segunda-feira, 10 de maio de 2010

Figura (ESP): Mark Webber

Desta vez o australiano da Red Bull esteve impecável e não poderia ser outro a ocupar esta coluna a não ser Mark Webber. Normalmente obscurecido pelo enorme talento de Sebastian Vettel, Webber vinha fazendo uma temporada regular, onde em poucas oportunidades o autraliano pôde usufruir do potencial da Red Bull, mas em Barcelona, uma pista que caiu como uma luva em mais um carro projetado por Adryan Newey, Webber se aproveitou para usar o potencial que tinha em mãos e não apenas ajudou a Red Bull a dominar o final de semana, como também bateu constantemente Vettel em todos os treinos. Pole com todo o mérito, Webber só se preocupou na largada, quando foi atacado por todos os lados por Vettel, Alonso e Hamilton. Como que para mostrar quem mandaria naquele dia, Webber freou mais forte e contornou a primeira curva na frente e a partir de então engatou uma série de voltas mais rápidas, deixando para trás Vettel e todo o pelotão. O australiano dominou como quis a corrida e, como diriam os ingleses, deu um passeio no parque. Mark Webber foi perfeito e conseguiu uma vitória que o encherá de motivação para as próximas corridas.

Figurão (ESP): Hispania

Fernando Alonso provou que santo de casa faz milagre e mesmo não tenho um carro de potencial para tanto, o espanhol conseguiu um ótimo segundo lugar em casa, na frente da sua torcida. A sua compatriota Hispania, uma das três novatas de 2010 na F1, esperava fazer o mesmo, mas ao contrário do bicampeão, a pequena equipe espanhola apenas deixou evidente todas as suas limitações técnicas e orçamentárias. Primeiro, trouxe o experiente Christian Klien para ser piloto de teste na sexta-feira apenas para ouvir do austríaco que o carro não está no nível da F1. No sábado, novamente o time espanhol ficou com os últimos lugares do grid e com seus dois pilotos apenas 1s à frente do pole da GP2 na mesma pista de Barcelona. Bruno Senna chegou a dizer que o carro era tão ruim de guiar, que precisaria de vários pit-stops, tamanho era o consumo de pneus. Bruno não precisou de tanto, pois abandonou ainda na primeira volta após bater no muro de pneus. No decorrer da corrida, o sobrevivente Karun Chadhok era tão lento, que provocou dois incidentes em que o indiano não teve culpa, apenas os outros pilotos envolvidos (Massa e Alguersuari) foram surpreendidos pela lentidão do carro espanhol. Claramente mais lento que os dois outros novatos, a Hispania corre o sério risco de morrer de inanição, pois não tem dinheiro para investir e tem em mãos uma estrutura extremamente pobre tecnicamente e estruturalmente. Foi uma prova de que a Adrian Campos escapou de passar por um grande vexame, deixando isso para Carabante, Colin Kolles e os pilotos novatos Bruno Senna e Karun Chandhok.

domingo, 9 de maio de 2010

Aussie Rules


Mark Webber não tomou conhecimento da concorrência neste domingo em Barcolena e conseguiu uma vitória categórica, onde largou bem, disparou na frente e só viu o segundo colocado da corrida quando parou seu Red Bull no Parque Fechado, para comemorar junto aos seus mecânicos um triunfo que pode o colocar na briga definitiva do campeonato. Porém, o segundo colocado mudou de mãos algumas vezes e com a sorte de um campeão que é, Fernando Alonso pode subir ao pódio em casa, algo que parecia impossível no início da prova. Por sinal, hoje foi uma corrida daquelas bem esquecíveis para quem procura emoção.

