terça-feira, 28 de julho de 2026

Finalmente o futuro

 


Quando houve o último lançamento de um carro na Indy, Fernando Alonso estava na Ferrari lutando contra Sebastian Vettel pela Red Bull, com Lewis Hamilton ainda correndo pela McLaren. Valentino Rossi estava indo para a Ducati. Neymar estava com vinte anos e todos pensavam que ele seria o astro que nos levaria ao hexa. Apenas Josef Newgarden, Scott Dixon, Graham Rahal e Will Power permanecem na Indy daquele longínquo ano de 2012, podendo receber a companhia de Ryan Hunter-Reay, Helio Castroneves e Ed Carpenter nas 500 Milhas de Indianápolis. Tomara que a Indy não demore tanto a renovar seu carro.

domingo, 26 de julho de 2026

Figura(HUN): Lando Norris

 Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar, porém, o inglês da McLaren teve um final de semana quase perfeito na Hungria. Sempre rápido nos treinos livres, Norris conseguiu o melhor tempo da classificação, superando Hamilton por um centésimo de segundo. Lando perdeu a primeira posição para Piastri ainda na primeira volta, mas não baixou os braços, continuou pressionando o seu companheiro de equipe e mostrou que tinha um ritmo muito superior quando teve ar limpo. Mesmo com pneus desgastados, Norris foi capaz de neutralizar a vantagem de ter pneus novos de Piastri e emergiu em primeiro quando fez sua segunda parada. Numa pilotagem dominante, Norris venceu de forma convincente. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Essa primeira vitória pode marcar uma nova fase para Lando Norris na F1 em 2026.

Figurão(HUN): Lewis Hamilton

 Numa competição de alto nível como a F1, todos sabem que um campeonato pode ser definido nos mínimos detalhes e sendo o segundo piloto mais experiente do grid, além do mais laureado, Lewis Hamilton deveria saber isso mais do que ninguém. Ser punido com tempo ou perca de posições no grid atrapalham demais e mesmo que algumas de suas punições não tenham sido sua culpa e até mesmo discutíveis, é inaceitável a sequência que Hamilton mantém de punições consecutivas. Na Hungria Lewis foi punido duas vezes, uma no sábado, que o fez perder três posições no grid por atrapalhar a volta rápida de Oscar Piastri, e outra no domingo, quando excedeu o limite de velocidade nos boxes ao apertar o botão ligeiramente antes do tempo no final do pit-lane, Lewis Hamilton perdeu qualquer chance de lutar pela vitória num final de semana que vinha se mostrando forte ao inglês da Ferrari, mas que acabou com Hamilton fora do pódio e perdendo pontos para Andrea Kimi Antonelli. Está passando da hora de Hamilton parar de se meter em tantas confusões. 

A primeira de Lando

 


Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar. O domínio da Mercedes em conjunto com os vários problemas no novo carro da McLaren impossibilitaram Lando de tentar revalidar seu título em 2026. Em Miami Norris poderia ter vencido, mas a corrida na Flórida provou-se ser algo apenas pontual, além de Lando perder a corrida para Antonelli. No entanto, em Hungaroring o inglês não perdeu a chance. Após conquistar uma pole como nos bons tempos da McLaren, Norris teve um pouco mais de trabalho que o imaginado por perder a ponta da corrida para o seu companheiro de equipe Oscar Piastri, mas usando a estratégia e um ritmo de corrida superior, Norris venceu pela primeira vez ostentando o número 1 em seu carro. Atrás de si, Max Verstappen se aproveitou do abandono de Piastri e mesmo reclamando bastante do carro, chegou em segundo com Antonelli limitando os danos do pior final de semana da Mercedes até aqui para subir ao pódio em terceiro e ainda aumentar sua vantagem no campeonato.


Como normalmente ocorre em Budapeste nessa época do ano, o sol apareceu forte no céu magiar e estava um dia perfeito para uma corrida de F1 em Hungaroring, palco que completa nesse domingo quarenta anos na F1, com direito a várias curvas homenageando grandes pilotos do passado. E a curva um ser chamada agora de Piquet era quase uma obrigação. O forte calor na Hungria fez com que os estrategistas pensassem que repetir a estratégia vencedora do ano passado, de uma única parada, ser bastante complexa, sem contar que historicamente ultrapassar em Hungaroring é ainda mais difícil do que em outras pistas. Se o posicionamento em pista já faz diferença em outros circuitos, em Hungaroring é ainda mais importante, começando por conseguir uma boa largada. Nos dois últimos anos virou folclore na F1 a forma como Lando Norris estragou inúmeras poles ao perder a posição na largada. Nesse domingo o representante da McLaren conseguiu sair bem e manteve a ponta na curva um. Atrás dele Oscar Piastri, beneficiado pelas punições de Hamilton e Antonelli, largou muito bem e ainda na primeira curva ultrapassara Leclerc. No aproche da segunda curva, Norris deu uma espalhada e Piastri tomou a liderança. A largada não foi das mais tranquilas. George Russell, em mais um final de semana medonho, ficou praticamente parado no grid e se felizmente não foi atingido por ninguém, teria que iniciar uma corrida de recuperação vindo das últimas posições. Se a Ferrari já sentira o golpe da punição de Hamilton na classificação, levaria outro na primeira volta, com Verstappen também deixando Leclerc para trás, mesmo o monegasco tendo largado com pneus macios. Lewis, com pneus macios novos, também ultrapassou Charles, mas ficou atrás de Max, inclusive com um ligeiro toque eles na curva 3. Antonelli conseguiu uma largada decente, se livrando dos ataques de Hadjar, mas via com um sorriso na boca Russell novamente ter problemas na primeira volta, praticamente se garantindo que teria sua vantagem no campeonato aumentada no final do dia.


Até o momento Piastri não mostrara nada no final de semana húngaro, mas com ar livre o australiano se manteve confortavelmente na frente de Norris, enquanto Verstappen claramente segurava Hamilton com pneus melhores que o dele. Lewis fustigou bastante, mas não foi capaz de abalar Verstappen, que parecia bem mais incomodado com os problemas no seu Red Bull. Max reclamava de praticamente tudo, mas ainda conseguia se manter na frente de Hamilton, que via suas chances de vitória irem pelo ralo ao ficar empacado atrás de Verstappen. Na medida em que a corrida seguia, algumas 'cartas' eram colocadas na mesa. Norris se aproximou de Piastri e mandava indiretas via rádio, enquanto Antonelli ficava a uma boa distância de Leclerc. Tentando dar o 'pulo do gato' e tendo largado com pneus macios, Hamilton inaugurou a rodada de paradas ainda na volta 13, indicando que pararia pelo menos duas vezes. O inglês voltou à pista mais rápido e quando a Red Bull respondeu ao movimento da Ferrari na volta seguinte, era nítido que o 'undercut' era poderoso, pois com pneus duros novos Hamilton conseguiu emergir na frente de Verstappen. Temendo pelo exemplo demonstrado por Hamilton, a McLaren rapidamente chamou seus dois pilotos, Piastri na frente de Norris. Enquanto a McLaren parava seus dois pilotos, ocorria a manobra da corrida. Hamilton retornava em meio aos carros da Racing Bulls e quando ultrapassava Liam Lawson, Max Verstappen enxergou uma oportunidade, ainda com as memórias de 2024, quando os velhos rivais Lewis e Max bateram e Verstappen literalmente saiu voando. Verstappen freou muito mais tarde e numa manobra belíssima, mais uma vez tomou a frente de Hamilton.


