domingo, 8 de março de 2026

Figura(AUS): Mercedes

 Quando 2026 se aproximava e com ele os novos regulamentos técnicos, muitos já apontavam a Mercedes como a grande favorita a sair na frente, lembrando a última grande mudança de motor ocorrida em 2014, com a chegada da era híbrida. A pré-temporada se revelou uma verdadeira corrida de empurra, com as quatro grandes jogando o favoritismo para as outras, mas ninguém tinha dúvida de que a Mercedes viria muito forte e quando George Russell conseguiu a pole com sete décimos de vantagem para o próximo carro não-Mercedes parecia que as expectativas se realizariam. Contudo, a corrida se mostrou uma outra história e a Mercedes demorou a se livrar da dupla da Ferrari antes de conseguirem a esperada dobradinha, com Russell na frente de Antonelli. Outra diferença de doze anos atrás é que se as clientes da Mercedes apareceram muito forte, principalmente com a Williams, mas em 2026 McLaren, Williams e Alpine não vieram com tanta força, inclusive com a bicampeã mundial McLaren chegando 50s depois da Mercedes de fábrica, indicando que não apenas o motor Mercedes é muito forte, como também o novo carro já veio bem nascido para uma temporada que tende a ser bastante agradável para Toto Wollf e seus silver caps.

Figurão(AUS): Aston Martin

 Já era esperado, mas ainda assim não deixa de impressionar o que aconteceu com a Aston Martin em Melbourne, sede da estreia da temporada 2026 da F1. O combo dinheiro aparentemente infinito da família Stroll, genialidade de Adrian Newey e potência da Honda parecia infalível, ainda contando com a força e experiência de Fernando Alonso, que preferiu atravessar 2025 na esperança de que 2026 seria o grande ano da Aston Martin. Porém, toda a expectativa veio abaixo com vários erros de procedimentos tanto da Aston Martin como da Honda, que parecem participar de algum reality show onde os noivos se conhecem apenas no dia do casamento. Os últimos dias revelaram notícias absolutamente chocantes da nova parceria, que parece muito com o início promissor entre McLaren e Honda dez anos atrás. A Aston Martin falou que não sabia que a Honda havia dispensado boa parte de sua equipe técnica quando assinou contrato de parceria. Quando o carro ficou pronto, um problema de vibração extrema fez que com o novo carro da Aston Martin sofresse de sérios problemas de confiabilidade, além de afetar a saúde dos próprios pilotos, que poderiam ter problemas nas mãos, tamanha a vibração vindo do motor Honda para o volante do carro. A falta de integração entre Aston Martin e Honda criou um problema potencial para se tornar um vexame histórico. Assim como dez anos atrás, Fernando Alonso se vê no meio disso tudo. Em Melbourne a situação periclitante permaneceu, com Lance Stroll passando o sábado sem ir à pista e Alonso mal andando na sexta-feira. Ambos largaram no domingo, mas usaram a corrida para ser uma espécie de um grande teste, chegando a ficar parados várias voltas. Perguntado sobre a corrida, Lance Stroll resumiu bem a situação atual da Aston Martin: Correndo? Estávamos apenas circulando...   

Só George curtiu


 Ao receber a bandeirada, George Russell exclamou via rádio que 'amava esse carro e esse motor'. Provavelmente e justificadamente o inglês foi o único que curtiu o novo carro da F1. Após muita polêmica e reclamações de praticamente todo o grid, o Grande Prêmio da Austrália aconteceu sem maiores incidentes graves e a esperada dobradinha da Mercedes, mesmo que tendo que se aproveitar de mais um vacilo estratégico da Ferrari em um início de corrida de bastante 'trocação' entre os três primeiros. Russell dominou quando não teve uma Ferrari por perto e lidera o campeonato da F1 pela primeira vez na carreira na abertura do campeonato. Antonelli se recuperou da péssima largada, onde chegou a cair para sétimo e fechou a dobradinha da Mercedes, com Leclerc completando o pódio.


