quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Câmara em ação

 


As expectativas estavam criadas já faz algum tempo e a Haas ainda mexeu com todos com um anúncio a ser feito nessa quinta-feira, com direito a um telefone vermelho pendurado. Seria um telefonema de Recife? A resposta é sim. Rafael Câmara, cria da Ferrari e com ótima carreira nas categorias de base, estreará na F1 em 2027 pela equipe Haas, substituindo à Esteban Ocon. Nascido no Recife, Rafa será o segundo piloto da cidade pernambucana a estar na F1, mas Câmara será o primeiro a participar de toda a temporada representando o Nordeste brasileiro. Atual campeão da F3 e líder da F2, Câmara fez a diferença num teste com carros antigos da Haas, derrotando na ocasião o campeão da F2 em 2025 Leonardo Fornaroli e o japonês e cria da Toyota, Ryo Hirakawa. A Haas terá uma dupla de jovens pilotos da Ferrari e será interessante ver como Bearman se comportará contra um piloto mais jovem, no que pode ser um tira-teima para conseguir o passaporte para a Ferrari em algum momento no futuro. Lembrando que Bearman terá seu contrato com a Ferrari expirando em breve, enquanto Rafael assinou um contrato de múltiplos anos. Mais importante será ver dois pilotos brasileiros jovens e com situações potencialmente boas para que Bortoleto e Câmara se consolidem na F1 por muitos anos.  

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Figura(SIN): Max Verstappen

 Após tantos anos na F1, restavam poucos circuitos onde Max Verstappen ainda não venceu. Marina Bay era um deles e Max fez muita questão de vencer em Singapura nesse ano. Lembrando seus tempos de Red Bull dominante entre 2022 e 2023, Verstappen conquistou a pole da Sprint Race e se aproveitando de mais um vacilo de Russell, controlou a mini corrida para vencer. Perguntado se estava satisfeito por vencer ali, Max não titubeou em minimizar a Sprint e pensar em vencer no domingo. E Verstappen conquistou a pole para a prova horas depois, se colocando como claro favorito. Assim como na Sprint, Verstappen não largou bem no domingo, mas mostrando a sua vontade de vencer ali, Max foi extremamente agressivo, espremendo Leclerc até o limite e com o ferrarista tendo pouco espaço e no lado sujo, Verstappen conseguiu manter a ponta da corrida por muito pouco. Depois dali Max Verstappen seguiu o script que tanto fez nos seus anos dominantes: despachou o segundo colocado e administrou o resto da corrida. Sem perder a ponta em nenhuma volta e só perdendo o Grand Chelem por Leclerc ter marcado a volta mais rápida da corrida, Max Verstappen venceu em Singapura pela primeira vez de forma dominante. Sem chances de título, Max vai estabelecendo que mesmo não sendo campeão pelo segundo consecutivo, ainda é o melhor piloto do grid atual e dá um recado aos rivais: se a reação da Red Bull viesse antes, Max tentaria repetir 2025, quando por muito pouco não tirou o título de Lando Norris. 

Figurão(SIN): George Russell

 George Russell iniciou o final de semana singapuriano sabendo que largaria na última fila por causa de uma punição por troca de peças de sua unidade de potência. Perdido por um, perdido por dez, George pediu à Mercedes para utilizar a antiga especificação do carro, enquanto Antonelli ficaria com as atualizações que chegaram em Sepang. Após a classificação da Sprint, a escolha de George se mostrou acertada, com o inglês largando em segundo (a punição só se deu no grid da corrida principal) e Antonelli apenas em sétimo. Era mais uma chance de George Russell descontar alguns pontinhos de Antonelli no campeonato, correto? Nem tanto. Russell largou melhor do que o pole Verstappen e liderava a Sprint no final da primeira volta quando chegou na parte mais molhada da pista e escorregou na entrada da reta dos boxes, batendo seu Mercedes. Para piorar, Antonelli aproveitou o abandono de Russell e do enrosco da dupla da McLaren para conquistar mais alguns pontos, quando levava a crer que seria o contrário. No domingo, George fez uma corrida discreta e azarada, pois quando estava entrando no pit-lane durante o período de Virtual Safety Car, a bandeira verde foi mostrada, fazendo Russell perder um tempo precioso. Russell correu contra o tempo, ainda ultrapassou Gasly, mas não teve como ultrapassar Hulkenberg, se conformando apenas com a nona posição. Em 62 pontos possíveis nas duas últimas semanas, George só conquistou dois e até mesmo o vice-campeonato ficou em risco, o que seria uma derrota ainda maior para o inglês, que começou a temporada como o maior favorito ao título de pilotos. 

domingo, 11 de outubro de 2026

A primeira de Max

 


No extenso calendário da F1, Max Verstappen venceu em praticamente todas as pistas. Madring estreou em 2026 e não conta muito, mas Singapura está na F1 desde 2008 e mesmo Verstappen tendo mais dez anos na categoria e tendo períodos dominantes na F1 com a Red Bull, ainda não tinha triunfado na pista de rua singapuriana. A fome de vencer na cidade-estado asiático estava clara quando Verstappen fez pouco da vitória na Sprint. 'Isso aqui não conta, quero vencer no domingo'. E Max não perdeu a oportunidade. Com um carro da Red Bull revivido devido às atualizações, Verstappen voltou a de 2023 e dominou a prova em Singapura, neutralizando até mesmo a tática diferente da Ferrari, enquanto Andrea Kimi Antonelli vê seu primeiro título cada vez mais próximo com mais um pódio.


O fato de Singapura ter sediado mais um final de semana de Sprint fez com que as equipes não tivessem muitas referências quanto a durabilidade dos pneus, até mesmo porque o treino livre de luxo, que foi que se transformou as corridas Sprint, se deu com os pilotos utilizando os pneus intermediários. Provavelmente por isso não houve unanimidade das equipes com relação ao composto a usar, com metade do grid largando com pneus macios e a outra indo com os médios. Os protagonistas da primeira fila estavam com os pneus de banda vermelha, com Max e Charles querendo posicionamento nas primeiras voltas. No apagar das luzes vermelhas, Leclerc claramente largou melhor, mesmo saindo do lado sujo da pista. Se não repetiu a largada horrorosa da Sprint, Verstappen estava em desvantagem no aproche da primeira curva e foi extremamente agressivo. Espremeu Leclerc até o limite e com o ferrarista tendo pouco espaço e no lado sujo, Verstappen conseguiu manter a ponta da corrida por muito pouco. Mais um exemplo de como Max Verstappen queria muito vencer em Singapura.

No resto do pelotão as posições pouco se modificaram, com Gasly perdendo duas posições e Nico Hulkenberg ganhando duas, enterrando a tese de que a Audi sempre larga mal, algo que Gabriel Bortoleto parece não ter aprendido ainda, pois o brasileiro perdeu três posições na primeira volta. Nos primeiros giros Leclerc pôs bastante pressão em Max Verstappen, mesmo que em nenhum momento tenha realmente tentado uma ultrapassagem, enquanto Lewis Hamilton, que preferiu largar com os pneus médios, claramente segurava Antonelli e a dupla da McLaren. Russell fizera uma largada cautelosa, lembrando a tática de Antonelli em Baku quando o italiano teve problemas na classificação no Azerbaijão. Largando do pit-lane, Hadjar também partia para cima dos carros mais lentos do pelotão intermediário, incluindo Bortoleto, que vinha tendo um final de semana bastante ruim e que foi coroado com uma quebra de câmbio na oitava volta, fazendo o brasileiro estacionar seu Audi na saída dos boxes e trazendo o primeiro Safety Car Virtual do dia. No entanto, as equipes se mantiveram impávidas dentro dos pits, não trazendo nenhum piloto para antecipar as paradas.


O motivo era muito simples. Mesmo com vários pilotos largando com pneus macios, o desgaste de pneus estava muito baixo e as equipes poderiam postergar ao máximo suas, prováveis, únicas paradas dos seus pilotos. Com a corrida transcorrendo sem maiores problemas ou emoções, ficava nítido que Singapura seria mais uma corrida com apenas uma parada e por isso a surpresa em ver Lewis Hamilton indo aos pits ainda na volta 18 de 62 colocar pneus macios. Os compostos médios não estavam tão bons quanto os macios, algo já visto em Sepang, mas a parada de Hamilton parecia cedo demais a ponto dos demais pilotos não responderem de imediato a manobra de Lewis. Mais interessante foi ver Leclerc fazer sua parada na volta 25 e retornar à pista imediatamente à frente de Hamilton, iniciando mais um drama via rádio, com Lewis pedindo passagem e como resposta, Leclerc fez a volta mais rápida da corrida com os pneus médios, abrindo 2s para o companheiro de equipe. Piastri foi o último dos pilotos de ponta a fazer sua parada nesse momento, com metade da corrida já tendo sido percorrida e as posições eram exatamente as mesmas, sendo que Max Verstappen sequer perdeu a ponta quando fez sua parada. A corrida tinha tudo para ir até a bandeirada num marasmo que lembrou a esquecível prova em Madri quando Stroll, sempre ele, teve problemas em seu Aston Martin e encostou ao lado de uma agulha, mas o suficiente para trazer o VSC de volta à corrida. E animar um pouco as coisas.


