domingo, 9 de março de 2008

Vale terá trabalho...


Se em 2007 Valentino Rossi culpou os pneus Michelin pela sua derrocada ano passado, agora com os mesmos calçados do campeão Stoner o italiano tinha que, no mínimo, andar no mesmo nível do australiano da Ducati, porém Stoner não apenas dominou a prova de abertura do Mundial no Catar, como Rossi teve que se contentar com uma melancólica quinta posição, superado até mesmo pelo debutante companheiro de equipe Jorge Lorenzo, que estava usando pneus... Michelin!

A grande vedete do fim de semana foi a novidade de se correr à noite. Os pilotos tiveram muito trabalho com os pneus, pois a borracha é construída para andar com altas temperaturas, mas no Catar a temperatura chegou aos 16 graus celsius. No começo Pedrosa fez uma super largada e liderou o início da corrida, mas sua falta de ritmo pelo grave acidente na pré-temporada o fez perder a ponta para Valentino Rossi. Contudo o italiano esteve longe de se destacar e Pedrosa nunca ficou longe da Yamaha. Enquanto isso o pole-man Jorge Lorenzo dava um show, incluindo aí uma ultrapassagem dupla por fora pelas surpresas do dia: as duas Yamaha Tech 3 de James Toseland e Colin Edwards. Casey Stoner vinha fazendo uma corrida de espera e após as fortes brigas iniciais, o australiano da Ducati começou a escalar o pelotão e se estabeleceu na ponta, seguido de perto por Lorenzo. Rossi perdia rendimento e foi ultrapassado por Pedrosa e pelo estreante Andrea Doviziozo, este na última volta. Stoner não tomou conhecimento de Lorenzo e pôde conseguir uma vitória arrasadora, bem parecida que o australiano conseguia ano passado. E pelo andar da carruagem, também neste ano. O companheiro de equipe de Stoner, Marco Melandri, foi uma decepção e não ameaçará o australiano. Lorenzo fez uma super-corrida hoje, mas dificilmente manterá esse ritmo ao longo do ano. Pedrosa, primeiramente, precisará melhorar de sua contusão para depois pensar em encarar Stoner. Quanto a Rossi... A atuação do italiano hoje foi decepcionante, mas não há como deixar de lado o talento de um piloto que já venceu sete mundais. Stoner deve dominar nas corridas iniciais, mas se os seus rivais acordarem, ainda haverá tempo?

Nas 250cc, Mattia Pasini surpreendeu ao conquistar a vitória em sua estréia na categoria, após uma belíssima ultrapassagem dupla nas últimas voltas sobre Hector Barberá e Alex Debon. Mika Kallio conseguiu o pódio, apesar da sua KTM não ser a mais rápida, mas a grande decepção foi Álvaro Bautista, grande favorito ao título e que chegou a liderar a corrida, mas perdeu rendimento e foi apenas sexto. As 125cc não tive a oportunidade de assistir a prova, porque estava viajando, mas a vitória acabou ficando com Hector Faubel, da equipe Aspar Martínez, a mesma que dominou ano passado. Ou seja, tirando as 250cc, todas as categorias mostraram uma continuidade do ano passado. Para desespero de Valentino Rossi!

sábado, 8 de março de 2008

História: 10 anos do Grande Prêmio da Austrália de 1998

A Williams vinha dominando a F1 na primeira metade da década de 90 e isso vinha incomodando a FIA. Aparte o "fator Schumacher", a equipe de Grove tinha conseguido quatro títulos de pilotos em seis anos e cinco trófeus de construtores. Mesmo com um campeonato tão bom como foi em 1997, a temporada de 1998 traria mudanças significativas para melhorar o "espetáculo" e trazer de volta a "competitividade" perdida na F1. Os carros seriam mais estreitos, perdendo vinte centímetros de bitola e os pneus ganhariam ranhuras, na tentiva de diminuir a velocidade nas curvas e porconseguinte aumentar o número de ultrapassagens.

Porém, o grande fator de mudança visto em 1998 não foi no regulamento. O mago da aerodinâmica Adryan Newey tinha se mudado da Williams para a McLaren após uma transferência conturbada, que deixou o projetista praticamente um ano parado. Outra baixa significativa na Williams seria a saída da Renault, após oito anos de muitas vitórias juntas. Com o contrato com a BMW ainda sendo discutido, Frank Williams teve que se contentar com os motores Mecachrome, que na verdade eram os antigos motores da Renault, mas que seriam desenvolvidos pela pequena preparadora francesa.