Havia bastante receio para o que aconteceria na largada, já que sem uma das baterias haveria o chamado 'Turbo Lag', lembrando as péssimas largadas dos primeiros Renault Turbo no final da década de 1970. A FIA ainda deu uma colher de chá ao dar tempo para os pilotos encherem os turbos antes da largada, mas o que ninguém poderia imaginar era que o ídolo local Oscar Piastri batesse sua McLaren na volta de instalação, numa cena lamentável e reforçando que os pilotos australianos não dão 'match' com suas corridas caseiras. Mesmo com todo o apoio da FIA, vimos um grid em que boa parte dos carros saíram patinando como se o asfalto estivesse molhado. A Ferrari havia alertado sobre esse problema do Turbo Lag e trabalharam nesse item, resultando numa saída espetacular de Leclerc, pulando de quarto para primeiro, com Hamilton quase tomando o terceiro lugar de Hadjar e Lindblad, que brigavam pela posição, mas logo o veterano inglês se solidificaria no terceiro posto. Quando as posições se assentaram, era esperado que Russell ultrapassasse Leclerc e desaparecesse na ponta, mas o que se viu foi uma surpreendente troca de posições entre os dois, fazendo com que Hamilton se aproximasse e mais tarde, um recuperado Antonelli se juntasse à animada batalha pela primeira posição. Para quem esperava um passeio no parque da Mercedes, as várias trocas de posições era uma agradável surpresa, mesmo que isso tenha acontecido muito pelas novas regras de gestão de energia, com os pilotos ainda tateando um novo terreno onde consolidar uma ultrapassagem requer um cálculo que pode não ser dos mais fáceis nesse início de regulamento. Para os mais atentos, a transmissão da Liberty passou a cortar o gráfico de velocidade quando os carros chegavam na curva 8 e a velocidade despencava vertiginosamente. Não foi coincidência...


O novo motor da Red Bull/Ford estava se comportando maravilhosamente bem nesses primeiros momentos de um projeto totalmente novo, mas as dificuldades de noviciado apareceram e o motor de Isack Hadjar explodiu na décima volta, trazendo na sequência o SC Virtual. A maioria do pelotão, inclusive a dupla da Mercedes, foi aos boxes colocar pneus duros, tirando os médios, enquanto a Ferrari preferiu ficar na pista com seus dois pilotos, para protesto de Hamilton. Cinco voltas depois da relargada o carro de Valtteri Bottas ficou parado na entrada dos pits e a Ferrari teve uma falta de sorte incrível. Primeiro que o SC Virtual apareceu quando os dois carros tinham acabado de passar da entrada dos boxes, enquanto outra parte do pelotão fez sua parada, incluindo aí um Max Verstappen em outra corrida de recuperação forte, vindo da vigésima posição no grid. No entanto, quando a Ferrari se preparava para entrar nos pits, a direção de prova fechou a entrada dos pits para tirar o Cadillac de Bottas, fazendo com que a Ferrari tivesse que trazer seus pilotos em bandeira verde, praticamente os únicos. Mais um vacilo. Quando Hamilton parou ao final da volta 27, muito próximo da metade da corrida, Russell já tinha ultrapassado o compatriota e reassumia a liderança da corrida. Pela parada ainda na volta 12 de 58, era esperado que a dupla da Mercedes visitasse os boxes uma segunda vez, mas o equilíbrio do carro da Mercedes era tal que Russell e um hesitante Antonelli levaram seus carros até a bandeirada sem maiores arroubos. A Mercedes confirmou algo que todos comentavam ainda no ano passado, quando se falava que os alemães teriam a mesma vantagem que obtiveram quando houve a última grande mudança de regulamento, em 2014. Não foi um domínio escandaloso como doze anos atrás, mas observando os demais clientes da Mercedes, a vantagem da equipe de fábrica também passa por um chassi bem nascido, além do melhor motor da F1 atual. Russell controlou bem a corrida, como gosta de fazer quando tem o melhor carro, algo que terá mais vezes em 2026, enquanto Antonelli sofreu com uma largada horrorosa, mas a vantagem do seu carro o colocou rapidamente entre os primeiros colocados e o italiano pôde completar a dobradinha da Mercedes.


