segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Figura(SIN): Max Verstappen

 Após tantos anos na F1, restavam poucos circuitos onde Max Verstappen ainda não venceu. Marina Bay era um deles e Max fez muita questão de vencer em Singapura nesse ano. Lembrando seus tempos de Red Bull dominante entre 2022 e 2023, Verstappen conquistou a pole da Sprint Race e se aproveitando de mais um vacilo de Russell, controlou a mini corrida para vencer. Perguntado se estava satisfeito por vencer ali, Max não titubeou em minimizar a Sprint e pensar em vencer no domingo. E Verstappen conquistou a pole para a prova horas depois, se colocando como claro favorito. Assim como na Sprint, Verstappen não largou bem no domingo, mas mostrando a sua vontade de vencer ali, Max foi extremamente agressivo, espremendo Leclerc até o limite e com o ferrarista tendo pouco espaço e no lado sujo, Verstappen conseguiu manter a ponta da corrida por muito pouco. Depois dali Max Verstappen seguiu o script que tanto fez nos seus anos dominantes: despachou o segundo colocado e administrou o resto da corrida. Sem perder a ponta em nenhuma volta e só perdendo o Grand Chelem por Leclerc ter marcado a volta mais rápida da corrida, Max Verstappen venceu em Singapura pela primeira vez de forma dominante. Sem chances de título, Max vai estabelecendo que mesmo não sendo campeão pelo segundo consecutivo, ainda é o melhor piloto do grid atual e dá um recado aos rivais: se a reação da Red Bull viesse antes, Max tentaria repetir 2025, quando por muito pouco não tirou o título de Lando Norris. 

Figurão(SIN): George Russell

 George Russell iniciou o final de semana singapuriano sabendo que largaria na última fila por causa de uma punição por troca de peças de sua unidade de potência. Perdido por um, perdido por dez, George pediu à Mercedes para utilizar a antiga especificação do carro, enquanto Antonelli ficaria com as atualizações que chegaram em Sepang. Após a classificação da Sprint, a escolha de George se mostrou acertada, com o inglês largando em segundo (a punição só se deu no grid da corrida principal) e Antonelli apenas em sétimo. Era mais uma chance de George Russell descontar alguns pontinhos de Antonelli no campeonato, correto? Nem tanto. Russell largou melhor do que o pole Verstappen e liderava a Sprint no final da primeira volta quando chegou na parte mais molhada da pista e escorregou na entrada da reta dos boxes, batendo seu Mercedes. Para piorar, Antonelli aproveitou o abandono de Russell e do enrosco da dupla da McLaren para conquistar mais alguns pontos, quando levava a crer que seria o contrário. No domingo, George fez uma corrida discreta e azarada, pois quando estava entrando no pit-lane durante o período de Virtual Safety Car, a bandeira verde foi mostrada, fazendo Russell perder um tempo precioso. Russell correu contra o tempo, ainda ultrapassou Gasly, mas não teve como ultrapassar Hulkenberg, se conformando apenas com a nona posição. Em 62 pontos possíveis nas duas últimas semanas, George só conquistou dois e até mesmo o vice-campeonato ficou em risco, o que seria uma derrota ainda maior para o inglês, que começou a temporada como o maior favorito ao título de pilotos. 

domingo, 11 de outubro de 2026

A primeira de Max

 


No extenso calendário da F1, Max Verstappen venceu em praticamente todas as pistas. Madring estreou em 2026 e não conta muito, mas Singapura está na F1 desde 2008 e mesmo Verstappen tendo mais dez anos na categoria e tendo períodos dominantes na F1 com a Red Bull, ainda não tinha triunfado na pista de rua singapuriana. A fome de vencer na cidade-estado asiático estava clara quando Verstappen fez pouco da vitória na Sprint. 'Isso aqui não conta, quero vencer no domingo'. E Max não perdeu a oportunidade. Com um carro da Red Bull revivido devido às atualizações, Verstappen voltou a de 2023 e dominou a prova em Singapura, neutralizando até mesmo a tática diferente da Ferrari, enquanto Andrea Kimi Antonelli vê seu primeiro título cada vez mais próximo com mais um pódio.