Isso porque a Ferrari, vendo que não poderia fazer muita coisa para alcançar Verstappen, pensou diferente e chamou seus dois pilotos para os pits colocar pneus macios. Leclerc foi ao pit-lane sem titubear, mas Hamilton depois da corrida assumiu a posição de ficar na pista, mesmo com pneus macios bem desgastados. Sendo que Fred Vasseur falou que na verdade Hamilton errou a entrada dos pits e ficou na pista, não tendo mais chance de fazer a segunda parada. O que quer tenha acontecido no reino de Maranello, a corrida foi reiniciada com 22 voltas para o fim com Hamilton dessa vez à frente de Leclerc, mas com pneus bem piores. Dessa vez Leclerc nem resmungou muito via rádio, pois seu ritmo 2s superior falou por si e sete voltas depois da relargada, o monegasco reassumiu a segunda posição. Outro que escolheu fazer uma segunda parada foi Antonelli, enquanto Piastri teve que retornar aos pits por causa de um furo lento. 

Inicialmente Leclerc passou a virar bem mais rápido do que Verstappen, mas quando a diferença baixou dos 9s, o neerlandês passou a controlar a vantagem sobre Leclerc. Mesmo não estando tão confortável com os pneus médios no segundo stint, Max Verstappen venceu pela primeira vez em Singapura com um script muitas vezes visto nos últimos anos na F1: se manteve na ponta, conseguiu o melhor posicionamento nas primeiras voltas, despachou o segundo colocado e administrou até o fim. A segunda vitória seguida de Max Verstappen dá o tom do que pode vir em 2027, com a Red Bull crescendo bastante nas últimas provas a ponto do neerlandês assumir a quarta colocação no campeonato e ver o vice como algo bastante plausível. Isack Hadjar se revoltou com seu sábado bastante problemático, mas fez uma boa corrida de recuperação saindo do pit-lane para o décimo lugar, marcando mais um pontinho no campeonato.


Leclerc chegou na mesma posição que largou, mas não se pode acusar a Ferrari de ter tentado algo para dirimir a vantagem da Red Bull em Singapura. O segundo lugar era o máximo que Leclerc pôde fazer nesse domingo e aos poucos Charles entra na luta pelo vice campeonato, mesmo que a fase atual de Verstappen o coloque como grande favorito a conseguir o feito. Hamilton falhou em ficar na pista e se tornou presa fácil para os carros atrás dele. Com pneus médios menos desgastados, Norris encostava no seu compatriota, mas a maior ameaça vinha de Antonelli, que mesmo reclamando de pequenos problemas no carro, era mais rápido que os dois. Lando tentou atacar Lewis em vários lugares, mas é notório que o 'dog fight' de Norris é medíocre a ponto de forçar os dois pilotos ingleses saírem da pista na curva um e Antonelli ultrapassar Lando na curva seguinte e Hamilton metros mais tarde. Mesmo não estando confortável em todo o final de semana e a Mercedes ter desempenhos abaixo em Singapura mesmo nos anos áureos, Andrea Kimi Antonelli ainda tirou um pódio da cartola e abriu mais de cem pontos para o seu companheiro de equipe. Extremamente suado depois da corrida, Antonelli recebeu do entrevistador Jenson Button a possibilidade de se tornar campeão já na próxima etapa, em Austin. Algo que mesmo Kimi dizendo não ligar, o primeiro título do italiano está mais próximo do que nunca!

Norris depois ultrapassou Hamilton, que nas voltas finais caiu para sexto ao ser alcançado por Piastri. O clima na McLaren depois da presepada na Sprint ficava claro com Norris insistindo em ajudar Piastri, quanto era nítido que não tinha nada a fazer. Após um período em que a McLaren deu pinta que poderia bater de frente com a Mercedes, tudo não passou de fogo de palha para o time papaia. Tendo assumido a culpa pela estratégia errada depois da corrida, Hamilton ainda passou mal após a corrida e teve que ser assistido no ambulatório. George Russell avançou bem até o sétimo lugar, mas teve azar quando foi fazer sua parada durante o segundo período de VSC e quando estava entrando nos pits, a bandeira verde foi dada, custando precioso tempo à George. Perdendo terreno, Russell correu contra o tempo, ainda ultrapassou Gasly, mas não teve como ultrapassar Hulkenberg, se conformando apenas com a nona posição. Em 62 pontos possíveis nas duas últimas semanas, George só conquistou dois e até mesmo o vice-campeonato ficou em risco, o que seria uma derrota ainda maior para o inglês, que começou a temporada como o maior favorito ao título de pilotos. 


O tempo que passou na Red Bull pareceu ter feito muito bem à Liam Lawson, o principal piloto do pelotão intermediário mais uma vez, conquistando um sólido sétimo lugar e marcando bons pontos que deixa a Red Bull numa situação complicada para 2027. A fase de Lawson não permite uma demissão, enquanto Nikola Tsolov, que briga com Rafael Câmara pelo título da F2, já bate na porta da F1. Arvid Lindblad faz uma temporada de estreia decente, além de ser jovem e inglês. A Racing Bulls tem três pilotos para duas vagas, mas no momento Lawson parece sair na frente. Nico Hulkenberg conseguiu segurar George Russell nas últimas voltas para voltar a marcar pontos e ultrapassar Bortoleto na tabela de classificação. O alemão cresceu bastante nas últimas corridas, mesmo a Audi sofrendo com alguns problemas de confiabilidade. Gasly andou boa parte da corrida nas zona de pontuação, mas ultrapassado por Russell e Hadjar nas voltas finais, o francês ficou zerado e novamente lembramos da pisada de tomate de Colapinto, que hoje abandonou, em Baku. 


No pit-wall da Haas, Ayao Komatsu deve ter ficado com as mãos na cabeça com a luta bastante próxima entre seus dois pilotos no início da corrida, lembrando o histórico nada abonador de Ocon em disputas com companheiros de equipe. Entre mortos e feridos, a contendo foi vencida por Bearman, mas isso não gerou pontos. Sainz chegou a correr em décimo, mas depois o espanhol perdeu rendimento e saiu da zona de pontos, enquanto Albon mal apareceu. Após sua ótima corrida em Sepang, Alonso voltou à mediocridade proporcionada pela Aston Martin, com um rádio do espanhol vazando criticando novamente o motor Honda, mais de dez anos depois. Por fim, Valtteri Bottas resolveu percorrer os pouco mais de 300 km entre a Malásia e Singapura de bicicleta e talvez isso explique o finlandês ter tomado mais de um minuto (!) para Sergio Pérez. A Cadillac não pode normalizar uma diferença abissal entre seus pilotos, mesmo Marcin Budkowski olhando para o lado e ver Colton Herta passando vergonha na F2.


Com a indefinição sobre as corridas no Oriente Médio, o título de Andrea Kimi Antonelli pode acontecer em algum momento na segunda passagem da F1 pelas Américas, porém, Max Verstappen deu mais mostras que ainda é o melhor piloto do grid atual da F1. Quando teve equipamento para vencer, Max não perde as oportunidades que surgem, enquanto Kimi já corre com o regulamento debaixo do braço. Tomara que possamos ver em breve uma luta mais direta entre Max e Kimi em condições parecidas num campeonato, fazendo provar de verdade um Antonelli motivado frente ao gigante Max Verstappen. Pois Russell é que não consegue (ou tem condições) de fazer frente à Kimi. Com apenas 37 pontos separando o segundo (Russell) e o sexto (Norris) colocados, a briga pelo vice campeonato será um dos destaques desse final de temporada, mas precisa dizer quem é o favorito?

sábado, 10 de outubro de 2026

No embalo

 


Uma semana depois da vitória na Malásia, Max Verstappen demonstrou que a Red Bull conseguiu um bom caminho com as atualizações colocadas no carro e o neerlandês vai embalando, conquistando mais uma pole após vencer a Sprint Race.

E mais uma vez a F1 passa um vexame por motivos tecnológicos. Durante a classificação da Sprint Race na sexta-feira, além do cronômetro travar acabando por atrapalhar os pilotos durante o SQ2, a FIA anunciou que o modo ultrapassagem ficou inativo por algum tempo por um erro humano, mas que atrapalhou ainda mais alguns pilotos, que não tiveram à sua disposição o aparato. Realmente a FIA e a F1 precisam rever as pessoas de TI...

Já no sábado foi a vez da Pirelli mostrar mais uma vez que seu pneu de chuva extrema não tem serventia alguma. Uma tempestade caiu sobre Singapura minutos antes da largada da Sprint, acabando por adiar a largada por alguns minutos. Parte da pista estava nitidamente alagada, mas em outras estava seco, contudo, o receio de usar os pneus de banda azul fez com que a F1 chegasse a situação em que os pneus intermediários era a escolha unânime de todos. Após seu abandono no final da corrida em Sepang, Russell ainda amargou uma troca na sua unidade de potência que o fez ser punido para a corrida seguinte, nas ruas de Singapura. Para piorar, ele já sabe que terá que trocar novamente a sua unidade antes do final da temporada. E ser punido de novo. Perdido por um, perdido por dez, George pediu à Mercedes para utilizar a antiga especificação do carro, enquanto Antonelli ficaria com as atualizações que chegaram em Sepang. Após a classificação da Sprint, a escolha de George se mostrou acertada, com o inglês largando em segundo (a punição só se deu no grid da corrida principal) e Antonelli apenas em sétimo, meio segundo de diferença na cabeça.