Como de costume, Barcelona foi uma corrida chata e sem grandes emoções. A largada ocorreu sem problemas e os cinco primeiros colocados permaneceram nas mesmas posições, enquanto a procissão se iniciava com Webber disparando frente a Vettel, que tentou repetir a manobra na Malásia, mas o alemão não conseguiu. A esperança de troca de posições eram nos pit-stops, que provavelmente ocorreriam apenas uma vez. E foi o que aconteceu. Hamilton não teve uma parada brilhante, mas Vettel foi ainda pior e o inglês acabou assumindo a segunda posição da corrida após uma batalha dura na saída dos pits, quando Hamilton deu um chega pra lá em Vettel e o piloto da Red Bull acabou saindo da pista. Mais atrás, a McLaren agora seria a prejudicada quando Button perdeu sua posição para Schumacher e partir daí iniciou-se o melhor momento da corrida, com o inglês tentando a ultrapassagem no final da reta dos boxes, com Schumacher se defendendo explendidamente, tudo isso sobre os olhares atentos de Felipe Massa. No decorrer da corrida, a explosão de pressão de Button diminuiria e Schumacher permaneceria na mesma posição, enquanto Vettel começava a sofrer problemas nos freios que o fizeram ir aos boxes por uma segunda vez, fazendo com que Alonso conseguisse um lugar no pódio. Enquanto Vettel se arrastava na pista, mas ainda com vantagem sobre Schumacher, Hamilton protagoniza o último momento da corrida quando tem seu pneu estourado na curva 3, na penúltima volta, e bate no muro, promovendo o sortudo Alonso ao segundo lugar, enquanto Vettel, tirando o pé do acelerador no meio da reta, beliscava um lugar no pódio. Quem nem deu bola para isso foi Webber. O australiano esteve simplesmente perfeito nas 66 voltas da corrida e sua vantagem foi tão grande, que Mark não tentou o hat-trick (vitória, pole e melhor volta), pois não valia a pena acelerar no final de uma corrida bastante desgastante para os pneus, preferindo ficar 'apenas' com vitória e pole. O australiano não é exatamente um piloto brilhante e do mesmo nível de Vettel, mas deixou de ser o leão de treino, como era conhecido no começo da carreira, para se tornar um piloto extremamente eficiente em ritmo de corrida e quando teve um excelente carro em mãos, como hoje, foi competente a ponto de conseguir uma vitória como a deste domingo, onde não deu chances da ninguém.

Vettel pode ficar num canto da parede e resmungar. "Tudo acontece comigo!" O jovem alemão poderia estar facilmente na liderança do campeonato, mas problemas de todos os tipos (inclusive seus...) fizeram com que Sebastian perdesse pontos preciosos no campeonato e hoje foi mais um dia desse. Como não conseguiu ultrapassar Webber na largada, um segundo lugar era mais do que possível para Vettel, mas um pit-stop lento fez com que o alemão perdesse tempo e retornasse à pista atrás de Hamilton, ainda saindo da pista. Isso parece ter mexido com o carro, pois o ritmo de Vettel não foi mais o mesmo a partir daí e o alemão reclamava constantemente pelo rádio em problemas na diateira do seu Red Bull. Uma segunda parada foi feita para resolver o problema que só piorava, mas Vettel se viu praticamente sem freios, com seu engenheiro e toda a Red Bull rezando para que o alemão terminasse a corrida. Contudo, não apenas Vettel viu a bandeirada, como também ganhou um lugar no pódio de presente. Lewis Hamilton fazia uma corrida muito boa, onde se colocava entre os carros da Red Bull, algo impensável após o domínio dos carros azuis no sábado. Porém, na penúltima volta, o inglês da McLaren foi traído por um pneu dianteiro esquerdo estourado bem no momento em que contornava a rápida curva 3, local onde a pressão sobre o pneu é enorme. Hamilton não apenas teve sua corrida destruída e foi prejudicado no campeonato, como mostrou o quanto é perigoso se manter mais de 50 voltas com o mesmo set de pneus. Aconteceu com ele, mas podia ter acontecido com qualquer um.

