Kimi Raikkonen vem mostrando o porquê do seu alto salário na Ferrari. No final de uma semana que viu até Ron Dennis chorar pelo escândalo proporcionado por engenheiro de McLaren e Ferrari, Raikkonen foi o mais rápido na sexta-feira, à frente do queridinho da mídia inglesa Lewis Hamilton nos tempos combinados. A velocidade do finlândes é inquestionável, mas Kimi vinha um pouco adormecido nessa primeira metade de temporada e agora, cada vez mais acostumado com a Ferrari, vem superando com cada vez mais freqüência Felipe Massa. É uma pena para a Ferrari é que esse retorno de Kimi aconteça justamente quando sua desvantagem para Hamilton chegou a 22 pontos.
Outro que deve estar lamentando não ter aproveitado todas as chances que teve foi Felipe Massa. O brasileiro foi o piloto que mais largou na pole neste ano, mas vacilou em duas oportunidades e agora vê Kimi cada vez mais forte. Talvez essa acordada de Kimi tenha chegado tarde demais e o título fique para um piloto da McLaren, mas para 2008 Kimi já entraria com muita moral. Acorda logo, Felipe! Outro que precisa de um despertador urgente é Alonso, que foi apenas o sexto mais rápido nesta sexta, quase 1s mais lento que Raikkonen. Na entrevista coletiva de ontem, Alonso já deu a dica que o campeonato está se esvaindo por entre seus dedos.
A grande surpresa do dia foi a Toyota, mas principalmente por Ralf ter superado Trulli. Antes de fazer mais comentários, vamos lembrar de duas coisinhas que aconteceu a dez dias. A primeira foi que a Toyota liderou dois dos três dias de testes em Silverstone. A outra é que a Toro Rosso colocou Speed em terceiro semana passada em Magny-Cours. Qual a verdadeira cara da Toyota nesse final de semana? Saberemos a partir de amanhã. A Williams colocou Rosberg logo atrás de Alonso e, aleluia!, Wurz ficou muito próximo ao seu jovem companheiro de equipe. A BMW andou muito mal e Kubica ainda ficou entre os dez, mas Heidfeld ficou apenas em décimo segundo.
No dia em que David Coulthard foi confirmado pela Red Bull para 2008, Mark Webber superou o escocês mais uma vez, mas não deixa de ser estranho ver a marca das bebidas energéticas tão atrás de umas corridas para cá. Outra que vem supreendende negativamente é a Renault, com Kovalainen, que conhece como poucos a pista de Silverstone, ficando em décimo terceiro com Fisichella logo atrás. Piquetzão já disse que o Piquezinho está certo na equipe francesa para o ano que vem, mas pelos resultados alcançados pela Renault, Nelsinho ficará longe de se igualar os resultados Hamilton esse ano.
A Honda teve vários problemas hoje. E não foi apenas com o carro. Button não participou da segunda sessão por dores nas costas, mas não adiantou muito, pois Barrichello foi décimo sétimo, com o piloto de testes Christian Klien logo atrás. Como se não bastasse tudo isso, o escândalo Stepneygate pode respingar na equipe, pois surgem rumores que Stepney, Coughlan e mais quarto engenheiros estavam prontos para ir para a Honda no ano que vem. Mas que fase hein? Com o emprego cada vez mais ameaçado, o homem da mangueira Christijan Albers superou seu companheiro Adrian Sutil. Mas esse holandês aí irá escapar da degola, só restando saber se ele dura até o final da temporada ou não.
