sábado, 16 de março de 2013

2011 Revival?

Poucos devem se lembrar, mas nove anos atrás havia uma perspectiva muito boa para a temporada que se iniciava em março de 2004 e todos apostavam que o título seria decidido entre Williams-BMW e McLaren-Mercedes, até Michael Schumacher colocar 2.5s no primeiro carro não-Ferrari no primeiro treino livre em Melbourne e o que se viu depois foi um banho do alemão que o levou ao seu sétimo e último título. Hoje não foi uma diferença tão abissal como em 2004, porém Sebastian Vettel provocou em todos a mesma sensação de 2011, quando dominou como quis a temporada rumo ao seu segundo título. Mesmo num treino confuso, a Red Bull reinou absoluta em Melbourne e com pneus supermacios, colocou mais de meio segundo no primeiro carro não-roxo, no caso, o branco da Mercedes de Lewis Hamilton.

O treino classificatório em Melbourne foi o terceiro na história da F1 em que a chuva no sábado atrapalhou a tal ponto de impedir a realização da sessão e esta ser realizada no domingo pela manhã. Ontem, ao menos o Q1 foi realizado e após muita chuva e rodadas, percebeu-se que McLaren e Williams caíram do seu status em relação a 2012, principalmente o time do Tio Frank, que viu Pastor Maldonado ficar pelo caminho no Q3, algo frequente em 2011, mas raro ano passado. Vale destacar que o novato Valtteri Bottas superou o mais experimentado venezuelano. Entre as nanicas houve uma inversão com a Marussia superando a Caterham, liderada por Julien Bianchi, talvez o mais destacado novato deste ano. O francês conseguiu um tempo apenas 0.4s mais lento do que Esteban Gutierréz, outro novato, mas que bateu com sua Sauber e ficou pelo caminho.

Mesmo com a pista úmida hoje, os treinos ocorreram normalmente, com o único sobressalto com a clara secagem da pista e alguns pilotos errando na hora de colocar o pneu certo na hora certa. O mais destacado caso foi Sérgio Pérez, que estreou com o pé esquerdo na McLaren ao optar com os pneus supermacios quando o lógico eram ainda os intermediários. Com isso o mexicano largará apenas em 15º mais tarde. Porém, quando iniciou-se o Q3, estava claro que os pneus supermacios eram os ideais, mas ainda assim Vettel já era mais rápido com larga vantagem e quando todos tinham os pneus com banda vermelha, o alemão da Red Bull estraçalhou a concorrência, com tempos de volta mais de 1s mais rápido do que o resto. A Mercedes, sempre forte com Rosberg, viu Hamilton ser o melhor do resto, enquanto a Ferrari ficou exatos 1s atrás da Red Bull, com Massa superando Alonso por três milésimos. Preocupante, mas ainda pior está a McLaren, pois Button conseguiu levar 1s da Force India de Paul di Resta, sendo o último do Q3.

Mesmo com o tempo muito nublado, a previsão indica pista seca para a corrida, o que indicaria uma amplo favoritismo da Red Bull e, particularmente, de Sebastian Vettel, pois mesmo Webber levou quase 0.5s do companheiro de equipe. Após um ano sensacional em 2012, 2013 começou com cara de 2011.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Rumo à Melbourne (Equipes)


Inconclusivos. Esse foi o principal adjetivo ao final dos testes da pré-temporada 2013 da F1. Apesar de nunca esses testes realizados durante o inverno europeu dissessem muita coisa sobre o restante da temporada, o deste ano foi ainda mais complicado para dar algum diagnóstico sobre o que ocorrerá a partir deste domingo. Além dos já tradicionais ‘esconde-esconde’ das equipes e ‘cavalos-paraguaios’ de alguém querendo aparecer, esse ano ainda tem a incógnita dos sempre novos pneus Pirelli. Os italianos entraram na F1 dispostos a complicar a vida de engenheiros e pilotos sempre com novidades e pneus de difícil compreensão a cada nova temporada e 2013 não foi diferente.