O fato de Singapura ter sediado mais um final de semana de Sprint fez com que as equipes não tivessem muitas referências quanto a durabilidade dos pneus, até mesmo porque o treino livre de luxo, que foi que se transformou as corridas Sprint, se deu com os pilotos utilizando os pneus intermediários. Provavelmente por isso não houve unanimidade das equipes com relação ao composto a usar, com metade do grid largando com pneus macios e a outra indo com os médios. Os protagonistas da primeira fila estavam com os pneus de banda vermelha, com Max e Charles querendo posicionamento nas primeiras voltas. No apagar das luzes vermelhas, Leclerc claramente largou melhor, mesmo saindo do lado sujo da pista. Se não repetiu a largada horrorosa da Sprint, Verstappen estava em desvantagem no aproche da primeira curva e foi extremamente agressivo. Espremeu Leclerc até o limite e com o ferrarista tendo pouco espaço e no lado sujo, Verstappen conseguiu manter a ponta da corrida por muito pouco. Mais um exemplo de como Max Verstappen queria muito vencer em Singapura.

No resto do pelotão as posições pouco se modificaram, com Gasly perdendo duas posições e Nico Hulkenberg ganhando duas, enterrando a tese de que a Audi sempre larga mal, algo que Gabriel Bortoleto parece não ter aprendido ainda, pois o brasileiro perdeu três posições na primeira volta. Nos primeiros giros Leclerc pôs bastante pressão em Max Verstappen, mesmo que em nenhum momento tenha realmente tentado uma ultrapassagem, enquanto Lewis Hamilton, que preferiu largar com os pneus médios, claramente segurava Antonelli e a dupla da McLaren. Russell fizera uma largada cautelosa, lembrando a tática de Antonelli em Baku quando o italiano teve problemas na classificação no Azerbaijão. Largando do pit-lane, Hadjar também partia para cima dos carros mais lentos do pelotão intermediário, incluindo Bortoleto, que vinha tendo um final de semana bastante ruim e que foi coroado com uma quebra de câmbio na oitava volta, fazendo o brasileiro estacionar seu Audi na saída dos boxes e trazendo o primeiro Safety Car Virtual do dia. No entanto, as equipes se mantiveram impávidas dentro dos pits, não trazendo nenhum piloto para antecipar as paradas.


O motivo era muito simples. Mesmo com vários pilotos largando com pneus macios, o desgaste de pneus estava muito baixo e as equipes poderiam postergar ao máximo suas, prováveis, únicas paradas dos seus pilotos. Com a corrida transcorrendo sem maiores problemas ou emoções, ficava nítido que Singapura seria mais uma corrida com apenas uma parada e por isso a surpresa em ver Lewis Hamilton indo aos pits ainda na volta 18 de 62 colocar pneus macios. Os compostos médios não estavam tão bons quanto os macios, algo já visto em Sepang, mas a parada de Hamilton parecia cedo demais a ponto dos demais pilotos não responderem de imediato a manobra de Lewis. Mais interessante foi ver Leclerc fazer sua parada na volta 25 e retornar à pista imediatamente à frente de Hamilton, iniciando mais um drama via rádio, com Lewis pedindo passagem e como resposta, Leclerc fez a volta mais rápida da corrida com os pneus médios, abrindo 2s para o companheiro de equipe. Piastri foi o último dos pilotos de ponta a fazer sua parada nesse momento, com metade da corrida já tendo sido percorrida e as posições eram exatamente as mesmas, sendo que Max Verstappen sequer perdeu a ponta quando fez sua parada. A corrida tinha tudo para ir até a bandeirada num marasmo que lembrou a esquecível prova em Madri quando Stroll, sempre ele, teve problemas em seu Aston Martin e encostou ao lado de uma agulha, mas o suficiente para trazer o VSC de volta à corrida. E animar um pouco as coisas.


Isso porque a Ferrari, vendo que não poderia fazer muita coisa para alcançar Verstappen, pensou diferente e chamou seus dois pilotos para os pits colocar pneus macios. Leclerc foi ao pit-lane sem titubear, mas Hamilton depois da corrida assumiu a posição de ficar na pista, mesmo com pneus macios bem desgastados. Sendo que Fred Vasseur falou que na verdade Hamilton errou a entrada dos pits e ficou na pista, não tendo mais chance de fazer a segunda parada. O que quer tenha acontecido no reino de Maranello, a corrida foi reiniciada com 22 voltas para o fim com Hamilton dessa vez à frente de Leclerc, mas com pneus bem piores. Dessa vez Leclerc nem resmungou muito via rádio, pois seu ritmo 2s superior falou por si e sete voltas depois da relargada, o monegasco reassumiu a segunda posição. Outro que escolheu fazer uma segunda parada foi Antonelli, enquanto Piastri teve que retornar aos pits por causa de um furo lento. 