Era mais uma chance de George Russell descontar alguns pontinhos de Antonelli no campeonato, correto? Nem tanto. Russell largou melhor do que Verstappen e liderava a Sprint no final da primeira volta quando chegou na parte mais molhada da pista e escorregou na entrada da reta dos boxes, batendo seu Mercedes. Com a pista cada vez mais seca, Verstappen controlou bem a Sprint, seguido de perto por Hamilton, que efetuou uma ótima largada. Leclerc sofreu com o superaquecimento dos seus pneus intermediários e viu a dupla da McLaren encostar nele nas voltas finais, trazendo Antonelli à reboque. Era nítido que a Ferrari segurava todo o pelotão, mas na última volta Norris resolveu que podia fazer melhor que o companheiro de equipe e colocou por dentro em cima de Piastri, que lhe deu um espaço mínimo. Foi então que ocorreu o pesadelo de todo chefe de equipe: Norris e Piastri bateram, rodando de forma tão sincronizada que pareciam num balé. Zak Brown se desesperava no pit-wall, enquanto Antonelli levou seu Mercedes na maciota, sem ultrapassar ninguém, ganhando três posições por erros de pilotos à sua frente e ainda aumentou sua vantagem no campeonato.

Quando a classificação começou, a pista estava seca, mas sem a borracha acumulada dos últimos dias. O único incidente aconteceu com Isack Hadjar, que havia abandonado a Sprint com problemas no motor do seu carro, agradeceu à equipe pelo trabalho via rádio assim que deixou o pit-lane para alguns metros mais tarde parar com problemas no motor novamente. Lewis Hamilton parecia o grande favorito à pole, marcando os melhores tempos nos Q1 e no Q2 com certa folga, enquanto Max Verstappen fazia um papel mais discreto, mas evoluindo sem maiores problemas numa classificação sem grandes surpresas.

Porém, no Q3, o maior poleman da história da F1 não confirmou o favoritismo. Pequenos erros em suas duas voltas fez com que Hamilton fosse superado por Verstappen e por Leclerc. Max apareceu quando era preciso, marcando sua segunda pole consecutiva para tentar sua primeira vitória em Singapura. A dupla da Ferrari veio logo atrás, com Antonelli em quarto, mais uma vez superando com folga Russell, mesmo o inglês usando a versão anterior da Mercedes, mais estável que a atual. Com a punição de Russell, a dupla da McLaren vem logo a seguir, com ambos com as orelhas quentes pelo carão recebido nos boxes.

domingo, 4 de outubro de 2026

Figura(BAH): Max Verstappen

 Na primeira vez em que teve um conjunto forte o suficiente para vencer, Max Verstappen não perdeu a oportunidade! Piloto mais rápido desde os treinos livres em Sepang, Max dominou a classificação e conseguiu sua primeira pole em 2026 de forma quase protocolar. Porém, o domingo em Sepang veio com uma chuva forte antes da largada, embaralhando um pouco a situação e Verstappen não largou bem, tendo que superar a dupla da Mercedes para vencer pela primeira vez no ano, dando a primeira vitória a um motor construído na sede da Red Bull, além de fazer a Ford vencer na F1 após 23 anos. Uma vitória dominante e que pode indicar um caminho para a equipe e para Max, que mais uma vez mostrou o que pode fazer com um bom carro.

Figurão(BAH): FIA

 Não bastasse o criticado regulamento técnico da F1 ser um fracasso retumbante, a ponto da própria FIA querer um novo motor o mais breve possível, nesse domingo em Sepang a entidade cometeu um erro inacreditável justamente por causa do regulamento. Com metade da potência vindo do motor elétrico, temia-se que picos de energia com pista molhada pudesse fazer com que os pilotos perdessem o controle dos seus carros e para evitar isso, a FIA fez as equipes instalarem um novo software que evitasse essas entregas repentinas. Tudo muito interessante na teoria, mas na prática... Pela primeira vez a FIA encararia um asfalto escorregadio em Sepang e o utilizando um software que não fora testado o suficiente, vimos carros parando por falta de potência durante a volta de apresentação, numa cena inacreditável para uma categoria dita como o pináculo do automobilismo. A bandeira vermelha foi mostrada e a FIA pediu para as equipes 'desinstalarem' o tal software para que a corrida ocorresse normalmente, mas novamente a F1 passou vergonha devido ao novo regulamento com motores cheio de sensores, softwares e superclipping que deveriam fazer os melhores pilotos do mundo acelerar ao máximo, mas que param os carros mesmo com o acelerador ao máximo.

Dia de Max

 


O ensaio havia sido em Baku. As atualizações da Red Bull colocaram Max Verstappen mais próximo das Mercedes e mesmo George Russell tendo vencido no Azerbaijão, Max cruzou a linha de chegada menos de dois décimos atrás do inglês. Uma semana depois e mesmo sendo a vez da Mercedes trazer atualizações para seus carros, Max Verstappen executou um final de semana como nos melhores tempos da Red Bull, onde foi impecável em todos os dias do final de semana do Grande Prêmio do Bahrein... em Sepang na Malásia. Quem não esteve impecável nesse domingo foi a FIA, protagonizando outra presepada daquelas por causa do famigerado regulamento técnico da F1 de 2026. Que a própria FIA quer se livrar o mais rápido possível!


Correr na Malásia é esperar muito calor e uma pancada de chuva a qualquer momento. Sexta e sábado foi livre de tormentas, mas quarenta minutos antes da largada a chuva veio com força em Kuala Lumpur, exatos 6.000 quilômetros do Reino do Bahrein, que promovia a corrida. E por sinal, o clima estava ameno e seco em Manama na hora da largada para a corrida bareinita. Era a primeira vez em 2026 que uma corrida aconteceria com pista molhada e os próprios pilotos não tinham experimentado o circuito de Sepang com o asfalto molhado. No entanto, como normalmente acontece nas precipitações no fim da tarde ao redor da Linha do Equador, a chuva veio muito forte e o atraso da largada foi inevitável. Apenas quarenta minutos depois foi que a largada foi dada, com os pilotos alinhando com os pneus intermediários. Foi então que começou a vergonha da FIA.

Com receio de picos de energia do motor elétrico pudesse ocasionar problemas aos pilotos com asfalto molhado, a FIA fez com que todas as equipes baixassem um software para que isso não ocorresse. Como mencionado anteriormente, a F1 ainda não havia corrido com piso molhado e a combinação de carros muito lentos com um software ainda não devidamente testado fez com que alguns carros ficassem totalmente sem potência durante a volta de apresentação, com destaque para Lewis Hamilton. A confusão reinante fez com que a FIA colocasse uma bandeira vermelha para que as equipes voltassem ao software anterior. Um escárnio! O tempo parado fez com que a pista secasse e alguns pilotos foram para a largada com pneus slicks, com destaque para a dupla da Ferrari e da McLaren. Ainda na volta de apresentação era claro que a pista ainda estava molhada demais para slicks, fazendo com que Piastri fosse aos pits bem no momento em que os carros alinharam para a largada. Mais de uma hora e meia depois do programado originalmente, a largada foi dada com Max Verstappen, que optara pelos intermediários, mais parecendo ter saído com slicks, seando completamente batido por Antonelli ainda antes da primeira curva. Melhor fez Russell, que saiu da quarta fila para ser segundo, desviando rapidamente de Norris, que saíra de slicks. Lawson tentou um ataque em cima de Verstappen na primeira volta, mas rapidamente o neerlandês neutralizou o neozelandês e passou a se concentrar na dupla da Mercedes, que fazia dobradinha em Sepang nos primeiros giros.


Quem escolhera largar com pneus intermediários conseguiu uma vantagem enorme nas primeiras voltas, fazendo que algumas surpresas acontecessem. Punido por trocar componentes de sua unidade de potência, Lindblad saíra da última posição para nono, enquanto a dupla da Williams e Ocon estavam na zona de pontuação, posições não muito usuais dessa turma. Mais atrás Leclerc, com pneus slicks, batia em Hulkenberg e precisando trocar a asa dianteira, caía para último, enquanto Hamilton era ultrapassado até mesmo pela Aston Martin de Alonso, que também estava com pneus slicks. Lá na frente, Verstappen ia para cima da dupla da Mercedes e na volta cinco ultrapassou sem maiores problemas Russell e já atacava Antonelli pela primeira posição. Nesse momento, os pilotos que tinham largado com pneus slicks começaram a marcar os mesmos tempos da turma que estava com os intermediários, fazendo alguns pilotos irem aos pits trocar os intermediários pelos slicks. Uma desses pilotos era Bottas, que logo em sua volta de saída rodou e ficou atolado com seu Cadillac na caixa de brita. O Safety Car não tardou a aparecer e para sorte dos pilotos da frente, eles estavam na reta oposta quando foi dado o aviso da bandeira amarela em todo circuito. Kimi, Max e George rapidamente foram aos pits colocar slicks, com Verstappen escolhendo os macios e a dupla da Mercedes preferindo os médios. Isso ajudou a turma que vinha mais atrás e Hamilton manteve-se com os pneus macios que largara, pulando para 12º.