Com o ego ferido, Hamilton tentou atacar Verstappen de todos os modos, mas o neerlandês não deu chances. A primeira rodada de paradas deixou os quatro primeiros bem próximos e quando Piastri deu de cara com Hadjar, o francês da Red Bull tentou ao máximo ajudar seu companheiro de equipe, mas o máximo que conseguiu foi ficar algumas curvas entre Max e Lewis. Andrea Kimi Antonelli mostrava o motivo do seu ritmo tão discreto e postergou sua parada ao máximo, só fazendo seu pit-stop na volta 22, em clara tentativa de parar apenas uma vez. A corrida fica mais estática, com a dupla da McLaren abrindo um pouco sobre Verstappen, que continuava a segurar Hamilton a ponto de Leclerc encostar no companheiro de equipe e sugerir uma troca de posições. Por sinal, isso também era solicitado por Norris. Com pneus duros o ritmo superior de Lando ficou mais evidente e o inglês começou a pressionar a McLaren para que tivesse ar livre. A chance veio algumas voltas mais tarde quando a McLaren chamou Piastri para a sua segunda visita aos pits na volta 33 e em teoria não parar mais. Contudo, a primeira rodada de paradas mostrara que o 'undercut' funcionava melhor que o 'overcut'. Lando Norris subverteu a lógica e com um ritmo superior com pneus desgastados, fez sua segunda parada seis voltas depois de Oscar e ainda saiu na frente do companheiro de equipe. No entanto, Lando Norris pôde contar com a ajuda involuntária do seu amigo e antigo companheiro de equipe Carlos Sainz. O espanhol brigava com Stroll quando simplesmente ignorou as bandeiras azuis e acertou o carro de Piastri, que ficou transtornado dentro do carro. O ritmo superior de Norris fez a diferença, mas o tempo perdido no incidente com Sainz atrapalhou deveras Sainz, que acabou punido em 5s. Por ter ajudado a definir a corrida, o castigo para Carlos acabou sendo brando.


Na briga pelo terceiro lugar, a dupla da Ferrari parou mais cedo, enquanto Max Verstappen esticou seu segundo stint ao máximo, só parando nove voltas depois de Hamilton e quatro depois de Leclerc. No entanto a Red Bull tomou a decisão de colocar pneus macios no carro de Max com 28 voltas para o fim, para estranhamento do próprio Verstappen, que retornou dessa vez bem atrás de Hamilton e sofrendo ataque de Leclerc. Antonelli tentou colocar sua tática de uma parada em funcionamento e mesmo ultrapassado por Norris na volta 45, mantinha um ritmo interessante e longe de Piastri, que começava a ser acossado por Hamilton. Para surpresa de todos, inclusive de Kimi, a Mercedes chamou o italiano para os pits e executou uma segunda parada no carro de Antonelli, que pareceu não muito satisfeito com a tática escolhida. Havia uma chance de haver um efeito sanfona como ocorreu na Áustria, com alguns carros vindo detrás se aproximando dos da frente nas voltas finais, mas então Piastri diminuiu seu ritmo e encostou seu carro na reta oposta. O Safety Car virtual apareceu e alguns pilotos aproveitaram para fazer uma terceira e última parada. Entre eles estavam Norris, Hamilton e Leclerc, que colocaram pneus macios usados. 

A manobra mudou o panorama da corrida, só não mudando Lando Norris destacado na frente. Após se livrar de Piastri na base da estratégia e do ritmo, Norris venceu de forma convincente, completando um final de semana próximo da perfeição do atual campeão da F1. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Piastri andou sempre atrás de Norris o final de semana inteiro e mesmo conseguindo um melhor posicionamento nos dois primeiros stints, o australiano foi claramente derrotado pelo seu companheiro de equipe. Se ano passado a McLaren tinha uma dupla de pilotos homogênea, a confiança conquistada pelo título fez a balança pender cada vez mais para Norris, enquanto Piastri parece perdido e com o título perdido de 2025 ainda lhe afetando. 


Quando Antonelli saiu dos pits após sua segunda parada, o italiano questionou a Mercedes o motivo da segunda parada, no qual recebeu como resposta que seu pneu duro iria perder muito rendimento e com pneus duros novos, ele poderia até brigar pelo segundo lugar. O VSC não fez com que Antonelli conseguisse um ataque frente a Verstappen, que chegou em segundo numa corrida muito inteligente do neerlandês, mas fez com que Kimi conquistasse mais um pódio. Antonelli contou com dois vacilos de Hamilton para subir ao pódio magiar. Primeiro que Hamilton ultrapassou Antonelli depois da linha do SC e quando a corrida reiniciou, o inglês teve que devolver a posição. Com pneus macios era esperado um ataque maior de Hamilton nas voltas finais, mas logo o inglês levaria um banho de água fria quando foi anunciado (mais) uma penalização, dessa vez por excesso de velocidade dentro dos pits. Os 5s de punição apenas garantia o pódio de Kimi, como fez Hamilton perder o quarto lugar para Leclerc. Um final de semana que parecia muito promissor para a Ferrari acabou com seus dois pilotos fora do pódio, enquanto Hamilton acumula uma série inacreditável de punições. Antonelli foi um dos que saíram de Hungaroring com um baita sorriso no rosto. No pior final de semana da Mercedes em 2026 até agora, Antonelli subiu ao pódio e viu seus dois mais próximos perseguidores terminarem atrás dele, ou seja, Kimi aumentou sua vantagem no campeonato. Russell superou o seu problema na largada (o anti-stall entrou sem interferência de George) e rapidamente ultrapassou vários pilotos do pelotão intermediário, mas sua corrida estava fadada a terminar entre os últimos das equipes grandes. Russell ainda tentou uma estratégia parecida de Antonelli, mas assim como aconteceu com o italiano, George teve que fazer uma segunda parada, lhe garantindo um amargo sétimo lugar, o deixando mais longe não apenas de Kimi, como também de Hamilton. Hadjar apareceu mais tentando ajudar Verstappen, mas acabou fazendo uma corrida solitária, ficando em sexto e marcando mais alguns pontinhos para a Red Bull no Mundial de Construtores.


A briga pelo melhor posto do pelotão intermediário foi animada e parecia que Gabriel Bortoleto venceria essa 'corrida' novamente. O brasileiro fez uma ótima corrida, largando com pneus macios e fazendo-os funcionar até praticamente metade da prova, se garantindo para fazer apenas uma parada. Bortoleto estava em décimo e se aproximando de Lindblad quando o VSC apareceu. E a Gabriel faltou sorte, pois ele tinha acabado de passar pela entrada dos boxes, enquanto Lawson e Hulkenberg vieram logo em seguida e entraram nos pits para colocar pneus macios. Com dois pilotos melhor 'calçados' atrás de si e pneus duros desgastados, Gabriel não teve o que fazer e saiu da zona de pontuação. Lawson e Hulkenberg também ultrapassaram Lindblad, fazendo o neozelandês ser o melhor do resto, mesmo que já uma volta atrás, enquanto Hulkenberg marcou seus primeiros pontos em 2026, com a nona posição. Hoje Audi e Racing Bulls tem os melhores conjuntos do pelotão intermediário, tomando o lugar de Alpine e Haas, que perderam espaço para as rivais. 

Destaque para a Aston Martin, que também em ritmo de corrida deu um enorme pulo com seu pacote de updates, deixando Haas e Williams para trás no processo. Alonso chegou a correr na zona de pontuação, mas perdeu tempo como Bortoleto no momento do VSC. Já a Cadillac se isola como a pior equipe da F1 atual, com direito a carros que se desmancham e se incendeiam sozinhos.


A F1 entra de férias com Andrea Kimi Antonelli mais líder do que nunca e já entrando em ritmo de pensar no campeonato. Não tem carro para vencer? Marca o maior número de pontos possíveis. O grau de maturidade de Antonelli impressiona. Assim como Antonelli muda seu mindset para o modo 'pensar no campeonato', Russell terá que começar a pensar em evitar o vexame de perder o vice-campeonato tendo o melhor carro do ano. Sérgio Pérez foi defenestrado da Red Bull por algo parecido... Com metade do campeonato tendo passado, a F1 descansa para o stint final com a Mercedes perdendo momentum, Verstappen se mantendo inevitável, McLaren e Ferrari crescendo, mesmo com os italianos ainda sofrendo com seus deslizes. Além de um regulamento técnico esdrúxulo, mas que a pista travada de Hungaroring escondeu bem seus problemas. Kimi não tem nada com isso e não lamentou a primeira vitória de Lando Norris em 2026.   

sábado, 25 de julho de 2026

Lando aparece

 


Até Hungaroring a Mercedes tinha feito a pole em todas as corridas em 2026, mas a travada pista magiar não dava muitos indícios que o time comandado por Toto Wolff manteria essa escrita. Lando Norris venceu na Hungria no ano passado em outro contexto, mas provando que o inglês tem a mão da pista, Norris tomou a pole de Hamilton no último momento, mesmo que haja algumas investigações ocorrendo.

