Mesmo ainda sofrendo com um motor totalmente vindo do zero e uma equipe que pretende ser grande, mas não nesse momento, Gabriel Bortoleto começa a se destacar dentro da Audi. Mais uma vez o jovem piloto brasileiro conseguiu um resultado de destaque no pelotão intermediário e, mais importante, superou com alguma folga o seu veterano companheiro de equipe Nico Hulkenberg. Se caracterizando pela velocidade em classificação, Bortoleto colocou mais de meio segundo de vantagem sobre Hulk e conseguiu uma vaga no Q3, largando no top10 e com boas chances de marcar pontos. Na corrida Bortoleto ficou no meio de Racing Bulls e Alpine, equipes que estão bem na frente da Audi no Mundial de Construtores e a Gabriel teve sorte com um VSC na hora certa. Tendo feito sua única parada bem no período de VSC, Bortoleto pulou para oitavo, sendo o primeiro fora das quatro equipes grandes e mesmo tendo a presença incômoda de Arvid Lindblad por perto nas voltas finais, Gabriel controlou a vantagem e recebeu a bandeirada como o melhor do resto, conseguindo mais alguns pontos no campeonato. Por sinal, apenas Bortoleto marcou pontos pela Audi em 2026 e seus resultados já o colocam como um dos destaques do ano.
JCSPEEDWAY
terça-feira, 21 de julho de 2026
Figurão(BEL): FIA
Antigamente quando o calendário apontava Spa-Francorchamps como a próxima etapa, o fã da F1 ficava animado para encontrar a pista favorita da maioria dos pilotos, além de um palco histórico e tradicional. Porém, 2026 foi uma exceção por motivos já conhecidos: o novo regulamento técnico. Com o Super Clipping atuando forte em Spa, vimos cenas vexatórias na pista belga, com carros literalmente murchando no final das longa zonas de aceleração, com as velocidades decaindo 50 km/h, algo visto em Suzuka e Silverstone, outros palco lendários da F1, que viram a principal categoria do automobilismo tendo que percorrer retas onde anteriormente os pilotos atingiam altas velocidades com o pé no fundo, agora mal superam os carros de...F2.
domingo, 19 de julho de 2026
Colocando ordem no campeonato
O clima em Spa é dos mais conhecidos por nos trazer surpresas e animar corridas com pancadas de chuva. Havia uma previsão de chuva para sábado e domingo no início da semana, mas em ambos os casos isso não se confirmou. O sábado foi limpo em termos de chuva e se alguns pingos apareceram nas câmeras de TV aqui e ali no começo da corrida, não foi o bastante para fazer equipes e pilotos pensarem em mudar suas estratégias. Com o sol brilhando em alguns momentos, as equipes passaram a observar qual a melhor estratégia para seus pilotos, assim como seria o melhor gerenciamento da bateria, algo essencial para a crítica primeira volta em Spa, onde a longa zona de aceleração entre a Surcis e a Les Combes ocasiona algumas mudanças de posições. A largada ocorreu sem interferências e os vinte e dois pilotos percorreram a primeira curva sem problemas, porém, logo depois Verstappen usou um pouco mais de bateria, ultrapassando Antonelli. Longe de ser um problema para o italiano da Mercedes, pois ao contornar a Eau Rouge e a Radillon, Antonelli teria o vácuo de Verstappen e, mais importante, teria mais bateria disponível na reta Kemmel. E Kimi retomou a liderança com facilidade, sendo seguido por Leclerc, que acabara de ultrapassar Russell, que estava bem lento na reta Kemmel a ponto de ser atacado por Hamilton. Ao chegar na Les Combes, os dois pilotos ingleses se tocaram num claro incidente de corrida, algo que a FIA não concordou, e Russell acabou atolado na brita, enquanto Hamilton carregou um ligeiro dano na asa dianteira até a bandeirada. Com Russell parado na brita, o único Safety Car real do dia apareceu, enquanto Russell amargava um final de semana horroroso em Spa, lugar onde George vencera de forma categórica em 2024, mas acabou desclassificado por um problema técnico em seu carro.