Todo mundo reclamou do desgaste dos pneus, mas outros fatores fizeram com que a avaliação dos pneus fosse ainda mais complicada, como a frieza (óbvio, já que na Espanha está fazendo frio devido ao inverno e seria muito mais lógico um teste desses nesse lado do hemisfério...) do asfalto e a característica de Jerez de La Frontera, lugar onde os motores roncaram pela primeira em 2013, mas há dezesseis anos fora do calendário da F1. Nesse caso, o ótimo desempenho da Mercedes na última bateria de testes em Barcelona após uma semana complicada em Jerez pode não dizer muita coisa, assim como o desempenho sempre mediano da tricampeã Red Bull. A Ferrari andou forte em todas as três baterias e seus pilotos declararam que o início de 2013 é bem superior ao de 2012. A McLaren, que terminou 2012 muito forte, talvez não inicie tão forte pelas declarações pessimistas dos seus dois pilotos, mas nunca é bom subestimar um time da grandeza e tradição da McLaren. 

Mantendo a mesma base que surpreendeu em 2012, a Lotus andou bem nos teste, mas a confiabilidade deixou um pouco a desejar. A Sauber mudou o lay-out do carro, mas não seu lugar no pelotão intermediário sempre querendo beliscar um pódio se os times ditos grandes derem brecha. A Williams modificou bastante seu carro e foi a última a mostrar seu novo bólido em 2013, mas andou forte com o carro novo. Já a Force India não atrasou o debut do seu carro, mas demorou a indicar seus pilotos. A Toro Rosso se mantém como filial da Red Bull com a finalidade única e exclusiva de fornecer jovens pilotos para a Red Bull avaliar e ver se fica ou dispensa. Com a saída da HRT, somente Caterham e Marussia ficaram como nanicas e parece ter havido uma diminuição de distância entre elas, com a Caterham estacionando e a Marussia se aproximando.

Com a mudança radical dos carros em 2014, iniciar bem em 2013 será fundamental para as equipes. O desenvolvimento não deverá acontecer da forma alucinante dos outros anos e quem ficar para trás em 2013, automaticamente pensará em 2014 mais cedo do que o usual. O regulamento não mudou muito, apenas os pneus. Se haverá um ano espetacular como 2012? Melbourne nos responderá!

Rumo à Melbourne (Pilotos)


Muita gente tem calafrios em ouvir isso, mas a atual geração de pilotos da F1 é uma das melhores de todos os tempos. Minha teoria para essa ojeriza é que não há nenhum brasileiro como protagonista, ao contrário da geração de ouro anterior, quando havia dois. A grande crítica para o atual plantel de pilotos dirigiu-se para o grande número de pilotos-pagantes, inclusive quatro dos cinco estreantes. A crise está braba, mas sempre houve pay-drivers na história da F1, sendo que alguns com algum sucesso, como Niki Lauda, por exemplo.

Como nos fala a maioria das bolsas de apostas, os principais pilotos das cinco principais equipes são os grandes favoritos ao título de 2013. Sebastian Vettel (Red Bull), Fernando Alonso (Ferrari), Jenson Button (McLaren), Kimi Raikkonen (Lotus) e Lewis Hamilton (Mercedes) deverão brigar pelas vitórias em grande parte das corridas e pelo título no final. Vettel tentará um incrível tetracampeonato consecutivo que o deixaria ainda mais consolidado entre os grandes na história da F1 e para isso, terá a mesma força da Red Bull por trás, escudado por Mark Webber, cada vez mais longe do piloto que quase foi o número um da equipe em 2010 e mais próximo da aposentadoria. Na verdade, Webber só não foi mandado embora pelo consultor Helmut Marko, com quem não se dá bem, pela amizade com Christian Horner, chefe da equipe austríaca. Porém, Marko e Horner concordam em afagar Vettel e farão de tudo para levar seu talento a outro momento história na F1.

Mesmo tendo menos títulos do que Vettel, Fernando Alonso passa a impressão de ser o melhor piloto da atualidade e eu (muita gente vai ter faniquito com essa minha afirmação) acho que o espanhol fez mais em 2012 com sua Ferrari capenga do que Senna em 1993 com sua subestimada McLaren. Se serve de consolo ao espanhol, a Ferrari parece estar melhor esse ano e isso poderá ajudar bastante Felipe Massa, que já está na prorrogação na Ferrari e terá que manter o alto nível da segunda metade de 2012 para se manter numa equipe forte em 2014. Ou ir para uma equipe competitiva. A Ferrari terá sentimentos bem diferentes com Sérgio Pérez em 2013, mesmo o mexicano estando na arqui-rival McLaren. Se Pérez fracassar, a Ferrari sentirá que acertou em não trazer o protegido de Carlos Slim para a equipe. Mas se o mexicano brilhar...

