segunda-feira, 29 de junho de 2026

Figura(AUT): Max Verstappen

 A Red Bull chegou à sua corrida caseira correndo atrás de fazer Max Verstappen cumprir seu contrato, trazendo vários updates ao seu carro e sair da incômoda posição de quarta força da F1 atual. Max e seu empresário já declararam que preferem ficar na Red Bull, mas Max precisa estar pelo menos na luta pela vitória. Após treinos livres até mesmo discretos, a força de Max Verstappen, particularmente no Red Bull Ring, que tem uma arquibancada reservada para a torcida de Max, se fez presente a partir da classificação. No Q3 Verstappen conseguiu uma volta incrível em sua primeira tentativa e se não fosse seu acidente na segunda volta rápida, o neerlandês estaria na luta pela pole. Na corrida Max Verstappen fez uma corrida muito forte e como visto nos últimos anos, levando seu carro nas costas para lutar com as fortíssimas Mercedes pela vitória com um carro nitidamente inferior, imprimindo um ritmo acima do potencial do carro. No final, Max chegou apenas 1,6s atrás do vencedor George Russell para conseguir seu melhor resultado em 2026, além de demonstrar que além da Red Bull, o chefe da Mercedes Toto Wolff corre atrás de contar com seus serviços. Max Verstappen faz muita diferença!

Figurão(AUT): Aston Martin

Quando Lawrence Stroll comprou a estrutura da então Force India e logo depois adquiriu a tradicional marca Aston Martin, o magnata canadense iniciou um grande investimento na equipe, transformando a agora equipe Aston Martin em um dos times mais estruturados do paddock da F1. E o potencial da equipe fica claro com a chegada do gênio Adrian Newey e a parceria com a Honda. O genial Fernando Alonso esperava 2026 com a mesma expectativa de muita gente sobre a equipe Aston Martin, mas o que estamos vendo é uma das maiores decepções da história recente da F1. Como normalmente ocorre em sua história com a F1, a Honda nunca escolhe o caminho mais fácil para se desenvolver, mas com o tempo se percebe que o carro concebido por Newey está longe de ser os melhores projetos do engenheiro. Na Áustria, a Aston Martin ficou na última fila do grid, tomando um segundo da equipe Cadillac, que não tem dez corridas de F1 e tem sérios problemas de estrutura, como carros se desfazendo no meio das corridas. Enquanto Stroll abandonou a corrida com problemas de carro, um cada vez mais impaciente Fernando Alonso foi último colocado, três voltas atrás do vencedor e um minuto atrás do penúltimo. Para quem esperava que os novos regulamentos pudesse colocar a Aston Martin nos líderes, usando sua estrutura e recursos, 2026 vem sendo uma verdadeira desilusão e Red Bull Ring mostrou de forma clara. 

domingo, 28 de junho de 2026

Na malandragem

 


A pole conseguida na base da malandragem no sábado foi primordial para George Russell voltar a vencer na F1 em 2026. Com o posicionamento a seu favor, Russell pôde administrar melhor o forte desgaste de pneus no Red Bull Ring e triunfar pela segunda vez no ano. Mais importante foi Russell diminuir ainda mais a distância que tem para seu companheiro de equipe Antonelli no campeonato, com o italiano subindo ao pódio depois do seu abandono em Barcelona, tendo o genial Max Verstappen entre eles. Após seu forte acidente na classificação, Max fez uma excelente corrida na casa de sua equipe e terminou a prova em segundo.