Com o sangue na água, Max Verstappen farejou que era hora do ataque e na relargada na volta 13, rapidamente deixou Antonelli para trás. Pensando no campeonato, Antonelli foi cauteloso na manobra e Russell foi no embalo de Max e assumiu a segunda posição, enquanto Hadjar dava o bote em Lawson e subiu para quarto. Durante os treinos livres poucos poderiam imaginar que os pneus macios pudessem durar tanto, mas com a pista muito mais fria do que foi visto durante os ensaios, os pneus com banda vermelha não apenas duravam muito, como ainda se mantinham rápidos. Verstappen simplesmente não deu chances à dupla da Mercedes, com Antonelli esperando a vigésima volta para ultrapassar Russell e ficar em segundo. Mais atrás, com os mesmos pneus da largada, Hamilton efetuava uma bela corrida de recuperação com praticamente metade da prova, andando no mesmo ritmo dos líderes e quando se aproximava do quarto colocado Hadjar, os pilotos foram para os pits fazer suas paradas finais. Lewis ainda voltou atrás de Hadjar, mas com pneus médios ele não estava tão à vontade, mas pressionava o francês quando o Safety Car virtual deu as caras quando Alexander Albon ficou parado com seu Williams na saída da curva 2. 


Max Verstappen aproveitou para fazer uma segunda parada para se manter forte nas voltas finais. A Mercedes esboçou ficar na pista com seus dois pilotos, mas na volta seguinte trouxeram-nos aos pits para fazerem as voltas finais com pneus macios, mas George Russell fez ainda menos volta. Com a dificuldade de retirar o carro de Albon o Safety-Car real foi à pista e nesse momento a unidade de potência de Russell parou de funcionar quando faltavam menos de seis voltas para o fim. Os pilotos tiraram tanto o pé que surpreenderam Lando Norris, que para não encher a traseira do seu companheiro de equipe, foi para a brita, caindo de oitavo para décimo primeiro. A relargada quando faltavam quatro voltas viu Hadjar sendo ultrapassado pela dupla da Ferrari, fazendo com que Hamilton subisse ao pódio após chegar a andar em 18º. Max Verstappen não teve trabalho com Kimi, que já começa a fazer a contas do campeonato.


Finalmente a primeira vitória do ano veio para Max Verstappen, que venceu pelo menos uma corrida nas últimas onze temporadas. Mais importante foi que a vitória de Max não foi algo fortuito ou algo que caiu no colo do neerlandês. Desde os primeiros treinos Verstappen se mostrou o mais rápido do pelotão e mesmo com alguns sustos no caótico início de corrida, Max soube se recuperar rumo a mais uma vitória na carreira. Claro que Verstappen não é mais um fator no campeonato, mas o crescimento da Red Bull nesse terço final de campeonato pode indicar um bom caminho para 2027. Hadjar fez uma corrida decente e estava no pódio quando se deu a última relargada, porém, o francês da Red Bull não foi capaz de segurar a dupla da Ferrari, terminando a prova em quinto, conquistando mais alguns pontos importantes no Mundial de Construtores. Falando em pontos, Andrea Kimi Antonelli já começa a fazer as contas de quando poderá comemorar seu título. Novamente George Russell foi alvo de falta de sorte e se após a vitória em Baku o inglês falava em reviravolta no campeonato, esse abandono foi mais um balde de água fria nas poucas pretensões de George. O que chamou atenção foi que, pelo menos em Sepang, as atualizações da Mercedes não surtiram os efeitos esperados, porém, ainda temos muitas corridas para ver se foi algo específico em Sepang que não funcionou para a Mercedes, mas Antonelli saiu da Malásia como um dos vencedores no final de semana.


A Ferrari errou na escolha de pneus e acabou vendo seus dois pilotos nas profundezas do pelotão no que parecia ser mais um erro estratégico da equipe de Maranello, mas o Safety Car trazido por Bottas salvou a lavoura ferrarista e Hamilton fez funcionar muito bem os pneus macios, a ponto de quando colocou os médios, rapidamente voltou voltou aos macios no último SC e somente assim pôde ultrapassar Hadjar e conseguir o último lugar do pódio. Leclerc não foi tão brilhante quanto Hamilton, se envolveu num toque com Hulkenberg nas primeiras voltas, mas no fim Charles chegou logo atrás do seu companheiro de equipe. Olhando do ponto de vista de que Lewis e Charles conseguiram sair das últimas posições para ficarem em 3º e 4º, não se pode reclamar do dia ferrarista, no entanto, se não cometesse mais um vacilo estratégico e observando o ótimo ritmo de Hamilton com os pneus macios, a Ferrari poderia ter visto Hamilton alguns degraus acima no pódio. A McLaren dividiu a estratégia dos seus dois pilotos e ainda assim Piastri perdeu bastante tempo e não evoluiu como esperado quando tinha clara vantagem de pneus. O australiano se viu acossado por Norris nas voltas finais, mas Lando quase destruiu o dia da McLaren ao ser surpreendido pela baixa velocidade dos carros na frente dele durante o regime de SC. Norris ainda diminuiu o prejuízo e terminou em nono, enquanto Piastri foi sexto, colado em Hadjar. Um dia abaixo da McLaren, que também errou em seus pit-stops e claramente não tinha ritmo em Sepang.


Liam Lawson foi o melhor do resto, chegando a travar batalhas contra Verstappen e Piastri rumo a um ótimo sétimo lugar, mas sem sombra de dúvidas o grande destaque vai para Fernando Alonso. O espanhol continua mostrando seu valor em condições variáveis e num final de semana onde a Aston Martin andou surpreendentemente bem em Sepang, o espanhol soube capitalizar um bom dia da equipe, mesmo Fernando tendo largado com pneus slicks e ter sofrido nas primeiras voltas, porém, o SC no começo da corrida colocou Alonso no jogo e o espanhol fez magia para ser oitavo e marcar bons pontos para a Aston Martin. Bortoleto tinha ótimas chances de marcar pontos, mas na relargada ele bateu com Sainz, quebrou sua asa dianteira e ainda foi considerado culpado pelo incidente, perdendo 10s em sua parada, fazendo com que o brasileiro ficasse nas últimas posições. Hulkenberg estava fechando a zona de pontuação na penúltima volta, mas acabou ultrapassado por Lindblad na última volta, fazendo a Audi sair de Sepang zerada. A corrida ruim da Alpine prova que os pontos desperdiçados pelo erro de Colapinto podem fazer falta, enquanto a dupla da Williams andou na zona de pontuação por muito tempo, mas Sainz rodou após toque com Gabriel e Albon abandonou quando já estava fora dos pontos. Ocon escolheu os pneus intermediários e ficou no top10 por um tempo, até ser escalado e no final, chegou atrás de Bearman. Sergio Pérez foi último, como esperado da Cadillac, mas o que chama atenção foi o mexicano ter ido aos pits sete (!) vezes durante a corrida. Os táticos da Cadillac pareciam meio perdidos...


Esse breve retorno de Sepang ao calendário da F1 trouxe todos os ingredientes de uma bela corrida malaia (by Bahrein), adicionado da incompetência da FIA. Max Verstappen passou por cima de tudo isso e venceu com classe, com direito e pole e melhor volta, só perdendo a liderança nas primeiras voltas após sua péssima largada e a hesitação da Mercedes em arriscar no final da corrida durante o Safety-Car. Foi a primeira vitória da Red Bull usando o motor próprio e o primeiro triunfo da Ford em 23 anos. Mais importante foi que Max não precisou de ajuda alheia para conseguir sua primeira vitória em 2026, enquanto Andrea Kimi Antonelli deu mais um passo decisivo rumo ao seu primeiro título.

sábado, 3 de outubro de 2026

Asas no calor malaio


 Após mais de trezentos dias, Max Verstappen conseguiu uma pole na F1 e para quem imaginava que o tempo mais rápido do neerlandês foi tirado à fórceps, devido ao seu enorme talento, engana-se completamente. Debaixo do inclemente calor malaio, o evoluído carro da Red Bull andou sempre muito bem e nessas condições Max não deu chances aos rivais para conseguiu sua 49º pole na carreira.

Quando vejo o Rally Dakar realizado na Arábia Saudita ou na Argentina, sinto um estranhamento gigantesco, mais parecendo que o evento é uma farsa. Com todo o problema da guerra entre Estados Unidos e Irã acontecendo nesse momento, o reino do Bahrein resolveu manter o evento, mas estrategicamente mudando de local, fazendo à F1 retornar ao circuito de Sepang, na Malásia após nove anos. Mais aleatório, impossível! Circuito inteiramente projetado por Hermann Tilke no final da década de 1990, pode-se afirmar que Sepang inaugurou a era dos circuito luxuosos, mas também dos 'Tilkodromos', com circuitos com desenhos padronizados de retas longas entremeadas por grandes freadas e várias curvas de média entre elas. 

No entanto, o circuito localizado próximo de Kuala Lumpur tem sua identidade e boa parte dos pilotos que não estavam em 2017 na última vez que a F1 por lá aportou aprovou o circuito malaio. Talvez nem tanto o forte calor. A temperatura equatorial e a constante espera por uma tempestade voltaram à cabeça dos estrategistas da F1, lembrando que até o momento o carro do novo regulamento ainda não fez uma prova em asfalto molhado. E falando em asfalto, o abrasivo asfalto malaio, cuja última pavimentação ocorreu a mais de dez anos, foi outro motivo de preocupação das equipes, com os pneus Pirelli sofrendo um desgaste não visto em 2026.

