domingo, 29 de março de 2026

De cogumelo para abacaxi

 


Numa dessas ironias da vida, a F1 recebeu parte do elenco do filme Super Mario Galaxy em Suzuka, semanas depois dos pilotos compararem o novo e já famigerado novo regulamento ser várias vezes comparado a outro joguinho da série Super Mario, o Super Mario Kart. Se os pilotos falavam de cogumelos, bastante usado por Mario e Luigi no joguinho da Nintendo, hoje a F1 fala mais sobre abacaxi, pois é exatamente isso que a categoria tem nas mãos. Pode parecer estranho dizer que a F1 está em crise após três corridas movimentadas após a chegada do novo regulamento, mas Suzuka escancarou os sérios problemas que a F1 vive com um motor elétrico que 'brocha' antes do final das retas e o acidente de Oliver Bearman demonstrou algo que muito pilotos falavam faz algum tempo: a diferença brutal de velocidade entre os carros em momentos diferentes de bateria poderia ser bastante perigoso. Claro que Andrea Kimi Antonelli não tem muito do que reclamar. O jovem italiano conseguiu mais uma vitória vindo da pole, mesmo largando mal novamente, mas Kimi teve sorte com o Safety-Car na hora certa e a partir daí dominar a corrida rumo a liderança do campeonato, sendo Antonelli o mais novo a conseguir o feito na história da F1.


Apesar de algumas ameaças de chuva, o sol esteve presente em Suzuka na hora da largada, atrasada devido a um impressionante acidente durante a corrida da Porsche Cup. George Russell reclamou ainda durante a pré-temporada que não adiantava nada ter o melhor ritmo do pelotão se largar ser um ponto fraco para a Mercedes. Novamente a dupla da Mercedes, que dominava a primeira fila, largou de forma terrível e a forma como Oscar Piastri, finalmente largando para um Grande Prêmio oficial em 2026, saiu da terceira para a primeira posição indica que o problema não se trata do motor Mercedes, mas do carro da fábrica. O pole Antonelli teve uma largada horrorosa, patinando claramente e despencando para sexto, enquanto Russell ainda conseguiu ficar em terceiro, atrás de Piastri e Leclerc, ocupantes da segunda fila. A corrida começou animada com a dupla da Mercedes galgando posições, mas Russell não conseguiu efetuar um ataque mais efetivo em Piastri, enquanto Antonelli demorou um pouco para se livrar das Ferraris e de Norris. Quando teve ar limpo, Antonelli mostrou que tinha o melhor conjunto do final de semana e se aproximava de Russell, na medida em que o momento do único pit-stop se aproximou. Piastri, Leclerc e Russell foram os primeiros do pelotão da frente a visitar os pits, quando o momento decisivo da corrida, e até mesmo da temporada, aconteceu.


Oliver Bearman tinha ficado no Q1 de forma surpreendente no sábado e estava andando no pelotão intermediário, quando fez sua parada para trocar pneus. O inglês da Haas fez seu pit-stop e se aproximava da Alpine de Franco Colapinto. Um dos pontos críticos de Suzuka com relação à bateria era a aproximação da curva Spoon e Bearman apertou o botão de 'ultrapassagem' nesse momento, enquanto Colapinto viu sua bateria descarregar. O argentino ainda fez menção em fechar a porta, mas a velocidade de Bearman comparada a sua lembrava um Hypercar ultrapassando um LMGT3. Só que não estamos falando do WEC, mas de F1. Para não estampar a traseira de Colapinto, que vinha 50 km/h mais lento, Bearman jogou seu carro na grama, que sem controle bateu forte no muro de pneus. Um acidente feio, em que Bearman saiu do carro mancando, mas felizmente sem maiores problemas. Além dos problemas de bateria que fez a F1 passar mais um vexame com os motores 'brochando' entre a 130R e a Chicane, a diferença excessiva de velocidade entre um carro com bateria e outro sem fez com que um forte acidente acontecesse. Depois da corrida o paddock ficou em pânico e pilotos como Carlos Sainz foram bem vocais em afirmar que isso estava prestes a acontecer. Vozes cada vez mais eloquentes se levantaram e a FIA anunciou após a prova que reuniões serão feitas para que ajustes sejam feitos. Basta imaginar isso acontecendo em Monza ou Baku. Talvez por linhas tortas, não ter a corrida na Arábia Saudita foi bom, pois o rápido e perigoso circuito de Jedá, com suas curvas cegas, seria um convite a tragédia numa F1 claramente em crise com suas baterias. Talvez os dirigentes da F1 tenham o maior abacaxi nas mãos em mais de 75 anos de história. Afinal, montadoras foram atraídas para a F1 por causa regulamentação do motor a combustão inter e elétrico a 50/50, mas estamos vendo na prática que a F1 deu um passo maior do que a perna, criando uma crise enorme. 


