Os testes realizados em Sepang e Buriram mostraram uma Ducati ainda muito forte, com a versão 2026 mais 'amigável' do que a moto do ano passado, que fez Francesco Bagnaia sofrer horrores. Márquez voltou com força depois da fratura na clavícula direita e após uma recuperação cautelosa, mostrou a velocidade de sempre, mesmo que ainda tateando depois de alguns meses de molho. Marc já é um dos grandes favoritos e verá seu irmão Alex, que impressionou na pré-temporada, andando com a mesma moto dele, o que poderá acirrar a disputa entre os irmão. Já Bagnaia, dono da terceira Ducati 2026, terá que mostrar que seu horroroso 2025 foi mais uma exceção e que poderá derrotar Marc em alguns momentos. Se a Ducati continuou mostrando força, a Aprilia surge como a principal rival da conterrânea. Com Marco Bezzecchi fazendo um bom final de temporada em 2025, a Aprilia continua sua boa fase e o italiano se manteve como a ponta de lança da Aprilia, enquanto Jorge Martín ainda se recupera dos seus machucados.
Atrás das italianas, a Honda veio forte com sua moto sendo desenvolvida à seis mãos (Aleix Espargaró, Zarco e Marini), mas ainda parece um pouco atrás de Ducati e Aprilia. A KTM terá que se virar para dar uma boa moto para Pedro Acosta e mantê-lo na equipe, mesmo com todas as dificuldades econômicas, enquanto a Yamaha foi a grande desilusão até o momento, pois mesmo com a troca dos motores quatro em linha pelo V4, usada pelas demais montadoras, a Yamaha viu seu desempenho piorar em comparação à antiga moto, podendo fazer sofrer seus bons pilotos.
E é aí que começa a primeira peça de dominó que poderá transformar 2027 numa verdadeira dança de cadeiras. Fabio Quartararo já não esconde mais sua decepção com a Yamaha, dizendo que perdeu bons anos de sua carreira esperando por uma moto que os japoneses parecem incapazes de lhe dar. A mudança para os motores V4, à pedido de Quartararo, foi mais uma cartada da Yamaha para agradar o francês, mas até agora vem se mostrando um erro de cálculo. Quartararo teria desistido e estaria de malas prontas para a Honda, que evolui sua moto a olhos vistos e poderá ser a terceira força em 2026 e com as mudanças de regulamento, pode significar um pulo que anima Quartararo a se mudar de moto. Claro que a Yamaha não irá ficar parada e para isso prepara uma investida em dois pilotos, mas por motivos diferentes. Luca Marini pode não ser um virtuose atrás do guidão, mas seu feedback e conhecimento técnico é conhecido no paddock da MotoGP e atrairia a Yamaha para desenvolver sua moto. O outro piloto seria Jorge Martín. Vendo Bezzecchi, que teve seu contrato renovado, se sobressair dentro da Aprilia, restaria à Martín uma vaga na Yamaha para substituir Quartararo como líder técnico da equipe. Algo que a Aprilia esperava de Martín, mas encontrou em Bezzecchi.
A Aprilia não ficaria sem um bom segundo piloto. Com a saída do campeão de 2024, viria o dono dos títulos de 2022 e 2023. O ano de 2025 de Bagnaia na equipe de fábrica da Ducati foi abaixo da crítica, fazendo o italiano ter alguns atritos com a equipe que lhe deu dois títulos na MotoGP. Pecco já percebeu que a equipe de fábrica da Ducati já tem dono: Marc Márquez. Uma mudança de ares poderia fazer bem à Bagnaia, além de continuar com uma boa moto italiana, assim como correr ao lado do amigo Bezzecchi. Claro que a Ducati irá querer substituir Pecco à altura, mas o escolhido teria um perfil diferente. A Ducati pensaria no futuro e sabendo que Marc Márquez não irá durar por tanto tempo assim, os italianos fisgariam a estrela em ascensão Pedro Acosta, extremamente insatisfeito por ver seus contemporâneos Fermin Aldeguer e Raul Fernández com pelo menos uma vitória na MotoGP e Acosta, considerado melhor do que os dois espanhóis, não. Ter uma dupla espanhola quebraria uma tradição na Ducati, mas ter Acosta poderia garantir o futuro para a Ducati, principalmente com os rumores de uma aposentadoria precoce de Marc Márquez ganhar cada vez mais força. Sem muito dinheiro para investir, KTM tentaria reverter a importante perca de Acosta trazendo Alex Márquez, que voltaria a andar numa moto de fábrica.
Como se vê, a MotoGP iniciará 2026 pensando um ano na frente. Marc Márquez tentará o oitavo título da MotoGP e o décimo no geral, mesmo a Dorna, agora MotoGP Sports Entertainment Group, sobre a batuta da Liberty Media, diminuir ainda mais a Moto2 e Moto3, que seguem formando novos pilotos. A mudança de regulamento em 2027 poderá significar ascensão e queda de muitas marcas, mas no momento a Ducati tende a ser a grande moto da categoria. E tendo Marc Márquez em cima da moto, podemos esperar por um 2026 de espera para 2027 com gostinho de vitória espanhola.

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