 Mesmo vindo de duas vitórias enfáticas, a Mercedes trouxe um pacote de atualizações para Sepang, fazendo com que as rivais tremessem um retorno ao que foi visto no início do campeonato, com o carro da Mercedes praticamente intocável. A Red Bull também trouxe alguns updates, melhorando o que foi visto em Baku, quando Max quase tirou a vitória de Russell na volta final. Os treinos livres realizados debaixo de forte calor e pista totalmente seca viu uma Mercedes não evoluindo o esperado, enquanto a Red Bull pareceu ainda mais forte. Com isso Max Verstappen logo se portou como favorito destacado e o neerlandês não deixou passar essa oportunidade.

Verstappen dominou a classificação e conseguiu sua 49º pole na carreira de forma quase protocolar, não dando chances aos rivais. Punido por trocas em sua unidade potência, Hadjar andou no embalo do seu companheiro de equipe, acabando por largar em oitavo. Hamilton conseguiu separar os dois carros da Red Bull, o que resultou na vibração do veterano inglês no rádio. Na sexta-feira Russell superou Antonelli nos dois treinos, mas no sábado Kimi mostrou sua força e não deu chances ao companheiro de equipe, contudo, Antonelli teve sua volta deletada no Q2, trazendo um suspense desnecessário e teve que usar um jogo extra de pneus macios, o deixando com apenas uma volta rápida no Q3. Kimi largará em terceiro por causa da punição de Hadjar, mas mais importante foi que ele largará bem na frente de Russell, apenas sétimo no grid. Destaque para a Aston Martin colocando seus dois carros no Q2 e Gabriel Bortoleto indo ao Q3, enquanto Hulkenberg amargou uma eliminação no Q1. A corrida tende ser uma grande administração de pneus, isso sem contar que a esperada chuva ainda não deu as caras em Sepang.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Que pena...

 


Uma das lendas da Indy, Gordon Johncock competiu em uma das eras mais acirradas da categoria, correndo com outros ícones como A.J. Foyt, Mario Andretti e Johnny Rutherford durante as décadas de 1960 e 1970. Johncock começou sua carreira em 1965, se tornando um piloto competitivo rapidamente, vencendo sua primeira 500 Milhas de Indianápolis em 1973, na famosa edição encurtada pela chuva, correndo pela equipe Patrick. Nove anos depois Gordon venceria novamente as 500 Milhas, derrotando Rick Mears por menos de dois décimos, o que era até então a chegada mais apertada em Indianápolis. Johncock venceria o título da Indy em 1976 e correria até 1992, além de ter disputado três edições da Daytona 500 pela Nascar. Após sua laureada carreira, Gordon Johncock se dedicou aos seus negócios em fazendas e entrou em vários Hall's da Fama nos Estados Unidos. Nessa segunda-feira, Gordon Johncock faleceu em sua casa aos 90 anos de idade. 

domingo, 27 de setembro de 2026

Figura(AZE): Red Bull

 Desde que perdeu a primazia de ter o melhor carro do pelotão, muitas vezes a Red Bull foi carregada pelas costas por Max Verstappen a ponto da equipe austríaca ter feito de tudo para renovar com neerlandês. Porém, em Baku, a Red Bull trouxe um novo pacote de atualizações que fez a sua dupla executar o melhor final de semana em muito tempo. Verstappen era um dos favoritos a ameaçar George Russell na classificação, mas um problema no motor Ford estragou os planos de Max, que teve a companhia de Isack Hadjar, de volta à equipe nesse final de semana após uma fratura no pulso e tendo renovado seu contrato. Na corrida, Verstappen saiu rapidamente de oitavo para terceiro, sendo comboiado por Hadjar, que em certo momento tinha até mais ritmo do que o companheiro de equipe com seus pneus médios. Quando Max e Isack trocaram de pneus e de compostos, Verstappen evoluiu ainda mais e pressionou Russell nas últimas voltas, perdendo a vitória por menos de dois décimos de segundo. Hadjar atacava Piastri, fazendo o australiano da McLaren errar e o francês conseguiu o terceiro lugar, seu segundo pódio com a Red Bull. Se ainda precisa do talento de Max Verstappen para aparecer, a Red Bull mostrou em Baku que pode evoluir como equipe. A primeira vitória em 2026 está próxima!

Figurão(AZE): Aston Martin

 O novo regulamento técnico da F1 já é tido como o pior da longa história da categoria, a ponto da FIA querer que a nova geração de motores venha antes do programado, no entanto, isso não exime o vexame que a Honda e a Aston Martin está passando em 2026, com o fato ocorrido nos treinos livres em Baku tornar isso ainda mais evidente. Que a longa reta dos boxes do circuito de rua em Baku poderia expor ainda mais equipes e montadoras com déficit de potência, todos estavam cientes, mas ninguém poderia imaginar ver a Aston Martin-Honda ser 10 km/h mais lentos que... os carros da F2! Sem surpresas a Aston Martin colocou seus dois pilotos na última fila do grid e Strol e Alonso abandonaram ainda antes da metade da corrida, com crônicos problemas de falta de velocidade em reta. Para completar, Alonso acusou um problema no motor Honda, no que foi desmentido pelos japoneses no dia seguinte. Entrosamento não está sendo um ponto forte nessa parceria que está entrando para a história como uma das mais fracassadas da história da F1. Uma situação inimaginável quando essa parceria foi oficializada três anos atrás. 

sábado, 26 de setembro de 2026

E Russell entregou

 


Largando na pole após dominar os treinos livres e impor a maior diferença para o segundo colocado nos últimos anos na classificação, ainda assim havia quem duvidasse que George Russell entregasse uma vitória dominante. O ano de 2026 não está sendo dos melhores para o inglês da Mercedes, com George espalhando a farofa em momentos decisivos. Em Baku, porém, Russell finalizou o trabalho com a vitória, conquistando seu primeiro Grand Slam (vitória, pole, melhor volta e todas os giros na ponta) na carreira, capitalizando o erro de Antonelli na classificação. Max Verstappen fez uma grande corrida de recuperação e quase tirou a vitória de Russell na linha de chegada, mostrando que a primeira vitória de 2026 está próximo, tendo seu companheiro de equipe do seu lado no pódio.


Baku teve uma corrida diferente no dia e no horário. Por causa de um grande feriado no Azerbaijão, em respeito ao Anim Gün (Dia da Memória), a corrida aconteceu no sábado, num horário mais cedo que o normal. Vindo de uma corrida bastante ruim em Madri, era esperado algo diferente em Baku, que normalmente entrega corridas agitadas, mas isso não aconteceu nas primeiras trinta voltas da corrida azerbaijana. Russell largou muito bem e contornou a primeira curva confortavelmente na ponta, com Leclerc perdendo a segunda posição para Piastri já na curva um. Boa parte das atenções estava no pelotão de trás para observarmos o comportamento de Antonelli e o italiano foi mais cuidadoso do que o normal, perdendo uma posição e tendo que começar sua recuperação da décima sétima posição.

Enquanto Russell abria meio segundo por volta em média, a dupla da Red Bull fazia uma ótima corrida. Largando com pneus macios, Hadjar ultrapassou Norris, enquanto Verstappen deixou Gasly para trás na largada e ainda na segunda volta ultrapassou Hamilton, algo sempre complicado pela rivalidade entre os dois. Max não demorou para ultrapassar Norris e quando já estava próximo de Hadjar, o francês deixou Leclerc para trás na reta dos boxes na terceira volta. De forma esperada, a Red Bull ordenou a troca de posições após Verstappen ultrapassar a Ferrari de Charles e a forma como a Red Bull tinha uma certa superioridade sobre os carros do pelotão da frente indicavam que os dois poderiam até mesmo atacar Russell, mas a corrida se assentou quando a dupla encostou no segundo colocado Piastri. Vindo de uma péssima fase, Piastri fazia uma corrida sólida, como nos seus bons tempos, segurando muito bem a dupla da Red Bull. Todos os pilotos largaram com pneus macios ou médios, indicando uma taxa de desgaste baixa mostrada nos treinos livres e confirmada na corrida. Ao contrário da lógica, os pilotos com pneus macios tinham um rendimento até mesmo superior aos pilotos que optaram pelos médios no decorrer das voltas, a ponto de Hadjar (macios) pressionar em alguns momentos Verstappen (médios).


Quando os pilotos viam se aproximar o momento de realizar suas únicas paradas nos boxes, numa corrida bastante morna, Alex Albon enfiou sua Williams no muro na volta 30, trazendo o Safety Car. Naquele momento Russell tinha uma confortável vantagem de 10s sobre Piastri, que controlava muito bem a dupla Verstappen-Hadjar. Apenas Sainz tinha feito sua parada e todos os demais pilotos aproveitaram o momento para realizar suas trocas, ocasionando poucas trocas de posições. Porém, toda relargada traz um grau de emoção e não foi diferente em Baku. Piastri vacilou por um momento e Verstappen colocou de lado para assumir a segunda posição, porém, o maior vacilo da relargada não seria de Oscar. Numa verdadeira privação de sentidos, Franco Colapinto perdeu o ponto de freada e cometeu o maior crime dentro de uma equipe de F1: acertou em cheio seu companheiro de equipe. Norris, que errou duas vezes antes da entrada do Safety Car, estava ao lado de Gasly e também foi atingido pela besteira de Colapinto, ocasionando o abandono dos três. Um pouco mais atrás, a Racing Bulls experimentava um pouco do amargo remédio da Alpine com Lindblad batendo em Lawson, que retornou bem à equipe, fazendo o neozelandês rodar. Estranhamente Lindblad escapou de qualquer punição, enquanto o Safety Car que tanta falta fez em Madri, entraria pela segunda vez em Baku.

