Quinze meses atrás Andrea Kimi Antonelli chegou para dar entrevista após conseguir uma opaca décima oitava posição no grid para o Grande Prêmio da Bélgica com lágrimas nos olhos. A escolha de Toto Wolff de colocar Antonelli, com 18 anos, numa equipe grande como a Mercedes era questionada por todos e Kimi parecia acuado com tamanha pressão. O italiano se recuperou no final da temporada 2025, mas ninguém apostava em Antonelli como campeão mundial em 2026. George Russell era o favorito destacado ao título e quando o inglês venceu a primeira corrida da temporada, parecia que Kimi seria apenas um coadjuvante esperando sua oportunidade. Então veio Xangai e Russell começar a ter problemas. Antonelli conseguiu sua primeira pole e sua primeira vitória, quebrando recordes de precocidade. Parecia um ligeiro percalço. Só que veio Suzuka, Miami, Montreal... Russell não conseguia se reerguer, enquanto a confiança de Antonelli só crescia. Em Mônaco Antonelli conseguia sua quinta vitória consecutiva. A Mercedes perdia terreno para as rivais, mas então Antonelli mostrou maturidade. A matemática estava a seu favor e ele foi conseguindo pontos, se mostrando sólido e exibindo poucos pontos fracos. Em Monza, Kimi conseguia uma vitória histórica na frente de uma torcida acostumada a só torcer pela Ferrari. O título passou a ser questão de 'quando', não mais de 'se'. Poderia ter vindo em Austin. Kimi fez sua parte ao vencer pela nona vez em 2026, mas a matemática não lhe ajudou no Texas. Porém, no México, Kimi controlou Russell o tempo inteiro e fez uma corrida cautelosa, da mesma forma como vinha fazendo nos últimos meses, correndo com o regulamento debaixo do braço. Um terceiro lugar bastou para Andrea Kimi Antonelli conquistar, com quatro (ou três...) corridas de antecedência o seu primeiro título mundial, se tornando com 20 anos de idade o mais jovem a conseguir o feito, quebrando mais um recorde, sendo o primeiro italiano campeão da F1 desde 1953, com o mítico Alberto Ascari. Ainda é difícil quantificar o tamanho do feito de Andrea Kimi Antonelli, mas com tantos recordes quebrados ao longo de 2026, é difícil não dizer que vimos a história ser feito na frente de nossos olhos.
JCSPEEDWAY
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Figurão(MEX): Oscar Piastri
Com George Russell aparecendo nessa parte da coluna tantas vezes de forma merecida, está na hora de alguma variação e por isso um piloto que está numa situação parecida do inglês estará, com justiça, por aqui. Quinze meses atrás Oscar Piastri liderava o campeonato da F1 e era considerado um talento geracional captado pela McLaren, com um belo futuro pela frente. No entanto o australiano conseguiu perder um campeonato ganho para o seu companheiro de equipe e mesmo não sabendo o que aconteceu nos bastidores da McLaren naquele segundo semestre de 2025, a carreira de Piastri sofreu um forte abalo e até agora ele não se estabeleceu. No México, Piastri continuou sendo de três a quatro décimos de segundo mais lento do que Norris, algo que não ocorria nos anos anteriores, e isso significou ficar de fora do Q3 pela primeira vez no ano, quebrando uma longa sequência da McLaren com os dois pilotos no Q3. Mais do que isso, observando o grande abismo entre as quatro equipes top e o restante do pelotão, isso é bastante embaraçoso, mas na corrida a situação não foi muito diferente, com Piastri passando a corrida inteira brigando com a Racing Bulls de Arvid Lindblad, resultando num acidente entre eles que fez o inglês abandonar e numa punição de 10s para Piastri, que saiu da zona de pontos, atrapalhando a McLaren em sua luta pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores com a Red Bull. Todos sabem da capacidade de Oscar Piastri e que esses geniosos carros do novo regulamento técnico são complicados, porém, o australiano precisa se reinventar (como Russell) se quiser salvar sua carreira na F1.
domingo, 1 de novembro de 2026
História sendo feita
Após ultrapassar Leclerc, Antonelli se aproveitou do ritmo ruim do monegasco após ter estragado seus pneus e viu de camarote as tentativas de Hamilton ultrapassar Verstappen. O terceiro lugar era mais do que suficiente para Antonelli se consagrar como o novo Campeão Mundial da Formula 1. E nada mais simbólico do que Antonelli subir ao pódio junto de dois multicampeões e ser erguido por eles no pódio.