Inicialmente Leclerc passou a virar bem mais rápido do que Verstappen, mas quando a diferença baixou dos 9s, o neerlandês passou a controlar a vantagem sobre Leclerc. Mesmo não estando tão confortável com os pneus médios no segundo stint, Max Verstappen venceu pela primeira vez em Singapura com um script muitas vezes visto nos últimos anos na F1: se manteve na ponta, conseguiu o melhor posicionamento nas primeiras voltas, despachou o segundo colocado e administrou até o fim. A segunda vitória seguida de Max Verstappen dá o tom do que pode vir em 2027, com a Red Bull crescendo bastante nas últimas provas a ponto do neerlandês assumir a quarta colocação no campeonato e ver o vice como algo bastante plausível. Isack Hadjar se revoltou com seu sábado bastante problemático, mas fez uma boa corrida de recuperação saindo do pit-lane para o décimo lugar, marcando mais um pontinho no campeonato.


Leclerc chegou na mesma posição que largou, mas não se pode acusar a Ferrari de ter tentado algo para dirimir a vantagem da Red Bull em Singapura. O segundo lugar era o máximo que Leclerc pôde fazer nesse domingo e aos poucos Charles entra na luta pelo vice campeonato, mesmo que a fase atual de Verstappen o coloque como grande favorito a conseguir o feito. Hamilton falhou em ficar na pista e se tornou presa fácil para os carros atrás dele. Com pneus médios menos desgastados, Norris encostava no seu compatriota, mas a maior ameaça vinha de Antonelli, que mesmo reclamando de pequenos problemas no carro, era mais rápido que os dois. Lando tentou atacar Lewis em vários lugares, mas é notório que o 'dog fight' de Norris é medíocre a ponto de forçar os dois pilotos ingleses saírem da pista na curva um e Antonelli ultrapassar Lando na curva seguinte e Hamilton metros mais tarde. Mesmo não estando confortável em todo o final de semana e a Mercedes ter desempenhos abaixo em Singapura mesmo nos anos áureos, Andrea Kimi Antonelli ainda tirou um pódio da cartola e abriu mais de cem pontos para o seu companheiro de equipe. Extremamente suado depois da corrida, Antonelli recebeu do entrevistador Jenson Button a possibilidade de se tornar campeão já na próxima etapa, em Austin. Algo que mesmo Kimi dizendo não ligar, o primeiro título do italiano está mais próximo do que nunca!

Norris depois ultrapassou Hamilton, que nas voltas finais caiu para sexto ao ser alcançado por Piastri. O clima na McLaren depois da presepada na Sprint ficava claro com Norris insistindo em ajudar Piastri, quanto era nítido que não tinha nada a fazer. Após um período em que a McLaren deu pinta que poderia bater de frente com a Mercedes, tudo não passou de fogo de palha para o time papaia. Tendo assumido a culpa pela estratégia errada depois da corrida, Hamilton ainda passou mal após a corrida e teve que ser assistido no ambulatório. George Russell avançou bem até o sétimo lugar, mas teve azar quando foi fazer sua parada durante o segundo período de VSC e quando estava entrando nos pits, a bandeira verde foi dada, custando precioso tempo à George. Perdendo terreno, Russell correu contra o tempo, ainda ultrapassou Gasly, mas não teve como ultrapassar Hulkenberg, se conformando apenas com a nona posição. Em 62 pontos possíveis nas duas últimas semanas, George só conquistou dois e até mesmo o vice-campeonato ficou em risco, o que seria uma derrota ainda maior para o inglês, que começou a temporada como o maior favorito ao título de pilotos. 


