domingo, 26 de julho de 2026

Figura(HUN): Lando Norris

 Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar, porém, o inglês da McLaren teve um final de semana quase perfeito na Hungria. Sempre rápido nos treinos livres, Norris conseguiu o melhor tempo da classificação, superando Hamilton por um centésimo de segundo. Lando perdeu a primeira posição para Piastri ainda na primeira volta, mas não baixou os braços, continuou pressionando o seu companheiro de equipe e mostrou que tinha um ritmo muito superior quando teve ar limpo. Mesmo com pneus desgastados, Norris foi capaz de neutralizar a vantagem de ter pneus novos de Piastri e emergiu em primeiro quando fez sua segunda parada. Numa pilotagem dominante, Norris venceu de forma convincente. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Essa primeira vitória pode marcar uma nova fase para Lando Norris na F1 em 2026.

Figurão(HUN): Lewis Hamilton

 Numa competição de alto nível como a F1, todos sabem que um campeonato pode ser definido nos mínimos detalhes e sendo o segundo piloto mais experiente do grid, além do mais laureado, Lewis Hamilton deveria saber isso mais do que ninguém. Ser punido com tempo ou perca de posições no grid atrapalham demais e mesmo que algumas de suas punições não tenham sido sua culpa e até mesmo discutíveis, é inaceitável a sequência que Hamilton mantém de punições consecutivas. Na Hungria Lewis foi punido duas vezes, uma no sábado, que o fez perder três posições no grid por atrapalhar a volta rápida de Oscar Piastri, e outra no domingo, quando excedeu o limite de velocidade nos boxes ao apertar o botão ligeiramente antes do tempo no final do pit-lane, Lewis Hamilton perdeu qualquer chance de lutar pela vitória num final de semana que vinha se mostrando forte ao inglês da Ferrari, mas que acabou com Hamilton fora do pódio e perdendo pontos para Andrea Kimi Antonelli. Está passando da hora de Hamilton parar de se meter em tantas confusões. 

A primeira de Lando

 


Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar. O domínio da Mercedes em conjunto com os vários problemas no novo carro da McLaren impossibilitaram Lando de tentar revalidar seu título em 2026. Em Miami Norris poderia ter vencido, mas a corrida na Flórida provou-se ser algo apenas pontual, além de Lando perder a corrida para Antonelli. No entanto, em Hungaroring o inglês não perdeu a chance. Após conquistar uma pole como nos bons tempos da McLaren, Norris teve um pouco mais de trabalho que o imaginado por perder a ponta da corrida para o seu companheiro de equipe Oscar Piastri, mas usando a estratégia e um ritmo de corrida superior, Norris venceu pela primeira vez ostentando o número 1 em seu carro. Atrás de si, Max Verstappen se aproveitou do abandono de Piastri e mesmo reclamando bastante do carro, chegou em segundo com Antonelli limitando os danos do pior final de semana da Mercedes até aqui para subir ao pódio em terceiro e ainda aumentar sua vantagem no campeonato.


Como normalmente ocorre em Budapeste nessa época do ano, o sol apareceu forte no céu magiar e estava um dia perfeito para uma corrida de F1 em Hungaroring, palco que completa nesse domingo quarenta anos na F1, com direito a várias curvas homenageando grandes pilotos do passado. E a curva um ser chamada agora de Piquet era quase uma obrigação. O forte calor na Hungria fez com que os estrategistas pensassem que repetir a estratégia vencedora do ano passado, de uma única parada, ser bastante complexa, sem contar que historicamente ultrapassar em Hungaroring é ainda mais difícil do que em outras pistas. Se o posicionamento em pista já faz diferença em outros circuitos, em Hungaroring é ainda mais importante, começando por conseguir uma boa largada. Nos dois últimos anos virou folclore na F1 a forma como Lando Norris estragou inúmeras poles ao perder a posição na largada. Nesse domingo o representante da McLaren conseguiu sair bem e manteve a ponta na curva um. Atrás dele Oscar Piastri, beneficiado pelas punições de Hamilton e Antonelli, largou muito bem e ainda na primeira curva ultrapassara Leclerc. No aproche da segunda curva, Norris deu uma espalhada e Piastri tomou a liderança. A largada não foi das mais tranquilas. George Russell, em mais um final de semana medonho, ficou praticamente parado no grid e se felizmente não foi atingido por ninguém, teria que iniciar uma corrida de recuperação vindo das últimas posições. Se a Ferrari já sentira o golpe da punição de Hamilton na classificação, levaria outro na primeira volta, com Verstappen também deixando Leclerc para trás, mesmo o monegasco tendo largado com pneus macios. Lewis, com pneus macios novos, também ultrapassou Charles, mas ficou atrás de Max, inclusive com um ligeiro toque eles na curva 3. Antonelli conseguiu uma largada decente, se livrando dos ataques de Hadjar, mas via com um sorriso na boca Russell novamente ter problemas na primeira volta, praticamente se garantindo que teria sua vantagem no campeonato aumentada no final do dia.


