domingo, 3 de maio de 2026

Passo a frente

 


Os grandes ajustes feitos em comunhão entre FIA, Liberty Media, equipes e pilotos de F1 trouxe grande expectativa para o Grande Prêmio de Miami, quarta etapa do campeonato 2026 e após um mês de uma intertemporada provocada pela guerra no Oriente Médio. A pista de rua em torno do Hard Rock Stadium trouxe boas disputas de posição entre os primeiros colocados, uma ligeira mudança na ordem de força das equipes, mas o principal foi a diminuição do chamado Superclipping e as diferenças abissais de velocidades entre os pilotos de acordo com a quantidade de energia na bateria de cada um. Aprovado? Cedo para dizer, pois os pilotos ainda se queixaram de serem lentos em determinadores setores da pista para gerenciar melhor a bateria, contudo, o absurdo visto em Suzuka não se repetiu. Quem não tem do que se queixar é Andrea Kimi Antonelli. Mesmo McLaren, Ferrari e Max Verstappen terem se aproximado da Mercedes na Flórida, Antonelli fez outra boa corrida rumo à terceira vitória consecutiva, se distanciando no campeonato e colocando-se como, sim, um dos favoritos ao título de 2026.


Desde o início da semana havia previsão de tempestade para a hora da corrida em Miami, com um adicional a mais de preocupação. Nos Estados Unidos um evento à céu aberto é imediatamente interrompido em caso de raios nos arredores do local e quem assistiu a Copa do Mundo de Clubes no ano passado vai lembrar dos vários jogos parados mesmo sem chuva. Isso sem contar que a F1 não queria a primeira corrida desses novos carros com asfalto molhado num circuito de rua. De forma prudente e para não atrapalhar a transmissão da TV, a largada foi antecipada em três horas e mesmo com o céu carrancudo, a pista estava seca no momento da largada. Um dos pontos mudados foi o procedimento de largada, evitando situações como da corrida passada, quando os carros da Mercedes largaram tão mal, que um perigoso acidente poderia ter acontecido. Porém, Antonelli pareceu ainda estar com o procedimento antigo na cabeça e assim como na Sprint, o italiano saiu muito mal, mas para a sua sorte, Verstappen também não largou bem e Leclerc pulou para primeiro antes da primeira curva. O problema foi que o ferrarista freou cedo e com os dois ocupantes da primeira fila querendo recuperar terreno, Antonelli e Verstappen passaram por Leclerc como uma bala e saíram da pista. Verstappen ficou lado a lado com Leclerc e acabou rodando sozinho no meio do pelotão. Um 360º que Keke Rosberg assinaria. Afortunadamente Max não foi atingido por ninguém, mas ter perdido tantas posições fez com que Verstappen pensasse a corrida diferente.


Leclerc liderou as primeiras voltas, com Antonelli e a dupla da McLaren logo atrás. Norris levou uma fechada de Verstappen na largada que pelo fato de não ter tido investigação já seria um milagre. O melê causado por Verstappen fez com que mudanças ocorressem no meio do pelotão. Franco Colapinto ultrapassou Hamilton, que no afã de não perder muito tempo atrás do argentino, foi para cima do piloto da Alpine e ao efetuar a ultrapassagem, Hamilton teve sua Ferrari atingida e os danos fez com que Lewis ficasse, palavras dele, na 'terra de ninguém'. Gasly perdera bastante tempo na primeira volta e tentava ultrapassar Liam Lawson, mas um toque de rodas fez com que francês capotasse e visse sua Alpine semi-virada sobre a barreira de pneus. Mais atrás, Isack Hadjar largava dos boxes após ser desclassificado depois da classificação e fazia uma boa corrida de recuperação, ganhando boas posições até cometer um erro besta e estampar seu Red Bull no muro, deixando o francês desesperado pelo abandono. Com dois carros parados na pista, o Safety Car apareceu ainda na sétima volta e quem foi aos pits foi Max Verstappen. O neerlandês tentou um all-in ao colocar pneus duros no começo da corrida, caindo para os confins do pelotão. Havia a previsão de chuva em qualquer momento, algo anunciado em praticamente todo rádio do grid, mas tirando alguns pingos, a corrida foi toda no seco. Isso não ajudou a tática de Verstappen.