Durante a pré-temporada já tinha ficado claro que a McLaren seria a nova equipe a se bater, com Hakkinen e Coulthard dominando várias sessões de testes. A Ferrari ainda tentava se reerguer de mais uma tentativa frustrada de sair da fila de títulos e Schumacher tinha que se recuperar de mais um arranhão na sua carreira, após tentar colocar Jacques Villeneuve para fora da pista na última prova de 1997. A sexta-feira em Melbourne foi dominada pela chuva e somente no sábado, com tempo bom, os carros puderam testar para valer. Com o circuito urbano de Melbourne sem muita aderência e os carros imprevisíveis por causa dos novos regulamentos, as sessões de sábado foi um show de rodadas. E da McLaren! De forma impressionante, os carros prateados foram quase 1s mais rápidos que a concorrência mais próxima sem fazer muito esforço. Enquanto Schumacher teve que jogar sua Ferrari em cima das zebras australianas para conseguir um tempo 0.7s mais lento que as McLarens, Hakkinen e Coulthard passeavam pelo bosque de Albert Park e decidiram entre eles, calmamente, quem ficaria com a pole. Que ficou com o finlandês por menos de 0.04s. O campeão Jacques Villeneuve teve que suar sangue para conseguir uma vaga na segunda fila, ao lado do seu desafeto Schumacher. Um ano atrás, a cena de um Williams brigando desesperadamente por um lugar entre os cinco primeiros, seria um devaneio.

Grid:
1) Hakkinen(McLaren) - 1:30.010
2) Coulthard(McLaren) - 1:30.053
3) M.Schumacher(Ferrari) - 1:30.767
4) Villeneuve(Williams) - 1:30.919
5) Herbert(Sauber) - 1:31.384
6) Frentzen(Williams) - 1:31.397
7) Fisichella(Benetton) 1:31.733
8) Irvine(Ferrari) - 1:31.767
9) R.Schumacher(Jordan) - 1:32.392
10) Hill(Jordan) 1:32.399

O domingo dia 8 de março de 1998 amanheceu com muito sol em Melbourne, possibilitando uma corrida sem muitos incidentes e uma comemoração do Dia da Mulher sem muitos percalços. A McLaren teria seus dois carros na fila dianteira pela primeira vez desde o Grande Prêmio da Austrália de 1991, com Senna e Berger, e tudo o que a equipe de Ron Dennis não queria era a repetição dos acidentes acontecidos na primeira volta em Melbourne, como nas duas últimas edições da etapa australiana.

Saindo da segunda fila, Schumacher consegue uma boa largada e parte para cima das McLarens, mas Coulthard tem a malícia para segurar o alemão e continuar com a dobradinha prateada na frente. Contudo, se o alemão realizasse a ultrapassagem, isso não adiantaria muito. O ritmo da McLaren era devastador e na segunda volta Hakkinen já tinha absurdos 6.4s de vantagem para a Ferrari. Villeneuve, na então outrora Williams, estava longínquos 10s atrás do finlandês. Sendo que o canadense era o quarto colocado...

Rubens Barrichello começava a temporada da pior forma possível com o câmbio do seu Stewart quebrando logo na primeira volta e na volta seguinte, seria a vez de Pedro Paulo Diniz ter problema semelhante, após ter que pegar o carro reserva. Ricardo Rosset, superado por muito pelo novato Tora Takagi, abandonaria ainda antes da metade da corrida australiana. O ano de 1998 seria um dos piores na F1 para o Brasil.

Na quinta volta, o principal adversário da McLaren abandonava. O motor Ferrari de Schumacher não resistiu a tentativa do alemão em perseguir a McLaren e estourou bem na reta dos boxes. Schumacher ficou furioso e chegou a jogar o volante no chão, mas não havia muito que o alemão pudesse fazer. Com isso, Villeneuve subia para a terceira posição e uma cena inacreditável começou a ser focada pela TV. O piloto da Williams tendo que se defender dos ataques ferozes da Benetton de Fisichella e da Sauber de Herbert. Mais atrás, Frentzen também era pressionado por Irvine e Hill. A Williams não era mais a mesma. O vermelho não fez nada bem para a equipe!

Após a primeira rodada de paradas completadas, Hakkinen e Coulthard vinham completando voltas como um relógio, até que o finlandês apareceu misteriosamente nos boxes. Seria uma quebra? A equipe McLaren se atrapalhou e mandou um sinal de rádio errado para Mika, que entrou nos boxes sem precisão. Com isso, Coulthard passou a liderar com uma boa vantagem sobre o companheiro de equipe. Vantagem essa que aumentaria após uma segunda parada muito ruim de Hakkinen.