O pouco que eu assisti dos treinos livres, vi que nuvens negras estacionaram na pista de Silverstone, mas não caiu um pingo hoje. Pelas últimas corridas no GP da Inglaterra, uma chuvinha não seria nada mal para a corrida.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
quinta-feira, 5 de julho de 2007
História: 15 anos do Grande Prêmio da França de 1992
Muita gente pensa que as ordens de equipe só existiram na Ferrari, mas especificamente na era Schumacher, principalmente contra Rubens Barrichello. Para quem sabe um pouco da história da F1, isso não é verdade, mas ainda assim, muitos afirmam que a Williams sempre deixou seus pilotos brigarem entre si, vide a famosa briga entre Piquet e Mansell no biênio 1986-87. Justamente por causa dessa briga a Williams entrou numa crise tão grande quanto a atual quando perdeu a Honda e Piquet foi embora magoado por não ter sido possível cumprir o combinado quando chegou à equipe. Mansell foi embora para a Ferrari em 1989 e a Williams ficou órfão de um grande piloto. Desde 1990 a equipe de Frank Williams estava no início da parceria com a Renault e os carros projetados por Adryan Newey melhoravam a olhos vistos, mas ainda faltava alguma coisa. A mídia inglesa queria que Mansell fosse campeão. Os patrocinadores da Williams, maioria ingleses, queria dar o título a Mansell. Para 1991 Mansell voltava à Williams para conquistar seu sonhado título. Riccardo Patrese foi o escolhido para ser o companheiro de equipe de Mansell e já estava avisado: Mansell era o primeiro piloto! Em 1991 Mansell teve a chance de conseguir o título, mas uma coisa passou desapercebida: Patrese superou inúmeras vezes o inglês durante os treinos. Para 1992 Newey construíu o fantástico Williams FW14 à maneira Nigel Mansell, enquanto o coitado do Patrese ficava com as sobras.
Após o Grande Prêmio do Canadá de 1992, onde Mansell errou feio na frente de Senna e perdia o segundo Grande Prêmio consecutivo, a F1 se dirigiu ao circuito de Magny-Cours para a oitava etapa do campeonato. Ou tentava chegar. Uma grande greve de motoristas de caminhão tinha parado toda a França e os grevistas tinham fechado todas as estradas. A Andrea Moda foi a única equipe a não conseguir chegar ao autódromo a tempo e ficou de fora da corrida e assim não haveria pré-classificação. Correndo literalmente em casa, a Ligier-Renault estava muito bem, mas isso não evitou da equipe levar um susto quando Erik Comas sofreu um grave acidente durante um treino e o carro saiu voando em cima da McLaren de Berger. Comas estava ileso. Não foi o caso de Christian Fittipaldi. Quando já chovia, o brasileiro tocou sua Minardi na Footwork de Alboreto e o Christian bateu forte no muro. Fittipaldi teve a quinta vértebra fraturada e estava de fora da corrida.
O clima era um fator crucial em Magny-Cours, mas como não choveu na Classificação Mansell conseguiu mais uma pole à frente da outra Williams de Patrese. A dobradinha da Williams era o que mais acontecia em 1992.
Grid:
1) Mansell(Williams) - 1:13.864
2) Patrese(Williams) - 1:14.332
3) Senna(McLaren) - 1:15.199
4) Berger(McLaren) - 1:15.316
5) Schumacher(Benetton) - 1:15.569
6) Alesi(Ferrari) - 1:16.118
7) Brundle(Benetton) - 1:16.151
8) Capelli(Ferrari) - 1:16.443
9) Boutsen(Ligier) - 1:16.806
10) Comas(Ligier) - 1:16.938
No domingo de manhã havia chovido e a pista estava úmida, mas na hora da corrida não estava mais chovendo.

Patrese largou melhor do que Mansell e deixou seu companheiro de equipe em segundo. A freada para o hairpin Adelaide seria complicado com a pista úmida e a rivalidade entre o tricampeão Ayrton Senna e o então novato Michael Schumacher iria aflorecer. Schumacher, largando em quinto, errou a freada e acertou Senna no meio, fazendo com que os dois rodassem, mas o alemão pode continuar, ao contrário de Senna que ficou por ali mesmo juntos com vários outros pilotos que também se envolveram em pequenos acidentes. Notavelmente Andrea Chiesa teve muita sorte em sair ileso quando sua suspensão dianteira voou e destruiu seu rollbar, passando a centímetros da cabeça do suíço.
Com todos esses incidentes, a Williams liderava tranquilamente com Patrese à frente. O terceiro colocado Berger passou pouco tempo na pista quando o motor Honda quebrou na décima volta. Péssima corrida para a McLaren. Então começou a chover. Mais atrás Hakkinen vinha se destacando na pista molhada e ultrapassou a Ferrari de Alesi na volta 15 para ser quarto, mas a chuva ficou tão forte que a corrida foi parada com bandeira vermelha.