O tempo que passou na Red Bull pareceu ter feito muito bem à Liam Lawson, o principal piloto do pelotão intermediário mais uma vez, conquistando um sólido sétimo lugar e marcando bons pontos que deixa a Red Bull numa situação complicada para 2027. A fase de Lawson não permite uma demissão, enquanto Nikola Tsolov, que briga com Rafael Câmara pelo título da F2, já bate na porta da F1. Arvid Lindblad faz uma temporada de estreia decente, além de ser jovem e inglês. A Racing Bulls tem três pilotos para duas vagas, mas no momento Lawson parece sair na frente. Nico Hulkenberg conseguiu segurar George Russell nas últimas voltas para voltar a marcar pontos e ultrapassar Bortoleto na tabela de classificação. O alemão cresceu bastante nas últimas corridas, mesmo a Audi sofrendo com alguns problemas de confiabilidade. Gasly andou boa parte da corrida nas zona de pontuação, mas ultrapassado por Russell e Hadjar nas voltas finais, o francês ficou zerado e novamente lembramos da pisada de tomate de Colapinto, que hoje abandonou, em Baku. 


No pit-wall da Haas, Ayao Komatsu deve ter ficado com as mãos na cabeça com a luta bastante próxima entre seus dois pilotos no início da corrida, lembrando o histórico nada abonador de Ocon em disputas com companheiros de equipe. Entre mortos e feridos, a contendo foi vencida por Bearman, mas isso não gerou pontos. Sainz chegou a correr em décimo, mas depois o espanhol perdeu rendimento e saiu da zona de pontos, enquanto Albon mal apareceu. Após sua ótima corrida em Sepang, Alonso voltou à mediocridade proporcionada pela Aston Martin, com um rádio do espanhol vazando criticando novamente o motor Honda, mais de dez anos depois. Por fim, Valtteri Bottas resolveu percorrer os pouco mais de 300 km entre a Malásia e Singapura de bicicleta e talvez isso explique o finlandês ter tomado mais de um minuto (!) para Sergio Pérez. A Cadillac não pode normalizar uma diferença abissal entre seus pilotos, mesmo Marcin Budkowski olhando para o lado e ver Colton Herta passando vergonha na F2.


Com a indefinição sobre as corridas no Oriente Médio, o título de Andrea Kimi Antonelli pode acontecer em algum momento na segunda passagem da F1 pelas Américas, porém, Max Verstappen deu mais mostras que ainda é o melhor piloto do grid atual da F1. Quando teve equipamento para vencer, Max não perde as oportunidades que surgem, enquanto Kimi já corre com o regulamento debaixo do braço. Tomara que possamos ver em breve uma luta mais direta entre Max e Kimi em condições parecidas num campeonato, fazendo provar de verdade um Antonelli motivado frente ao gigante Max Verstappen. Pois Russell é que não consegue (ou tem condições) de fazer frente à Kimi. Com apenas 37 pontos separando o segundo (Russell) e o sexto (Norris) colocados, a briga pelo vice campeonato será um dos destaques desse final de temporada, mas precisa dizer quem é o favorito?

sábado, 10 de outubro de 2026

No embalo

 


Uma semana depois da vitória na Malásia, Max Verstappen demonstrou que a Red Bull conseguiu um bom caminho com as atualizações colocadas no carro e o neerlandês vai embalando, conquistando mais uma pole após vencer a Sprint Race.

E mais uma vez a F1 passa um vexame por motivos tecnológicos. Durante a classificação da Sprint Race na sexta-feira, além do cronômetro travar acabando por atrapalhar os pilotos durante o SQ2, a FIA anunciou que o modo ultrapassagem ficou inativo por algum tempo por um erro humano, mas que atrapalhou ainda mais alguns pilotos, que não tiveram à sua disposição o aparato. Realmente a FIA e a F1 precisam rever as pessoas de TI...

Já no sábado foi a vez da Pirelli mostrar mais uma vez que seu pneu de chuva extrema não tem serventia alguma. Uma tempestade caiu sobre Singapura minutos antes da largada da Sprint, acabando por adiar a largada por alguns minutos. Parte da pista estava nitidamente alagada, mas em outras estava seco, contudo, o receio de usar os pneus de banda azul fez com que a F1 chegasse a situação em que os pneus intermediários era a escolha unânime de todos. Após seu abandono no final da corrida em Sepang, Russell ainda amargou uma troca na sua unidade de potência que o fez ser punido para a corrida seguinte, nas ruas de Singapura. Para piorar, ele já sabe que terá que trocar novamente a sua unidade antes do final da temporada. E ser punido de novo. Perdido por um, perdido por dez, George pediu à Mercedes para utilizar a antiga especificação do carro, enquanto Antonelli ficaria com as atualizações que chegaram em Sepang. Após a classificação da Sprint, a escolha de George se mostrou acertada, com o inglês largando em segundo (a punição só se deu no grid da corrida principal) e Antonelli apenas em sétimo, meio segundo de diferença na cabeça.

