domingo, 24 de maio de 2026

Sem direito de resposta


 A vitória de George Russell na Sprint Race e a pole conseguida à fórceps no sábado pareciam credenciar o inglês a finalmente dar uma resposta à Andrea Kimi Antonelli, que vinha de três vitórias consecutivas e liderava o campeonato. Ainda mais com George dando um chega pra lá em Kimi na Sprint. No entanto, a corrida viu uma disputa fratricida entre os dois pilotos da Mercedes, que deve ter deixado Toto Wolff com os cabelos em pé. Correndo atrás de Russell, Antonelli parecia ter mais ritmo, mas isso não pôde ser demonstrado claramente, pois Russell abandonou com o motor quebrado, deixando Kimi sozinho para conquistar sua quarta vitória consecutiva, já o colocando na história por ser o primeiro piloto a conseguir suas quatro primeiras vitórias de forma consecutiva. Mais do que isso, Antonelli já abre uma boa diferença no campeonato e coloca ainda mais pressão em cima de George Russell.


Havia previsão de chuva para o momento da largada em Montreal e mesmo que a chuva tenha aparecido, foi bem mais amena do que o esperado, mas transformou a escolha de pneus num grande desafio para as equipes, que teriam que correr com essa configuração pela primeira vez nesse novo regulamento. Algumas equipes optaram pelos pneus intermediários, mesmo o asfalto estar longe de estar realmente molhado, com destaque para a McLaren, que ocupava a segunda fila. No entanto, as coisas não saíram como esperado para a turma de Zak Brown se seus papaia caps. Primeiro que Arvid Lindblad, que largava entre os dez primeiros, teve problemas com o seu Racing Bulls e se tornou primeiro abandono do dia. A largada só aconteceu na terceira tentativa, pois os comissários demoraram a tirar o carro de Lindblad do grid. Piastri já dava o sinal de que a pista estava praticamente seca. No momento do apagar das luzes vermelhas, Lando Norris pulou para a ponta, seguido por Russell e Antonelli, enquanto Piastri caía para quinto. Uma volta bastou para que McLaren, Audi, Williams e Cadillac erraram na estratégia e trouxeram seus carros para os pits colocar pneus slicks.


Isso deixou a dupla da Mercedes, que havia batalhado forte na Sprint, sozinhos na luta pela vitória, com Hamilton ficando mais para trás. As reclamações de Kimi via rádio durante a Sprint deixaram Toto Wolff chateado e não precisa ser um gênio para imaginar que a reunião da Mercedes no sábado à noite deve ter sido bem animada e com instruções aos seus pilotos. O que quer que tenha sido dito, Russell e Antonelli devem ter descumprido, pois vimos uma das lutas mais empolgantes entre dois companheiros de equipe, lembrando a célebre corrida no Bahrein em 2014 com Hamilton e Nico Rosberg se engalfinhando a prova inteira. A diferença entre os dois nunca era maior do que 1s, deixando o piloto de trás sempre podendo usar o 'modo boost' e atacando o da frente. Russell cometeu um pequeno erro no Hairpin e permitiu Antonelli ultrapassar, mas logo o inglês deu o troco. A sensação era de que Antonelli tinha mais ritmo e se ultrapassasse, abriria. Quando isso ocorreu, contudo, Kimi cometeu um erro parecido de Russell voltas antes, permitindo o troco do inglês. Novamente Antonelli teve que remar tudo de novo, efetuando novamente a ultrapassagem. Logo depois Russell cortou uma chicane, no que parecia ser um erro. Infelizmente para Russell não era. O motor falhou e George claramente sentiu o golpe. Jogando longe seu apoio de cabeça e depois jogando suas luvas no chão com raiva. 


Com a Mercedes trazendo várias novidades para Montreal, a diferença dos tedescos para os demais aumentou bastante e Russell imediatamente percebeu que a corrida estava no colo de Andrea Kimi Antonelli. Correndo solto na frente, Antonelli fez uma segunda metade de corrida tranquilo, onde controlou o equipamento rumo a quarta vitória consecutiva e se solidificar ainda mais na liderança do campeonato. O único ligeiro problema de Kimi foi no rádio e talvez por isso que, para demonstrar a superioridade do equipamento da Mercedes no final de semana canadense, Antonelli marcou a volta mais rápida da corrida. Mais importante é que Antonelli já conta com mais de quarenta pontos de vantagem sobre Russell, que sentiu o golpe. Após anos lutando com uma Mercedes que não se adaptou com o regulamento do carro com efeito-solo, Russell esperava liderar a equipe nessa nova era onde a Mercedes tem claramente o melhor carro. O que George não esperava ter Antonelli tão forte e confiante.


