Quando 2026 se aproximava e com ele os novos regulamentos técnicos, muitos já apontavam a Mercedes como a grande favorita a sair na frente, lembrando a última grande mudança de motor ocorrida em 2014, com a chegada da era híbrida. A pré-temporada se revelou uma verdadeira corrida de empurra, com as quatro grandes jogando o favoritismo para as outras, mas ninguém tinha dúvida de que a Mercedes viria muito forte e quando George Russell conseguiu a pole com sete décimos de vantagem para o próximo carro não-Mercedes parecia que as expectativas se realizariam. Contudo, a corrida se mostrou uma outra história e a Mercedes demorou a se livrar da dupla da Ferrari antes de conseguirem a esperada dobradinha, com Russell na frente de Antonelli. Outra diferença de doze anos atrás é que se as clientes da Mercedes apareceram muito forte, principalmente com a Williams, mas em 2026 McLaren, Williams e Alpine não vieram com tanta força, inclusive com a bicampeã mundial McLaren chegando 50s depois da Mercedes de fábrica, indicando que não apenas o motor Mercedes é muito forte, como também o novo carro já veio bem nascido para uma temporada que tende a ser bastante agradável para Toto Wollf e seus silver caps.
JCSPEEDWAY
domingo, 8 de março de 2026
Figurão(AUS): Aston Martin
Já era esperado, mas ainda assim não deixa de impressionar o que aconteceu com a Aston Martin em Melbourne, sede da estreia da temporada 2026 da F1. O combo dinheiro aparentemente infinito da família Stroll, genialidade de Adrian Newey e potência da Honda parecia infalível, ainda contando com a força e experiência de Fernando Alonso, que preferiu atravessar 2025 na esperança de que 2026 seria o grande ano da Aston Martin. Porém, toda a expectativa veio abaixo com vários erros de procedimentos tanto da Aston Martin como da Honda, que parecem participar de algum reality show onde os noivos se conhecem apenas no dia do casamento. Os últimos dias revelaram notícias absolutamente chocantes da nova parceria, que parece muito com o início promissor entre McLaren e Honda dez anos atrás. A Aston Martin falou que não sabia que a Honda havia dispensado boa parte de sua equipe técnica quando assinou contrato de parceria. Quando o carro ficou pronto, um problema de vibração extrema fez que com o novo carro da Aston Martin sofresse de sérios problemas de confiabilidade, além de afetar a saúde dos próprios pilotos, que poderiam ter problemas nas mãos, tamanha a vibração vindo do motor Honda para o volante do carro. A falta de integração entre Aston Martin e Honda criou um problema potencial para se tornar um vexame histórico. Assim como dez anos atrás, Fernando Alonso se vê no meio disso tudo. Em Melbourne a situação periclitante permaneceu, com Lance Stroll passando o sábado sem ir à pista e Alonso mal andando na sexta-feira. Ambos largaram no domingo, mas usaram a corrida para ser uma espécie de um grande teste, chegando a ficar parados várias voltas. Perguntado sobre a corrida, Lance Stroll resumiu bem a situação atual da Aston Martin: Correndo? Estávamos apenas circulando...
Só George curtiu
sábado, 7 de março de 2026
Repetição de 2014?
Os testes de pré-temporada não foram nada esclarecedores em termos de desempenho, com as equipes fazendo o chamado sandbagging, o que em bom português é o 'esconder o leite'. Apesar de ter ficado muito claro que as quatro equipes grandes dos anos anteriores (McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull) permaneceriam no topo, a ordem ainda não era clara, mas Melbourne mostrou que a Mercedes iniciou 2026 um degrau acima, ainda com a polêmica da taxa de compressão do seu motor. Nos momentos mais decisivos, George Russell meteu mais de meio segundo na concorrência e mesmo a Mercedes ainda tendo muito trabalho com o forte acidente de Andrea Kimi Antonelli no terceiro treino livre, a equipe capitaneada por Toto Wolff conseguiu a dobradinha em Albert Park. Com sobras.