O toque entre Russell e Hamilton fez com que Piastri subisse para quarto, enquanto Norris iniciava sua escalada no pelotão intermediário após sua punição e já ganhava três posições, relargando em décimo. Logo após a relargada Verstappen ultrapassou Leclerc, pulando para segundo, enquanto Piastri começava a atacar o monegasco. O piloto da McLaren tentou um ataque na reta Kemmel e Leclerc claramente imprensava o australiano na grama, numa luta dura e que acabou resultando num ligeiro toque entre eles, onde Piastri teve parte da asa dianteira quebrada. Isso permitiu a Hamilton, já sabendo que teria que cumprir 5s de pênalti pelo toque com Russell na volta um, encostasse em Piastri e efetuasse a ultrapassagem. Enquanto isso, Norris passava por cima dos pilotos de Alpine e Racing Bulls, subindo para sétimo, mas com uma distância maior para Piastri, que resmungava via rádio pelo toque com Leclerc, mas após longa deliberação, a FIA deixou a corrida como estava e ninguém foi punido. Afora Norris, todos os pilotos da ponta largaram com pneus médios e esperavam completar apenas um pit-stop. Ao contrário do esperado, Antonelli não disparou na ponta, seguido relativamente de perto por Verstappen, a dupla da Ferrari e Piastri. Hamilton tentou um ataque em cima de Leclerc e mesmo disputando contra o seu companheiro de equipe, Charles emulou a manobra de Piastri em cima de Lewis, mas sem toques dessa vez. Claramente irritado, Hamilton sugeriu uma troca de posições, em que Leclerc reagiu e passou a perseguir Verstappen mais de perto. A corrida estava estática, sem grandes brigas. Apenas algo excepcional poderia mudar o rumo da corrida. E ela veio quando um SC Virtual apareceu duas vezes consecutivas bem no momento em que as equipes começavam a chamar seus pilotos para trocar pneus.
Quando o primeiro VSC apareceu na volta 18, a Mercedes chamou Antonelli, reagindo a manobra da Red Bull, que chamara Verstappen na volta anterior, além da Mercedes tentar aproveitar o VSC. Contudo, o período de VSC foi tão curto que quando Kimi entrou nos boxes, a bandeira verde já tinha sido mostrada e a dupla da Ferrari e da McLaren permaneceram na pista. Duas voltas depois o VSC retornou e dessa vez permitiu que a Ferrari fizesse as paradas dos seus dois pilotos (com Hamilton atropelando um dos seus mecânicos) e Leclerc fosse capaz de voltar à pista na frente de Antonelli. Lando Norris assumiu a liderança da corrida de forma circunstancial, ao ser o último a fazer seu pit-stop, mas quando Leclerc e Antonelli deixaram o atual campeão mundial para trás, a briga esperada acontecer em Silverstone, mas foi interrompida por um problema mecânico no carro de Antonelli, veio à tona em Spa. Com um melhor ritmo, Kimi fatiou a vantagem de Leclerc e com uma manobra ajudada pelo gerenciamento de bateria, Antonelli reassumiu a liderança quando faltavam dez voltas para o fim. Mesmo com Leclerc se mantendo por perto, não houve ataques e Antonelli controlou a vantagem rumo a sua sexta vitória em 2026 e aumentando sua vantagem no campeonato para o novo vice-líder Lewis Hamilton, que mesmo punido, ainda terminou em quarto lugar.
A vitória de Andrea Kimi Antonelli coloca uma certa verdade no campeonato. O italiano ainda tem muito a evoluir em sua carreira, mas com o carro dominante do ano Antonelli tem em George Russell seu maior rival no campeonato e comparando o desempenho dos dois, a diferença de 25 pontos que os separavam antes da corrida em Spa não mostrava o gap exato entre eles. Mais do que abrir mais 25 pontos frente ao seu companheiro de equipe, Antonelli mostra a Mercedes que ele merece a primazia e atualmente está bem à frente de Russell. O melancólico abandono na primeira volta coroou um final de semana macambuzio do inglês, que reclamou bastante do desempenho do seu carro nas longas retas em Spa, levando Russell a tomar mais de meio segundo de Antonelli em praticamente todas as sessões. Russell agora perdeu a vice-liderança do campeonato e vê um Kimi Antonelli vencer de forma natural, extremamente adaptado ao carro do horroroso novo regulamento. Após tanto elogiar o regulamento atual da F1, Russell vê seu companheiro de equipe 'casar' seu estilo de pilotagem a um carro que vergonhosamente murcha bem antes dos finais de reta por causa das baterias.