A Ferrari pôde colher os frutos de ter parado o desenvolvimento do carro do ano passado ainda em abril, mas Fred Vasseur e seus red caps queriam mais. O forte início da Mercedes deixou a Ferrari como a segunda força da F1 com alguma vantagem. A largada da Ferrari foi espetacular, como fora mostrado na pré-temporada no Bahrein, mas o ritmo de corrida não estava tão abaixo da Mercedes como mostrado na classificação. Leclerc mais uma vez superou Hamilton no final de semana, mesmo com Lewis encostando bastante nas voltas finais. Hamilton parece estar de ânimo renovado e quase conquistou o seu primeiro pódio pela Ferrari. Lando Norris foi um dos poucos a fazer duas paradas, mas isso não diminui a sensação de que a McLaren terá que correr atrás se quiser defender seus dois títulos. Lando ainda teve que lidar com a pressão de Max Verstappen nas voltas finais. O neerlandês fez uma bela corrida de recuperação, mas ao largar com pneus duros, teve que colocar os médios na primeira parada, fazendo-o ir para uma estratégia de duas paradas. Mesmo com pneus mais novos do que Lando, Max não foi capaz de efetuar a ultrapassagem, tendo que se conformar com a sexta posição. Os dois primeiros colocados de 2025 terminaram a corrida inaugural de 2026 mais de 50s atrás dos líderes.


Com os abandonos de Piastri e Hadjar, o meio do pelotão brigou pelo sétimo lugar e quem ficou com essa posição foi Oliver Bearman, após uma briga forte com outro jovem inglês, o promissor Arvid Lindblad, que chegou a ocupar a terceira posição na primeira volta, mas depois foi perdendo muito rendimento. Os dois se digladiaram nas voltas finais com vantagem para o piloto da Haas, mostrando um certo equilíbrio no pelotão intermediário pelos pilotos a seguir. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, parando duas vezes nos boxes e terminando em nono, bastante próximo de Lindblad. Primeiros pontos para a Audi logo em sua primeira corrida, mesmo que Nico Hulkenberg tenha tido problemas ainda antes da largada, se tornando o segundo abandono do dia. Pierre Gasly fechou a zona de pontuação com a Alpine após uma luta fratricida com seu compatriota e rival Esteban Ocon. Apenas Williams, Aston Martin e Cadillac saíram da Austrália sem pontos. Com um programa que teve problemas logo na pré-temporada, a Williams não emulou o mesmo bom desempenho do ano passado, ficando longe da luta pelos pontos. A Cadillac sofre com problemas de noviciado, com peças de soltando e um carro mais lento que os demais, mas ao menos Checo Pérez finalizou a corrida. A Aston Martin utilizou a corrida australiana para fazer um grande teste, enquanto seus pilotos conseguiam guiar um carro que vibrava de forma absurda, fazendo tremer a parceria com a Honda.


Numa corrida que iniciou uma nova era na F1, apenas seis carros quebraram, o que foi considerado pouco pelo o que se viu. As brigas por posição foram diferentes do que era visto nos últimos anos, portanto, vimos batalhas onde a gestão de energia fazia enorme diferença entre ganhar ou perder posição. Uma situação nova para todos, mas a excelência da engenharia da F1 irá consertar isso em breve, até porque um piloto ficando muito mais lento que o outro poderá ser perigoso em algumas situações ao longo da temporada. Norris se juntou à Verstappen nas críticas ao novo regulamento, assim como Hamilton, Leclerc e Alonso. Pelo jeito, apenas o vencedor George Russell curtiu. 

sábado, 7 de março de 2026

Repetição de 2014?