Com a briga pela vitória decidida, a corrida ficou mais estática, mesmo com o Safety Car Virtual aparecendo mais duas vezes após o abandono de Russell. No entanto, uma velha rivalidade apareceu na F1. Após criticar novamente os regulamentos e falar em aposentadoria precoce, Max Verstappen voltou a mostrar sua genialidade ao se manter entre os primeiros e aproveitando o vacilo homérico da McLaren, o neerlandês partiu para cima de Hamilton e ultrapassou o inglês da Ferrari ainda no começo da corrida, sem que Lewis esboçasse qualquer reação. Numa corrida sem tantas nuances estratégicas, mesmo com a presepada de McLaren, Audi e companhia no início da prova, a luta entre Max Verstappen e Lewis Hamilton foi decidida na pista. Com Max perdendo temperatura dos pneus médios, Hamilton diminuiu a vantagem e passou a atacar o amargo rival nas voltas finais. Numa luta de alto nível, Hamilton resolveu tudo com um mergulho audacioso na primeira curva e garantir o melhor resultado da Ferrari em 2026 até o momento. Mais importante para Hamilton foi que ele voltou a andar constantemente na frente de Leclerc, que simplesmente não se encontrou em Montreal. Verstappen completou o pódio e no momento que importava, colocou Hadjar no seu lugar dentro da Red Bull. O francês fez uma corrida problemática, onde teve que pagar duas punições, uma por uma manobra perigosa em cima de Leclerc na luta pela quarta posição. Hadjar terminou uma volta atrás, mas finalmente voltou aos pontos.


Com a corrida prejudicada pelo erro estratégico, a dupla da McLaren tentou escalar o pelotão, mas seus pilotos foram impedidos por motivos diferentes. Lando Norris teve uma quebra quando se aproximava dos pontos, enquanto Oscar Piastri teve uma diarreia mental ao tentar ultrapassar Ocon e Albon, acertando o piloto da Williams no meio. Tendo que fazer duas paradas extras (trocar o bico e pagar uma punição), Piastri ficou fora dos pontos e passa a sensação de que a perda do título ano passado ainda ressoa na cabeça do australiano. Com os problemas da McLaren e de Russell, abriu-se um abismo entre o quinto e o sexto colocado, o melhor do resto. Após um início de ano discreto, Franco Colapinto começa aos poucos a desabrochar. O argentino andou mais rápido o tempo inteiro do que Pierre Gasly em Montreal e terminou num sólido sexto lugar, garantindo a melhor posição de Franco na F1. Gasly ainda marcou pontos, mas ficou bem distante do companheiro de equipe, quando anteriormente acontecia o contrário. Eclipsado por Lindblad, Lawson se aproveitou do abandono precoce do companheiro de equipe e de outros carros para ser sétimo, segurando Gasly nas últimas voltas.


Mesmo errando na estratégia, Carlos Sainz executou um bom segundo stint para marcar mais pontos para a Williams, que tenta 'emagrecer' o carro e diminuir o azar de Albon, que sofreu todo tipo de calamidade nesse final de semana, inclusive atropelar uma marmota na sexta-feira. Bearman marcou o último ponto do dia, superando com ampla vantagem Ocon, que começa a ser questionado dentro da Haas. A Audi sofreu com o erro estratégico e nem de longe esteve perto de pontuar, ficando fora dos pontos mais uma vez. Aston Martin e Cadillac ficaram longe dos pontos, mas chama atenção o quão Bottas está andando atrás de Pérez nesse momento.


O Grande Prêmio do Canadá foi a melhor corrida da temporada 2026 sem sombras de dúvidas. Nada de efeito ioiô e com batalhas decididas na pista, principalmente dentro do seio da Mercedes, que viu seus dois pilotos lutarem pela liderança até Russell quebrar. Se o inglês precisava dar uma resposta para as vitórias consecutivas do seu companheiro de equipe, esse direito lhe foi negado por culpa da Mercedes, mas Andrea Kimi Antonelli, que não teve nada com os problemas de George Russell, foi o principal beneficiado.  