Leclerc ainda liderava na relargada, mas logo foi atacado por Norris e Antonelli, que deixaram o piloto da Ferrari para trás e iniciavam a luta pela vitória. Mais atrás Piastri, que fora ultrapassado por Russell antes da entrada do SC, deu o troco na relargada, mesmo George tendo efetuado uma manobra bem diagonal, para reclamação do sempre calmo Piastri. A corrida se estabiliza nas primeiras posições, enquanto Max Verstappen começava sua corrida de recuperação, com ultrapassagens agressivas, gerando alguns resmungos via rádio. A esperada chuva não vinha e com a metade da corrida se aproximando, as equipes começaram a chamar seus pilotos para os pits. O primeiro que veio foi Russell, num opaco quinto lugar, algo que Leclerc de imediato reagiu. O monegasco ficou injuriado com a manobra da Ferrari, pois ficou claro que parar mais cedo fazia muita diferença. Mesmo Russell estando bem atrás de Leclerc antes da parada, o inglês foi capaz de ficar à frente da Ferrari, enquanto Verstappen, que parada algumas voltas antes, simplesmente deixava-os para trás com facilidade. Os pilotos da frente postergaram a parada como puderam, esperando uma chuva que não apareceu. Mais importante foi que Antonelli fez seu pit-stop duas voltas antes de Norris. Isso foi decisivo. 


Kimi emergiu na frente de Lando, que nunca ficou acima de 3s atrás do jovem italiano, que mesmo reclamando dos pneus e do câmbio, não errou e levou seu Mercedes até a bandeirada para conseguir a terceira vitória consecutiva, igualando Damon Hill e Mika Hakkinen, que venceram a primeira corrida na F1 para logo emendar três vitórias consecutivas. Antonelli usou muito bem a tática da Mercedes para tomar a ponta de Lando Norris e se consolidar ainda mais na liderança do campeonato. Já seu companheiro de equipe fez uma corrida horrorosa, bem longe de lutar pela vitória e tomando 43s de Antonelli. Dito e havido como principal favorito ao título após a vitória em Melbourne, Russell começa a ficar de lado dentro da Mercedes, que se vê mais a mais apaixonada por Antonelli.


Lando Norris lamentou perder a vitória em Miami, lugar onde venceu pela primeira vez na carreira na F1 e quase completou um final de semana perfeito, após vencer a Sprint Race. Lando mostrou que a McLaren continua com sua engenharia sendo uma das melhores da F1, pois os updates trazidos pela McLaren claramente evoluiu o carro. Piastri esteve sempre à sombra de Norris, mas ainda garantiu um pódio na base da oportunidade. Leclerc alcançou e ultrapassou Verstappen quando faltavam pouco mais de dez voltas para o fim, trazendo consigo Piastri. Os dois pareciam que manteriam a posição, quando Piastri iniciou um ataque mais incisivo na antepenúltima volta e quando o australiano abriu a penúltima volta em terceiro, Leclerc cometeu um erro na curva 2. O piloto da Ferrari parecia ter um pneu furado e Charles ainda encostou no muro com o pneu dianteiro esquerdo. Leclerc fez de tudo para se manter na pista, inclusive cortando curvas. Na última volta, foi ultrapassado por Russell e Verstappen, mas as suas 'cortadas' lhe renderam 20s de punição fazendo-o cair para oitavo.