 


Nunca uma mudança de regulamento, por maior que seja ao longo de mais de setenta e cinco anos, causou tanta polêmica como a vista na F1 em 2026. Piloto sempre reclama quando há uma mudança, isso é um fato, mas os motores ganharem um protagonismo cada vez maior na parte elétrica fez com que a pilotagem mudasse a ponto de, em plena reta, os carros perdessem até 50 km/h mesmo com o piloto pisando o pedal do acelerador até o fim. Uma situação perigosa, nos fazendo imaginar como será em Baku e Monza. Outro ponto é a provável mudança no equilíbrio de forças e o que se viu lembra bastante 2014, quando a Mercedes dominou de forma avassaladora os primeiros anos da era híbrida.

Os testes de pré-temporada não foram nada esclarecedores em termos de desempenho, com as equipes fazendo o chamado sandbagging, o que em bom português é o 'esconder o leite'. Apesar de ter ficado muito claro que as quatro equipes grandes dos anos anteriores (McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull) permaneceriam no topo, a ordem ainda não era clara, mas Melbourne mostrou que a Mercedes iniciou 2026 um degrau acima, ainda com a polêmica da taxa de compressão do seu motor. Nos momentos mais decisivos, George Russell meteu mais de meio segundo na concorrência e mesmo a Mercedes ainda tendo muito trabalho com o forte acidente de Andrea Kimi Antonelli no terceiro treino livre, a equipe capitaneada por Toto Wolff conseguiu a dobradinha em Albert Park. Com sobras.

Porém, antes dos carros irem para a pista em Melbourne, todos os olhos estavam na Aston Martin. O que parecia um sonho de juntar o poderio financeiro da família Stroll, a genialidade de Adrian Newey e a capacidade da Honda se tornou rapidamente um pesadelo de proporções históricas, com notícias constrangedoras chegando à medida em que os carros andaram muito pouco na pré-temporada. A Honda mudou todo o seu staff técnico e pareceu 'esquecer' de avisar à Aston Martin sobre esse detalhe, demonstrando uma falta de integração da parceria que se resultaria num motor que falta confiabilidade junto a um carro onde Newey pensou mais na parte aerodinâmica e menos na parte mecânica. Isso tudo resultou em um quase W.O. da Aston Martin na Austrália e notícias de que a vibração no carro era tamanha, que os pilotos poderiam ter problemas em suas mãos. Por sinal, mais uma vez Fernando Alonso se vê numa situação onde o motor Honda destrói mais um ano seu...

Como não poderia deixar de ser, problemas ocorreram aos montes em várias equipes nesses primeiros momentos de novo regulamento. Stroll passou o sábado contemplando o desastre que se tornou a equipe do seu pai, Sainz teve problemas no seu Williams e sequer se classificou. A Williams foi outra equipe que não iniciou o ano de forma auspiciosa. Como esperado, a Cadillac teve problemas de noviciado e ficaram com as últimas posições. E finalmente Max Verstappen, um dos mais vocais nas críticas ao novo regulamento, terá mais motivos de ter mal humor ao bater em sua primeira tentativa no Q1, tendo que largar das últimas posições.

O terceiro treino livre já tinha dado a letra de que a Mercedes não estava para brincadeira, com Russell matando a concorrência com um tempo muito superior, mesmo Toto Wolff lamentando o acidente de Antonelli. A equipe Mercedes mostrou sua eficiência ao consertar o carro do italiano, se aproveitando da bandeira vermelha causada por Max, mas Kimi não andou no mesmo nível de Russell. O inglês marcou uma pole enfática, com as demais equipes mais atrás e já com pulgas atrás da orelha. Hadjar mostrou que poderá ser um segundo piloto digno na Red Bull e com Max no lado de fora, o francês colocou a Red Bull em terceiro, superando McLaren e Ferrari, que chegou a assustar ao marcar bons tempos no Q1 com pneus médios, mas a Ferrari ficou longe dos rivais tedescos. Arvid Linblad executou um ótimo treino em sua estreia, indo ao Q3 sempre à frente de Liam Lawson, enquanto Gabriel Bortoleto teve problemas no final do Q2, não podendo participar do Q3, contudo, o brasileiro claramente andou na frente de Hulkenberg. 