No photochart


 São 500 milhas percorridas. 800 quilômetros. Mais de 110 anos de história. Em 2026, as 500 Milhas de Indianápolis foram decididas por meros 23 milésimos de segundo. Foi o que Felix Rosenqvist precisou para derrotar David Malukas no final mais apertado na longa história da grande corrida americana e uma das joias da coroa do automobilismo, colocando o sueco na imortalidade do esporte a motor.

As primeiras voltas em Indianápolis foram tranquilas, com os pilotos tateando o melhor ritmo, algo bem comum nessa era dos datados Dallara IR-18. O poleman Alex Palou manteve a ponta e ficou trocando de liderança com Alexander Rossi, mesmo o americano correndo com o tornozelo quebrado e recém-operado, por causa de um acidente na semana da prova. O céu carrancudo fazia o grid inteiro se preocupar com a chuva iminente. A primeira amarela surgiu ainda antes do primeiro quarto de prova, com Ryan Hunter-Reay rodando sozinho e agradecendo aos deuses por Katherine Legge ter tido o raciocínio rápido em desviar da McLaren por muito pouco. Isso por si só não mexeu muito nas estratégias das equipes, mas a esperada chuva veio e trouxe uma bandeira vermelha. Quando os carros voltaram à pista, a chuva deu às caras novamente, tão leve que apenas o pano amarelo apareceu.

Nesse momento ficou claro que Ganassi e Penske tinham os melhores carros, com Andretti sofrendo nessa edição e Pato O'Ward, correndo com o carro reserva, ainda não colocando a McLaren no páreo. Numa das relargadas Josef Newgarden bateu sozinho de forma bisonha, eliminando um dos favoritos à vitória. Todas essas bandeiras amarelas fizeram com que as equipes mudassem suas táticas e no quarto final de prova, duas estratégias se mostrassem claras. Os líderes, particularmente a turma de Ganassi e Penske, teriam que parar apenas uma vez, enquanto alguns pilotos iriam para apenas um pit-stop, liderados por O'Ward e Felix Rosenqvist. 

Quando Palou, Malukas, McLaughlin e companhia fizeram suas últimas paradas, a corrida parecia que seria decidida entre O'Ward e Rosenqvist, com o sueco assumindo a ponta faltando quinze voltas, mas logo depois Caio Collet, que fez uma corrida de estreia bem decente, bateu forte e como faltavam poucas voltas, a bandeira vermelha apareceu. Isso fez com que a turma que mais vezes entrasse na festa, além de dar maior respiro aos líderes. Um toque de Mick Schumacher na relargada fez com que a corrida fosse decidida num sprint de uma volta. Malukas fez uma relargada espetacular e deixou Rosenqvist e Marcus Armstrong para trás ainda na curva um.

Contratado como nova estrela da Penske, Malukas ainda persegue sua primeira vitória e parecia que ela surgiria no maior dos palcos do automobilismo. Incrivelmente, Rosenqvist e Armstrong duelavam pela segunda posição, dando chances para Malukas escapar um pouco, mas o sueco se sobressaiu no final da reta oposta e disparou para cima de Malukas. Outras vezes quem emergiu da curva quatro em segundo acabou ultrapassado na reta dos boxes e foi exatamente isso que aconteceu com Malukas. Rosenqvist pegou o vácuo e com uma ultrapassagem emocionante, derrotou o piloto da Penske pela menor das margens para vencer poucos dias depois de ter se tornado pai.

Uma vitória emocionante, a segunda da Meyer & Shank, que só venceu em Indianápolis. Melhor lugar não há para vencer. Para desespero de Malukas, que ficou inconformado com mais um segundo lugar, Rosenqvist colocou seu nome entre os imortais da Indy.

sábado, 23 de maio de 2026

Deja vu na Mercedes

 


Quando Andrea Kimi Antonelli tomou gosto pela vitória, o italiano enfileirou três seguidas, deixando seu companheiro de equipe mais experiente George Russell numa situação complicada. Com a Mercedes tendo claramente o melhor carro nesse início de novo regulamento, o inglês precisava dar uma resposta rápida e com convicção em cima de Antonelli. Nesse sábado, Russell o fez duplamente. Primeiro, deu um chega para lá em Antonelli que tirou o italiano do prumo na Sprint. Na classificação, tirou o doce da boca de Kimi no último instante, marcando a pole em Montreal, pista onde Russell anda sempre bem.

