A facilidade com que Alex Palou domina a Indy na atualidade desconcerta até mesmo seus adversários. Em Washington, Kyle Kirkwood chegou a chamar Palou de lenda pela forma como conquistou a pole. Não se pode comparar a Indy atual com os seus áureos tempos na década de 1990, contudo o plantel da Indy em 2026 está longe de ser ruim. Além de Kirkwood, temos pilotos de um bom nível, como Pato O'Ward, que venceu a rodada dupla Milwaukee, seu companheiro de equipe na McLaren Christian Lundgaard, o trio da Penske, mesmo Josef Newgarden não estando mais no seu prime. Isso sem contar que Palou tem como companheiro de equipe Scott Dixon, uma lenda viva da Indy. Mesmo contando com esses e outros bons valores no grid, Alex Palou domina a Indy como poucas vezes foram vistas na longa história da categoria.
Mas será que o nível está tão forte mesmo ou Palou é que está um patamar acima a ponto do espanhol pedir passagem em outras categorias top? No paddock da Indy corre a história que Palou só não conquistou o hexacampeonato consecutivo por causa da confusão que Palou se meteu com a McLaren e a própria Ganassi em 2022. Quando conquistou seu primeiro título Palou falava que pensava na F1 e via na McLaren uma porta para lá, contudo, tudo passou de ilusão e uma grande dor de cabeça para todos os envolvidos. Palou é da mesma geração de Verstappen, Norris, Russell, Albon e Leclerc. O espanhol andava no mesmo nível do que eles, mas em tempos de academias de pilotos e cheques pomposos, Palou acabou sem espaço nas grandes categorias de base da Europa, acabando por escolher o Japão, onde foi pinçado pela Honda e seus resultados o levaram para a Indy. O resto é história.
Palou caberia na F1? O espanhol parece ter talento para tal, mas já beirando os 30 anos de idade e com poucas portas boas realmente abertas na F1, uma ida de Palou para a categoria não parece a melhor das ideias, além de correr o risco de repetir o que aconteceu com Bourdais, que após conquistar quatro títulos consecutivos na Champ Car, esbarrou num Sebastian Vettel faminto e saiu da F1 pelas portas dos fundos. Isso sem contar que a experiência de Colton Herta na F2 não parece animar muito os que pensam nessa ideia, apesar de todos serem unânimes que Palou é bem mais piloto do que Herta. Se não pode ir para a F1, Palou já se aventura no rico mundo do Endurance nos Estados Unidos, correndo pela IMSA.
E o que resta para Palou na Indy? Interessante notar como vários fãs da Indy se aborrecem com o domínio de Palou. Mesmo nos tempos da vacas magérrimas, os torcedores mais hardcore da Indy se agarravam na competitividade da categoria, mas com Palou vencendo quatro títulos consecutivos, fica difícil apontar uma Indy realmente diversa, mesmo as corridas da categoria permaneçam bastante acirradas. Olhando ao redor e observando que muitos pilotos correm na Indy de forma competitiva até mesmo além dos 40 anos, fica difícil saber até onde Palou vai parar. A sua adaptação ao eterno carro atual da Indy pode ser uma resposta e para tristeza desses fãs, o novo carro só irá aparecer em 2028, ou seja, Palou já é favorito destacado para a próximo temporada.
No fim, percebemos que Alex Palou já é um piloto histórico dentro da Indy, com cinco títulos (quatro consecutivos) e uma 500 Milhas no currículo com menos de 29 anos e muito ainda a conquistar, pois sua carreira na Indy tende a ser ainda muito longa. Mesmo Palou tendo condições de migrar para a F1, a chance de brigar por vitórias e títulos é diminuta demais para fazer valer a pena. Correndo pela equipe com mais títulos na história da Indy (a Ganassi ultrapassou a Penske hoje) e com o mesmo carro em 2027, Alex Palou tem tudo para aumentar seus números já superlativos e entrar definitivamente na história de esporte a motor.

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