terça-feira, 9 de outubro de 2007

História: 30 anos da estréia de Gilles na Ferrari

A Ferrari estava planejando colocar um terceiro carro para o Grande Prêmio do Canadá de 1977 para a sua nova aquisição para a temporada 1978. Após uma estréia esfusiante, Gilles Villneuve tinha acertado com a Ferrari para sua primeira temporada completa na F1, mas o canadense ainda era um desconhecido no paddock e tudo o que se sabia dele eram seus títulos na Fórmula Atlantic e sua velocidade impressionante demonstradas durante o Grande Prêmio da Inglaterra de 1977, ainda pela equipe McLaren. Porém, o plano teve que ser modificado com a decisão de Niki Lauda abandonar a scuderia após ratificar seu título mundial uma semana atrás em Watkins Glen. Com isso, Villeneuve seria logo de cara o segundo piloto da casa de Maranello ao lado de Carlos Reutemann.

Uma coisa que poderia favorecer Gilles era seu conhecimento do rápido e perigoso circuito de Mosport Park. Durante os treinos o piloto inglês Ian Ashley sofreu um fortíssimo acidente, onde seu Hesketh capotou sobre as barreiras e atingiu uma base de câmera de TV. Ashley já tinha sofrido um seríssimo acidente em Nürburgring em 1975, quando quebrou suas pernas logo na estréia da F1 e no Canadá ele estava novamente ferido e para piorar, as equipes de socorro demoraram um bom tempo para assisti-lo. Jochen Mass e o novato Gilles Villeneuve também rodaram. Se o campeão já estava definido, ainda havia a briga pelo vice-campeonato entre Andretti e Scheckter, com o americando levando a melhor ao conseguir a pole. A Ferrari não estava conseguindo um bom acerto em Mosport Park e Villeneuve foi apenas décimo sétimo no grid, mas apenas cinco posições atrás de Reutemann.

Grid:
1) Andretti(Lotus) - 1:11.385
2) Hunt(McLaren) - 1:11.942
3) Peterson(Tyrrell) - 1:12.752
4) Nilsson(Lotus) - 1:12.975
5) Mass(McLaren) - 1:13.116
6) Depailler(Tyrrell) - 1:13.207
7) Jones(Shadow) - 1:13.347
8) Patrese(Shadow) - 1:13.435
9) Scheckter(Wolf) - 1:13.497
10) Watson(Brabham) - 1:13.500

O dia no Canadá começou como nos Estados Unidos uma semana atrás: com chuva no começo do dia. Porém, a precipitação tinha cessado e a pista estava seca na hora da largada. Andretti largou melhor e permaneceu na liderança, sendo perseguido pelas McLarens de Hunt e Mass. Os rivais e desafetos Andretti e Hunt dispararam na frente, conseguindo colocar uma boa diferença no terceiro colocado Mass. Atrás do alemão da McLaren, Nilsson assumiu a quarta posição inicialmente, mas na quarta volta Depailler ultrapassou o sueco. Mais atrás, quem vinha fazendo várias ultrapassagens era Scheckter e já na décima volta ocupava o sexto posto.

O sulafricano começou uma briga com Depailler e Nilsson, assumindo o quarto posto na volta 18 e por lá ficando por várias voltas. As posições ficaram inalteradas até a volta 60. Andretti e Hunt estavam num ritmo à parte e estavam prestes a colocar uma volta... no terceiro colocado Mass! Como bom companheiro de equipe, Mass deu uma segurada em Andretti e permitiu a ultrapassagem de Hunt, mas na volta seguinte, a pataquada. Mass acabou errando quando dava passagem para o líder e companheiro de equipe Hunt e os dois acabaram batendo. Hunt ficou tão injuriado que acertou uma porrada em Mass após a prova! O alemão rodou, mas ainda permeneceu na prova, ao contrário de Hunt.

Andretti assumiu uma tranqüila liderança e tinha tudo para vencer novamente em 1977. Porém, o americano foi surpreendido por várias falhas no seu Lotus e por isso não disputou o título com Lauda apesar da Lotus já ter o melhor carro da época. Algumas quebras foram cruéis e em Mosport Park não foi diferente, quando o motor de Andretti quebrou faltando apenas duas voltas e entregou de bandeja a vitória para Scheckter, que com esse resultado garantiu o vice-campeonato logo na estréia da equipe Wolf. Villeneuve teve mais cuidado dessa vez e não foi tão espetacular como em Silverstone e estava fazendo uma corrida discreta quando rodou faltando apenas quatro voltas para o fim. Esse seria a última corrida em Mosport Park.