Uma semana depois do vexame em Spa, a F1 respirou aliviada com a chegada em Hungaroring, com suas retas curtas e muitas freadas proporcionando que as baterias recarregassem rapidamente, evitando o cenário visto em Silverstone e Spa. Até mesmo a velocidade dos carros voltaram à transmissão da TV, assim como as câmeras on-board no final das retas. Uma das atrações do final de semana húngaro era o novo pacote de melhorias da Aston Martin. Vindo de inúmeros constrangimentos nas últimas etapas, a Aston Martin aportou em Hungaroring com um carro praticamente novo e a melhoria foi instantânea. Se antes os carros verdes tomavam até 2s para a Cadillac, na Hungria Alonso conseguiu até mesmo passar ao Q2, superando no processo também a Williams, que vive uma fase daquelas, além de deixar a Cadillac sozinha no 'rabo da vaca'.

Bortoleto teve uma classificação agitada, com um volta anulada no Q1 e uma rodada de Hadjar na sua frente arruinando sua volta no Q2. Após infringir várias derrotas ao companheiro de equipe, na Hungria Gabriel acabou superado por Hulkenberg, que foi ao Q3. Em nenhum momento do final de semana a Mercedes mostrou a mesma força de outros finais de semana, mesmo com Antonelli novamente muito na frente de Russell. Uma melhora no TL3 deu esperanças ao italiano, mas a Ferrari demonstrou muita força, além de Lando Norris, sempre entre os primeiros. E colocando muito tempo em Piastri.

Especialista em Hungaroring, Hamilton conseguiu o melhor tempo no Q3 na primeira tentativa de todos, com Norris logo atrás. No entanto, a segunda tentativa de todos foi bastante complicada e rendeu muitas reclamações. Assim como ocorreu na Áustria, Verstappen saiu da pista e reclamou horrores da aerodinâmica do carro. Aparentemente a asa traseira não teve problemas. Antonelli vinha logo atrás e mesmo com bandeira amarela, melhorou seu tempo, mas não ganhou posição, permanecendo em quarto. Russell estava em sétimo, péssimo resultado, mas o inglês parou seu carro no final da reta. Pior foi Hamilton, que viu Norris lhe tirar a pole por doze milésimos e ainda atrapalhou a volta de Piastri. Hungaroring sempre foi um circuito de difíceis ultrapassagens e o posicionamento é fundamental. Ponto para Norris e quem não será punido.   

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Uma Copa que surpreendeu

 Quando chega o final de uma Copa do Mundo, fico com um certo ar de melancolia. Passaram-se mais quatro anos de minha vida e quando observamos, já se passou mais quatro anos e estamos na expectativa boa de mais uma Copa do Mundo. Como diria o poeta, o tempo não para...

Para 2026 vimos uma Copa cheia de novidades. Para começar, depois de vinte e oito anos tivemos um acréscimo, para mim desnecessário, de dezesseis seleções e pela primeira vez tivemos 48 times. Não estava otimista. Hoje é praticamente impossível haver um 'grupo da morte' e a tabela indicava jogos nada atraentes (Nova Zelândia x Irã, Cabo Verde x Arábia Saudita, Catar x Bósnia...) para nós vermos. E veio a outra novidade.

Num erro crasso de estratégia, a TV Globo perdeu não apenas a exclusividade na transmissão dos jogos, como simplesmente passou apenas metade dos jogos, com a CazéTV ficando com a transmissão de todos os 104 jogos da Copa. Temos que bater palmas para o trabalho do canal de YouTube, mas não há como negar que houve vários problemas. Respeito o gosto de todos, mas não me peçam para gostar da transmissão 'leve' da CazéTV. Foi um show de gritaria, babação e até mesmo uma certa empáfia de Casemiro Miguel, influenciador que deu seu nome ao canal e hoje é praticamente um empregado. Por mais que a CazéTV exagerasse na propaganda das Bet's, Globo e SporTV também faziam propaganda dos mesmos, portanto, essa polêmica foi bem injusta com a CazéTV, no entanto, mesmo contando com narradores como Fernando Nardini e comentaristas como Rafael Oliveira, a qualidade da transmissão, com pouca narração, muita gritaria e muita gente falando e se atropelando me fez assistir alguns jogos exclusivos no mute.

Dentro de campo vi uma Copa que surpreendeu. Com a globalização do futebol, os clubes europeus tem cada vez mais jogadores de todo o mundo e isso enriqueceu o futebol de seleções, pois mesmo seleções como Tunísia ou Haiti tem jogadores que atuam numa Premier League. Isso fez com que a maioria dos jogos, mesmo o de menor apelo, tivesse um nível técnico muito bom e o resultado foi a melhor média de gols desde 1970.


Tudo levava a crer que a França seria campeã. Com um futebol ofensivo e avassalador, os gauleses dominaram as primeiras fases com uma facilidade alarmante. Mbappé fazia gols a rodo, acabando por se tornar o maior artilheiro da história das Copas. Surgiram seleções muito fortes, como a Inglaterra, que goleou a Croácia num dos poucos grandes jogos da primeira fase. A Espanha parou na sensação Vozinha, mas depois emendou vitórias com um volume de jogo em que o adversário pouco fazia, pois mal tocava na bola. A Argentina não fez um ciclo muito entusiasmante, levou seleção envelhecida e incrivelmente ainda contou com Messi, no auge dos seus 39 anos. Jogando sua melhor Copa do Mundo.

Não faltaram decepções e começo com o Uruguai, que tinha um plantel interessante, mas que tinha sérios problemas de relacionamento com o irascível Marcelo Bielsa, resultando em mais uma eliminação na primeira fase e um elenco totalmente desconectado com seu treinador, enquanto Bielsa fracassava em mais uma Copa, aumentando minha sensação de achar que o argentino é um dos treinadores mais superestimados da história do futebol. Portugal tinha uma seleção interessante e ainda contava com Cristiano Ronaldo. Talvez esse tivesse sido o problema. Com 41 anos de idade o lendário atacante não fez uma boa Copa (mais uma) e ficou a sensação de que Portugal ficou abaixo do que podia. E o Brasil...


Quando alguém falava que o Brasil tinha chance de ser campeão eu tinha duas reações: ou a pessoa não entendia bulhufas de futebol ou estava zoando. Levando Neymar para a Copa mesmo o já veterano jogador estando machucado e jogando cada vez menos nos últimos anos, ainda assim toda a atenção se voltou para ele, mesmo Neymar mal treinando. Uma simples corrida no campo era motivo de notícia e reacts. Os primeiros jogos não encantavam e aumentava a decepção com Carlo Ancelotti, trazido para dar jeito a uma geração abaixo das expectativas, mas que poderia evoluir com o vitorioso treinador. O Brasil acabou eliminado pela Noruega do super atacante Haaland ainda nas oitavas de final. Vinte e oito anos sem vencer uma Copa do Mundo, recorde na história, mas há uma luz no final do túnel?


As explicações pós-eliminação me dão poucas esperanças. Há ainda uma sensação de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, quando está claro essa não é a realidade. Enquanto muitos se enganavam pedindo Neymar e Endrick, o que se via em campo eram jogadores esforçados, mas muito longe dos grandes nomes que já vestiram a camisa amarela. O Brasil poderia ter pedido para Marrocos ou Japão, mas ambas seleções respeitaram demais o Brasil e acabaram perdendo a oportunidade. Haaland não perdeu a oportunidade.

O fim da 'Era Neymar', levando consigo Casemiro, Marquinhos, Alisson, Danilo e seus blue caps pode ser benéfica para o Brasil, mas olhando para Vini Jr, que se preocupa mais com seu namoro com a influencer Virgínia (se ela passar na minha frente é fácil eu nem saber quem é...) nos mostra um futuro nada interessante...


Quando criança e aprendi a gostar de futebol, compreendi que as três seleções mais temíveis eram Brasil, Itália e Alemanha. Mais de trinta anos depois, o Brasil segue perdendo para o primeiro europeu no mata-mata, a Itália não vai para a sua terceira Copa seguida e a Alemanha não chega às oitavas desde seu título em 2014. Uma Copa decepcionante dos alemães, que começaram muito bem, mas seu jovem técnico pareceu ter metido os pés pelas mãos e acabou eliminado pelo fraco Paraguai.

