sábado, 11 de outubro de 2008

Primeiro passo


Se você sete pontos de vantagem no campeonato, será pedir demais largar na pole e ver seu rival apenas em quinto? Para Hamilton, não! O inglês da McLaren conseguiu uma pole num momento crucial do campeonato de 2008 e pode ter dado um importante passo rumo ao título deste ano. Lewis, que não conquistava uma pole fazia muito tempo e não vence desde julho, pode conquistar um resultado importante e pela experiência que já tem, Hamilton dificilmente despediçará uma nova chance!

Por ter sido na madrugada, não assisti aos treinos, então vou emitir minha opinião apenas pelos resultados. Ao contrário do que todos esperavam, os treinos não foram no molhado, mas Hamilton, agora o principal favorito nesse tipo de piso, também se garantiu em um treino no seco. A Ferrari colocou um dos seus pilotos na primeira fila. Mas foi o errado! Voltando a primeira fila apó longo e tenebroso inverno, Raikkonen partirá ao lado de Hamilton nesse domingo, mas para ajudar Massa, ele terá que fazer sua parte, pois o brasileiro ficou num inexplicável quinta posição, atrás da segunda McLaren de Kovalainen e do animado Fernando Alonso. Claro que nem tudo está perdido, mas Felipe terá que fazer uma corrida cabeça para não se afobar largando um pouco mais atrás, posição que não está habituado a largar nesse ano.

Correndo em casa, a Toyota foi muito forte e poderá marcar pontos amanhã, ao contrário da sua rival, a Honda, que definitivamente está no mesmo nível do péssimo ano de 2007, quando sempre largava nas últimas posições. Quem sofre com isso é Barrichello, sem contrato para 2008 e desesperado para não ser aposentado. Pelas últimas declarações, Rubinho parece estar apelando, pois vê que sua situação não é nada boa tanto dentro da Honda, como no cenário atual do mercado de pilotos. Nelsinho Piquet, outro muito ameaçado, fez o que vem fazendo em 2008. Largará em décimo segundo, mas comparado a Fernando Alonso, é uma péssima posição! Provavelmente largará muito pesado e, com alguma sorte, poderá marcar um ou dois pontos. A Toro Rosso, com uma vaga visada pelos brasileiros, segue muito bem e colocou seus dois pilotos na Q3 e pelo que vem demonstrando, Bourdais merece uma vaga na equipe italiana em 2009. Azar de Barrichello, Nelsinho, Bruno Senna...

Para amanhã, correndo em piso seco, a perspectiva é de uma corrida menos movimentada do que ano passado, quando Fuji teve uma corrida marcada por um dilúvio. Se largar bem, Hamilton poderá sair do Japão mais líder do que nunca, enquanto Massa terá que se preocupar em se livrar rápido de Alonso e Kovalainen, algo que não será fácil, se quiser brigar pela vitória com Hamilton. Façam suas apostas, que a roleta pelo título já começou!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

História: 30 anos do Grande Prêmio do Canadá de 1978


A temporada de 1978 chegava ao fim com o gosto amargo da perda de Ronnie Peterson e da grande novidade do momento, os carros com efeito-solo projetados por Colin Chapman, que deram o título para a Lotus e Mario Andretti com enorme facilidade. Todas as demais equipes estudavam formas de se igualar a Chapman e desenhavam seus carros utilizando as idéias do dono da Lotus. Foi nesse clima, ainda tenso por causa do acidente de Peterson, que a F1 chegou ao Canadá, que teria casa nova em 1978. O circuito de Mosport Park era considerado inseguro por muitos, apesar de ser muito apreciado pelos pilotos. Para 1978, um projeto ousado seria feito. Um circuito de rua seria construído na Ile de Notre Dame, que tinha sido feito artificialmente em 1967 e serviu de palco para as competições de remo nas Olímpiadas de 1976 na cidade de Montreal. O novo circuito não era tão travado como Monte Carlo, mas ainda assim era estreito e os pilotos, inicialmente, não ficaram satisfeitos com o traçado.

Jean Pierre Jarier tinha substituído muito bem Peterson na Lotus em Watkins Glen e comprovou sua boa forma ao conquistar a primeira pole do circuito de Montreal, com Jody Schckter, de mudança para a Ferrari, fechando a segunda fila. O parceiro de Scheckter para 1979 ainda estava indefinido e por isso Gilles Villeneuve tinha que mostrar serviço. Andando praticamente em casa, o canadense mostrou sua garra habitual e colocou sua Ferrari em terceiro, bem à frente de Reutemann, que estava de mudança para a Lotus. Emerson Fittipaldi colocava seu Copersucar, nas melhor temporada da equipe brasileira, numa ótima sexta posição, enquanto a Brabham colocava seus dois carros entre os dez primeiros. Porém, um terceiro carro da equipe tinha sido deixado a disposição de um piloto que tinha demonstrado enorme qualidade na F3 Inglesa. Nelson Piquet tinha feito sua estréia na F1 com um McLaren de 1974 e mesmo sem mostrar grandes resultados, conseguiu um contrato com Bernie Ecclestone para 1979 e já estrearia pela equipe no Canadá. Piquet largaria em décimo quarto, duas posições atrás de Riccardo Patrese, de volta após a suspensão de uma corrida por ter sido considerado culpado pelo acidente que provocou a morte de Peterson.

Grid:
1) Jarier (Lotus) - 1:38.015
2) Scheckter (Wolf) - 1:38.026
3) Villeneuve (Ferrari) - 1:38.230
4) Watson (Brabham) - 1:38.417
5) Jones (Williams) - 1:38.861
6) Fittipaldi (Copersucar) - 1:38.930
7) Lauda (Brabham) - 1:39.027
8) Stuck (Shadow) - 1:39.081
9) Andretti (Lotus) - 1:39.236
10) Laffite (Ligier) - 1:39.381

Todos os treinos foram realizados debaixo de muita chuva e frio em Montreal e mesmo assim, a torcida canadense lotou as arquibancadas, torcendo loucamente por Villeneuve. Mesmo não tendo chovido no dia 8 de outubro de 1978, o frio permanecia forte no Canadá e as nuvens estavam carregadas. Na largada, Jarier larga melhor e dispara na frente com seu Lotus, enquanto Jones fazia uma largada-relampâgo e pula de quinto para terceiro, subindo para segundo quando Scheckter erra uma curva e o piloto da Williams sobe para segundo na primeira volta! Scheckter, Villeneuve e Watson ficaram logo atrás do australiano, enquanto Andretti, que largava muito mal para os seus altos padrões em 1978, pula para sexto ainda na primeira volta. Isso aconteceu também pela confusão envolvendo Stuck e Fittipaldi na largada, tirando o brasileiro imediatamente da corrida, enquanto Laffite cai para as últimas posições. Essa era uma corrida em que o bicampeão podia se dar bem pelas dificuldades naquele dia frio de outono.

As posições permaneciam as mesmas, com os pilotos bem comportados nesses momentos iniciais da corrida. Tentando um lugar para 1979, Jarier forçava o máximo que podia e aumentava a diferença para Jones, que segurava Scheckter e Villeneuve. Mais atrás, Watson e Andretti brigavam pela quinta posição. O americano tentava chegar mais à frente e atacava o piloto da Brabham de todas as formas. Isso não podia dar muito certo... O sempre agressivo Andretti acabou tocando rodas com Watson na quinta volta e os dois caíram para as últimas posições, promovendo a Tyrrell de Depailler na quinta posição. Jones segurava a segunda posição com toda a garra que lhe era peculiar, mas um furo lento em um dos seus pneus o fez perder a segunda e terceira posições para Scheckter e Villeneuve na volta 18 e 19, respectivamente. Mostrando que o asfalto não estava muito bom, Depailler também foi aos boxes logo depois para trocar os pneus.