Chegada:
1) Scheckter
2) Depailler
3) Mass
4) Jones
5) Tambay
6) Brambilla

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Uma pena...(3)

Após a morte de Colin McRae a menos de um mês atrás, outro piloto que estava fora das grandes competições perdeu a vida. Norifume "Norick" Abe faleceu neste domingo em um acidente de trânsito na cidade de Kawasaki, nas proximidades da cidade de Tóquio, capital japonesa. Segundo o http://www.grandepremio.com.br/, as primeiras informações dizem que Abe atingiu um caminhão com sua moto, falecendo na hora. Antes que crucifiquem Abe, o caminhão estaria fazendo uma manobra irregular.


Dono de uma tocada super agressiva, Abe foi um dos melhores pilotos japoneses na história do Mundial de Motovelocidade e um dos seus fãs era ninguém menos do que Valentino Rossi. Sempre ligado a Yamaha, Abe estreou com apenas 18 anos nas 500cc durante o Grande Prêmio do Japão de 1994, como "wild card". Logo de cara Abe demonstrou sua habilidade ao liderar logo na sua estréia, brigando com ninguém menos do que Michael Doohan e Kevin Schwantz, mas seu ritmo era tão alucinante que todos esperavam a queda. Que acabou acontecendo! A partir de 1995 Abe foi contratado pela Yamaha como piloto oficial de fábrica e por lá ficou até sua saída da MotoGP em 2004. Sempre entre os dez mais bem colocados no Mundial das 500cc até o ano de 2002 (seu melhor resultado foi um quinto lugar em 1996), Abe não se adaptou muito bem a mudança das motos dois para quatro tempos e começou um declínio que o fez abandonar a MotoGP. Abe se transferiu para o Mundial de Superbike, mas os resultados também não vieram e então ele se tornou piloto de testes da Yamaha.


Dono de uma cabeleira enorme, Abe andava com parte do seu enorme cabelo para fora do capacete, criando uma imagem de rebelde. Com suas largadas foguetes, Abe sempre andava nas primeiras colocações no início das corridas, mas seu ritmo agressivo quase sempre destruía seus pneus e por isso Abe teve poucas vitórias. Em 144 Grandes Prêmios foram apenas três vitórias. Em 1996 Abe se tornou o primeiro piloto japonês a vencer o Grande Prêmio do Japão, emocionando a todos ao chorar copiosamente enquanto o hino japonês era tocado durante o pódio. Abe se adaptou muito bem ao antigo autódromo de Jacarepaguá e sempre andava bem no Grande Prêmio do Brasil, inclusive com uma vitória em 1999. A última vitória de Abe nas 500cc foi no Grande Prêmio do Japão do ano 2000.


Com seu enorme carisma e velocidade, Norifume Abe nos deixou com apenas 32 anos de idade, mas com certeza ele deve está agora ao lado de Daijiro Katoh duelando numa pista japonesa do céu para saber quem foi o melhor piloto japonês da história.

