sábado, 4 de julho de 2026

Fora de casa

 


Vinte dias atrás a Inglaterra comemorou um pódio inteiramente inglês em Barcelona, durante o Grande Prêmio da Catalunha, algo que não acontecia desde 1958 e com a F1 chegando à Silverstone, a torcida inglesa lotou a velha base aérea para ver Hamilton, Russell ou Norris se destacando em Silverstone, porém, o que se viu foi um italiano dominando o sábado na Inglaterra. Andrea Kimi Antonelli dominou o dia com vitória na Sprint e pole horas mais tarde, deixando a turma que enverga a Union Jack para trás.

Mesmo após suas recentes reformas, Silverstone se manteve como uma pista de alta velocidade e com curvas rápidas. O que antes era um grande atrativo, com as famigeradas novas regras de motores híbridos 50/50 se tornou uma bela dor de cabeça. Após as mudanças em Miami a F1 viu o super clipping ser amenizado, porém, muitas das pistas a seguir eram caracterizadas por ter muitas freadas fortes, diminuindo o fenômeno. Havia uma expectativa em Barcelona e sua longa reta dos boxes antecedida por curvas rápidas, mas a F1 havia passado no teste. Já em Silverstone a situação mudou de figura. Os pilotos haviam mostrado preocupação quando andaram nos simuladores das equipes e o que vimos na sexta-feira foi uma triste volta das cenas de Suzuka, com carros perdendo bastante velocidade nas retas, principalmente a Hangar. Do nada, as câmeras on-board foram esquecidas pela transmissão e o pouco que aparecia, não mostrava as velocidades dos carros e os momentos de recarga. 

As primeiras voltas da Sprint foi um show de horrores, com os carros ficando sem bateria e sendo ultrapassados quase que sem querer. Isso ajudou Hamilton e Antonelli se destacarem nas duas primeiras posições e os dois duelarem pela ponta. Com nove vitórias em Silverstone e uma sinergia incrível com a pista, Hamilton foi pole na classificação da Sprint e liderou boa parte da minicorrida, mas Antonelli se manteve por perto e nas voltas finais bateu o veterano, para desgosto da torcida, que viu Norris e Russell chegaram atrás de Hamilton.

Na classificação George Russell deu um susto quando saiu sozinho da pista no Q1 e bateu de leve no muro. O inglês da Mercedes ainda teve condições de tirar o carro da brita e continuar sua classificação, o mesmo não acontecendo com Cadillac e Aston Martin, que ficaram no Q1 e a Aston tomando 1,4s da equipe americana. Gabriel Bortoleto teve uma classificação atribulada, com problemas de câmbio no Q1, mas quase foi ao Q3. Mais impressionante foi o brasileiro colocar seis décimos em cima de Hulkenberg, seu veterano companheiro de equipe.

Antonelli manteve-se sempre na luta pelas primeiras posições, junto com a dupla da Ferrari. Russell não mostrava muita coisa, mas cresceu um pouco no Q3 e na primeira tentativa ficou muito perto de Kimi, enquanto uma situação curiosa mostrava Mercedes, Ferrari, Red Bull, McLaren e Racing Bulls, nessa ordem, com seus pilotos muito próximos. Na segunda tentativa houve uma certa mistura e algumas situações interessantes. Na Red Bull Hadjar superou Verstappen, numa cena rara de ser vista numa equipe dominada pelo neerlandês a tantos anos. Após o terceiro lugar na Sprint, Norris sofreu um choque de realidade ao ficar sete décimos atrás da pole, mas ao menos superou a dupla da Red Bull, com Piastri fazendo outro final de semana burocrático. Na Ferrari, Leclerc mostrou força em sua maior característica, derrotando Hamilton na tentativa final na classificação, mas não à Antonelli.

Mesmo reclamando por ter sido o primeiro a fazer sua segunda volta no Q3, Antonelli baixou muito o próprio tempo e garantiu mais uma pole. Russell decepcionava e além de não melhorar seu tempo, se viu ultrapassado pela dupla da Ferrari, dificultando sua vida no domingo com o P4 no grid, enquanto Antonelli fica cada vez mais forte com essa vitória fora de casa. 

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