Com a torcida a favor, Villeneuve atacou o futuro piloto da Ferrari na volta 24 e se alocava na segunda posição, enquanto Reutemann, que vinha fazendo uma corrida discreta, já assumia a quarta posição, trazendo a reboque Patrese, mostrando que o italiano já tinha colocado sua punição para trás. Mostrando o quanto o carro da Lotus era competitivo em 1978, Jarier, apenas em sua segunda corrida com o carro, já abria 30s para o segundo colocado, Villeneuve, que ainda mantinha Scheckter a um distância confortável. Considerado uma das grandes promessas da metade da década de 70, Jarier tentava conquista sua primeira vitória na carreira e estava bem próximo de conseguir conquistar seu objetivo. Porém...

O Lotus perdia rendimento e a torcida, já feliz em ver Villeneuve em segundo, começou a se agitar e então Jarier foi aos boxes totalmente sem freios. Na vã tentativa de consertar o seu carro, a Lotus se esforçou para mandar seu piloto de volta à pista, mas o sistema de freio estava fatalmente danificado e Villeneuve assumia a liderança na frente de sua torcida! Ainda faltavam vinte voltas para o fim, mas as posições não mudaram até o fim e Villeneuve conquistava sua primeira vitória na F1 na frente dos seus torcedores, que fizeram uma grande festa apesar do frio que se fazia. Villeneuve conquistava sua primeira vitória logo em sua primeira temporada completa e iniciava a lenda que tomaria o seu nome nos próximos quatro anos. Foi um grande dia para o Canadá, bem diferente de hoje, com o cancelamento do seu Grande Prêmio em 2009 e nenhum grande piloto para torcer...

Chegada:
1) Villeneuve
2) Scheckter
3) Reutemann
4) Patrese
5) Depailler
6) Daly

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Au revoir, Montreal!


De forma supreendente, como ninguém esperando, a FIA anunciou que Montreal está fora da F1 a partir de 2009. O Canadá já ficou muito perto de ficar semsua corrida recentemente, mas o perigo parecia ter passado, mas as cifras cada vez mais altas devem ter interferido decisivamente nisso. Dona de belas corridas, o belo circuito urbano de Montreal deixará saudades, pois, se algo não ocorrer nas próximas semanas, dificilmente voltará ao calendário da F1. Com essa decisão, a F1 só passará pela América em Interlagos e muita gente já vê com receio a etapa brasileira para um futuro próximo, mas vejo algo bem diferente. As montadoras estão loucas para voltar aos Estados Unidos, pois seus mercados dependem da América, apesar da forte crise e do desinteresse dos americanos pela F1. Uma volta do Grande Prêmio dos Estados Unidos em breve pode ser possível, mas isso pode ter causado o sacríficio do tradicional Grande Prêmio caandense. Uma pena!

domingo, 5 de outubro de 2008

O Belo


"As curvas de uma pista são parecidas com as curvas de uma mulher. Porém, nunca devemos confundi-las". Para quem diz uma frase dessa, precisa entender bastante sobre ambos os assuntos e esse foi o caso de François Cevert. Além de ter sido um dos pilotos mais promissores a aparecer no início da década de 70 e ser um dos primeiros pilotos franceses a iniciarem uma era dourada para o automobilismo gaulês, Cevert era um dos homens mais belos do mundo, inclusive tendo casos amorosos com atrizes famosas. Um dos pilotos mais carismáticos a chegar a F1, sua breve passagem pela categoria deixou marcas profundas em todos que o conheceram, particularmente em Jackie Stewart e Ken Tyrrell. Trinta e cinco anos após sua terrível morte, iremos conhecer mais um pouco da carreira desse francês que marcou tanto por sua velocidade, como por sua beleza.

Albert François Cevert Goldenberg nasceu no dia 25 de fevereiro de 1944 em Paris, em meio a Segunda Guerra Mundial e sobre julgo nazista. Seu pai, Charles Goldenberg, tinha nascido na Rússia e tinha fugido do país ainda jovem por causa da Primeira Revolução de Russa de 1905. Judeu, Goldenberg fugiu para a França e se tornou um conceituado joalheiro. Contudo, a invasão nazista em 1940 fez com que Goldenberg escondesse sua ascendência judia e registrou seus filhos, inclusive o recém-nascido François, como Cevert, sobrenome da sua esposa, Huguette. Atuando ao lado da Resistência, Goldenberg voltou a cuidar dos seus negócios após a Guerra e criar seus quatro filhos. Tendo tudo do bom e do melhor, François Cevert estudou em boas escolas e se tornou um ótimo pianista. Ainda adolescente, o jovem Cevert passou a se interessar em corridas, primeiramente de motos e depois com carros, após servir o exército francês.

Já contando com 22 anos idade, François entrou em escolas preparatórias para corridas em Le Mans e Magny-Cours. Sentindo-se preparado para iniciar sua carreira no automobilismo, Cevert se inscreve no concurso Volante Schell, que dava ao seu vencedor uma temporada na F3 Francesa com patrocínio da petroleira. François leva o torneio com facilidade! Todavia, a Shell entrega uma verdadeira cadeira-elétrica para o francês. O chassi da Alpine se mostra um carro muito complicado e François sofre com sua falta de experiência em corridas, mas o jovem piloto compensa essas dificuldade com muita coragem e desenvolve uma técnica de derrapagens controladas. Isso chama a atenção da italiana Tecno, que tinha o melhor chassi de F3 da época, e contrata Cevert como piloto para a temporada seguinte. Com um ano de experiência, contando com o precioso patrocínio da Elf, e tendo a melhor equipe ao seu dispôr, Cevert se torna Campeão Francês de F3 em 1968 com quatro vitórias, derrotando Jean-Pierre Jabouille.

A equipe Tecno fica tão satisfeita com Cevert, que o contrata para o próximo degrau do francês. Apenas em sua terceira temporada no automobilismo, Cevert participaria do prestigiado Campeonato Europeu de F2 pela equipe oficial da fabricante italiana. Numa temporada marcada pelo domínio da Matra de Johnny Servoz-Gavin e Henri Pescarolo, François se destaca e termina o forte campeonato em terceiro, conseguido alguns pódios e uma vitória em Tulln-Langenlebarn, mas na verdade, o piloto da Tecno completou a prova em quinto, mas naquela época, os pilotos de F1 também disputavam algumas etapas do Campeonato de F2, mas não marcavam pontos. E foi justamente em uma corrida com participação de pilotos da F1, Cevert apareceu para o mundo. Numa corrida de F2 em Crystal Palace, Jackie Stewart travou um duelo espetacular com Cevert e ficou abismado com a habilidade do francês, indicando Cevert para o seu chefe, Ken Tyrrell. Inicialmente, François participaria unicamente do Campeonato de F2 e a Tecno não repete o mesmo desempenho do ano anterior e os únicos pontos marcados por Cevert seriam da vitória, novamente, em Tulln-Langenlebarn. Porém, Tyrrell e Stewart não tinham esquecido de Cevert!