Quando a tempestade perdeu intensidade, o grid foi formado para a segunda parte da corrida. Durante a paralisação Senna foi conversar com Schumacher sobre o acidente mais cedo. A ordem da segunda largada era:
1) Patrese
2) Mansell
3) Brundle
4) Alesi
5) Hakkinen
6) Boutsen
7) Comas
8) Herbert
9) Capelli
10) Alboreto
Quando foi dada a largada Mansell pressionou Patrese e chegou a ficar à frente do italiano no final da reta dos boxes, mas Patrese retomou a liderança, mas antes de completarem a primeira volta Patrese claramente tirou o carro de lado. Problemas? Que nada! Foi só o tempo para Mansell se valer do status de primeiro piloto e ir embora. De repente a chuva volta e todos os principais pilotos vão colocar pneus de chuva, mas Alesi teima em ficar na pista molhada, ficando em terceiro por oito voltas até ir aos boxes colocar os pneus adequados, mas apenas cinco voltas depois Alesi voltou aos boxes com o motor Ferrari quebrado.
Mesmo com a corrida sendo dividada em duas e uma pista muito molhada Mansell venceu com incríveis 46s de vantagem em cima de Patrese, seguido pela Benetto de Brundle. Somente esses três completaram as 69 voltas previstas. Após a corrida Patrese estava visivelmente contrariado e na entrevista pós-corrida um réporter perguntou a Patrese se havia ordens de equipe na Williams. A resposta de Patrese foi ao mesmo tempo vazia e reveladora. "Não vou comentar sobre isso." Precisava dizer mais alguma coisa?
Chegada:
1) Mansell
2) Patrese
3) Brundle
4) Hakkinen
5) Comas
6) Herbert
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Página policial
É impressionante como pessoas que tem um bom emprego, um ótimo salário e ainda assim podem se corromper de forma a comprometer suas próprias carreiras e prejudicar toda uma sociedade. Não, não estou falando de Renan Calheiros ou Joaquim Roriz, pois em Brasília a safadeza come solta faz tempo, ainda mais nesse governo Lula. Estou falando no mais impressionante caso de espionagem que a F1 já teve notícia. A rivalidade entre Ferrari e McLaren vem de longa data e mesmo com a impromissão de Williams, Benetton e Renault em algumas épocas, as equipes que dominam a F1 são mesmo Ferrari e McLaren. Nesse ano o campeonato será mais uma vez decidido entre as duas escuderias, numa disputa sensacional para ver qual das duas irá dar o melhor carros aos seus pilotos, mas eis que surge um intrincado jogo de sabotagem e espionagem que vem abalando a F1 na véspera do Grande Prêmio da Inglaterra.
Tudo começou quando a Ferrari anunciou que Nigel Stepney teria sabotado os carros de Massa e Raikkonen na véspera do GP de Mônaco. Stepney faz parte do alto escalão da Ferrari desde 1993 e para quem não se lembra, ele foi atropelado por Michael Schumacher no GP da Espanha quando Stepney era o responsável pela mangueira de reabastecimento (ainda bem que ele não foi responsável pela mangueira do Albers, sem bricandeiras, por favor). Ou seja, Stepney é uma pessoa conceituada dentro da F1 não é hoje. Desde o longuínquo ano 1984 Stepney conheceu o engenheiro mecânico Mike Coughlan (Desgraçado! Arruinando com a reputação da categoria!) na Lotus e entre idas e vindas, Stepney e Coughlan sempre trabalharam juntos. Coughlan é outro que cara respeitado na F1, tanto que sua função na McLaren é a mesma do gênio Adryan Newey.