Piastri completou o pódio e Russell, mesmo declarando não gostar da pista de Miami, ainda foi quarto. Ainda assim, muito pouco para quem quer lutar pelo título. Max Verstappen claramente carregou seu carro nas costas até a quinta posição e suas reclamações diminuíram. Numa corrida praticamente anônima, Hamilton foi sexto e Franco Colapinto, que recebeu a visita de Messi antes da largada, conseguiu seu melhor resultado na carreira, além de marcar bons pontos para a Alpine, que se vê numa situação onde está longe das quatro principais equipes na sua frente, mas com ótima vantagem para as demais equipes. A dupla da Williams surpreendeu ao marcar os pontos restantes com Sainz na frente de Albon. As demais equipes mal apareceram. Haas não marcou pontos em casa e nem esteve perto disso, mas Bearman o final de semana inteiro à frente de Ocon, que começa a se preocupar sobre sua continuidade na F1. Lawson abandonou logo após capotar o carro de Gasly, mas pelo desempenho de Lindblad, pouco poderia fazer. Após um início de temporada muito forte, o jovem inglês parece murchar junto com a Racing Bulls. A Audi teve outro dia complicado. Após um sábado onde Hulkenberg quebrou o motor enquanto levava seu carro ao grid na Sprint e Bortoleto ter sido desclassificado após a classificação, largando na última fila, o domingo não foi muito melhor com Hulk abandonando logo cedo e Bortoleto não evoluindo muito. A Cadillac evoluiu e andou perto da claudicante Aston Martin, que comemorou ter seus dois completando a corrida.


A corrida em Miami não teve o passa-repassa das três primeiras provas e as ultrapassagens pareceram mais naturais, mesmo com os pilotos dizendo que foi mais um passo a frente do que a resolução definitiva do problema causado pelo novo regulamento. Foi uma corrida interessante, com boas disputas e Antonelli se consolidando cada vez mais como um dos pilotos que brigarão pelo título. Num regulamento novo, equipes podem conseguir grandes saltos, como os vistos pela McLaren, que não largou com seus dois carros na China e conseguiu um duplo pódio em Miami. A Ferrari evoluiu, mesmo que os resultados não tenha demonstrado isso e Max Verstappen vai fazendo algo parecido desde 2023, onde pega o carro da Red Bull, o coloca nas costas e consegue ótimas resultados. A Mercedes tem que manter a guarda alta, pois com tanto tempo que poderá ser conquistado ao longo do campeonato, ninguém ficará parado.    

sábado, 2 de maio de 2026

Luz no fim do túnel

 


As inúmeras mudanças introduzidas pela FIA nessa intertemporada 'forçada' trouxe mais expectativas para a temporada 2026 da F1, com os pilotos podendo conduzir seus carros de forma mais 'natural'. De certa forma as mudanças fizeram com que as reclamações diminuíssem, mesmo que Lance Stroll tenha metido a boca no trombone antes dos primeiros treinos livres. O canadense mal poderia esperar pelo o que vinha pela frente...

Outro ponto era que a grande maioria das equipes preparam vários updates e havia também a perspectiva de mudanças no poweranking dos times de F1. Para completar o cenário, Miami receberia o segundo final de semana de Sprint, com as equipes tende menos tempo para testar as novidades, fazendo com que a FIA concedesse trinta minutos a mais de treino livre para todo mundo observar as inovações. O único treino livre mostrou menos superclipping e a velocidade perdida quando a bateria acaba era bem menor do que o visto em Melbourne e Suzuka, quando os carros chegaram a perder 50 km/h na metade final das retas.

Já a ordem de forças da F1 viu uma ligeira mudança, com a Mercedes perdendo boa parte do seu protagonismo, enquanto McLaren e Ferrari diminuíam bastante suas desvantagens e Max Verstappen tirava coelhos da cartola. A classificação da Sprint viu a pole de Lando Norris, que confirmou a vantagem com uma vitória tranquila na mini-corrida. Mais uma vez Antonelli não largou bem e Piastri completou a dobradinha da McLaren, com Leclerc em terceiro e a dupla da Mercedes logo em seguida. As dezenove voltas na pista de rua de Miami viram uma corrida mais 'verdadeira' de F1. Não houve passa-repassa ou carros perdendo rendimento de forma repentina por falta de bateria. Nessa pequena amostra, a F1 pareceu ter acertado. 