Hakkinen começa a impor um ritmo alucinante e marca várias voltas mais rápidas, até encostar em Coulthard. Faltando duas voltas para o fim da corrida, Coulthard tira o pé descaradamente na reta dos boxes e deixa Hakkinen reassumir a liderança da corrida. Soube-se depois que Hakkinen e Coulthard tinham feito um acordo de que o piloto que completasse a primeira curva na frente venceria a prova, mas na verdade, o que aconteceu foi que como Hakkinen teve seu incidente com nos boxes, a McLaren decidiu que o finlandês não merecia tamanha decepção e fez com que Coulthard repetisse a manobra de Jerez, na última corrida de 1997, e mandou que o escocês encostasse e deixasse Mika vencer.

Era a segunda vitória seguida de Hakkinen. E a segunda de forma polêmica. Porém isso não apagava o domínio exercido pela Mclaren. A equipe prateada colocou uma volta em todos os carros que receberam a bandeirada, até mesmo a Williams de Frentzen, que salvou a honra da equipe campeã com uma estratégia diferente de box e ficou com o degrau mais baixo do pódio, mas o alemão foi pressionado até o final da corrida pela Ferrari do quarto colocado Irvine. O campeão Villeneuve teve que se contentar com a quinta posição, muito pressionado pela Sauber de Herbert.

E os novos regulamentos ajudaram a tornar a corrida mais emocionante? Que nada! Foram no total míseras seis ultrapassagens em toda a prova, incluindo aí a ordem de equipe da McLaren. A única vez que o novo regulamento se fez presente foi no acidente entre Ralf Schumacher e Jan Magnussen, ainda na segunda volta. Quando os dois saíram da pista, a Tyrrell de Tora Takagi perdeu o controle e também abandonou. Se fosse com pneus slicks, talvez o japonês tivesse como controlar seu carro. A velocidade também não diminuiu, pois o tempo da pole de Hakkinen o colocaria na segunda posição do grid de 1997. O único fator de mudança foi a passagem de bastão da Williams para a McLaren. Com a assinatura de Adryan Newey.

Chegada:
1) Hakkinen
2) Coulthard
3) Frentzen
4) Irvine
5) Villeneuve
6) Herbert

sexta-feira, 7 de março de 2008

Embalos de domingo à noite


Neste final de semana teremos um aperitivo para a abertura do Mundial de F1 na semana que vem na Austrália. O Mundial de Motovelocidade levará suas três categorias para o Catar e antes da própria F1 inaugurará a grande novidade do ano no esporte a motor: as corridas noturnas, sem contar, obviamente, as provas de longa duração e em ovais. Essa corrida será uma grande novidade para todos e uma dificuldade terá que ser encarada pelas equipes depois de um teste realizado semana passada: os pneus. O clima mais frio fez com que os pneus trabalhassem de forma diferente, já que Michelin e Bridgestone fabricam seus produtos pensando em altas temperaturas, no verão europeu. Contudo, a iluminação não trouxe grandes dramas para os pilotos e pelo que comentaram, será o mesmo que correr à noite.

Ao contrário dos anos anteriores, Valentino Rossi não entrará como favorito destacado na categoria principal. Se o italiano perdeu o título de 2006 para Nicky Hayden por um "acidente", ano passado Casey Stoner dominou a temporada e o italiano da Yamaha sequer ficou com o vice-campeonato, colocação que pertenceu ao espanhol Daniel Pedrosa. Rossi tentará recuperar a coroa perdida pelos jovens pilotos que começaram a invadir a MotoGP e nesta temporada terá ao seu lado, nos boxes, um dos pilotos mais promissores desta geração: o espanhol Jorge Lorenzo. Lorenzo foi bicampeão das 250cc e foi um dos principais rivais de Dani Pedrosa nas categorias menores e com esse cartel, o marrento espanhol chega a MotoGP tendo como referência Pedrosa, que sofreu um sério acidente nos testes de inverno. Outro jovem piloto que estréia na MotoGP vindo das 250 é Andrea Doviziozo, cria da Honda desde os tempos das 125cc, quando conquistou seu até agora único título mundial em 2004. Penalizado pela preferência da Honda pela categoria rainha, Doviziozo tinha que se virar com um equipamento nitidamente inferior aos dos seus adversários. E andava muito bem!