A coisa começou a desandar quando Stepney não foi promovido a diretor técnico com a saída de Ross Brawn. O inglês não escondeu a decepção de ter ficado de fora e deve ter pensado "Italianos escrotos! Ralei 15 anos da minha vida aqui dentro para ser tratado assim. Vocês me pagam!" Stepney foi afastado no começo do ano, mas ele queria vingança. Ele pensou numa forma bem maquiavélica para prejuicar a Ferrari. "Já sei! Vou ajudar a McLaren... Mas como?" Stepney pensou e se lembrou do velho colega de trabalho Coughlan, que é desenhista-chefe da rival. Coughlan, doido para mostrar serviço e tirar a McLaren da fila, não hesitou em aceitar os documentos do amigo da onça. "Como esses caras passaram tanto tempo sendo campeões Nigel?", começa Coughlan. "Calma, Mike, dá uma olhada nesses desenhos e você começará a entender." E assim começou um dos maiores escandâlos da história recente da F1.
Claro que não sei se a trama se desenrolou assim, mas para dois técnicos do calibre de Stepney e Coughlan se corromperem dessa foram, a única coisa que me vem a cabeça é isso. Se foi assim, tudo bem, que prenda os dois, mas e se Ron Dennis sabia disso desde o início? Não daquelas pessoas da teoria da conspiração, mas que isso ainda pode dar treta, isso pode.
Tudo começou quando a Ferrari anunciou que Nigel Stepney teria sabotado os carros de Massa e Raikkonen na véspera do GP de Mônaco. Stepney faz parte do alto escalão da Ferrari desde 1993 e para quem não se lembra, ele foi atropelado por Michael Schumacher no GP da Espanha quando Stepney era o responsável pela mangueira de reabastecimento (ainda bem que ele não foi responsável pela mangueira do Albers, sem bricandeiras, por favor). Ou seja, Stepney é uma pessoa conceituada dentro da F1 não é hoje. Desde o longuínquo ano 1984 Stepney conheceu o engenheiro mecânico Mike Coughlan (Desgraçado! Arruinando com a reputação da categoria!) na Lotus e entre idas e vindas, Stepney e Coughlan sempre trabalharam juntos. Coughlan é outro que cara respeitado na F1, tanto que sua função na McLaren é a mesma do gênio Adryan Newey.
A coisa começou a desandar quando Stepney não foi promovido a diretor técnico com a saída de Ross Brawn. O inglês não escondeu a decepção de ter ficado de fora e deve ter pensado "Italianos escrotos! Ralei 15 anos da minha vida aqui dentro para ser tratado assim. Vocês me pagam!" Stepney foi afastado no começo do ano, mas ele queria vingança. Ele pensou numa forma bem maquiavélica para prejuicar a Ferrari. "Já sei! Vou ajudar a McLaren... Mas como?" Stepney pensou e se lembrou do velho colega de trabalho Coughlan, que é desenhista-chefe da rival. Coughlan, doido para mostrar serviço e tirar a McLaren da fila, não hesitou em aceitar os documentos do amigo da onça. "Como esses caras passaram tanto tempo sendo campeões Nigel?", começa Coughlan. "Calma, Mike, dá uma olhada nesses desenhos e você começará a entender." E assim começou um dos maiores escandâlos da história recente da F1.