Fez um calor quixadaense nas montanhas da Estíria nesse domingo, fazendo que novamente o desgaste de pneus fosse um fator determinante para o resultado da corrida, como ocorrera na quinzena passada em Barcelona. Com a temperatura novamente passando dos 30ºC em Spielberg num final de semana escaldante na Áustria, gerir os pneus faria bastante diferença, mas Russell tratou de garantir um bom posicionamento na corrida ao fazer uma largada bem diagonal, fechando a linha de Charles Leclerc e confirmar sua pole ao emergir na primeira curva na ponta. Já seu companheiro de equipe Antonelli fez uma primeira volta bem atrapalhada, onde saiu da pista nas curvas um e três, mas sem maiores prejuízos ao italiano. Leclerc começava o seu calvário ainda na primeira volta, quando se viu atacado por Hamilton e o inglês assumiu a segunda posição, enquanto Charles iniciava uma corrida medonha com a outra Ferrari. Hamilton em segundo no começo da prova acendeu uma luz vermelha na Mercedes, pois em Barcelona Lewis fez uma grande corrida e garantiu sua primeira vitória com a Ferrari executando uma agressiva estratégia aliada ao forte calor em Barcelona. Na Áustria Hamilton estava numa situação similar, com o inglês da Ferrari ainda melhor posicionado e isso criou uma expectativa boa para os lados de Maranello.

Um pouco mais atrás o pobre ritmo de Leclerc o fez ser atacado por Antonelli, mas corroborando com o início de corrida atabalhoado do italiano, Kimi ultrapassou Leclerc saindo da pista, o obrigado a devolver a posição. Max Verstappen enxergou nessa manobra uma chance de ouro e enquanto Antonelli cedia sua posição de volta para Leclerc, Max ultrapassou a ambos, assumindo o terceiro lugar. Hamilton estava num ritmo de espera, mas tinha Russell nas suas vistas. Já Max Verstappen, impelido pela sua torcida que lotou uma arquibancada em Red Bull Ring, alcançava o inglês da Ferrari. Desde 2021 os encontros entre Lewis e Max são garantia de entretenimento e Red Bull Ring não foi exceção. Max tentou um ataque na curva 3, mas recebeu o troco logo em seguida. Foi irônico ouvir Max pedir punição por um comportamento em que muitas vezes ele o faz. Tudo isso deixava Russell ainda mais tranquilo, pois se antes da briga o inglês tinha 2s de vantagem sobre Lewis, a disputa fez essa vantagem subir para 5s. Hamilton rapidamente foi aos pits e pela volta (11º), Lewis novamente iria para uma estratégia de três paradas.

Algumas voltas depois George e Max fizeram suas paradas, enquanto Antonelli, que reclamava dos freios e de si mesmo via rádio, ficava mais tempo na pista. E o italiano teria mais do que reclamar quando entrou no pit-lane no exato momento em que Carlos Sainz abandonava seu Williams na reta dos boxes, trazendo o Safety-Car Virtual. Mais uma volta e Kimi ganharia um terreno enorme...


De forma surpreendente a Ferrari trouxe Hamilton aos boxes mais uma vez e colocou pneus macios no carro do inglês, fazendo-o cair para trás de Hadjar e logo à frente de Lando Norris, que tinha acabado de fazer sua parada. Mais importante do que isso foi constatar que Russell, agora com pneus duros, não tinha o mesmo rendimento e Verstappen se aproximava lentamente. Antonelli voltou à pista em quarto após sua parada e teve que ultrapassar Leclerc novamente para ficar em terceiro. A corrida estava nas mãos dos três primeiros e o momento da parada de cada um deles definiria a corrida. Com claras dificuldades com os pneus, Russell foi o primeiro a parar pela segunda vez, com Max parando seis voltas mais tarde e Antonelli esperando mais três voltas para realizar a parada de número dois. Isso criou uma espécie de efeito sanfona nos três primeiros. A parada mais cedo de Russell o deu uma ligeira vantagem nas primeiras voltas, mas com dificuldades com os pneus duros, o inglês perderia rendimento para Max e Kimi. Em menor grau, o mesmo ocorreria com Antonelli em relação à Verstappen. As voltas finais foram tensas, com o terceiro colocado (Antonelli) mais rápido que os dois primeiros, com o líder da corrida (Russell) sendo o mais lento. Porém, se nada demais ocorresse, as posições seriam mantidas, mesmo que os três cruzassem a linha de chegada bem próximos. Kimi conseguiu uma grande aproximação na última volta, mas conhecendo Max Verstappen, ele defenderia sua posição com unhas e dentes, fazendo-o se aproximar bastante de Russell. Na bandeirada, George Russell tinha menos de 2s o separando para o terceiro colocado Antonelli, com Max Verstappen no meio do sanduíche da Mercedes.


