domingo, 13 de abril de 2014

O que eu vou dizer lá em casa Lorenzo?

Mesmo com a notória superioridade da Honda atualmente, a solidez, o talento e a garra de Jorge Lorenzo salvava um campeonato que tendia a ser enfadonho ano passado. Porém, o erro de Jorge Lorenzo hoje em Austin entrou para os anais como uma das maiores gafes de um piloto de ponta numa corrida de alto nível dos últimos tempos. A largada é o momento mais adrenalizante de um fim de semana, onde corridas podem ser decididas ou, normalmente, terminadas. Com 95 largadas no currículo, com a pressão de uma Honda ainda mais forte em 2014 e com Márquez dominando o final de semana norte-americano, Lorenzo queimou a largada de forma ridícula, avançando vários metros antes que a luz vermelha se apagasse, num dos maiores micos dos últimos tempos, deixando todos os pilotos a seu redor estupefatos com o erro do espanhol da Yamaha.

Porém, pelo ritmo das Yamahas oficiais, Marc Márquez dificilmente teria algum problema em passear em Austin. Quando Lorenzo foi para os boxes ainda antes de terminar a primeira volta, Márquez assumiu a ponta e de lá só foi ameaçado por ele mesmo e na última curva da última volta. Já fazendo sinais para a torcida, Márquez se desconcentrou na última freada da corrida e quase perdeu o controle de sua Repsol Honda quando a bandeirada estava à sua vista, para desespero e susto para a equipe Honda, mas Márquez recebeu a bandeirada confortavelmente na ponta, com Daniel Pedrosa muito atrás para tentar qualquer coisa contra seu companheiro de equipe. Em terceiro chegou a Ducati de Andrea Doviziozo, que venceu uma boa batalha contra a Honda satélite de Stefan Bradl, que pareceu ter ficado bastante chateado por não ter conseguido um pódio.

Com Lorenzo em último na primeira volta, as atenções da Yamaha se voltaram para Valentino Rossi, que largou mal e estava em nono após a primeira volta, mas o multi-campeão partiu para o ataque e rapidamente estava lutando pelo pódio, mas de forma abrupta, foi perdendo rendimento até cair para oitavo, andando mais de 4s mais lento que Márquez. O ritmo de Rossi era tão lento que Lorenzo, que terminou em décimo, não chegou muito atrás do companheiro de equipe. Literalmente um dia negro para a Yamaha, que nesse momento não tem ritmo para se igualar a fortíssima Honda.

Com uma temporada perfeita até aqui, com duas vitórias em duas corridas, Marc Márquez parte impávido para o bicampeonato, enquanto Daniel Pedrosa, se não tiver um super agente, já deve estar procurando os classificados uma hora dessa, pois com a mesma moto, sequer arranha a liderança de Márquez. A cara de Lorenzo quando chegou aos boxes mostrou bem o tamanho do seu problema e com 44 pontos de desvantagem, sua tarefa rumo ao tricampeonato vai se tornando cada vez mais árduo.

Cartão de visitas

Se depender da primeira corrida, a World Series deverá nos trazer algumas emoções de arrepiar o cabelo, como nesse espetacular capotagem de Marco Sorensen, em disputa com Jafar, piloto malaio não muito dotado de talento, mas com muito dinheiro no bolso...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

História: 15 anos do Grande Prêmio Brasil de 1999

Entre as corridas em Melbourne e em São Paulo, as equipes percorreram milhares de quilômetros de testes para acertar seus carros e melhorar sua confiabilidade neste início de ano. Outros tempos... Chegando no Brasil, as equipes encontraram o famoso clima paulistano, com chuvas e sol forte num mesmo dia, atrapalhando os treinos livres e a adaptação do francês Stephane Sarrazin, que estreava na F1 pela Minardi. Porém, a grande vítima foi outro estreante, o brasileiro Ricardo Zonta. O segundo piloto da BAR perdeu o controle do seu carro na subida para o Laranjinha e acabou machucando seus pés, o tirando do seu primeiro GP do Brasil e de mais algumas corridas. As coisas não andavam nada bem para a BAR. Na sexta-feira, cansado dos problemas que afetaram seu carro, Jacques Villeneuve saiu de Interlagos no meio do segundo treino livre direto para o hotel onde estava hospedado comemorar seu aniversário e no sábado conseguiu apenas o 16º tempo, mas o canadense acabaria desclassificado devido a problemas no combustível usado em seu carro e acabaria largando dos boxes.