Quando Johnny Servoz-Gavin abandonou a F1 ainda na metade de 1970, a Tyrrell precisou trazer um segundo piloto para a sua equipe. Na época, Ken Tyrrell ainda não construía seus próprios carros e utilizava um chassi cliente da March, tendo como patrocínio, a petroleira francesa Elf. Apesar de não estar fazendo uma boa temporada na F2, Cevert é chamado para ser segundo piloto da Tyrrell e faria sua estréia no trágico Grande Prêmio da Holanda, marcado pela morte de Piers Courage. Logo de cara, Cevert mostra seu enorme talento e anda, sempre que possível, próximo do campeão Jackie Stewart. Em outro Grande Prêmio trágico, o da Itália, marcado pela morte de Jochen Rindt, François conquistou seu primeiro ponto com um sexto lugar, após ter batido na trave em outras duas ocasiões, ao terminar em sétimo na Inglaterra e na Alemanha. Em 1971, a Tyrrell finalmente construiria um carro próprio, projetado por Derek Gardner. Muito mais alto do Stewart, Cevert simplesmente não cabia no Tyrrell 001 e por isso Gardner teve que projetar o modelo 002 exclusivamente para Cevert.

Além de ser segundo piloto de Stewart, Cevert aproveitou toda a experiência do seu companheiro de equipe e sempre era visto conversando com o escocês, tentando extrair o máximo de informação possível do campeão. Essa ligação formou uma enorme amizade entre os dois companheiros de equipe e Stewart não seria o único amigo do francês. Além da pinta de galã, François também era uma pessoa afável e extrovertido, fazendo com que todos na F1 o admirasse e ficasse amigo dele. O carro da Tyrrell provou ser um dos melhores do pelotão e juntamente com os pneus Goodyear, Stewart dominou a temporada 1971 com extrema facilidade, conquistando quase o dobro de pontos do vice, o sueco Ronnie Peterson. Mesmo terminando apenas cinco corridas em 1971, Cevert terminou a temporada em terceiro lugar. O francês não se importava em exercer a posição de segundo piloto e em duas oportunidades (França e Alemanha) chegou logo atrás do vencedor Stewart. Porém, na corrida final em Watkins Glen, Cevert se sobressaiu e conseguiu o que seria sua única vitória na F1. Ele se tornou o segundo francês a vencer na F1. Cevert também fez parte da famosa chegada do Grande Prêmio da Itália, terminando em terceiro 0.09s atrás do vencedor Peter Gethin.

Na F2, Cevert iniciou o seu último campeonato de forma avassaladora, conquistando duas vitórias (Hockenheim e Nürburgring) e um terceiro lugar, mas perdeu o foco da categoria e perdeu o título de 1971 para o seu amigo Ronnie Peterson. Para 1972, a expectativa era muito boa, mas essa temporada foi dominada pela Lotus de Emerson Fittipaldi e o novo carro da Tyrrel demorou muito a aparecer, só chegando às mãos de Cevert na metade do ano. No final da temporada, a Tyrrell mostra força com o novo carro e consegue uma dobradinha em Watkins Glen, com Stewart em primeiro e Cevert em segundo. Ainda em 1972, Cevert fez sua estréia no Mundial de Esporte-Protótipos e participou das 24 Horas de Le Mans ao lado do neo-zelandês Howden Ganley pela equipe Matra. O francês também participou do famoso Campeonato da Can-Am, terminando o campeonato em quarto lugar pela equipe McLaren, com uma vitórias e quatro pódios. Mesmo terminando apenas seis Grandes Prêmios, Cevert termina o campeonato de F1 em sexto lugar, com outro segundo lugar na Bélgica.

A boa fase da Tyrrell no final de 1972 se confirma com um ótimo início de 1973, com a equipe brigando fortemente com a Lotus de Emerson Fittipaldi e Ronnie Peterson. Ainda esperando sua vez, Cevert faz novamente seu papel de segundo piloto de Stewart e aprende cada vez mais com o escocês. Andando cada vez mais rápido, Cevert consegue seis segundos lugares, sendo que em três oportunidades, chegando logo atrás de Stewart. Quando Jackie conquista seu terceiro título mundial, as informações de que aposentaria eram fortes e Cevert seria o seu substituto natural e altura dentro da equipe Tyrrell para 1974. No Canadá, penúltima etapa de 1973, François tinha tudo para vencer pela segunda vez na carreira, mas acabou sofrendo um acidente provocado por Jody Scheckter. Furioso, Cevert partiu para cima do sul-africano e teve que ser contido para não protagonizar cenas de pugilato! A próxima corrida seria em Watkins Glen, local da única vitória de Cevert e por isso o francês estava extremamente confiante para essa prova. No intervalo entre as duas corridas norte-americanas, os casais Stewart e Peterson, juntamente com François Cevert, foram descansar nas Bermudas. Stewart brincava com Cevert, dizendo que os boatos da sua aposentadoria eram plantadas por Cevert e que só assim, o francês poderia ser Campeão Mundial. Cevert dizia que venceria o Mundial em 1974 com ou sem Stewart e que a sua nova fase se iniciaria em Watkins Glen.

Na sexta-feira, a Tyrrell mostra força e Cevert vai confiante para o segundo treino de Classificação, no dia 6 de outubro de 1973. Cevert sai dos boxes lentamente, estudando a pista e dois minutos depois, passa pela reta principal a toda velocidade, acenando para o box da Tyrrell. Então, quando se aproximou do complexo dos esses, Cevert perdeu o controle do seu carro, subiu por uma zebra e espatifou seu Tyrrell no guard-rail a 250 km/h. O impacto foi tão forte que o carro foi jogado para o outro lado da pista, se arrastando pelo guard-rail com o carro com as rodas para cima, esquartejando o corpo de Cevert. O francês de 29 anos morreu na hora. Os pilotos, quase todos muito amigos de Cevert, pararam os seus carros para tentar ajudar, mas quando viam o que tinha acabado de acontecer, se desesperavam. O brasileiro José Carlos Pace, que estava fazendo 29 anos naquele dia, sentou no chão e começou a chorar. Os médicos nem deram o trabalho de mexerem no seu equipamento e apenas tiraram o que restou do corpo do francês, que, inclusive, foi decapitado. Jackie Stewart foi um dos que presenciaram a cena e precisou ser medicado quando chegou aos boxes, juntamente com a sua esposa Helen. Então, Ken Tyrrell se dirigiu aos boxes da BRM. Ainda dentro do seu carro, Jean-Pierre Beltoise estava paralisado. Ele era casado com Jacqueline, irmã mais nova de François e teve que dar a trágica notícia para a família Cevert.