O pequeno intervalo entre a Sprint Race e a classificação foi bastante complicada para a Audi. Antes da Sprint Nico Hulkenberg viu seu carro pegar fogo, enquanto Bortoleto foi desclassificado por irregularidades técnicas. O brasileiro teve seu carro desmontado e Gabriel foi tarde para a classificação, acabando por ver seus freios traseiros pegarem fogo e tendo que largar de último. Sorte da Aston Martin. Alonso e Stroll tiveram seus problemas de vibração suavizados, mas continuavam tendo problemas de desempenho, tanto que os dois praticamente não andaram na Classificação da Sprint. Inclusive Alonso marcou um tempo mais lento que o último colocado da... F2! A situação da Aston não melhora...

Logo ficou claro que criou-se um abismo entre as cinco equipes mais rápidas e o resto. A Alpine com motor Mercedes se não ameaçam as quatro melhores equipes, está quase meio segundo na frente do resto, que se digladiam para fugir da companhia da Aston Martin na rabeira. Com Max Verstappen cada vez mais a vontade, Isack Hadjar começa a sentir a dor de outros companheiros de equipe de Max, tomando bastante tempo do neerlandês, mas ao menos está indo ao Q3. A briga pela pole prometia animada, com a dupla da McLaren, Antonelli, Verstappen e Leclerc. Russell não pareceu a vontade em nenhum momento e esteve sempre longe do seu companheiro de equipe. Um sinal nada bom. Hamilton não conseguiu acompanhar Leclerc, voltando ao patamar de 2025. Já a dupla da McLaren, principalmente Piastri, não repetiu o resultado de sexta-feira e ficaram fora do top3. Antonelli conseguiu um ótimo tempo em sua primeira tentativa no Q3 e praticamente garantiu a pole ali, pois afora Verstappen, ninguém conseguiu melhorar na segunda tentativa. 

Kimi mostra que é mesmo um piloto diferenciado, mas pela primeira vez terá ao seu lado Max Verstappen e principalmente, terá que melhorar as suas largadas. Até o momento, Miami mostrou uma F1 com nítidas evoluções do que foi visto nas três primeiras provas. Uma luz no fim do túnel.   

Que pena...


 O mês de maio é de grandes perdas para o esporte a motor e 2026 confirmou essa premissa. Na noite europeia do dia primeiro de maio, perdemos Alex Zanardi, consequência do seu sério acidente de handbike em 2020. Falar de Zanardi sem clichês é praticamente impossível. Temos que adjetiva-lo com palavras como resiliente e corajoso por tudo que o italiano passou. Um grande piloto, que se não obteve sucesso na F1, foi inesquecível nos seus anos na Indy/CART. Porém, as adversidades que Zanardi teve que enfrentar e dar uma bela volta por cima o fazem ser admirado como um grande homem e um personagem que deixou um legado extraordinário. E sempre sorrindo, curtindo a vida. Alex Zanardi fará muito falta! 

domingo, 26 de abril de 2026

Dia do irmão mais novo


 Além da F1, a MotoGP foi outra categoria afetada pela guerra no Oriente Médio, com praticamente um mês sem corridas, fazendo com que equipes e montadoras ajustassem suas motos novas. Menos mal que a MotoGP não precisou fazer acertos paliativos no regulamento, mas aí é outra história. Com a Aprilia dominando a temporada 2026 da MotoGP, a moto italiana se tornou a referência para as demais e a Ducati, antiga dominadora, pareceu trabalhar bastante nesse intervalo, mas principalmente com Alex Márquez. Com um ritmo forte na sexta, indicando ter o melhor conjunto do final de semana em Jerez, o irmão mais novo de Marc confirmou as expectativas no domingo, vencendo de forma enfática a corrida principal.