Não foi uma vitória brilhante de George Russell, mas que começou com a pole polêmica conseguida no sábado e com o melhor posicionamento, administrou muito bem a corrida, mesmo com Max e Kimi mais rápidos do que ele nas voltas finais. Apesar de Russell continuar sofrendo com os pneus mais duros de cada final de semana e não ter sido o 'melhor homem em campo', essa vitória poderá fazer bem à confiança de Russell, que parecia abalada pelas constante derrotas sofridas para Antonelli nas últimas semanas. O início claudicante de corrida de Antonelli, admitido pelo próprio, fez com que o italiano se atrasasse de forma definitiva e não lutasse pela vitória, mas Kimi não pode renegar os pontos do terceiro lugar, que o colocam ainda com uma liderança confortável no campeonato, enquanto Russell reassumiu a vice-liderança, mesmo ainda quarenta pontos atrás de Antonelli.


No entanto Toto Wolff e seus blue caps tem que abrir o olho para a concorrência, cada vez mais próxima da Mercedes. Se em Barcelona a Ferrari quebrou a invencibilidade prateada em 2026, nesse domingo Max Verstappen levou novamente seu Red Bull nas costas a brigar pela vitória. Ainda mancando pela pancada no sábado, Verstappen usou muito bem os updates da Red Bull para uma segunda posição excelente. As brigas com Hamilton atrasaram Verstappen e pode ter feito muita diferença para o que seria uma surpreendente vitória do neerlandês. Já a Ferrari foi a grande decepção do domingo. Num cenário parecido de Barcelona, dessa vez os italianos não foram tão cuidadosos com os pneus quanto o foram na Catalunha e mesmo repetindo a tática de três paradas, Lewis Hamilton teve que se conformar com uma apática quinta colocação, bem longe dos líderes. Pior foi Leclerc, que esteve sempre com um ritmo abaixo do companheiro de equipe e lento na pista, teve que fazer um pit-stop extra que o fez cair para oitavo, o último dos pilotos das quatro grandes. Os treinos livres indicavam uma McLaren forte em ritmo de corrida, mas na prática isso não foi visto. Piastri largou melhor do que Norris e com isso garantiu as melhores opções para os táticos da McLaren, mas isso só garantiu um quarto lugar ao australiano, enquanto Norris teve que se contentar com a sétima posição, logo atrás de Hadjar, que fez uma prova discreta, mas pelo menos garantindo bons pontos para a Red Bull no Mundial de Construtores. Ou seja, fazendo o que dele, Hadjar, é esperado.


Largando entre os dez primeiros, a dupla da Racing Bulls liderou o pelotão intermediário de ponta a ponta, mesmo Liam Lawson ter reclamado de um pequeno incêndio em seu carro no começo da prova. De alguma forma o fogo se apagou e o neozelandês garantiu a nona posição, à frente de Lindblad. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, surpreendeu ao largar com pneus macios, manteve um ritmo superior ao do seu companheiro de equipe Hulkenberg e pela terceira corrida consecutiva, conseguiu a 11º posição, permanecendo com os mesmos pontos conquistados na primeira corrida da temporada. A Audi parece ter um ótimo chassi, mas sofre com o primeiro motor construído pela montadora. Alpine e Haas brigaram pelas posições seguintes, enquanto a Williams continua seu ano horrível e o barulho feito pelo carro de Sainz quando ele abandonou exemplifica bem a temporada da Williams. Mesmo Albon tendo feito uma corrida miserável, Alonso ainda terminou um minuto atrás do anglo tailandês com sua Aston Martin que toma 1s em média de uma equipe como a Cadillac, que abandona com seus dois carros por incêndios ainda nas voltas iniciais. 