A Tyrrell se retirou do Grande Prêmio dos Estados Unidos e Stewart não pôde completar seu centésimo Grande Prêmio, resolvendo anunciar a sua decisão de que estava definitivamente fora da F1. A F1 perdia um piloto brilhante e extremamente carismático. François Cevert participou de 46 Grandes Prêmios, conseguiu uma vitória, duas melhores voltas, treze pódios e 89 pontos. Seu último ano na F1 foi o seu melhor, repetindo o terceiro lugar de 1971, e poucos duvidavam de que Cevert seria um dos grandes pilotos da metade dos anos 70, inclusive sendo campeão em 1974. Até hoje, nunca se soube ao certo o que causou a perda repentina do controle do carro de Cevert. Há uma teoria em que o francês teria passado mal pelas fortes ondulações que antecediam o local do acidente e, inclusive, ele teria vomitado no capacete antes da batida. Outra teoria foi que ele pegou uma irregularidade na pista, fazendo com que pegasse uma zebra alta (que só foi consertada em 2005, quando a IRL chegou a Watkins Glen...) e decolasse rumo ao guard-rail. Outra cena conhecida, gravada um pouco antes do acidente, mostrava Stewart dentro do carro conversando com Cevert, que estava praticamente deitado ao seu lado, conversando justamente sobre o complexo dos esses. Jackie indicava que o francês deveria entrar naquelas curvas com uma marcha mais alta, pois o carro estava muito nervoso na ocasião.

Porém, o maior dos mistérios envolvendo a morte de François Cevert estava fora das pistas. Tudo começou quinze anos antes. Anne Van Malderen, mais conhecida como Nanou, tinha 20 anos em 1959 e tinha acabado de se casar. Sua mãe chamou Nanou para a acompanhar em uma "consulta" a uma vidente. Nanou não acreditava nessas coisas do outro mundo, mas foi assim mesmo. A consulta era bem simples. A vidente olhava para a pessoa ou para uma foto por um longo tempo e depois dizia o que aconteceria num futuro próximo. Apesar de estar apenas acompanhando a mãe, Nanou foi surpreendida pela senhora, que pediu que a acompanhasse. Ela olhou nos belos olhos de Nanou e disse: "Seu casamento não vai durar, você vai encontrar um jovem que vai deixar marcas profundas em sua vida...você vai ser profundamente feliz...posso ver os olhos azuis dele...posso ver o mar...vocês vão se encontrar perto do mar". Não deu outra! Nanou se separou pouco depois e em 1964 se encantou com os olhos azuis de François Cevert na praia de Saint-Tropez. Dois anos depois, François Cevert tentava iniciar sua carreira no automobilismo e a chance para isso era vencer o torneio Volante Shell. Vendo a ânsia do amado e sabendo da importância desse torneio para Cevert, Nanou resolveu ir a vidente de sete anos antes.

Desta vez, Nanou apenas entregou uma foto de François num carro de corridas. A senhora se concentrou e disse: "Você já veio aqui antes! Você o encontrou! Que estranho, a foto dele está toda embaralhada com essa máquina estranha - tem rodas, mas não corpo - o que poderia ser?" Nanou respondeu dizendo que era um carro de corridas e que seu amado queria ser piloto de corridas. "Ele vai fazer algum tipo de teste, ele vai vencer facilmente. Vejo uma brilhante carreira à sua frente..." Depois, veio o baque. "Você vai ser muito feliz, mas não vai conseguir segurá-lo, o sucesso dele ficará entre vocês dois". Outro silêncio, e ela continua "Preciso lhe dizer outra coisa...Este jovem não viverá para completar seu aniversário de 30 anos". Nanou não sabia o que fazer, mas foi falar com Cevert. Ela falou-lhe que venceria o Volante Shell, mas que o sucesso faria com que eles se separassem. Cevert não acreditou na história e foi falar pessoalmente com a vidente. Que lhe contou a mesma história. Os dois resolveram deixar a história para lá, mas após conquistar o Volante Shell, Cevert ficou cada dia mais distante de Nanou e os dois acabariam se separando meses depois. François Cevert morreu com 29 anos e 224 dias e o Grande Prêmio dos Estados Unidos era a última corrida antes dele completar 30 anos. Alguns anos depois da morte de Cevert, com consentimento da família do piloto, Nanou voltou a casa da vidente, que a essa altura já era uma senhora de idade bem avançada. Para não entregar o jogo, Nanou levou uma foto de quando Cevert era apenas uma criança e não disse nada. A senhora olhou para a foto e ficou um bom tempo de olhos fechados. Então, ela abriu os olhos, olhou para Nanou e disse: "Ele está morto!"

sábado, 4 de outubro de 2008

Páginas policiais


Primeiro, os fatos. Hélio Castroneves foi acusado de sete crimes federais, inclusive por sonegação de impostos, podendo o colocar na cadeia pelos sete anos em que ficou em dívida com o disco, ou seja, o piloto brasileiro poderia ficar 35 anos atrás das grades. Nesta sexta-feita, Helinho se apresentou a Corte Federal de Miami jurando inocência e, algemado, pagou a milionária fiança de 10 milhões de dólares, foras os dois milhões que teve que pagar para a sua irmão Katiucia, acusada dos mesmos crimes. Porém, Castroneves teve o seu passaporte apreendido e ficará impossibilitado de sair dos Estados Unidos por 90 dias.

Agora, a opinião. Claro que torcemos pela inocência de Hélio Castroneves, mas a justiça americana não prenderia uma pessoa pública à toa, e alguma coisa ainda pode rolar contra o paulista em toda esta celeuma. Nos resta agora, esperar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Flying Finn


Antes do "sueco" Keke Rosberg, o esporte a motor finlandês se resumia a Jarno Saarinen e as variadas lendas do Mundial de Rally, como Vatanen, Kankkunen e etc. Quando Rosberg foi campeão de F1 em 1982, os nórdicos passaram a prestar atenção também em corridas no asfalto e foi nesse cenário que Mika Häkkinen cresceu. Desde muito cedo, Hakkinen se mostrou um verdadeiro talento e isso foi confirmado nas categorias de base, fazendo com que Mika chegasse a F1 com toda a pompa e circunstância, mas um grave acidente quase pôs fim a sua carreira. Porém, Hakkinen tirou forças dessas adversidades para se tornar, sempre à bordo da McLaren, o maior rival de Michael Schumacher no final do século passado. Dez anos após o seu primeiro título com os prateados, Hakkinen vive uma aposentadoria feliz e completando quarenta anos essa semana, iremos conhecer um pouco mais de sua carreira na F1.

Mika Pauli Häkkinen nasceu em 28 de setembro de 1968 na cidade de Vantaa, próximo a Helsinque. Filho de um taxista e uma secretária, o pequeno Mika logo cedo se interessou pelas corridas e com apenas cinco anos já "brincava" de kart numa pista próximo a sua casa. Em sua primeira corrida, Hakkinen sofreu um acidente, mas ele já tinha decidido que seria um piloto e convenceu o seu pai a comprar o micro-carro de corrida. O interessante foi a procedência do veículo, pois o mesmo tinha sido utilizado por Henri Toivonen, que não seguiu a carreira nos monopostos e se tornou mais uma lenda do Rally mundial. Hakkinen obtém enorme sucesso no kart finlandês, conquistando cinco títulos, tocando rodas com J.J. Lehto e com seu xará, Mika Salo. Após todo o seu sucesso no kart, Mika tinha que tomar uma decisão importante na sua carreira no início de 1987. Ele tinha propostas para se mudar para o Rally, mas ele preferiu os monopostos, comprando um F-Ford 1600 que tinha percebido anteriormente a J.J. Lehto.