Em Suzuka, quem entrava em crise era George Russell. Tendo a primazia de entrar nos boxes primeiro, o inglês teve uma falta de sorte gigantesca ao ver Antonelli fazer sua parada com o SC na pista, ganhando bastante terreno frente à Russell, que caiu para terceiro na manobra. Era esperado que o inglês da Mercedes relargasse de forma agressiva e fosse para cima de Piastri, mas o que se viu foi Russell novamente atacado por uma Ferrari nesse momento, ultrapassado pelo compatriota Hamilton, outro favorecido pela entrada do SC. Assim como aconteceu na China, Russell pareceu ter problemas de aquecimento de pneus duros e para completar, oito voltas depois ele teve problemas na bateria na entrada da Spoon e foi 'ultrapassado' por Leclerc. O monegasco rapidamente encostou no companheiro de equipe e foi logo soltando que 'estava perdendo tempo'. Antes que a Ferrari pensasse em algo, Leclerc atacou Hamilton e assumiu a terceira posição, enquanto Russell finalmente ultrapassou o ex-companheiro de equipe logo depois. Duas semanas depois do primeiro pódio com a Ferrari, Hamilton voltou aos tempos nada bons e foi ultrapassado por Norris na penúltima volta, ficando em 'último' entre as três equipes dominantes.


Leclerc tentou uma aproximação em cima de Piastri, mas logo o representante da Ferrari teve que segurar os ataques de Russell, contudo, assim como seu compatriota Hamilton, George Russell não estava num bom dia e pela primeira vez em 2026 ficou fora do pódio. Enquanto isso Antonelli aproveitou-se muito bem do SC a seu favor e dominou a corrida após a relargada, não sendo sequer fustigado por Piastri, que fez uma ótima corrida de 'estreia' em 2026, após seus dissabores nas duas primeiras provas. Kimi assumiu a liderança do campeonato e fez história, sendo o mais jovem a conseguir o feito, mas mais importante do que isso, começa a colocar pulgas atrás da orelha de Russell, que não esteve numa boa jornada. Na luta pelo campeonato, a confiança pender para um lado ou para outro pode ser decisivo e com a Mercedes tendo o melhor carro do pelotão, está claro que Antonelli estava em viés de alta. A McLaren deu sinal de vida e conseguiu seu primeiro pódio do ano, mesmo com todos os problemas de Norris ao longo do final de semana, fazendo o atual campeão ficar longe de Piastri o tempo inteiro. A Ferrari viu a McLaren se aproximar e ter um ritmo parecido com o seu em Suzuka. Mais uma vez Leclerc e Hamilton se encontraram na pista e a luta entre os dois foi no limite. Por enquanto estão todos sorrindo, mas o toque entre os dois está próximo...


E a Red Bull? Antes considerada a quarta força do campeonato, o time austríaco teve um final de semana complicado em Suzuka. Max Verstappen finalmente teve uma largada decente e ainda nas primeiras voltas entrou na zona de pontuação, ultrapassando seu companheiro de equipe, Hadjar. Contudo, o neerlandês ficou a corrida inteira tendo a traseira da Alpine de Pierre Gasly à sua frente. Max chegou a ultrapassar o francês, mas logo levava o troco, por causa da bateria do motor Ford/Red Bull descarregar, aumentando a frustração de Verstappen, que após a corrida mencionou a palavra aposentadoria. Isso não diminui a ótima corrida de Gasly, que segurou Max a corrida inteira e marcou bons pontos para a Alpine, que se vê com apenas um piloto pontuando, pois Colapinto esteve o tempo todo longe dos pontos. Hadjar perdeu terreno com a entrada do SC e não pontuou, chegando a ser ultrapassado por Hulkenberg nas voltas finais. Quem se aproveitou bem da entrada do SC foram Liam Lawson e Esteban Ocon, que fecharam a zona de pontos, mesmo que bem longe de Verstappen.