Claro que não sei se a trama se desenrolou assim, mas para dois técnicos do calibre de Stepney e Coughlan se corromperem dessa foram, a única coisa que me vem a cabeça é isso. Se foi assim, tudo bem, que prenda os dois, mas e se Ron Dennis sabia disso desde o início? Não daquelas pessoas da teoria da conspiração, mas que isso ainda pode dar treta, isso pode.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
História: 35 anos do Grande Prêmio da França de 1972
Até 1972 os capacetes dos pilotos eram uma mera forma de tentar proteger a cabeça dos pilotos, mas ainda assim o material dos cascos do capacete eram de plástico reforçado, enquanto os visores serviam apenas para os pilotos enxergarem a pista. Como o GP da Holanda de 1972 foi cancelado porque o trabalho de segurança feito na pista de Zandvoort não tinha sido terminado a tempo, o circo da F1 foi para o perigoso autódromo de Clermont-Ferrand. O autódromo francês era uma pista das antigas, uma estrada nos dias normais, com mais de oito quilômetros de extensão com várias subidas e descidas, curvas de todos os ângulos e muita velocidade, mas com poucas áreas de escape. Contudo, o maior problema de Clermont-Ferrand era seu asfalto muito ruim e para a corrida de 1972 a pista tinha sido recapeada para melhorar o padrão de segurança, mas os organizadores não tinham varrido os pedriscos que estavam a margem da pista, aumentando ainda mais o perigo para os pilotos.Após ficar de fora do Grande Prêmio da Bélgica que tinha sido realizado um mês antes devido a uma úlcera no estômago, Jackie Stewart estava de volta à F1. A Tyrrell resolveu usar o GP do seu patrocinador principal, a Elf, para uma série de novidades, como o novo chassi 005 e a estréia da nova promessa francesa de então Patrick Depailler. Stewart resolveu não arriscar em correr com o carro novo e então François Cevert ficou a cargo de usar o chassi novo. E Stewart não podia arriscar mesmo. Ele estava apenas em quarto lugar no campeonato e seu problema de saúde o atrapalhou muito na briga com Emerson Fittipaldi na batalha pelo campeonato. Stewart precisava se recuperar o mais rápido possível se quisesse pensar no título. A Ferrari teve vários problemas com seus pilotos, com Mario Andretti ocupado nos E.U.A. e Clay Regazzoni com o braço quebrado num jogo de futebol. A Ferrari trouxe da Tecno Nanni Galli para ser o companheiro de Jacky Ickx, enquanto a pequena equipe italiana correu com Derek Bell.
Os treinos mostrou que o velho circuito de Clermont-Ferrand ainda matinha a sua magia, mas as pedras foram o pesadelo dos pilotos, com vários pneus furados. Além da Tyrrell, a Matra também estava estreando um chassi novo e correndo em casa a equipe colocou Chris Amon na pole position. Completando uma primeira fila toda neozelandeza, Dennis Hulme ficou em segundo no grid com uma McLaren. Stewart voltava em terceiro, mas a grande surpresa da Classificação foi o excelente desempenho da BRM de Helmut Marko. O austríaco era a grande esperança austríaca após Jochen Rindt e mesmo tendo que estudar direito na faculdade, Marko logo ganhou destaque e passou a ser piloto profissional e o seu maior feito foi vencer as 24 Horas de Le Mans junto com o holandês Gijs van Lennep à bordo de um Porsche 917. Marko estreou na F1 em 1971 num McLaren privado e foi contratado pela BRM para 1972. Na época a BRM alinhava em média cinco carros e isso significava uma grande perda de foco. Na França, Marko finalmente se sobressaiu e mostrou a todos o seu talento ao ser quinto colocado à frente de estrelas do quilate de Emerson Fittipaldi e François Cevert, que bateu seu novo Tyrrell durantes os treinos, mas iria correr. Galli estava desapontando na Ferrari, ficando só em 19º enquanto o herói local Jean-Pierre Beltoise teve que largar lá atrás no grid com o carro de Howden Ganley depois que o carro do francês quebrasse no domingo pela manhã.