Figura(Chn): Sebastian Vettel

Se não fosse o brake-test de Hamilton no Japão, o jovem alemão com certeza estaria aqui semana passada. O que Sebastian Vettel vem fazendo nas duas corridas asiáticas na reta final da temporada 2007 está surpreendendo até mesmo seu mais fanático torcedor. Após andar num sólido terceiro lugar no Japão, Vettel superou até mesmo uma punição durante a Classificação para dar um excelente quarto lugar a sua equipe. Mesmo no seco, Vettel já tinha dado mostras do seu potencial ao ficar muito próximo de sua realização semana passada e colocar a Toro Rosso (a antiga Minardi, não se esqueçamos!) na terceira parte da Classificação, mas uma possível manobra de Vettel teria atrapalhado o treino de Kovalainen e o alemão de 20 anos teria que amargar a décima sétima posição. Sem grandes expectativas, Vettel encheu o tanque do seu Toro Rosso e fez uma corrida sem erros, com algumas ultrapassagens e eficiente. Se não foi tão performártico como semana passada, Vettel imprimiu um ritmo consistente e soube parar na hora certa e de repente se viu na quarta posição. Demonstrando uma maturidade incrível para sua idade, Vettel não se importou em ceder sua posição para Button nas últimas voltas, já sabendo que o inglês iria parar mais tarde e por isso estava bem mais rápido. Com a parada de Button, Vettel se viu sozinho rumo ao olimpo e quando cruzou a linha de chegada, até mesmo as outras equipe o cumprimentaram na mureta dos boxes e a Toro Rosso pode conquistar seus primeiros pontos, tanto com Vettel, como também para Liuzzi, sexto colocado. Após demonstrar seus sentimentos semana passada ao chorar copiosamente depois do seu infeliz abandono, a festa demonstrada por Vettel ainda dentro do carro mostrou que a F1 já tem sangue novo e de personalidade na pista.

Figurão(Chn): Rubens Barrichello

A corrida de Rubens Barrichello na China não foi muito diferente das demais. Ou seja, horrível. O que fez Rubinho entrar nessa sessão foi o conjunto da obra e, principalmente, a comparação com seu companheiro de equipe na Honda Jenson Button. Mesmo com um carro ruim de doer, Rubinho parece um pouco conformado com sua situação e pela terceira vez nas últimas quatro corridas ficou de fora logo na primeira parte da Classificação, enquanto Button brilha na medida do possível e nas últimas duas corridas o inglês ficou entre os dez mais rápidos nos treinos. Se no começo de sua carreira a chuva significava show de Rubinho, hoje nem as gotas vindas do céu salvam o brasileiro, que foi muito mal nas duas últimas provas em que a chuva foi um protagonista. E pior do que isso, foi a belíssima atuação de Jenson Button, particularmente na China, onde o inglês foi o mais rápido na pista por algumas voltas e conseguiu um ótimo quinto lugar, enquanto Barrichello sofria na décima quinta posição, levando uma volta até mesmo de Button. Prestes a superar o recorde de Grandes Prêmios disputados que era de Riccardo Patrese, Barrichello vive claramente o declínio de sua carreira e por mais que negue, sua desmotivação está clara, desbocando na sua pior temporada na F1, sem marcar nenhum ponto até o presente momento. O piloto aguerrido dos tempos da Ferrari que chegada a andar próximo de Michael Schumacher hoje é apenas uma vaga lembrança no passado e tudo que Barrichello pode fazer é acabar sua carreira de uma forma mais digna que a atual.

domingo, 7 de outubro de 2007

Briga à três

As corridas de automóvel são imprevísiveis. O clichê é antigo, mas é verdadeiro. Lewis Hamilton tinha a faca e o queijo na mão para sair de Xangai com o título no bolso, mas numa justiça divina, foi afoito aonde não poderia ter sido e colocou seu título em risco, vendo o ressurgimento de Fernando Alonso e a perigosa aproximação de Kimi Raikkonen. Após o surgimento do vídeo no Grande Prêmio do Japão onde Hamilton fazia constantes brake-tests em cima do segundo colocado Mark Webber, provocando um acidente entre o australiano e Sebastian Vettel, todo mundo no paddock do superlativo autódromo de Xangai esperava a punição do piloto da McLaren, mas eis que nada acontece e o cheiro de impunidade ficou no ar, mas como dizem que aqui mesmo que se paga o que faz, Hamilton acabou "punido" por si próprio e perdeu os dez pontos conquistados semana passada na base da malandragem.

O tufão que devastou Taiwan nesse final de semana não atingiu Xangai a tempo de afetar mais decisivamente a corrida e a chuva que caiu não foi a tempestade esperada. Com todos os pilotos largando com pneus intermediários (inclusive a Ferrari!), Hamilton disparou à frente das Ferraris. Alonso chegou a fazer uma arrojada ultrapassagem em cima de Massa, mas o brasileiro descontrou poucas curvas depois. A corrida à parte entre os quatro primeiros colocados foi sendo dominada por Lewis, enquanto mais atrás o pau comia solto, com várias ultrapassagens na pista ainda úmida e tornando a corrida bem divertida. Como era esperado, Hamilton foi o primeiro a parar nos boxes e já nesse momento a pergunta era se já estava na hora de colocar pneus slicks. Nenhum dos quatro primeiros tentaram dar o pulo do gato.