A corrida no Red Bull Ring pode marcar o ressurgimento de George Russell no campeonato, mesmo o inglês estar longe de fazer um certame de levantar as sobrancelhas. George soube usar as circunstâncias ao seu favor e uma vitória pode faze-lo a recuperar a confiança perdida. Mesmo em terceiro, a sensação que ficou foi que Antonelli performou mais do que seu companheiro de equipe, mas a Mercedes tem que observar pontos como a falta de confiabilidade (o motor de Sainz foi mais um Mercedes a quebrar) e a chegada dos seus rivais na luta por vitórias.

A vez de Ogura

 


Um fenômeno interessante visto em 2026 foi a forma como Ai Ogura administra suas corridas na MotoGP. O japonês da Trackhouse Aprilia normalmente não consegue boas classificações e faz começos de prova bem discretos. Ogura cuida dos pneus e do equipamento na primeira metade da corrida e então parte para o ataque, conseguindo várias ultrapassagens aliado a um ritmo muito superior aos demais. Em cima da melhor moto da temporada 2026 da MotoGP, a primeira vitória de Ogura veio na Catedral da motovelocidade e foi bem ao seu estilo.

A Aprilia dominou o final de semana inteiro, conseguindo as quatro primeiras posições no grid, mesmo que com o piloto errado. Durante a semana os primeiros dominós começaram a cair na dança de cadeiras para 2027 e a Ducati anunciou a contratação de Pedro Acosta, enquanto Bagnaia anunciou sua ida para a Aprilia, correr ao lado de Bezzecchi. De saída da equipe, Jorge Martín ficou com a pole em Assen, seguido pela dupla da Trackhouse, que se destacou na Sprint Race e completou uma dobradinha, com Raul Fernández na frente de Ogura.

O dia prometia tão bom quanto no domingo para a Aprilia, porém Marco Bezzecchi sofreu uma violenta queda ainda no começo da prova, levando o italiano ao hospital e perder a liderança do campeonato após três corridas consecutivas zerado. Lá na frente, Martín se manteve na ponta, seguido de perto pela dupla da Trackhouse. Numa corrida cheio de abandonos, Bagnaia liderava o segundo pelotão como a melhor Ducati, mas teve um problema mecânico, enquanto Acosta saiu da corrida com um problema no pulso direito que o levará a uma cirurgia nos próximos dias. Marc Márquez era um distante quarto colocado, mas foi atacado por Fabio DiGiannantonio na chicane e os dois saíram da pista. Pior para o italiano, que foi punido, mas Fabio se recuperou, ultrapassou os irmãos Márquez para ser quarto colocado e o melhor do resto.

Lá na frente o pódio e a luta pelo pódio era todinho da Aprilia. Martín liderou a maior parte da corrida, mas Ogura escrevia o mesmo script visto em outros momentos da temporada. O nipônico estudava os rivais e ficava à espreita, enquanto cuidava de sua moto e dos pneus no forte calor em Assen. Quando a corrida se aproximou do seu final, Ogura cresceu como fizera antes, mas estando mais perto da ponta, uma vitória estava ao seu alcance, mesmo dando um susto quando acionou acidentalmente o rebaixamento de suspensão de sua Aprilia. Sem perder muito tempo, Ogura viu Fernández atacar Martín e vulnerável, o piloto da equipe oficial foi superado por Ogura poucos metros depois. O japonês não demorou muito para superar Fernández rumo a uma vitória consagradora.

