quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Pensando em 2027

 


A MotoGP inicia sua temporada 2026 pensando já no próximo ano. E não apenas pelos novos regulamentos previstos para 2027, mas como também para a possível ciranda de pilotos no aquecido mercado da MotoGP ainda nesse ano. Para a temporada atual, poucas mudanças estão previstas e para a torcida brasileira, o fato de Diogo Moreira estar presente é algo a se comemorar e acompanhar. Assim como poderemos ver como se comportará Marc Márquez, se recuperando de outro grande acidente após um ano absolutamente dominante na MotoGP com sua Ducati de fábrica.

Os testes realizados em Sepang e Buriram mostraram uma Ducati ainda muito forte, com a versão 2026 mais 'amigável' do que a moto do ano passado, que fez Francesco Bagnaia sofrer horrores. Márquez voltou com força depois da fratura na clavícula direita e após uma recuperação cautelosa, mostrou a velocidade de sempre, mesmo que ainda tateando depois de alguns meses de molho. Marc já é um dos grandes favoritos e verá seu irmão Alex, que impressionou na pré-temporada, andando com a mesma moto dele, o que poderá acirrar a disputa entre os irmão. Já Bagnaia, dono da terceira Ducati 2026, terá que mostrar que seu horroroso 2025 foi mais uma exceção e que poderá derrotar Marc em alguns momentos. Se a Ducati continuou mostrando força, a Aprilia surge como a principal rival da conterrânea. Com Marco Bezzecchi fazendo um bom final de temporada em 2025, a Aprilia continua sua boa fase e o italiano se manteve como a ponta de lança da Aprilia, enquanto Jorge Martín ainda se recupera dos seus machucados.

Atrás das italianas, a Honda veio forte com sua moto sendo desenvolvida à seis mãos (Aleix Espargaró, Zarco e Marini), mas ainda parece um pouco atrás de Ducati e Aprilia. A KTM terá que se virar para dar uma boa moto para Pedro Acosta e mantê-lo na equipe, mesmo com todas as dificuldades econômicas, enquanto a Yamaha foi a grande desilusão até o momento, pois mesmo com a troca dos motores quatro em linha pelo V4, usada pelas demais montadoras, a Yamaha viu seu desempenho piorar em comparação à antiga moto, podendo fazer sofrer seus bons pilotos.

E é aí que começa a primeira peça de dominó que poderá transformar 2027 numa verdadeira dança de cadeiras. Fabio Quartararo já não esconde mais sua decepção com a Yamaha, dizendo que perdeu bons anos de sua carreira esperando por uma moto que os japoneses parecem incapazes de lhe dar. A mudança para os motores V4, à pedido de Quartararo, foi mais uma cartada da Yamaha para agradar o francês, mas até agora vem se mostrando um erro de cálculo. Quartararo teria desistido e estaria de malas prontas para a Honda, que evolui sua moto a olhos vistos e poderá ser a terceira força em 2026 e com as mudanças de regulamento, pode significar um pulo que anima Quartararo a se mudar de moto. Claro que a Yamaha não irá ficar parada e para isso prepara uma investida em dois pilotos, mas por motivos diferentes. Luca Marini pode não ser um virtuose atrás do guidão, mas seu feedback e conhecimento técnico é conhecido no paddock da MotoGP e atrairia a Yamaha para desenvolver sua moto. O outro piloto seria Jorge Martín. Vendo Bezzecchi, que teve seu contrato renovado, se sobressair dentro da Aprilia, restaria à Martín uma vaga na Yamaha para substituir Quartararo como líder técnico da equipe. Algo que a Aprilia esperava de Martín, mas encontrou em Bezzecchi.

A Aprilia não ficaria sem um bom segundo piloto. Com a saída do campeão de 2024, viria o dono dos títulos de 2022 e 2023. O ano de 2025 de Bagnaia na equipe de fábrica da Ducati foi abaixo da crítica, fazendo o italiano ter alguns atritos com a equipe que lhe deu dois títulos na MotoGP. Pecco já percebeu que a equipe de fábrica da Ducati já tem dono: Marc Márquez. Uma mudança de ares poderia fazer bem à Bagnaia, além de continuar com uma boa moto italiana, assim como correr ao lado do amigo Bezzecchi. Claro que a Ducati irá querer substituir Pecco à altura, mas o escolhido teria um perfil diferente. A Ducati pensaria no futuro e sabendo que Marc Márquez não irá durar por tanto tempo assim, os italianos fisgariam a estrela em ascensão Pedro Acosta, extremamente insatisfeito por ver seus contemporâneos Fermin Aldeguer e Raul Fernández com pelo menos uma vitória na MotoGP e Acosta, considerado melhor do que os dois espanhóis, não. Ter uma dupla espanhola quebraria uma tradição na Ducati, mas ter Acosta poderia garantir o futuro para a Ducati, principalmente com os rumores de uma aposentadoria precoce de Marc Márquez ganhar cada vez mais força. Sem muito dinheiro para investir, KTM tentaria reverter a importante perca de Acosta trazendo Alex Márquez, que voltaria a andar numa moto de fábrica.

Como se vê, a MotoGP iniciará 2026 pensando um ano na frente. Marc Márquez tentará o oitavo título da MotoGP e o décimo no geral, mesmo a Dorna, agora MotoGP Sports Entertainment Group, sobre a batuta da Liberty Media, diminuir ainda mais a Moto2 e Moto3, que seguem formando novos pilotos. A mudança de regulamento em 2027 poderá significar ascensão e queda de muitas marcas, mas no momento a Ducati tende a ser a grande moto da categoria. E tendo Marc Márquez em cima da moto, podemos esperar por um 2026 de espera para 2027 com gostinho de vitória espanhola. 

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