quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Explicações complicadas

 


Já faz bastante tempo que a Andretti fala em entrar na F1. Primeiro tentou comprar a Sauber e com o fracasso do negócio, começou uma preparação para estrear o mais breve possível na categoria. Mostrando força, a Andretti conseguiu o apoio da GM através da mítica marca Cadillac, meio que indicando a todos que eles não estavam para brincadeira nessa empreitada rumo à F1. No entanto, isso não comoveu a maioria dos chefes de equipe da F1 e a Liberty, tão americana como Michael Andretti, o líder do projeto.

Michael Andretti não escondia seu desejo de retornar à F1 e talvez desfazer a sensação ruim que o americano teve trinta anos atrás quando esteve na categoria, porém, mais do que emocional, a tentativa de Michael também tem muito um viés comercial. Hoje não se pode adjetivar as equipes atuais da F1 simplesmente de 'equipes', mas de franquias, que hoje valem centenas de milhões de dólares. Se antes era comum ver equipes sofrendo para se manter na F1, hoje os times, mesmo as pequenas, se regozijam com uma estabilidade poucas vezes vistas na história da categoria. Ou seja, ninguém quer sair da brincadeira e esses mesmos dirigentes sabem que o delicado equilíbrio da F1 poderia ser afetado. com a entrada de uma décima primeira equipe. Ninguém é louco para sugerir que o sobrenome Andretti e a Cadillac tem grande ressonância dentro do automobilismo mundial e nos Estados Unidos em particular.

Pois bem, a Liberty achou justamente isso. Nessa quarta-feira a FOM lançou uma nota fechando a porta na cara da Andretti, mas o surpreendente foram as explicações dadas pela Liberty pelo 'não' ao pedido da Andretti. Segundo a FOM/Liberty, a Andretti não agregaria valor à F1. Como assim cara pálida? 

Uma justificativa estranha para dois nomes famosos no automobilismo, mas a Liberty deixou uma porta entreaberta para 2028, que foi o ano em que a GM disse que teria seus motores prontos para estrear. Será que até lá a Andretti permanecerá querendo a F1? Com a recusa de uma equipe tradicional na Indy e uma montadora tão mítica, o que será preciso para entrar na F1?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

El cuarto

 


Carlos Sainz é um nome que significa talento e garra. Não, não estou me referindo ao piloto da Ferrari na F1, mas seu pai, uma lenda do rali e que nesse começo de ano colocou ainda mais seu nome na história do esporte a motor. O Dakar terminou nessa sexta-feira com a quarta vitória de Carlos Sainz na categoria carros, dando a primeira vitória para a Audi e seu carro elétrico. Por sinal, Sainz venceu as quatro vezes no Dakar com quatro carros diferentes (VW, Peugeot, Mini Cooper e Audi). O espanhol teve como principais adversários os rivais de sempre:  Nasser Al-Attiyah e Sebastien Loeb. Nasser teve uma quebra que o fez abandonar, enquanto Loeb foi muito rápido na segunda semana do Dakar, chegando a encostar em Sainz, que liderava desde o final da primeira semana, mas o francês teve problemas no penúltimo dia e Sainz apenas desfilou no último dia, sob os olhares do seu filho.

Destaque para o brasileiro Lucas Moraes, que venceu uma especial e até os últimos dias estava em terceiro lugar, emulando o resultado do ano passado e com boas perspectivas de aproveitar qualquer vacilo de Sainz ou Loeb, mas no mesmo diz dos infortúnios do francês, Lucas teve sérios problemas em seu Toyota e caiu para nono. Correndo com apoio oficial da Toyota e visto pela montadora japonesa como um talento em potencial, Lucas Moraes pode dar uma alegria inédita ao esporte a motor brasileiro.

Nas motos o americano Ricky Brabec superou Ross Branch numa disputa apertada, onde vários pilotos muito fortes como Adrian van Beveren, Luciano e Kevin Benevides venceram etapas e lutaram pela vitória ao longos das duas semanas do Dakar, que infelizmente continuou sua terrível estatística, com mais uma morte, dessa vez do motociclista espanhol Carles Falcón. 

E a principal competição desse início do ano no esporte a motor termina e como não poderia deixar de ser, venho aqui reclamar de um rali que se chama Dakar, capital do Senegal, mas que é realizado na Arábia Saudita e seus petrodólares. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Que pena...