Soco no tabu
Esteban Ocon tem cara de bom moço e muitos que cobrem a F1 in loco falam que o francês é afável com os fãs e bastante educado de modo geral. No entanto, o francês tem no seu currículo de dez anos de F1 várias situações de problemas internos nas equipes por onde esteve. Os toques com seus companheiros de equipe já entraram no folclore da F1, onde Ocon praticamente gabaritou. Werhlein, Pérez, Alonso, Gasly, Bearman... Todos tiveram algum problema com Ocon dentro da pista. No sábado pela manhã no México, a F1 foi acordada pela notícia de que Ocon não iria participar do restante do final de semana. Mal de Montezuma? Afinal, Antonelli e Pérez estavam doentes no começo da semana. A Haas logo desmentiu que Ocon estava doente e não teve pudor em retirar o nome de Ocon dos boxes, colocando o piloto reserva Ryo Hirakawa no lugar.
Não demorou para surgirem indícios de que um grande discussão ocorreu na sexta à noite e uma ríspida conversa via rádio entre Ocon e sua engenheira, a alemã Laura Müller, surgiu. Com Ocon voando para casa, o chefe de equipe Ayao Komatsu evitou ao máximo comentar o assunto, principalmente quando apareceu a hipótese que a briga foi tão grande que os dois teriam ido às vias de fato, algo que Ocon negou em postagem em rede social. Se Hirakawa, que quase foi ao Q2, participará do GP do México normalmente, próxima semana será complicado, pois o japonês está na briga pelo título do WEC e não se sabe se Hirakawa estará presente em Interlagos, abrindo a possibilidade de uma estreia antecipada de Rafael Câmara na Haas. Já para Ocon, além de sua demissão pela Haas ser algo que está faltando apenas ser anunciado, sua carreira na F1 deverá terminar de forma vergonhosa e quando lembrarmos da passagem de Esteban Ocon na F1, ao invés da velocidade e da vitória em Hungaroring, todos recordaremos seus inúmeros problemas internos e como um piloto tão encrenqueiro conseguiu ficar tanto tempo na F1.
Dentro da pista, a Ferrari novamente andou muito forte nos treinos livres, mas ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas etapas, o ritmo não caiu e a dupla ferrarista se manteve na luta pela pole no Q3. Hamilton sofreu um pouco no Q2, mas fez duas grandes voltas no Q3 e contou com um erro de Leclerc e Verstappen ter sido atrapalhado por Norris para conseguir sua primeira pole pela Ferrari. Russell andou atrás de Antonelli o final de semana inteiro, mas achou uma boa volta no Q3 para fazer uma primeira fila todinha da Inglaterra, mas com Antonelli logo atrás, em quarto.
domingo, 25 de outubro de 2026
Figura(EUA): Andrea Kimi Antonelli
O título não veio em Austin, mas alguém ainda duvida que o campeão será Antonelli? O italiano teve um final de semana de almanaque em Austin, conquistando a pole quando todos pensavam que a Ferrari era a favorita e Max Verstappen surgiu forte no Q3, mas no final foi Kimi quem ficou a posição de honra. Enquanto todos imaginavam uma corrida de duas paradas, Kimi fez funcionar com perfeição uma tática de uma parada para vencer pela nona vez e só precisar de um nono lugar no México para garantir matematicamente o que todos já sabem.
Figurão(EUA): George Russell
No começo do ano todos esperavam que George Russell conquistasse o título e a sempre ufanista imprensa inglesa fomentava isso, transformando George como principal favorito a se tornar campeão da F1 em 2026. Passados alguns meses, vemos um piloto completamente eclipsado por seu jovem companheiro de equipe de forma surpreendente e Russell vê não apenas o título ficar cada vez mais longe, como corre o risco de passar o vexame de acabar o campeonato em quinto lugar usando o mesmo carro do campeão antecipado. Em Austin Russell teve outra corrida horrorosa em sua longa coleção em 2026. Largando apenas em sétimo, tendo tomado em média quatro décimos de Antonelli em todo o final de semana, Russell não se ajudou ao se engalfinhar com Norris na primeira volta e tomar 5s de punição. Porém, isso não explica sua corrida pífia, onde ficou trinta voltas atrás da McLaren de Piastri e na bandeirada tomou 54s de Antonelli. Russell precisa rever bastante sua preparação para 2027, pois nesse momento sua imagem de piloto pronto para ser campeão mundial está bastante arranhada.