A Audi largou com seus dois carros e viu seus dois piloto receberem a bandeirada, mas dessa vez sem pontos para Bortoleto e Hulkenberg, mas precisando melhorar as largadas, assim como a Mercedes, o calcanhar-de-Aquiles da Audi. Lindblad chegou a andar na zona de pontuação, mas acabou fora dos pontos. Williams e Cadillac fizeram corridas anônimas, enquanto Fernando Alonso chegou ao fim da corrida, mesmo ainda sofrendo com vibrações. E sem gritar 'F2 engine' na casa da Honda...


Num final de semana em que a crise se instalou na F1 de vez, Andrea Kimi Antonelli vai encantando a F1 ao sobrepujar George Russell nesse momento, que precisa de respostas caso queira brigar pelo título. E até mesmo ficar na Mercedes, já que o inglês vive com o fantasma de Max Verstappen, que mesmo frustrado pelo novo regulamento, estaria mais feliz se estivesse vestindo preto nesse momento. Pelos piores motivos (uma guerra sem sentido no Oriente Médio), a F1 terá uma parada de um mês que poderá ser bem proveitosa. As cenas dos carros perdendo potência e o grave acidente de Bearman mostraram que o novo regulamento, mesmo com a propulsão de ultrapassagens, está se mostrando um passo muito maior do que a perna e a F1 terá pouco tempo para se ajustar, até mesmo para evitar problemas potencialmente graves. 

sábado, 28 de março de 2026

Sem Tadalafila


 Suzuka é um dos palcos icônicos da F1, com suas curvas rápidas e fluídas, mas estava nítido que com o novo regulamento, o circuito japonês seria palco de mais um vexame para a F1 nesse 2026. A longa reta oposta, seguida pela curva 130R é um dos pontos de mais longa aceleração do calendário. Para completar o cenário negativo, a Spoon não é exatamente uma curva de baixa, fazendo com que os pilotos chegassem nessa parte da pista sem estar com a bateria totalmente cheia. 

Assim como as equipes, a Liberty está usando os treinos livres para indicar onde haverá câmeras on-board ou não no resto do final de semana. E como esperado, o que se viu no primeiro dia de treinos foi um motor 'brocha' no aproche da Chicane. Pilotos perdendo até 50 km/h, mesmo com o acelerador a pleno, pois o motor elétrico simplesmente não chegava até o final dessa parte 'cheio' o suficiente. Mais um vexame que a F1 está com sérias dificuldades de esconder e os fãs mais hardcore fazem questão de apontar e lamentar. A F1 está com um dos maiores abacaxis nas mãos em sua história. Regras que não deram certo já aconteceram e muitas vezes foram mudadas rapidamente. Alguém lembra da classificação por tempo, onde os pilotos eram eliminados depois de um determinado tempo? Foi um tiro n'água tão grande, que rapidamente a invencionice caiu na lata de lixo da história. Mas como mudar um motor que falta, a grosso modo, de Tadalafila? 

Enquanto isso, os pilotos não estão tendo pena em sentar a pua no novo regulamento, claro, com mais acidez dependendo de sua posição no grid. O recém papai Alonso repetiu que qualquer um dentro da Aston Martin pode fazer as famosas curvas rápidas de Suzuka. Albon, na decadente Williams, falou que hoje em dia todas as curvas de Suzuka são de média velocidade, pois não se consegue chegar ao limite do carro por causa do motor. No sábado os vídeos on-board antes da curva 130R desapareceram como com um milagre. E amigos, não foi coincidência. Porém, vídeos do rápido primeiro setor de Suzuka, com os carros com o motor em baixa rotação ainda estão por aí nas redes. Por mais que a F1 não esteja acabando, como alguns arautos da tragédia estão bradando por aí, não se pode negar uma crise que só aumenta com a continuidade das corridas. Por mais que Stefano Domenicali, CEO da Liberty, rebata as críticas cada vez mais presentes, muito provavelmente o italiano esteja perdendo os seus parcos cabelos com as estrelas do espetáculo que ele gere destruindo o novo regulamento. Não queria estar na pele dos diretores de monopostos da FIA nesse momento...

