domingo, 15 de março de 2026

A emoção de Kimi

 


Para um piloto de F1, vencer sua primeira corrida é algo bastante especial. Foram anos de luta e sacrifícios para culminar com você no alto do pódio ouvindo o hino do seu país. Andrea Kimi Antonelli se tornou nesse domingo o segundo piloto mais jovem a vencer um Grande Prêmio, além de tirar a Itália de uma fila de vinte anos sem vitória numa corrida em que o jovem italiano foi preciso na maior parte do tempo desse animado Grande Prêmio da China, uma corrida mais 'normal' em comparação ao que foi visto em Melbourne na semana passada. Confirmando a força da Mercedes, George Russell teve seus percalços da 56 voltas que compôs a corrida chinesa, mas o inglês completou a dobradinha do time comandado por Toto Wolff, que ainda viu seu amigo e antigo piloto Lewis Hamilton conquistar seu primeiro pódio com a Ferrari depois de uma vibrante luta com Charles Leclerc, mostrando que a Ferrari é a segunda força destacada desse início de nova era.


Regulamentos novos sempre significam mais desconfortos para equipes e montadoras. Se até ano passado abandono era uma anormalidade na F1, antes mesmo da largada do Grande Prêmio da China, já contávamos com quatro desistências. Se na Austrália Nico Hulkenberg teve problemas antes da corrida, dessa vez foi Gabriel Bortoleto o representante da Audi que ficou de fora. A Williams continua seu suplício com Alexander Albon inicialmente largando dos boxes para depois sequer entrar no carro. Porém, o que mais chamou atenção foi a dupla da McLaren sendo retirada do grid com um problema aparentemente elétrico e não participaram da prova. Papaya Rules? A verdade é que o time capitaneado por Zak Brown ainda não disse a que veio em 2026, com a McLaren, pelo ritmo mostrado na Sprint Race, sendo uma terceira força, mas longe de Mercedes e Ferrari. Isso sem contar que Oscar Piastri não fez uma única largada de um Grande Prêmio cheio em 2026. E falando em largadas, a Ferrari novamente não tomou conhecimento da Mercedes no apagar das cinco luzes vermelhas e Lewis Hamilton rapidamente pulou para a ponta, seguido por Antonelli, que soube fechar Leclerc na complicada curva um, enquanto a dupla da Cadillac se encontrou nessa curva, mas com um carro bem abaixo dos demais, não fez muita diferença.


A primeira volta foi marcada por uma briga muito forte no meio do pelotão entre Oliver Bearman e Isack Hadjar, com o francês rodando de forma espetacular na entrada da reta oposta, fazendo Bearman perder bastante tempo. A saída de pista de Hadjar foi outro golpe na Red Bull, que viu Max Verstappen emular sua terrível largada na Sprint e cair para as últimas posições. Isso tudo trouxe Franco Colapinto para junto do seu companheiro de equipe Gasly, que sem ter nenhum carro da McLaren à sua frente, assumiu a quinta posição. Novamente Alonso pulou para décimo na primeira volta com uma largada incrível, mas a saltitante Aston Martin não deixou o espanhol se animar muito e logo Alonso retornava às últimas posições. Enquanto isso nas primeiras posições, as duplas de Ferrari e Mercedes já se destacavam frente às demais, sendo que não demorou muito para a potência do motor Mercedes fazer a diferença. Kimi assumiu a ponta na segunda volta, enquanto Russell demorou outras três voltas para assumir o segundo lugar, enquanto as Ferraris se engalfinhavam, com Hamilton segurando a terceira posição dos ataques de Leclerc. Antonelli tinha uma vantagem pouco inferior a 2s quando Lance Stroll apareceu com seu carro parado na curva um na décima volta. Safety Car na pista e com muitos pilotos com pneus médios (apenas a dupla da Red Bull arriscou os macios), boa parte do grid aproveitou o momento e entrou nos pits. Mercedes e Ferrari fizeram parada dupla e isso foi determinante para a vitória de Antonelli.