Antes da corrida Russell não descartava Verstappen da briga pela vitória, mesmo o piloto da Red Bull largando em oitavo devido a problemas na unidade de potência do seu carro. Max conseguira um ótimo ritmo de corrida e relargando em segundo, Verstappen tinha uma boa chance de atacar e conseguir sua esperada primeira vitória em 2026. Russell relargou bem, mas passou as doze voltas seguintes com o seu espelho retrovisor cheio de Red Bull de Max Verstappen. Foi um jogo de alta pressão nas voltas finais, onde Russell caprichava no ponto forte da Mercedes, que era o segundo setor, mais travado, enquanto Verstappen guardava toda a energia do motor elétrico na grande reta dos boxes. Qualquer vacilo de Russell e ele poderia ser engolido por Max na reta. E esse vacilo veio na última volta. Em um dia horroroso, Valtteri Bottas coroou sua corrida batendo seu Cadillac na curva 15, com todos os pilotos tendo que contornar a curva por uma última vez. A bandeira amarela dupla estava no local e pela estreiteza do local, Russell tirou demais o pé e quando a bandeira verde estava tremulando no setor seguinte, Max Verstappen estava colado na Mercedes. Na corrida Sprint da F2 Rafael Câmara ultrapassou Noel Leon na linha de chegada e era isso que Max tentaria. E quase conseguiu. Numa das mais apertadas chegadas dos últimos anos, Russell cruzou em primeiro apenas 0,196s na frente de Verstappen. 

Apesar de quase ter cometido o crime, pode-se afirmar que George Russell fez o que dele se esperava, ou seja, venceu vindo da pole e se aproveitando do erro de Antonelli para tirar bons pontos do companheiro de equipe. Para quem esperava um Kimi tão forte como Monza, um circuito completamente distinto e um motor já usado tirou vários cavalinhos da chuva. Antonelli fez uma corrida pragmática dessa vez, fazendo ultrapassagens seguras contra o sempre encarniçado pelotão intermediário e estava em oitavo quando o SC apareceu, pronto para atacar Gasly. Kimi teve muita sorte na presepada de Colapinto, pois viu à sua esquerda o portenho destruir a corrida da Alpine e Kimi ainda recebeu um ligeiro toque de Bearman. Livre da confusão, Antonelli se aproveitou do erro de Piastri para subir para sexto e ainda conseguiu ultrapassar Hamilton para receber a bandeirada em quinto, controlando bem os danos pelo erro da véspera. A Red Bull fez sua melhor corrida no ano e colocou, com méritos, seus dois pilotos no pódio. Verstappen manteve seu alto nível e ficou a menos de dois décimos de conseguir sua merecida vitória. Em sua volta à F1, Hadjar fez uma bela corrida, comemorando sua renovação de contrato com a Red Bull, andando próximo de Verstappen o final de semana inteiro e sabendo seu lugar quando tinha mais ritmo antes da parada dos dois. 


Se Mercedes e Red Bull tiveram o que comemorar no final do dia, o mesmo não se pode dizer de Ferrari e McLaren. Leclerc ainda conseguiu um lugar na primeira fila, mas o monegasco mal apareceu depois disso, sendo ultrapassado pela dupla da Red Bull com incrível facilidade, escancarando o déficit de potência que a Ferrari tem. Largando atrás do companheiro de equipe, Hamilton fez uma corrida pífia, se distanciando ainda mais de Russell na vice-liderança do campeonato. A McLaren viu Piastri relembrar seus bons tempos no primeiro stint de corrida, executando uma prova sólida e administrando bem a pressão da dupla da Red Bull, porém, tudo desandou após a relargada. O australiano vacilou na primeira relargada e nas primeiras voltas em bandeira verde perdeu o ponto de freada na curva quando era atacado por Hadjar, fazendo Piastri cair para as profundezas do pelotão, não conseguindo se recuperar nas voltas finais e zerar um final de semana que prometia forte. O primeiro de Piastri em muito tempo. Norris teve um final de semana esquecível, onde errou enquanto disputava com Hamilton, acabando por ser ultrapassado e depois passou reto na curva um, perdendo posições para Gasly e Antonelli. Sem ser culpado pelo seu abandono, Norris saiu da corrida com a sensação de que a passagem por Baku não foi das mais animadoras, o mesmo fazendo a McLaren, que saiu do Azerbaijão com zero ponto.


Por sinal, a Alpine se igualou à McLaren nesse quesito. Com um carro mais competitivo no pelotão intermediário, a Alpine colocou seus dois pilotos no Q3 e ficaram ambos na zona de pontos o tempo inteiro, até Franco Colapinto ter uma diarreia mental na primeira relargada. Agora o argentino tem muitos motivos para chorar na frente dos microfones. A Haas conseguiu escapar bem da confusão protagonizada pela Alpine e num momento raro nessas últimas corridas, pontuou com seus dois carros, mesmo Ocon, que já declarou que não tem contrato para 2027, tendo sido ultrapassado por Lindblad na linha de chegada. Audi e Williams chegaram à Baku com novas atualizações e conseguiram resultados bem diferentes. Enquanto os alemães foram eliminados no Q1 e fizeram uma corrida bem ruim, a Williams viu Sainz conseguir o primeiro Q3 da equipe, mesmo que posteriormente sendo punido. O espanhol fez sua parada antes do SC e acabou se beneficiando, tirando Hulkenberg da décima posição nas últimas voltas e retornar aos pontos depois de vários meses. Destaque para Sérgio Pérez, que chegou a enfiar mais de 30s em cima de Bottas e andar próximo de Audi e Williams, se mostrando um especialista em Baku. A Aston Martin abandonou com seus dois carros antes da metade da prova tendo problemas crônicos de falta de velocidade.


George Russell ainda tem uma enorme montanha a escalar pensando no campeonato e essa vitória em Baku pode lhe dar mais confiança, mas mesmo longe de brilhar como em Monza, Andrea Kimi Antonelli mostrou outra face ao fazer uma corrida mais discreta, mas muito eficiente e se na largada ele tinha 25 pontos de déficit para Russell, na bandeirada baixou para quinze pontos. Com a Ferrari em queda e a Red Bull em ascensão, mas a Mercedes se mantendo ainda muito sólida, Antonelli se mantém também implacável rumo ao seu primeiro título, mesmo que erros como o de sexta não podendo se repetir. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Será que ainda dá?

 


Não foi a primeira vez em 2026 que George Russell liderou os treinos livres e conseguiu a pole. Porém, em Baku, foi diferente. O inglês da Mercedes conseguiu uma vantagem absurda sobre Charles Leclerc e ainda viu seu companheiro de equipe Andrea Kimi Antonelli cometer um raro erro e ficar ainda no Q1, largando na décima segunda posição.

Chegamos aos fins de setembro e a F1 tem vários assuntos pendentes e algumas definições se desenhando. As duas corridas finais no Oriente Médio ainda estão em suspenso, com a guerra no Irã ainda acontecendo, mesmo que com menos intensidade. As etapas no Catar e Abu Dhabi ainda não foram canceladas e mesmo com a possibilidade de mísseis passarem por cima da cabeça do circo da F1, os milhões de dólares que os emirados injetam na F1 por causa dessas corridas pode fazer a F1 esquecer qualquer problema bélico na região.

O fracasso do novo regulamento técnico, que se fez presente em Baku, apressa a FIA em trazer um novo motor o mais breve possível. Ao invés da trapizonga que é o motor com metade da potência num motor de combustão interna e metade elétrico, a FIA estuda um motor mais simples, mesmo que desagrade algumas montadoras. A reta sem fim em Baku trouxe o famigerado superclipping, como esperado, mesmo que em grau menor em comparação a Monza, por exemplo.

Desde as primeiras atividades, que ocorreram já na quinta-feira, a Mercedes dominou o pelotão como fizera nas primeiras etapas do ano, com Russell bem à frente de Antonelli. O que ninguém esperava era ver Antonelli errar durante o Q1 e destruir sua classificação, tendo que largar em 16º, à frente da decepcionante Audi, Cadillac e Aston Martin, que passou um vexame histórico ao ver seus dois carros conseguirem velocidades inferiores aos bólidos da F2.

Sem Antonelli e talvez sem pressão, vimos um George Russell solto, conseguindo um tempo impressionante, superando em quase 1s a Ferrari de Leclerc, especialista em Baku. Verstappen deu pinta que poderia incomodar, mas o neerlandês acabou tendo problemas em seu motor e teve que se contentar com a oitava posição, ficando atrás até mesmo do seu companheiro de equipe Hadjar, que retornou nesse final de semana. A McLaren parecia forte, mas Norris acabou errando em sua volta decisiva, terminando em quinto, perdendo terreno até mesmo para Piastri, algo não muito comum em 2026. 

Russell tem mais uma chance de ouro para tirar bons pontos de Antonelli. Algo que já aconteceu outras vezes nesse ano e os resultados todos vimos... 

domingo, 20 de setembro de 2026

Tudo normal na Nascar...

 Bristol é uma pista que normalmente traz problemas para os pilotos da Nascar. Pista curta, Bristol já foi palco de vários entreveros ao longos dos anos e nesse sábado à noite, em vitória de Joey Logano, Ryan Blaney e Carson Hocevar resolveram o toque entre eles (culpa de Hocevar) depois da corrida. 