Por ironia da situação presente, um jovem de 19 anos, onde em teoria não precisa usar Tadafila, que foi a estrela desse sábado. Andrea Kimi Antonelli continua sua boa fase e marcou a segunda pole consecutiva, mostrando que o jovem italiano poderá tornar o trabalho de George Russell nesse primeiro momento de domínio da Mercedes em 2026. O inglês reclamou bastante durante a classificação, mas ainda conseguiu completar a primeira fila da Mercedes. A McLaren finalmente deu o ar da graça em 2026 e Piastri conseguiu se colocar à frente da Ferrari na luta pelo melhor do resto, enquanto Norris sofreu com problemas na sua unidade de potência o final de semana inteiro e quase ficou de fora da classificação. Pior foi Verstappen. Para aumentar seu mau humor, que o fez expulsar um jornalista num evento da Red Bull, o neerlandês ficou de fora do Q3, superado inclusive por Hadjar, algo que Max não estava acostumado. Para colocar sal na ferida, Verstappen foi 'bumpado' por Lindblad, jovem talento da Red Bull, ainda com a Racing Bulls.

domingo, 22 de março de 2026

Apesar dos pesares

 


O Brasil finalmente retornou ao calendário da MotoGP e temos que comemorar isso. Sucesso? Longe disso! A etapa em Goiânia foi bastante problemática, com o episódio do buraco no asfalto no sábado e a diminuição do número de voltas no domingo, devido a problemas no asfalto. Apesar dos pesares, Marco Bezzecchi conseguiu passar por cima de todos os problemas no final de semana goiano e venceu pela quarta vez consecutiva na MotoGP, assumindo pela primeira vez a liderança do campeonato e vendo o rendimento da Aprilia, será difícil uma reviravolta da Ducati.

Se antes havia receio pela chuva, que tantos transtornos causou antes do final de semana, o forte calor no Planalto Central fez com que o asfalto não resistisse e como Fabio Di Giannantonio falou no pré-pódio, estava esfarelando. Situação esse que fez a organização reduzir oito voltas em comparação às trinta e uma originais, para alegria da Michelin e aumentando a sensação que os organizadores pecaram em alguns aspectos na preparação do circuito. A festa estava bonita e o Autódromo Internacional Ayrton Senna estava lotado para ver o domínio de Marco Bezzecchi. O italiano não parecia muito confortável durante o final de semana, sendo uma das vítimas da curva 4 durante os treinos, mas ainda conquistara uma segunda posição no grid, ficando atrás do compatriota Di Giannantonio.

No domingo Bezzecchi largou bem, deixou Di Giannantonio para trás e dominou a prova com bastante tranquilidade. A animada briga pela segunda posição logo na primeira volta tornou a vida de Bezzecchi ainda mais fácil, abrindo quase 2s quando Jorge Martín se assentou na segunda posição. Pedro Acosta se segurou o quanto pôde, mas foi sendo ultrapassado até terminar na sétima posição, cedendo a liderança do campeonato para Bezzecchi. A KTM vive de lampejos de Acosta, com as outras motos longe do top-10 e Maverick Viñales em último. Pior foi ainda foi a Yamaha. Após conseguir colocar três pilotos no Q2 pelas condições traiçoeiras de sexta-feira, os representantes da Yamaha caíram pelotão abaixo e apenas Rins marcou pontos. Quartararo não vê a hora de assinar com a Honda. Isso, se já não tiver assinado...

A briga pela terceira posição entre Di Giannantonio e Marc Márquez foi a diversão do final da corrida, com o italiano tomando uma ultrapassagem agressiva de Márquez, mas retomando a posição quando o espanhol errou. Se na Sprint Marc Márquez conseguiu se sobressair frente à Di Giannantonio, o piloto da VR46 deu o troco no domingo. Apesar da vitória no sábado, Márquez não subiu ao pódio ainda em corridas principais e vê a Aprilia crescendo à olhos vistos. Ogura ainda tirou uma casquinha de Acosta e Alex Márquez para ser quinto, ou seja, assim como ocorreu na Tailândia, a Aprilia dominou e colocou três motos entre os cinco primeiros. Marc Márquez ainda sofre com a última cirurgia e nem foi a melhor Ducati do dia, mas se quiser o oitavo título, precisará escalar uma montanha já grande.