Grid:
1) Amon(Matra) - 2:53.4
2) Hulme(McLaren) - 2:54.2
3) Stewart(Tyrrell) - 2:55.0
4) Ickx(Ferrari) - 2:55.1
5) Schenken(Surtees) - 2:57.2
6) Marko(BRM) - 2:57.3
7) Cevert(Tyrrell) - 2:58.1
8) Fittipaldi(Lotus) - 2:58.1
9) Peterson(March) - 2:58.2
10) Hailwood(Surtees) - 2:58.3
Amon largou bem e permaneceu em primeiro à frente de Hulme e Stewart com Ickx e Marko logo atrás. Nas primeiras voltas Fittipaldi foi para cima dos seus adversários e ficou à frente de Hailwood, Schenken e Marko para ficar em quinto na volta de número 5. Na
nona volta o ponto mais triste da corrida aconteceu. Correndo em sexto lugar, Helmut Mark vinha colado na Lotus de Fittipaldi quando uma pedra foi jogada pelo carro do brasileiro e foi direto na viseira do austríaco. Marko teve muita habilidade em evitar que um grande acidente acontecesse pois ele estava a mais de 200 km/h. O austríaco ainda conseguiu estacionar seu BRM ao lado da pista e quando os comissários chegaram na BRM Marko estava desmaiado. Embora fosse levado rapidamente a unidade médica do circuito de Clermond-Ferrant, Marko teve seu olho esquerdo vazado pela pedra e mesmo com várias cirurgias realizadas pelos maiores oculistas do mundo, ele nunca mais pode pilotar novamente e sua promissora carreira terminou naquele momento..jpg)
Voltando a corrida, Peterson assumiu o sexto lugar depois de ter ultrapassado Hailwood. Stewart estava querendo muito sua recuperação no campeonato e na volta 17 ultrapassou a McLaren de Hulme, mas Amon já tinha enorme diferença em primeiro. Somente um desastre poderia acabar com a corrida de Amon, mas como estamos falando do "Rei do azar", o desastre não tardo a acontecer. As pedras não apenas tinha acabado com a carreira de Marko, como também estava atrapalhando a vida de vários pilotos. Na volta 19 Amon teve que ir aos boxes trocar um pneu furado pelas pedras voadoras e três voltas depois foi a vez de Hulme ter o mesmo destino. Enquanto Stewart dispava na frente, Ickx assumia a segunda posição seguido por Emerson e Peterson, mas Amon vinha fazendo uma corrida arrebatadora e era o mais rápido na pista.
Na volta 28 foi a vez de Ickx sofrer com a pedras de Clermont-Ferrand e teve que ir aos boxes trocar um pneu furado, mesmo destino teve que o terceiro piloto da Tyrrell Depailler. Até mesmo Stewart sofreu com as pedras, mas o escocês teve muita sorte, pois uma pedra foi lançada contra sua viseira, mas como pegou de raspão, seu capacete ficou apenas danificado e ele pode seguir em frente. Mais atrás Amon vinha feito um maníaco e ultrapassou Peterson para ser quarto e ultrapassou François Cevert na última volta para ser terceiro. No ritmo que vinha ele poderia tirar o segundo lugar de Emerson, mas lhe faltou tempo. Porém, Stewart pode comemorar sua volta com grande estilo e agora poderia respirar no campeonato, mas o escocês não se conformou com o acidente de Marko. Stewart entrou em contato com os fabricantes, a Dupont e a Be
ll, e a partir do acidente de Marko as viseiras de plástico foram substituídas por viseiras a prova de bala.Após o seu acidente, Helmut Marko passou a ser um consultor muito conceituado, completou o doutorado em direito e passou a ser um olheiro para ajudar novos talentos, particularmente vindo da Áustria. Um dos primeiros piloto descobertos por Marko foi Gerhard Berger. Nos anos 90 Dr. Marko foi o líder da equipe RSM Marko que deu o título alemão de F3 para Jörg Müller e juntamente com o piloto alemão subiu para a F3000 onde se sagrou campeão europeu em 1996, também com Müller. Com o aumento dos custos, Marko se mudou para os Estados Unidos, mas em 1999 a RSM Marko voltou à F3000 em parceira com a Red Bull, mas eventualmente vendeu a equipe e se tornou consutor técnico do dono da Red Bull Dietrich Mateschitz, ajudando com os planos dele na F1 até hoje.
Chegada:
1) Stewart
2) Fittipaldi
3) Amon
4) Peterson
5) Cevert
6) Hailwood
Figura(FRA): Robert Kubica
Num final de semana marcado por outro gravíssimo acidente, desta vez na GP2, Kubica provou que além de ser rápido e talentoso, tem uma cabeça muito forte. Literalmente! Após sair praticamente ileso do espetacular acidente em Montreal, onde apenas torceu o tornozelo onde em outros tempos ele estaria morto, Kubica poderia ter sido mais cauteloso nessa sua volta à F1 em Magny-Cours, mas ele surpreendeu a todos e conseguiu um resultado espetacular nesse seu retorno ao cockpit da BMW. Superou seu rápido companheiro de equipe Nick Heidfeld em todos os treinos, foi o único a se aproximar do trio de ferro que dominou o final de semana francês e na corrida foi rápido e constante, exatamente do mesmo jeito que ele era antes de Montreal. Vale destacar a agressividade com que enfrentou Lewis Hamilton quando o inglês saiu dos boxes e os dois carros cruzaram o curvão Estoril lado a lado, a poucos centímetros um do outro. Kubica sabia que manter uma posição na marra não valeria muito a pena e não se desanimou muito em deixar Hamilton passar e quase tomou o lugar do pódio da sensação desta temporada graças a estratégia de box. Ao chegar em quarto Kubica não apenas superou seu companheiro de equipe e igualou o seu melhor resultado do ano como, principalmente, superou o maior medo de um piloto de F1 que é o próprio medo.