Até o momento Piastri não mostrara nada no final de semana húngaro, mas com ar livre o australiano se manteve confortavelmente na frente de Norris, enquanto Verstappen claramente segurava Hamilton com pneus melhores que o dele. Lewis fustigou bastante, mas não foi capaz de abalar Verstappen, que parecia bem mais incomodado com os problemas no seu Red Bull. Max reclamava de praticamente tudo, mas ainda conseguia se manter na frente de Hamilton, que via suas chances de vitória irem pelo ralo ao ficar empacado atrás de Verstappen. Na medida em que a corrida seguia, algumas 'cartas' eram colocadas na mesa. Norris se aproximou de Piastri e mandava indiretas via rádio, enquanto Antonelli ficava a uma boa distância de Leclerc. Tentando dar o 'pulo do gato' e tendo largado com pneus macios, Hamilton inaugurou a rodada de paradas ainda na volta 13, indicando que pararia pelo menos duas vezes. O inglês voltou à pista mais rápido e quando a Red Bull respondeu ao movimento da Ferrari na volta seguinte, era nítido que o 'undercut' era poderoso, pois com pneus duros novos Hamilton conseguiu emergir na frente de Verstappen. Temendo pelo exemplo demonstrado por Hamilton, a McLaren rapidamente chamou seus dois pilotos, Piastri na frente de Norris. Enquanto a McLaren parava seus dois pilotos, ocorria a manobra da corrida. Hamilton retornava em meio aos carros da Racing Bulls e quando ultrapassava Liam Lawson, Max Verstappen enxergou uma oportunidade, ainda com as memórias de 2024, quando os velhos rivais Lewis e Max bateram e Verstappen literalmente saiu voando. Verstappen freou muito mais tarde e numa manobra belíssima, mais uma vez tomou a frente de Hamilton.


Com o ego ferido, Hamilton tentou atacar Verstappen de todos os modos, mas o neerlandês não deu chances. A primeira rodada de paradas deixou os quatro primeiros bem próximos e quando Piastri deu de cara com Hadjar, o francês da Red Bull tentou ao máximo ajudar seu companheiro de equipe, mas o máximo que conseguiu foi ficar algumas curvas entre Max e Lewis. Andrea Kimi Antonelli mostrava o motivo do seu ritmo tão discreto e postergou sua parada ao máximo, só fazendo seu pit-stop na volta 22, em clara tentativa de parar apenas uma vez. A corrida fica mais estática, com a dupla da McLaren abrindo um pouco sobre Verstappen, que continuava a segurar Hamilton a ponto de Leclerc encostar no companheiro de equipe e sugerir uma troca de posições. Por sinal, isso também era solicitado por Norris. Com pneus duros o ritmo superior de Lando ficou mais evidente e o inglês começou a pressionar a McLaren para que tivesse ar livre. A chance veio algumas voltas mais tarde quando a McLaren chamou Piastri para a sua segunda visita aos pits na volta 33 e em teoria não parar mais. Contudo, a primeira rodada de paradas mostrara que o 'undercut' funcionava melhor que o 'overcut'. Lando Norris subverteu a lógica e com um ritmo superior com pneus desgastados, fez sua segunda parada seis voltas depois de Oscar e ainda saiu na frente do companheiro de equipe. No entanto, Lando Norris pôde contar com a ajuda involuntária do seu amigo e antigo companheiro de equipe Carlos Sainz. O espanhol brigava com Stroll quando simplesmente ignorou as bandeiras azuis e acertou o carro de Piastri, que ficou transtornado dentro do carro. O ritmo superior de Norris fez a diferença, mas o tempo perdido no incidente com Sainz atrapalhou deveras Sainz, que acabou punido em 5s. Por ter ajudado a definir a corrida, o castigo para Carlos acabou sendo brando.