A Sprint Race desse sábado foi de deja vú para Toto Wolff. O experiente chefe de equipe voltou dez anos no tempo, quando tinha que administrar Lewis Hamilton e Nico Rosberg dividindo a equipe. Duas crias suas, Russell e Antonelli largaram da primeira fila e finalmente conseguiram manter as posições. Os dois logo abriram 3s para Lando Norris e iniciaram uma disputa apertada pela liderança, com Kimi fustigando George e na sexta volta, o dois se tocaram na segunda curva, com Russell alargando a primeira curva e deixando Antonelli sem espaço. Os dois perderam tempo, mas Russell permaneceu na ponta. Logo depois Antonelli saiu da pista novamente e dessa vez Norris não perdeu a oportunidade de tomar a segunda posição de Kimi. Os três andaram próximos até a bandeirada, com uma última tentativa de Antonelli na última volta de tomar o segundo lugar se provando infrutífera. Contudo, antes disso, Antonelli não ficou imune a manobra agressiva de Russell e chamou o companheiro de equipe de 'sujo' e 'que deveria ser punido'. Toto Wolff entrou no rádio duas vezes para tentar colocar Antonelli no seu lugar. Havia tensão no aperto de mão entre os pilotos da Mercedes após a Sprint.

Poucas horas depois a classificação ocorreu com Antonelli correndo com raiva, sempre à frente de Russell, que não parecia tão a vontade como antes. Assim como a Mercedes. Hamilton, especialista do Autódromo Gilles Villeneuve, e Lando Norris andaram muito forte. Isack Hadjar deu o ar da graça e liderou o Q2, colocando meio segundo em Verstappen, que pareceu sempre estar pouco à vontade no seu Red Bull. 

No Q3 Antonelli parecia que ficaria com a pole, com Russell demorando a ganhar ritmo, mas o inglês abriu uma última volta e superou o companheiro de equipe mais uma vez. Pode ser um golpe psicológico de George, usando ainda a juventude de Kimi. Lando conseguiu mais um terceiro lugar, com Piastri ao seu lado, ambos de olho em qualquer problema entre os pilotos da Mercedes. Max superou por pouco Hadjar, colocando a casa da Red Bull em ordem. A primeira curva de domingo deverá ser tensa, ainda mais se confirmar a previsão de chuva para amanhã.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Que pena...

 


Toda notícia referente ao falecimento de alguém é impactante, mas poucas vezes algo tão impressionante aconteceu no automobilismo como o que vimos nessa quinta-feira. No começo da tarde surgiu a notícia de que Kyle Busch estava hospitalizado e não correria a festejada Coca Cola 600 em Charlotte, no final de semana. Para um atleta de 41 anos de idade, isso não parecia nada demais. No entanto, poucas horas depois a Nascar chocou o mundo do esporte a motor ao anunciar que Kyle Busch estava morto. Piloto agressivo e dos poucos realmente carismáticos da Nascar atual, Busch era o que chamamos de 'Racer', pois muitas vezes Kyle participava de toda a programação da Nascar, disputando as três corridas das categorias nacionais durante um final de semana, sendo o único a conseguir a 'varrida'. E duas vezes! Irmão mais novo de Kurt Busch, que foi campeão da Nascar em 2004, Kyle foi um piloto prodígio, logo se tornando uma das estrelas da categoria, mesmo que o título na Nascar Cup tenha demorado a vir, em 2015. E repetindo a dose em 2019. Kyle tinha marcas impressionantes, com mais de duzentas vitórias nas três categorias nacionais da Nascar, com 63 na principal, no top10 da Cup. Durante a carreira abraçou a fama de Bad Boy da Nascar, mas nem isso maculou sua carreira ou sua popularidade. Por mais que o vaiassem, muitos adoravam aquele piloto metido e talentoso. A última vitória foi em Dover, na Truck Series. Poucos poderiam imaginar que menos de uma semana depois, Kyle Busch não estaria entre nós.