A McLaren terá uma sensação estranha em 2013, pois pela primeira vez em muitos anos não terá a agressividade de Lewis Hamilton como ponto de referência, mas sim a delicadeza e a eficácia de Jenson Button, um piloto muito querido na equipe, mas que não tem aquele diferencial em uma volta rápida. Button é experiente e astuto. Como primeiro piloto pode surpreender e chegar nas cabeças. Hamilton decidiu sair da sua zona de conforto e partir para o desafio (claro, com a ‘ajuda’ de milhões de dólares) de alavancar a Mercedes, time que investe muito, mas de resultados fracos. Ninguém duvida do talento de Lewis, mas será interessante ver o inglês liderando um projeto de médio prazo ao lado do amigo e sempre subestimado Nico Rosberg. O alemão sempre andou forte na equipe da estrela de três pontas, mas parece lhe faltar o carisma de campeão que faria a Mercedes apostar nele como o piloto a ser campeão. Rosberg sempre teve companheiros de equipe mais afamados ao seu lado no time alemão. Raikkonen será a referência na Lotus, time com recursos limitados, mas muito organizada. Se deixaram o finlandês trabalhar e a equipe der um carro competitivo, Kimi poderá ser o mesmo piloto que surpreendeu a todos com uma pilotagem segura em 2012, bem ao contrário do rápido e desastrado Romain Grosjean. O francês é rápido, mas seus acidentes quase colocaram seu lugar a perigo mesmo com três pódio em sua primeira temporada completa.

A Sauber trocou de mexicano e trouxe o novato e também queridinho da Telmex Esteban Gutierrez. Claro que o dinheiro de Slim ajudou, mas Gutierrez, assim como Pérez, tem um bom cartel nas categorias de base rumo à F1. Mas Nico Hülkenberg talvez seja o melhor piloto das equipes médias e grande (literalmente, pois é o piloto mais alto da atualidade a ponto de quase não caber no carro...) candidato a conseguir um algo mais no pelotão intermediário. Pastor Maldonado vive um dilema parecido com o de Grosjean: manter a velocidade e não se meter em encrencas. O venezuelano ainda vive a indecisão com a morte de Hugo Chávez, grande mecenas de sua carreira. Pastor terá que fazer algo mais, pois os dólares ditatoriais-bolivarianos podem desaparecer, assim como sua vaga na F1. Para complicar, ele terá ao seu lado o novato Valteri Bottas, provavelmente o melhor novato em 2013. Tratado com muito carinho pela Williams (via Toto Wolff) desde a GP3, o finlandês parece ser outro nórdico voador, do estilo de Hakkinen e Raikkonen. A Force India apresentou seus velhos-novos pilotos com a esperança de sair da crise que se avizinha ao time hindu. A equipe manteve Paul di Resta, louco para conseguir um lugar numa equipe grande, mas que mais reclamou do que fez na pista, além de ter trazido de volta o bom (e briguento fora das pistas) Adrian Sutil. O alemão será uma incógnita, pois um ano fora de ritmo poderá fazer diferença e ele não é mais um garoto começando no automobilismo. A Toro Rosso manteve seus dois garotos Vergne e Ricciardo e provando que o clima, muito competitivo, dentro da equipe deve ser pesado, os dois já declararam várias vezes que não são amigos. E eles sabem que a Red Bull não perdoa se os resultados não vierem! As nanicas vieram com novos pilotos e muitas dificuldades financeiras, a ponto da Marussia ter trocado Luiz Razia por Julien Bianchi faltando poucos dias para o início do campeonato. Bianchi, protegido pela Ferrari e por Nicolas Todt, parece ser o mais promissor, ao contrário de Charles Pic, Giedo van der Garde e Max Chilton.

E a F1 começa com seus grandes pilotos querendo mais um lugar ao sol e tomara que nós vejamos outro campeonato tão espetacular quanto o ano passado.

quarta-feira, 13 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nas ondas do rádio

Só o áudio, mas imaginando como era em 1972 acompanhar a F1. Na voz de Wilson Fittipaldi...

