstappen e cruzou a linha de chegada em quarto, menos de 1s atrás do seu arquirrival. Já George Russell fez uma corrida medonha, sorumbática e que já coloca dúvidas de como o inglês se recuperará em 2027. Saindo apenas em sétimo, se envolveu num incidente com a McLaren de Norris ainda na primeira volta e acabou punido em 5s por ganhar vantagem por fora da pista. Punido quando fez sua parada, Russell imitou Antonelli e fez apenas um pit, mas ao retornar atrás da McLaren de Piastri, o inglês passou trinta voltas atrás do australiano, que está em péssima fase. O oitavo lugar significou também que Russell foi o último das quatro equipes grandes, tomando no processo 54s do seu companheiro de equipe. Mais uma corrida onde Russell ficou muito aquém de alguém que era dito e havido como o grande favorito ao título e corre o risco de terminar em quinto lugar no campeonato com o mesmo carro do campeão antecipado.

A Ferrari acertou na estratégia e transformou seus dois pilotos nos mais rápidos do último terço de prova, diminuindo um pouco a decepção do que fora a classificação no sábado. Leclerc sempre andou na frente de Hamilton, demonstrou mais uma vez não temer Verstappen numa luta direta e conseguiu mais um segundo lugar, enquanto Lewis quase completou o pódio. Se a nova atualização da Mercedes finalmente funcionou, a Ferrari ainda corre atrás de conseguir mais uma vitória até o final do ano ficar mais complicada. Vindo de duas vitórias consecutivas e enfáticas, a Red Bull entrou como favorita em Austin, mas o austríacos foram surpreendidos pela Mercedes pela evolução do novo pacote de updates da equipe alemã e na prova, pela tática de uma parada. Mesmo tendo um ritmo forte em boa parte da corrida e em nenhum momento ter usado os pneus mais duros, Verstappen não teve fôlego para brigar com Antonelli e ainda teve que lutar com a dupla da Ferrari nas voltas finais, mas garantiu mais um pódio, continuando a boa fase do neerlandês. Hadjar, mesmo largando de pneus macios, foi o último do pelotão da frente a fazer sua parada, mas o francês não se deu muito bem os pneus duros e na saída do que seria sua última parada pareceu ter problemas, mas Hadjar conseguiu segurar Piastri e ficar em sexto, continuando seu trabalho de marcar pontos no Mundial de Construtores para a Red Bull. Norris fazia uma boa corrida ao optar por uma única parada e segurava sem problemas Verstappen, mas com o aumento da pressão de Leclerc, Lando foi engolido por Max e Charles. Sem ter os pneus em condições de lutar, Lando ainda foi ultrapassado por Hamilton para terminar em quinto. Hoje, sem dúvidas, a McLaren é a quarta força da F1.


No pelotão intermediário, o melhor do resto mais uma vez foi Liam Lawson, consolidando cada vez mais o neozelandês como um sério candidato a ficar na Racing Bulls, mesmo que numa corrida sem abandonos entre as quatro equipes top, isso significasse um nono lugar. Arvid Lindblad começou o ano muito bem, ainda mostra velocidade aos sábado, mas hoje pode-se afirmar que o jovem inglês ficou atrás de Lawson na temporada. E é incrível como Lindblad parece imune à punições, pois ele não ter sido punido pela fechada dada em Sainz na largada beirou o absurdo, mas como nenhum dos dois esteve perto de pontuar, nem fez muita diferença. Pierre Galy teve que lutar forte com Oliver Bearman na primeira volta antes de se alocar na décima posição e por lá ficar, após o carrossel de paradas, até a bandeirada, garantindo mais um pontinho para a Alpine, que viu Colapinto, que fora punido em posições de largada, abandonar no meio da prova.


Nico Hulkenberg teve ajuda de Gabriel Bortoleto na classificação, já que o brasileiro teria que largar de último por ter trocado mais uma vez sua unidade de potência, mas nem assim o alemão foi ao Q3 e numa corrida em que largou mal, mas conseguiu se recuperar, terminou na cativa décima primeira posição, algo que a Audi está se acostumando. Após o toque com Gasly que lhe rendeu uma punição Bearman perdeu rendimento até abandonar, enquanto Ocon ficou no meio de lugar nenhum a corrida toda. A Aston Martin conseguiu uma ligeira melhora e em Austin ficou na frente da Williams, que ficou como o segundo pior carro do pelotão, mesmo que ambas tenha ficado 34s atrás de Ocon. Correndo em casa a Cadillac ficou na sua posição de última colocada, mas Marcin Budkowski já não esconde que o desempenho de Bottas nesse ano esteja abaixo da crítica e que procure um piloto para o lugar do finlandês em 2027.


O título não veio em Austin, como era muito difícil que acontecesse, mas não resta mais nenhuma dúvida que o título da Formula 1 em 2026 será de Andrea Kimi Antonelli. Para quem acompanha o canal do GPTotal no Youtube (www.youtube.com/@gptotal) sabe que Kimi pode não ter sido levado ao limite em sua campanha rumo ao primeiro título, mas não se pode negar o merecimento dele e que no futuro 2026 poderá ser lembrado como o primeiro troféu de muitos que podem vir por aí. Foi um ano em que um jovem de apenas 20 anos virou sobre um companheiro de equipe que parecia ser o favorito ao título e numa luta doméstica contra um piloto mais experiente, se sobressaiu com uma facilidade atordoante. Já Russell poderá ver sua carreira, que parecia muito sólida antes de começar 2026, ruir de forma impressionante. Com meros nove pontos o separando do quinto colocado do campeonato, George corre o sério risco de passar o vexame de nem ir à premiação da FIA dos três melhores do campeonato. Festa que Andrea Kimi Antonelli estará ostentando o troféu de campeão mundial.