Para amanhã, se fala bastante que a largada tende a ser caótica pela parte elétrica da nova unidade de potência, mas teremos que esperar para ver como os carros de comportarão nesse novo procedimento, numa F1 nova demais, talvez tendo dando um passo maior do que a perna. Contudo, a Mercedes, como doze anos atrás, não tem muito do que reclamar até o momento. 


domingo, 1 de março de 2026

E começamos de novo

 


Está difícil parar Alex Palou, que vai inflando cada vez mais seus números na Indy. Em menos de cem provas pela categoria, Palou conseguiu sua vigésima vitória, uma porcentagem impressionante numa categoria que sempre primou pela competitividade e que nos últimos anos a única diferença entre os carros é o motor (Chevrolet ou Honda) e o acerto das equipes. 

A abertura do campeonato 2026 em St Petersburg foi mais uma corrida padrão de Alex Palou. O espanhol não largou na pole, cuja honra coube à Scott McLaughlin. Marcus Ericsson pulou para segundo, com Palou atrás. A primeira bandeira amarela surgiu logo na primeira volta, envolvendo o horroroso Sting Ray Robb, Santino Ferrucci e o estreante Mick Schumacher, que pode se consolar que seu pai também andou poucos metros em sua estreia na F1. Com as equipes tendo que colocar pelo menos dois sets de pneus macios na corrida, Palou fez sua corrida de espera baseada nisso. No primeiro stint, McLaughlin segurou o ritmo e os três primeiros andaram bem próximos, mas havia a situação em que o 'Undercut', ou seja, ficar mais tempo na pista, faria mais diferença. Um doce para adivinhar quem foi o último a parar. Sim, Alex Palou.

Com alguns carros tendo parado na primeira volta e esticando um pouco mais suas paradas, Palou esperou algumas voltas para disparar na ponta. Ericsson se manteve na frente de McLaughlin, mas com pneus macios, o sueco da Andretti sofreu bastante no final do segundo stint, segurando bastante McLaughlin, ajudando ainda mais a causa de Palou. O neozelandês perdeu tanto tempo que acabou 'ultrapassado' por Kyle Kirkwood durante as paradas, mas o americano da Andretti precisou economizar combustível nas voltas finais e foi ultrapassado na pista por McLaughlin e Christian Lundgaard, que superou o badalado Pato O'Ward na pista e pressionou McLaughlin até o fim, mas acabou mesmo na terceira posição, sendo o melhor McLaren.

Enquanto isso Palou passeava na pista de St Petersburg, chegando incríveis 12s na frente de McLaughlin. Após fazer os dois primeiros stints com pneus macios, Palou colocou os duros no stint final, tendo borracha de sobra para administrar qualquer ataque. Uma 'luneta' em termos de Indy, mas essa é a realidade atual da categoria. Por mais que tenha um bom nível no grid atual, a Indy vê em Alex Palou um piloto muito mais completo que os demais e capaz de sobrepujar todos os outros pilotos com uma facilidade desconcertante. E 2026 começa com um gostinho parecido com os quatro anos anteriores.   

Cadê a Ducati?


 Os testes pré-temporada indicavam que o domínio da Ducati continuaria em 2026 na MotoGP, capitaneados pelos irmãos Márquez, tendo como grande adversário Marco Bezzecchi, animado com a boa fase dele e da Aprilia. O que se viu no final de semana em Buriram, na Tailândia, abertura do campeonato da MotoGP em 2026, foi que Bezzecchi realmente continua em ótima fase, mas muito disso vem da Aprilia, que colocou seus quatro pilotos entre os cinco primeiros colocados. E a Ducati? Márquez não lutava pela vitória quando abandonou com um pneu traseiro esvaziado e a melhor Ducati foi Di Giannantonio em sexto, longos 16s atrás do líder, terminando uma incrível sequência de 89 pódios consecutivos da Ducati.