Vendo tantos problemas ocorrendo com seus rivais, Alonso se viu de repente em segundo lugar, mesmo sem ter efetuado nenhuma ultrapassagem, mesmo que mantendo um ritmo forte a corrida inteira. O espanhol sabia que sua Ferrari não estava no nível de Red Bull e McLaren na sua casa e por isso preferiu esperar os acontecimentos a sua frente e no final o espanhol capitalizou os problemas de Vettel e Hamilton para conseguir um ótimo segundo lugar. Sem chance de vitória, Alonso fez o certo para quem quer conquistar o campeonato: marcar o maior número de pontos possíveis. Massa só se destacou quando fez uma boa largada e pulou para sétimo e por lá ficou até a penúltima volta, quando subiu um posto com o acidente de Hamilton. 2010 defitinivamente não vem sendo um ano muito bom para Massa e nem com Galvão Bueno se engasgando no meio da transmissão pode negar isso.

A forma como Michael Schumacher segurou Button provou o quanto a Mercedes está atrás das adversárias nesse ano. O alemão se aproveitou de um pit-stop lento da McLaren e ganhou a posição do atual Campeão Mundial, mas teve trabalho para segurar o inglês, que tentou ultrapassá-lo por várias voltas, mas o velho Michael Schumacher teve gana para se segurar e ainda subiu para quarto nas penúltima volta, assegurando seu melhor resultado do ano. Apesar de ter co-protagonizado o melhor momento da corrida com Schumacher, Jenson Button ainda se manteve na liderança do Mundial com o quinto lugar na corrida, mas sua vantagem caiu para perigosos três pontos ante Fernando Alonso. Porém, ninguém pode negar que Button tentou fazer algo numa corrida onde as ultrapassagens são notoriamente difíceis. Assim como foi extremamente difícil foi a corrida de Nico Rosberg. O piloto da Mercedes fez uma péssima largada e ficou brigando com as Williams na primeira parte da corrida, mas um pit-stop mal feito fez o alemão perder uma enormidade de tempo e caísse para a obscura 15º posição. Sem chances de marcar pontos, Rosberg tentou uma segunda parada e, mais rápido, chegou forte atrás do seu xará Hulkenberg. Mesmo com um carro que era mais 2s mais rápido, Rosberg demorou a ultrapassar o novato, tendo que receber uma lição de como ultrapassar pelo seu engenheiro. Com milhões de pessoas vendo isso! Nico ainda ganhou duas posições com o incidente de Hamilton e o problema de Liuzzi na última volta, quando já era pressionado por Rosberg. É conhecido de todos que a Mercedes tirou Schumacher da aposentadoria porque apostava nele e Rosberg está vendo, da pior forma possível, que está é a cruel realidade. O carro foi mudado para que Schumacher melhorasse seu desempenho. Rosberg? Que se acostume com o novo carro. E ele era vice-líder do mundial...
Kubica e Sutil, comprovadamente os melhores pilotos que não estão nas quatro melhores equipes de 2010, fizeram corridas discretas, onde Sutil ultrapassou Kubica na largada e ficou a corrida inteira à frente do polonês, que teve que esperar a rodada única de paradas para deixar Jaime Alguersuari para trás e se estabelecer atrás de Sutil. Ambos merecem melhores carros que têm em mãos, mas vão marcando pontos e fazendo sombra a pilotos que não estejam fazendo um bom trabalho nas equipes grandes. Rubens Barrichello fez uma ótima largada e ganhu várias posições, acabando por colocá-lo entre os dez primeiros da corrida e novamente entre os pontos. A Williams não tem um bom carro esse ano, mas Barrichello vem mostrando que mesmo com quase 300 corridas nas costas, ainda tem motivação para tirar algo mais do carro. Alguersuari foi outro que fez uma ótima largada, perdeu posições durante as paradas, mas efetuou a ultrapassagem mais bonita do dia, quando ultrapassou por fora Hulkenberg na freada da reta dos boxes. Por sinal, pela segunda vez o espanhol coloca uma por fora em cima do alemão da Williams, novamente discreto hoje. Mesmo punido com drive-through, Alguersuari ainda conseguiu marcar um ponto com a 10º colocação e já começa a ameaçar Buemi, discretíssimo a ponto de só aparecer quando abandonou.