 


No comecinho do ano, o mundo da motovelocidade tinha sido surpreendida com a notícia de que Anthony Gobert estava muito mal no hospital, apenas esperando chegar a sua hora, que veio nessa quarta-feira. Quando alguém se lembrar de um talento desperdiçado no esporte, Gobert poderá facilmente estar no topo de qualquer lista. Muito jovem, o australiano impressionou a todos ao vencer a sua etapa caseira do Mundial de Superbikes, valendo à Anthony um contrato com a Kawasaki. Rapidamente o talento de Anthony Gobert ficava claro, assim como seu comportamento errático. Mesmo sem ser campeão na Superbike, a Suzuki o contratou para a temporada de 1997 das 500cc, mas aquilo acabou sendo o fim para Gobert. Acusado de falta de empenho, o australiano falhou num exame anti-doping por maconha e acabou demitido da Suzuki no meio da temporada. Daí em diante, a carreira de Gobert foi por água abaixo, participando de vários campeonatos nacionais de Superbike, além de aparições relâmpagos no Mundial. Gobert foi preso algumas vezes por porte de drogas e quando retornou à Austrália, foi condenado por roubo. Gobert teria se tornado um sem-teto e haviam pouquíssimas notícias dele, até seu irmão Aaron revelar que Anthony estava hospitalizado, recebendo tratamentos paliativos, acabando por falecer nesse dia 17 de janeiro. Com um histórico de vício em drogas e álcool, talvez agora, aos 48 anos, Anthony Gobert ache a paz.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Acabando a piada

 


Gene Haas surpreendeu o mundo da F1 ao anunciar a demissão do chefe de equipe Günther Steiner. Na equipe Haas desde o início, Steiner viu a equipe sofrer altos e baixos, tendo habilidade em conseguir manter a organização americana frente aos resultados adversos e momentos críticos, como na pandemia. Contudo, Steiner ganhou fama quando a série Drive to Suviver entrou em cena mostrando os bastidores da F1 e o italiano se tornou febre mundial com seu mau humor que o tornava engraçado. Suas frases explosivas e palavrões, sem contar o jeito carrancudo alçou Steiner numa estrela da F1, mesmo que sua equipe sofra nos últimos anos. Torcedores mostravam pôsteres em referência ao dirigente, mas a grande verdade era que Steiner viu a equipe ficar em último em 2023, após muita promessa com o novo regulamento. Gene Haas foi bem claro em dizer que não estava na F1 'para ser apenas décimo', numa crítica indireta à Steiner, que viu a equipe Haas ficar nessa posição três vezes em oito anos. Uma mudança se mostrou necessária, fazendo com que a Haas se torne conhecida pelo o que faz na pista, não pelo seu folclórico chefe de equipe. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Danke, Kaiser


 Quando crescemos e gostamos de algo, escutamos muitas histórias e de seus personagens principais. Ao se gostar de futebol, você aprende que existem alguns heróis e um deles certamente era Franz Beckenbauer. O Kaiser. De uma elegância ímpar, o alemão atravessou décadas como o maior jogador germânico da história, sendo um dos poucos a vencerem a Copa do Mundo como jogador e treinador. Poucos dias depois de Zagallo, companheiro de Franz no panteão dos jogadores/treinadores campeões do mundo, Beckenbauer se despediu da vida, mas se perpetuará como um gigante do futebol.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Velho Lobo

 


Ninguém pode negar o amor dele pelo país e pela nossa seleção. Se Zagallo foi revolucionário na mítica Copa do Mundo de 1970, depois disso viveu dessa glória, conquistando títulos cariocas ao longo dos anos. Extremamente carismático, Zagallo ainda foi a mais três Copas pelo Brasil, vencendo em 1994 como coordenador técnico. Em 1998, claramente superado como treinador, usou sua mística para levar uma ótima seleção à final, sucumbindo à França de Zidane e às convulsões de Ronaldo, cuja escalação para aquele jogo foi um dos momentos mais críticos da carreira de Zagallo. Em 2006 tentou repetir a mesma fórmula de 1994 junto ao amigo Parreira, mas numa seleção de ilusões, o que se viu foi um pesadelo em campo. Aposentado a muitos anos, Zagallo se tornou uma referência viva dos áureos tempos do futebol brasileiro. Nesse sábado o Velho Lobo nos deixou aos 92 anos, se tornando o último titular da Copa de 1958 a nos deixar. Não deixa de ser um indicador de que os tempos em que a Seleção era temível estão ficando cada vez mais longe, para tristeza de Mario Jorge Lobo Zagallo.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Que pena...

 


O último dia do ano de 2023 reservou outra surpresa desagradável para os fãs do automobilismo. Aos 84 anos, Cale Yarborough faleceu. Para os menos entendidos, Cale foi uma lenda da Nascar, conquistando três títulos e quatro vitórias na Daytona 500. Por sinal, foi na pista de Flórida que Cale entrou de vez na história da Nascar. Na primeira corrida mostrada para todos os Estados Unidos ao vivo e na íntegra, Yarborough brigava com Donny Allison pela liderança na última volta e dois acabaram se tocando. O lance que entrou na mitologia da Nascar foi a briga que os dois travaram no gramado de Daytona, inclusive com o irmão de Donny, Bobby. Isso mostrava bem quem era Cale Yarborough. Piloto das antigas, além de muito rápido, o americano era daqueles que não levava desaforo para casa e poderia sair no braço, se fosse o caso. Uma pena...