O início de carreira de Hakkinen nos monopostos é avassalador e ele conquista dois títulos de F-Ford, o Campeonato Sueco e Finlandês. No final deste ano ele é convidado pela Marlboro para participar de um mini-torneio em Donington Park e que teria no júri, entre outros, Ron Dennis e o ex-Campeão Mundial James Hunt. A essa altura, Keke Rosberg já ajudava Hakkinen a conseguir patrocínios e abria as portas ao seu pupilo na longa estrada do automobilismo. Mika não venceria esse torneio, que é vencido por um velho conhecido do finlandês: Eddie Irvine. Graças aos contatos de Rosberg, Hakkinen consegue o forte patrocínio da Marlboro e sobe para a F-Opel em 1988. Ao lado do escocês Allan McNish, Hakkinen disputaria o Campeonato Inglês e Europeu pela equipe Dragon. O campeonato era extremamente disputado e tinha carros iguais, para garantir uma igualdade entre os competidores. Mika perde o campeonato inglês para McNish, mas fatura o título europeu, derrotando o dinamarquês Henrik Larsen por apenas um ponto. No total, Mika disputa vinte corridas, onde consegue sete vitórias e seis poles, garantindo-se como um dos pilotos promissores no final dos anos 80.

Apesar de alguns convites para correr na F3000, Hakkinen prefere permanecer na equipe Dragon e disputar o fortíssimo Campeonato Inglês de F3. Esse seria um ano de aprendizado para Mika, mas ele ainda consegue bons resultados, terminando o ano com duas poles e na sétima colocação do campeonato. Graças ao seu talento e a grana da Marlboro, Hakkinen se muda para a melhor equipe da época, a West Surrey, e ainda em 1989 vence o Superprix de F3. Hakkinen era o principal favorito ao título em 1990, mas teria que enfrentar o seu velho rival do kart, Mika Salo. Os dois finlandeses monopolizaram o campeonato, mas Hakkinen acaba vencendo o campeonato naquele ano numa das temporadas mais disputadas da história do certame inglês de F3. Ainda em 1990, Hakkinen participa com sucesso de corridas isoladas do Campeonato Italiano e Alemão de F3, mostrando que era mesmo um dos pilotos mais promissores da época. Em sua passagem pela Alemanha, Mika conhece e derrota um alemão de queixo comprido e muito rápido, chamado Michael Schumacher. Esse seria o primeiro encontro deles no ano. No final da temporada, as equipes de F3 foram para Macau disputar a famosa corrida de rua e Hakkinen era o favorito natural. O finlandês teve como maior opositor o próprio Michael Schumacher e na penúltima volta da segunda bateria, que decidia o torneio, Hakkinen errou o cálculo de uma manobra de ultrapassagem e acabou acertando a traseiro do alemão. Mika acabou batendo forte no muro, enquanto Schumacher, sem a asa traseira, venceu a corrida. Há quem diga que Schummy tirou o pé de propósito para que Hakkinen enchecesse sua traseira. Pela fama que o alemão pegaria mais tarde...

Mesmo com essa derrota, Hakkinen chegaria a F1 na frente do seu rival alemão. A Lotus já via com binóculos seus dias de glória e no início da década de 90 era apenas uma caricatura da grande equipe que tinha sido. Precisando de dinheiro e de talento, a Lotus contrata Hakkinen e o finlandês estrearia na F1 com estilo. A sua estréia foi em Phoenix e Mika abandonou a corrida já próximo ao final, com o motor pegando fogo. O carro da Lotus era praticamente o mesmo do ano anterior e por causa disso, Hakkinen pouco podia fazer para levar o seu carro mais à frente. Era preciso uma corrida diferente para que Mika se destacasse. E ela aconteceu mais rápido do que o esperado. A terceira etapa do Mundial de 1991 seria realizado em Ímola e largando na última fila, Hakkinen tinha poucas esperanças de se sobressair, mas uma chuva forte um pouco antes da largada pegou a todos se surpresa, principalmente Alain Prost, que rodou na volta de apresentação. Andando com extremo cuidado, Hakkinen fez uma corrida de muita cautela e paciência para terminar a prova numa ótima quinta posição, marcando seus primeiros pontos na carreira. O carro era tão ruim, que Mika terminou três (!) voltas atrás do vencedor Ayrton Senna e esses seriam os seus únicos pontos do finlandês em seu ano de estréia.

Apesar de todas as dificuldades, Hakkinen permaneceu mais um ano na Lotus e provando que "camisa ganha jogo", a tradicional equipe construiu um bom carro e Hakkinen teria ao seu lado o inglês Johnny Herbert. Mika consegue bons resultados, marcando pontos de forma regular e termina o campeonato num surpreendente oitavo lugar, com dois quarto lugares (França e Hungria) como melhor resultado. Esses resultados chamaram a atenção das grandes equipes, principalmente da McLaren, que sofria uma forte reestruturação. A Honda tinha abandonado a equipe no final de 1992 e Ron Dennis tinha os fracos motores Ford a disposição. Senna estava louco para ir para a Williams e colocou enormes obstáculos para renovar com a equipe que tinha lhe dado todos os seus três títulos mundiais. Tentando reverter a situação, a McLaren trouxe a estrela da F-Indy, Michael Andretti, e contrata Hakkinen como terceiro piloto, já que Senna podia acordar não correr. Apesar de não ter feito parte da equipe ao longo do ano, Mika aprendeu muito em 1993, pois Andretti fez a besteira de ainda morar nos Estados Unidos e Hakkinen fazia todos os treinos para a equipe. O finlandês ainda teria a companhia de Senna na equipe. Andretti fazia uma temporada pífia e abandonou a F1 após o Grande Prêmio da Itália. Tudo o que Hakkinen tinha corrido naquele ano foi uma prova da Porsche Supercup em Mônaco, com vitória do finlandês, mas com a saída do americano, Hakkinen estrearia pela McLaren no Grande Prêmio de Portugal de 1993. Era o início de uma longa parceria.


Demonstrando um enorme conhecimento do carro, Mika surpreende ao superar Senna na Classificação para a corrida portuguesa e fazia uma bela prova até sofrer um acidente. Porém, Hakkinen se recuperaria em grande estilo na corrida seguinte, ao conquistar o seu primeiro pódio na F1 com um terceiro lugar no Grande Prêmio do Japão. Graças a esses resultados, Hakkinen garantia o seu lugar na McLaren em 1994. No entanto, a saída de Senna trouxe uma enorme desinstabilidade na equipe e a chegada da Peugeot mais atrapalhou do que ajudou. O motor francês fazia sua estréia na F1, mas ainda sofria bastante com a confiabilidade, mas Hakkinen ainda mostrava o seu talento, conquistando um terceiro lugar no nefasto Grande Prêmio de San Marino de 1994, que marcou a morte de Senna. Graças a sua impetuosidade, Hakkinen ainda sofria bastante acidentes e quando o finlandês provocou o acidente na largada para o Grande Prêmio da Alemanha, Mika foi suspenso pela FIA por uma corrida. Apesar de todos os problemas, Hakkinen fez uma ótima temporada de estréia na McLaren, conquistando vários pódios e terminando o ano na quarta colocação, com seis pódios.