Ao contrário do que se viu na Sprint Race no sábado, quando a chuva deu as caras e embaralhou o pelotão, a corrida do domingo foi bastante monótona em sua maior parte, principalmente na luta pelas primeiras posições. Com pista molhada, Marc Márquez tirou mais uma pole da cartola e largou muito bem no domingo, mas o espanhol da Ducati de fábrica viu ótimas largadas da dupla da Aprilia de fábrica e de Alex Márquez. Normalmente eclipsado pelo irmão mais velho e lendário, Alex repetiu o que fez ano passado, quando venceu em Jerez com um ritmo superior aos demais. O piloto da Gresini já tinha conseguido um ótimo tempo nos treinos livres da sexta, liderou a Sprint com piso seco antes de cair com pista molhada. Alex rapidamente ultrapassou Bezzecchi e partiu para cima do irmão mais velho, o ultrapassando ainda no começo do corrida.

Era esperado uma disputa caseira entre os irmão Márquez, mas antes que pudéssemos vislumbrar uma bela disputa, Marc caiu espetacularmente na volta 4, destruindo sua Ducati e zerando mais uma vez num GP. Mesmo todos nós conhecendo toda a exuberância de Marc Márquez, a situação do espanhol vai se complicando no campeonato e como as coisas ainda podem piorar, a Ducati oficial ainda viu Pecco Bagnaia, que largou mal, abandonar com problemas técnicos quando ocupava a insossa nona posição. 

Já a Ducati 2026 restante do grid permaneceu dominando. Alex Márquez não teve adversários em Jerez e venceu com tranquilidade, restando saber se Alex, cujo melhor resultado em 2026 era um sexto lugar, terá consistência necessária para avançar no campeonato. Sem moto para liderar, Marco Bezzecchi fez o que um piloto que luta pelo campeonato precisa fazer nessas situações: marcar o maior número de pontos possíveis. O segundo lugar fez com que Bezzecchi aumentasse a sua vantagem no campeonato, já que Jorge Martin perdeu o lugar no pódio para Fabio di Giannantonio, terceiro colocado em Jerez e também no campeonato, sendo a melhor moto da Ducati no momento. 

A dupla da Trackhouse confirmou a boa fase da Aprilia, com Ai Ogura terminando em quinto vindo de boa corrida de recuperação, ultrapassando seu companheiro de equipe na última volta. Ogura, que estaria de malas prontas para a Yamaha substituir Alex Rins, prova que está merecendo a atenção que recebe, mesmo que ir para a Yamaha atualmente não parece o melhor caminho a seguir. Johan Zarco largou na primeira fila e por muito tempo acompanhou de perto a Aprilia de Martin, mas o francês perdeu o fôlego e acabou atropelado pela dupla da Trackhouse no fim. Zarco se garantiu como a melhor Honda com o sétimo lugar, bem à frente dos piloto de fábrica. Quartararo, apenas 14º hoje com sua Yamaha, curtiu. Diogo Moreira não brilhou e pela primeira vez em sua curta carreira na MotoGP, não pontuou.

A MotoGP retornou de suas 'férias forçadas' com uma corrida sem muita emoção em Jerez, mesmo que a torcida que lotou, como sempre, as arquibancadas não tenha reclamado, com uma vitória categórica de Alex Márquez com sua Ducati 2026. Será um recomeço para a Ducati? Bezzecchi se mantém na liderança, mesmo com suas quedas seguidas na Sprint Race. Seu companheiro de equipe, Jorge Martin, provou em 2024 que esses pontos conquistados no sábado podem fazer muita diferença. Por sinal, dentro da cabeça de Marc Márquez já soa um sinal amarelo pensando no campeonato, mas esse domingo foi dia do seu irmão mais novo.

