quarta-feira, 19 de maio de 2010

História: 30 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1980


Monte Carlo recebia alegre a F1 para a edição de 1980 de sua tradicional corrida. Encravada no litoral francês, a torcida tinha o que comemorar, pois Didier Pironi tinha acabado de vencer sua primeira corrida na F1, com sua Ligier. Um carro francês! Toda a expectativa estava para que um francês vencesse a prova. Até porque Arnoux ainda era o líder, mesmo que seu Renault Turbo não tivesse a mínima chance nas apertadas ruas de Mônaco.

Motivadíssimo após sua vitória, Pironi esbanja talento e consegue também sua primeira pole, mostrando que a Ligier tinha um ótimo carro e ele próprio era mais do que capaz de vencer corridas. Após algumas corridas sem aparecer muito, a Williams voltou a mostrar força com Reutemann largando mais uma vez à frente do companheiro de equipe Jones e completando a primeira fila. A Ferrari mostrava que não tinha a mínima condição de conseguir algo em 1980, mas Villeneuve ainda conseguia milagres e punha o carro vermelho em 6º, com Scheckter apenas em 17º, na penúltima fila, tendo ao seu lado outro campeão mundial, Emerson Fittipaldi. Mais surpreendente do que a penúltima, estava a última fila, com o líder do campeonato René Arnoux e o campeão de 1978, Mario Andretti, fechando o grid.

Grid:
1) Pironi (Ligier) - 1:24.813
2) Reutemann (Williams) - 1:24.882
3) Jones (Williams) - 1:25.202
4) Piquet (Brabham) - 1:25.358
5) Laffite (Ligier) - 1:25.510
6) Villeneuve (Ferrari) - 1:26.104
7) Depailler (Alfa Romeo) - 1:26.210
8) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:26.227
9) Jarier (Tyrrell) - 1:26.369
10) Prost (McLaren) - 1:26.826

O dia 18 de maio de 1980 estava nublado no principado de Mônaco e havia a possibilidade de chuva a qualquer momento. A primeira curva de Mônaco sempre foi problemática por causa da estreiteza da reta dos boxes, afunilando na ainda mais apertada Saint-Devote. Acidentes sempre aconteceram no local, mas um dos mais famosos estavam prestes a acontecer. No pelotão da frente, tudo normal, mas com algumas mudanças. Enquanto Pironi larga de forma impecável, Jones toma o lugar de Reutemann e pula para segundo, enquanto Piquet não arranca bem e é ultrapassado por Laffite e Depailler. Assim que os líderes passaram pela Saint-Devote, a confusão começou. Derek Daly, largando em 11º, tentava ganhar posições na primeira curva e não julgou o famoso clichês das corridas: Não se pode ganhar uma corrida na primeira curva, mas pode perder.

O irlandês da Tyrrell perder o ponto de freada e acertou em cheio a Alfa Romeo de Giacomelli e Daly saiu, literalmente, voando, caindo em cima da traseira do seu companheiro de equipe Jean-Pierre Jarier, que vinha alguns metros à frente e ainda atingiu a dianteira da McLaren de Prost. Quem largava nas últimas posições, teve que tomar decisões impraticáveis numa corrida, como Riccardo Patrese, que teve que engatar uma ré e acabou atingindo o ATS de Jan Lammers. Apesar do acidentes espetacular, apenar Daly, Jarier, Prost e Giacomelli estavam fora da corrida e ilesos. Voltando a corrida, Pironi imprimia um ritmo fortíssimo e parecia imbatível naquele dia de primavera no mar do Mediterrâneo. Mais atrás, Jones liderava um trenzinho que tinha Reutemann e Laffite. Ligier e Williams dominavam a corrida inteiramente.

Mais atrás, Scheckter, que tinha se aproveitado da confusão da primeira volta e ganho dez posições, segurava um enorme pelotão atrás de si, que incluía até mesmo Villeneuve. Ninguém ultrapassava ninguém. Problema antigo em Monte Carlo... Alan Jones acaba sendo a primeira vítima da difícil corrida monegasca e abandona ainda na volta 25 com o diferencial quebrado, permitindo a Reutemann se descolar de Laffite e ficar num sanduíche da Ligier, mas com o argentino num solitário segundo posto. Patrick Depailler, ainda se recuperando do seu acidente de asa-delta e resolvendo os problemas crônicos de dirigibilidade da Alfa Romeo, vinha num excelente quarto lugar quando o motor italiano lhe traiu e deixou Piquet num tranquilo quarto lugar.