Quando Felipe Massa saiu da pista (cena não captada pela TV), o brasileiro foi o primeiro a fazer a troca bem na hora em que uma garoa fina caiu no autódromo. Hamilton, Raikkonen e Alonso esperaram mais um pouco para calçar os slicks e isso foi decisivo para a corrida. Com os pneus acabados, Hamilton foi perdendo rendimento até ser ultrapassado por Raikkonen e quando Alonso se preparava para repetir a manobra, Hamilton foi para os boxes. A situação do pneu traseiro direito era tão delicada que parte da construção do pneu já estava à mostra. Assim, Hamilton não precisava entrar nos boxes tão rápido e sair da pista de forma bizonha, acabando sua corrida na caixa de brita na entrada dos boxes. Hamilton pedia para ser empurrado. Ron Dennis, vendo tudo pela TV, pedia para os comissários empurrarem Hamilton. Os engenheiros da McLaren não acreditavam. Por mais que a FIA, supostamente, quisesse dar uma mão à Hamilton, ser empurrado pelos comissários era proteção demais e Hamilton saiu do carro e abriu de vez o campeonato.

Raikkonen fez sua parada na volta seguinte e voltou numa tranqüila liderança. Alonso se aproveitou dos primeiros momentos hesitantes de Massa quando pôs os pneus slicks e superou o brasileiro por muito pouco e os três foram assim até o fim. Numa demonstração de que tinha carro suficiente para vencer a corrida, Felipe marcou uma série de voltas mais rápidas e chegou a encostar no espanhol no final, mas não a ponto de ultrapássa-lo. Raikkonen venceu pela quinta vez no ano e se tornou o piloto a ter mais vitórias nessa temporada.

Porém, atrás da briga pelo campeonato, havia outras histórias e o principal protagonista foi mais uma vez Sebastian Vettel. O alemão da Toro Rosso conseguiu um espetacular quarto lugar e foi o melhor do resto com uma tocada firme e sem erros. O jovem de apenas 20 anos vem se firmando cada vez mais dentro da F1 e a Red Bull terá que se virar para manter Vettel nas suas fileiras nos anos seguintes, pois em breve as equipes grandes irão querer o alemãozinho. Red Bull, por sinal, foi superada pela sua cria na China, pois a Toro Rosso também colocou Vitantonio Liuzzi na sexta posição, enquanto Coulthard fez as honras da casa austríaca ao ser oitavo colocado, muito acossado pela Renault de Heikki Kovalainen no final, acabando com a incrível sucessão de pontos marcados do novato finlandês. Outro que mereceu destaque foi Jenson Button, que conquistou a melhor posição da Honda com um quinto lugar num ritmo agressivo, com muitas ultrapassagens, voltas mais rápidas e paradas nos boxes na hora certa. Em compensação, Barrichello se envolveu num incidente com Anthony Davidson ainda na primeira volta, entrou nos boxes na hora errada e foi um obscuro décimo quinto colocado. A Honda deve estar se perguntando se fez bom negócio em renovar com o brasileiro para 2008. A BMW esteve longe dos bons momentos de 2007 na China, apesar de Kubica ter liderado algumas voltas ao colocar os pneus slicks na hora certa, mas um problema mecânico frustrou os sonhos do nasal polonês. Heidfeld terminou ainda nos pontos, em sétimo, sem poder conseguir ultrapassar Liuzzi, apesar da enorme pressão do alemão no terço final da corrida. Outro destaque foi Ralf Schumacher, que foi tocado ainda na primeira curva, vinha ultrapassando quem via pela frente até tocar com Liuzzi numa tentativa otimista de ultrapassagem. Um dos primeiros a colocar os pneus slicks, Ralf rodou e abandonou, mas com certeza foi sua melhor corrida do ano. Pena que essa apresentação tenha acontecido um pouco tarde demais, pois se Ralf andasse assim antes, com certeza o demitido da Toyota seria Trulli, mais uma vez apagadíssimo em Xangai.