Figurão(FRA): Christijan Albers
Pensei seriamente em colocar a Renault nesse panteão dos ridículos do Grande Prêmio da França, mas Christijan Albers superou até mesmo fiasco da montadora francesa dentro de casa. O holandês, que chegou à F1 com fama de rápido, está se mostrando uma verdadeira decepção e nem mesmo o desastrado Jos Verstappen fez tanta presepada quanto o antipático holandês. Correndo na pior equipe do campeonato, tudo que um piloto pode fazer é derrotar seu companheiro de equipe e Albers vem sendo superado constantemente por seu colega de box, mas o problema é que Adrian Sutil é apenas um novato, enquanto Albers já está na sua terceira temporada. Em Magny-Cours Albers vinha até superando Sutil, mas na corrida cometeu uma das maiores besteiras dos últimos tempos. Durante sua parada, Albers ficou impaciente enquanto a Sypker demorava mais do que o previsto e do nada acelerou tudo, sem a autorização prévia da equipe, quase machucando seus mecânicos e ainda produzindo uma das imagens do fim de semana ao levar junto ao seu carro a mangueira de reabastecimento, tendo que abandonar bizonhamente logo após a saída de box. Mesmo não machucando ninguém da equipe, Albers saiu da França com o seu ego ferido por tamanha pataquada e seu nome foi clamado nos jornais da Europa como um trapalhão. Se não fosse o tamanho do cheque dos seus patrocinadores fatalmente Albers estaria no olho da rua uma hora dessa, mas do jeito que ele vem andando, este será seu último ano na F1.
domingo, 1 de julho de 2007
A volta de Kimi
Quando Raikkonen saiu bem próximo de Massa após a primeira parada eu pensei comigo mesmo: Raikkonen vai ganhar essa corrida. Por mais que o trio global tentasse nos provar o contrário, Kimi tinha tudo para vencer em Magny-Cours e não deu outra. Não me perguntem as dezenas da próxima mega sena, mas estava claro que Raikkonen iria parar depois de Massa na segunda parada e por isso iria colocar menos combustível e daria umas três voltas muito rápidas a mais do que Felipe. Besta é quem acreditou nas contas do Reginaldo...Com esse triunfo de Kimi, a Fórmula 1 chega à sua oitava corrida do ano com quatro vencedores no ano e todos eles com duas vitórias cada. Emocionante, não? Em termos. A corrida de Magny-Cours não foi um primor de emoção como as corridas na América do Norte, mas graças a Alonso também não foi uma corrida totalmente sem sal. Foi animadinha, para ser bondoso. E assim vem sendo a maioria das corridas de 2007. Além de voltar a respirar no campeonato, Raikkonen escreveu seu nome no Grande Prêmio da França ao se tornar o último vencedor em Magny-Cours. Agora nos resta saber aonde será o próximo Grande Prêmio francês, isso se tiver.
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A corrida começou a se decidir quando Raikkonen ultrapassou Hamilton na largada e acompanhou de perto o então líder Massa. Felipe vinha imprimindo um ritmo parecido com o qual lhe garantiu a vitória em Barcelona e no Oriente Médio, mas o fato dele ter parado mais cedo que Kimi mostrou que Raikkonen estar na segunda fila era um caso estratégia diferente. Entre as duas paradas da Ferrari Kimi nunca ficou a menos de dois segundos de Felipe e a ultrapassagem do finlandês nos boxes era um fato claro para mim. E assim aconteceu. Como é de praxe da Ferrari quando seus dois carros estão na frente na corrida, os carros não se atacaram e nem mesmo a ridícula torcida do Burti para que a Ferrari de número 6 quebrasse fez com que a vitória de Raikkonen fosse consolidada.