Outras novidades foi a pausa para hidratação em todos os jogos, mesmo não precisando, enchendo os bolsos da FIFA e seu execrável presidente Gianni Infantino, que foi submisso de forma vergonhosa ao não menos execrável presidente americano Donald Trump, que fez com que a FIFA perdoasse um cartão vermelho do atacante ianque Balogun. No final a seleção americana acabou goleada pela Bélgica, que contou com a torcida do resto do mundo.

A Copa afunilava e os jogos melhoravam cada vez mais mais. A França eliminou o Marrocos, mesma seleção que colocara o Brasil na roda com muita facilidade. Portugal derrotou a Croácia nos últimos momentos, definindo a aposentadoria de Modric em Copas, mas na fase seguinte os portugueses acabaram eliminados pela Espanha de forma bem parecida, com um gol no finalzinho. Agora era a vez de CR7 se despedir das Copas. A Inglaterra superava o México num estádio Azteca lotado com um jogador a menos, enquanto o eterno goleiro Ochoa dava se aposentava logo em seguida. A Argentina fazia jogos cardíacos, mostrando um coração enorme de sua seleção ao reverter um 2x0 em cima do Egito e derrotar a Suíça no final da prorrogação.

As semifinais tinham quatro seleções campeãs do mundo. A entusiasmante França encarava a Espanha. Muitos apostavam nos gauleses, mas os últimos resultados mostravam a Espanha superando os franceses em momentos decisivos. E não foi diferente nessa Copa. Num jogo taticamente perfeito, a Espanha escondeu a bola dos franceses e derrotou Mbappe e companhia com uma facilidade embasbacante. Na outra semifinal um clássico dentro e fora dos campos. Ingleses e argentinos se encaravam 44 anos após estarem em guerra e 40 anos depois do mítico jogo no México em exibição de gala de Maradona. E 40 anos depois Messi teve uma exibição de gala no melhor jogo da Argentina, que virou um jogo no final da partida em duas assistências de Messi, ajudado pela atitude covarde de Tuchel, treinador alemão da Inglaterra, que recuou o time de forma desavergonhada.



A Espanha parecia ter mais time, mas não tinha sido bom subestimar Messi. A final em Nova Iorque viu a Espanha dominar a partida a ponto da Argentina ficar 90 minutos sem dar um único chute ao gol. A prorrogação veio com a Espanha com um jogador a mais e uma estatística preocupante: a Espanha normalmente perdia em disputa de pênaltis. Mesmo a Espanha amassando a Argentina, o gol não vinha, mas no início do segundo tempo da prorrogação, Ferran Torres marcou o gol decisivo. Espanha bicampeã mundial.

Antigamente considerada uma seleção de segundo escalão, capaz de produzir bons jogadores, mas sem resultados de relevo, a Espanha apostou num estilo de jogo de muito toque de bola e volume de jogo, algo visto na final dessa Copa, mesmo que sendo incapaz de dar o golpe de misericórdia no adversário. Em menos de vinte anos, a Espanha conquistou três Eurocopas e duas Copas do Mundo, tem uma seleção jovem e com muito potencial.

A Argentina dificilmente terá Messi e boa parte dos campeões de 2022. Uma renovação não é necessária, mas obrigatória. A França demonstrou sua decepção com a derrota para a Inglaterra na decisão do terceiro lugar, mas tem jogadores talentosos para se manter entre as grandes. Bélgica, Portugal, Holanda e Croácia precisam de renovação, a Inglaterra precisa dar o passo que a Espanha deu e o Brasil precisa mudar tanta coisa, que fica difícil encontrar por onde começar.

Foi uma Copa surpreendente. Vimos seleções que cativaram, como Cabo Verde, Congo e Marrocos. Mesmo com algumas surpresas no caminho, as grandes chegaram às finais. Foi uma Copa do Mundo bastante legal e com saldo positivo. Que venha 2030! 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Figura(BEL): Gabriel Bortoleto

 Mesmo ainda sofrendo com um motor totalmente vindo do zero e uma equipe que pretende ser grande, mas não nesse momento, Gabriel Bortoleto começa a se destacar dentro da Audi. Mais uma vez o jovem piloto brasileiro conseguiu um resultado de destaque no pelotão intermediário e, mais importante, superou com alguma folga o seu veterano companheiro de equipe Nico Hulkenberg. Se caracterizando pela velocidade em classificação, Bortoleto colocou mais de meio segundo de vantagem sobre Hulk e conseguiu uma vaga no Q3, largando no top10 e com boas chances de marcar pontos. Na corrida Bortoleto ficou no meio de Racing Bulls e Alpine, equipes que estão bem na frente da Audi no Mundial de Construtores e a Gabriel teve sorte com um VSC na hora certa. Tendo feito sua única parada bem no período de VSC, Bortoleto pulou para oitavo, sendo o primeiro fora das quatro equipes grandes e mesmo tendo a presença incômoda de Arvid Lindblad por perto nas voltas finais, Gabriel controlou a vantagem e recebeu a bandeirada como o melhor do resto, conseguindo mais alguns pontos no campeonato. Por sinal, apenas Bortoleto marcou pontos pela Audi em 2026 e seus resultados já o colocam como um dos destaques do ano.

Figurão(BEL): FIA

 Antigamente quando o calendário apontava Spa-Francorchamps como a próxima etapa, o fã da F1 ficava animado para encontrar a pista favorita da maioria dos pilotos, além de um palco histórico e tradicional. Porém, 2026 foi uma exceção por motivos já conhecidos: o novo regulamento técnico. Com o Super Clipping atuando forte em Spa, vimos cenas vexatórias na pista belga, com carros literalmente murchando no final das longa zonas de aceleração, com as velocidades decaindo 50 km/h, algo visto em Suzuka e Silverstone, outros palco lendários da F1, que viram a principal categoria do automobilismo tendo que percorrer retas onde anteriormente os pilotos atingiam altas velocidades com o pé no fundo, agora mal superam os carros de...F2.

domingo, 19 de julho de 2026

Colocando ordem no campeonato

 


Observando o rendimento dos pilotos da Mercedes, equipe dominante em 2026, era surpreendente que George Russell estivesse apenas a uma vitória de Andrea Kimi Antonelli. O jovem italiano vinha de três corridas sem vitória e sofrendo alguns azares, ao contrário de Russell, que subiu ao pódio nessas mesmas três provas, com direito a uma vitória na Áustria. No entanto, colocando uma lupa do desempenho dos dois, mesmo Russell tendo recuperado vários pontos no campeonato, Antonelli vinha andando bem mais e em Spa, provavelmente tivemos um quadro mais adequado ao que vem sendo a disputa interna dentro da Mercedes. Russell abandonou logo na primeira volta após um toque com Hamilton na Les Combes, enquanto Antonelli não teve o passeio dominical esperado, mas voltou a vencer e aumentou a sua já confortável liderança no campeonato. Leclerc continuou sua boa fase e deu trabalho à Antonelli, enquanto Verstappen fez uma corrida discreta, mas que lhe rendeu um pódio.

O clima em Spa é dos mais conhecidos por nos trazer surpresas e animar corridas com pancadas de chuva. Havia uma previsão de chuva para sábado e domingo no início da semana, mas em ambos os casos isso não se confirmou. O sábado foi limpo em termos de chuva e se alguns pingos apareceram nas câmeras de TV aqui e ali no começo da corrida, não foi o bastante para fazer equipes e pilotos pensarem em mudar suas estratégias. Com o sol brilhando em alguns momentos, as equipes passaram a observar qual a melhor estratégia para seus pilotos, assim como seria o melhor gerenciamento da bateria, algo essencial para a crítica primeira volta em Spa, onde a longa zona de aceleração entre a Surcis e a Les Combes ocasiona algumas mudanças de posições. A largada ocorreu sem interferências e os vinte e dois pilotos percorreram a primeira curva sem problemas, porém, logo depois Verstappen usou um pouco mais de bateria, ultrapassando Antonelli. Longe de ser um problema para o italiano da Mercedes, pois ao contornar a Eau Rouge e a Radillon, Antonelli teria o vácuo de Verstappen e, mais importante, teria mais bateria disponível na reta Kemmel. E Kimi retomou a liderança com facilidade, sendo seguido por Leclerc, que acabara de ultrapassar Russell, que estava bem lento na reta Kemmel a ponto de ser atacado por Hamilton. Ao chegar na Les Combes, os dois pilotos ingleses se tocaram num claro incidente de corrida, algo que a FIA não concordou, e Russell acabou atolado na brita, enquanto Hamilton carregou um ligeiro dano na asa dianteira até a bandeirada. Com Russell parado na brita, o único Safety Car real do dia apareceu, enquanto Russell amargava um final de semana horroroso em Spa, lugar onde George vencera de forma categórica em 2024, mas acabou desclassificado por um problema técnico em seu carro.