Diogo Moreira fez outra corrida decente. O brasileiro da LCR Honda largou mal, caindo para 19º e foi recuperando posições na medida em que seu equipamento era superior à KTM's e Yamaha's, bisando o 13º lugar conquistado três semanas atrás em Buriram.

Entre mortos e feridos, o Grande Prêmio Brasil de 2026 da MotoGP sirva de muita lição para os organizadores. A festa foi bonita e é importante ter eventos assim no nosso país, mas a edição desse ano não foi um sucesso.

terça-feira, 17 de março de 2026

Figura(CHN): Andrea Kimi Antonelli

 Não poderia ser outro! Antonelli entrou para a história da F1 no sábado ao marcar a pole position, se tornando o mais jovem a fazê-lo, mas a vida do italiano foi facilitada pelo problema no carro de Russell no Q3 e na corrida a história seria bem diferente. Kimi havia largado mal em todas as oportunidades em 2026, muito pelo foguete que a Ferrari desenvolveu e em Xangai, Antonelli só perdeu uma posição para Hamilton, logo recuperando a ponta. Russell rapidamente escalou o pelotão, mas em nenhum momento o inglês ameaçou o companheiro de equipe, muito por méritos de Andrea Kimi Antonelli. Afora um ligeiro erro no final da corrida, Antonelli se comportou muitíssimo bem durante a corrida e pôde terminar um jejum de vinte anos sem um italiano vencendo na F1. A emoção do jovem de 19 anos antes de subir ao pódio tocou a toda a comunidade da F1, que se pergunta sobre a possibilidade de que a primeira vitória de Andrea Kimi Antonelli, jovem promessa e aposta de Toto Wolff, poderá entrar na luta pelo título.

Figurão(CHN): Esteban Ocon

 Para quem precisa renovar seu contrato se quiser continuar na F1, a apresentação de Esteban Ocon na China não foram nada abonadoras. O francês precisa mostrar serviço para ter ou seu contrato renovado com a Haas ou que alguma equipe o note, mas em Xangai Ocon não fez muito para que isso acontecesse, um ano depois de uma bela exibição do francês. Após ter ficado atrás de Bearman na Austrália, Ocon precisava dar uma resposta, mas o piloto da Haas continuou atrás do jovem companheiro de equipe durante os treinos e na corrida principal Esteban continuou suas estrepolias. Após fazer sua única parada no boxes, Ocon vinha na reta principal quando Franco Colapinto voltava à pista. O argentino da Alpine acabou acertado por Ocon, estragando a corrida de ambos, mas se Colapinto pelo menos marcou seu primeiro ponto com a Alpine, Ocon foi acertadamente punido pelos comissários e terminou a corrida em último, numa prova onde Bearman termino num ótimo quinto lugar. A fama de provocador de acidentes já faz de Ocon um piloto não muito quisto dentro do paddock e a comparação com Bearman na luta interna da Haas começa a se tornar embaraçosa para Ocon. Seus anos na F1 podem estar contados. 

domingo, 15 de março de 2026

A emoção de Kimi

 


Para um piloto de F1, vencer sua primeira corrida é algo bastante especial. Foram anos de luta e sacrifícios para culminar com você no alto do pódio ouvindo o hino do seu país. Andrea Kimi Antonelli se tornou nesse domingo o segundo piloto mais jovem a vencer um Grande Prêmio, além de tirar a Itália de uma fila de vinte anos sem vitória numa corrida em que o jovem italiano foi preciso na maior parte do tempo desse animado Grande Prêmio da China, uma corrida mais 'normal' em comparação ao que foi visto em Melbourne na semana passada. Confirmando a força da Mercedes, George Russell teve seus percalços da 56 voltas que compôs a corrida chinesa, mas o inglês completou a dobradinha do time comandado por Toto Wolff, que ainda viu seu amigo e antigo piloto Lewis Hamilton conquistar seu primeiro pódio com a Ferrari depois de uma vibrante luta com Charles Leclerc, mostrando que a Ferrari é a segunda força destacada desse início de nova era.