O templo nublado denunciava que a chuva estava próxima de cair e por volta do giro de número 50 a chuva fina começou a molhar o asfalto do principado. Quem lidera uma corrida, chuva nunca é bem-vindo, mas o drama de Didier Pironi é ainda pior. Seu câmbio começa a ter problemas e as marchas estavam difíceis de ser engatadas. O francês fazia um esforço sobre-humano para se manter na corrida num ritmo normal, mas na volta 54 Pironi acabou se desconcentrando e batendo no guard-rail, acabando com o sonho de conquistar uma vitória em Monte Carlo. Mesmo sem ter o melhor carro do final de semana e de forma discreta, Carlos Reutemann assumia a ponta da corrida para não mais perde-la. Com a chuva que aumentava de intensidade, todos os pilotos na pista estavam cautelosos e tudo o que queriam eram ver a bandeirada. Menos um. Gilles Villeneuve teve problemas nos seus pneus, ao forçar demais com sua Ferrari nada equilibrada, e saiu pronto para ultrapassar quem viesse pela frente. E deu de cara logo com René Arnoux, co-protagonista da já famosa disputa de Dijon em 1979. Agora era Villeneuve que tentava ultrapassar. E era também a vez de Arnoux fechar a porta. Os dois faziam uma disputa empolgante, até Villeneuve fazer outra mágica. Na entrada da Saint-Devote, o canadense resolver colocar sua Ferrari por dentro, passar por cima da zebra e dar um enorme susto em Arnoux, que nunca esperava que um piloto colocase o carro ali. Tão assustado, que Emerson aproveitou a carona e também ultrapassou o francês. Parecia que Arnoux ainda não tinha aprendido a lição... Reutemann vencia e era o quinto vencedor diferente em seis provas, mostrando que o campeonato tinha emoção na frente e atrás. Com Villeneuve.

Chegada:
1) Reutemann
2) Laffite
3) Piquet
4) Mass
5) Villeneuve
6) Fittipaldi

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Figura (MON): Robert Kubica

Se houvesse uma pontuação em que o piloto marcaria mais ou menos pontos pela colocação conseguida e pelo potencial verdadeiro do carro, Robert Kubica estava disparado na liderança desse campeonato fictício, pois o que o polonês vem fazendo nesse ano com seu regular Renault está chamando a atenção de todos no circo da F1. Em pistas em que o carro é importante, Kubica fez milagre com um carro que não tinha potencial para ficar nem entre os dez primeiros, vide o que a pré-temporada mostrou. Em Mônaco, pista onde o braço tem uma porcentagem enorme em um bom ou mal resultado, Robert Kubica mostrou que está mesmo no mesmo nível das grandes estrelas da F1 atual. Mesmo contra carros nitidamente mais equilibrados e com um orçamento maior, Kubica sempre andou entre os primeiros nos treinos livres e perdeu a pole por causa de uma volta excepcional de Mark Webber, que tem em mãos o melhor carro da F1 atual. Mesmo perdendo a 2º posição para Vettel na largada, Kubica não deu sossego ao alemão da Red Bull e no fim conquistou um excelente terceiro lugar, subindo ao pódio pela segunda vez nesta temporada. As equipes já perceberam que Kubica pode dar vitórias e títulos se estiver com o carro certo, por isso não se surpreenda se mais uma atuação magistral desse polones o coloque num cockpit competitivo em 2011.