O toque entre Russell e Hamilton fez com que Piastri subisse para quarto, enquanto Norris iniciava sua escalada no pelotão intermediário após sua punição e já ganhava três posições, relargando em décimo. Logo após a relargada Verstappen ultrapassou Leclerc, pulando para segundo, enquanto Piastri começava a atacar o monegasco. O piloto da McLaren tentou um ataque na reta Kemmel e Leclerc claramente imprensava o australiano na grama, numa luta dura e que acabou resultando num ligeiro toque entre eles, onde Piastri teve parte da asa dianteira quebrada. Isso permitiu a Hamilton, já sabendo que teria que cumprir 5s de pênalti pelo toque com Russell na volta um, encostasse em Piastri e efetuasse a ultrapassagem. Enquanto isso, Norris passava por cima dos pilotos de Alpine e Racing Bulls, subindo para sétimo, mas com uma distância maior para Piastri, que resmungava via rádio pelo toque com Leclerc, mas após longa deliberação, a FIA deixou a corrida como estava e ninguém foi punido. Afora Norris, todos os pilotos da ponta largaram com pneus médios e esperavam completar apenas um pit-stop. Ao contrário do esperado, Antonelli não disparou na ponta, seguido relativamente de perto por Verstappen, a dupla da Ferrari e Piastri. Hamilton tentou um ataque em cima de Leclerc e mesmo disputando contra o seu companheiro de equipe, Charles emulou a manobra de Piastri em cima de Lewis, mas sem toques dessa vez. Claramente irritado, Hamilton sugeriu uma troca de posições, em que Leclerc reagiu e passou a perseguir Verstappen mais de perto. A corrida estava estática, sem grandes brigas. Apenas algo excepcional poderia mudar o rumo da corrida. E ela veio quando um SC Virtual apareceu duas vezes consecutivas bem no momento em que as equipes começavam a chamar seus pilotos para trocar pneus.

Quando o primeiro VSC apareceu na volta 18, a Mercedes chamou Antonelli, reagindo a manobra da Red Bull, que chamara Verstappen na volta anterior, além da Mercedes tentar aproveitar o VSC. Contudo, o período de VSC foi tão curto que quando Kimi entrou nos boxes, a bandeira verde já tinha sido mostrada e a dupla da Ferrari e da McLaren permaneceram na pista. Duas voltas depois o VSC retornou e dessa vez permitiu que a Ferrari fizesse as paradas dos seus dois pilotos (com Hamilton atropelando um dos seus mecânicos) e Leclerc fosse capaz de voltar à pista na frente de Antonelli. Lando Norris assumiu a liderança da corrida de forma circunstancial, ao ser o último a fazer seu pit-stop, mas quando Leclerc e Antonelli deixaram o atual campeão mundial para trás, a briga esperada acontecer em Silverstone, mas foi interrompida por um problema mecânico no carro de Antonelli, veio à tona em Spa. Com um melhor ritmo, Kimi fatiou a vantagem de Leclerc e com uma manobra ajudada pelo gerenciamento de bateria, Antonelli reassumiu a liderança quando faltavam dez voltas para o fim. Mesmo com Leclerc se mantendo por perto, não houve ataques e Antonelli controlou a vantagem rumo a sua sexta vitória em 2026 e aumentando sua vantagem no campeonato para o novo vice-líder Lewis Hamilton, que mesmo punido, ainda terminou em quarto lugar.

A vitória de Andrea Kimi Antonelli coloca uma certa verdade no campeonato. O italiano ainda tem muito a evoluir em sua carreira, mas com o carro dominante do ano Antonelli tem em George Russell seu maior rival no campeonato e comparando o desempenho dos dois, a diferença de 25 pontos que os separavam antes da corrida em Spa não mostrava o gap exato entre eles. Mais do que abrir mais 25 pontos frente ao seu companheiro de equipe, Antonelli mostra a Mercedes que ele merece a primazia e atualmente está bem à frente de Russell. O melancólico abandono na primeira volta coroou um final de semana macambuzio do inglês, que reclamou bastante do desempenho do seu carro nas longas retas em Spa, levando Russell a tomar mais de meio segundo de Antonelli em praticamente todas as sessões. Russell agora perdeu a vice-liderança do campeonato e vê um Kimi Antonelli vencer de forma natural, extremamente adaptado ao carro do horroroso novo regulamento. Após tanto elogiar o regulamento atual da F1, Russell vê seu companheiro de equipe 'casar' seu estilo de pilotagem a um carro que vergonhosamente murcha bem antes dos finais de reta por causa das baterias.

Leclerc fez uma ótima corrida, se mostrando um adversário mais duro do que o imaginado a Antonelli, mesmo que a Mercedes claramente tem o melhor ritmo do pelotão atual da F1. O monegasco se posicionou muito bem no começo da prova, não se curvou a Hamilton, mesmo sabendo que ele tomaria 5s de punição, e se aproveitou muito bem da tática de Ferrari, que o chamou aos pits no melhor momento possível, garantindo que Leclerc voltasse à pista na frente de Antonelli. Se Charles teve sorte com o abandono de Kimi em Silverstone, em Spa não foi o caso, mas o que importa foi que Leclerc parece ter deixado sua má fase para trás. Hamilton se envolveu em dois incidentes durante a corrida e isso acabou sendo definitivo para que o veterano inglês não conseguisse um lugar no pódio. Se Max Verstappen manteve um ritmo decente com pneus médios, quando o neerlandês foi 'calçado' com os compostos duros, o grip da Red Bull foi embora e Max fez uma corrida discreta, mas que lhe garantiu mais um pódio no ano, mesmo com a Red Bull nitidamente brigando com a McLaren para ser a terceira força. Após o toque com Leclerc, a corrida de Piastri caiu a ponto de ser alcançado e ultrapassado por Norris, que largara algumas filas depois. O australiano ainda perdeu a quarta posição para Hamilton nas voltas finais, somando mais uma corrida sonolenta para Piastri em 2026. Norris executava uma estratégia diferente, mas tudo foi por água abaixo quando a McLaren errou em sua parada, mais especificamente na roda traseira esquerda presa, fazendo Lando perder mais de 7s na operação, fazendo-o terminar atrás de Hadjar. O francês largou dos boxes, aproveitou o período de SC nas primeiras voltas para cumprir o regulamento e fazer uma boa corrida de recuperação, terminando em sexto. Hadjar não se importa em tomar tempo de Verstappen. Isso já estava no script. Porém, Hadjar vai amealhando bons pontos que fazem toda a diferença no Mundial de Construtores para a Red Bull.

Continuando sua boa fase, Gabriel Bortoleto foi o melhor do resto ao se aproveitar bem do período de VSC e fazer sua única parada na hora certa e assim superar a dupla da Racing Bulls. Gabriel teve a presença incômoda da Lindblad lhe pressionando nas últimas voltas, mas o piloto da Audi segurou a oitava posição e marcou mais pontos, lembrando que Hulkenberg, que largou mais para trás e ficou no meio de uma briga com Alpine e Liam Lawson, ainda não marcou pontos. Na expectativa para a final da Copa do Mundo, Franco Colapinto efetuou uma bela manobra para ultrapassar Lawson e Gasly na reta Kemmel e com isso, se estabelecer em décimo e marcar o último ponto do dia, mesmo pressionado pelos dois até a última volta. Após um começo de campeonato animador, a Haas perdeu rendimento e hoje briga com a Williams, que tem um Carlos Sainz cada vez mais incomodado com a situação atual da Williams e querendo achar um outro cockpit em 2027. Cadillac e Aston Martin perderam um piloto cada na corrida, mas estão cada vez mais longe do pelotão intermediário. Bottas terminou um minuto atrás da Williams, enquanto Alonso terminou um minuto atrás da Cadillac. Uma situação inimaginável quando foi anunciado a chegada de Newey à Aston Martin.