Porém, antes dos carros irem para a pista em Melbourne, todos os olhos estavam na Aston Martin. O que parecia um sonho de juntar o poderio financeiro da família Stroll, a genialidade de Adrian Newey e a capacidade da Honda se tornou rapidamente um pesadelo de proporções históricas, com notícias constrangedoras chegando à medida em que os carros andaram muito pouco na pré-temporada. A Honda mudou todo o seu staff técnico e pareceu 'esquecer' de avisar à Aston Martin sobre esse detalhe, demonstrando uma falta de integração da parceria que se resultaria num motor que falta confiabilidade junto a um carro onde Newey pensou mais na parte aerodinâmica e menos na parte mecânica. Isso tudo resultou em um quase W.O. da Aston Martin na Austrália e notícias de que a vibração no carro era tamanha, que os pilotos poderiam ter problemas em suas mãos. Por sinal, mais uma vez Fernando Alonso se vê numa situação onde o motor Honda destrói mais um ano seu...
Como não poderia deixar de ser, problemas ocorreram aos montes em várias equipes nesses primeiros momentos de novo regulamento. Stroll passou o sábado contemplando o desastre que se tornou a equipe do seu pai, Sainz teve problemas no seu Williams e sequer se classificou. A Williams foi outra equipe que não iniciou o ano de forma auspiciosa. Como esperado, a Cadillac teve problemas de noviciado e ficaram com as últimas posições. E finalmente Max Verstappen, um dos mais vocais nas críticas ao novo regulamento, terá mais motivos de ter mal humor ao bater em sua primeira tentativa no Q1, tendo que largar das últimas posições.
O terceiro treino livre já tinha dado a letra de que a Mercedes não estava para brincadeira, com Russell matando a concorrência com um tempo muito superior, mesmo Toto Wolff lamentando o acidente de Antonelli. A equipe Mercedes mostrou sua eficiência ao consertar o carro do italiano, se aproveitando da bandeira vermelha causada por Max, mas Kimi não andou no mesmo nível de Russell. O inglês marcou uma pole enfática, com as demais equipes mais atrás e já com pulgas atrás da orelha. Hadjar mostrou que poderá ser um segundo piloto digno na Red Bull e com Max no lado de fora, o francês colocou a Red Bull em terceiro, superando McLaren e Ferrari, que chegou a assustar ao marcar bons tempos no Q1 com pneus médios, mas a Ferrari ficou longe dos rivais tedescos. Arvid Linblad executou um ótimo treino em sua estreia, indo ao Q3 sempre à frente de Liam Lawson, enquanto Gabriel Bortoleto teve problemas no final do Q2, não podendo participar do Q3, contudo, o brasileiro claramente andou na frente de Hulkenberg.
Para amanhã, se fala bastante que a largada tende a ser caótica pela parte elétrica da nova unidade de potência, mas teremos que esperar para ver como os carros de comportarão nesse novo procedimento, numa F1 nova demais, talvez tendo dando um passo maior do que a perna. Contudo, a Mercedes, como doze anos atrás, não tem muito do que reclamar até o momento.
domingo, 1 de março de 2026
E começamos de novo
A abertura do campeonato 2026 em St Petersburg foi mais uma corrida padrão de Alex Palou. O espanhol não largou na pole, cuja honra coube à Scott McLaughlin. Marcus Ericsson pulou para segundo, com Palou atrás. A primeira bandeira amarela surgiu logo na primeira volta, envolvendo o horroroso Sting Ray Robb, Santino Ferrucci e o estreante Mick Schumacher, que pode se consolar que seu pai também andou poucos metros em sua estreia na F1. Com as equipes tendo que colocar pelo menos dois sets de pneus macios na corrida, Palou fez sua corrida de espera baseada nisso. No primeiro stint, McLaughlin segurou o ritmo e os três primeiros andaram bem próximos, mas havia a situação em que o 'Undercut', ou seja, ficar mais tempo na pista, faria mais diferença. Um doce para adivinhar quem foi o último a parar. Sim, Alex Palou.