Era mais uma chance de George Russell descontar alguns pontinhos de Antonelli no campeonato, correto? Nem tanto. Russell largou melhor do que Verstappen e liderava a Sprint no final da primeira volta quando chegou na parte mais molhada da pista e escorregou na entrada da reta dos boxes, batendo seu Mercedes. Com a pista cada vez mais seca, Verstappen controlou bem a Sprint, seguido de perto por Hamilton, que efetuou uma ótima largada. Leclerc sofreu com o superaquecimento dos seus pneus intermediários e viu a dupla da McLaren encostar nele nas voltas finais, trazendo Antonelli à reboque. Era nítido que a Ferrari segurava todo o pelotão, mas na última volta Norris resolveu que podia fazer melhor que o companheiro de equipe e colocou por dentro em cima de Piastri, que lhe deu um espaço mínimo. Foi então que ocorreu o pesadelo de todo chefe de equipe: Norris e Piastri bateram, rodando de forma tão sincronizada que pareciam num balé. Zak Brown se desesperava no pit-wall, enquanto Antonelli levou seu Mercedes na maciota, sem ultrapassar ninguém, ganhando três posições por erros de pilotos à sua frente e ainda aumentou sua vantagem no campeonato.

Quando a classificação começou, a pista estava seca, mas sem a borracha acumulada dos últimos dias. O único incidente aconteceu com Isack Hadjar, que havia abandonado a Sprint com problemas no motor do seu carro, agradeceu à equipe pelo trabalho via rádio assim que deixou o pit-lane para alguns metros mais tarde parar com problemas no motor novamente. Lewis Hamilton parecia o grande favorito à pole, marcando os melhores tempos nos Q1 e no Q2 com certa folga, enquanto Max Verstappen fazia um papel mais discreto, mas evoluindo sem maiores problemas numa classificação sem grandes surpresas.

Porém, no Q3, o maior poleman da história da F1 não confirmou o favoritismo. Pequenos erros em suas duas voltas fez com que Hamilton fosse superado por Verstappen e por Leclerc. Max apareceu quando era preciso, marcando sua segunda pole consecutiva para tentar sua primeira vitória em Singapura. A dupla da Ferrari veio logo atrás, com Antonelli em quarto, mais uma vez superando com folga Russell, mesmo o inglês usando a versão anterior da Mercedes, mais estável que a atual. Com a punição de Russell, a dupla da McLaren vem logo a seguir, com ambos com as orelhas quentes pelo carão recebido nos boxes.

domingo, 4 de outubro de 2026

Figura(BAH): Max Verstappen

 Na primeira vez em que teve um conjunto forte o suficiente para vencer, Max Verstappen não perdeu a oportunidade! Piloto mais rápido desde os treinos livres em Sepang, Max dominou a classificação e conseguiu sua primeira pole em 2026 de forma quase protocolar. Porém, o domingo em Sepang veio com uma chuva forte antes da largada, embaralhando um pouco a situação e Verstappen não largou bem, tendo que superar a dupla da Mercedes para vencer pela primeira vez no ano, dando a primeira vitória a um motor construído na sede da Red Bull, além de fazer a Ford vencer na F1 após 23 anos. Uma vitória dominante e que pode indicar um caminho para a equipe e para Max, que mais uma vez mostrou o que pode fazer com um bom carro.

Figurão(BAH): FIA

 Não bastasse o criticado regulamento técnico da F1 ser um fracasso retumbante, a ponto da própria FIA querer um novo motor o mais breve possível, nesse domingo em Sepang a entidade cometeu um erro inacreditável justamente por causa do regulamento. Com metade da potência vindo do motor elétrico, temia-se que picos de energia com pista molhada pudesse fazer com que os pilotos perdessem o controle dos seus carros e para evitar isso, a FIA fez as equipes instalarem um novo software que evitasse essas entregas repentinas. Tudo muito interessante na teoria, mas na prática... Pela primeira vez a FIA encararia um asfalto escorregadio em Sepang e o utilizando um software que não fora testado o suficiente, vimos carros parando por falta de potência durante a volta de apresentação, numa cena inacreditável para uma categoria dita como o pináculo do automobilismo. A bandeira vermelha foi mostrada e a FIA pediu para as equipes 'desinstalarem' o tal software para que a corrida ocorresse normalmente, mas novamente a F1 passou vergonha devido ao novo regulamento com motores cheio de sensores, softwares e superclipping que deveriam fazer os melhores pilotos do mundo acelerar ao máximo, mas que param os carros mesmo com o acelerador ao máximo.