Havia expectativa de chuva a qualquer momento durante a classificação, o que poderia embaralhar o padrão de então, que mostrava McLaren e Ferrari na frente, mas Barrichello (Stewart), Frentzen (Jordan) e R.Schumacher (Williams) andando muito bem e prontos a incomodar os favoritos. Apesar do tempo muito nublado, a chuva não veio e Hakkinen conseguiu o primeiro tempo com uma volta apenas dois décimos mais lenta que a pole de Villeneuve com a Williams dois anos antes, mas com pneus totalmente slicks. David Coulthard completou a primeira fila da McLaren, mas o que encheu as páginas de jornal foi o excelente terceiro lugar de Barrichello, que fez todo o circuito de Interlagos vibrar como há muito não se via. Michael Schumacher, mais de um segundo mais lento que a pole, teve que se conformar com a quarta posição.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:16.568
2) Coulthard (McLaren) - 1:16.715
3) Barrichello (Stewart) - 1:17.305
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:17.578
5) Fisichella (Benetton) - 1:17.810
6) Irvine (Ferrari) - 1:17.843
7) Hill (Jordan) - 1:17.884
8) Frentzen (Jordan) - 1:17.902
9) Wurz (Benetton) - 1:18.334
10) Herbert (Stewart) - 1:18.374

O dia 11 de abril de 1999 amanheceu quente e com o tempo seco, bem ao contrário dos dois dias anteriores. Schumacher teve problemas sérios nas suas duas últimas largadas, mas em Interlagos, a principal preocupação do alemão foi desviar da McLaren de Coulthard à sua frente, que ficou parada na largada. O escocês foi empurrado aos boxes e seu motor só foi ligado três voltas mais tarde, mas David acabaria abandonando mais tarde. Afora o problema de Coulthard, a primeira curva aconteceu sem nenhum incidente com Hakkinen liderando e para delícia da multidão, Rubens Barrichello vinha em segundo, à frente de Schumacher, Irvine, Fisichella, Frentzen, Wurz e Hill.

Bem no momento em que Coulthard voltou à pista na terceira volta, no meio da reta oposta, Hakkinen estranhamente perdeu a velocidade do seu McLaren e permitiu a Rubens Barrichello assumir a liderança da prova e ver o autódromo de Interlagos explodir. Mais estranhamente ainda, Mika voltou ao seu ritmo normal e estava agora em terceiro, logo atrás de Schumacher. Na nona volta, brigando pela sétima posição, Alex Wurz fechou Damon Hill e tirou o inglês da prova, o deixando bastante irritado, enquanto Wurz terminou a prova com o carro totalmente desequilibrado e longe de exibir a bela corrida feita um ano antes. Lá na frente, os três primeiros colocados andavam próximos, mas sem chance de ataque. O público delirava com Rubinho na ponta, enquanto Hakkinen, claramente mais rápido do que Schumacher nas curvas, nada podia fazer frente a prodigiosa potência do motor Ferrari de Michael nas duas retas de Interlagos, impossibilitando a ultrapassagem na pista.