A Sauber tinha boas perspectivas para hoje, mas tudo começou a dar errado quando De la Rosa tem seu pneu furado ainda na primeira volta e Kobayashi larga muito mal, caindo várias posições. O espanhol abandonaria mais tarde, provavelmente com problemas após uma volta quase que completa andando com três pneus, enquanto Kobayashi passou a prova inteira brigando com Vitaly Petrov, mas não conseguindo a ultrapassagem. Peter Sauber deve estar perdendo os últimos fios de cabelo que ainda restam, pois conseguir o necessário patrocínio com resultados assim devem ser bem difíceis. Enquanto Lotus e Virgin fizeram seus papeis como equipes secundárias, a Hispania foi ainda pior e deu vexame em casa. Bruno Senna bateu ainda na primeira volta e disse que dificilmente teria condições de chegar até o final com um carro tão ruim, enquanto Karun Chadhok, que acabaria abandonando, se envolveu em dois incidentes com Alguersuari e Massa, mostrando o quão lento é. Se Lotus e Virgin são lentas demais em comparação as veteranas, a Hispania começa a ficar lenta demais frente as duas novatas. Como dizia o outro, a Hispania terá que melhorar muito, mais muito mesmo... para ter um carro ruim!

Finalmente a Red Bull mostrou sua superioridade, mas não da forma como queria, pois Alonso se meteu entre seus pilotos, fora a sorte do acidente de Hamilton e Vettel ter chegado ao fim com seus sérios problemas. A equipe precisa melhorar um pouquinho mais a constância em ritmo de corrida para estabelecer um verdadeiro domínio nesse ano, pois em termos de velocidade, está claro que a Red Bull é bem mais rápida do que McLaren, Ferrari e Mercedes. Se o problema for mesmo constãncia, Mark Webber mostrou hoje que pode ser um aposta mais segura do que Vettel.

sábado, 8 de maio de 2010

Com asas?


É impossível não lembrar da propaganda da Red Bull com o desempenho da equipe nos treinos de hoje em Barcelona. Ferrari e Mercedes modificaram profundamente seus carros, enquanto a McLaren vinha com boas novidades para a primeira corrida na Europa, mas num final de semana sem modificações metereológicas e numa pista conhecida de cor e salteado, a Red Bull esmagou a concorrência nos treinos deste sábado e colocou seus dois carros na primeira fila, sendo que desta vez Mark Webber superando Sebastian Vettel por apenas um décimo de segundo, enquanto as demais, lideradas por Lewis Hamilton, ficaram inacreditáveis oito décimos atrás. É demais!

O carro projetado por Adryan Newey se comportou de forma perfeita num circuito que privilegia a aerodinâmica de forma ampla e histórica. Quando estava na McLaren, Newey cansou de vencer em Barcelona com Hakkinen. Agora na Red Bull, o projetista inglês fez um carro capaz de humilhar a concorrência de forma poucas vezes vista nos últimos tempos, causando até mesmo um anti-clímax para uma temporada que prometia tanto equilíbrio. Os treinos viram uma briga particular entre Webber e Vettel, com o australiano sempre superando o jovem companheiro de equipe por pouco. Assim foi nas três sessões de treinos e foi assim que o australiano conseguiu sua segunda pole em 2010 e parte como favorito em uma corrida que normalmente não ocorre surpresas. Como aconteceu na Malásia, quando foi superado pelo vizinho de box nos treinos, Vettel deverá tentar uma boa largada para conseguir a vitória.

A McLaren mostrou que é a segunda força no momento e Hamilton foi sempre o mais 'próximo' da Red Bull, algo que se repetiu hoje, mas provando o quanto a McLaren sofre na Classificação, Button acabaou em quinto, superado por Alonso, sempre muito forte correndo em casa. Por sinal, a Globo começou a demonização do espanhol, o criticando abertamente por ter ultrapassado Massa na China. Uma ultrapassagem que eu faria e acho que a maioria das pessoas que lêem este post também faria. Mas Alonso cometeu o pecado mortal de fazer isso sobre Massa, o queridinho do Galvão e isso foi motivo mais do que suficiente para que o narrador comparasse a manobra do espanhol as vergonhosas manobras de Prost, Senna e Schumacher em seus piores momentos. Enquanto chora pelo amigo, Galvão vê Massa levar mais um capote do companheiro de equipe, claramente mais lento em relação a Alonso. O cronômetro mostrou mais uma vez Massa levando meio segundo de Alonso. É muito! Só falta o Galvão dizer que foi anti-ético...