Leclerc fez uma ótima corrida, se mostrando um adversário mais duro do que o imaginado a Antonelli, mesmo que a Mercedes claramente tem o melhor ritmo do pelotão atual da F1. O monegasco se posicionou muito bem no começo da prova, não se curvou a Hamilton, mesmo sabendo que ele tomaria 5s de punição, e se aproveitou muito bem da tática de Ferrari, que o chamou aos pits no melhor momento possível, garantindo que Leclerc voltasse à pista na frente de Antonelli. Se Charles teve sorte com o abandono de Kimi em Silverstone, em Spa não foi o caso, mas o que importa foi que Leclerc parece ter deixado sua má fase para trás. Hamilton se envolveu em dois incidentes durante a corrida e isso acabou sendo definitivo para que o veterano inglês não conseguisse um lugar no pódio. Se Max Verstappen manteve um ritmo decente com pneus médios, quando o neerlandês foi 'calçado' com os compostos duros, o grip da Red Bull foi embora e Max fez uma corrida discreta, mas que lhe garantiu mais um pódio no ano, mesmo com a Red Bull nitidamente brigando com a McLaren para ser a terceira força. Após o toque com Leclerc, a corrida de Piastri caiu a ponto de ser alcançado e ultrapassado por Norris, que largara algumas filas depois. O australiano ainda perdeu a quarta posição para Hamilton nas voltas finais, somando mais uma corrida sonolenta para Piastri em 2026. Norris executava uma estratégia diferente, mas tudo foi por água abaixo quando a McLaren errou em sua parada, mais especificamente na roda traseira esquerda presa, fazendo Lando perder mais de 7s na operação, fazendo-o terminar atrás de Hadjar. O francês largou dos boxes, aproveitou o período de SC nas primeiras voltas para cumprir o regulamento e fazer uma boa corrida de recuperação, terminando em sexto. Hadjar não se importa em tomar tempo de Verstappen. Isso já estava no script. Porém, Hadjar vai amealhando bons pontos que fazem toda a diferença no Mundial de Construtores para a Red Bull.
Continuando sua boa fase, Gabriel Bortoleto foi o melhor do resto ao se aproveitar bem do período de VSC e fazer sua única parada na hora certa e assim superar a dupla da Racing Bulls. Gabriel teve a presença incômoda da Lindblad lhe pressionando nas últimas voltas, mas o piloto da Audi segurou a oitava posição e marcou mais pontos, lembrando que Hulkenberg, que largou mais para trás e ficou no meio de uma briga com Alpine e Liam Lawson, ainda não marcou pontos. Na expectativa para a final da Copa do Mundo, Franco Colapinto efetuou uma bela manobra para ultrapassar Lawson e Gasly na reta Kemmel e com isso, se estabelecer em décimo e marcar o último ponto do dia, mesmo pressionado pelos dois até a última volta. Após um começo de campeonato animador, a Haas perdeu rendimento e hoje briga com a Williams, que tem um Carlos Sainz cada vez mais incomodado com a situação atual da Williams e querendo achar um outro cockpit em 2027. Cadillac e Aston Martin perderam um piloto cada na corrida, mas estão cada vez mais longe do pelotão intermediário. Bottas terminou um minuto atrás da Williams, enquanto Alonso terminou um minuto atrás da Cadillac. Uma situação inimaginável quando foi anunciado a chegada de Newey à Aston Martin.
Com o campeonato se aproximando da parada de férias de verão na Europa, Antonelli vai se portando como um campeão digno, mesmo a F1 se autossabotando com seu regulamento horrível, com motores que podem debitar potência menor do que um carro de F3. Antonelli está na equipe dominante e com seu companheiro de equipe fazendo um ano abaixo da crítica, basta ao italiano usar o potencial do carro que tem em mãos para dominar os finais de semana de forma consecutiva. A vitória em Spa só demonstra que Andrea Kimi Antonelli tornou uma vitória num Grande Prêmio de F1 em algo simples e corriqueiro.
sábado, 18 de julho de 2026
Passando por cima
Com as grandes retas em Spa, algumas equipes aproveitaram para trocar os motores de seus pilotos e com isso eles seriam punidos com posições no grid. Lando Norris e Isack Hadjar das equipes grandes foram alguns dos escolhidos, enquanto Fernando Alonso permanecerá na última fila com o retumbante fracasso que se tornou a Aston Martin em 2026. As longas áreas de aceleração em Spa também trouxe de volta o famigerado Super Clipping e o vexame da F1 com seu atual regulamento. Basta observar que as câmeras onboard, assim como em Silverstone, foram raras em Spa, para não flagrar os carros literalmente murchando no aproche das freadas. No primeiro treino livre, o motor Honda, o pior da F1 atual, perdia tanto desempenho por falta de bateria que Lance Stroll chegou ao final da reta Kemmel mais lento que um carro... da F3! Um verdadeiro escárnio!