Na briga pelo terceiro lugar, a dupla da Ferrari parou mais cedo, enquanto Max Verstappen esticou seu segundo stint ao máximo, só parando nove voltas depois de Hamilton e quatro depois de Leclerc. No entanto a Red Bull tomou a decisão de colocar pneus macios no carro de Max com 28 voltas para o fim, para estranhamento do próprio Verstappen, que retornou dessa vez bem atrás de Hamilton e sofrendo ataque de Leclerc. Antonelli tentou colocar sua tática de uma parada em funcionamento e mesmo ultrapassado por Norris na volta 45, mantinha um ritmo interessante e longe de Piastri, que começava a ser acossado por Hamilton. Para surpresa de todos, inclusive de Kimi, a Mercedes chamou o italiano para os pits e executou uma segunda parada no carro de Antonelli, que pareceu não muito satisfeito com a tática escolhida. Havia uma chance de haver um efeito sanfona como ocorreu na Áustria, com alguns carros vindo detrás se aproximando dos da frente nas voltas finais, mas então Piastri diminuiu seu ritmo e encostou seu carro na reta oposta. O Safety Car virtual apareceu e alguns pilotos aproveitaram para fazer uma terceira e última parada. Entre eles estavam Norris, Hamilton e Leclerc, que colocaram pneus macios usados. 

A manobra mudou o panorama da corrida, só não mudando Lando Norris destacado na frente. Após se livrar de Piastri na base da estratégia e do ritmo, Norris venceu de forma convincente, completando um final de semana próximo da perfeição do atual campeão da F1. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Piastri andou sempre atrás de Norris o final de semana inteiro e mesmo conseguindo um melhor posicionamento nos dois primeiros stints, o australiano foi claramente derrotado pelo seu companheiro de equipe. Se ano passado a McLaren tinha uma dupla de pilotos homogênea, a confiança conquistada pelo título fez a balança pender cada vez mais para Norris, enquanto Piastri parece perdido e com o título perdido de 2025 ainda lhe afetando. 


Quando Antonelli saiu dos pits após sua segunda parada, o italiano questionou a Mercedes o motivo da segunda parada, no qual recebeu como resposta que seu pneu duro iria perder muito rendimento e com pneus duros novos, ele poderia até brigar pelo segundo lugar. O VSC não fez com que Antonelli conseguisse um ataque frente a Verstappen, que chegou em segundo numa corrida muito inteligente do neerlandês, mas fez com que Kimi conquistasse mais um pódio. Antonelli contou com dois vacilos de Hamilton para subir ao pódio magiar. Primeiro que Hamilton ultrapassou Antonelli depois da linha do SC e quando a corrida reiniciou, o inglês teve que devolver a posição. Com pneus macios era esperado um ataque maior de Hamilton nas voltas finais, mas logo o inglês levaria um banho de água fria quando foi anunciado (mais) uma penalização, dessa vez por excesso de velocidade dentro dos pits. Os 5s de punição apenas garantia o pódio de Kimi, como fez Hamilton perder o quarto lugar para Leclerc. Um final de semana que parecia muito promissor para a Ferrari acabou com seus dois pilotos fora do pódio, enquanto Hamilton acumula uma série inacreditável de punições. Antonelli foi um dos que saíram de Hungaroring com um baita sorriso no rosto. No pior final de semana da Mercedes em 2026 até agora, Antonelli subiu ao pódio e viu seus dois mais próximos perseguidores terminarem atrás dele, ou seja, Kimi aumentou sua vantagem no campeonato. Russell superou o seu problema na largada (o anti-stall entrou sem interferência de George) e rapidamente ultrapassou vários pilotos do pelotão intermediário, mas sua corrida estava fadada a terminar entre os últimos das equipes grandes. Russell ainda tentou uma estratégia parecida de Antonelli, mas assim como aconteceu com o italiano, George teve que fazer uma segunda parada, lhe garantindo um amargo sétimo lugar, o deixando mais longe não apenas de Kimi, como também de Hamilton. Hadjar apareceu mais tentando ajudar Verstappen, mas acabou fazendo uma corrida solitária, ficando em sexto e marcando mais alguns pontinhos para a Red Bull no Mundial de Construtores.