A vez de Acosta

 


Considerado um fenômeno desde antes de entrar no Mundial, Pedro Acosta chegou à MotoGP pela porta da frente e não demorou para o jovem espanhol confirmar tudo o que se esperava dele, se tornando com 20 anos o principal piloto da KTM, mesmo tendo pilotos experientes como Viñales e Binder ao seu lado. No entanto, faltava uma vitória na MotoGP. Acosta vira pilotos contemporâneos seus vencendo como Raul Fernández e Fermín Aldeguer, pilotos considerados até mesmo inferiores a eles em termos de talento. Isso terminou nesse domingo na Áustria.

Correndo na casa da KTM, montadora que se despedirá no final de 2026, Pedro Acosta prometeu fazer de tudo para quebrar o jejum na frente da torcida austríaca e no sábado esteve a ponto de vencer a Sprint, quando cometeu um erro e caiu quando liderava tranquilamente. 'Olhei para o painel da moto e perdi o ponto da freada', confidenciou Acosta depois da derrota. No domingo, não teve painel que segurasse o espanhol. Acosta não largou de forma tão forte como no sábado, mas foi superando um a um seus adversários (Marc Márquez e a dupla da Aprilia) para assumir a liderança da corrida, administrando uma perigosa vantagem de 1s sobre Jorge Martín, vencedor da Sprint.

Acosta correu como o campeão de deve se tornar um dia na MotoGP. O espanhol venceu e se despedirá da KTM, que o apoiou desde o início de sua carreira no Mundial, com uma vitória na MotoGP, finalizando um ciclo de forma merecida. No campeonato, Martín virou novamente o campeonato com uma etapa praticamente perfeita, vencendo no sábado e segurando os ataques de Bezzecchi no domingo para ser segundo e abrir vantagem novamente sobre Márquez. Numa pista onde a Ducati vinha de dez vitórias consecutivas, Márquez sofreu com a carcaça do novo pneu e ainda teve um problema de freio que só lhe permitiu uma quinta posição. Márquez terá trabalho com Martín em 2026, mas pensando no futuro, o trabalho tende a ser maior quando terá Acosta ao seu lado na Ducati em 2027.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Figura(ESP): Lando Norris

 Num circuito tão complicado como Madring, ter tempo de pista é essencial, contudo, Lando Norris teve problemas de câmbio em sua McLaren e ficou de fora do segundo treino livre. Parecia que isso seria muito problemático para o atual campeão do mundo, mas mostrando que tirar o peso dos ombros do primeiro título fez muito bem à Lando, o inglês da McLaren conseguiu uma pole miraculosa em Madri. Lando Norris fez uma largada bem diagonal, lembrando as saídas truculentas de Michael Schumacher nos seus áureos tempos, tentando manter a ponta e acabar com a já folclórica história de que Lando é incapaz de manter a ponta largando da pole. Norris tinha o conjunto mais forte do domingo e venceria se não fosse o Virtual Safety Car, que apareceu segundos após o piloto da McLaren ter passado da entrada dos boxes. Norris caiu para quinto, se aproveitou das paradas de Leclerc e Russell para conseguir um lugar no pódio, porém, até mesmo o vencedor Andrea Kimi Antonelli sabia que aquela corrida pertencia à Lando Norris, que poderia ter conseguido sua terceira vitória em quatro corridas. A McLaren está em fase ascendente no campeonato e tem Lando Norris como seu principal piloto. Pena que a sorte não colaborou muito com o atual campeão da F1.

Figurão(ESP): Madring

 Quando o Grande Prêmio da Espanha era sediado em Barcelona, no circuito de Montmeló, a reclamação era constante sobre a qualidade das corridas de F1 por lá. Não importando carros, pilotos ou regulamentos, a corrida em Barcelona invariavelmente era uma das piores do calendário, levantando questões sobre mudanças de sede, ainda mais com o automobilismo ganhando bastante popularidade na Espanha desde a já distante ‘Alonsomania’ em meados da década 2000. Surgiu a ideia de um circuito de rua em Madri, capital espanhola, e com a grande rivalidade em várias questões com Barcelona, o projeto saiu do papel. O novo circuito de rua, chamado de Madring estreou em 2026 e manteve a tradição de corridas nada empolgantes na Espanha. A prova realizada nesse domingo em Madri ficou muito a abaixo das expectativas de quem esperava caos num circuito que se provara difícil, mas os pilotos andaram com tanto cuidado, que o máximo de ocorrência que apareceu foi um Virtual Safety Car, que decidiu a corrida a favor de Andrea Kimi Antonelli. Não tivemos uma corrida boa de se assistir, algo que poderá mudar nos próximos anos, mas no momento, a primeira sensação do Madring não foi das melhores.

domingo, 13 de setembro de 2026

Com um braço e meio


 O começo da temporada 2026 da MotoGP mostrava uma Aprilia muito forte, superando a Ducati depois de anos de domínio da montadora sediada em Borgo Panigale. Para completar, Marc Márquez se recuperava de um grave acidente na Indonésia e não começava bem a temporada. Marco Bezzecchi parecia a ponta de lança da Aprilia, mas não demorou muito para o italiano fraquejar dentro e fora das pistas. Uma queda na Alemanha e um soco em um fiscal na Tchéquia indicavam que Marco poderia estar sofrendo com as pressões de se tornar campeão da MotoGP.

Então a Aprilia viu o crescimento de Jorge Martín, trazido à equipe em 2024 e que mantém uma relação conturbada. Mais experiente, Martín se aproveitou inicialmente dos pontos baixos de Bezzecchi, mas já tendo anunciado que irá para a Yamaha em 2027 e com alguns problemas com a moto, Martín também começou a vacilar. Será que seria Ai Ogura, piloto da equipe satélite da Aprilia, que poderia salvar a colheita da Aprilia? Pois o introspectivo japonês machucou o pulso num treino particular e já conta com duas corridas de chinelinho.

Marc Márquez teve problemas físicos, perdeu corridas para realizar mais uma cirurgia e na semana do Grande Prêmio de San Marino, expôs uma foto onde seu ombro direito está claramente atrofiado pelas seguidas cirurgias no braço direito desde 2020. O cirurgião foi claro no relato: Marc Márquez está correndo com um braço e meio. 

E com um braço e meio Marc Márquez deu show em Misano, local sempre hostil a ele, pois naquela região fica o 'setor duro' da torcida de Valentino Rossi, rival histórico de Márquez. Porém, o piloto da Ducati varreu o final de semana. Na Sprint superou o pole Bezzecchi para vencer com tranquilidade. No domingo, Bezzecchi ainda manteve a ponta, mas caiu ainda na primeira volta. Martín ainda tentou se manter na briga pela vitória, mas a Aprilia foi perdendo rendimento e Jorge acabou apenas em quinto. Marc controlou a aproximação do seu irmão Alex rumo a vitória, que o deixou empatado com Martín no campeonato, mas como tem mais vitórias, Marc assumiu a liderança do campeonato. Seis meses atrás ninguém poderia imaginar a Aprilia perdendo o campeonato. Ainda mais para um piloto com um braço e meio...

Madrinzzzzzz

 


Quando o Grande Prêmio da Espanha era sediado em Barcelona, no circuito de Montmeló, a reclamação era constante sobre a qualidade das corridas de F1. Não importando carros, pilotos ou regulamentos, a corrida em Barcelona invariavelmente era uma das piores do calendário, levantando questões sobre mudanças de sede, ainda mais com o automobilismo ganhando bastante popularidade na Espanha desde a já distante 'Alonsomania' em meados da década 2000. Surgiu a ideia de um circuito de rua em Madri, capital espanhola, e com a grande rivalidade em várias questões com Barcelona, o projeto saiu do papel. O novo circuito, chamado de Madring estreou em 2026 e manteve a tradição de corridas nada empolgantes na Espanha. A prova realizada nesse domingo em Madri ficou muito abaixo das expectativas de quem esperava caos num circuito que se provara difícil, mas os pilotos andaram com tanto cuidado, que o máximo de ocorrência que apareceu foi um Virtual Safety Car, que decidiu a corrida a favor de Andrea Kimi Antonelli, solidificando ainda mais sua vantagem no campeonato.


O forte calor em Madri trazias alguns receios às equipes. Mesmo o novo asfalto ter provido bastante aderência aos carros, houve também muita granulação (o que Luciano Burti popularizou como 'macarrãozinho') e como consequência, bastante desgaste de pneus. Russell chegou a falar em 'até seis pit-stops, pela situação atual', mas quando as equipes tiraram as mantas térmicas dos pneus dos carros no grid, a presença de alguns pilotos com pneus duros indicavam que fazer uma parada estava no radar de muitos estrategistas, além do que, um Safety Car em algum momento da prova era quase que uma certeza absoluta. Também haviam pilotos com pneus macios, como Hamilton e Verstappen, o que significava que eles trocariam durabilidade por posicionamento numa pista que tinha tudo para ser bastante complicada para se ultrapassar. No apagar das luzes vermelhas, Lando Norris fez uma largada bem diagonal, lembrando as saídas truculentas de Michael Schumacher nos seus áureos tempos. Tentando manter a ponta na largada, Norris não apenas conseguiu manter Andrea Kimi Antonelli sob controle, como atrasou o italiano, que se viu atacado por Hamilton. Tentando se defender do inglês da Ferrari, Kimi vazou a primeira chicane, ficando com a obrigatoriedade de ceder sua posição para Lando, já que Antonelli assumira a ponta. No entanto, a situação não era tão simples assim. Lewis Hamilton freou forte por dentro e deixou o carro escorregar. Para evitar o toque com o rival, Max Verstappen também passou reto na primeira chicane, encostando em Lando. Quando Kimi precisou devolver a posição para Lando, se viu na iminência de ser ultrapassado também por Verstappen. Antonelli ficou numa situação tensa, que o fez vazar a segunda chicane, permanecendo à frente de Norris. E Verstappen. Com receio de uma punição, Antonelli acabou deixando os dois passarem, caindo para terceiro.