No pódio, chega a ser engraçado a frieza do Raikkonen frente a alegria contigiante dos mecânicos italianos e fez até que um convidado rastafari da Ferrari assobiasse o hino italiano. Felipe ficou cam cara de tacho no pódio e na entrevista pós-corrida Massa reclamou muito dos retardatários, mas ele se esqueceu de um pequeno detalhe: Kimi pegou os mesmos retardatários. Ou seja, Massa perdeu uma corrida que poderia ser importante no futuro do campeonato. E falando em coisas engraçadas, foi super interessante ver o Burti e o Regianaldo tentando achar uma desculpa para o Massa ter perdido essa corrida. É o famoso achar desculpa para o indisculpável.
Hamilton fez uma corrida bem burocrática, mas ao menos tentou ir para cima das Ferraris, sendo o único a parar três vezes na corrida. O inglês não teve ritmo para se aproximar dos carros de Maranello nem com o carro mais leve e maduro do que jeito que é, pensou unicamente no campeonato e relaxou após a terceira parada, ficando mais de 30s atrás do carros vermelho, mas vale o destaque para a agressividade do inglês ao ultrapassar Kubica na saída dos boxes na segunda parada. Eles cruzaram o curvão lado a lado e o piloto da McLaren completou a ultrapassagem no hairpin. Bela manobra! O coitado do Alonso foi o animador da corrida, mas quando encheram o tanque da McLaren o espanhol não fez mais nada e teve que se contentar com a sétima posição, ficando ainda mais longe de Hamilton. Porém vale destacar as bonitas ultrapassagens do espanhol, fato que animou bastante a corrida.
Kubica foi outro que andou super bem após ficar de fora da corrida nos Estados Unidos e nem parecia que ele estava voltando do terrível acidente em Montreal, conseguindo um bom quarto lugar à frente do seu companheiro de equipe Nick Heidfeld, que estava com dores nas costas, mas ainda segurou por vários voltas Alonso. Fisichella cheg
ou na França dizendo que a Renault estava próxima da BMW e inclusive a superaria. Batatas! Fisichella esteve longe de incomodar a marca bávara, mas teve a chance de se vingar de Alonso ao segurá-lo nas últimas voltas.Aleluia! A Honda marcou um ponto! Como sempre acontecesse com Barrichello, ele faz tudo pela equipe, anda bem, mas o maior momento da equipe no ano sempre fica para o companheiro de equipe. Após ser superado por Rubens o ano inteiro, Button fez uma bela corrida em Magny-Cours e chegou em oitavo, marcando o primeiro ponto da gigante japonesa. E ainda encostou na McLaren de Alonso. Barrichello fez uma corrida opaca e foi superado até pelo quase aposentado Ralf Schumacher. Rosberg finalmente viu a bandeirada, mas o problema é que quando ele vai até o final, ele não está nos pontos...
De resto, vale lembrar as pataquadas ridículas da primeira volta protagonizadas por Anthony Davidson na primeira curva e por Jarno Trulli no hairpin. Ambos abandonaram, sendo que Davidson levou consigo Liuzzi e Trulli acabou estragando a corrida de Kovalainen. Albers foi outro a errar feio ao não obedecer sua equipe e sair dos boxes levando a mangueira de combustível. Ao contrário do que normalmente acontece, a culpa foi unicamente do holandês que não obedeceu a equipe e arrancou com tudo, quase machucando seus mecânicos.
No campeonato, Hamilton teve sua vantagem aumentada com relação a Alonso, que agora tem Massa e Raikkonen nos seus calcanhares. Como a próxima corrida será em Silverstone, teremos dois lados na moeda deste campeonato. Correndo pela primeira vez em frente a sua torcida, Hamilton estará motivadíssimo e irá vencer de qualquer jeito, porém, a Ferrari conseguiu esse salto de qualidade justamente em Silverstone, nos testes da semana passada. E ainda temos o fator Alonso, que estará mordido. Façam suas apostas senhores, a roleta está rolando!
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