Lawson e Verstappen tinham feito suas paradas pouco antes da entrada do SC, caindo várias posições, enquanto Colapinto e Ocon, que largaram com pneus duros, optaram por ficar na pista. Antonelli foi capaz de sair dos boxes logo à frente dos dois, mas não foi o caso de Russell, que relargou em quarto, tendo ainda Hamilton em seu encalço. A Mercedes não tinha treinado com pneus duros e o clima frio desse domingo fez com que o aquecimento não fosse a coisa mais fácil para a dupla da Mercedes, mas se Kimi tinha ar limpo, Russell estava no meio do pelotão. Logo na relargada Hamilton ultrapassou seu compatriota, enquanto Leclerc deixava Lindblad para trás e atacava um indefeso Russell, que reclamou via rádio não ter aderência. Até o trio se livrar de Colapinto e Ocon, Antonelli já tinha 4s de frente. Com os pneus devidamente aquecidos, Russell partiu para cima da dupla da Ferrari, numa disputa animada e que foi o ponto alto da prova, mas até George reassumir a segunda posição, Antonelli já estava 7s na frente do companheiro de equipe com metade da corrida ainda por vir. Afora um ligeiro erro nas voltas finais na freada da reta oposta, a corrida de Antonelli foi impecável e sua vitória foi bastante merecida. Sua emoção no rádio e na entrevista pós-corrida comoveu a comunidade da F1, mesmo que tenha sido chamado de 'Kimi Raikkonen' no pódio. Uma vitória como essa pode mexer na motivação de Kimi, que pode querer ainda mais do que ser apenas o segundo piloto de George Russell. O problema do carro do inglês no Q3 se mostrou decisivo para a corrida de Russell, que teve que se virar em vários momentos contra a Ferrari e ainda pode ver surgiu um real competidor dentro do box da Mercedes na luta pelo título, que nesse momento parece se decidir dentro do seio da Mercedes.


A luta pelo lugar mais baixo do pódio foi entre a dupla da Ferrari, com algumas trocas de posição que devem ter deixado Fred Vasseur bastante tenso, mas como não houve toques (por enquanto...) tudo estava bem para os lados da Ferrari, com Lewis Hamilton finalmente conquistando seu primeiro pódio com a Ferrari, mas mais importante do que isso, o veterano inglês demonstra uma outra atitude em 2026, sendo mais incisivo nas disputas e uma postura mais condizente com um multi-campeão da F1. Leclerc falou pelo rádio que foi uma disputa divertida, mas a pergunta que fica é: e quando houver um toque entre ambos?


Sem quebras ou toques entre os quatro primeiros, a disputa pelo melhor do resto ficou entre os recuperados George Bearman e Max Verstappen. Após sair da pista para não bater em Hadjar, Bearman fez outra corrida de gente grande e parando no momento do SC, logo estava de volta na zona de pontuação e na relargada, ultrapassou Gasly para se posicionar muito bem, ultrapassando seu companheiro de equipe Ocon e Colapinto na medida em que os dois perdiam desempenho dos seus pneus. Verstappen arriscou em colocar pneus macios, mas rapidamente ficou 'descalço' e fez sua parada antes do SC, o que acabou lhe atrapalhando, no entanto, o neerlandês rapidamente ultrapassou vários carros, mas quando se posicionou atrás de Bearman, a evolução de Verstappen terminou, com Max sempre 2,5s atrás da Haas de Bearman. Isso, até a Red Bull ter problemas e Verstappen abandonar já na parte final da corrida. Um dia esquecível para a Red Bull, que além de sofrer com problemas de confiabilidade, ainda se viu num ritmo parecido de uma Haas. Até quando a paciência de Max Verstappen irá aguentar?