A briga pelo melhor posto do pelotão intermediário foi animada e parecia que Gabriel Bortoleto venceria essa 'corrida' novamente. O brasileiro fez uma ótima corrida, largando com pneus macios e fazendo-os funcionar até praticamente metade da prova, se garantindo para fazer apenas uma parada. Bortoleto estava em décimo e se aproximando de Lindblad quando o VSC apareceu. E a Gabriel faltou sorte, pois ele tinha acabado de passar pela entrada dos boxes, enquanto Lawson e Hulkenberg vieram logo em seguida e entraram nos pits para colocar pneus macios. Com dois pilotos melhor 'calçados' atrás de si e pneus duros desgastados, Gabriel não teve o que fazer e saiu da zona de pontuação. Lawson e Hulkenberg também ultrapassaram Lindblad, fazendo o neozelandês ser o melhor do resto, mesmo que já uma volta atrás, enquanto Hulkenberg marcou seus primeiros pontos em 2026, com a nona posição. Hoje Audi e Racing Bulls tem os melhores conjuntos do pelotão intermediário, tomando o lugar de Alpine e Haas, que perderam espaço para as rivais. 

Destaque para a Aston Martin, que também em ritmo de corrida deu um enorme pulo com seu pacote de updates, deixando Haas e Williams para trás no processo. Alonso chegou a correr na zona de pontuação, mas perdeu tempo como Bortoleto no momento do VSC. Já a Cadillac se isola como a pior equipe da F1 atual, com direito a carros que se desmancham e se incendeiam sozinhos.


A F1 entra de férias com Andrea Kimi Antonelli mais líder do que nunca e já entrando em ritmo de pensar no campeonato. Não tem carro para vencer? Marca o maior número de pontos possíveis. O grau de maturidade de Antonelli impressiona. Assim como Antonelli muda seu mindset para o modo 'pensar no campeonato', Russell terá que começar a pensar em evitar o vexame de perder o vice-campeonato tendo o melhor carro do ano. Sérgio Pérez foi defenestrado da Red Bull por algo parecido... Com metade do campeonato tendo passado, a F1 descansa para o stint final com a Mercedes perdendo momentum, Verstappen se mantendo inevitável, McLaren e Ferrari crescendo, mesmo com os italianos ainda sofrendo com seus deslizes. Além de um regulamento técnico esdrúxulo, mas que a pista travada de Hungaroring escondeu bem seus problemas. Kimi não tem nada com isso e não lamentou a primeira vitória de Lando Norris em 2026.   

sábado, 25 de julho de 2026

Lando aparece

 


Até Hungaroring a Mercedes tinha feito a pole em todas as corridas em 2026, mas a travada pista magiar não dava muitos indícios que o time comandado por Toto Wolff manteria essa escrita. Lando Norris venceu na Hungria no ano passado em outro contexto, mas provando que o inglês tem a mão da pista, Norris tomou a pole de Hamilton no último momento, mesmo que haja algumas investigações ocorrendo.

Uma semana depois do vexame em Spa, a F1 respirou aliviada com a chegada em Hungaroring, com suas retas curtas e muitas freadas proporcionando que as baterias recarregassem rapidamente, evitando o cenário visto em Silverstone e Spa. Até mesmo a velocidade dos carros voltaram à transmissão da TV, assim como as câmeras on-board no final das retas. Uma das atrações do final de semana húngaro era o novo pacote de melhorias da Aston Martin. Vindo de inúmeros constrangimentos nas últimas etapas, a Aston Martin aportou em Hungaroring com um carro praticamente novo e a melhoria foi instantânea. Se antes os carros verdes tomavam até 2s para a Cadillac, na Hungria Alonso conseguiu até mesmo passar ao Q2, superando no processo também a Williams, que vive uma fase daquelas, além de deixar a Cadillac sozinha no 'rabo da vaca'.

Bortoleto teve uma classificação agitada, com um volta anulada no Q1 e uma rodada de Hadjar na sua frente arruinando sua volta no Q2. Após infringir várias derrotas ao companheiro de equipe, na Hungria Gabriel acabou superado por Hulkenberg, que foi ao Q3. Em nenhum momento do final de semana a Mercedes mostrou a mesma força de outros finais de semana, mesmo com Antonelli novamente muito na frente de Russell. Uma melhora no TL3 deu esperanças ao italiano, mas a Ferrari demonstrou muita força, além de Lando Norris, sempre entre os primeiros. E colocando muito tempo em Piastri.