Bezzecchi só não teve um final de semana perfeito pela queda precoce na Sprint Race, mas de resto o italiano da Aprilia teve uma atuação dominante. Na corrida de domingo, 'Bez' largou bem e simplesmente sumiu na frente, não dando qualquer chance aos rivais. Ainda na primeira volta Raul Fernández ultrapassou Márquez e ficou em segundo, enquanto Jorge Martin daria o bote em Marc, marcando um top-3 inteiro da Aprilia. No entanto, a corrida teria alguns protagonistas fora Bezzecchi. Pedro Acosta finalmente venceu uma corrida, mesmo que sendo uma Sprint e com direito polêmica, com Márquez tendo que ceder a ponta na última volta. Porém, isso deu ainda mais motivação à Acosta, que levou sua KTM nas costas para brigar pelas primeiras posições. Numa animada disputa contra os compatriotas Martin e Marc Márquez, Acosta se sobressaiu e nas últimas voltas se aproximou de Fernández, totalmente sem pneus no fortíssimo calor tailandês.

Foi quando o dia da Ducati piorou de vez. Marc Márquez vinha logo atrás de Acosta quando seu pneu traseiro se esvaziou, aparentemente após uma batida mais forte numa zebra, algo bastante incomum na MotoGP. Uma volta depois, seu irmão Alex caiu sozinho quando vinha apenas em sexto. Com Bagnaia continuando seu sofrimento e Morbidelli tendo que fazer uma corrida de recuperação após largar mal, Di Giannantonio era a melhor Ducati do dia, porém longe do pódio. Para acender de vez a luz vermelha na Ducati, Ai Ogura fez uma ótima corrida de recuperação e nas últimas voltas mostrou que a Aprilia cuida bem dos pneus, com o japonês ultrapassando quem via pela frente, por fim ultrapassou Di Giannantonio para subir ao quinto lugar. Ou seja, afora um Pedro Acosta inspirado, o top-5 foi dominado pela Aprilia, com seus quatro pilotos por lá. Será o sinal de uma troca de bastão no domínio na MotoGP?

Binder foi a segunda KTM, colado em Di Giannantonio, mas muito longe de Acosta, que com esses resultados, lidera o campeonato da MotoGP pela primeira vez, muito pelo talento do espanhol. A Honda fazia uma corrida interessante com Joan Mir e com a queda dos irmão Márquez, ele chegou a figurar em quinto, mas um problema técnico fez Mir abandonar. Pelo menos não caiu. Marini terminou em décimo, com Zarco logo atrás. Diogo Moreira chegou a andar no mesmo ritmo de Zarco, mas acabou perdendo rendimento por falta de experiência com os pneus, contudo, com os abandonos, Diogo terminou nos pontos em sua estreia na MotoGP. Já a Yamaha confirmou as expectativas como a pior moto do grid, com seus pilotos andando próximos, 30s atrás dos líderes. 

Após anos de domínio absoluto da Ducati, a Aprilia se mostrou a grande força na Tailândia, mas ainda faltam muitas corridas para podermos cravar que Bezzecchi, piloto principal da Aprilia, será o principal candidato ao título em 2026.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ainda pensando no passado

 


A Formula Indy vive uma momento complexo e curioso. A categoria conta com um grid cheio e de bom nível técnico. Com a chegada da Fox Sports na transmissão da categoria, a Indy passou a ser melhor tratada fora das pistas e a audiência aumentou. Por outro lado, a Indy conviveu com escândalos fora das pistas em 2025, utiliza o mesmo carro a praticamente quinze anos e tem um calendário curto demais, mas bastante criticado.