Porém, o abandono de Max Verstappen não tira o brilho da excelente prova de Bearman, que terminou num ótimo quinto lugar, enquanto Ocon manteve sua coerência ao bater num adversário, nesse caso, em Colapinto, quanto o portenho saía dos boxes e os dois se acharam. Ocon nem deu muito trabalho aos comissários ao se declarar culpado pelo incidente e após punição Ocon terminou em último. Para quem precisa renovar contrato, situação nada boa para Esteban Ocon. Seu compatriota Gasly fez uma boa prova com a Alpine, sendo superado por Bearman na relargada, mas sempre se manteve perto do inglês e no momento em que Max abandonou, Gasly se aproximava do neerlandês. Para melhorar ainda mais o dia da Alpine, mesmo com os danos pelo toque com Ocon, Colapinto ainda foi capaz de conseguir um pontinho, seu primeiro com a Alpine. Lawson se colocou entre os dez primeiros a maior parte da prova, superando o badalado companheiro de equipe Lindblad, terminando em sétimo, sendo o melhor piloto da 'família' Red Bull, pois Hadjar chegou logo atrás do neozelandês e numa corrida apática e bem longe do mostrado na Austrália, Lindblad terminou fora dos pontos.


Hulkenberg foi um dos que não pararam durante o SC e teve que fazer sua única parada com bandeira verde, perdendo muito tempo e não pontuando com a Audi, que precisa resolver seus problemas de confiabilidade que fizeram seus dois pilotos abandonarem antes mesmo da largada em suas corridas consecutivas. Numa corrida de sobrevivência, Sainz terminou em nono e marcou os primeiros pontos de uma combalida Williams em 2026. Mesmo com o toque na primeira volta, a Cadillac completou a prova com seus dois pilotos, enquanto a Aston Martin segue sofrendo com um carro lento e que vibra a ponto de Alonso soltar o volante em determinados momentos durante a corrida. A causa do abandono de Alonso foi justamente pelas dores que sentia nas mãos e pés pela excessiva vibração causada pelo motor Honda. Uma situação vexatória.


Uma semana depois de tudo o que foi visto em Melbourne, vimos uma corrida mais 'normal' em Xangai. Pilotos e equipes ainda estão aprendendo sobre um regulamento muito distinto do que já foi visto e uma semana depois, todos pareciam mais 'em casa' com o novo carro. Não teve ultrapassagens em profusão, mas a corrida em Xangai pareceu mais uma corrida de F1 de verdade. Porém, o Poweranking visto na Austrália permaneceu o mesmo, com Mercedes muito na frente da Ferrari, que por sua vez está muito à frente das demais. Se na Ferrari já vemos uma briga apertada entre seus pilotos, quem sabe a primeira vitória de Antonelli não o faça enfrentar mais vezes Russell e que tenhamos um campeonato.

sábado, 14 de março de 2026

Histórico pelo motivo correto

 


Numa F1 estranha, onde a produtora de TV omite o tamanho do vexame que é a enorme perda de velocidade no terço final da reta oposta, ainda por causa do novo regulamento técnico, é consolador ver algo histórico acontecendo, mas pelos motivos corretos. Considerado um prodígio ainda no kart, Andrea Kimi Antonelli sempre teve o apoio de Toto Wolff e por causa do dirigente austríaco estreou na F1 pela Mercedes, uma oportunidade incrível de iniciar-se na F1 numa equipe grande, mas que para um jovem de apenas 18 anos, também significou muito perigo de se queimar. A primeira temporada do italiano na F1 foi bem decente, mas com a Mercedes vindo muito forte com o novo regulamento, era necessário que Antonelli subisse o nível em 2026 e nesse sábado ele entrou para a história da F1 ao se tornar o mais jovem piloto a conseguir uma pole, aos 19 anos, 6 meses e 18 dias.

O sábado em Xangai foi animado, com a primeira corrida Sprint e a certeza que a Ferrari acertou a mão nas largadas nesse início de regulamento, enquanto a Mercedes sofre e Antonelli perdeu inúmeras posições após sair da primeira fila. George Russell teve trabalho com a dupla da Ferrari para se consolidar na ponta e vencer a mini-corrida, enquanto Leclerc e Hamilton se estranharam para se garantirem no pódio. Mesmo punido em 10s por um toque com Hadjar, Antonelli ainda foi quinto, não alcançando a McLaren de Norris. Verstappen largou pessimamente, chegou a bater rodas com a dupla da Aston Martin e só conseguiu um nono lugar, ficando fora dos pontos.