Na volta 26 o motivo do fortíssimo ritmo de Rubens Barrichello foi exposto e o motivo era o mais prosaico possível. A Stewart havia feito um carro com a traseira bem compacta e isso acabou afetando no tamanho do tanque de combustível, que era o menor da F1 em 1999. Com isso, até que esse problema fosse consertado, Barrichello sempre largaria com uma estratégia de duas ou mais paradas por causa do pouco alcance do seu carro. Com isso, Schumacher assumiu a ponta, com Hakkinen logo a seguir, com ambos claramente numa estratégia de uma parada. Rubens voltou à pista em quarto lugar e rapidamente atacou Eddie Irvine, que além de estar numa estratégia diferente, seguiu ordens da Ferrari para tentar segurar o brasileiro o máximo possível. O irlandês fez o 'serviço sujo' até a volta 35, quando finalmente foi ultrapassado por Barrichello no final da reta dos boxes, fazendo o autódromo de Interlagos explodir de felicidade novamente. O problema foi que sete voltas mais tarde quem explodiu foi motor Ford de Barrichello, o fazendo abandonar tristemente.

Porém, a vitória era algo improvável para Rubens. Schumacher havia feito sua parada na volta 37 e retornara 11s à frente de Barrichello. Porém, a maior preocupação do alemão da Ferrari era o ritmo imposto por Hakkinen quando este teve pista livre à frente. O finlandês da McLaren marcou algumas voltas mais rápidas e quando fez sua única parada, estava à frente de Schumacher e logo impôs 6s de vantagem. Mais atrás, Frentzen tentava se aproximar de Irvine na luta pelo lugar restante do pódio, mas o irlandês acabaria sendo chamado pela Ferrari para fazer uma limpeza de emergência dos seus radiadores, apenas treze voltas após sua parada. Irvine caiu para quinto e passou a andar mais rápido que o quarto colocado Ralf Schumacher, que naquele momento tentava economizar combustível, enquanto que nos boxes da Williams, estava tudo pronto para um splash-and-go para o alemão, se fosse necessário. Irvine se aproximou de Ralf, mas não efetuou a ultrapassagem, mas quase ganha uma posição quando Frentzen fica sem combustível na última volta, mas como ele estava na mesma volta de Hakkinen quando este recebeu a bandeirada, e o quarto colocado Ralf Schumacher já estava uma volta atrás, o alemão pôde permanecer no pódio, atrás do seu compatriota Schumacher. Após uma corrida surpreendente na Austrália, a F1 voltava ao status normal em Interlagos com McLaren e Ferrari à frente das demais, mas agora novas equipes, como Jordan e Stewart, estavam prontas para aprontar surpresas ao longo do ano. Porém, o que ninguém sabia na ocasião, era que os pontos perdidos por Irvine no final da corrida lhe faria muita falta no final do ano...

Chegada:
1) Hakkinen
2) M.Schumacher
3) Frentzen
4) R.Schumacher
5) Irvine
6) Panis

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Figura(BAH): Formula 1

Após duas corridas, a nova Formula 1 estava sendo atacada (por seus próprios membros) de todos os lados. As corridas estão muito chatas, os pilotos não se esforçam, pensando unicamente em economizar, o barulho dos novos motores V6 turbo parece mais um assobio, um novo domínio se encaminha após anos de títulos consecutivos da Red Bull e as detestáveis ordens de equipe se fizeram presentes novamente. Bernie Ecclestone e Luca di Montezemolo armaram uma campanha contra esse novo status quo e bradavam por mudanças. Então veio a corrida no Bahrein, local onde normalmente as corridas são... chatas e modorrentas. Era um prato cheio para os veteranos dirigentes, mas o que se viu no circuito de Sakhir entrou para a história como uma das melhores corridas dos últimos tempos com todos os pilotos do grid se mostrando aguerridos em suas lutas por posições, mesmo que estes sejam seus companheiros de equipe. A briga pela primeira posição entre os dois pilotos da Mercedes demonstrou que, sim, haverá um domínio de uma equipe em 2014, mas que poderemos ver, em suas devidas proporções, algo parecido com 1988, com dois pilotos disputando, sozinhos, a ponta das corridas e o campeonato. Todas essas brigas fizeram, por um momento, que todos esquecessem os problemas dessa nova F1 e torcer que essa corrida seja a regra e as duas primeiras sejam exceções. Ah! Montezemolo e Ecclestone, com certeza loucos para criticarem mais uma corrida chata após a bandeirada, foram embora no meio da corrida...