domingo, 17 de maio de 2026

Alta tensão


 Os pilotos da MotoGP já vem reclamando do circuito de Montmeló, em Barcelona, já faz algum tempo. O tradicional autódromo está com o asfalto desgastado e as áreas de escape estão insuficientes para as motos atuais, lembrando que a pista foi palco da morte de Luís Salom dez anos atrás. O Grande Prêmio da Catalunha de 2026 foi dos mais tensos dos últimos anos, com inúmeros incidentes e dois pilotos hospitalizados. 

Pedro Acosta e Alex Márquez brigavam pela liderança quando a KTM de Acosta teve um problema técnico que o fez perder velocidade. Surpreendido, Acosta ainda levantou o braço, mas não rápido o suficiente para Alex desviar, batendo de leve na KTM, fazendo-o perder o controle da moto e se espatifar no muro. A Ducati de Alex Márquez foi moída! Márquez permaneceu consciente e foi levado ao hospital com a clavícula quebrada e um pequena lesão numa vértebra. Pelo gravidade do acidente, Alex saiu verdadeiramente no lucro.


Na relargada, Johan Zarco bateu na traseira de Marini e as duas Hondas acertaram a Ducati de Bagnaia. Infelizmente Zarco ficou preso na moto de Pecco enquanto rolava na área de escape. Imediatamente Bagnaia e Marini sinalizaram a gravidade da situação e uma nova bandeira vermelha foi mostrada. Zarco também esteve o tempo todo consciente, mas a situação de sua perna esquerda preocupa. 

Depois de dois acidentes dessa magnitude, pouco poderia se esperar da corrida, correto? Pois ainda teve mais incidentes. Jorge Martin tinha tudo para voltar a liderar o campeonato, mas foi atingido por Raul Fernández, que pilota uma Aprilia satélite, acabando com a corrida do espanhol. Transtornado, Martín chegou aos boxes empurrando a tudo e a todos, inclusive Massimo Rivola, o chefão da Aprilia. Na volta final, Acosta brigava com Ogura pela quarta posição, mas foi tocado e acabou no chão. Ogura foi posteriormente punido, mas não seria o único. Vários pilotos foram punidos por baixa pressão do pneu dianteiro, incluindo Joan Mir, que conseguira a proeza de ser terceiro com a Honda, mas despencou pelotão abaixo por causa da punição.

Entre tantos feridos, Fabio Di Giannantonio, que fora atingido por um pneu de Alex Márquez e machucara a mão esquerda, venceu a acidentada prova em Barcelona, enquanto Bezzecchi, num final de semana muito abaixo, marcou bons pontos no campeonato. Contudo, isso tudo fica para trás com tantos incidentes e dois pilotos no hospital. 

domingo, 10 de maio de 2026

A volta de Martín

 


Mais de um ano depois de conquistar seu título da MotoGP, Jorge Martín se via numa situação complexa na carreira. Frustrado por não ter conseguido um lugar na equipe de fábrica da Ducati, o espanhol se transferiu para a Aprilia em 2025, chegando à montadora italiana como atual campeão da MotoGP. No entanto, a temporada de defesa de título de Jorge Martín foi um autêntico pesadelo. O espanhol sofreu inúmeros acidentes e passou praticamente o ano inteiro se recuperando de suas lesões. Em meio a tudo isso, Martín se desentendeu com a Aprilia, tentando forçar uma saída da equipe antes da hora, mas Massimo Rivola, CEO da Aprilia, bateu o pé e fez Martín cumprir o contrato, mesmo a situação entre eles tenha ficado, no mínimo, estranha. O segundo ano de Jorge Martín na Aprilia foi de uma subida estupenda da moto, superando a Ducati como a melhor da MotoGP. Após ter visto seu companheiro de equipe Marco Bezzecchi ter vencido as trêss primeiras corridas do ano, Martín viu que a moto poderia lhe dar o bicampeonato e foi evoluindo. Enquanto Bezzecchi vacilava nas Sprints e perdia pontos preciosos, Jorge Martín ia ganhando confiança e em Le Mans, o espanhol de 28 anos deu show, varrendo o final de semana e encostando de vez em Bezzecchi.