Russell parecia que repetiria a pole da Sprint na corrida principal, mas um problema no início do Q3 quase pôs tudo a perder para o inglês, que só teve chance de uma volta nos segundos finais. Com os pneus não aquecidos devidamente e a bateria não carregada apropriadamente, Russell não manteve o 100% e foi nesse momento onde Andrea Kimi Antonelli conseguiu ter tranquilidade para se sobressair e mesmo pressionado pela dupla da Ferrari, fez o melhor tempo e Russell teve que se contentar com a segunda posição, com a Mercedes claramente mais rápida em ritmo de classificação, usufruindo a potência absurda de sua unidade de potência. A Ferrari vem logo a seguir e depois a McLaren. A Red Bull deveria vir a seguir, mas Pierre Gasly está usando muito bem o motor Mercedes e colocou a Alpine em sétimo, com a dupla da Red Bull logo a seguir, com Max Verstappen reclamando bastante, mas pelo menos Hadjar está andando no ritmo do colega de box.

Antonelli se tornou o primeiro italiano a marcar a pole desde 2009, mas pelo visto na Sprint, a Ferrari irá com tudo na largada.   

domingo, 8 de março de 2026

Figura(AUS): Mercedes

 Quando 2026 se aproximava e com ele os novos regulamentos técnicos, muitos já apontavam a Mercedes como a grande favorita a sair na frente, lembrando a última grande mudança de motor ocorrida em 2014, com a chegada da era híbrida. A pré-temporada se revelou uma verdadeira corrida de empurra, com as quatro grandes jogando o favoritismo para as outras, mas ninguém tinha dúvida de que a Mercedes viria muito forte e quando George Russell conseguiu a pole com sete décimos de vantagem para o próximo carro não-Mercedes parecia que as expectativas se realizariam. Contudo, a corrida se mostrou uma outra história e a Mercedes demorou a se livrar da dupla da Ferrari antes de conseguirem a esperada dobradinha, com Russell na frente de Antonelli. Outra diferença de doze anos atrás é que se as clientes da Mercedes apareceram muito forte, principalmente com a Williams, mas em 2026 McLaren, Williams e Alpine não vieram com tanta força, inclusive com a bicampeã mundial McLaren chegando 50s depois da Mercedes de fábrica, indicando que não apenas o motor Mercedes é muito forte, como também o novo carro já veio bem nascido para uma temporada que tende a ser bastante agradável para Toto Wollf e seus silver caps.

Figurão(AUS): Aston Martin

 Já era esperado, mas ainda assim não deixa de impressionar o que aconteceu com a Aston Martin em Melbourne, sede da estreia da temporada 2026 da F1. O combo dinheiro aparentemente infinito da família Stroll, genialidade de Adrian Newey e potência da Honda parecia infalível, ainda contando com a força e experiência de Fernando Alonso, que preferiu atravessar 2025 na esperança de que 2026 seria o grande ano da Aston Martin. Porém, toda a expectativa veio abaixo com vários erros de procedimentos tanto da Aston Martin como da Honda, que parecem participar de algum reality show onde os noivos se conhecem apenas no dia do casamento. Os últimos dias revelaram notícias absolutamente chocantes da nova parceria, que parece muito com o início promissor entre McLaren e Honda dez anos atrás. A Aston Martin falou que não sabia que a Honda havia dispensado boa parte de sua equipe técnica quando assinou contrato de parceria. Quando o carro ficou pronto, um problema de vibração extrema fez que com o novo carro da Aston Martin sofresse de sérios problemas de confiabilidade, além de afetar a saúde dos próprios pilotos, que poderiam ter problemas nas mãos, tamanha a vibração vindo do motor Honda para o volante do carro. A falta de integração entre Aston Martin e Honda criou um problema potencial para se tornar um vexame histórico. Assim como dez anos atrás, Fernando Alonso se vê no meio disso tudo. Em Melbourne a situação periclitante permaneceu, com Lance Stroll passando o sábado sem ir à pista e Alonso mal andando na sexta-feira. Ambos largaram no domingo, mas usaram a corrida para ser uma espécie de um grande teste, chegando a ficar parados várias voltas. Perguntado sobre a corrida, Lance Stroll resumiu bem a situação atual da Aston Martin: Correndo? Estávamos apenas circulando...   