Figurão(BAH): Pastor Maldonado

Pastor Maldonado deve ter entre seus estafe pessoas que lhe aconselham sobre seus passos na carreira e como foram suas corridas. Montado numa montanha de dinheiro vindo da PDVSA, Maldonado deve receber mimos dessas pessoas do tipo 'É isso aí, Pastor! Continue assim, que com essa agressividade você irá longe', ou 'Não ligue para esses porcos capitalistas que lhe criticam! Eles devem ser pagos pela CIA para desestabilizar você e o excelentíssimo Maduro. E viva Chavez!' Essa já é a quarta temporada de Pastor Maldonado e as asneiras do venezuelano permanecem as mesmas de um novato... na F3! Há quem admire a habilidade e velocidade de Maldonado, mas sua profusão em se envolver em acidentes e destruir as corridas alheias está chegando num limite. O acidente que o venezuelano provocou no Bahrein é de uma imbecilidade atroz e, o que é pior, estão se tornando cada vez mais perigosas. Gutierrez demorou a sair de seu Sauber com certeza procurando saber o que lhe atingiu de forma tão estúpida e que lhe fez alçar voo. As punições a Maldonado se multiplicam ao longe desses anos todos, mas parece não aquietar o ímpeto assassino do venezuelano, que continua a aprontar das suas e provar que sua vitória há quase dois anos em Barcelona foi fruto de um ponto fora da curva.

domingo, 6 de abril de 2014

Sem reclamações

Luca di Montezemolo, Christian Horner e Bernie Ecclestone já estavam reclamando. 'A F1 atual está chata!' Porém, quem está vencendo não tem do que reclamar e hoje, na notória pista sem emoções de Sakhir, a F1 proporcionou uma das melhores corridas dos últimos tempos com brigas por todas as posições e (pasmem!) companheiros de equipe brigando fortemente por posições, inclusive pela primeira, com Lewis Hamilton se saindo melhor do que Nico Rosberg e conseguindo uma vitória importante para sua luta pelo bicampeonato, enquanto Nico, melhor calçado nas últimas voltas, não conseguiu ultrapassar Lewis e vê sua liderança no campeonato sendo achatada pelo bom momento de Hamilton. Surpreendentemente o terceiro colocado foi Sergio Pérez, se recuperando de um início de campeonato terrível para dar o primeiro pódio da vida da Force India.

A corrida foi emocionante e cheia de histórias para contar. Primeiro, Hamilton deu um 'chega pra lá' em Rosberg ainda na primeira volta e conquistar a liderança da prova, mas sempre com o Nico por perto, algumas vezes chegando a brigar mais forte pela ponta da corrida. Lewis estava num dia inspirado e como num script, soube rechaçar os ataques de Rosberg utilizando praticamente as mesmas armas. Primeiro, Hamilton contornava a primeira curva com a tangência normal, enquanto Nico Rosberg freava mais forte por dentro e com isso deslizava e dava espaço para Hamilton dar o xis na chicane. Depois, entre as curvas três e quatro, Nico Rosberg forçava novamente, mas desta vez Hamilton ficava por dentro e dava um 'chega pra lá' no companheiro de equipe na saída da curva. Isso aconteceu algumas vezes na prova, com Hamilton se sobressaindo demonstrando a sua força de vontade em derrotar o amigo e companheiro de equipe. Porém, a Mercedes não estava muito animada em arriscar e quando o safety-car estava para sair da pista pelo bizarro acidente proporcionado por Maldonado, Paddy Lowe fez questão de se identificar e dizer aos pilotos para 'trazerem as crianças para casa'. Nico Rosberg deu o 'ok', mesmo tendo pneus macios, 1,5s mais rápido do que os pneus duros que Hamilton utilizava e... foi para cima. Fazia tempo que uma briga entre dois companheiros de equipe foi tão emocionante e próxima pela vitória, mas isso só acontece devido a enorme diferença entre a Mercedes e o resto. Em pouco mais de dez voltas, quando o safety-car foi embora, o duo da Mercedes abriu mastodônticos 24s sobre o surpreendente terceiro colocado.