Com sete pontos separando os três primeiros, a corrida do Brasil deverá entrar para a história mais uma vez, definindo um campeonato que, se não foi espetacular, foi extremamente equilibrado. Desde 1986 um campeonato não é decidido entre três pilotos na última etapa e novamente esse histórico campeonato vem à tona quando há comparações entre os campeonatos do passado com o atual. Na noite de sábado em Xangai, Alonso mais uma vez desancou a McLaren e Ron Dennis e mesmo quatro pontos atrás de Hamilton, o espanhol está de mal com a equipe. As McLarens ainda são favoritas, mas o favorito da equipe Hamilton demonstrou pela primeira vez neste ano sua inexperiência, enquanto o bicampeão Alonso tem que se virar fora da pista com a equipe. Quem pode se aproveitar disso tudo é o terceiro elemento Raikkonen, que assim como Prost fez 21 anos atrás, pode se aproveitar da briga interna na equipe rival. Porém, qualquer que seja o resultado no dia 21 de outubro, esses quinze dias que restam para a etapa brasileira serão muito tensas e entrarão para a história da F1. Assim como será a corrida. Tomara que essas duas semanas passem voando!

sábado, 6 de outubro de 2007

O Touro dos Pampas

Juan Manuel Fangio é sinônimo de automobilismo argentino para o leigo em automobilismo, mas no final dos anos 40, Fangio era um dos grandes pilotos argentinos. Em 1949, Fangio foi à Europa acompanhado de um jovem e roliço amigo para juntos desbravarem a Europa e conquistá-la poucos anos depois. José Froilan Gonzalez era a antítese do piloto de corridas atual. Claramente fora de forma, mas dono de uma tocada fortíssima, Gonzalez foi um dos grandes pilotos do início da F1 e entrou para a história da Ferrari ao dar à Scuderia sua primeira vitória em 1951. Conhecido como El Cabezón pela sua cabeça avantajada, Gonzalez também era conhecido como Touro dos Pampas, pelo tamanho da barriga. Completando 85 anos de idade, vamos reviver um pouco a história de Gonzalez.

José Froilan Gonzales nasceu no dia cinco de outubro de 1922 em Arrecifes, na província de Buenos Aires a aproximadamente três horas da capital argentina. Filho de um revendedor da Chevrolet, quando era jovem o pequeno José foi um atleta nato, se tornando um grande nadador, um grande atirador, um ciclista que não fazia vergonha até se apaixonar pelas corridas, participando das famosas corridas de estrada pela América do Sul junto com Fangio e Oscar Galvéz em meados dos anos 40. Desde essa época Gonzalez exibiu seu físico bem roliço, mas se engana quando vê um homem gordo ao volante. El Cabezón era um dos melhores pilotos da América do Sul.

Ainda na Argentina Gonzalez ajudou seu pai a montar um negócio de transportes com caminhões quando recebeu o convite de sua vida em 1949. O governo de Perón pagou uma temporada na Europa para os melhores pilotos da Argentina de então e Gonzalez partiu junto com o grande Fangio para essa empreitada. O primeiro carro de Gonzalez e Fangio era um Maserati 4CLT de uma equipe pequena e o melhor resultado de Gonzalez foi um segundo lugar em Albi atrás do vencedor Louis Rosier num Talbot. No primeiro campeonato de F1 em 1950, Gonzalez fez sua estréia no Grande Prêmio de Mônaco com o mesmo Maserati 4CLT e se involveu no famoso acidente que eliminou a maioria do grid daquela corrida no principado. Gonzalez se queimou um pouco e só participou de mais uma corrida em Reims.

No início de 1951 a Mercedes começava a mexer os pauzinhos para a sua volta ao automobilismo e rescucitou três Mercedes W154 de antes da Segunda Guerra Mundial para participar de uma série de corridas na Argentina. Os modelos W154 eram as vedetes do pré-guerra, mas Gonzalez venceu todas as corridas à bordo de um Ferrari 166. Era o primeiro contato de Gonzalez com a Ferrari. De volta à Europa, Gonzalez andou inicialmente com um Talbot e foi o segundo colocado no GP de Paris em Bagatelle e participou da primeira etapa de 1951 da F1 na Suíça. O terceiro piloto da Ferrari em 1951 Piero Taruffi também era dono de equipe do mundial de motociclismo e praticamente sem tempo para conciliar as duas atividades, saiu da Scuderia e para o seu lugar foi contratado Gonzalez.