Dia de Max

 


O ensaio havia sido em Baku. As atualizações da Red Bull colocaram Max Verstappen mais próximo das Mercedes e mesmo George Russell tendo vencido no Azerbaijão, Max cruzou a linha de chegada menos de dois décimos atrás do inglês. Uma semana depois e mesmo sendo a vez da Mercedes trazer atualizações para seus carros, Max Verstappen executou um final de semana como nos melhores tempos da Red Bull, onde foi impecável em todos os dias do final de semana do Grande Prêmio do Bahrein... em Sepang na Malásia. Quem não esteve impecável nesse domingo foi a FIA, protagonizando outra presepada daquelas por causa do famigerado regulamento técnico da F1 de 2026. Que a própria FIA quer se livrar o mais rápido possível!


Correr na Malásia é esperar muito calor e uma pancada de chuva a qualquer momento. Sexta e sábado foi livre de tormentas, mas quarenta minutos antes da largada a chuva veio com força em Kuala Lumpur, exatos 6.000 quilômetros do Reino do Bahrein, que promovia a corrida. E por sinal, o clima estava ameno e seco em Manama na hora da largada para a corrida bareinita. Era a primeira vez em 2026 que uma corrida aconteceria com pista molhada e os próprios pilotos não tinham experimentado o circuito de Sepang com o asfalto molhado. No entanto, como normalmente acontece nas precipitações no fim da tarde ao redor da Linha do Equador, a chuva veio muito forte e o atraso da largada foi inevitável. Apenas quarenta minutos depois foi que a largada foi dada, com os pilotos alinhando com os pneus intermediários. Foi então que começou a vergonha da FIA.

Com receio de picos de energia do motor elétrico pudesse ocasionar problemas aos pilotos com asfalto molhado, a FIA fez com que todas as equipes baixassem um software para que isso não ocorresse. Como mencionado anteriormente, a F1 ainda não havia corrido com piso molhado e a combinação de carros muito lentos com um software ainda não devidamente testado fez com que alguns carros ficassem totalmente sem potência durante a volta de apresentação, com destaque para Lewis Hamilton. A confusão reinante fez com que a FIA colocasse uma bandeira vermelha para que as equipes voltassem ao software anterior. Um escárnio! O tempo parado fez com que a pista secasse e alguns pilotos foram para a largada com pneus slicks, com destaque para a dupla da Ferrari e da McLaren. Ainda na volta de apresentação era claro que a pista ainda estava molhada demais para slicks, fazendo com que Piastri fosse aos pits bem no momento em que os carros alinharam para a largada. Mais de uma hora e meia depois do programado originalmente, a largada foi dada com Max Verstappen, que optara pelos intermediários, mais parecendo ter saído com slicks, seando completamente batido por Antonelli ainda antes da primeira curva. Melhor fez Russell, que saiu da quarta fila para ser segundo, desviando rapidamente de Norris, que saíra de slicks. Lawson tentou um ataque em cima de Verstappen na primeira volta, mas rapidamente o neerlandês neutralizou o neozelandês e passou a se concentrar na dupla da Mercedes, que fazia dobradinha em Sepang nos primeiros giros.


