quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ainda pensando no passado

 


A Formula Indy vive uma momento complexo e curioso. A categoria conta com um grid cheio e de bom nível técnico. Com a chegada da Fox Sports na transmissão da categoria, a Indy passou a ser melhor tratada fora das pistas e a audiência aumentou. Por outro lado, a Indy conviveu com escândalos fora das pistas em 2025, utiliza o mesmo carro a praticamente quinze anos e tem um calendário curto demais, mas bastante criticado.

Uma boa notícia para a Indy foi que Honda e Chevrolet renovaram seus contratos, mesmo com a ameaça dos japoneses de deixarem a categoria. Se uma terceira montadora ainda é um sonho, ter mantido duas montadoras foi a grande realidade para a Indy. O esperado novo carro da Indy só ficará pronto em 2028, fazendo a Indy ficar com o mesmo carro desde 2012. Para efeitos de comparação, seria o mesmo que Lewis Hamilton fazer a temporada 2026 com a Ferrari de Alonso. Simplesmente inacreditável! O calendário da Indy tem dezessete corridas, mas podendo entrar uma 18º, com a adição de uma etapa em Washington, para agradar o presidente Donald Trump, contudo, poucas informações há sobre essa prova e a chance de dar errado são bem concretas. O grande problema do calendário da Indy é seu tamanho, pois se começa em março, junto com a maioria das categorias de ponta, termina ainda no começo de setembro, deixando o fã da Indy praticamente seis meses carente, além de afugentar novos torcedores. Outro fator de crítica é a falta de mais etapas em Oval, com apenas quatro corridas, contando as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis. Uma novidade é o novo circuito de rua de Arlington, obra da Fox Sports num mercado importante (Dallas) e a promessa de um circuito de rua ao estilo em que a F1 atual. E longe de alguns circuitos de rua que a Indy já correu...

Vindo de um ano arrasador, Alex Palou tentará se manter na ponta e com a força e o entrosamento com a Ganassi, isso não seria impossível de se repetir para o espanhol, talvez até mesmo por falta de quórum. Scott Dixon começa a sentir o peso da idade (irá fazer 46 anos) e Kyffin Simpson paga as contas. Vindo de um ano tenebroso, a Penske manterá Josef Newgarden e Scott McLaughlin como seus pilotos, enquanto David Malukas tentará ser o que foi Newgarden dez anos atrás, quando era um jovem tentando se intrometer entre os grandes. Will Power deixou a Penske após quase vinte anos, mas se pensavam que o ainda rápido australiano iria se aposentar, Power surpreendeu ao se mudar para a Andretti, no lugar de Colton Herta, em seu projeto de chegar à F1 pela equipe Cadillac. Will terá como companheiros de equipe Kyle Kirkwood, de ótima temporada em 2025, e Marcus Ericsson, tentando se firmar ou ser convidado a se retirar da equipe. A McLaren terá Pato O'Ward como seu principal piloto, com Christian Ludgaard provando que pode fazer frente ao mexicano, que tentará se colocar como principal rival de Palou pelo título. Nolan Siegel, uma invenção de Tony Kanaan e com a mesma função de Simpson na Ganassi, tentará se manter na McLaren para além da carteira cheia de dinheiro.

Nas demais equipes, destaque para Mick Schumacher voltando aos monopostos com a equipe Rahal, contrariando seu pai, que não gostava nem de pensar em correr em ovais, Romain Grosjean retornando à Dale Coyne ao lado do campeão da Indy NXT Dennis Hauger, a Meyer & Shank tentando se mostrar rápida também em ritmo de corrida e tentar fazendo Helio Castroneves provavelmente ter uma despedida digna nas 500 Milhas, além da estreia de Caio Collet na Indy. Considerado uma promessa brasileira na F1, Collet mudou de rumo e foi para os Estados Unidos tentar a sorte na Indy, conseguindo um lugar interessante na Foyt, que tem uma forte parceria com a Penske e corre ao lado do irascível Santino Ferrucci. No Brasil, a saída da F1 da grade da TV Bandeirantes fez com que a emissora voltasse a investir na Indy, passando boa parte das corridas tendo como narrador o ótimo Geferson Kern.

A Indy irá começar no seu já tradicional palco de St Petersburg com vários pilotos com chances de vitória. A Penske ressurgirá das cinzas? A Andretti voltará aos bons tempos com o reforço de Power? A McLaren finalmente mostrará que é mais que uma quarta força, levando Pato O'Ward ao título e a vitória em Indianápolis? Porém, a grande pergunta: quem segura Alex Palou?

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