terça-feira, 31 de março de 2026

Figura(JAP): Andrea Kimi Antonelli

 Novamente o jovem italiano está nessa parte da coluna e mesmo tendo tido sorte com o Safety-Car entrando no momento correto, Kimi Antonelli estava com o melhor ritmo do final de semana e mereceu vencer na sempre seletiva pista de Suzuka. O piloto da Mercedes conseguiu uma bela pole no sábado, mas como está sendo comum nesse novo regulamento, Antonelli se atrapalhou na largada e caiu para sexto. O italiano foi escalando o pelotão e estava mais rápido que seu companheiro de equipe George Russell quando o SC deu às caras e Kimi assumiu a ponta da prova. De cara pro vento, Antonelli não deu chances à ninguém e liderou a corrida até a bandeirada, assumindo a ponta do campeonato, sendo o mais novo a fazê-lo. Mais importante do que isso, Kimi Antonelli superou nitidamente George Russell nesse final de semana e lembrando que o campeonato pode ser decidido dentro do seio da Mercedes. E nesse momento, Kimi Antonelli está em viés de alta.

Figurão(JAP): Novos regulamentos

 É normal esperarmos um pouco para dar um veredicto sobre um regulamento que estreia, porém, não precisou três corridas para vermos que o novo regulamento técnico da F1, com um motor com potência 50/50 de combustão interna e elétrico não está funcionando a contento. Pior do que isso. É um regulamento perigoso, algo mais alarmante que as corridas 'fake' com os pilotos ultrapassando os outros 'sem querer', além de uma pilotagem completamente contraintuitiva. O forte acidente de Oliver Bearman claramente causado pelo novo regulamento foi um sério alerta de que algo precisa ser feito de forma urgente.  

domingo, 29 de março de 2026

De cogumelo para abacaxi

 


Numa dessas ironias da vida, a F1 recebeu parte do elenco do filme Super Mario Galaxy em Suzuka, semanas depois dos pilotos compararem o novo e já famigerado novo regulamento ser várias vezes comparado a outro joguinho da série Super Mario, o Super Mario Kart. Se os pilotos falavam de cogumelos, bastante usado por Mario e Luigi no joguinho da Nintendo, hoje a F1 fala mais sobre abacaxi, pois é exatamente isso que a categoria tem nas mãos. Pode parecer estranho dizer que a F1 está em crise após três corridas movimentadas após a chegada do novo regulamento, mas Suzuka escancarou os sérios problemas que a F1 vive com um motor elétrico que 'brocha' antes do final das retas e o acidente de Oliver Bearman demonstrou algo que muito pilotos falavam faz algum tempo: a diferença brutal de velocidade entre os carros em momentos diferentes de bateria poderia ser bastante perigoso. Claro que Andrea Kimi Antonelli não tem muito do que reclamar. O jovem italiano conseguiu mais uma vitória vindo da pole, mesmo largando mal novamente, mas Kimi teve sorte com o Safety-Car na hora certa e a partir daí dominar a corrida rumo a liderança do campeonato, sendo Antonelli o mais novo a conseguir o feito na história da F1.


Apesar de algumas ameaças de chuva, o sol esteve presente em Suzuka na hora da largada, atrasada devido a um impressionante acidente durante a corrida da Porsche Cup. George Russell reclamou ainda durante a pré-temporada que não adiantava nada ter o melhor ritmo do pelotão se largar ser um ponto fraco para a Mercedes. Novamente a dupla da Mercedes, que dominava a primeira fila, largou de forma terrível e a forma como Oscar Piastri, finalmente largando para um Grande Prêmio oficial em 2026, saiu da terceira para a primeira posição indica que o problema não se trata do motor Mercedes, mas do carro da fábrica. O pole Antonelli teve uma largada horrorosa, patinando claramente e despencando para sexto, enquanto Russell ainda conseguiu ficar em terceiro, atrás de Piastri e Leclerc, ocupantes da segunda fila. A corrida começou animada com a dupla da Mercedes galgando posições, mas Russell não conseguiu efetuar um ataque mais efetivo em Piastri, enquanto Antonelli demorou um pouco para se livrar das Ferraris e de Norris. Quando teve ar limpo, Antonelli mostrou que tinha o melhor conjunto do final de semana e se aproximava de Russell, na medida em que o momento do único pit-stop se aproximou. Piastri, Leclerc e Russell foram os primeiros do pelotão da frente a visitar os pits, quando o momento decisivo da corrida, e até mesmo da temporada, aconteceu.