Enzo Ferrari tinha ficado impressionado com as atuações de Gonzalez na Argentina no início do ano e pensava que o roliço argentino era o atíndoto perfeito para Fangio, que estava na equipe Alfa Romeo. Porém, Alberto Ascari se impôs dentro da equipe e queria a primazia dentro do time. A Ferrari usava um motor 3.2l V12 aspirado que consumia bem menos combustível do que os 1.5l sobrealimentados da Alfa e a escuderia de Enzo Ferrari já tinha um desempenho parecido com a da sua ex-equipe. Em Reims, Gonzalez liderou a maior parte de sua primeira corrida pela Ferrari, mas teve que ceder seu carro para Ascari, que tinha quebrado a pouco tempo. Em Silverstone, Gonzalez se adaptou maravilhosamente ao rápido circuito e deu à Ferrari sua primeira pole na história logo em sua estréia no autódromo. Numa disputa sensacional com seu amigo Fangio durante a corrida, Gonzalez entrou para a história do automobilismo ao vencer pela Ferrari pela primeira vez na história da equipe. Era também a primeira derrota da Alfa Romeo desde 1946.

Até o final do ano Gonzalez consegue vários pódios, mas sem nenhuma vitória. A Ferrari foi derrotada por Fangio na última corrida na Espanha e Gonzalez foi o terceiro colocado no seu primeiro campeonato completo de F1. Mesmo com uma bela temporada na Ferrari, Gonzalez preferiu se transferir para a Maserati, mas um grande acidente em Monza acabou com os sonhos do argentino de uma boa temporada em 1952 e em 1953 os carros da Maserati não foram páreos para a Ferrari e Alberto Ascari. Quando Ascari e Villoresi abandonaram a Ferrari no final de 1953 para tentarem erguer uma equipe de F1 com a Lancia, Gonzalez foi mais uma vez chamado por Enzo Ferrari para fazer parte da Scuderia.

Com o novo carro ainda não estando pronto, Gonzalez teve que dirigir um Ferrari baseado no carro de F2 e Gonzalez acabou a corrida em terceiro atrás de Fangio e Farina no Grande Prêmio da Argentina. Na primeira corrida na Europa (mas não válido pelo campeonato de F1) em Siracusa, a Ferrari teve uma etapa desastrosa quando Mike Hawthorn teve um acidente nos treinos e como o carro pegou fogo, Gonzalez parou para ajudar o inglês e as duas Ferraris pegaram fogo! Antes da segunda etapa na Bélgica, Gonzalez participou de quatro corridas secundárias de F1 e venceu três (Bordeaus, Daily Express em Silverstone e em Bari), mas em Spa Gonzalez foi apenas quarto. Em Reims, a Mercedes voltava oficialmente á F1 com Fangio, Karl Kling e Hans Hermann. O modelo W196 era o carro mais revolucionário da época e a Mercedes dominou em sua corrida de estréia.

Em Silverstone, a pista mais estreita favorecia mais ao torque da motor Ferrari e as curvas lentas não favoreciam as insinuantes linhas aerodinâmicas da Mercedes. Mercedes e Ferrari estavam em pé de igualdade, com Fangio ficando com a pole, mas se aproveitando de sua experiência anterior em Silverstone, Gonzalez esteve imbatível e vencia novamente no circuito inglês pela Ferrari. Na etapa seguinte, a esquadra argentina sofre um forte abalo com a morte de Onofre Marimon nos treinos do Grande Prêmio da Alemanha. Com extremo profissionalismo Fangio vence a corrida de ponta a ponta, enquanto Gonzalez não se recupera da morte do jovem amigo de quem ajudava como podia e abandonou a corrida. Não por coinscidência, esse foi o começo do declínio de Gonzalez na F1.