Rosberg teve a indicação clara que é o segundo piloto da Mercedes quando a equipe modificou o carro de forma profunda apenas para Schumacher andar melhor. E o heptacampeão não se fez de rogado e colocou tempo sobre o jovem companheiro de equipe na primeira oportunidade que teve, ficando em sexto lugar, enquanto Rosberg ficou em oitavo. A Mercedes ainda está atrás de Red Bull, McLaren e Ferrari, mas aposta em Schumacher para tentar reverter isso. Não há mais novidade em ver Kubica andar mais que o potencial da Renault e se meter entre os grandes, mas finalmente Kobayashi mostrou o que todos esperavam dele ano passado e pela primeira vez foi ao Q3, numa boa sessão da Sauber, que quase fez o mesmo com Pedro de la Rosa. Adrian Sutil, costumaz em ficar entre os dez primeiros no sábado, foi superado por uma volta banzai de Kobayashi, mas novamente superou amplamente Liuzzi, que faz uma temporada apática. Correndo em casa e ameaçado, Alguersuari superou Buemi, mas ficou pelo caminho do Q2, enquanto Hulkenberg superou Barrichello numa rara ocasião e o brasileiro ainda pagou o mico de ter ficado de fora do Q2. Rubens culpou o tráfego e sobrou até para o pobre do engenheiro, mas a verdade é que a Williams errou a mão esse ano. Entre as novatas, a Lotus superou novamente suas rivais e causou sorrisos entre seus chefes, mas o nível de amadorismo das pequenas ficou pela punição da Virgin, que atrasou um documento a FIA. Bruno Senna, numa situação ainda pior, pois está na pior equipe entre as novatas, foi superado por muito por Karun Chandhok. De novo!

As caras feias de Button e Massa enquanto se pesavam mostra bem a preocupação de McLaren e Ferrari frente ao domínio da Red Bull. Em condições normais de pressão e temperatura, a Red Bull vence com dobradinha e com os pés nas costas, com a corrida sendo decidida unicamente entre Webber e Vettel. Para as outras, resta torcer por uma quebra (algo não muito difícil) da Red Bull ou uma largada relâmpago. Porém, Barcelona nunca foi palco de zebras.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

História: 25 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1985


As provas de Ímola de F1 eram conhecidas como "corridas econômicas", pois o consumo de combustível era essencial se um piloto quisesse ou não terminar a corrida na pista italiana. Com um enorme trecho rapidíssimo, que começava no início da reta dos boxes, passava pelas rápidas curvas Tamburello e Villeneuve para terminar na freada da curva Tosa, Ímola era uma das pistas mais velozes do ano e juntando com as subidas e descidas que marcavam o traçado italiano, o consumo de combustível era extremamente alto e quem quiser terminar a corrida, precisava pensar sempre em dosar o acelerador para enxergar a bandeira quadriculada.

Ayrton Senna estava motivado após sua primeira vitória na F1 e mostrava, já em sua segunda temporada na categoria, que era um ás nas Classificações e utilizando o famoso motor de treinos da Renault, consegue sua segunda pole consecutiva. Duas em três provas de 1985. Keke Rosberg mostrava a força do motor Honda ao compartilhar a primeira fila com o brasileiro, enquanto Michele Alboreto tentava mostrar que a Ferrari podia vencer em casa e ficava na segunda fila, ao lado do seu compatriota Elio de Angelis. As McLaren não apareceram forte nos treinos, mas numa corrida em que a estratégia era essencial, Prost e Lauda eram capazes de dar o bote e ninguém podia descartá-los.