Com alguns carros tendo parado na primeira volta e esticando um pouco mais suas paradas, Palou esperou algumas voltas para disparar na ponta. Ericsson se manteve na frente de McLaughlin, mas com pneus macios, o sueco da Andretti sofreu bastante no final do segundo stint, segurando bastante McLaughlin, ajudando ainda mais a causa de Palou. O neozelandês perdeu tanto tempo que acabou 'ultrapassado' por Kyle Kirkwood durante as paradas, mas o americano da Andretti precisou economizar combustível nas voltas finais e foi ultrapassado na pista por McLaughlin e Christian Lundgaard, que superou o badalado Pato O'Ward na pista e pressionou McLaughlin até o fim, mas acabou mesmo na terceira posição, sendo o melhor McLaren.
Enquanto isso Palou passeava na pista de St Petersburg, chegando incríveis 12s na frente de McLaughlin. Após fazer os dois primeiros stints com pneus macios, Palou colocou os duros no stint final, tendo borracha de sobra para administrar qualquer ataque. Uma 'luneta' em termos de Indy, mas essa é a realidade atual da categoria. Por mais que tenha um bom nível no grid atual, a Indy vê em Alex Palou um piloto muito mais completo que os demais e capaz de sobrepujar todos os outros pilotos com uma facilidade desconcertante. E 2026 começa com um gostinho parecido com os quatro anos anteriores.
Cadê a Ducati?
Bezzecchi só não teve um final de semana perfeito pela queda precoce na Sprint Race, mas de resto o italiano da Aprilia teve uma atuação dominante. Na corrida de domingo, 'Bez' largou bem e simplesmente sumiu na frente, não dando qualquer chance aos rivais. Ainda na primeira volta Raul Fernández ultrapassou Márquez e ficou em segundo, enquanto Jorge Martin daria o bote em Marc, marcando um top-3 inteiro da Aprilia. No entanto, a corrida teria alguns protagonistas fora Bezzecchi. Pedro Acosta finalmente venceu uma corrida, mesmo que sendo uma Sprint e com direito polêmica, com Márquez tendo que ceder a ponta na última volta. Porém, isso deu ainda mais motivação à Acosta, que levou sua KTM nas costas para brigar pelas primeiras posições. Numa animada disputa contra os compatriotas Martin e Marc Márquez, Acosta se sobressaiu e nas últimas voltas se aproximou de Fernández, totalmente sem pneus no fortíssimo calor tailandês.
Foi quando o dia da Ducati piorou de vez. Marc Márquez vinha logo atrás de Acosta quando seu pneu traseiro se esvaziou, aparentemente após uma batida mais forte numa zebra, algo bastante incomum na MotoGP. Uma volta depois, seu irmão Alex caiu sozinho quando vinha apenas em sexto. Com Bagnaia continuando seu sofrimento e Morbidelli tendo que fazer uma corrida de recuperação após largar mal, Di Giannantonio era a melhor Ducati do dia, porém longe do pódio. Para acender de vez a luz vermelha na Ducati, Ai Ogura fez uma ótima corrida de recuperação e nas últimas voltas mostrou que a Aprilia cuida bem dos pneus, com o japonês ultrapassando quem via pela frente, por fim ultrapassou Di Giannantonio para subir ao quinto lugar. Ou seja, afora um Pedro Acosta inspirado, o top-5 foi dominado pela Aprilia, com seus quatro pilotos por lá. Será o sinal de uma troca de bastão no domínio na MotoGP?
Binder foi a segunda KTM, colado em Di Giannantonio, mas muito longe de Acosta, que com esses resultados, lidera o campeonato da MotoGP pela primeira vez, muito pelo talento do espanhol. A Honda fazia uma corrida interessante com Joan Mir e com a queda dos irmão Márquez, ele chegou a figurar em quinto, mas um problema técnico fez Mir abandonar. Pelo menos não caiu. Marini terminou em décimo, com Zarco logo atrás. Diogo Moreira chegou a andar no mesmo ritmo de Zarco, mas acabou perdendo rendimento por falta de experiência com os pneus, contudo, com os abandonos, Diogo terminou nos pontos em sua estreia na MotoGP. Já a Yamaha confirmou as expectativas como a pior moto do grid, com seus pilotos andando próximos, 30s atrás dos líderes.