Figurão (MON): Mercedes

Exatamente um ano atrás, a equipe, então chamada Brawn, vencia sua quinta corrida na temporada e poucos poderam acreditar que o time formado dos espólios da Honda perderia o título em 2009. Mais de 360 dias depois e com os dois títulos assegurados, a agora Mercedes, com todo o glamour e, principalmente, dinheiro sabe que dificilmente terá condições de brigar pelo título nesse ano e talvez uma vitória seja um prêmio maior do que o potencial do novo carro. Mesmo com a genialidade de Michael Schumacher e Ross Brawn, o time prateado não consegue se encontrar nessa temporada e já se firma como a quarta força do Mundial, ficando atrás de suas rivais Red Bull, Ferrari e McLaren. Em Mônaco, a Mercedes não mostrou forças para ficar à frente das três que, teoricamente, brigaria pelo campeonato nesse ano e ainda viu Schumacher, esperança de algo a mais pela equipe, ser penalizado muito por culpa do time, que disse ao alemão que a pista estava livre na última volta, quando na verdade não estava. Com os meios necessários e os homens corretos dentro e fora da pista, a equipe oficial da Mercedes tem tudo para conquistar ótimos resultado. Mas dificilmente ocorrerão em 2010.

domingo, 16 de maio de 2010

Realidade na ponta


Após seis corridas, a Red Bull finalmente mostra no campeonato de pilotos e construtores toda a sua superioridade que vem mostrando em 2010. Mark Webber confirmou sua ótima fase com uma vitória esmagadora nas ruas de Mônaco, onde não largou a primeira posição em nenhum momento da prova de hoje e assumiu a liderança do campeonato pela primeira vez na carreira, trazendo consigo Sebastian Vettel, que largou bem e também não saiu do segundo posto, garantindo assim a dobradinha da Red Bull, a primeira em 2010 e já sem tempo. Quanto as outras, sobraram apenas as migalhas, sendo que Robert Kubica mostrou que é o melhor piloto do ano ao colocar sua média Renault no pódio mais uma vez.

Como de costume, Monte Carlo não trouxe uma corrida emocionante, mas para o padrão do principado, a corrida foi até animada. Quatro intervenções do safety-car, acidentes e ultrapassagens marcaram a prova de hoje, mas a realidade foi que dos cinco primeiros colocados, apenas Vettel trocou de lugar com Kubica na largada e as demais posições permaneceram as mesmas. Era isso que precisava Mark Webber. O australiano foi impecável na corrida de hoje e não foi ameaçado em nenhum momento da corrida, seja na largada, seja nas paradas ou até mesmo nas oportunidades em que Bernd Maylander entrou com seu belo Mercedes na pista para segurar os carros em bandeira amarela. Webber dominou a corrida monegasca como poucas vezes vista na casa dos Rainier e o australiano, numa fase iluminada, entrou no embalo que pode lhe dar um título que talvez nem Webber, prestes a completar 34 anos e com nove anos de experiência na F1, esperasse. Sebastian Vettel, queridinho da Red Bull, pareceu ter sentido o baque e não parece não ter condições no momento de derrubar seu companheiro de equipe. O alemão ainda largou bem e tomou o lugar de Robert Kubica na largada, mas via Webber se distanciar volta após volta. Mesmo empatado em pontos com Webber, Vettel precisa de uma reação urgente, caso queira entrar em vantagem na briga com Mark Webber na briga pelo título, que se encaminha para uma disputa interna dentro do seio da Red Bull.

Qualquer que fosse o resultado de Robert Kubica na corrida, o polonês já tinha feito muito em Mônaco. Kubica está levando, literalmente, seu Renault a resultados em que o potencial do carro nem de longe poderia sonhar. Nem Alonso, que se vestia de amarelo nas duas últimas temporadas, fez o mesmo que Kubica pela Renault. E olha que o espanhol fez muito! Apesar de ter perdido sua posição na largada, mesmo com o bico do seu carro apontado para dentro, Kubica não se desesperou em nenhum momento e acompanhou de perto Vettel, nunca deixando que Massa o pressionasse em demasia. É por essas e outras que Kubica vê seu nome ventilado nas grandes equipes e a cada dia que passa, fica impossível quem um time de ponta não enxergue o enorme talento de Robert Kubica. A comparação com Kubica chega a ser cruel com Vitaly Petrov, pois o russo prova que não é um mal piloto, mas que apenas acompanha o real potencial da Renault. Petrov abandonou no finalzinho da corrida, sendo que ele teve sua prova comprometida com um pneu furado, mas a Renault não tem do que reclamar deste domingo, pois o pódio foi todo ocupado com seus motores.