Que pena...

E bote pena nisso! O amor pelo esporte a motor de Wilson 'Barão' Fittipaldi fez com que não apenas o automobilismo brasileiro, como também o automobilismo mundial tivesse sua face mudada a partir da década de 1970. Esse jornalista, visionário e apaixonado pelas corridas ajudou a popularizar o esporte no Brasil, promovendo a  tradicional Mil Milhas Brasileiras, fundando a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), além de ter feito Getúlio Vargas comprar uma Ferrari para Chico Landi e ter trazido pilotos do quilate de Juan Manuel Fangio para o seu amado 'quintal' Interlagos, onde quase perdeu a vida quando resolveu disputar uma corrida de moto narrando para a rádio Jovem Pan e sofreu uma queda que o deixou no hospital por vários dias.

Wilson, ou Barão, por causa de sua voz empostada e seu vasto bigode, sempre levava consigo seus dois filhos para as corridas, incutindo neles o amor pelo automobilismo. Primeiro seria o primogênito Wilson. Depois viria Emerson, o caçula e que teria mais sucesso. Desbravador como o pai, Emerson se mandou para a Europa em 1969 e três anos depois conquistava o título da F1, com uma narração emocionada do Barão. A saga Fittipaldi incluiu um novo título de Emerson e o começo da equipe Copersucar, depois Fittipaldi, comandada por Wilsinho. Isso inspirou dezenas de pilotos brasileiros a seguir os passos dos irmãos Fittipaldi e daí surgiram Nelson Piquet e Ayrton Senna, fazendo com que o Brasil se tornasse um celeiro de talentos no automobilismo. Hoje o Brasil é um dos países mais tradicionais do automobilismo mundial.

Tudo isso graças ao amor de Wilson Fittipaldi pelo automobilismo. Com uma vida longeva, o velho Barão narrou corridas por muitos anos ainda, viu o apogeu e a queda de Emerson na F1, além do mesmo destino da equipe Copersucar. Emerson foi para os Estados Unidos e também obteve sucesso, incentivando o neto Christian, além de bisavô Pietro, seguir com o nome Fittipaldi no automobilismo mundial. Depois de quinze dias internado no Rio de Janeiro, aos 92 anos Wilson Fittipaldi deixou a vida para a eternidade com a certeza de ter plantado nos brasileiro o amor pelo automobilismo e ter transformado o Brasil, via seus amados filhos, numa potência do esporte à motor no mundo.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Futuro de Maldonado

Não vou entrar no mérito do que fez ou deixou de fazer Hugo Chávez. Nem vou 'comemorar' ou 'chorar' a sua morte, até por que não é do meu feitio, apesar de achar Chávez um ditador populista como os piores que já passaram pelo mundo, inclusive a Militar aqui no Brasil.

Como o blog fala de automobilismo, fica como incógnita a situação de Pastor Maldonado. Como acontecia na Alemanha Oriental, Chávez usava o esporte como propaganda política de sua pseudo-democracia e patrocinava muito forte vários atletas, sendo que no automobilismo a Venezuela cresceu de forma exponencial com o dinheiro bolivariano-ditatorial da PDVSA, estatal do petróleo da Venezuela. Para quem não sabe, o país sul-americano tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a ponto de exportar para... os Estados Unidos! Pastor Maldonado é rápido e um bom piloto, mas há vários como ele nas categorias de base e o diferencial do venezuelano sempre foi o patrocínio da PDVSA, assim como para Ernesto Viso, Roldolfo González e outros menos conhecidos.

Maldonado só está na F1 e na Williams por causa da PDVSA. Chávez em pessoa apoiava Maldonado. Houve certa turbulência ano passado quando a sufocada oposição venezuelana pediu para ver mais de perto para onde o dinheiro do povo, via PDVSA, estava indo. O lugar de Maldonado imediatamente ficou à perigo. O engodo foi resolvido, mas o futuro político da Venezuela agora é uma verdadeira incógnita. E se a oposição subir ao poder e cortar esse apoio praticamente sem restrições da PDVSA aos seus pilotos ao redor do mundo? Maldonado terá que cortar um dobrado este ano, pois se parte (ou ele todo) do seu patrocínio for embora, seu lugar na Williams ficará bastante ameaçado. E até mesmo na F1!