domingo, 28 de junho de 2026

Na malandragem

 


A pole conseguida na base da malandragem no sábado foi primordial para George Russell voltar a vencer na F1 em 2026. Com o posicionamento a seu favor, Russell pôde administrar melhor o forte desgaste de pneus no Red Bull Ring e triunfar pela segunda vez no ano. Mais importante foi Russell diminuir ainda mais a distância que tem para seu companheiro de equipe Antonelli no campeonato, com o italiano subindo ao pódio depois do seu abandono em Barcelona, tendo o genial Max Verstappen entre eles. Após seu forte acidente na classificação, Max fez uma excelente corrida na casa de sua equipe e terminou a prova em segundo.


Fez um calor quixadaense nas montanhas da Estíria nesse domingo, fazendo que novamente o desgaste de pneus fosse um fator determinante para o resultado da corrida, como ocorrera na quinzena passada em Barcelona. Com a temperatura novamente passando dos 30ºC em Spielberg num final de semana escaldante na Áustria, gerir os pneus faria bastante diferença, mas Russell tratou de garantir um bom posicionamento na corrida ao fazer uma largada bem diagonal, fechando a linha de Charles Leclerc e confirmar sua pole ao emergir na primeira curva na ponta. Já seu companheiro de equipe Antonelli fez uma primeira volta bem atrapalhada, onde saiu da pista nas curvas um e três, mas sem maiores prejuízos ao italiano. Leclerc começava o seu calvário ainda na primeira volta, quando se viu atacado por Hamilton e o inglês assumiu a segunda posição, enquanto Charles iniciava uma corrida medonha com a outra Ferrari. Hamilton em segundo no começo da prova acendeu uma luz vermelha na Mercedes, pois em Barcelona Lewis fez uma grande corrida e garantiu sua primeira vitória com a Ferrari executando uma agressiva estratégia aliada ao forte calor em Barcelona. Na Áustria Hamilton estava numa situação similar, com o inglês da Ferrari ainda melhor posicionado e isso criou uma expectativa boa para os lados de Maranello.

Um pouco mais atrás o pobre ritmo de Leclerc o fez ser atacado por Antonelli, mas corroborando com o início de corrida atabalhoado do italiano, Kimi ultrapassou Leclerc saindo da pista, o obrigado a devolver a posição. Max Verstappen enxergou nessa manobra uma chance de ouro e enquanto Antonelli cedia sua posição de volta para Leclerc, Max ultrapassou a ambos, assumindo o terceiro lugar. Hamilton estava num ritmo de espera, mas tinha Russell nas suas vistas. Já Max Verstappen, impelido pela sua torcida que lotou uma arquibancada em Red Bull Ring, alcançava o inglês da Ferrari. Desde 2021 os encontros entre Lewis e Max são garantia de entretenimento e Red Bull Ring não foi exceção. Max tentou um ataque na curva 3, mas recebeu o troco logo em seguida. Foi irônico ouvir Max pedir punição por um comportamento em que muitas vezes ele o faz. Tudo isso deixava Russell ainda mais tranquilo, pois se antes da briga o inglês tinha 2s de vantagem sobre Lewis, a disputa fez essa vantagem subir para 5s. Hamilton rapidamente foi aos pits e pela volta (11º), Lewis novamente iria para uma estratégia de três paradas.

Algumas voltas depois George e Max fizeram suas paradas, enquanto Antonelli, que reclamava dos freios e de si mesmo via rádio, ficava mais tempo na pista. E o italiano teria mais do que reclamar quando entrou no pit-lane no exato momento em que Carlos Sainz abandonava seu Williams na reta dos boxes, trazendo o Safety-Car Virtual. Mais uma volta e Kimi ganharia um terreno enorme...


De forma surpreendente a Ferrari trouxe Hamilton aos boxes mais uma vez e colocou pneus macios no carro do inglês, fazendo-o cair para trás de Hadjar e logo à frente de Lando Norris, que tinha acabado de fazer sua parada. Mais importante do que isso foi constatar que Russell, agora com pneus duros, não tinha o mesmo rendimento e Verstappen se aproximava lentamente. Antonelli voltou à pista em quarto após sua parada e teve que ultrapassar Leclerc novamente para ficar em terceiro. A corrida estava nas mãos dos três primeiros e o momento da parada de cada um deles definiria a corrida. Com claras dificuldades com os pneus, Russell foi o primeiro a parar pela segunda vez, com Max parando seis voltas mais tarde e Antonelli esperando mais três voltas para realizar a parada de número dois. Isso criou uma espécie de efeito sanfona nos três primeiros. A parada mais cedo de Russell o deu uma ligeira vantagem nas primeiras voltas, mas com dificuldades com os pneus duros, o inglês perderia rendimento para Max e Kimi. Em menor grau, o mesmo ocorreria com Antonelli em relação à Verstappen. As voltas finais foram tensas, com o terceiro colocado (Antonelli) mais rápido que os dois primeiros, com o líder da corrida (Russell) sendo o mais lento. Porém, se nada demais ocorresse, as posições seriam mantidas, mesmo que os três cruzassem a linha de chegada bem próximos. Kimi conseguiu uma grande aproximação na última volta, mas conhecendo Max Verstappen, ele defenderia sua posição com unhas e dentes, fazendo-o se aproximar bastante de Russell. Na bandeirada, George Russell tinha menos de 2s o separando para o terceiro colocado Antonelli, com Max Verstappen no meio do sanduíche da Mercedes.