Stoner mostrou que sua performance em 2007 não foi mero acaso e liderou boa parte dos testes, superando seu novo companheiro de equipe Marco Melandri. A Suzuki mostrou alguns brilharecos com Chris Vermeulen, que andou à frente do seu novo (?) companheiro de equipe Loris Capirossi, talvez o único remanescente da velha guarda da motovelocidade. Hayden mostrou que o título em 2006 não lhe fez muito bem e desde então vem sendo superado por Pedrosa, mas ao menos o americano agarrou a oportunidade que teve nas mãos. Hopkins levou sua experiência de sete anos na Suzuki para a Kawasaki e a moto verde melhorou nas mãos do americano.

Nas 250cc, sem a presença de Lorenzo, Andrea Doviziozo e Alex de Angelis, todos na MotoGP, as atenções recaem agora para os coadjuvantes do ano passado. Os três pilotos citados venceram a maioria das provas de 2007 e agora o espaço será aberto para novos pilotos que vieram a pouco tempo das 125cc, como é o caso de Álvaro Bautista e Mika Kallio. Hector Faubel, destaque das 125cc ano passado, subiu de categoria e deverá dar trabalho para os pilotos já veterano na categoria. Destaque também para a volta do samarinês Manuel Poggiali. O jovem piloto conquistou três títulos mundias com apenas 20 anos e então sua carreira entrou em parafuso, a ponto de ficar sem guidão ano passado, mas a equipe particular Campetella trouxe o piloto de volta, mas após quatro temporadas sofríveis, essa deverá ser a última chance de Poggiali.

De forma surpreendente, o atual campeão das 125cc Gabor Talmacsi permanecerá mais um ano na categoria e com 26 anos, já pode ser considerado um vovô no meio de garotos com até 15 anos de idade. Além do próprio Talmacsi, é bom ficar de olho em pilotos que se destacaram ano passado, como Esteve Rabat, Sergio Gadea e Bradley Smith, grande esperança inglesa no motociclismo de competição.

Agora, só resta torcer para que haja bons eventos, pois a aposentadoria de Alex Barros provocou algo que muitos temiam: a falta de pilotos brasileiros no Mundial de Motovelocidade.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Uma lástima


Receber notícia de morte é sempre complicado, mesmo que você não conheça a pessoa intimamente, mas é sempre desagradável perder uma pessoa que fez muito por algo que amamos. Acabei de saber da morte do promotor da F-Truck, Aurélio Batista Félix, de 49 anos de idade.

Não vou mentir que antigamente tinha muito preconceito sobre a pesada categoria, mas passei a gostar da Truck quando os caminhões vieram a Fortaleza dar um show. Show é a melhor palavra que a Truck faz em nossas combalidas praças automobilísticas. Mas não um show com música e eventos secundários, como é o caso da Nascar. Mas um show de velocidade! Aurélio reformou o autódromo Virgílio Távora unicamente para que Fortaleza pudesse receber a Truck e eu estive presente nos dois eventos aqui realizados. Vi o show protagonizado por Félix com seus caminhões bem na minha frente e tenho várias fotos (de celular) disse. Observei como tudo acontecia ao redor do Aurélio na Truck. Ele, com seu macacão branco e boné para trás, pensava em todo o evento. Era ele quem dava a ordem para a volta de apresentação, de dentro da pista. Ele colocava a mão na massa, ao empurrar um carrinho com pagodeiros dentro para fora da pista, com o intuito de não atrasar a largada e com isso atrapalhar a transmissão da Bandeirantes.

Foi um show de velocidade, com caminhões de montadoras diferentes e pilotos de gabarito se degladiando na apertada pista do Eusébio. E a cada ano, chegando outros pilotos para o campeonato. Havia vários patrocinadores colocando suas marcas em outdoors, mas eu e as outras 40.000 pessoas presentes naquele dia pagaram 25 reais pelo ingresso e guardo até hoje com muito carinho o boné vermelho da Bridgestone que ganhei quando comprei a entrada.

Desde então passei a acompanhar a F-Truck e assisti a corrida inaugural neste último domingo. Como sempre, foi um show! Mas nunca podia imaginar que após um final de semana de muita festa, pudesse ter acontecido tanta coisa. Aurélio fez sua festa com seus caminhões antes da prova, mas de noite passou mal. Sofreu três infartos e faleceu nesta quarta-feira. Uma pena, pois Aurélio Batista Felix era o mentor da única categoria multimarca do Brasil, com montadoras investindo em seus caminhões e público de verdade nos autódromos. Espero que o caminho trilhado pelo Aurélio continue e a Truck continue seu sucesso. Não sei se poderei pagar o ingresso para a corrida marcada para Fortaleza esse ano, mas tendo condições, não perderei por nada um show de velocidade e perícia. Que foi por muito tempo capitaneado por esse caminhoneiro de coração, que infelizmente nos deixou tão cedo.