Após anos de domínio absoluto da Ducati, a Aprilia se mostrou a grande força na Tailândia, mas ainda faltam muitas corridas para podermos cravar que Bezzecchi, piloto principal da Aprilia, será o principal candidato ao título em 2026.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Ainda pensando no passado
Uma boa notícia para a Indy foi que Honda e Chevrolet renovaram seus contratos, mesmo com a ameaça dos japoneses de deixarem a categoria. Se uma terceira montadora ainda é um sonho, ter mantido duas montadoras foi a grande realidade para a Indy. O esperado novo carro da Indy só ficará pronto em 2028, fazendo a Indy ficar com o mesmo carro desde 2012. Para efeitos de comparação, seria o mesmo que Lewis Hamilton fazer a temporada 2026 com a Ferrari de Alonso. Simplesmente inacreditável! O calendário da Indy tem dezessete corridas, mas podendo entrar uma 18º, com a adição de uma etapa em Washington, para agradar o presidente Donald Trump, contudo, poucas informações há sobre essa prova e a chance de dar errado são bem concretas. O grande problema do calendário da Indy é seu tamanho, pois se começa em março, junto com a maioria das categorias de ponta, termina ainda no começo de setembro, deixando o fã da Indy praticamente seis meses carente, além de afugentar novos torcedores. Outro fator de crítica é a falta de mais etapas em Oval, com apenas quatro corridas, contando as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis. Uma novidade é o novo circuito de rua de Arlington, obra da Fox Sports num mercado importante (Dallas) e a promessa de um circuito de rua ao estilo em que a F1 atual. E longe de alguns circuitos de rua que a Indy já correu...
Vindo de um ano arrasador, Alex Palou tentará se manter na ponta e com a força e o entrosamento com a Ganassi, isso não seria impossível de se repetir para o espanhol, talvez até mesmo por falta de quórum. Scott Dixon começa a sentir o peso da idade (irá fazer 46 anos) e Kyffin Simpson paga as contas. Vindo de um ano tenebroso, a Penske manterá Josef Newgarden e Scott McLaughlin como seus pilotos, enquanto David Malukas tentará ser o que foi Newgarden dez anos atrás, quando era um jovem tentando se intrometer entre os grandes. Will Power deixou a Penske após quase vinte anos, mas se pensavam que o ainda rápido australiano iria se aposentar, Power surpreendeu ao se mudar para a Andretti, no lugar de Colton Herta, em seu projeto de chegar à F1 pela equipe Cadillac. Will terá como companheiros de equipe Kyle Kirkwood, de ótima temporada em 2025, e Marcus Ericsson, tentando se firmar ou ser convidado a se retirar da equipe. A McLaren terá Pato O'Ward como seu principal piloto, com Christian Ludgaard provando que pode fazer frente ao mexicano, que tentará se colocar como principal rival de Palou pelo título. Nolan Siegel, uma invenção de Tony Kanaan e com a mesma função de Simpson na Ganassi, tentará se manter na McLaren para além da carteira cheia de dinheiro.
Nas demais equipes, destaque para Mick Schumacher voltando aos monopostos com a equipe Rahal, contrariando seu pai, que não gostava nem de pensar em correr em ovais, Romain Grosjean retornando à Dale Coyne ao lado do campeão da Indy NXT Dennis Hauger, a Meyer & Shank tentando se mostrar rápida também em ritmo de corrida e tentar fazendo Helio Castroneves provavelmente ter uma despedida digna nas 500 Milhas, além da estreia de Caio Collet na Indy. Considerado uma promessa brasileira na F1, Collet mudou de rumo e foi para os Estados Unidos tentar a sorte na Indy, conseguindo um lugar interessante na Foyt, que tem uma forte parceria com a Penske e corre ao lado do irascível Santino Ferrucci. No Brasil, a saída da F1 da grade da TV Bandeirantes fez com que a emissora voltasse a investir na Indy, passando boa parte das corridas tendo como narrador o ótimo Geferson Kern.
A Indy irá começar no seu já tradicional palco de St Petersburg com vários pilotos com chances de vitória. A Penske ressurgirá das cinzas? A Andretti voltará aos bons tempos com o reforço de Power? A McLaren finalmente mostrará que é mais que uma quarta força, levando Pato O'Ward ao título e a vitória em Indianápolis? Porém, a grande pergunta: quem segura Alex Palou?
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