Depois de 22 anos, um japonês voltava a vencer na MotoGP, mas se o atrapalhado Makoto Tamada não parecia ter condições de lutar pelo título, Ai Ogura, com seu estilo cerebral, está em quarto lugar no campeonato 25 pontos atrás de Martín, o novo líder do campeonato e pode fazer o torcedor japonês sonhar em 2026. O certame da MotoGP permanece muito aberto e a fase de Ogura, agora mais confiante com a primeira vitória na MotoGP, permite apontar o japonês como um dos pilotos a serem observados.

sábado, 27 de junho de 2026

Pole polêmica

 


Quando Max Verstappen perdeu seu carro na curva nove e bateu na proteção de pneus no final do Q3, a classificação para o Grande Prêmio da Áustria parecia definida. A bandeira amarela dupla no último setor da pista impossibilitaria a melhora de qualquer piloto no momento decisivo da classificação. À essa altura a Ferrari comemorava nos boxes a primeira fila da equipe italiana, liderados por um surpreendente Charles Leclerc. Contudo, George Russell baixou o tempo de Leclerc e tinha o tempo mais rápido do Q3. Iniciando uma polêmica com algumas prováveis consequências.

A classificação na escaldante Spielberg não mostrava muitas surpresas. No Q1, as três piores equipes do momento ficaram pelo caminho: Williams, Cadillac e Aston Martin. Nessa ordem. A novata Cadillac já começa a alcançar a veterana Williams, mesmo com a equipe americana vendo seus carros se desmancharem ao longo do ano. Pior é a Aston Martin. Num circuito de 70s, a equipe altamente financiada por Lawrence Stroll perde mais de 1s para um time novato e provavelmente com um dos menores orçamentos da F1. Alonso claramente está mais e mais impaciente.

A Mercedes havia dominado os treinos livres, na tentativa de dar uma resposta à vitória da Ferrari em Barcelona. Mesmo usando uma melhoria no motor, a Ferrari fazia um final de semana até mesmo discreto, com a McLaren aparentando estar mais próxima da Mercedes. Mais discreta estava a Red Bull. Com Max Verstappen estando na mesma vibe de Alonso, a equipe caseira não fizera muito para sair do lugar de quarta força da F1 em 2026. Contudo, Max Verstappen mostrou mais uma vez porque a Red Bull faz tanta força para ficar com ele. O neerlandês conseguiu uma volta espetacular no Q3, surpreendendo a todos e superado apenas por poucos centésimos de segundo pela dupla da Mercedes.

Então a dupla da Ferrari apareceu com força e se Hamilton fora mais rápido no geral, Leclerc veio com tudo no momento decisivo e superou seu companheiro de equipe quando importava. Então Max vinha voando com seu carro, pronto para tirar a pole de Leclerc quando perdeu o controle do seu carro e bateu. Logo atrás vinha a dupla da Mercedes. Antonelli dominava Russell no final de semana e tirou o pé. George não. O inglês completou sua volta e garantiu o tempo mais rápido. A sensação era de que Russell perderia a pole, mas de forma surpreendente, a FIA rapidamente declarou que não haveria investigação e na entrevista pós-treino, Russell declarou que tirara o pé e chegou a perder 0,25s. Se tivesse completado a volta sem tirar o pé, como dissera, Russell e até mesmo Antonelli meteria meio segundo nas Ferrari. Basta saber se a Ferrari engolirá isso...  

domingo, 21 de junho de 2026

Estão deixando Marc chegar


 Duas semanas após a vitória na Hungria, Marc Márquez encararia a mítica pista de Brno, um circuito com muitas curvas para a direita, o que em teoria não o ajudaria. Contudo, não se pode duvidar de uma lenda como Marc Márquez. O espanhol superou o seu companheiro de equipe e mesmo não estando 100% fisicamente, Márquez começa a farejar sangue na água.

Ainda mais com a asneira cometida por Marco Bezzecchi, atual líder do campeonato e já aparecendo algumas manchas em amarelo em seu macacão. Pois somente isso poderia explicar, mesmo sendo inexplicável, o seu comportamento após a sua queda na Sprint Race. Considerado um piloto cerebral, Bezzecchi deu dois tapas num comissário de pista, que levantava sua moto caída na caixa de brita em Brno. Uma cena lamentável para qualquer piloto, ainda mais para alguém que lidera o campeonato da principal categoria da motovelocidade. A punição veio rápida e sem maiores contestações. Bezzecchi foi desclassificado do resto do final de semana, ficando de fora da corrida do domingo. Apesar do pedido de desculpas aparentemente sincero ao comissário tcheco e o choro, essa atitude de Marco Bezzecchi pode ser um sinal de que o italiano da Aprilia está sentindo a pressão crescer.