Regulamentos novos sempre significam mais desconfortos para equipes e montadoras. Se até ano passado abandono era uma anormalidade na F1, antes mesmo da largada do Grande Prêmio da China, já contávamos com quatro desistências. Se na Austrália Nico Hulkenberg teve problemas antes da corrida, dessa vez foi Gabriel Bortoleto o representante da Audi que ficou de fora. A Williams continua seu suplício com Alexander Albon inicialmente largando dos boxes para depois sequer entrar no carro. Porém, o que mais chamou atenção foi a dupla da McLaren sendo retirada do grid com um problema aparentemente elétrico e não participaram da prova. Papaya Rules? A verdade é que o time capitaneado por Zak Brown ainda não disse a que veio em 2026, com a McLaren, pelo ritmo mostrado na Sprint Race, sendo uma terceira força, mas longe de Mercedes e Ferrari. Isso sem contar que Oscar Piastri não fez uma única largada de um Grande Prêmio cheio em 2026. E falando em largadas, a Ferrari novamente não tomou conhecimento da Mercedes no apagar das cinco luzes vermelhas e Lewis Hamilton rapidamente pulou para a ponta, seguido por Antonelli, que soube fechar Leclerc na complicada curva um, enquanto a dupla da Cadillac se encontrou nessa curva, mas com um carro bem abaixo dos demais, não fez muita diferença.


A primeira volta foi marcada por uma briga muito forte no meio do pelotão entre Oliver Bearman e Isack Hadjar, com o francês rodando de forma espetacular na entrada da reta oposta, fazendo Bearman perder bastante tempo. A saída de pista de Hadjar foi outro golpe na Red Bull, que viu Max Verstappen emular sua terrível largada na Sprint e cair para as últimas posições. Isso tudo trouxe Franco Colapinto para junto do seu companheiro de equipe Gasly, que sem ter nenhum carro da McLaren à sua frente, assumiu a quinta posição. Novamente Alonso pulou para décimo na primeira volta com uma largada incrível, mas a saltitante Aston Martin não deixou o espanhol se animar muito e logo Alonso retornava às últimas posições. Enquanto isso nas primeiras posições, as duplas de Ferrari e Mercedes já se destacavam frente às demais, sendo que não demorou muito para a potência do motor Mercedes fazer a diferença. Kimi assumiu a ponta na segunda volta, enquanto Russell demorou outras três voltas para assumir o segundo lugar, enquanto as Ferraris se engalfinhavam, com Hamilton segurando a terceira posição dos ataques de Leclerc. Antonelli tinha uma vantagem pouco inferior a 2s quando Lance Stroll apareceu com seu carro parado na curva um na décima volta. Safety Car na pista e com muitos pilotos com pneus médios (apenas a dupla da Red Bull arriscou os macios), boa parte do grid aproveitou o momento e entrou nos pits. Mercedes e Ferrari fizeram parada dupla e isso foi determinante para a vitória de Antonelli.


Lawson e Verstappen tinham feito suas paradas pouco antes da entrada do SC, caindo várias posições, enquanto Colapinto e Ocon, que largaram com pneus duros, optaram por ficar na pista. Antonelli foi capaz de sair dos boxes logo à frente dos dois, mas não foi o caso de Russell, que relargou em quarto, tendo ainda Hamilton em seu encalço. A Mercedes não tinha treinado com pneus duros e o clima frio desse domingo fez com que o aquecimento não fosse a coisa mais fácil para a dupla da Mercedes, mas se Kimi tinha ar limpo, Russell estava no meio do pelotão. Logo na relargada Hamilton ultrapassou seu compatriota, enquanto Leclerc deixava Lindblad para trás e atacava um indefeso Russell, que reclamou via rádio não ter aderência. Até o trio se livrar de Colapinto e Ocon, Antonelli já tinha 4s de frente. Com os pneus devidamente aquecidos, Russell partiu para cima da dupla da Ferrari, numa disputa animada e que foi o ponto alto da prova, mas até George reassumir a segunda posição, Antonelli já estava 7s na frente do companheiro de equipe com metade da corrida ainda por vir. Afora um ligeiro erro nas voltas finais na freada da reta oposta, a corrida de Antonelli foi impecável e sua vitória foi bastante merecida. Sua emoção no rádio e na entrevista pós-corrida comoveu a comunidade da F1, mesmo que tenha sido chamado de 'Kimi Raikkonen' no pódio. Uma vitória como essa pode mexer na motivação de Kimi, que pode querer ainda mais do que ser apenas o segundo piloto de George Russell. O problema do carro do inglês no Q3 se mostrou decisivo para a corrida de Russell, que teve que se virar em vários momentos contra a Ferrari e ainda pode ver surgiu um real competidor dentro do box da Mercedes na luta pelo título, que nesse momento parece se decidir dentro do seio da Mercedes.