Grid:
1) Senna (Lotus) - 1:27.327
2) Rosberg (Williams) - 1:27.354
3) De Angelis (Lotus) - 1:27.852
4) Alboreto (Ferrari) - 1:27.871
5) Boutsen (Arrows) - 1:27.918
6) Prost (McLaren) - 1:28.099
7) Mansell (Williams) - 1:28.202
8) Lauda (McLaren) - 1:28.399
9) Piquet (Brabham) - 1:28.489
10) Berger (Arrows) - 1:28.697

O dia cinco de maio de 1985 estava nublado em Ímola, mas não havia perspectiva de chuva para a corrida. Era o típico clima de primavera na Itália e isso significava que o sol não castigaria pilotos e carros durante a prova. Na tentativa de garantir uma corrida parecida como a prova portuguesa, quando venceu de ponta a ponta, Senna foi logo garantindo uma boa largada e permanecendo na frente, enquanto Rosberg patina na largada e perdia posições. Elio de Angelis completava a dobradinha da Lotus, seguido de perto por Alboreto, Prost e Rosberg.

Os cinco primeiros faziam uma corrida tranquila na frente, onde ninguém atacava ninguém, mas todos vinham bastante próximos. A única mudança significativa era Niki Lauda e Nelson Piquet ultrapassando um lento Keke Rosberg ainda na sétima volta, mas o Brabham do brasileiro acabaria tendo problemas e Piquet perderia muito tempo nos boxes. Acompanhado dos gritos dos tifosi, Alboreto atacou Elio de Angelis na volta 11 e assumiu a segunda posição na freada da curva Tosa, manobra que Prost repetiu na passagem seguinte. De Angelis começava a pensar no final da corrida e diminuía seu ritmo, enquanto Alboreto atacava Senna pela primeira posição. Após mais uma tentativa do italiano, o motor Ferrari pedia arrego e Alboreto estava fora da corrida. O dia da Ferrari parecia acabado.

Prost passa então a atacar Senna, mas o brasileiro se defendia sem muitos dramas. Era a primeira briga na pista dos dois futuros desafetos. Quando Lauda começava a ter problemas elétricos em seu McLaren e perder posições, mais atrás um piloto ignorava a lógica de segurar o ritmo e partia com tudo para cima de seus adversários. Stefan Johansson tinha tido problemas nos treinos com seu motor Ferrari e largara em 15º, mas o sueco imprimia um ritmo muito forte e ganhava posições constantemente, a ponto de na volta 37 estar em quarto e se aproximando de Elio de Angelis, culminando com a ultrapassagem treze voltas mais tarde.

Prost abandonava a briga pela ponta nas voltas finais quando percebe que seu combustível se aproximava do limite. Inexperiente, Senna não abranda seu ritmo e isso o deixaria sem gasolina no início da volta 57, a três do final. Senna tinha feito uma grande corrida e acabou sendo considerado o 'vencedor moral' em Ímola. Porém, a corrida ainda não havia terminado. Prost havia diminuído tanto seu ritmo que ele acabou ultrapassado por Johansson e o sueco liderou uma corrida de F1 pela primeira vez na carreira, para delírio dos tifosi, que esperava uma vitória italiana parecida com a de Tambay dois anos antes. Porém, Johansson havia forçado demais e ainda nessa volta ele perdeu velocidade de repente. Pane Seca. Prost completou as duas voltas lentamente e após receber a bandeirada, encostou seu McLaren sem gasolina. Elio de Angelis cruzou a linha de chegada balançando sua Lotus, tentando pescar as últimas gotas de combustível que ainda tinha no seu tanque. Thierry Boutsen completou o pódio empurrando seu Arrows, enquanto Mansell e Piquet ficaram pelo caminho. Esse parecia ser o pódio, mas duas horas após a cerimônia, foi anunciado que Prost havia sido desclassificado por que seu carro estava dois quilos abaixo do peso mínimo. A ultra-profissional McLaren não calculou corretamente o combustível que seria utilizado em uma corrida tão dura nesse quesito. Numa prova em que a inteligência e o estilo refinado era mais do que necessário, a vitória caiu nas mãos certas, pois era assim que todos lembravam de Elio de Angelis.

Chegada:
1) De Angelis
2) Boutsen
3) Tambay
4) Lauda
5) Mansell
6) Johansson

domingo, 2 de maio de 2010

Por dentro!