Especialista em Hungaroring, Hamilton conseguiu o melhor tempo no Q3 na primeira tentativa de todos, com Norris logo atrás. No entanto, a segunda tentativa de todos foi bastante complicada e rendeu muitas reclamações. Assim como ocorreu na Áustria, Verstappen saiu da pista e reclamou horrores da aerodinâmica do carro. Aparentemente a asa traseira não teve problemas. Antonelli vinha logo atrás e mesmo com bandeira amarela, melhorou seu tempo, mas não ganhou posição, permanecendo em quarto. Russell estava em sétimo, péssimo resultado, mas o inglês parou seu carro no final da reta. Pior foi Hamilton, que viu Norris lhe tirar a pole por doze milésimos e ainda atrapalhou a volta de Piastri. Hungaroring sempre foi um circuito de difíceis ultrapassagens e o posicionamento é fundamental. Ponto para Norris e quem não será punido.   

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Uma Copa que surpreendeu

 Quando chega o final de uma Copa do Mundo, fico com um certo ar de melancolia. Passaram-se mais quatro anos de minha vida e quando observamos, já se passou mais quatro anos e estamos na expectativa boa de mais uma Copa do Mundo. Como diria o poeta, o tempo não para...

Para 2026 vimos uma Copa cheia de novidades. Para começar, depois de vinte e oito anos tivemos um acréscimo, para mim desnecessário, de dezesseis seleções e pela primeira vez tivemos 48 times. Não estava otimista. Hoje é praticamente impossível haver um 'grupo da morte' e a tabela indicava jogos nada atraentes (Nova Zelândia x Irã, Cabo Verde x Arábia Saudita, Catar x Bósnia...) para nós vermos. E veio a outra novidade.

Num erro crasso de estratégia, a TV Globo perdeu não apenas a exclusividade na transmissão dos jogos, como simplesmente passou apenas metade dos jogos, com a CazéTV ficando com a transmissão de todos os 104 jogos da Copa. Temos que bater palmas para o trabalho do canal de YouTube, mas não há como negar que houve vários problemas. Respeito o gosto de todos, mas não me peçam para gostar da transmissão 'leve' da CazéTV. Foi um show de gritaria, babação e até mesmo uma certa empáfia de Casemiro Miguel, influenciador que deu seu nome ao canal e hoje é praticamente um empregado. Por mais que a CazéTV exagerasse na propaganda das Bet's, Globo e SporTV também faziam propaganda dos mesmos, portanto, essa polêmica foi bem injusta com a CazéTV, no entanto, mesmo contando com narradores como Fernando Nardini e comentaristas como Rafael Oliveira, a qualidade da transmissão, com pouca narração, muita gritaria e muita gente falando e se atropelando me fez assistir alguns jogos exclusivos no mute.

Dentro de campo vi uma Copa que surpreendeu. Com a globalização do futebol, os clubes europeus tem cada vez mais jogadores de todo o mundo e isso enriqueceu o futebol de seleções, pois mesmo seleções como Tunísia ou Haiti tem jogadores que atuam numa Premier League. Isso fez com que a maioria dos jogos, mesmo o de menor apelo, tivesse um nível técnico muito bom e o resultado foi a melhor média de gols desde 1970.


Tudo levava a crer que a França seria campeã. Com um futebol ofensivo e avassalador, os gauleses dominaram as primeiras fases com uma facilidade alarmante. Mbappé fazia gols a rodo, acabando por se tornar o maior artilheiro da história das Copas. Surgiram seleções muito fortes, como a Inglaterra, que goleou a Croácia num dos poucos grandes jogos da primeira fase. A Espanha parou na sensação Vozinha, mas depois emendou vitórias com um volume de jogo em que o adversário pouco fazia, pois mal tocava na bola. A Argentina não fez um ciclo muito entusiasmante, levou seleção envelhecida e incrivelmente ainda contou com Messi, no auge dos seus 39 anos. Jogando sua melhor Copa do Mundo.