Só George curtiu


 Ao receber a bandeirada, George Russell exclamou via rádio que 'amava esse carro e esse motor'. Provavelmente e justificadamente o inglês foi o único que curtiu o novo carro da F1. Após muita polêmica e reclamações de praticamente todo o grid, o Grande Prêmio da Austrália aconteceu sem maiores incidentes graves e a esperada dobradinha da Mercedes, mesmo que tendo que se aproveitar de mais um vacilo estratégico da Ferrari em um início de corrida de bastante 'trocação' entre os três primeiros. Russell dominou quando não teve uma Ferrari por perto e lidera o campeonato da F1 pela primeira vez na carreira na abertura do campeonato. Antonelli se recuperou da péssima largada, onde chegou a cair para sétimo e fechou a dobradinha da Mercedes, com Leclerc completando o pódio.


Havia bastante receio para o que aconteceria na largada, já que sem uma das baterias haveria o chamado 'Turbo Lag', lembrando as péssimas largadas dos primeiros Renault Turbo no final da década de 1970. A FIA ainda deu uma colher de chá ao dar tempo para os pilotos encherem os turbos antes da largada, mas o que ninguém poderia imaginar era que o ídolo local Oscar Piastri batesse sua McLaren na volta de instalação, numa cena lamentável e reforçando que os pilotos australianos não dão 'match' com suas corridas caseiras. Mesmo com todo o apoio da FIA, vimos um grid em que boa parte dos carros saíram patinando como se o asfalto estivesse molhado. A Ferrari havia alertado sobre esse problema do Turbo Lag e trabalharam nesse item, resultando numa saída espetacular de Leclerc, pulando de quarto para primeiro, com Hamilton quase tomando o terceiro lugar de Hadjar e Lindblad, que brigavam pela posição, mas logo o veterano inglês se solidificaria no terceiro posto. Quando as posições se assentaram, era esperado que Russell ultrapassasse Leclerc e desaparecesse na ponta, mas o que se viu foi uma surpreendente troca de posições entre os dois, fazendo com que Hamilton se aproximasse e mais tarde, um recuperado Antonelli se juntasse à animada batalha pela primeira posição. Para quem esperava um passeio no parque da Mercedes, as várias trocas de posições era uma agradável surpresa, mesmo que isso tenha acontecido muito pelas novas regras de gestão de energia, com os pilotos ainda tateando um novo terreno onde consolidar uma ultrapassagem requer um cálculo que pode não ser dos mais fáceis nesse início de regulamento. Para os mais atentos, a transmissão da Liberty passou a cortar o gráfico de velocidade quando os carros chegavam na curva 8 e a velocidade despencava vertiginosamente. Não foi coincidência...