O apelido de Jorge Lorenzo dentro do motociclismo é 'Por fuera', pelas suas manobras de ultrapassagem suicidas vindas por fora dos seus adversários. Contudo, o espanhol teve que mudar um pouco sua marca registrada para conseguir uma vitória emocionante na última volta no Grande Prêmio da Espanha em Jerez e completar a trifeta dos espanhóis, já que mais cedo Pol Espargaró e Toni Elias tinha garantido a vitória nas 125cc e Moto2, respectivamente.

Ao contrário das duas categorias menores, a prova da MotoGP foi carente de emoções na maior do tempo, com a ótima largada de Daniel Pedrosa, o pole, e Valentino Rossi. Inicialmente a corrida parecia que seria decidida entre os dois, mas Rossi, com o ombro avariado por uma queda num treino de motocross, demonstrava estar conformado em se manter na região do pódio e marcar pontos importantes para o campeonato. Enquanto isso, Pedrosa disparava com sua Honda, bem ao seu estilo. Mais atrás, Lorenzo brigava com as Ducatis após uma má largada. Primeiro houve uma disputa intensa com Stoner, incrivelmente apagado em Jerez, e depois foi a vez de atacar e ultrapassar Nicky Hayden. Então a corrida ficou estática e o melhor momento foi a briga pela 7º posição entre Marco Melandri, Simoncelli e Randy de Puniet.

Numa pista quente, quem cuidou bem dos pneus colheria os frutos mais tarde. Mesmo correndo sozinho na frente, Pedrosa estava forçando muito e de forma análoga, Lorenzo, que havia feito algumas ultrapassagens nas primeiras voltas, cuidava melhor de sua borracha e sua forma de pilotar, usando menos pista, mostrava isso claramente. As últimas voltas viram Lorenzo subir de produção de forma incrível e o espanhol partiu para cima de Rossi. Faltando seis voltas, Rossi meio que cedeu a posição para o companheiro de equipe, pois sabia que não tinha condições de brigar. Lorenzo então partiu para cima do seu compatriota e arqui-rival Pedrosa. Rapidamente Lorenzo estava colado na traseira de Pedrosa, mas o piloto da Honda tentou de tudo para se manter na ponta, sendo até mais agressivo do que o normal. Na entrada da última volta, Lorenzo tentou uma manobra audaciosa por fora, mas Pedrosa lhe fechou a porta com vontade. Lorenzo tinha que mudar de estratégia e assim o fez. Na curva Dry Sack, eternizada pelo toque de Schumacher em Villeneuve em 1997, Pedrosa deu um mole incrível quando deixou a porta aberta e Lorenzo não fez de rogado e meteu por dentro.

Foi uma vitória incrível de Lorenzo que lhe deu a liderança do campeonato de bandeja. As 122.000 pessoas que lotaram o circuito de Jerez foram a loucura e isso pareceu ter contagiado Lorenzo, que se jogou no lago dentro do autodromo de Jerez durante as comemorações. Agora a Yamaha tem seus dois pilotos ponteando o campeonato e terá que se virar em administrar dois egos enormes, como o de Lorenzo e Rossi. Pedrosa, que perdeu uma corrida praticamente ganha na última volta numa bobeada sua, precisa muito mais de um psicólogo do que uma moto melhor. Casey Stoner, a última ponta do quadrado mágico da MotoGP, precisa se recuperar e agora vê seu companheiro de equipe, Nicky Hayden, andando muito bem esse ano, enquanto a Ducati aparenta estar um degrau abaixo com relação a Honda e, principalmente, a Yamaha.