Porém, o final de semana em Le Mans foi marcado por um sério acidente de Marc Márquez na Sprint Race, quando sequer brigava pela vitória após largar em segundo. O espanhol da Ducati perdeu a moto nas últimas curvas de Le Mans e a pancada que deu no pé direito parecia bem preocupante. Mesmo tendo saído andando do acidente que destruiu sua Ducati, não demorou para que uma fratura no pé direito acabasse com o final de semana de Márquez e o tirasse da próxima corrida em Barcelona, semana que vem. Agora resta saber quando volta e, principalmente, como Márquez voltará numa temporada que já pode ser considerada como perdida.

Bagnaia largou na pole, mas rapidamente perdeu a ponta para Bezzecchi, com Acosta pulando para as primeiras posições. No sábado Martin tinha conseguido uma largada mágica, pulando de oitavo para primeiro ainda nos primeiros metros, mas no domingo foi diferente, com o espanhol da Aprilia conseguindo ultrapassagens ao longo da prova, elevando seu ritmo no decorrer da corrida. Bagnaia já tinha feito uma corrida de recuperação e ultrapassara Acosta para ser o mais próximo perseguidor de Bezzecchi, enquanto Martín ultrapassava Di Giannantonio e encostava no pelotão da frente. Quando Martín já via de perto a rabeta de Acosta, Bagnaia caiu na curva 2, estragando de vez o dia da Ducati de fábrica, pelo segundo final de semana consecutivo zerada. Isso abria ainda mais caminho para Martín rumo à liderança. Após ultrapassar Acosta, o ritmo de Martín era tão forte que a ultrapassagem sobre o seu companheiro de equipe seria apenas questão de tempo, mesmo a corrida chegando ao fim.

Na forte freada da chicane, mergulhando de surpresa, Martín assumiu a ponta rumo a primeira vitória desde que se tornou campeão em 2024. Mais importante foi que a diferença para Bezzecchi caiu para apenas um ponto, com o italiano já lamentando os pontos perdidos nas Sprints. Para melhorar o dia da Aprilia, Ai Ogura fez outra corrida de recuperação e completou o pódio, subindo pela primeira vez ao pódio, quebrando um jejum de doze anos sem um japonês no pódio, além de que pela primeira vez a Aprilia dominou o pódio na MotoGP. Acosta ainda perder a quarta posição para Di Giannantonio na última curva, com o italiano sendo a melhor Ducati.

Martín comemorou bastante, mas seu conturbado ano de estreia na MotoGP fez com que as pontes entre ele a Aprilia estivessem estremecidas e muito provavelmente o espanhol irá para a Yamaha ano que vem, cuja melhor moto nesse domingo foi Quartararo, que levou a moto nas costas rumo ao sexto lugar. Assim como aconteceu em 2024, Martin vai ganhando bastante pontos nas Sprints e começa a colocar bastante pressão em Bezzecchi, pela primeira vez na luta pelo título da MotoGP. E assim como dois anos atrás, Martín poderá ser campeão se mudando para outra montadora.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Figura(MIA): McLaren

 Um dos pontos fortes da McLaren nos últimos anos é o seu setor de engenharia. Updates certeiros fazem com que os carros realmente evoluíssem e em 2024 Lando Norris conseguiu sua primeira vitória na F1 depois de uma melhora significativa vindo da McLaren, superando a então dominante Red Bull. Dois anos depois a McLaren se aproveitou do longo intervalo por causa da guerra no Oriente Médio e trouxe várias mudanças no seu carro. O resultado lembrou 2024, com a equipe papaia claramente evoluindo bastante a ponto de Norris quase completar um final de semana perfeito, com vitória na Sprint Race e terminar em segundo a corrida principal, apenas 3s atrás do vencedor Andrea Antonelli, com dominante Mercedes. Piastri completou a dobradinha da McLaren na Sprint Race e subiu ao pódio na corrida principal. Isso, depois da McLaren sequer largar na China. A Mercedes ainda mantém uma certa dominância, porém, Toto Wolff e a Mercedes precisam colocar as barbas de molho, pois a McLaren mostrou mais uma vez que é capaz de grandes evoluções.