Felipe Massa fez o feijão-com-arroz neste domingo e apenas fez o necessário para levar sua Ferrari ao lugar em que largou. Mesmo ganhando tres posições no campeonato, Massa fez uma corrida burocrática, onde andou rápido, mas se corrida tivesse mais quatro horas de duração, dificilmente sairia da posição que estava. Felipe ainda não fez uma corrida em que foi destaque, enquanto que seus teóricos adversários pelo cockpit da Ferrari em 2011 fazem ótimas corridas. Fernando Alonso diminuiu bastante o prejuízo de ter largado nos boxes com uma estratégia ousada, mas ao mesmo tempo inteligente da Ferrari. Com o safety-car logo na primeira volta, Alonso calçou os pneus mais duros e com eles foi até o fim da prova, pois sabia que o resto do pelotão teria que parar obrigatoriamente pelo menos uma vez. Enquanto os demais não faziam sua obrigação, Alonso ultrapassava os pilotos das equipes menores, inclusive uma antológica sobre Heikki Kovalainen na chicane do porto, por fora. Ok, o finlandês tinha uma Lotus, mas alguém lembra de uma manobra parecida. Graças a estratégia em sexto, Alonso caminhava calmamente rumo aos importante pontos, quando foi ultrapassado de forma sensacional por Michael Schumacher na última curva, com a luz verde claramente estampada na sua cara. O espanhol ultrapassou, se aprovetou da estratégia, não viu os líderes dispararem, Felipe Massa não se aproximou dele no campeonato, mas essa ultrapassagem levada de Schumacher deve ter doído para Alonso!

Lewis Hamilton vive o drama de ter sempre que economizar seu carro para chegar ao final. Notório pela sua agressividade, Hamilton recebeu a 'chamada' do seu engenheiro ainda na metade da prova para diminuir seu ritmo e resguardar seus freios, pois a essa altura os breques da McLaren já pediam água. O resultado foi um 5º lugar opaco do inglês, onde Hamilton esteve longe de mostrar algo de bom no final de semana monegasco, algo parecido com Button, que largou mal e quebrou o motor na segunda volta. Motivo? A ultra-profissional McLaren se esqueceu de tirar uma peça que ajudava na refrigeração do motor com o carro parado. Com o carro andando, essa mesma peça só serviu para efeito contrário e o motor Mercedes do atual campeão literalmente cozinhou. E adeus liderança do campeonato. A equipe oficial da fábrica vive a situação de, após ter conquistado o campeonato do ano passado se chamando Brawn, fica cada vez mais para atrás e agora dá para dizer que é a quarta força do campeonato, apesar da linda manobra de Schumacher no final. O alemão superou Rosberg na largada e passou a corrida inteira atrás da Ferrari de Alonso. Vide o que aconteceu em 2005, quando ultrapassou Barrichello na última volta, todos sabiam que Schumacher poderia fazer algo. E o fez quando ninguém esperava. Alonso relaxou e Schumacher pôs por dentro. Estará o heptacampeão de volta?

Rosberg caiu ainda mais no campeonato onde chegou a ser vice e ainda enxerga o crescimento do seu companheiro de equipe, onde superava com certa facilidade no início do campeonato. Nico ainda tentou algo quando retardou sua parada, mas o alemão não teve dicernimento para ir logo aos boxes quando teve Mark Webber, que havia acabado de sair dos boxes, na sua frente. A Force India colocou seus dois carros pela primeira vez nos pontos, com Sutil acabando por superar Liuzzi durante as paradas, mas essa é a mais pura realidade, pois o alemão vem sendo a alma da equipe em 2010. Logo atrás, vieram a Toro Rosso, com Buemi e Alguersuari esperando que alguém a sua frente abandonasse e eles pudessem capitalizar o problema e ganhar algum ponto. Isso nunca aconteceu e quando a Red Bull constrói o melhor carro do ano, a Toro Rosso resolve fazer um carro pra si... Sauber e Williams não viram a bandeirada, sendo que a segunda ainda teve o prejuízo de ver seus dois carros destruídos em acidentes e protagonistas de duas entradas de safety-car. Se Rubens Barrichello não teve culpa pelo aparente problema de suspensão que o fez perder o controle do carro, após uma ótima largada que o fez andar na frente das duas Mercedes no início da prova, Nico Hulkenberg terá que explicar o motivo de ter batido sozinho no túnel. As novatas, pela primeira vez no ano, não conseguiu ver nenhum dos seus carros ir até o final por variados motivos. A Virgin de Lucas de Grassi, a Lotus de Heikki Kovalainen e a Hispania de Bruno Senna saíram com problemas mecânicos, enquanto Timo Glock bateu no guard-rail e Karun Chandhok e Jarno Trulli protagonizaram o acidente mais espetacular do ano, quando, faltando quatro voltas, se enrroscaram na Rascasse e o Lotus de Trulli voou em cima da Hispania de Chandhok, com o capacete do indiano sendo atingido pelo carro do italiano. Foi um acidente perigoso e que ocorre bem na frente dos líderes, causando o fim da corrida atrás do safety-car.