Vá com Deus, Aurélio!

terça-feira, 4 de março de 2008

História: 30 anos do Grande Prêmio da África do Sul de 1978

A corrida sul-africana de 1978 seria especial para a história da F1, pois seria o Grande Prêmio de número 300 da história da categoria e muitos pilotos queriam ter a honra de vencer este Grande Prêmio e se igualarem a Stirling Moss e Jackie Stewart como vencedores centenários. Seis semanas após as corridas na América do Sul, onde houve um enorme equilíbrio, novos carros seriam estreados, como a Ferrari 312T3 e o Brabham BT46, que tinha exaustores de calor no lugar de radiadores. Na novata equipe Arrows, Rolf Stommelen ficaria com o segundo carro e o patrocínio da Varig dá lugar a cervejaria alemã Warsteiner, mudando inclusive a cor do carro. O americano Eddie Cheever faria sua estréia na F1 com apenas 19 anos de idade, se tornando um dos mais jovens pilotos a participarem de um Grande Prêmio. Por causa do calor que costuma fazer na África do Sul, a Goodyear levou mais de 3.000 pneus para suas equipes clientes.

Niki Lauda colocou o novo Brabham na pole logo na estréia do modelo, ficando à frente do então líder do campeonato Mario Andretti, que ainda usava o velho Lotus 78. A Renault fazia sua estréia na temporada 1978 e num circuito com longas retas e localizado numa grande altitude, isso favorecia os potentes motores turbo, possibilitando Jean-Pierre Jabouille colocar o carro francês na sexta posição do grid. Com a volta de Jabouille e René Arnoux ao circo da Fórmula 1, sete pilotos franceses fariam parte da corrida (Ordem da foto: Jean-Pierre Jarier, Patrick Tambay, Didier Pironi, Patrick Depailler, Jacques Laffite, Jean-Pierre Jabouill e René Arnoux). Patrese colocou seu Arrows na sétima posição, mostrando que o novo carro era bem-nascido. Ronnie Peterson sofreu de alguns problemas na Classificação e novamente ficou longe do seu companheiro de equipe na Lotus, marcando o décimo segundo tempo mais rápido, ficando logo atrás da Tyrrell de Patrick Depailler.

Grid:
1) Lauda(Brabham) - 1:14.65
2) Andretti(Lotus) - 1:14.90
3) Hunt(McLaren) - 1:15.14
4) Tambay(McLaren) - 1:15.30
5) Scheckter(Wolf) - 1:15.32
6) Jabouille(Renault) - 1:15.36
7) Patrese(Arrows) - 1:15.48
8) Villeneuve(Ferrari) - 1:15.50
9) Reutemann(Ferrari) - 1:15.52
10) Watson(Brabham) - 1:15.62

O dia 4 de março de 1978 estava ensolarado, mas não tão quente como nos outros anos e isso poderia ajudar os pilotos na longa prova em Kyalami. Mario Andretti consegue uma largada muito boa e ultrapassa Lauda ainda antes da primeira curva. O piloto da Brabham fica preocupado em fechar a porta da McLaren de James Hunt na freada para a primeira curva e se descuida do Wolf de Scheckter, que pula para a segunda posição. Patrick Tambay tem problemas de embreagem e fica para trás na largada, caindo para a última posição. Ao final da primeira volta, Andretti já conseguia abrir uma boa diferença para Scheckter, que era seguida do perto por Lauda, Hunt e Jabouille.

Riccardo Patrese ultrapassa Jabouille na segunda volta e assumia uma surpreendente quinta posição. E o italiano subiria uma posição na quinta volta quando o motor da McLaren de James Hunt quebra. Mais atrás, Depailler fazia outra corrida de recuperação e deixa para trás a Renault de Jabouille na sexta volta, assumindo a quinta posição. Assim como aconteceu nas primeiras etapas, a diferença entre os carros da Lotus era gritante, com Andretti disparado na frente, enquanto Peterson perdia décima posição para a Williams de Alan Jones na volta 14. Patrese fazia uma grande corrida e seguia de perto a Brabham do bicampeão mundial Lauda até a volta 19, quando o jovem italiano ultrapassou o austríaco e assumia a terceira posição. Lá na frente, a Lotus de Andretti começa a perder rendimento com um forte desgate de pneus e o ítalo-americano é ultrapassado por Scheckter e Patrese na volta 21. Contudo, Scheckter também tinha forçado demais e os problemas que aflingiram o piloto da Lotus também acometeu o piloto da casa e ele foi ultrapassado por Patrese na volta 27.