Oliver Bearman tinha ficado no Q1 de forma surpreendente no sábado e estava andando no pelotão intermediário, quando fez sua parada para trocar pneus. O inglês da Haas fez seu pit-stop e se aproximava da Alpine de Franco Colapinto. Um dos pontos críticos de Suzuka com relação à bateria era a aproximação da curva Spoon e Bearman apertou o botão de 'ultrapassagem' nesse momento, enquanto Colapinto viu sua bateria descarregar. O argentino ainda fez menção em fechar a porta, mas a velocidade de Bearman comparada a sua lembrava um Hypercar ultrapassando um LMGT3. Só que não estamos falando do WEC, mas de F1. Para não estampar a traseira de Colapinto, que vinha 50 km/h mais lento, Bearman jogou seu carro na grama, que sem controle bateu forte no muro de pneus. Um acidente feio, em que Bearman saiu do carro mancando, mas felizmente sem maiores problemas. Além dos problemas de bateria que fez a F1 passar mais um vexame com os motores 'brochando' entre a 130R e a Chicane, a diferença excessiva de velocidade entre um carro com bateria e outro sem fez com que um forte acidente acontecesse. Depois da corrida o paddock ficou em pânico e pilotos como Carlos Sainz foram bem vocais em afirmar que isso estava prestes a acontecer. Vozes cada vez mais eloquentes se levantaram e a FIA anunciou após a prova que reuniões serão feitas para que ajustes sejam feitos. Basta imaginar isso acontecendo em Monza ou Baku. Talvez por linhas tortas, não ter a corrida na Arábia Saudita foi bom, pois o rápido e perigoso circuito de Jedá, com suas curvas cegas, seria um convite a tragédia numa F1 claramente em crise com suas baterias. Talvez os dirigentes da F1 tenham o maior abacaxi nas mãos em mais de 75 anos de história. Afinal, montadoras foram atraídas para a F1 por causa regulamentação do motor a combustão inter e elétrico a 50/50, mas estamos vendo na prática que a F1 deu um passo maior do que a perna, criando uma crise enorme. 


Em Suzuka, quem entrava em crise era George Russell. Tendo a primazia de entrar nos boxes primeiro, o inglês teve uma falta de sorte gigantesca ao ver Antonelli fazer sua parada com o SC na pista, ganhando bastante terreno frente à Russell, que caiu para terceiro na manobra. Era esperado que o inglês da Mercedes relargasse de forma agressiva e fosse para cima de Piastri, mas o que se viu foi Russell novamente atacado por uma Ferrari nesse momento, ultrapassado pelo compatriota Hamilton, outro favorecido pela entrada do SC. Assim como aconteceu na China, Russell pareceu ter problemas de aquecimento de pneus duros e para completar, oito voltas depois ele teve problemas na bateria na entrada da Spoon e foi 'ultrapassado' por Leclerc. O monegasco rapidamente encostou no companheiro de equipe e foi logo soltando que 'estava perdendo tempo'. Antes que a Ferrari pensasse em algo, Leclerc atacou Hamilton e assumiu a terceira posição, enquanto Russell finalmente ultrapassou o ex-companheiro de equipe logo depois. Duas semanas depois do primeiro pódio com a Ferrari, Hamilton voltou aos tempos nada bons e foi ultrapassado por Norris na penúltima volta, ficando em 'último' entre as três equipes dominantes.