A comemoração da Red Bull tem muito a ver que Mônaco não seria, em teoria, a pista favorita para um carro que funciona muito bem em curvas de alta. A dobradinha em Mônaco serve para mostrar que Adryan Newey construiu um carro excelente e que ainda conta com dois pilotos que fazem mesmo a diferença quando algo precisa ser feito para se conseguir a vitória. Enquanto as adversárias quebram a cabeça tentando tirar a diferença para a Red Bull, agora a equipe austríaca aparece na liderança dos dois campeonato e com a perspectiva de que não sairá mais de lá. Foram corridas tumultuadas na Ásia, mas quando a F1 chegou à Europa, a realidade veio a tona.

sábado, 15 de maio de 2010

E se...


A Ferrari dominou os treinos livres da quinta-feira e pintava como favorita, mas na figura de Fernando Alonso, líder nas duas primeiras sessões. Porém, na terceira vez em que a F1 vai à pista, o espanhol exagerou na Subida do Cassino e se estatelou no guard-rail, destruindo todo o seu final de semana, pois enquanto seus rivais de digladiavam na pista, Alonso apenas assistia, pois a Ferrari não tinha tempo hábil para consertar sua Ferrari parcialmente destruída. Pelo desempenho mostrado e a forma como Felipe Massa andou, ele uma notória vítima do austuriano em 2010, Fernando Alonso deveria estar pensando na provável pole que perdeu.

Quem não tem nada com isso é Mark Webber, mostrando que sua fase atual é explêndida, ao conseguir uma pole inesperada, pois nem a Red Bull mostrou o rendimento minimamente parecido com o massacre em Barcelona, nem o próprio australiano estava brilhando, com atuações obscuras até então. Porém, quando interessava mostrar algo mais, Mark Webber brilhou e conseguiu sua segunda pole seguida, superando a grande estrela do final de semana. Robert Kubica está provando o porquê da Ferrari estar interessada nele e o polonês colocou sua apenas regular Renault na primeira fila, numa demonstração pura de quando a pista necessita da habilidade do piloto, os grandes se sobressaem. E Kubica já pode ser considerado um grande.

Vettel foi superado mais uma vez por Webber, mas o alemão também tirou uma volta da cartola em Mônaco, pois em nenhum momento o piloto da Red Bull apareceu entre os primeiros, ao contrário de Massa, constantemente sendo o mais veloz no Q1 e Q2, mas não cosneguindo se impor quando importava. O próprio Felipe admite que não anda muito bem em Monte Carlo e sabe que desperdiçou uma chance óbvia de ficar com a pole e se encaminhar para a vitória, diminuindo os rumores de que está de saída da Ferrari. Largando em quarto, o brasileiro dependerá muito da largada.

Os pilotos com motores Mercedes, como McLaren e a equipe da fábrica, não foram bem e Hamilton liderou os pilotos com propulsores alemães, com Nico Rosberg superando mais uma vez Michael Schumacher, mas com uma diferença na casa dos milésimos. O líder do mundial destoou mais uma vez e mesmo ficando apenas dois décimos atrás de Hamilton, nunca andou o necessário para superar o companheiro de equipe. Com mais uma vaga para entrar no Q3 com a não-participação de Alonso, Rubens Barrichello mostrou um bom trabalho com sua Williams e Vitantonio Liuzzi finalmente largará na frente do companheiro de equipe Adrian Sutil, com o alemão ficando novamente de fora do Q3.