Após um ano com a Peugeot, a McLaren foi seduzida pelos dólares da Mercedes-Benz e se aliou com a gigante alemã, iniciando uma parceria duradoura, que resiste até hoje. Contudo, como toda mudança, a equipe teria que se adaptar ao novo motor e Hakkinen sofreu com mais um ano de adaptação. No início do ano, Mika teria como companheiro de equipe Nigel Mansell, mas o inglês abandonou a equipe antes da metade do ano e Hakkinen teve como companheiro de equipe Mark Blundell. O finlandês sofreu várias quebras ao longo do ano, mas ainda conquistou dois pódios, inclusive no Japão, penúltima etapa do ano. Mika foi confiante para os treinos para o Grande Prêmio da Austrália, que seria realizado pela última vez em Adelaide. Nos treinos de sexta, Hakkinen tocou de leve num muro de concreto, mas o problema se manifestaria mais tarde. Poucas curvas depois, Hakkinen passa reto e bate no muro com violência. Mika bate a frente do seu capacete no volante, esmagando ossos da sua face e quase decepando sua língua. Hakkinen não respirava e uma traqueostomia foi realizada às pressas, salvando a vida do finlandês. Mika ficou alguns dias em coma e com algumas seqüelas, mas ele estava pronto para a temporada de 1996.

Tentando crescer frente as rivais, a McLaren trouxe o promissor David Coulthard como companheiro de equipe de Hakkinen, iniciando outra parceira de longa data na F1. Na época, o escocês ainda recebia a alcunha de voador e todos diziam que ele derrotaria o convalescente Hakkinen até mesmo com facilidade. Provando que não era bem assim, Mika marca pontos nas duas primeiras corridas da temporada, mostrando que estava completamente recuperado, mas uma série de quebras pôs todo o campeonato a perder. Coulthard se destacava mais na equipe e estava na frente do campeonato. Para piorar, Heinz-Harald Frentzen era o sonho de consumo de todas as equipes grandes e como era alemão e já correu pela montadora, a Mercedes ficou bastante interessada, mas Dennis se sobressaiu. Com o acidente no final de 1995, Dennis começou a ter uma forte ligação com Hakkinen e mantém o finlandês na equipe. No final do ano, Hakkinen sobe de desempenho e conquista mais alguns pódios e finaliza uma longa parceria de sucesso com um terceiro lugar. Após anos correndo sobre as asas da Marlboro, McLaren e Hakkinen não correriam mais com os famosos carros vermelho e branco.

Aos poucos, a McLaren encostava nas grandes equipes da época, Williams e Ferrari, e em 1997, começa a andar novamente no pelotão da frente. Logo na primeira corrida, estreando o prateado da equipe e do patrocinador West, a McLaren consegue sua primeira vitória desde a saída de Senna na Austrália, mas a honra coube a David Coulthard. Hakkinen chega em terceiro e um tabu já começava a incomodar. Mika já tinha quinze pódios e nenhuma vitória e já se tornava o piloto com o maior número de GPs a não subir ao lugar mais alto do pódio. E não faltaria oportunidades no ano. Num campeonato equilibrado, McLaren dividiu vitórias com Williams, Ferrari e Benetton e Hakkinen ficou às portas da vitória várias vezes. Em Silverstone, aproveitando uma estratégia difrente de boxes, Mika liderava no final da prova, pressionado pela Williams de Jacques Villeneuve. Quando o canadense já tinha desistido de lutar pela vitória, o motor Mercedes explodiu no final da prova. Na volta da Áustria a F1, Hakkinen conquistou a pole com autoridade e abandonou quando liderava na... primeira volta! Porém, a mais cruel foi em Nürburgring. Bem no dia do seu vigésimo nono aniversário, Hakkinen largaria pela primeira vez na pole e com os problemas de Ferrari e Williams, o piloto da McLaren liderava com autoridade e tinha tudo para vencer. E com dobradinha! Então, Coulthard apareceu com o motor Mercedes fumando, bem à frente do box da McLaren. Quando a imagem da TV mostrava Norbert Haug, chefe de competições da Mercedes, que corria em casa, o motor de Hakkinen explodiu no mesmo lugar, uma volta depois. Todos ficaram com pena do finlandês, mas a primeira vitória não demoraria a acontecer. E seria bastante polêmica. Em meio a disputa pelo campeonato entre Schumacher e Villeneuve, um acordo era traçado entre Williams e McLaren. Se os pilotos de Dennis ajudassem a atrapalhar Schumacher, a Williams pediria a um dos seus pilotos que cedesse a primeira posição a um piloto da McLaren. Após o famoso "acidente" entre Schumacher e Villeneuve, o canadense liderava à frente de Coulthard e Hakkinen. Enquanto as McLarens se aproximavam da Williams para cumprir o prometido, Dennis entrou no rádio pedindo a Coulthard que deixasse Hakkinen passar. O escocês tentou não argumentar, mas após ser ameaçado de demissão, Coulthard entregou a posição e a vitória para Hakkinen, que comemorou, muito timidamente, sua primeira vitória. E seria a primeira de muitas!

Com a chegada do multi-campeão Adrian Newey da Williams, a McLaren prometia um grande salto de qualidade. As regras tinham mudado radicalmente os carros eram praticamente novos para 1998. Usando sua magia, Newey construiu um carro excelente e a McLaren mostrou uma força incomum na primeira corrida da temporada. Andando 1,5s mais rápido do que qualquer um, a McLaren dominou a corrida e estabeleceu quem seria o vencedor. Hakkinen tinha conseguido uma pole muito apertada, mas se atrapalhou ao entrar nos boxes para uma parada fantasma e perdeu a liderança para Coulthard. Mais uma vez, Dennis entrou no rádio e lembrou a Coulthard do acordo feito antes da corrida, em que o primeiro a passar pela primeira curva seria o vencedor. Assim como tinha acontecido em Jerez, Coulthard deixou Hakkinen passar e vencer. Era a segunda vitória seguida. A segunda com a benção da McLaren. A primeira vitória de "verdade" seria no Brasil, onde Hakkinen não deu chances ao azar. O domínio da McLaren era tão grande, que, conta a lenda, Dennis teria feito uma aposta que venceria o campeonato sem perder uma única corrida, fato quem nem Senna/Prost fizeram em 1988. Porém, o imponderável chamado Michael Schumacher começou a aparecer e o que era para ser um campeonato tranqüilo decidido dentro do seio da McLaren, se tornou uma temporada acirrada. Com cinco vitórias nas primeiras oito corridas, Hakkinen se sobrepõem em cima de Coulthard e seria ele o piloto a lutar contra Schumacher. O alemão se aproveitava de todas as brechas possíveis e sempre que podia, vencia uma corrida num erro da McLaren ou de Hakkinen, que tinha o melhor carro disparado. Após ter problemas nos freios em Monza, Hakkinen estava empatado na liderança com Schummy. O alemão estava em vantagem psicológica com relação a Hakkinen e faria a penúltima etapa do ano em Nürburgring, casa de Schumacher. Numa corrida nervosa e tensa, Hakkinen superou seu antigo rival na primeira bateria de pit-stop e chegou a última etapa, em Suzuka, com vantagem. Todos temiam uma repetição da decisão do ano anterior, mas a Ferrari pôs tudo a perder quando não preparou corretamente o carro de Schumacher para a segunda largada (a primeira fora cancelada) e o alemão largaria em último. Hakkinen dominou a prova, enquanto Schumacher vinha que nem um foguete lá de trás. Quando já aparecia em terceiro, o pneu traseiro da Ferrari estourou e Hakkinen pôde comemorar, antes de levantar a taça de vencedor daquele GP, o primeiro Campeonato Mundial de F1.