A luta pelo lugar mais baixo do pódio foi entre a dupla da Ferrari, com algumas trocas de posição que devem ter deixado Fred Vasseur bastante tenso, mas como não houve toques (por enquanto...) tudo estava bem para os lados da Ferrari, com Lewis Hamilton finalmente conquistando seu primeiro pódio com a Ferrari, mas mais importante do que isso, o veterano inglês demonstra uma outra atitude em 2026, sendo mais incisivo nas disputas e uma postura mais condizente com um multi-campeão da F1. Leclerc falou pelo rádio que foi uma disputa divertida, mas a pergunta que fica é: e quando houver um toque entre ambos?


Sem quebras ou toques entre os quatro primeiros, a disputa pelo melhor do resto ficou entre os recuperados George Bearman e Max Verstappen. Após sair da pista para não bater em Hadjar, Bearman fez outra corrida de gente grande e parando no momento do SC, logo estava de volta na zona de pontuação e na relargada, ultrapassou Gasly para se posicionar muito bem, ultrapassando seu companheiro de equipe Ocon e Colapinto na medida em que os dois perdiam desempenho dos seus pneus. Verstappen arriscou em colocar pneus macios, mas rapidamente ficou 'descalço' e fez sua parada antes do SC, o que acabou lhe atrapalhando, no entanto, o neerlandês rapidamente ultrapassou vários carros, mas quando se posicionou atrás de Bearman, a evolução de Verstappen terminou, com Max sempre 2,5s atrás da Haas de Bearman. Isso, até a Red Bull ter problemas e Verstappen abandonar já na parte final da corrida. Um dia esquecível para a Red Bull, que além de sofrer com problemas de confiabilidade, ainda se viu num ritmo parecido de uma Haas. Até quando a paciência de Max Verstappen irá aguentar?


Porém, o abandono de Max Verstappen não tira o brilho da excelente prova de Bearman, que terminou num ótimo quinto lugar, enquanto Ocon manteve sua coerência ao bater num adversário, nesse caso, em Colapinto, quanto o portenho saía dos boxes e os dois se acharam. Ocon nem deu muito trabalho aos comissários ao se declarar culpado pelo incidente e após punição Ocon terminou em último. Para quem precisa renovar contrato, situação nada boa para Esteban Ocon. Seu compatriota Gasly fez uma boa prova com a Alpine, sendo superado por Bearman na relargada, mas sempre se manteve perto do inglês e no momento em que Max abandonou, Gasly se aproximava do neerlandês. Para melhorar ainda mais o dia da Alpine, mesmo com os danos pelo toque com Ocon, Colapinto ainda foi capaz de conseguir um pontinho, seu primeiro com a Alpine. Lawson se colocou entre os dez primeiros a maior parte da prova, superando o badalado companheiro de equipe Lindblad, terminando em sétimo, sendo o melhor piloto da 'família' Red Bull, pois Hadjar chegou logo atrás do neozelandês e numa corrida apática e bem longe do mostrado na Austrália, Lindblad terminou fora dos pontos.