Para sorte de Bezzecchi, Jorge Martín pagou uma punição pela pane mental em Balaton Park e assim só garantiu um décimo lugar. Contudo, a Aprilia vê com preocupação o crescimento de Marc Márquez. O espanhol fez uma corrida de manual em Brno. Uma boa largada frente ao pole Ai Ogura colocou Márquez em segundo, logo atrás de Pecco Bagnaia, que vencera a Sprint no dia anterior. Marc estudou as linhas de Pecco e quando Ogura aumentou seu ritmo, Márquez partiu para a ultrapassagem sobre o companheiro de equipe. O crescimento de ritmo de Ogura já está ficando conhecido dentro do paddock da MotoGP e o nipônico da Trackhouse ultrapassou Bagnaia e tentou um ataque à Márquez, que rechaçou qualquer briga ao igualar o ritmo fortíssimo de Ogura.

Na bandeirada Márquez venceu pela segunda corrida consecutiva. E isso, ainda se recuperando de sua cirurgia no pé e ombro direito. Ogura mostra cada vez que mesmo Bezzecchi e Martin estejam liderando o campeonato, o japonês é um dos destaques da Aprilia. Sem surpresa, Ogura deverá ir para a equipe oficial da Yamaha em 2027, correr ao lado de Martín. No inaceitável vacilo de Bezzecchi, Márquez tirou mais 25 pontos de desvantagem na liderança do Mundial. A cabeça de Bezzecchi, sem surpresas, começa a falhar e agora não apenas Martín, mas Marc Márquez começa a crescer na hora certa.  

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Figura(CAT): Lewis Hamilton

 Não poderia ser outro! O veterano inglês obteve sua primeira vitória pela Ferrari com uma pilotagem que lembrou os bons e velhos tempos do sir Lewis Hamilton. Os treinos livres em Barcelona não pareciam promissores para Lewis. Pista onde tradicionalmente a melhor equipe se destaca, a Mercedes parecia bem mais rápida na figura de George Russell, enquanto Hamilton era superado por Leclerc na luta interna da Ferrari, contudo, o protagonista da parte debaixo da coluna aprontou no Q3 e Hamilton, ao contrário, brilhou. Lewis conseguiu entrar na luta pela pole e foi superado por menos de um décimo por Russell. O domingo em Barcelona surgiu com forte calor e a corrida poderia ser decidida na estratégia. Com a Ferrari se caracterizando nos últimos tempos pelos erros estratégicos, a situação do Lewis não era das mais animadoras, mas o inglês estava sempre na luta pela vitória, mesmo não capitalizando o fato de ter largado com pneus macios, enquanto Russell saiu com os compostos médios. Com praticamente todas as equipes partindo para uma estratégia de duas paradas, a Ferrari pensou diferente e claramente colocou Hamilton numa tática de três paradas, fazendo com que Lewis sempre andasse num ritmo muito forte. Hamilton respondeu ao desafio com um racecraft avassalador e como bom multicampeão que é, o inglês contou com a sorte quando Alonso parou seu carro na pista e o Virtual Safety Car veio no momento em que a terceira e última parada de Hamilton se aproximava. A Ferrari foi perfeita e Hamilton permaneceu em primeiro após seu derradeiro pit-stop, com pneus em melhor estado do que Russell. O ritmo que Lewis Hamilton impôs na relargada indicou que, mesmo que o VSC não tivesse aparecido, o inglês da Ferrari poderia ter deixado a dupla da Mercedes na pista. Invencível até o momento em 2026, a Mercedes sofreu sua primeira derrota para seu antigo piloto, que se emocionou com essa primeira vitória com a Ferrari e também da maneira como aconteceu. Hamilton andou como a muito não se via e se estabelecendo na segunda posição no campeonato, dá esperanças de estar na luta pelo título.