Quem escolhera largar com pneus intermediários conseguiu uma vantagem enorme nas primeiras voltas, fazendo que algumas surpresas acontecessem. Punido por trocar componentes de sua unidade de potência, Lindblad saíra da última posição para nono, enquanto a dupla da Williams e Ocon estavam na zona de pontuação, posições não muito usuais dessa turma. Mais atrás Leclerc, com pneus slicks, batia em Hulkenberg e precisando trocar a asa dianteira, caía para último, enquanto Hamilton era ultrapassado até mesmo pela Aston Martin de Alonso, que também estava com pneus slicks. Lá na frente, Verstappen ia para cima da dupla da Mercedes e na volta cinco ultrapassou sem maiores problemas Russell e já atacava Antonelli pela primeira posição. Nesse momento, os pilotos que tinham largado com pneus slicks começaram a marcar os mesmos tempos da turma que estava com os intermediários, fazendo alguns pilotos irem aos pits trocar os intermediários pelos slicks. Uma desses pilotos era Bottas, que logo em sua volta de saída rodou e ficou atolado com seu Cadillac na caixa de brita. O Safety Car não tardou a aparecer e para sorte dos pilotos da frente, eles estavam na reta oposta quando foi dado o aviso da bandeira amarela em todo circuito. Kimi, Max e George rapidamente foram aos pits colocar slicks, com Verstappen escolhendo os macios e a dupla da Mercedes preferindo os médios. Isso ajudou a turma que vinha mais atrás e Hamilton manteve-se com os pneus macios que largara, pulando para 12º.

Com o sangue na água, Max Verstappen farejou que era hora do ataque e na relargada na volta 13, rapidamente deixou Antonelli para trás. Pensando no campeonato, Antonelli foi cauteloso na manobra e Russell foi no embalo de Max e assumiu a segunda posição, enquanto Hadjar dava o bote em Lawson e subiu para quarto. Durante os treinos livres poucos poderiam imaginar que os pneus macios pudessem durar tanto, mas com a pista muito mais fria do que foi visto durante os ensaios, os pneus com banda vermelha não apenas duravam muito, como ainda se mantinham rápidos. Verstappen simplesmente não deu chances à dupla da Mercedes, com Antonelli esperando a vigésima volta para ultrapassar Russell e ficar em segundo. Mais atrás, com os mesmos pneus da largada, Hamilton efetuava uma bela corrida de recuperação com praticamente metade da prova, andando no mesmo ritmo dos líderes e quando se aproximava do quarto colocado Hadjar, os pilotos foram para os pits fazer suas paradas finais. Lewis ainda voltou atrás de Hadjar, mas com pneus médios ele não estava tão à vontade, mas pressionava o francês quando o Safety Car virtual deu as caras quando Alexander Albon ficou parado com seu Williams na saída da curva 2. 


Max Verstappen aproveitou para fazer uma segunda parada para se manter forte nas voltas finais. A Mercedes esboçou ficar na pista com seus dois pilotos, mas na volta seguinte trouxeram-nos aos pits para fazerem as voltas finais com pneus macios, mas George Russell fez ainda menos volta. Com a dificuldade de retirar o carro de Albon o Safety-Car real foi à pista e nesse momento a unidade de potência de Russell parou de funcionar quando faltavam menos de seis voltas para o fim. Os pilotos tiraram tanto o pé que surpreenderam Lando Norris, que para não encher a traseira do seu companheiro de equipe, foi para a brita, caindo de oitavo para décimo primeiro. A relargada quando faltavam quatro voltas viu Hadjar sendo ultrapassado pela dupla da Ferrari, fazendo com que Hamilton subisse ao pódio após chegar a andar em 18º. Max Verstappen não teve trabalho com Kimi, que já começa a fazer a contas do campeonato.


Finalmente a primeira vitória do ano veio para Max Verstappen, que venceu pelo menos uma corrida nas últimas onze temporadas. Mais importante foi que a vitória de Max não foi algo fortuito ou algo que caiu no colo do neerlandês. Desde os primeiros treinos Verstappen se mostrou o mais rápido do pelotão e mesmo com alguns sustos no caótico início de corrida, Max soube se recuperar rumo a mais uma vitória na carreira. Claro que Verstappen não é mais um fator no campeonato, mas o crescimento da Red Bull nesse terço final de campeonato pode indicar um bom caminho para 2027. Hadjar fez uma corrida decente e estava no pódio quando se deu a última relargada, porém, o francês da Red Bull não foi capaz de segurar a dupla da Ferrari, terminando a prova em quinto, conquistando mais alguns pontos importantes no Mundial de Construtores. Falando em pontos, Andrea Kimi Antonelli já começa a fazer as contas de quando poderá comemorar seu título. Novamente George Russell foi alvo de falta de sorte e se após a vitória em Baku o inglês falava em reviravolta no campeonato, esse abandono foi mais um balde de água fria nas poucas pretensões de George. O que chamou atenção foi que, pelo menos em Sepang, as atualizações da Mercedes não surtiram os efeitos esperados, porém, ainda temos muitas corridas para ver se foi algo específico em Sepang que não funcionou para a Mercedes, mas Antonelli saiu da Malásia como um dos vencedores no final de semana.