As novatas não atrapalharam tanto assim as equipes e até mesmo a Lotus ficou próxima da Sauber, apesar das rodadas de Trulli e Kovalainen. Não deverá haver tantas reclamações dos pilotos sobre fechadas de carros mais lentos, mas isso deverá acontecer aos montes durante a corrida. Largando na pole, Mark Webber é o favorito natural a vitória, mas terá ao lado um piloto faminto em mostrar que merece estar num cockpit melhor e por isso Kubica poderá ser um fator essencial amanhã. Já Alonso, largando em último, deve estar pensando no que poderia ter feito com um carro na mão como ele tinha na quinta-feira.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sessentão


Silverstone recebia o Grande Prêmio da Inglaterra e até a família real esteve presente, mas aquela corrida não seria mais uma na antiga base aérea inglesa na Segunda Guerra Mundial, por apenas um detalhe. A corrida valia por um campeonato. Após anos fazendo parte de corridas esporádicas, as equipes de fábrica e particulares, com suas maiores estrelas da época, fariam parte de um Campeonato Mundial organizado pela FIA. Por isso, aquele 13 de maio de 1950 não era simplesmente mais um Grande Prêmio, mas a estréia de um dos campeonatos de mais sucesso e duradouros da história do esporte e hoje o Campeonato Mundial de F1 é o significado de tecnologia de ponta e disputas em alto nível, envolvendo os melhores pilotos da história ao longo das últimas seis décadas. Giuseppe Farina, um promissor piloto italiano do pré-guerra, entrou na história por ter conquistado a primeira pole a primeira vitória na Inglaterra, com seu imbatível Alfa Romeo. No final do ano, Farina seria também o primeiro campeão, inaugurando uma era de grandes campeões.

terça-feira, 11 de maio de 2010

História: 40 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1970


O novo Lotus 72 estava testado e pronto para ser estreado a qualquer momento por Colin Chapman, mas o dono de equipe enfrentava a resistência de Jochen Rindt, que confiava mais no velho modelo 49 e ainda achava o novo carro inseguro. Mesmo estreando o carro no International Trophy em Silverstone, Rindt pediu a Chapman para usar o Lotus 49 em Monte Carlo palco da terceira etapa do Mundial de F1. Mesmo contrariado, Chapman aceitou o pedido do austríaco.

A March vinha em uma ótima fase, com a vitória de Chris Amon na corrida em Silverstone e Jackie Stewart liderando o campeonato e a equipe novata dominou a primeira fila, com Stewart superando Amon, que corria na equipe oficial. Mesmo enfrentando problemas com seus freios, Jack Brabham conseguiu colocar seu carro na segunda fila, ao lado de Denny Hulme. Rindt estava tendo um péssimo final de semana, pois havia contraído uma doença após passar uma noite em um iate no porto de Mônaco e era apenas oitavo. Doente e com um carro obsoleto, mas confiável, Rindt esperava apenas uma corrida para marcar pontos.

Grid:
1) Stewart (March) - 1:24.0
2) Amon (March) - 1:24.6
3) Hulme (McLaren) - 1:25.1
4) Brabham (Brabham) - 1:25.4
5) Ickx (Ferrari) - 1:25.5
6) Beltoise (Matra) - 1:25.6
7) Pescarolo (Matra) - 1:25.7
8) Rindt (Lotus) - 1:25.9
9) Courage (De Tomaso) - 1:26.1
10) McLaren (McLaren) - 1:26.1

O dia 10 de maio de 1970 estava claro em Monte Carlo, mas longe de fazer calor. Era um clima perfeito para uma corrida de F1 e Stewart foi logo mostrando a que veio, com o escocês conseguindo uma belíssima largada e permanecendo na ponta. Brabham também larga bem, mas fica preso atrás de Amon, enquanto era perseguido por Ickx, Beltoise, Hulme, Pescarolo e Ickx. Ainda na segunda volta, Beltoise consegue ultrapassar Ickx e assim permanece a corrida por um longo tempo.