Não faltaram decepções e começo com o Uruguai, que tinha um plantel interessante, mas que tinha sérios problemas de relacionamento com o irascível Marcelo Bielsa, resultando em mais uma eliminação na primeira fase e um elenco totalmente desconectado com seu treinador, enquanto Bielsa fracassava em mais uma Copa, aumentando minha sensação de achar que o argentino é um dos treinadores mais superestimados da história do futebol. Portugal tinha uma seleção interessante e ainda contava com Cristiano Ronaldo. Talvez esse tivesse sido o problema. Com 41 anos de idade o lendário atacante não fez uma boa Copa (mais uma) e ficou a sensação de que Portugal ficou abaixo do que podia. E o Brasil...


Quando alguém falava que o Brasil tinha chance de ser campeão eu tinha duas reações: ou a pessoa não entendia bulhufas de futebol ou estava zoando. Levando Neymar para a Copa mesmo o já veterano jogador estando machucado e jogando cada vez menos nos últimos anos, ainda assim toda a atenção se voltou para ele, mesmo Neymar mal treinando. Uma simples corrida no campo era motivo de notícia e reacts. Os primeiros jogos não encantavam e aumentava a decepção com Carlo Ancelotti, trazido para dar jeito a uma geração abaixo das expectativas, mas que poderia evoluir com o vitorioso treinador. O Brasil acabou eliminado pela Noruega do super atacante Haaland ainda nas oitavas de final. Vinte e oito anos sem vencer uma Copa do Mundo, recorde na história, mas há uma luz no final do túnel?


As explicações pós-eliminação me dão poucas esperanças. Há ainda uma sensação de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, quando está claro essa não é a realidade. Enquanto muitos se enganavam pedindo Neymar e Endrick, o que se via em campo eram jogadores esforçados, mas muito longe dos grandes nomes que já vestiram a camisa amarela. O Brasil poderia ter pedido para Marrocos ou Japão, mas ambas seleções respeitaram demais o Brasil e acabaram perdendo a oportunidade. Haaland não perdeu a oportunidade.

O fim da 'Era Neymar', levando consigo Casemiro, Marquinhos, Alisson, Danilo e seus blue caps pode ser benéfica para o Brasil, mas olhando para Vini Jr, que se preocupa mais com seu namoro com a influencer Virgínia (se ela passar na minha frente é fácil eu nem saber quem é...) nos mostra um futuro nada interessante...


Quando criança e aprendi a gostar de futebol, compreendi que as três seleções mais temíveis eram Brasil, Itália e Alemanha. Mais de trinta anos depois, o Brasil segue perdendo para o primeiro europeu no mata-mata, a Itália não vai para a sua terceira Copa seguida e a Alemanha não chega às oitavas desde seu título em 2014. Uma Copa decepcionante dos alemães, que começaram muito bem, mas seu jovem técnico pareceu ter metido os pés pelas mãos e acabou eliminado pelo fraco Paraguai.

Outras novidades foi a pausa para hidratação em todos os jogos, mesmo não precisando, enchendo os bolsos da FIFA e seu execrável presidente Gianni Infantino, que foi submisso de forma vergonhosa ao não menos execrável presidente americano Donald Trump, que fez com que a FIFA perdoasse um cartão vermelho do atacante ianque Balogun. No final a seleção americana acabou goleada pela Bélgica, que contou com a torcida do resto do mundo.

A Copa afunilava e os jogos melhoravam cada vez mais mais. A França eliminou o Marrocos, mesma seleção que colocara o Brasil na roda com muita facilidade. Portugal derrotou a Croácia nos últimos momentos, definindo a aposentadoria de Modric em Copas, mas na fase seguinte os portugueses acabaram eliminados pela Espanha de forma bem parecida, com um gol no finalzinho. Agora era a vez de CR7 se despedir das Copas. A Inglaterra superava o México num estádio Azteca lotado com um jogador a menos, enquanto o eterno goleiro Ochoa dava se aposentava logo em seguida. A Argentina fazia jogos cardíacos, mostrando um coração enorme de sua seleção ao reverter um 2x0 em cima do Egito e derrotar a Suíça no final da prorrogação.

As semifinais tinham quatro seleções campeãs do mundo. A entusiasmante França encarava a Espanha. Muitos apostavam nos gauleses, mas os últimos resultados mostravam a Espanha superando os franceses em momentos decisivos. E não foi diferente nessa Copa. Num jogo taticamente perfeito, a Espanha escondeu a bola dos franceses e derrotou Mbappe e companhia com uma facilidade embasbacante. Na outra semifinal um clássico dentro e fora dos campos. Ingleses e argentinos se encaravam 44 anos após estarem em guerra e 40 anos depois do mítico jogo no México em exibição de gala de Maradona. E 40 anos depois Messi teve uma exibição de gala no melhor jogo da Argentina, que virou um jogo no final da partida em duas assistências de Messi, ajudado pela atitude covarde de Tuchel, treinador alemão da Inglaterra, que recuou o time de forma desavergonhada.