O novo motor da Red Bull/Ford estava se comportando maravilhosamente bem nesses primeiros momentos de um projeto totalmente novo, mas as dificuldades de noviciado apareceram e o motor de Isack Hadjar explodiu na décima volta, trazendo na sequência o SC Virtual. A maioria do pelotão, inclusive a dupla da Mercedes, foi aos boxes colocar pneus duros, tirando os médios, enquanto a Ferrari preferiu ficar na pista com seus dois pilotos, para protesto de Hamilton. Cinco voltas depois da relargada o carro de Valtteri Bottas ficou parado na entrada dos pits e a Ferrari teve uma falta de sorte incrível. Primeiro que o SC Virtual apareceu quando os dois carros tinham acabado de passar da entrada dos boxes, enquanto outra parte do pelotão fez sua parada, incluindo aí um Max Verstappen em outra corrida de recuperação forte, vindo da vigésima posição no grid. No entanto, quando a Ferrari se preparava para entrar nos pits, a direção de prova fechou a entrada dos pits para tirar o Cadillac de Bottas, fazendo com que a Ferrari tivesse que trazer seus pilotos em bandeira verde, praticamente os únicos. Mais um vacilo. Quando Hamilton parou ao final da volta 27, muito próximo da metade da corrida, Russell já tinha ultrapassado o compatriota e reassumia a liderança da corrida. Pela parada ainda na volta 12 de 58, era esperado que a dupla da Mercedes visitasse os boxes uma segunda vez, mas o equilíbrio do carro da Mercedes era tal que Russell e um hesitante Antonelli levaram seus carros até a bandeirada sem maiores arroubos. A Mercedes confirmou algo que todos comentavam ainda no ano passado, quando se falava que os alemães teriam a mesma vantagem que obtiveram quando houve a última grande mudança de regulamento, em 2014. Não foi um domínio escandaloso como doze anos atrás, mas observando os demais clientes da Mercedes, a vantagem da equipe de fábrica também passa por um chassi bem nascido, além do melhor motor da F1 atual. Russell controlou bem a corrida, como gosta de fazer quando tem o melhor carro, algo que terá mais vezes em 2026, enquanto Antonelli sofreu com uma largada horrorosa, mas a vantagem do seu carro o colocou rapidamente entre os primeiros colocados e o italiano pôde completar a dobradinha da Mercedes.


A Ferrari pôde colher os frutos de ter parado o desenvolvimento do carro do ano passado ainda em abril, mas Fred Vasseur e seus red caps queriam mais. O forte início da Mercedes deixou a Ferrari como a segunda força da F1 com alguma vantagem. A largada da Ferrari foi espetacular, como fora mostrado na pré-temporada no Bahrein, mas o ritmo de corrida não estava tão abaixo da Mercedes como mostrado na classificação. Leclerc mais uma vez superou Hamilton no final de semana, mesmo com Lewis encostando bastante nas voltas finais. Hamilton parece estar de ânimo renovado e quase conquistou o seu primeiro pódio pela Ferrari. Lando Norris foi um dos poucos a fazer duas paradas, mas isso não diminui a sensação de que a McLaren terá que correr atrás se quiser defender seus dois títulos. Lando ainda teve que lidar com a pressão de Max Verstappen nas voltas finais. O neerlandês fez uma bela corrida de recuperação, mas ao largar com pneus duros, teve que colocar os médios na primeira parada, fazendo-o ir para uma estratégia de duas paradas. Mesmo com pneus mais novos do que Lando, Max não foi capaz de efetuar a ultrapassagem, tendo que se conformar com a sexta posição. Os dois primeiros colocados de 2025 terminaram a corrida inaugural de 2026 mais de 50s atrás dos líderes.


Com os abandonos de Piastri e Hadjar, o meio do pelotão brigou pelo sétimo lugar e quem ficou com essa posição foi Oliver Bearman, após uma briga forte com outro jovem inglês, o promissor Arvid Lindblad, que chegou a ocupar a terceira posição na primeira volta, mas depois foi perdendo muito rendimento. Os dois se digladiaram nas voltas finais com vantagem para o piloto da Haas, mostrando um certo equilíbrio no pelotão intermediário pelos pilotos a seguir. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, parando duas vezes nos boxes e terminando em nono, bastante próximo de Lindblad. Primeiros pontos para a Audi logo em sua primeira corrida, mesmo que Nico Hulkenberg tenha tido problemas ainda antes da largada, se tornando o segundo abandono do dia. Pierre Gasly fechou a zona de pontuação com a Alpine após uma luta fratricida com seu compatriota e rival Esteban Ocon. Apenas Williams, Aston Martin e Cadillac saíram da Austrália sem pontos. Com um programa que teve problemas logo na pré-temporada, a Williams não emulou o mesmo bom desempenho do ano passado, ficando longe da luta pelos pontos. A Cadillac sofre com problemas de noviciado, com peças de soltando e um carro mais lento que os demais, mas ao menos Checo Pérez finalizou a corrida. A Aston Martin utilizou a corrida australiana para fazer um grande teste, enquanto seus pilotos conseguiam guiar um carro que vibrava de forma absurda, fazendo tremer a parceria com a Honda.