Após um terceiro lugar no Grande Prêmio da Itália, Gonzalez sofreu um forte acidente num sport-car da Ferrari e não pode participar do última Grande Prêmio de 1954 em Pedralbes. Mesmo assim Gonzalez terminou o campeonato em segundo lugar atrás do seu compatriota Fangio, produzindo uma inédita dobradinha argentina na F1. Então, Gonzalez volta a Argentina como sempre fazia no final do ano, mas não volta à Europa em 1955. Gonzalez só volta a Europa à convite da Vanwall para participar do Grande Prêmio da Inglaterra de 1956. Já com 38 anos de idade (ainda novo para os padrões da época), Gonzalez participa de sua última corrida de F1 no Grande Prêmio da Argentina de 1960 com uma Ferrari.

Após sua aposentadoria, Gonzalez virou uma espécie de monumento da Ferrari, sempre participando de eventos da marca italiana pelo mundo, inclusive nos 50 anos da primeira vitória ferrarista em 2001, quando Michael Schumacher deu uma volta na Ferrari de Gonzalez pelo novo Silverstone. Com vários problemas de saúde, Gonzalez já não viaja como antes e hoje fica mais na sua amada Argentina, onde curte sua tranqüila aposentadoria, talvez se lembrando de suas duas vitórias em Silverstone, onde derrotou ninguém menos do que seu grande amigo Juan Manuel Fangio.

Parabéns
José Froilan Gonzalez

Com mais alguns dedos na taça

Após escapar ileso de uma punição que era dada como certa, Hamilton não se fez de rogado e marcou a pole para o Grande Prêmio da China nesta madrugada. De nada adiantou todo o domínio de Raikkonen em simplesmente todos os treinos até a Q3. O piloto inglês da McLaren colocou os pneus moles e destruiu o melhor tempo que era de Massa e o brasileiro ainda foi superado por Kimi, tendo que se conformar apenas com a primeira fila. A pole de Hamilton teve um efeito psicológico nos seus rivais, pois há um certo ar de impunidade e injustiça na China. O vídeo difundido pela Internet mostra claramente Hamilton freando de forma proposital e fazendo com que Webber e Vettel batessem. Após a polêmica absolvição do inglês, a gritaria foi geral, principalmente de Alonso e Massa, indicando que a FIA quer Hamilton campeão esse ano.
E a pole de hoje foi o chamado golpe de misericórdia nos rivais.

Porém, há vários indícios de que a pole de Hamilton seja mais pela estratégia do que pela velocidade inconteste do piloto da McLaren. A Ferrari vinha dominando todos os treinos e o distante quarto lugar de Alonso não foi nada normal, pois os tempos entre os quarto primeiros foram bastante próximos até mesmo durante a Classificação. Por isso, não será surpresa ver Hamilton perder posições nos boxes. Até mesmo para Alonso. Se o espanhol for terceiro e o inglês for quarto, Hamilton sai da China campeão. Tudo muito calculado.

Na parte de trás da F1, houve várias surpresas. A primeira foi a BMW ser desbancada pela Red Bull como terceira equipe. A marca bávara ficou muito longe de repetir os outros resultados do ano e vendo que o carro não está acertado, preferiu encher o tanque de combustível. E quem se aproveitou foi a Red Bull, mas ao contrário do que vinha acontecendo, Coulthard superou Webber. O recém-demitido Ralf ficou na em oitavo e superou Trulli, que desta vez não passou para a Q3. Se não cuidar, o italiano é outro a rodar no final do ano que vem. Button repetiu seu bom resultado da corrida anterior e desta vez no seco, conseguiu passar para a Q3, enquanto Barrichello não passou sequer da Q3! Como falou Ralf quando chegou à Xangai, está começando a ficar na hora de Rubens saber o que passa na TV durante a semana...

No vácuo do bom momento da Red Bull, o filhote Toro Rosso também vem se recuperando, com Vettel e Liuzzi ficando muito próximos de se classificarem para a Q3. E no seco! Na Williams, nem Nico Rosberg se salvou e foi bem discreto hoje. Quem andou muito mal foi a Renault, com Kovalainen em décimo quarto e Fisichella num péssimo décimo oitavo. Porém, semana passada a marca francesa preparou os carros para a chuva e se deu bem.

Ah, a chuva... O tufão parece que não atingir Xangai com tanta força, mas a chuva pode aparecer com 90% de certeza amanhã e tudo poderá acontecer. Até Hamilton perder um título que ninguém quer tirar dele.