Na pista Andrea Kimi Antonelli mostrava que veio à Spa para acabar com sua má fase, enquanto Russell coçava a cabeça num ritmo muito abaixo de um piloto Mercedes. Ferrari e Red Bull vinham claramente abaixo, enquanto Norris andava muito bem em Spa, ao contrário de Piastri, algo que vai se tornando corriqueiro em 2026. O nível do fracasso da Aston Martin se exemplifica não apenas pelo motor quase impotente ao final das retas, mas com a equipe esmeraldina tomando 2s na classificação da Cadillac, time que estreia nesse ano na F1. Newey e Alonso não mereciam um final de carreira como esse...
No meio do pelotão destaque mais uma vez para Gabriel Bortoleto, que superou com ampla vantagem Nico Hulkenberg e mais uma vez entrou no Q3, superando a Racing Bulls de Liam Lawson. Antonelli fazia uma classificação até mesmo protocolar, sendo sempre mais rápido que os rivais aparentemente sem fazer muita força, ficando com a pole sem maiores sustos. Com Hadjar tendo que largar no final do pelotão, a Red Bull colocou o francês para ajudar Verstappen, lhe dando o vácuo necessário para o neerlandês conseguir um lugar na primeira fila, se colocando entre os dois carros da Mercedes. Russell amargou um terceiro lugar, com Leclerc, que foi atrapalhado por uma bandeira amarela, no complemento da segundo fila. Isso porque Lando Norris, que ficou com o terceiro tempo, largará em 13º por causa da troca de bateria. Até o momento a chuva não apareceu em Spa, não impedindo dela surgir no domingo.
domingo, 12 de julho de 2026
O Rei da Saxônia
Para melhorar ainda mais o final de semana de Márquez, a situação do campeonato ficou embolada com mais uma queda grave de Bezzecchi e um final de semana chinfrim do líder do campeonato Jorge Martín. No sábado Bezzecchi caiu mais uma vez em 2026, só que dessa vez lhe rendeu uma clavícula quebrada o fazendo perder a corrida, além de uma cirurgia de emergência. Bezzecchi, que começou o ano tão dominante, vê as chances de título irem embora. No entanto Marco viu seu companheiro de equipe Jorge Martin não performar em nenhum momento. De malas prontas para a Yamaha, Martín não brigou pela vitória em nenhum momento, o que numa pista de Marc Márquez, chega a ser um paradoxo.
Márquez varreu o final de semana, com pole, vitória na Sprint e vitória no domingo. Em ambas as vitórias, Marc liderou 100% das voltas. Se na Sprint ele teve a incômoda presença do seu irmão mais novo, no domingo Alex caiu antes da metade da corrida quando estava na mesma situação do sábado. Terceiro colocado na Sprint e melhor Ducati no campeonato até então, Di Giannantonio caiu no warm-up e com a motor reserva caiu novamente na corrida, perdendo uma chance de ouro para assumir a vice-liderança e ficar bem próximo de Martín, que com as quedas ainda assegurou uma quinta posição. Porém, Martin novamente não foi a melhor Aprilia do domingo, status que ficou com o ótimo Ai Ogura, que após perder a segunda posição para o companheiro de equipe Raul Fernández na primeira volta, seguiu sua filosofia de cuidar do equipamento antes de atacar na metade final, ultrapassando Fernández e entrando de vez na briga pelo título.
Ogura está apenas um ponto atrás de Marc Márquez, porém, Jorge Martin, a Aprilia e até a brita de Sachsenring sabem que mesmo Ogura em ótima fase, o rival mais perigoso é um Marc Márquez recuperado, em forma e com a confiança em alta, igualando outro recorde histórico da MotoGP, tornando-se de vez o Rei da Saxônia.
terça-feira, 7 de julho de 2026
Movimento histórico. E duvidoso.
Figura(ING): Charles Leclerc
Após um período menos bom, onde Charles Leclerc marcou meros quatro pontos em três corridas, tendo visto Hamilton vencer e começar a tomar as rédeas da Ferrari. Em Silverstone, o monegasco deu uma volta por cima surpreendente. Na classificação, conseguiu superar Hamilton, verdadeiro especialista em Silverstone e favorita da torcida. Ao contrário do que foi visto na Sprint Race, Leclerc imprimiu um ritmo muito forte no domingo, quando rapidamente superou o pole Andrea Kimi Antonelli para assumir a ponta e dominar a corrida por inteiro. O fato de ter sorte pela quebra de Antonelli, que vinha bem mais rápido nas voltas finais, não diminui a ótima exibição de Leclerc.
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