Era a confirmação do talento de Hakkinen, mas todos sabiam que a Ferrari, após três temporadas com Schumacher, viria extremamente forte para 1999. Mais uma vez Newey projeta o melhor carro do pelotão, mas a McLaren se perde em um mar de inconfiabilidade e Hakkinen sofre para manter sua liderança. No Grande Prêmio de San Marino, o finlandês errou bestamente no início da corrida quando liderava com folga. Numa briga forte com Schumacher, Hakkinen parecia que garantiria a taça facilmente no Grande Prêmio da Inglaterra, quando Michael sofreu o acidente que lhe quebrou a perna e o tirou da disputa pelo título. Na mesma prova, Hakkinen abandonou e Irvine, segundo piloto destacado da Ferrari, empatava com Schumacher no campeonato. Mesmo tendo agora toda a equipe a sua disposição, poucos podiam imaginar Irvine lutando pelo título com Hakkinen. Porém, Mika é tirado da pista por Coulthard na Áustria logo na primeira volta e sofre um acidente na Alemanha e Irvine aproveita para conseguir duas vitórias consecutivas. O piloto da Ferrari liderava surpreendentemente o campeonato e Hakkinen precisava reagir logo. Após uma vitória dominante na Hungria, Mika estava extremamente forte no Grande Prêmio da Itália. Enquanto liderava com folga, Irvine brigava pela sexta posição. Então, como tinha acontecido na outra corrida da bota, Hakkinen erra bizonhamente enquanto estava numa tranqüila primeira posição. Normalmente frio, Mika explode e saí do carro extremamente irritado, jogando suas luvas no chão com raiva. Se em Ímola Hakkinen bateu em frente aos boxes, em Monza ele se acidentou no outro lado dos boxes, num bosque. De forma comovente, Hakkinen se ajoelhou e começou a chorar, sendo flagrado pelas câmeras de todo o mundo. Isso parecia um momento de fraqueza, mas era apenas o sinal do quanto Hakkinen queria vencer aquele campeonato. Na penúltima etapa do ano, Hakkinen vê a volta de Schumacher à F1 como escudeiro de Irvine e no novo Grande Prêmio da Malásia, Mika é humilhado pelo alemão, que detinha seu ritmo para ajudar o irlandês a vencer. A Ferrari chegou a ser desclassificada após a prova, mas a punição foi cancelada e o campeonato, mais uma vez, seria decidido em Suzuka, na última etapa do ano. Se quisesse conquistar o bicampeonato, Hakkinen teria que vencer de qualquer maneira. Porém, Schumacher apronta das suas e conquista a pole, deixando no ar que o título iria para a Ferrari. Então, com um garra incomum, Hakkinen tomou a ponta do alemão na largada e partiu rumo ao único resultado que lhe interessava. Enquanto Irvine era um obscuro terceiro colocado, Schumacher fazia de tudo para se aproximar de Hakkinen, mas quando o alemão foi atrapalhado por Coulthard, o ferrarista baixou a guarda e Mika era bicamepão Mundial de F1!

Mesmo com o reconhecido talento de Schumacher, a temporada 2000 seria uma espécia de tira-teima com Hakkinen. Ambos tinham dois títulos mundiais e corriam pelas duas melhores equipes da época. Schumacher estava com fome de título e conquista três vitórias nas três primeiras corridas, enquanto Hakkinen fazia uma corrida discreta. Muitos especulavam sobre a fase do finlandês, inclusive dizendo que o nórdico estava exagerando nas biritas! Contudo, Hakkinen chega a sua pista favorita, Barcelona, e volta a vencer, mas àquele altura, quem brigava mais seriamente com Schumacher era Coulthard. Parecia que Mika seria derrotado dentro da equipe, enquanto o escocês não apenas brigava com o alemão nas pistas, como também em polêmicas discurssões fora das pistas. Enquanto isso, Mika marcava pontos constantemente e consegue duas vitórias em três provas no meio do ano, enquanto Schumacher ficou várias provas sem marcar pontos. O resultado disso era que Hakkinen tinha superado, mais uma vez, Coulthard e se aproximava de Schumacher no campeonato. Quando a F1 aportou em Spa, Hakkinen estava em uma ótima fase e liderava a chuvosa corrida quando rodou sozinho. Schumacher assumiu a liderança. À medida em que a pista secava, Hakkinen foi se aproximando do seu rival e encostou no alemão no final da prova. Mika estava muito rápido na rápido reta Kemmel, mas Schumacher estava querendo aquela vitória de qualquer jeito e fechou perigosamente o piloto da McLaren. Hakkinen também estava disposto a correr riscos para conseguir a vitória e extender a liderança do Mundial. Então, Schumacher e Hakkinen se aproximam do retardatário Ricardo Zonta na reta Kemmel. O brasileiro da BAR deixa espaço para o alemão passar pela esquerda, mas Hakkinen acha uma brecha milimétrica pela esquerda, ultrapassa Zonta e fica por dentro do alemão na freada. Foi a ultrapassagem mais bonita de Hakkinen e uma das cenas inesquecíveis da F1 nos últimos dez anos.

No entanto, Schumacher ressurge e vence em Monza. Hakkinen permanecia forte, mas um motor quebrado em Indianápolis praticamente garantiu o terceiro título de Schumacher, que venceu mais três vezes. Mesmo sendo apenas um ano mais velho do que Schumacher, muitas pessoas especulavam sobre a aposentadoria de Mika. O finlandês tinha acabado de virar papai e ele mesmo admitiu que se conquistasse o terceiro título seguido, abandonaria a F1 no final do ano 2000. Não restavam dúvidas de que Hakkinen já não tinha a motivação de antes e o ano de 2001, marcado pela volta dos aparatos eletrônicos à F1, foi de dificuldades para o finlandês. O seu McLaren ficou parado no grid algumas vezes durante o ano e ele só foi conquistar seu primeiro pódio na oitava etapa do ano, enquanto Coulthard tomava as rédeas da equipe, mas não resistia a superioridade da Ferrari e de Schumacher. Na Espanha, Hakkinen mostra que seu talento ainda estava intacto e liderou a corrida praticamente de ponta a ponta, mas o seu carro passou na reta dos boxes na última volta soltando muita fumaça. O mundo inteiro prendeu a respiração, torcendo para que Hakkinen completasse a última volta, mas nas últimas curvas a McLaren parou definitivamente e Schumacher conquistou mais uma vitória. Podia-se esperar um piloto desesperado com sua falta de sorte, mas Hakkinen voltou aos boxes sorrindo, como se não se importasse o que tinha acontecido. Após conquistar uma vitória em Silverstone, os rumores sobre a saída de Hakkinen cresciam e no Grande Prêmio da Itália, Mika anunciou que passaria um ano sabático em 2002, pensando em voltar à F1 mais tarde. No entanto, Hakkinen ainda tinha mais uma grande vitória para nos mostrar. Em Indianápolis, em um país devastado pelo terrorismo, Hakkinen fez uma das grandes corridas de sua vida e venceu pela última vez na F1. Perguntado se essa vitória poderia mudar sua posição de deixar a F1 por uma ano, Hakkinen foi rápido na resposta. "Não, aqui é hasta la vista". Na última corrida de sua carreira na F1, Mika ainda teve tempo de retribuir todo o apoio recebido por Coulthard nos anos que passaram juntos e deixou o escocês passar nas últimas voltas do Grande Prêmio do Japão. Chegando em quarto lugar, Hakkinen encerrava uma carreira marcada por dificuldades e glórias. Foram 161 Grandes Prêmios, 20 vitórias, 26 poles, 26 melhores voltas, 51 pódios, 420 pontos e dois títulos mundiais.
Hakkinen nunca mais voltaria a F1 de forma competitiva, apesar de sido sondado pela Williams em 2004. Contudo, era impossível ver Hakkinen lutar contra a McLaren-Mercedes e Mika fez sua volta ao automobilismo via DTM, correndo pela equipe Mercedes com relativo sucesso e algumas vitórias. No final de 2007, com 39 anos, Hakkinen anunciou que estava abandonando definitivamente as corridas e hoje em dia, é garoto propaganda da Johnny Walker, patrocínio da McLaren, equipe com que mantém relações quinze anos após sua contratação. Hakkinen foi casado com Erja Honkanen, com que teve dois filhos (Hugo e Aina). Sempre ao lado do marido, Erja acompanhava Mika em todas as provas e era mostrada constantemente nas transmissões da F1. Porém, o casal se separou no início de 2008 e hoje Hakkinen mora em Monte Carlo, com uma dançarina. Muito respeitado no meio da F1, muitas pessoas disseram que a real razão do domínio de Schumacher nos anos seguintes foi que Hakkinen, piloto que o enfrentou ferozmente por três anos e venceu dois, estava de fora das corridas. E o próprio Schumacher confirmava isso! A saída de Hakkinen no final de 2001 foi uma espécie de passagem na F1, pois nesse ano estrearam Fernando Alonso, Juan Pablo Montoya e outro finlandês extremamente rápido chamado Kimi Raikkonen. Hakkinen ajudou Kimi chegar à McLaren em 2002 e hoje, mesmo em má fase, leva o bastão da Finlândia como sendo um dos países a ter um dos pilotos mais rápidos do mundo. Pessoa afável e respeitada no mundo da F1, a tocada suave de Hakkinen deixa saudade até hoje, principalmente dominando uma corrida à bordo de um McLaren-Mercedes prateado.
Parabéns!
Mika Hakkinen