Logo em sua segunda corrida na F1, a Arrows liderava uma corrida! Patrick Depailler se aproveita dos problemas de Andretti e Scheckter, assumindo a segunda posição na volta 29. Lauda faz uma corrida de espera e se estabelece na terceira posição. A corrida fica então bem estática e poucos duvidavam da primeira vitória na carreira do jovem Riccardo Patrese. Então, os deuses das corridas começaram a se manifestar. Na volta 52 o motor de Niki Lauda estourou e isso elevou Andretti (que tinha ultrapassado Scheckter mais cedo) à terceira posição. Ronnie Peterson, que vinha brigando com Watson pela sexta posição, ultrapassa um problemático Scheckter e deixa o irlandês para trás, assumindo a quarta posição. O sul-africano, totalmente sem pneus, acabaria sofrente um acidente faltando vinte voltas para o fim.
Quando tudo conspirava para uma consagradora vitória de Patrese, um dos primeiros azares do italiano veio à tona. Na volta 64, exatamente quinze para o fim da prova, o motor Cosworth do Arrows de Patrese estoura, acabando com o sonho de sua primeira vitória do jovem italiano. Com isso, quem começava a sonhar com a primeira vitória na F1 era Depailler, que assumia a liderança no final da prova. Porém, o francês tinha forçado muito no início da prova e Depailler teve que diminuir o ritmo pensando no combustível. Andretti faz o mesmo e é ultrapassado por Peterson faltando três voltas para o fim. O americano acabaria tendo que entrar nos boxes para fazer um improvisado reabastecimento. Enquanto isso, Depailler via Peterson se aproximar cada vez mais do seu Tyrrell. Desde 1974 na F1, essa era a melhor chance do francês de conseguir uma vitória e ele não a entregaria fácil para Peterson, que se aproximava perigosamente. Na última volta, Peterson encostou de vez em Depailler e já na primeira curva tentou a ultrapassagem. Depailler fechou a porta. Com clara desvantagem dentro da equipe Lotus, Ronnie precisava de uma vitória e não desistiu. Depailler disputava cada curva como um esfomeado corria atrás de um prato de comida. Peterson colocava seu Lotus ao lado da Tyrrell de Depailler em toda curva. No meio da volta derradeira, os dois encontram a Lotus particular de Hector Rebaque, que se preparava para tomar a segunda volta dos líderes. Depailler e Peterson vinham praticamente todas as curvas lado a lado, chegando a tocar rodas, mas ao deixarem Rebaque para trás, Peterson foi mais esperto e nos Esses de alta atrás dos boxes fez a ultrapassagem definitiva e venceu a corrida, menos de meio segundo à frente de Depailler. Foi um final de tirar o fôlego e mesmo com o bom segundo lugar, Depailler não parecia muito contente no pódio, mas nada poderia tirar um dos últimos momentos de brilho de Ronnie Peterson!

Chegada:
1) Peterson
2) Depailler
3) Watson
4) Jones
5) Laffite
6) Pironi

segunda-feira, 3 de março de 2008

História: 35 anos do Grande Prêmio da África do Sul de 1973

Três semanas após o Grande Prêmio do Brasil, a F1 se perguntava sobre a boa fase do atual campeão Emerson Fittipaldi. Com duas vitórias em duas corridas, o pilotos da Lotus era o líder incontestável do Mundial de 1973 e suas performances nas corridas sul-americanas foram de imposição sobre os demais rivais. Jackie Stewart, então vice-líder do campeonato, parecia ser o único capaz de parar o brasileiro e em Kyalami, palco do Grande Prêmio da África do Sul, ele teria que começar sua reação na tentativa de conquistar seu terceiro título mundial. Stewart sempre andava bem no rápido circuito africano e essa seria sua chance.

Outro piloto que tentaria parar Emerson era Denny Hulme e a principal arma do neo-zelândes era o novo McLaren M23, que estrearia na África do Sul. Durante os primeiros testes do carro, Hulme ficou tremendamente impressionado com o carro e ele tinha esperança de conseguir um bom resultado. Com a chegada do novo carro para Hulme, a McLaren resolveu entregar o antigo modelo M19C excedente para o terceiro piloto da equipe, o novato Jody Scheckter. Piloto da casa, Scheckter, de apenas 23 anos, poderia presentear seus compatriotas com todo o talento mostrado em sua estréia no ano anterior, quando andou muito bem no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Outra novidade entre as equipes ficava por conta da Shadow, que faria sua estréia com Jack Oliver e George Follmer ao volante. A equipe inglesa chegou a se inscrever para as etapas sul-americanas, mas o modelo DN1 só ficou pronto para a terceira etapa.