A Espanha parecia ter mais time, mas não tinha sido bom subestimar Messi. A final em Nova Iorque viu a Espanha dominar a partida a ponto da Argentina ficar 90 minutos sem dar um único chute ao gol. A prorrogação veio com a Espanha com um jogador a mais e uma estatística preocupante: a Espanha normalmente perdia em disputa de pênaltis. Mesmo a Espanha amassando a Argentina, o gol não vinha, mas no início do segundo tempo da prorrogação, Ferran Torres marcou o gol decisivo. Espanha bicampeã mundial.

Antigamente considerada uma seleção de segundo escalão, capaz de produzir bons jogadores, mas sem resultados de relevo, a Espanha apostou num estilo de jogo de muito toque de bola e volume de jogo, algo visto na final dessa Copa, mesmo que sendo incapaz de dar o golpe de misericórdia no adversário. Em menos de vinte anos, a Espanha conquistou três Eurocopas e duas Copas do Mundo, tem uma seleção jovem e com muito potencial.

A Argentina dificilmente terá Messi e boa parte dos campeões de 2022. Uma renovação não é necessária, mas obrigatória. A França demonstrou sua decepção com a derrota para a Inglaterra na decisão do terceiro lugar, mas tem jogadores talentosos para se manter entre as grandes. Bélgica, Portugal, Holanda e Croácia precisam de renovação, a Inglaterra precisa dar o passo que a Espanha deu e o Brasil precisa mudar tanta coisa, que fica difícil encontrar por onde começar.

Foi uma Copa surpreendente. Vimos seleções que cativaram, como Cabo Verde, Congo e Marrocos. Mesmo com algumas surpresas no caminho, as grandes chegaram às finais. Foi uma Copa do Mundo bastante legal e com saldo positivo. Que venha 2030! 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Figura(BEL): Gabriel Bortoleto

 Mesmo ainda sofrendo com um motor totalmente vindo do zero e uma equipe que pretende ser grande, mas não nesse momento, Gabriel Bortoleto começa a se destacar dentro da Audi. Mais uma vez o jovem piloto brasileiro conseguiu um resultado de destaque no pelotão intermediário e, mais importante, superou com alguma folga o seu veterano companheiro de equipe Nico Hulkenberg. Se caracterizando pela velocidade em classificação, Bortoleto colocou mais de meio segundo de vantagem sobre Hulk e conseguiu uma vaga no Q3, largando no top10 e com boas chances de marcar pontos. Na corrida Bortoleto ficou no meio de Racing Bulls e Alpine, equipes que estão bem na frente da Audi no Mundial de Construtores e a Gabriel teve sorte com um VSC na hora certa. Tendo feito sua única parada bem no período de VSC, Bortoleto pulou para oitavo, sendo o primeiro fora das quatro equipes grandes e mesmo tendo a presença incômoda de Arvid Lindblad por perto nas voltas finais, Gabriel controlou a vantagem e recebeu a bandeirada como o melhor do resto, conseguindo mais alguns pontos no campeonato. Por sinal, apenas Bortoleto marcou pontos pela Audi em 2026 e seus resultados já o colocam como um dos destaques do ano.

Figurão(BEL): FIA

 Antigamente quando o calendário apontava Spa-Francorchamps como a próxima etapa, o fã da F1 ficava animado para encontrar a pista favorita da maioria dos pilotos, além de um palco histórico e tradicional. Porém, 2026 foi uma exceção por motivos já conhecidos: o novo regulamento técnico. Com o Super Clipping atuando forte em Spa, vimos cenas vexatórias na pista belga, com carros literalmente murchando no final das longa zonas de aceleração, com as velocidades decaindo 50 km/h, algo visto em Suzuka e Silverstone, outros palco lendários da F1, que viram a principal categoria do automobilismo tendo que percorrer retas onde anteriormente os pilotos atingiam altas velocidades com o pé no fundo, agora mal superam os carros de...F2.