Numa corrida que iniciou uma nova era na F1, apenas seis carros quebraram, o que foi considerado pouco pelo o que se viu. As brigas por posição foram diferentes do que era visto nos últimos anos, portanto, vimos batalhas onde a gestão de energia fazia enorme diferença entre ganhar ou perder posição. Uma situação nova para todos, mas a excelência da engenharia da F1 irá consertar isso em breve, até porque um piloto ficando muito mais lento que o outro poderá ser perigoso em algumas situações ao longo da temporada. Norris se juntou à Verstappen nas críticas ao novo regulamento, assim como Hamilton, Leclerc e Alonso. Pelo jeito, apenas o vencedor George Russell curtiu. 

sábado, 7 de março de 2026

Repetição de 2014?

 


Nunca uma mudança de regulamento, por maior que seja ao longo de mais de setenta e cinco anos, causou tanta polêmica como a vista na F1 em 2026. Piloto sempre reclama quando há uma mudança, isso é um fato, mas os motores ganharem um protagonismo cada vez maior na parte elétrica fez com que a pilotagem mudasse a ponto de, em plena reta, os carros perdessem até 50 km/h mesmo com o piloto pisando o pedal do acelerador até o fim. Uma situação perigosa, nos fazendo imaginar como será em Baku e Monza. Outro ponto é a provável mudança no equilíbrio de forças e o que se viu lembra bastante 2014, quando a Mercedes dominou de forma avassaladora os primeiros anos da era híbrida.

Os testes de pré-temporada não foram nada esclarecedores em termos de desempenho, com as equipes fazendo o chamado sandbagging, o que em bom português é o 'esconder o leite'. Apesar de ter ficado muito claro que as quatro equipes grandes dos anos anteriores (McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull) permaneceriam no topo, a ordem ainda não era clara, mas Melbourne mostrou que a Mercedes iniciou 2026 um degrau acima, ainda com a polêmica da taxa de compressão do seu motor. Nos momentos mais decisivos, George Russell meteu mais de meio segundo na concorrência e mesmo a Mercedes ainda tendo muito trabalho com o forte acidente de Andrea Kimi Antonelli no terceiro treino livre, a equipe capitaneada por Toto Wolff conseguiu a dobradinha em Albert Park. Com sobras.

Porém, antes dos carros irem para a pista em Melbourne, todos os olhos estavam na Aston Martin. O que parecia um sonho de juntar o poderio financeiro da família Stroll, a genialidade de Adrian Newey e a capacidade da Honda se tornou rapidamente um pesadelo de proporções históricas, com notícias constrangedoras chegando à medida em que os carros andaram muito pouco na pré-temporada. A Honda mudou todo o seu staff técnico e pareceu 'esquecer' de avisar à Aston Martin sobre esse detalhe, demonstrando uma falta de integração da parceria que se resultaria num motor que falta confiabilidade junto a um carro onde Newey pensou mais na parte aerodinâmica e menos na parte mecânica. Isso tudo resultou em um quase W.O. da Aston Martin na Austrália e notícias de que a vibração no carro era tamanha, que os pilotos poderiam ter problemas em suas mãos. Por sinal, mais uma vez Fernando Alonso se vê numa situação onde o motor Honda destrói mais um ano seu...

Como não poderia deixar de ser, problemas ocorreram aos montes em várias equipes nesses primeiros momentos de novo regulamento. Stroll passou o sábado contemplando o desastre que se tornou a equipe do seu pai, Sainz teve problemas no seu Williams e sequer se classificou. A Williams foi outra equipe que não iniciou o ano de forma auspiciosa. Como esperado, a Cadillac teve problemas de noviciado e ficaram com as últimas posições. E finalmente Max Verstappen, um dos mais vocais nas críticas ao novo regulamento, terá mais motivos de ter mal humor ao bater em sua primeira tentativa no Q1, tendo que largar das últimas posições.