Com o campeonato se aproximando da parada de férias de verão na Europa, Antonelli vai se portando como um campeão digno, mesmo a F1 se autossabotando com seu regulamento horrível, com motores que podem debitar potência menor do que um carro de F3. Antonelli está na equipe dominante e com seu companheiro de equipe fazendo um ano abaixo da crítica, basta ao italiano usar o potencial do carro que tem em mãos para dominar os finais de semana de forma consecutiva. A vitória em Spa só demonstra que Andrea Kimi Antonelli tornou uma vitória num Grande Prêmio de F1 em algo simples e corriqueiro.

sábado, 18 de julho de 2026

Passando por cima

 


Olhando a tabela do campeonato, chega a ser enganoso ver George Russell menos de uma corrida de diferença atrás de Andrea Kimi Antonelli. Spa mais uma vez mostrou que o jovem italiano da Mercedes está dando um verdadeiro vareio em Russell, que se vê um maus lençóis ao perder mais de meio segundo por volta para o seu companheiro de equipe na pista belga. Antonelli dominou os treinos livres e com a tranquilidade dos grandes campeões, ficou com uma pole de forma até mesmo plácida.

Com as grandes retas em Spa, algumas equipes aproveitaram para trocar os motores de seus pilotos e com isso eles seriam punidos com posições no grid. Lando Norris e Isack Hadjar das equipes grandes foram alguns dos escolhidos, enquanto Fernando Alonso permanecerá na última fila com o retumbante fracasso que se tornou a Aston Martin em 2026. As longas áreas de aceleração em Spa também trouxe de volta o famigerado Super Clipping e o vexame da F1 com seu atual regulamento. Basta observar que as câmeras onboard, assim como em Silverstone, foram raras em Spa, para não flagrar os carros literalmente murchando no aproche das freadas. No primeiro treino livre, o motor Honda, o pior da F1 atual, perdia tanto desempenho por falta de bateria que Lance Stroll chegou ao final da reta Kemmel mais lento que um carro... da F3! Um verdadeiro escárnio!

Na pista Andrea Kimi Antonelli mostrava que veio à Spa para acabar com sua má fase, enquanto Russell coçava a cabeça num ritmo muito abaixo de um piloto Mercedes. Ferrari e Red Bull vinham claramente abaixo, enquanto Norris andava muito bem em Spa, ao contrário de Piastri, algo que vai se tornando corriqueiro em 2026. O nível do fracasso da Aston Martin se exemplifica não apenas pelo motor quase impotente ao final das retas, mas com a equipe esmeraldina tomando 2s na classificação da Cadillac, time que estreia nesse ano na F1. Newey e Alonso não mereciam um final de carreira como esse...

No meio do pelotão destaque mais uma vez para Gabriel Bortoleto, que superou com ampla vantagem Nico Hulkenberg e mais uma vez entrou no Q3, superando a Racing Bulls de Liam Lawson. Antonelli fazia uma classificação até mesmo protocolar, sendo sempre mais rápido que os rivais aparentemente sem fazer muita força, ficando com a pole sem maiores sustos. Com Hadjar tendo que largar no final do pelotão, a Red Bull colocou o francês para ajudar Verstappen, lhe dando o vácuo necessário para o neerlandês conseguir um lugar na primeira fila, se colocando entre os dois carros da Mercedes. Russell amargou um terceiro lugar, com Leclerc, que foi atrapalhado por uma bandeira amarela, no complemento da segundo fila. Isso porque Lando Norris, que ficou com o terceiro tempo, largará em 13º por causa da troca de bateria. Até o momento a chuva não apareceu em Spa, não impedindo dela surgir no domingo. 

domingo, 12 de julho de 2026

O Rei da Saxônia

 


Alguns atletas desenvolvem relações com certos palcos que entram para a história. O caso mais famoso do esporte é entre Rafael Nadal e Roland Garros na França, com o espanhol vencendo no saibro francês incríveis quatorze vezes. Um compatriota seu conquistou nesse domingo um recorde parecido, mesmo num palco menos glamoroso. A pequena pista de Sachsenring no leste da Alemanha é conhecida por sua sequência quase infinita de curvas à esquerda e o domínio avassalador de Marc Márquez por lá desde os tempos de 125cc do espanhol de Cervera. Nesse domingo Márquez venceu pela décima vez em Sachsenring na MotoGP, se igualando à Giacomo Agostini em Imatra, porém, se contar todas as categorias, Marc tem treze triunfos na Saxônia.

Para melhorar ainda mais o final de semana de Márquez, a situação do campeonato ficou embolada com mais uma queda grave de Bezzecchi e um final de semana chinfrim do líder do campeonato Jorge Martín. No sábado Bezzecchi caiu mais uma vez em 2026, só que dessa vez lhe rendeu uma clavícula quebrada o fazendo perder a corrida, além de uma cirurgia de emergência. Bezzecchi, que começou o ano tão dominante, vê as chances de título irem embora. No entanto Marco viu seu companheiro de equipe Jorge Martin não performar em nenhum momento. De malas prontas para a Yamaha, Martín não brigou pela vitória em nenhum momento, o que numa pista de Marc Márquez, chega a ser um paradoxo.

Márquez varreu o final de semana, com pole, vitória na Sprint e vitória no domingo. Em ambas as vitórias, Marc liderou 100% das voltas. Se na Sprint ele teve a incômoda presença do seu irmão mais novo, no domingo Alex caiu antes da metade da corrida quando estava na mesma situação do sábado. Terceiro colocado na Sprint e melhor Ducati no campeonato até então, Di Giannantonio caiu no warm-up e com a motor reserva caiu novamente na corrida, perdendo uma chance de ouro para assumir a vice-liderança e ficar bem próximo de Martín, que com as quedas ainda assegurou uma quinta posição. Porém, Martin novamente não foi a melhor Aprilia do domingo, status que ficou com o ótimo Ai Ogura, que após perder a segunda posição para o companheiro de equipe Raul Fernández na primeira volta, seguiu sua filosofia de cuidar do equipamento antes de atacar na metade final, ultrapassando Fernández e entrando de vez na briga pelo título. 

Ogura está apenas um ponto atrás de Marc Márquez, porém, Jorge Martin, a Aprilia e até a brita de Sachsenring sabem que mesmo Ogura em ótima fase, o rival mais perigoso é um Marc Márquez recuperado, em forma e com a confiança em alta, igualando outro recorde histórico da MotoGP, tornando-se de vez o Rei da Saxônia.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Movimento histórico. E duvidoso.


 Depois de quase vinte e cinco anos de Ganassi e prestes a completar 46 anos de idade, poucos poderiam imaginar que Scott Dixon poderia sair da equipe onde conquistou tudo em sua longa e laureada carreira. Contudo, Dixon surpreendeu o mundo ao anunciar não apenas que está de saída da equipe de Chip Ganassi, como está se mudando para a equipe McLaren, se não a maior rival da Ganassi na Indy, mas tem o chefe de equipe (Zak Brown) que Chip Ganassi menos gosta no paddock da Indy. Depois de tanto tempo pela Ganassi, será estranho ver Dixon de laranja papaia. E mais estranho ainda ver a McLaren, capitaneada por Tony Kanaan, investindo num piloto, mesmo um dos gigantes da Indy, já veterano e em decadência. Pensando nas 500 Milhas de Indianápolis, Kanaan também promoveu o retorno de Felix Rosenqvist, dispensado da equipe papaia pouco tempo atrás por falta de desempenho, mas atual vencedor da corrida mais importante dos Estados Unidos. O problema é que para isso, Kanaan dispensou Christian Lundgaard, melhor piloto da McLaren no campeonato e dono de duas vitórias em 2026. A razão seria o desempenho sofrível de Lundgaard em circuitos ovais e com a McLaren focada na Indy 500, isso foi pecado grande o suficiente para dispensar o dinamarquês. Pato O'Ward permanecerá na equipe em sua perseguição à vitória em Indianápolis, enquanto terá Dixon e Rosenqvist como novos companheiros de equipe em 2027. Se será o suficiente para que a McLaren consiga seus objetivos, isso dependerá o emprego de Kanaan.