Não foi uma vitória brilhante de George Russell, mas que começou com a pole polêmica conseguida no sábado e com o melhor posicionamento, administrou muito bem a corrida, mesmo com Max e Kimi mais rápidos do que ele nas voltas finais. Apesar de Russell continuar sofrendo com os pneus mais duros de cada final de semana e não ter sido o 'melhor homem em campo', essa vitória poderá fazer bem à confiança de Russell, que parecia abalada pelas constante derrotas sofridas para Antonelli nas últimas semanas. O início claudicante de corrida de Antonelli, admitido pelo próprio, fez com que o italiano se atrasasse de forma definitiva e não lutasse pela vitória, mas Kimi não pode renegar os pontos do terceiro lugar, que o colocam ainda com uma liderança confortável no campeonato, enquanto Russell reassumiu a vice-liderança, mesmo ainda quarenta pontos atrás de Antonelli.


No entanto Toto Wolff e seus blue caps tem que abrir o olho para a concorrência, cada vez mais próxima da Mercedes. Se em Barcelona a Ferrari quebrou a invencibilidade prateada em 2026, nesse domingo Max Verstappen levou novamente seu Red Bull nas costas a brigar pela vitória. Ainda mancando pela pancada no sábado, Verstappen usou muito bem os updates da Red Bull para uma segunda posição excelente. As brigas com Hamilton atrasaram Verstappen e pode ter feito muita diferença para o que seria uma surpreendente vitória do neerlandês. Já a Ferrari foi a grande decepção do domingo. Num cenário parecido de Barcelona, dessa vez os italianos não foram tão cuidadosos com os pneus quanto o foram na Catalunha e mesmo repetindo a tática de três paradas, Lewis Hamilton teve que se conformar com uma apática quinta colocação, bem longe dos líderes. Pior foi Leclerc, que esteve sempre com um ritmo abaixo do companheiro de equipe e lento na pista, teve que fazer um pit-stop extra que o fez cair para oitavo, o último dos pilotos das quatro grandes. Os treinos livres indicavam uma McLaren forte em ritmo de corrida, mas na prática isso não foi visto. Piastri largou melhor do que Norris e com isso garantiu as melhores opções para os táticos da McLaren, mas isso só garantiu um quarto lugar ao australiano, enquanto Norris teve que se contentar com a sétima posição, logo atrás de Hadjar, que fez uma prova discreta, mas pelo menos garantindo bons pontos para a Red Bull no Mundial de Construtores. Ou seja, fazendo o que dele, Hadjar, é esperado.


Largando entre os dez primeiros, a dupla da Racing Bulls liderou o pelotão intermediário de ponta a ponta, mesmo Liam Lawson ter reclamado de um pequeno incêndio em seu carro no começo da prova. De alguma forma o fogo se apagou e o neozelandês garantiu a nona posição, à frente de Lindblad. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, surpreendeu ao largar com pneus macios, manteve um ritmo superior ao do seu companheiro de equipe Hulkenberg e pela terceira corrida consecutiva, conseguiu a 11º posição, permanecendo com os mesmos pontos conquistados na primeira corrida da temporada. A Audi parece ter um ótimo chassi, mas sofre com o primeiro motor construído pela montadora. Alpine e Haas brigaram pelas posições seguintes, enquanto a Williams continua seu ano horrível e o barulho feito pelo carro de Sainz quando ele abandonou exemplifica bem a temporada da Williams. Mesmo Albon tendo feito uma corrida miserável, Alonso ainda terminou um minuto atrás do anglo tailandês com sua Aston Martin que toma 1s em média de uma equipe como a Cadillac, que abandona com seus dois carros por incêndios ainda nas voltas iniciais. 


A corrida no Red Bull Ring pode marcar o ressurgimento de George Russell no campeonato, mesmo o inglês estar longe de fazer um certame de levantar as sobrancelhas. George soube usar as circunstâncias ao seu favor e uma vitória pode faze-lo a recuperar a confiança perdida. Mesmo em terceiro, a sensação que ficou foi que Antonelli performou mais do que seu companheiro de equipe, mas a Mercedes tem que observar pontos como a falta de confiabilidade (o motor de Sainz foi mais um Mercedes a quebrar) e a chegada dos seus rivais na luta por vitórias.

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