Leclerc tentou uma aproximação em cima de Piastri, mas logo o representante da Ferrari teve que segurar os ataques de Russell, contudo, assim como seu compatriota Hamilton, George Russell não estava num bom dia e pela primeira vez em 2026 ficou fora do pódio. Enquanto isso Antonelli aproveitou-se muito bem do SC a seu favor e dominou a corrida após a relargada, não sendo sequer fustigado por Piastri, que fez uma ótima corrida de 'estreia' em 2026, após seus dissabores nas duas primeiras provas. Kimi assumiu a liderança do campeonato e fez história, sendo o mais jovem a conseguir o feito, mas mais importante do que isso, começa a colocar pulgas atrás da orelha de Russell, que não esteve numa boa jornada. Na luta pelo campeonato, a confiança pender para um lado ou para outro pode ser decisivo e com a Mercedes tendo o melhor carro do pelotão, está claro que Antonelli estava em viés de alta. A McLaren deu sinal de vida e conseguiu seu primeiro pódio do ano, mesmo com todos os problemas de Norris ao longo do final de semana, fazendo o atual campeão ficar longe de Piastri o tempo inteiro. A Ferrari viu a McLaren se aproximar e ter um ritmo parecido com o seu em Suzuka. Mais uma vez Leclerc e Hamilton se encontraram na pista e a luta entre os dois foi no limite. Por enquanto estão todos sorrindo, mas o toque entre os dois está próximo...


E a Red Bull? Antes considerada a quarta força do campeonato, o time austríaco teve um final de semana complicado em Suzuka. Max Verstappen finalmente teve uma largada decente e ainda nas primeiras voltas entrou na zona de pontuação, ultrapassando seu companheiro de equipe, Hadjar. Contudo, o neerlandês ficou a corrida inteira tendo a traseira da Alpine de Pierre Gasly à sua frente. Max chegou a ultrapassar o francês, mas logo levava o troco, por causa da bateria do motor Ford/Red Bull descarregar, aumentando a frustração de Verstappen, que após a corrida mencionou a palavra aposentadoria. Isso não diminui a ótima corrida de Gasly, que segurou Max a corrida inteira e marcou bons pontos para a Alpine, que se vê com apenas um piloto pontuando, pois Colapinto esteve o tempo todo longe dos pontos. Hadjar perdeu terreno com a entrada do SC e não pontuou, chegando a ser ultrapassado por Hulkenberg nas voltas finais. Quem se aproveitou bem da entrada do SC foram Liam Lawson e Esteban Ocon, que fecharam a zona de pontos, mesmo que bem longe de Verstappen.

A Audi largou com seus dois carros e viu seus dois piloto receberem a bandeirada, mas dessa vez sem pontos para Bortoleto e Hulkenberg, mas precisando melhorar as largadas, assim como a Mercedes, o calcanhar-de-Aquiles da Audi. Lindblad chegou a andar na zona de pontuação, mas acabou fora dos pontos. Williams e Cadillac fizeram corridas anônimas, enquanto Fernando Alonso chegou ao fim da corrida, mesmo ainda sofrendo com vibrações. E sem gritar 'F2 engine' na casa da Honda...


Num final de semana em que a crise se instalou na F1 de vez, Andrea Kimi Antonelli vai encantando a F1 ao sobrepujar George Russell nesse momento, que precisa de respostas caso queira brigar pelo título. E até mesmo ficar na Mercedes, já que o inglês vive com o fantasma de Max Verstappen, que mesmo frustrado pelo novo regulamento, estaria mais feliz se estivesse vestindo preto nesse momento. Pelos piores motivos (uma guerra sem sentido no Oriente Médio), a F1 terá uma parada de um mês que poderá ser bem proveitosa. As cenas dos carros perdendo potência e o grave acidente de Bearman mostraram que o novo regulamento, mesmo com a propulsão de ultrapassagens, está se mostrando um passo muito maior do que a perna e a F1 terá pouco tempo para se ajustar, até mesmo para evitar problemas potencialmente graves.