A Ferrari errou na escolha de pneus e acabou vendo seus dois pilotos nas profundezas do pelotão no que parecia ser mais um erro estratégico da equipe de Maranello, mas o Safety Car trazido por Bottas salvou a lavoura ferrarista e Hamilton fez funcionar muito bem os pneus macios, a ponto de quando colocou os médios, rapidamente voltou voltou aos macios no último SC e somente assim pôde ultrapassar Hadjar e conseguir o último lugar do pódio. Leclerc não foi tão brilhante quanto Hamilton, se envolveu num toque com Hulkenberg nas primeiras voltas, mas no fim Charles chegou logo atrás do seu companheiro de equipe. Olhando do ponto de vista de que Lewis e Charles conseguiram sair das últimas posições para ficarem em 3º e 4º, não se pode reclamar do dia ferrarista, no entanto, se não cometesse mais um vacilo estratégico e observando o ótimo ritmo de Hamilton com os pneus macios, a Ferrari poderia ter visto Hamilton alguns degraus acima no pódio. A McLaren dividiu a estratégia dos seus dois pilotos e ainda assim Piastri perdeu bastante tempo e não evoluiu como esperado quando tinha clara vantagem de pneus. O australiano se viu acossado por Norris nas voltas finais, mas Lando quase destruiu o dia da McLaren ao ser surpreendido pela baixa velocidade dos carros na frente dele durante o regime de SC. Norris ainda diminuiu o prejuízo e terminou em nono, enquanto Piastri foi sexto, colado em Hadjar. Um dia abaixo da McLaren, que também errou em seus pit-stops e claramente não tinha ritmo em Sepang.


Liam Lawson foi o melhor do resto, chegando a travar batalhas contra Verstappen e Piastri rumo a um ótimo sétimo lugar, mas sem sombra de dúvidas o grande destaque vai para Fernando Alonso. O espanhol continua mostrando seu valor em condições variáveis e num final de semana onde a Aston Martin andou surpreendentemente bem em Sepang, o espanhol soube capitalizar um bom dia da equipe, mesmo Fernando tendo largado com pneus slicks e ter sofrido nas primeiras voltas, porém, o SC no começo da corrida colocou Alonso no jogo e o espanhol fez magia para ser oitavo e marcar bons pontos para a Aston Martin. Bortoleto tinha ótimas chances de marcar pontos, mas na relargada ele bateu com Sainz, quebrou sua asa dianteira e ainda foi considerado culpado pelo incidente, perdendo 10s em sua parada, fazendo com que o brasileiro ficasse nas últimas posições. Hulkenberg estava fechando a zona de pontuação na penúltima volta, mas acabou ultrapassado por Lindblad na última volta, fazendo a Audi sair de Sepang zerada. A corrida ruim da Alpine prova que os pontos desperdiçados pelo erro de Colapinto podem fazer falta, enquanto a dupla da Williams andou na zona de pontuação por muito tempo, mas Sainz rodou após toque com Gabriel e Albon abandonou quando já estava fora dos pontos. Ocon escolheu os pneus intermediários e ficou no top10 por um tempo, até ser escalado e no final, chegou atrás de Bearman. Sergio Pérez foi último, como esperado da Cadillac, mas o que chama atenção foi o mexicano ter ido aos pits sete (!) vezes durante a corrida. Os táticos da Cadillac pareciam meio perdidos...


Esse breve retorno de Sepang ao calendário da F1 trouxe todos os ingredientes de uma bela corrida malaia (by Bahrein), adicionado da incompetência da FIA. Max Verstappen passou por cima de tudo isso e venceu com classe, com direito e pole e melhor volta, só perdendo a liderança nas primeiras voltas após sua péssima largada e a hesitação da Mercedes em arriscar no final da corrida durante o Safety-Car. Foi a primeira vitória da Red Bull usando o motor próprio e o primeiro triunfo da Ford em 23 anos. Mais importante foi que Max não precisou de ajuda alheia para conseguir sua primeira vitória em 2026, enquanto Andrea Kimi Antonelli deu mais um passo decisivo rumo ao seu primeiro título.