Uma boa notícia para a Indy foi que Honda e Chevrolet renovaram seus contratos, mesmo com a ameaça dos japoneses de deixarem a categoria. Se uma terceira montadora ainda é um sonho, ter mantido duas montadoras foi a grande realidade para a Indy. O esperado novo carro da Indy só ficará pronto em 2028, fazendo a Indy ficar com o mesmo carro desde 2012. Para efeitos de comparação, seria o mesmo que Lewis Hamilton fazer a temporada 2026 com a Ferrari de Alonso. Simplesmente inacreditável! O calendário da Indy tem dezessete corridas, mas podendo entrar uma 18º, com a adição de uma etapa em Washington, para agradar o presidente Donald Trump, contudo, poucas informações há sobre essa prova e a chance de dar errado são bem concretas. O grande problema do calendário da Indy é seu tamanho, pois se começa em março, junto com a maioria das categorias de ponta, termina ainda no começo de setembro, deixando o fã da Indy praticamente seis meses carente, além de afugentar novos torcedores. Outro fator de crítica é a falta de mais etapas em Oval, com apenas quatro corridas, contando as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis. Uma novidade é o novo circuito de rua de Arlington, obra da Fox Sports num mercado importante (Dallas) e a promessa de um circuito de rua ao estilo em que a F1 atual. E longe de alguns circuitos de rua que a Indy já correu...

Vindo de um ano arrasador, Alex Palou tentará se manter na ponta e com a força e o entrosamento com a Ganassi, isso não seria impossível de se repetir para o espanhol, talvez até mesmo por falta de quórum. Scott Dixon começa a sentir o peso da idade (irá fazer 46 anos) e Kyffin Simpson paga as contas. Vindo de um ano tenebroso, a Penske manterá Josef Newgarden e Scott McLaughlin como seus pilotos, enquanto David Malukas tentará ser o que foi Newgarden dez anos atrás, quando era um jovem tentando se intrometer entre os grandes. Will Power deixou a Penske após quase vinte anos, mas se pensavam que o ainda rápido australiano iria se aposentar, Power surpreendeu ao se mudar para a Andretti, no lugar de Colton Herta, em seu projeto de chegar à F1 pela equipe Cadillac. Will terá como companheiros de equipe Kyle Kirkwood, de ótima temporada em 2025, e Marcus Ericsson, tentando se firmar ou ser convidado a se retirar da equipe. A McLaren terá Pato O'Ward como seu principal piloto, com Christian Ludgaard provando que pode fazer frente ao mexicano, que tentará se colocar como principal rival de Palou pelo título. Nolan Siegel, uma invenção de Tony Kanaan e com a mesma função de Simpson na Ganassi, tentará se manter na McLaren para além da carteira cheia de dinheiro.

Nas demais equipes, destaque para Mick Schumacher voltando aos monopostos com a equipe Rahal, contrariando seu pai, que não gostava nem de pensar em correr em ovais, Romain Grosjean retornando à Dale Coyne ao lado do campeão da Indy NXT Dennis Hauger, a Meyer & Shank tentando se mostrar rápida também em ritmo de corrida e tentar fazendo Helio Castroneves provavelmente ter uma despedida digna nas 500 Milhas, além da estreia de Caio Collet na Indy. Considerado uma promessa brasileira na F1, Collet mudou de rumo e foi para os Estados Unidos tentar a sorte na Indy, conseguindo um lugar interessante na Foyt, que tem uma forte parceria com a Penske e corre ao lado do irascível Santino Ferrucci. No Brasil, a saída da F1 da grade da TV Bandeirantes fez com que a emissora voltasse a investir na Indy, passando boa parte das corridas tendo como narrador o ótimo Geferson Kern.

A Indy irá começar no seu já tradicional palco de St Petersburg com vários pilotos com chances de vitória. A Penske ressurgirá das cinzas? A Andretti voltará aos bons tempos com o reforço de Power? A McLaren finalmente mostrará que é mais que uma quarta força, levando Pato O'Ward ao título e a vitória em Indianápolis? Porém, a grande pergunta: quem segura Alex Palou?