Com as mãos na taça
A primeira volta foi frenética, com Verstappen se engalfinhando com Leclerc e Hamilton. Charles chegou a tomar a segunda posição de Max numa manobra audaciosa nas primeiras curvas, mas Verstappen não demorou muitas curvas para dar o troco e voltar à segunda posição. Enquanto isso, Kimi via tudo isso nos seus retrovisores cada vez mais de longe e quando o primeiro Virtual Safety Car apareceu ainda na segunda volta por causa de detritos na pista, Antonelli já abrira 2,5s sobre Verstappen. A corrida se acalmou no primeiro pelotão na bandeira verde, com Kimi mantendo a diferença para Verstappen, que era seguido pela dupla da Ferrari, Russell e a dupla da McLaren, mas com Piastri à frente, no entanto, a fase do australiano é tão tenebrosa que as Papayas Rules apareceram para Oscar cedesse sua posição à Norris e Piastri nem chiou.
Norris imitou a estratégia de Antonelli, mesmo que 12s atrás do italiano e logo teria Verstappen o pressionando. Max não foi tão incisivo até Leclerc, 1s mais do que ele, encostar na Red Bull. Numa manobra esperta na curva um, Max se defendeu dos ataques de Leclerc efetuando uma manobra agressiva em cima de Norris, que pareceu surpreendido com o movimento de Max. Na freada da reta oposta Leclerc assumiu a terceira posição e com um ritmo superior, ultrapassou Verstappen, mas restando meras sete voltas e 10s atrás de Antonelli, a situação parecia liquidada. Foi então que o Cadillac de Bottas apareceu lento e o nórdico encostou seu carro numa 'agulha', trazendo o segundo VSC do dia. Os estrategistas da Mercedes devem ter sentido calafrios quando o Cadillac de Valtteri não saía do lugar, mesmo com os comissários de pista empurrando o carro. Parecia que o Safety Car real entraria na pista, o que traria uma forte emoção para as últimas voltas, mas um trator foi acionado de fora da pista e a bandeira verde foi mostrada quando faltavam três voltas.
A Ferrari acertou na estratégia e transformou seus dois pilotos nos mais rápidos do último terço de prova, diminuindo um pouco a decepção do que fora a classificação no sábado. Leclerc sempre andou na frente de Hamilton, demonstrou mais uma vez não temer Verstappen numa luta direta e conseguiu mais um segundo lugar, enquanto Lewis quase completou o pódio. Se a nova atualização da Mercedes finalmente funcionou, a Ferrari ainda corre atrás de conseguir mais uma vitória até o final do ano ficar mais complicada. Vindo de duas vitórias consecutivas e enfáticas, a Red Bull entrou como favorita em Austin, mas o austríacos foram surpreendidos pela Mercedes pela evolução do novo pacote de updates da equipe alemã e na prova, pela tática de uma parada. Mesmo tendo um ritmo forte em boa parte da corrida e em nenhum momento ter usado os pneus mais duros, Verstappen não teve fôlego para brigar com Antonelli e ainda teve que lutar com a dupla da Ferrari nas voltas finais, mas garantiu mais um pódio, continuando a boa fase do neerlandês. Hadjar, mesmo largando de pneus macios, foi o último do pelotão da frente a fazer sua parada, mas o francês não se deu muito bem os pneus duros e na saída do que seria sua última parada pareceu ter problemas, mas Hadjar conseguiu segurar Piastri e ficar em sexto, continuando seu trabalho de marcar pontos no Mundial de Construtores para a Red Bull. Norris fazia uma boa corrida ao optar por uma única parada e segurava sem problemas Verstappen, mas com o aumento da pressão de Leclerc, Lando foi engolido por Max e Charles. Sem ter os pneus em condições de lutar, Lando ainda foi ultrapassado por Hamilton para terminar em quinto. Hoje, sem dúvidas, a McLaren é a quarta força da F1.
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