Figura(ING): Charles Leclerc

 Após um período menos bom, onde Charles Leclerc marcou meros quatro pontos em três corridas, tendo visto Hamilton vencer e começar a tomar as rédeas da Ferrari. Em Silverstone, o monegasco deu uma volta por cima surpreendente. Na classificação, conseguiu superar Hamilton, verdadeiro especialista em Silverstone e favorita da torcida. Ao contrário do que foi visto na Sprint Race, Leclerc imprimiu um ritmo muito forte no domingo, quando rapidamente superou o pole Andrea Kimi Antonelli para assumir a ponta e dominar a corrida por inteiro. O fato de ter sorte pela quebra de Antonelli, que vinha bem mais rápido nas voltas finais, não diminui a ótima exibição de Leclerc.

Figurão(ING): FIA

 Decisão da temporada 2021 da F1, Abu Dhabi. Numa das temporadas mais emocionantes desse século, Nicholas Latifi bate seu Williams no muro, o Safety-Car é mandado à pista e o tira-teima entre Lewis Hamilton e Max Verstappen seria decidido nas voltas finais. Lá na direção de prova, Michael Masi era um homem pressionado e numa decisão polêmica e que para sempre será discutida, o australiano deu ordem para relargar, mesmo com alguns retardatários ainda na pista para retomar uma volta, o que na ocasião era proibido. Voltamos para Silverstone/2026. Nessas coincidências da vida, Max e Lewis são protagonistas, mas em papéis diferentes. Verstappen bateu seu carro no final da corrida, Hamilton foi aos boxes colocar pneus moles para atacar Russell (esse, nada influenciou quatro anos e meio atrás) e, quem sabe, fustigar seu companheiro de equipe. Contudo, mesmo a FIA tendo ajustado as regras para permitir relargadas mesmo com os retardatários ainda para retomar suas respectivas voltas e Masi estar escondido em algum recanto australiano, a direção de prova resolveu aparecer novamente, dessa vez não permitindo a relargada. Foi um anticlímax gigantesco, frustrando a todos que viam a corrida, seja nas arquibancadas lotadas de Silverstone, seja pela TV. As críticas se avolumaram com a FIA estragando um final com potencial bastante emocionante em Silverstone no último domingo. 

domingo, 5 de julho de 2026

Merecido, apesar dos pesares

 


Decisão da temporada 2021 da F1, Abu Dhabi. Numa das temporadas mais emocionantes desse século, Nicholas Latifi bate seu Williams no muro, o Safety-Car é mandado à pista e o tira-teima entre Lewis Hamilton e Max Verstappen seria decidido nas voltas finais. Lá na direção de prova, Michael Masi era um homem pressionado e numa decisão polêmica e que para sempre será discutida, o australiano deu ordem para relargar, mesmo com alguns retardatários ainda na pista para retomar uma volta, o que na ocasião era proibido. Voltamos para Silverstone/2026. Nessas coincidências da vida, Max e Lewis são protagonistas, mas em papéis diferentes. Verstappen bateu seu carro no final da corrida, Hamilton foi aos boxes colocar pneus moles para atacar Russell (esse, nada influenciou quatro anos e meio atrás) e, quem sabe, fustigar seu companheiro de equipe. Contudo, mesmo a FIA tendo ajustado as regras para permitir relargadas mesmo com os retardatários ainda para retomar suas respectivas voltas e Masi estar escondido em algum recanto australiano, a direção de prova resolveu aparecer novamente, dessa vez não permitindo a relargada. Como em Abu Dhabi, Lewis Hamilton foi o prejudicado, os pilotos ficaram sem entender nada, mas pelo menos Charles Leclerc, que liderou praticamente a corrida inteira, mereceu a vitória em Silverstone.


A onda de calor que assola a Europa nesse começo de verão no hemisfério norte fez com que Silverstone, conhecida por suas corridas entremeadas por chuvas e trovoadas tivesse um cenário diferente, com muito sol e calor na velha base aérea inglesa. A Mercedes tinha sérios problemas na largada no começo dessa temporada, mas a equipe foi consertando isso aos poucos, porém, Andrea Kimi Antonelli parece ainda não estar totalmente à vontade com os procedimentos. Mais uma vez o italiano não largou muito bem, parecendo que seu Mercedes não desenvolveu velocidade como deveria, fazendo de Kimi uma presa fácil para a dupla da Ferrari, liderada por Leclerc. Mais atrás Hadjar tentou atacar Russell, mas o inglês manteve a posição, enquanto mais atrás Albon continuava o final de semana tenebroso da Williams ao se envolver num acidente com Bearman, que estragou a corrida de ambos e rendeu uma punição à Albon. Se na corrida Sprint tivemos a volta das ultrapassagens 'ioiô', nesse domingo os pilotos revisaram suas estratégias de gerenciamento de energia e felizmente não tivemos isso na corrida principal, mas a transmissão da Liberty Media voltou a década de 1980, quando praticamente não tivemos câmeras on-board. Afinal, o super clipping seria flagrado e não pegaria muito bem...


Leclerc surpreendia ao imprimir um ritmo muito mais forte do que o visto na Sprint Race, não dando chances à Hamilton, que logo teria que encarar dois incômodos no seu começo de corrida. O primeiro era uma investigação, que logo se tornaria uma punição de 5s por queima de largada. Mesmo que tenha sido muito sutil, foi claro que Lewis deu um ligeiro salto antes do apagar da última luz vermelha. O segundo e mais perigoso era a aproximação de Andrea Kimi Antonelli. Assim como ocorreu no sábado, o italiano tinha um ritmo mais forte do que o heptacampeão e na volta 10, mais ou menos na mesma altura em que Antonelli assumiu a ponta na Sprint, o italiano fez a manobra de ultrapassagem na antiga reta do boxes para ser segundo colocado. Enquanto Antonelli mostrava um ritmo de campeão, Russell mostrava um ritmo de segundo piloto e não acompanhava os três primeiros colocados. Max Verstappen ultrapassou Isack Hadjar na marra ainda no começo da prova e se aproximava de Russell. O piloto da Red Bull usou seu talento para ultrapassar George, mas na logo em seguida foi aos pits. Mesmo fazendo muito sol e calor em East Midlands, a previsão da Pirelli era de apenas uma parada para todos os pilotos, em condições normais. 

Assim que ultrapassou Hamilton, Antonelli tratou de ir para cima de Leclerc, mas o monegasco respondia aos bons tempos de Antonelli, mantendo uma confortável vantagem de 4s. Quando a corrida se aproximava de sua metade, a maioria dos pilotos foram aos pits realizar suas únicas paradas. Antonelli esticou ao máximo sua parada, esperando um SC salvador, mas mesmo um guarda-chuva tendo trazido um rapidíssimo VSC, o italiano entrou nos boxes em bandeira verde quando faltavam dezessete voltas e voltou à pista em segundo, exatos 7s atrás de Leclerc. Com pneus duros novos e poucas voltas pela frente, Antonelli ia destruindo sua desvantagem para Leclerc, fazendo que sua ultrapassagem rumo à vitória fosse questão de tempo. Então, Kimi ficou lento na entrada da reta Hangar. Não era um problema de bateria, que tanto assombrou a Mercedes, mas fez Antonelli ir aos pits duas vezes, destruindo a corrida do italiano, que mal conseguia fazer curvas e tantas saídas de pista o fizeram ser punido em 5s por causa dos limites de pista.


Isso deixava Leclerc com a corrida nas mãos. O monegasco sustentava uma vantagem de 20s sobre Hamilton, que lutava para manter a dobradinha da Ferrari, pois Verstappen havia parado uma segunda vez durante o VSC causado pelo carro quebrado de Hulkenberg e vinha claramente mais rápido do que Lewis, podendo repetir outra luta fratricida com o inglês. Russell fazia uma corrida ordinária e quando brigava com Lewis e Max pela terceira posição, a Mercedes identificou um furo lento em seu carro, fazendo com que George fizesse uma parada não-programada. Mesmo com pneus médios mais novos, ainda assim Russell não se destacava e era um burocrático quarto colocado quando Verstappen perdeu o controle do seu Red Bull no final da reta Hangar. Faltavam quatro voltas para o fim. Pensando na relargada, praticamente todo o pelotão foi aos boxes colocar o pneu macio. A Mercedes foi a única a não trazer seus carros, fazendo com que Russell se tornasse um alvo fácil, mesmo o inglês tendo subido para segundo. No entanto, causando um anticlímax terrível, a direção de prova preferiu não permitir a largada, terminando a corrida do jeito que estavam, para tremendo alívio de George Russell.