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

História: 20 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1988


Após uma fase esplendorosa, Senna sofreu um enorme baque no Grande Prêmio de Portugal, uma semana antes. Depois de quatro vitórias consecutivas, o brasileiro da McLaren só tinha conquistado um ponto nas duas últimas corridas. Como não poderia deixar de ser, Prost começava a se aproveitar do pequeno declínio do seu companheiro de equipe e capitalizava o mau momento de Senna, tentando se aproximar da liderança após declarar que, para ele, o campeonato estava acabado. Porém, os primeiros conflitos da, até então, harmoniosa relação entre os pilotos da McLaren fora abalada em Estoril, quando Senna fechou Prost enquanto era ultrapassado pelo francês. Prost chiou bastante depois da corrida. Mal sabiam eles o que aconteceria nos próximos meses...

Jerez seria uma das poucas pistas em que as demais equipes poderiam incomodar levemente as incríveis McLarens MP4/4, pois o circuito espanhol era travado e curto. Apesar disso, a McLaren dominou a primeira fila, com Senna à frente. Mas a diferença tinha sido muito pequena para as demais equipes. Durante a Classificação houve um incidente envolvendo a Williams de Patrese e a Tyrrell de Julian Bailey. Após perder o seu melhor tempo ao ser atrapalhado pelo inglês, Patrese resolveu frear bem à frente da Tyrrell, provocando um acidente. Patrese foi multado em 10.000 dólares por isso. Percebendo o bom momento, Prost foi muito rápido e perdeu a pole por muito pouco. O francês estava crescendo!

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:24.067
2) Prost (McLaren) - 1:24.134
3) Mansell (Williams) - 1:24.269
4) Boutsen (Benetton) - 1:24.904
5) Nannini (Benetton) - 1:25.032
6) Capelli (March) - 1:25.115
7) Patrese (Williams) - 1:25.217
8) Berger (Ferrari) - 1:25.466
9) Piquet (Lotus) - 1:25.648
10) Alboreto (Ferrari) - 1:26.477

O dia 2 de outrubro de 1988 estava quente e seco para o Grande Prêmio da Espanha de F1 e tudo levava a crer que esta seria uma corrida tão interessante quando em Portugal uma semana antes, quando a McLaren de Senna apresentou alguns problemas e o brasileiro acabou em sexto. Uma das principais características de Senna em sua carreira eram suas grandes largadas, donde sempre capitalizava uma pole chegando bem na frente na primeira curva ou ganhando posições após a luz verde. Por isso, foi estranho ver Senna perdendo não apenas a liderança para Prost, como também a segunda posição para Mansell. E tudo isso antes da primeira curva!

Prost viu pista livre à frente e resolveu forçar tudo o que podia, disparando na frente de Mansell, que segurava Senna com relativa tranqüilidade. As corridas em Jerez, pela estreiteza do circuito e por ser muito travado, às vezes eram bem chatas e em 1988 foi o caso. Os oito primeiros permaneceram os mesmos da primeiras a décima quinta volta, até Alboreto, oitavo colocado, abandonar. Atrás dos três primeiros colocados, vinham Patrese, Capelli, Nannini, Berger e Piquet. Enquanto Prost disparava, Senna se via em apuros ao começar a ter problemas com o computador que regularizava o seu combustível. A máquina hi-tech da Honda começou a colocar menos gasolina na câmara de combustão e Senna perdia rendimento.

Ao invés de pressionar a Williams de Mansell, Senna começava a ser pressionado pela outra Williams de Patrese, que trazia a reboque Ivan Capelli, que tinha feito uma corrida incrível em Portugal e estava em ótima fase. O italiano da March ultrapassou seu compatriota na volta 36 para ultrapassar a poderosa McLaren de Senna três voltas depois! Mas como diz o poeta, "toda alegria de pobre dura pouco", o motor Judd do March de Capelli quebrou logo depois, deixando Senna novamente em terceiro, segurando um trenzinho que tinha o italianos Patrese e Nannini. Da mesma forma que Senna ficou conhecido por ser extremamente difícil de ser ultrapassado, Patrese também ficou conhecido por ser um pouco, digamos, paciente demais para fazer uma ultrapassagem. Essa corrida foi a confirmação disso, pois Patrese passou a corrida inteira vendo o símbolo enorme da Marlboro à sua frente.

Nannini não teve toda essa paciência e assim como Capelli, o piloto da Benetton levou apenas quatro voltas para assumir a terceira posição, mas como a Benetton não era tão pobre assim, Nannini passou o resto da tarde em terceiro, com Senna caindo para quarto, trazendo Patrese atrás de si. Prost liderou todas as voltas e venceu a corrida com o pé nas costas, enquanto Mansell apenas se preocupou em segurar sua posição, talvez com medo de forçar demais o carro e o ver quebrado novamente, algo corriqueiro para o inglês naquele ano. Era a segunda vez que Mansell pontuava no ano! Por causa do esquisito regulamento da época, que trazia descartes para os piores resultados, o Campeão Mundial de 1988 seria conhecido no Grande Prêmio do Japão. Enquanto Senna já tinha descartado todos os seus resultados ruins, Prost só tinha deixado de pontuar uma vez e assim, quem vencesse em Suzuka, independentemente do que o rival fizesse, seria declarado o campeão. A tensão estava no ar!

Chegada:
1) Prost
2) Mansell
3) Nannini
4) Senna
5) Patrese
6) Berger