No final da segunda volta a Red Bull entrou no rádio de Max o pedindo para ceder sua posição para Hamilton, que à essa altura estava em quarto. Verstappen esperneou via rádio, mas o neerlandês acabou tendo que perder duas posições no processo. 'Minha corrida acabou', lamuriou-se Max, mas nem tudo estava perdido, como se veria mais tarde. E a vida de Verstappen melhoraria logo em seguida com Lewis Hamilton vazando uma chicane e da mesma forma que Max uma volta antes, ter que ceder sua posição para o piloto da Red Bull. E a razão ficou clara rapidamente. Hamilton queixava-se dos freios e  num circuito de rua, isso não era um problema simples. Após sair da pista uma vez, Hamilton ainda ficou na pista uma volta de forma inexplicável antes de abandonar pela primeira vez em 2026 com sua Ferrari sem freios. 


Praticamente isso foi tudo o que aconteceu nas primeiras voltas. A situação de ceder posições ajudou muito a causa de Lando Norris, que abria 3s de vantagem sobre Antonelli, que tinha outros 3s de vantagem sobre Max, que tinha Leclerc e Russell mais atrás, mas sem maiores brigas entre eles. A corrida se estabilizou e ficou claro que somente uma ocorrência poderia mudar o status quo da prova espanhola. E ela veio na volta 14, quando Lance Stroll encostou seu Aston Martin numa área de escape e o Virtual Safety Car deu as caras. Numa falta de sorte tremenda, Lando Norris tinha acabado de passar pela entrada dos pits, no que Antonelli, Verstappen e Russel aproveitaram e trocaram pneus. Porém, a McLaren insistiu em parar Norris e trouxe o inglês para os pits na volta seguinte... bem no momento em que a bandeira verde foi dada. Uma das características do novo circuito de Madring é ter o maior pit-lane do calendário e para completar, a McLaren fez um péssimo trabalho, com a roda dianteira esquerda de Lando ter ficado presa. O que seria um pit-stop de 2s se transformou num trabalho de longos 7s. Dono da corrida até então, Norris caía para o quinto lugar. Antonelli, contudo, não assumira a ponta da corrida. Charles Leclerc foi na tática inversa do seu companheiro de equipe e largou com pneus duros, preferindo ficar na pista durante o VSC. Leclerc assumiu a ponta e não demorou para ter a companhia de Antonelli. 

A Mercedes se assustou quando Kimi chegou a perder mais de 1s para Leclerc e o italiano reclamou de algum problema no volante, mas com a Mercedes verificando que Kimi deu uma de Mansell em Mônaco/1992, Antonelli continuou sua perseguição à Leclerc. A pista evoluíra claramente desde o momento em que Russell disse que a corrida teria múltiplos pit-stops e Leclerc ficou na pista esperando por uma ocorrência, algo possível pelo o que foi visto durante o final de semana, tanto na F1, como nas demais categorias. Porém, os pilotos estavam 'vacinados' e não forçaram demais numa pista quente, com muros em volta e cheia de curvas cegas. Bernd Maylander manteve seu Mercedes guardadinho nos boxes, enquanto Leclerc mostrava a todos que o pneu duro era forte o bastante para se manter até a bandeirada, se o regulamento permitisse. Com Leclerc rezando por uma bandeira amarela, Kimi e Max administrando seus pneus, a corrida entrou num marasmo sem fim.


Russell trocara para pneus médios e argumentava que poderia segurar Norris, que vinha muito mais rápido do que ele em quinto, mas a Mercedes não pensou assim e treze voltas depois da primeira parada de George, o chamou de volta aos pits, colocando pneus duros e fazendo o inglês da Mercedes ir até o fim, com George tendo que ultrapassar Lawson na pista. E mesmo assim porque o neozelandês cometeu um erro. Piastri, que bateu em Russell na primeira curva e quebrou parte da asa dianteira, foi outro que precisou de uma parada extra, mas mantendo a asa danificada. Tendo se livrado de Russell, rapidamente Norris estabeleceu o melhor ritmo da corrida, encostando em Verstappen, forçando o piloto da Red Bull aumentar seu ritmo e encostar em Antonelli. As voltas foram passando, o SC não veio e para a Ferrari estava claro que Leclerc poderia perder a posição para Russell com aquele ritmo, trazendo o monegasco aos pits quando faltavam menos de dez voltas. Charles foi 'calçado' com pneus macios, mas o equilíbrio da Mercedes é tamanho que Russell, mesmo com pneus duros já desgastados, pressionou Leclerc até o fim, mas o piloto da Ferrari permaneceu em quarto sem maiores arroubos.


Sem Leclerc à sua frente, Antonelli aumentou seu ritmo e se livrou da sempre incômoda presença de Verstappen, até mesmo dando outro susto ao bater no muro na curva 7, mas nada pôde impedir a oitava vitória de Andrea Kimi Antonelli em 2026. Ainda no rádio Antonelli teve a consciência que não teve a brilhante performance da semana passada em Monza, mas o italiano aceitava mais uma vitória e com Russell em quinto e Hamilton abandonando, abrindo ainda mais no campeonato. Russell fez outra corrida chinfrim, preso atrás de carros mais lentos que o seu pela péssima classificação que fez no sábado. Enquanto Antonelli se posiciona melhor e capitaliza os azares alheios para conseguir vitórias, Russell sofreu a tarde inteira em Madri, vendo Antonelli o superar no número de vitórias no geral na F1. Dentro da Mercedes, a disputa entre os pilotos parece cada vez mais ganha por Antonelli e com a Mercedes tendo o carro mais equilibrado de 2026, isso significa que Kimi já começa a calcular onde comemorará o seu merecido título mundial;


Após reclamar com a equipe por ceder sua posição, Max Verstappen evoluiu durante a corrida e só teve que segurar Lando Norris nas últimas voltas, sendo que o único susto de Max foi ter se envolvido na briga entre Lindblad e Hulkenberg quando colocava volta em ambos. Verstappen tem um domínio sobre Norris em lutas diretas que lembra um certo clássico no futebol nordestino. Lando foi o grande perdedor do dia, com a sorte não lhe sorrindo, além da McLaren ter pisado na bola tanto na estratégia, como no trabalho de pit-stop. Com Russell claramente batido, se Lando conseguisse a terceira vitória em quatro corridas, poderia haver alguma esperança no campeonato, mas a 'senhora sorte' não quis assim e Norris teve que se conformar com um terceiro lugar, mesmo tirando alguns pontos dos compatriotas George e Lewis. Já Piastri continuou sofrendo. O australiano teve que recuperar posições após sua segunda parada, mas ficando atrás de Colapinto. Mais uma atuação abaixo da crítica de Piastri, que nessa época do ano em 2025, era tido como o novo talento geracional da F1. Lawson fez uma corrida atribulada, ficou muito atrás de Verstappen, mas fez o que dele é exigido: marcou bons pontos com o sexto lugar.


Além de Leclerc, alguns pilotos do pelotão intermediário tentaram ficar na pista o maior tempo possível para tentar dar o pulo o gato quando o SC aparecesse, mas como ele não apareceu, Pierre Gasly e Gabriel Bortoleto, que ficaram boa parte da corrida na zona de pontuação usando pneus duros, ficaram fora dos pontos por terem que fazer suas paradas, sendo que Gasly foi até o limite, antes de fazer sua parada na penúltima volta, indicando que os pneus duros aguentariam as 57 voltas de corrida. Colapinto superara Gasly na classificação e após a decepção de Monza, onde o portenho chegou a chorar na entrevista pós-corrida, o piloto da Alpine conseguiu uma corrida consistente para ser sétimo, mesmo tendo bastante trabalho para superar Bortoleto, que estava com pneus no bagaço no final. Quando Gabriel fez sua parada, quem melhor se aproveitou foi Nico Hulkenberg, que conseguiu o último ponto do dia, mesmo não conseguindo ultrapassar Lindblad nas voltas finais, numa disputa geracional. Correndo em casa, Carlos Sainz e Fernando Alonso se tocaram e ambos não lembrarão com saudade da primeira corrida em Madring, onde estiveram longe de se destacar. 


Quando se pedia uma nova opção para as corridas sempre chatas em Barcelona, todos esperavam por um circuito bem melhor do que foi visto em Madri. Não tivemos uma corrida boa de se assistir, algo que poderá mudar nos próximos anos, mas no momento, a primeira sensação do Madring não foi das melhores. Andrea Kimi Antonelli não teve do que reclamar e contando com a sorte que sempre acompanha os campeões, pôde superar Lando Norris, dono do conjunto mais forte do dia, para vencer e cimentar ainda mais sua liderança no campeonato. O campeonato para Kimi já se tornou uma questão de 'quando', não mais 'se'. E pelo o que vem fazendo ao longo da temporada 2026, Andrea Kimi Antonelli merece.