Contudo, Stewart não estava tendo vida fácil quando ser motor começa a ter problemas ainda na sexta volta, mas o escocês resolve permanecer na corrida, liderando à frente de Amon e Brabham, mas com Stewart não imprimindo seu famoso ritmo alucinante quando liderava. Isso permitiu que os carros ficassem compactos em suas posições, sem ninguém fugindo na frente. A primeira quebra mais importante ocorre quando Ickx vê sua Ferrari lhe trair com o semi-eixo quebrado ainda na volta 12. Dez voltas depois, correndo praticamente em casa, Jean-Pierre Beltoise abandonou quando seu Matra teve a transmissão quebrada. Na volta seguinte, Brabham se cansa de ficar atrás de Amon e efetua a ultrapassagem sobre o neo-zelandês, assumindo o segundo posto.

Stewart liderava, mas seus problemas pioravam na medida em que Brabham começava a atacá-lo e na volta 27, finalmente o motor Cosworth que impulsionava o chassi Matra de Stewart se silencia e Brabham parecia ter o caminho livre para uma vitória arrebatadora. Porém, mais atrás um piloto vinha crescendo na corrida a olhos vistos. Rindt não tinha conseguido bons resultados até então e sabia que, se quisesse conquistar o título, precisava de pontos para se aproximar dos ponteiros do campeonato. Se fosse uma vitória, seria ainda melhor. Na volta 36, o austríaco ultrapassou Henri Pescarolo e cinco voltas depois Rindt deixou Denny Hulme para trás, chegando à terceira posição. O piloto da Lotus já se aproximava do segundo colocado Chris Amon quando o 'Rei do Azar' tem sua suspensão quebrada na volta 61, apenas dezenove para o final.

Brabham tinha 15s de vantagem sobre Rindt no momento em que o austríaco assumiu a segunda posição e ninguém acreditava que um tricampeão mundial se curvaria frente a pressão do piloto da Lotus. Porém, o ritmo imposto por Jochen Rindt naquelas voltas finais entrou para os anais do automobilismo e a forma como o piloto da Lotus pilotou naquele dia o fez dizer mais tarde que nunca pilotou um carro de forma tão rápida e esperava nunca mais ter que repeti-la! Porém, nem todo esse show de pilotagem parecia ser capaz de levar Rindt a vitória, pois faltando quatro voltas para o fim, Brabham ainda tinha 4s de vantagem sobre o piloto da Lotus. Ou não? Jack Brabham tem a incrível falta de sorte de encontrar o March de Jo Siffert ziguezagueando na sua frente, tentando pescar as últimas gotas de combustível. Isso fez Brabham perder 5s frente a Rindt. E a corrida foi esquentando. Agora com 2.4s de desvantagem, Rindt se anima nas voltas finais e quase bate no guard-rail, mas ainda marca a volta mais rápida (1:23.3).

A dupla entra na penúltima volta e Brabham tem que ultrapassar três retardatários e o australiano perde mais algum tempo, enquanto Rindt cola de vez na traseira do australiano. A corrida já tinha entrado na história, com uma última volta cheia de tensão poucas vezes vista. Apesar o ritmo de Rindt, Brabham ainda era o favorito a vencer, mas o tricampeão encontra o De Tomaso de Piers Courage na curva do Gasometro e na ânsia de não perder mais tempo com retardatários, retarda a freada, mas a manobra é mal calculada e Brabham vai direto para o guard-rail. O ninguém acreditava, aconteceu. Rindt assumiu a liderança da corrida nos últimos metros e todos estavam tão surpreendidos, que o diretor de prova se esqueceu de dar a bandeirada para Rindt, pois esperava Brabham. O australiano teve que empurrar um comissário que teimava em empurrar seu carro (se isso acontecesse, Brabham seria desclassificado) e Jack ainda cruzou a linha em segundo, muito à frente de Henri Pescarolo, no que seria seu primeiro e único pódio na F1. Mais atrás, um jovem sueco, que estreava naquele dia, completava sua primeira corrida com um bom sétimo lugar. Seu nome era Ronnie Peterson. Jochen Rindt subiu ao pódio real em lágrimas, pois sabia que aquela vitória não apenas foi surpreendente, como também poderia marcar um reinício de campeonato.

Chegada:
1) Rindt
2) Brabham
3) Pescarolo
4) Hulme
5) Hill
6) Rodriguez