O terceiro treino livre já tinha dado a letra de que a Mercedes não estava para brincadeira, com Russell matando a concorrência com um tempo muito superior, mesmo Toto Wolff lamentando o acidente de Antonelli. A equipe Mercedes mostrou sua eficiência ao consertar o carro do italiano, se aproveitando da bandeira vermelha causada por Max, mas Kimi não andou no mesmo nível de Russell. O inglês marcou uma pole enfática, com as demais equipes mais atrás e já com pulgas atrás da orelha. Hadjar mostrou que poderá ser um segundo piloto digno na Red Bull e com Max no lado de fora, o francês colocou a Red Bull em terceiro, superando McLaren e Ferrari, que chegou a assustar ao marcar bons tempos no Q1 com pneus médios, mas a Ferrari ficou longe dos rivais tedescos. Arvid Linblad executou um ótimo treino em sua estreia, indo ao Q3 sempre à frente de Liam Lawson, enquanto Gabriel Bortoleto teve problemas no final do Q2, não podendo participar do Q3, contudo, o brasileiro claramente andou na frente de Hulkenberg. 

Para amanhã, se fala bastante que a largada tende a ser caótica pela parte elétrica da nova unidade de potência, mas teremos que esperar para ver como os carros de comportarão nesse novo procedimento, numa F1 nova demais, talvez tendo dando um passo maior do que a perna. Contudo, a Mercedes, como doze anos atrás, não tem muito do que reclamar até o momento. 


domingo, 1 de março de 2026

E começamos de novo

 


Está difícil parar Alex Palou, que vai inflando cada vez mais seus números na Indy. Em menos de cem provas pela categoria, Palou conseguiu sua vigésima vitória, uma porcentagem impressionante numa categoria que sempre primou pela competitividade e que nos últimos anos a única diferença entre os carros é o motor (Chevrolet ou Honda) e o acerto das equipes. 

A abertura do campeonato 2026 em St Petersburg foi mais uma corrida padrão de Alex Palou. O espanhol não largou na pole, cuja honra coube à Scott McLaughlin. Marcus Ericsson pulou para segundo, com Palou atrás. A primeira bandeira amarela surgiu logo na primeira volta, envolvendo o horroroso Sting Ray Robb, Santino Ferrucci e o estreante Mick Schumacher, que pode se consolar que seu pai também andou poucos metros em sua estreia na F1. Com as equipes tendo que colocar pelo menos dois sets de pneus macios na corrida, Palou fez sua corrida de espera baseada nisso. No primeiro stint, McLaughlin segurou o ritmo e os três primeiros andaram bem próximos, mas havia a situação em que o 'Undercut', ou seja, ficar mais tempo na pista, faria mais diferença. Um doce para adivinhar quem foi o último a parar. Sim, Alex Palou.

Com alguns carros tendo parado na primeira volta e esticando um pouco mais suas paradas, Palou esperou algumas voltas para disparar na ponta. Ericsson se manteve na frente de McLaughlin, mas com pneus macios, o sueco da Andretti sofreu bastante no final do segundo stint, segurando bastante McLaughlin, ajudando ainda mais a causa de Palou. O neozelandês perdeu tanto tempo que acabou 'ultrapassado' por Kyle Kirkwood durante as paradas, mas o americano da Andretti precisou economizar combustível nas voltas finais e foi ultrapassado na pista por McLaughlin e Christian Lundgaard, que superou o badalado Pato O'Ward na pista e pressionou McLaughlin até o fim, mas acabou mesmo na terceira posição, sendo o melhor McLaren.

Enquanto isso Palou passeava na pista de St Petersburg, chegando incríveis 12s na frente de McLaughlin. Após fazer os dois primeiros stints com pneus macios, Palou colocou os duros no stint final, tendo borracha de sobra para administrar qualquer ataque. Uma 'luneta' em termos de Indy, mas essa é a realidade atual da categoria. Por mais que tenha um bom nível no grid atual, a Indy vê em Alex Palou um piloto muito mais completo que os demais e capaz de sobrepujar todos os outros pilotos com uma facilidade desconcertante. E 2026 começa com um gostinho parecido com os quatro anos anteriores.