Comprovando seu otimismo, Denny Hulme marcou sua primeira e única pole na F1 em Kyalami com o novo McLaren, enquanto Emerson continuava sua boa forma ao ficar na segunda posição. Completando a primeira fila, a surpresa do dia! Mesmo com o modelo antigo da McLaren, Jody Scheckter usou o conhecimento que tinha da pista e seu talento para marcar a terceira volta mais rápida da Classificação, apenas 0.02s atrás do campeão Emerson Fittipaldi. Um grande começo de carreira para o piloto que mais tarde seria campeão pela Ferrari. A BRM mostrava sua boa forma ao colocar três carros entre os dez primeiros, enquanto Jackie Stewart sofria um acidente durante as Classificação e por isso ficou numa incaracterística décima sexta posição. Por sinal, não foi um dia nada feliz para a Tyrrell, com François Cevert tendo que largar em último. Wilsinho Fittipaldi largaria ao lado da Tyrrell de Stewart, enquanto Oliver surpreendia ao colocar a primeira Shadow na décima quarta posição.

Grid:
1) Hulme(McLaren) - 1:16.28
2) Fittipaldi(Lotus) - 1:16.41
3) Scheckter(McLaren) - 1:16.43
4) Peterson(Lotus) - 1:16.44
5) Regazzoni(BRM) - 1:16.47
6) Revson(McLaren) - 1:16.72
7) Beltoise(BRM) - 1:26.84
8) Reutemann(Brabham) - 1:16.94
9) Pace(Surtees) - 1:17.06
10) Lauda(BRM) - 1:17.14

O dia 3 de março de 1973 estava claro e com muito sol para a largada o sétimo Grande Prêmio da África do Sul de F1. Hulme larga muito bem e se aproveita da sua primeira pole-position para completar a primeira curva na liderança, enquanto Emerson permanecia com seu defeito de nunca largar bem para não estragar a embreagem e é superado por Scheckter. O piloto da Lotus caiu para terceiro e era perseguido pela McLaren de Peter Revson, que tinha ganho duas posições na largada. Stewart já começava sua recuperação vindo de trás e completou a primeira volta na décima posição.

Outro piloto que tinha feito uma largada brilhante era o piloto local Dave Charlton. O representante da Lucky Strike tinha superado seis carros na largada e colocou sua Lotus particular na sétima posição e para delírio do público sul-africano, ele pressionava fortemente a Brabham de Carlos Reutemann. Na terceira volta, após uma tentativa de ultrapassagem sobre Reutemann, Charlton acabou perdendo o controle de sua Lotus e foi atingido pelo Surtees de Mike Haiwood, que vinha na oitava posição e os dois carros ficaram atravessados no meio da pista. Clay Regazzoni tinha começado muito mal a corrida e perdera dez posições na primeira volta e estava apenas na décima quinta posição quando deu de cara com dois carros parados na sua frente e acertou em cheio o carro de Hailwood. O BRM de Regazzoni explodiu em chamas e o suíço ficou desacordado. Com muita coragem, Hailwood enfrentou as chamas, queimou as mãos, desatou o cinto de segurança de Regazzoni e arrastou o suíço para fora de perigo. Tamanha bravura valeu a Mike "The bike" Hailwood a George Medal, pela sua bravura pelo salvamento de Regazzoni, que foi levado ao hospital com pequenas queimaduras.

Esse acidente ainda provocaria grandes mudanças na corrida. Quando o líder Denny Hulme pelo local do acidente na volta seguinte, ele acabou atropelando destroços dos carros envolvidos e teve um pneu furado, acabando com o sonho de conquistar uma vitória na estréia do McLaren M23. Isso deixava Scheckter na liderança da prova, mas o maior perigo não estava no segundo colocado Fittipaldi. Jackie Stewart foi um dos que escaparam do acidente da terceira volta e aproveitou para ganhar mais duas posições. Com um Tyrrell muito bem acertado e com os pneus Goodyear funcionando muito bem, o escocês ultrapassou um a um seus rivais até atingir a liderança da prova na sétima volta!

Emerson Fittipaldi vinha fazendo uma prova discreta e acabou perdendo a terceira posição para a McLaren de Peter Revson, porém o americano não conseguia se aproximar do seu jovem companheiro de equipe, que pilotava como um veterano. Stewart começava a se afastar na liderança, enquanto a corrida ficou estática, bem grandes trocas de posição.