A Moto2 protagonizou uma corrida empolgante em Jerez e quem se deu bem foi Toni Elias, o mais experiente de todos, inclusive com passagem pela MotoGP. O espanhol entrou na história ao vencer em quatro categorias diferentes (125, 250, Moto2 e MotoGP), mas Elias sofreu bastante para ganhar em casa. Primeiro se envolveu no múltiplo acidente que provocou uma bandeira vermelha na primeira largada e ainda sofreu uma queda hilária enquanto corria das outras motos. Depois, teve que lhe dar com uma multidão de motos que estavam sedentos pela vitória, incluindo aí Tomizawa, Thomas Luthi e o surpreendente Kenny Noyes, americando radicado na Espanha e que conhecia a pista com a palma da mão. Foi uma corrida cheio de troca de posições, mas no fim Elias usou a experiência para vencer e tentar se consolidar como favorito que era antes da temporada começar. Mas quem começou a festa espanhol em Jerez foi Pol Espargaró, que superou seu compatriota Nicolas Terol na corrida das 125cc e venceu pela primeira vez no ano, enquanto Terol lidera o campeonato.

Foi uma festa espanhola com certeza, com todas as nuances das corridas do Mundial de Motociclismo. Drama, emoção e muitos pegas marcaram as três corridas do final de semana. Lorenzo saiu fortalecido e comemorará seu 23º aniversário com a liderança do campeonato nas mãos, deixando peara Rossi a pressão de tentar derrotá-lo com a mesmo moto. Mas alguém ousa duvidar de Valentino Rossi? Jorge Lorenzo com certeza não!

sábado, 1 de maio de 2010

Nova fase


A antes categoria exclusiva dos ovais agora tem um dos calendários mais versáteis do automobilismo mundial, com provas em todo tipo de traçado. A F-Indy iniciou a temporada de 2010 com uma inédita série de quatro provas em circuitos mistos, sendo que três em traçados urbanos e quem tem o mínimo de conhecimento em virar para a direita se sobressaiu. Will Power, que começou sua carreira na F3 na Austrália e na Inglaterra, se sobressaiu nessa primeira fase da temporada e conseguiu poles e vitórias em todas as corridas, conseguindo a liderança tranquila do campeonato. Outros nomes como Justin Wilson e Mike Conway, que fizeram suas carreiras na Inglaterra, também apareceram bem, mas ninguém sabia ao certo como se sairiam em circuitos ovais. E essa nova fase começou no perigoso circuito de Kansas.

A tríade Penske-Ganassi-Andretti continuou dominando no primeiro circuito oval do ano, mas nomes que estavam praticamente desaparecidos, como Ryan Briscoe e Scott Dixon, retornaram as primeiras posições e foram o destaque dessa nova fase. Briscoe conseguiu a pole e liderou as primeiras voltas, mas na primeira bobeada, Dixon ultrapassou o australiano e dominou a prova com certa tranquilidade. Foi a primeira vitória do neo-zelandês, que sempre andou bem em circuitos mistos, mas foi mal nas quatro corridas iniciais, em 2010 e também da Ganassi, igualmente em má fase até hoje. A equipe do gordo chefe de equipe também garantiu uma boa segunda posição com Franchitti e volta à briga, pela enésima vez, pelo título deste ano.

E Power? O líder do campeonato fez uma prova discretíssima, com sua quase infalível equipe errando num pit-stop e fazendo o australiano ficar no pelotão intermediário. O vice Helio Castroneves fez uma prova sem graça, onde ciscou nas primeiras posições, mas nunca brigou de verdade pela vitória. Briscoe chegou a perder uma roda após uma parada, mas ainda chegou nas primeiras posições, mostrando que o australiano ainda pode se recuperar do seu mal início de ano. A Andretti fez uma má Classificação, mas Tony Kanaan e Ryan Hunter-Reay se recuperaram bem e chegaram nas primeiras posições. Hunter-Reay, que conseguiu uma vitória em Long Beach, pode surpreender neste ano. E pensando que ele nem tinha lugar pra correr este ano...

Já pensando em Indianápolis, cuja corrida será realizada no último domingo do ano, a F-Indy viu pilotos oscilando na medida em que entravam e saíam dos seus habitat e isso pode ser determinante nas 500 Milhas, com uma boa performance de Ganassi, com Penske e Andretti um pouco mais atrás. Para o resto do campeonato, os pilotos que andarem bem em todos os circuitos serão beneficiados. Hunter-Reay, Kanaan e Castroneves saíram na frente.