Mesmo com a presepada da FIA e seus blue caps, Charles Leclerc mereceu a vitória ao liderar a maior parte da corrida e mesmo com a sorte do problema de Antonelli, o monegasco deu uma volta por cima após uma má fase recente, onde marcou meros quatro pontos em três corridas, tendo visto Hamilton vencer e começar a tomar as rédeas da Ferrari. A diferença entre Leclerc e Hamilton era tamanha que uma ordem de equipe, pensando que Lewis estava reassumindo a vice-liderança do campeonato, não foi cogitada. No entanto, Lewis foi prejudicado com a manobra da FIA e não pôde completar a dobradinha da Ferrari, perdendo uma posição para Russell e assim, não ultrapassou o compatriota no campeonato. Sua cara de poucos amigos no pódio revelava a frustração disso, mesmo que uma vitória seria complicada vide o ótimo desempenho de Leclerc no domingo. A performance da Ferrari em Silverstone mostra que os italianos estão em ascensão, enquanto a Mercedes coça a cabeça atrás de melhorar a confiabilidade dos seus carros. Antonelli estava com a vitória nas mãos quando ele foi traído pelo seu carro mais uma vez. Mesmo Russell tendo diminuído ainda mais sua desvantagem no campeonato, ficou claro mais uma vez que Antonelli está dando um banho em cima de Russell, que subiu ao pódio pela primeira vez em Silverstone, mas contando com uma sorte absurda.


Verstappen estava prestes a conquistar um resultado acima do potencial do seu carro quando perdeu o controle do seu Red Bull de forma estranha, para desgosto do neerlandês, que não economizou nos palavrões no rádio. Após largar na frente de Max, Hadjar não teve o mesmo ritmo de corrida do companheiro de equipe, mas fez o que dele se espera, que é marcar bons pontos para a equipe, terminando em quinto. Num final de semana onde homenageou a pintura em que estreou na F1, a McLaren colocou John Watson para correr com seu carro de 1981 em Silverstone antes da largada e talvez este tenha sido o melhor momento da equipe. Piastri teve um toque na primeira volta e tendo que trocar a asa dianteira, caiu para os confins do pelotão intermediário e só conseguiu uma 11º posição na bandeirada. Lando Norris não fez muito melhor, executando uma corrida discreta e com os problemas alheios, ainda beliscou uma quarta posição.


A Racing Bulls novamente dominou o pelotão intermediário e seus dois pilotos foram os melhores do resto o tempo inteiro. Com os problemas de Verstappen e Antonelli, Lawson foi sexto, seguido de perto por Lindblad. A novidade em Silverstone foi o forte desempenho de Gabriel Bortoleto. Após uma classificação muito boa, Gabriel conseguiu não perder posições na largada, o que é um feito com a Audi, e rapidamente se colocou na zona de pontuação, andando próximo de Lawson e Lindblad. Fazendo o trivial e se aproveitando dos problemas alheios, Bortoleto fez sua melhor corrida do ano e marcou pontos depois de algum tempo. A Alpine fechou a zona de pontos, com Colapinto superando Gasly em ritmo de corrida, com ambos andando sempre próximos. Sainz fez uma ótima largada, mas seu Williams não lhe permite grandes ilusões e o espanhol terminou apenas em 12º. Mesmo rodando na primeira volta, Bearman ainda chegou na frente de Ocon, a Cadillac dessa vez chegou à bandeirada com seus dois carros inteiros e a Aston Martin teve outro final de semana miserável, com Alonso ficando parado na volta de apresentação, mas o espanhol conseguiu reiniciar tudo para terminar em penúltimo.


O público que lotou Silverstone merecia um final melhor para celebrar e torcer para que pelo menos um dos seus pilotos fizessem valer sua torcida. No final de tudo, a Ferrari comemorou sua vitória de número 250 na F1 com a sensação de que os italianos estão em viés de alta e, principalmente, podem capitalizar os vacilos constantes da Mercedes, que vê seu principal piloto perder pontos por culpa dela, enquanto o segundo piloto (e mais experiente) não conseguir andar no mesmo nível de Antonelli. Mesmo com um regulamento ruim, uma FIA sem critério, ainda temos um campeonato em aberto e que pode surpreender muita gente.  

sábado, 4 de julho de 2026

Fora de casa

 


Vinte dias atrás a Inglaterra comemorou um pódio inteiramente inglês em Barcelona, durante o Grande Prêmio da Catalunha, algo que não acontecia desde 1958 e com a F1 chegando à Silverstone, a torcida inglesa lotou a velha base aérea para ver Hamilton, Russell ou Norris se destacando em Silverstone, porém, o que se viu foi um italiano dominando o sábado na Inglaterra. Andrea Kimi Antonelli dominou o dia com vitória na Sprint e pole horas mais tarde, deixando a turma que enverga a Union Jack para trás.

Mesmo após suas recentes reformas, Silverstone se manteve como uma pista de alta velocidade e com curvas rápidas. O que antes era um grande atrativo, com as famigeradas novas regras de motores híbridos 50/50 se tornou uma bela dor de cabeça. Após as mudanças em Miami a F1 viu o super clipping ser amenizado, porém, muitas das pistas a seguir eram caracterizadas por ter muitas freadas fortes, diminuindo o fenômeno. Havia uma expectativa em Barcelona e sua longa reta dos boxes antecedida por curvas rápidas, mas a F1 havia passado no teste. Já em Silverstone a situação mudou de figura. Os pilotos haviam mostrado preocupação quando andaram nos simuladores das equipes e o que vimos na sexta-feira foi uma triste volta das cenas de Suzuka, com carros perdendo bastante velocidade nas retas, principalmente a Hangar. Do nada, as câmeras on-board foram esquecidas pela transmissão e o pouco que aparecia, não mostrava as velocidades dos carros e os momentos de recarga. 

As primeiras voltas da Sprint foi um show de horrores, com os carros ficando sem bateria e sendo ultrapassados quase que sem querer. Isso ajudou Hamilton e Antonelli se destacarem nas duas primeiras posições e os dois duelarem pela ponta. Com nove vitórias em Silverstone e uma sinergia incrível com a pista, Hamilton foi pole na classificação da Sprint e liderou boa parte da minicorrida, mas Antonelli se manteve por perto e nas voltas finais bateu o veterano, para desgosto da torcida, que viu Norris e Russell chegaram atrás de Hamilton.

Na classificação George Russell deu um susto quando saiu sozinho da pista no Q1 e bateu de leve no muro. O inglês da Mercedes ainda teve condições de tirar o carro da brita e continuar sua classificação, o mesmo não acontecendo com Cadillac e Aston Martin, que ficaram no Q1 e a Aston tomando 1,4s da equipe americana. Gabriel Bortoleto teve uma classificação atribulada, com problemas de câmbio no Q1, mas quase foi ao Q3. Mais impressionante foi o brasileiro colocar seis décimos em cima de Hulkenberg, seu veterano companheiro de equipe.

Antonelli manteve-se sempre na luta pelas primeiras posições, junto com a dupla da Ferrari. Russell não mostrava muita coisa, mas cresceu um pouco no Q3 e na primeira tentativa ficou muito perto de Kimi, enquanto uma situação curiosa mostrava Mercedes, Ferrari, Red Bull, McLaren e Racing Bulls, nessa ordem, com seus pilotos muito próximos. Na segunda tentativa houve uma certa mistura e algumas situações interessantes. Na Red Bull Hadjar superou Verstappen, numa cena rara de ser vista numa equipe dominada pelo neerlandês a tantos anos. Após o terceiro lugar na Sprint, Norris sofreu um choque de realidade ao ficar sete décimos atrás da pole, mas ao menos superou a dupla da Red Bull, com Piastri fazendo outro final de semana burocrático. Na Ferrari, Leclerc mostrou força em sua maior característica, derrotando Hamilton na tentativa final na classificação, mas não à Antonelli.

Mesmo reclamando por ter sido o primeiro a fazer sua segunda volta no Q3, Antonelli baixou muito o próprio tempo e garantiu mais uma pole. Russell decepcionava e além de não melhorar seu tempo, se viu ultrapassado pela dupla da Ferrari, dificultando sua vida no domingo com o P4 no grid, enquanto Antonelli fica cada vez mais forte com essa vitória fora de casa.