Hulkenberg foi um dos que não pararam durante o SC e teve que fazer sua única parada com bandeira verde, perdendo muito tempo e não pontuando com a Audi, que precisa resolver seus problemas de confiabilidade que fizeram seus dois pilotos abandonarem antes mesmo da largada em suas corridas consecutivas. Numa corrida de sobrevivência, Sainz terminou em nono e marcou os primeiros pontos de uma combalida Williams em 2026. Mesmo com o toque na primeira volta, a Cadillac completou a prova com seus dois pilotos, enquanto a Aston Martin segue sofrendo com um carro lento e que vibra a ponto de Alonso soltar o volante em determinados momentos durante a corrida. A causa do abandono de Alonso foi justamente pelas dores que sentia nas mãos e pés pela excessiva vibração causada pelo motor Honda. Uma situação vexatória.


Uma semana depois de tudo o que foi visto em Melbourne, vimos uma corrida mais 'normal' em Xangai. Pilotos e equipes ainda estão aprendendo sobre um regulamento muito distinto do que já foi visto e uma semana depois, todos pareciam mais 'em casa' com o novo carro. Não teve ultrapassagens em profusão, mas a corrida em Xangai pareceu mais uma corrida de F1 de verdade. Porém, o Poweranking visto na Austrália permaneceu o mesmo, com Mercedes muito na frente da Ferrari, que por sua vez está muito à frente das demais. Se na Ferrari já vemos uma briga apertada entre seus pilotos, quem sabe a primeira vitória de Antonelli não o faça enfrentar mais vezes Russell e que tenhamos um campeonato.

sábado, 14 de março de 2026

Histórico pelo motivo correto

 


Numa F1 estranha, onde a produtora de TV omite o tamanho do vexame que é a enorme perda de velocidade no terço final da reta oposta, ainda por causa do novo regulamento técnico, é consolador ver algo histórico acontecendo, mas pelos motivos corretos. Considerado um prodígio ainda no kart, Andrea Kimi Antonelli sempre teve o apoio de Toto Wolff e por causa do dirigente austríaco estreou na F1 pela Mercedes, uma oportunidade incrível de iniciar-se na F1 numa equipe grande, mas que para um jovem de apenas 18 anos, também significou muito perigo de se queimar. A primeira temporada do italiano na F1 foi bem decente, mas com a Mercedes vindo muito forte com o novo regulamento, era necessário que Antonelli subisse o nível em 2026 e nesse sábado ele entrou para a história da F1 ao se tornar o mais jovem piloto a conseguir uma pole, aos 19 anos, 6 meses e 18 dias.

O sábado em Xangai foi animado, com a primeira corrida Sprint e a certeza que a Ferrari acertou a mão nas largadas nesse início de regulamento, enquanto a Mercedes sofre e Antonelli perdeu inúmeras posições após sair da primeira fila. George Russell teve trabalho com a dupla da Ferrari para se consolidar na ponta e vencer a mini-corrida, enquanto Leclerc e Hamilton se estranharam para se garantirem no pódio. Mesmo punido em 10s por um toque com Hadjar, Antonelli ainda foi quinto, não alcançando a McLaren de Norris. Verstappen largou pessimamente, chegou a bater rodas com a dupla da Aston Martin e só conseguiu um nono lugar, ficando fora dos pontos.

Russell parecia que repetiria a pole da Sprint na corrida principal, mas um problema no início do Q3 quase pôs tudo a perder para o inglês, que só teve chance de uma volta nos segundos finais. Com os pneus não aquecidos devidamente e a bateria não carregada apropriadamente, Russell não manteve o 100% e foi nesse momento onde Andrea Kimi Antonelli conseguiu ter tranquilidade para se sobressair e mesmo pressionado pela dupla da Ferrari, fez o melhor tempo e Russell teve que se contentar com a segunda posição, com a Mercedes claramente mais rápida em ritmo de classificação, usufruindo a potência absurda de sua unidade de potência. A Ferrari vem logo a seguir e depois a McLaren. A Red Bull deveria vir a seguir, mas Pierre Gasly está usando muito bem o motor Mercedes e colocou a Alpine em sétimo, com a dupla da Red Bull logo a seguir, com Max Verstappen reclamando bastante, mas pelo menos Hadjar está andando no ritmo do colega de box.

Antonelli se tornou o primeiro italiano a marcar a pole desde 2009, mas pelo visto na Sprint, a Ferrari irá com tudo na largada.