Rápido, inexperiente e fogoso, Jody Scheckter continuou forçando e o forte calor africando fez dos seus pneus uma de suas vítimas. Com um forte forte desgaste dos seus pneus Goodyear, Scheckter foi ultrapassado por Revson na volta 33 e por Emerson dez voltas depois. Quando Ronnie Peterson se aproximava para fazer o mesmo, ele teve que fazer uma parada no box da Lotus e perdeu várias posições. Carlos Pace conseguia colocar seu fraco Surtees na quinta posição, porém um acidentes acabou com os sonhos do brasileiro faltando dez voltas, mas o que doeu mais para a público local foi a quebra do motor de Scheckter nas voltas finais, acabando com uma grande demonstração de talento de um piloto promissor e que daria muito o que falar na década de 70.

Após assumir a liderança, Stewart abriu uma bela diferença para as McLarens e não foi mais visto por ninguém até chegar ao pódio e receber o segundo e terceiro colocado. Emerson marcou a volta mais rápida da corrida nas últimas voltas na tentativa de se aproximar de Revson, mas o piloto da Lotus não foi capaz de ultrapassar o americano e teve se contentar com a terceira posição, que ainda lhe dava uma liderança apertada no campeonato. Jackie começava sua reação no campeonato após vencer uma corrida marcada pelo surgimento de um novo talento e pela bravura de Mike Haiwood.

Chegada:
1) Stewart
2) Revson
3) Fittipaldi
4) Merzario
5) Hulme
6) Follmer

domingo, 2 de março de 2008

Um turismo diferente

É possível fazer um campeonato de turismo com carros diferentes! Foi o que mostrou o WTCC e a F-Truck em suas etapas de aberturas neste domingo e em toda sua existência. Ao contrário do que apregoa a Stock-Car, o equilíbrio de uma categoria pode ser encontrado com carros diferentes e isso chama a atenção de várias marcas, que investem mais em seus carros e trazem grandes pilotos para suas equipes, melhorando o nível técnico do campeonato. Isso é um círculo vicioso que também acomete a F-Truck, com a chegada nesse ano de Chico Serra e Gaston Mazzacane, sendo que o atual campeão da categoria é Felipe Giaffone.

O Mundial de Turismo, também conhecido como WTCC, tem três montadoras – que se tornarão cinco em breve – e grandes pilotos, como o lendário Alex Zanardi, a promessa Augusto Farfus, os conhecidos Gabriele Tarquini, Nicola Larini e Jorg Muller e o multi-campeão Andy Priaulx. BMW, Seat e Chevrolet investem não apenas em pilotos como também em tecnologia, como é o caso da marca espanhola, com o novo motor diesel, que não é mais nenhuma novidade no automobilismo mundial, mas se mostrou dominador neste domingo, com a dobradinha em Curitiba, com vitória do francês Yvan Muller na primeira prova e do italiano Tarquini na segunda. A potência do motor turbodiesel espanhol era bem superior as demais marcas, com uma reaceleração absurda. Em compensação, a BMW construiu um chassi bem balanceado e fez com que seus pilotos não ficassem na mão, com Farfus conseguindo um pódio na corrida inicial e colocando o tricampeão Prialx e s surpresa espanhola Feliz Porteiro circundando Tarquini no pódio, na segunda bateria. A Chevrolet decepcionou bastante, mas por causa dos seus pilotos, que provocaram acidentes entre si e acabaram com zero ponto na etapa inicial do campeonato. Por sinal, o modelo Lacetti da marca americana parece mais um carro coreano!

Já na Truck, categoria que passei a gostar depois de acompanhar in loco, a etapa inaugural em Guaporé foi marcada pela instabilidade climática, causando muitos acidentes e o Safety-Truck apareceu algumas vezes. Após uma hora e quinze minutos de pista úmida e muita tensão, Beto Monteiro conseguiu a vitória em sua estréia na nova equipe (Scania), após anos na Ford.
A diferença entre as marcas, com cada uma tendo uma característica, fez das três provas deste domingo bem animadas, ao contrário das modorrentas corridas da Stock, com sua propalada “igualdade” e “competitividade”. Na Truck, há caminhões com motores e pesos diferentes, garantindo uma equalização muito grande. No WTCC, a Seat usa o modelo Toledo, que tem, além do motor diesel, câmbio semi-automático e é um carro cupê. A BMW usa motor à gasolina (o motor à diesel alemão está previsto para ainda esse ano), usa um câmbio manual convencional e o modelo 320i é um seda. Já o Lacetti também é um sedã, mas usa câmbio semi-automático e motor à gasolina. A Stock, usa o mesmo chassi, mesmo motor, mesmo câmbio... Viva as diferenças!