A fase da Force India é muito boa e era questão de tempo para o time hindu conseguir seu primeiro pódio na F1, mas era esperado que o piloto a conseguir essa proeza fosse Nico Hülkenberg, que continuava a fazer suas boas atuações de 2013 nessa temporada. Contudo Sergio Pérez, que estava totalmente eclipsado por Nico, largou na frente do alemão hoje e fez uma corrida sensacional, com direito a ultrapassagem na base do oportunismo em cima de Hulkenberg, e conseguiu um excelente terceiro lugar para a sua equipe e também para o próprio mexicano. Saído praticamente corrido da McLaren no ano passado, Pérez necessitava de um resultado como esse para conseguir prova que pode, sim, se tornar um piloto de ponta. Só falta Pérez provar que corridas como a de hoje virem regra, não exceção. Já Nico Hulkenberg teve que se conformar com o quinto lugar, ultrapassado no final por Ricciardo e tendo que segurar Vettel nas voltas finais. Quando não conseguiu ultrapassar Bottas e ser jantado por Pérez logo em seguida praticamente definiu a situação de Hulkenberg, que permanece na expectativa de conseguir também seu primeiro pódio. Grande beneficiária da entrada do safety-car, a Red Bull maximizou a estratégia de duas paradas para conseguir posições melhores do que estava com a corrida ocorrendo normalmente, mas da mesma maneira da Force India, o seu piloto melhor classificado foi o surpreendente Daniel Ricciardo, que saiu da 13º posição no grid para quarto na bandeirada, inclusive ultrapassando duas vezes Vettel (uma a pedido da equipe no começo da prova e outra na marra!). Quando foi para a Red Bull, todos esperavam por um comportamento subalterno de Daniel frente a Vettel, mas o que estamos vendo é um piloto combativo e sem medo de enfrentar o tetracampeão, que conseguiu um sexto lugar sofrido, com problemas no assoalho do seu carro e reclamando dos seus pneus e da potência do seu motor.

Com a confusão na Malásia, uma das equipes mais focadas na corrida foi a Williams. Como seria o comportamento dos seus dois pilotos uma semana após o desastrado pedido da Williams para que Massa cedesse sua posição para Bottas? Se depender apenas da largada, Felipe reagiu otimamente com uma das melhores largadas já vistas, com o paulista saindo de sétimo para terceiro com uma facilidade incrível, pois Felipe em nenhum momento fez manobras bruscas, simplesmente desviando de Raikkonen e em linha reta frear na primeira curva em terceiro. Porém, o apetite de Felipe pelos pneus fez com que a Williams preferisse uma estratégia de três paradas, enquanto a Force India, principal rival da Williams pelo lugar restante do pódio fez duas paradas com seus dois pilotos. Nos dois stints intermediários, Bottas se deu melhor do que Massa nas paradas e ficou à frente do brasileiro, com Felipe atacando o companheiro de equipe. Para mudar essa situação, Massa antecipou sua terceira parada e com isso tomou a posição de Bottas, mas a entrada do safety-car estragou a corrida da Williams e do pódio, o time brigou pelas últimas posições pontuáveis, com Massa ficando em sétimo e Bottas em oitavo, mas foi claro que a Williams tem totais condições para brigar pelo pódio. Algo que a Ferrari parece bem distante. As caras e bocas de Montezemolo no começo da corrida e o braço levantado por Alonso após a bandeirada em nono lugar pode significar uma crise se avizinhando no reino de Maranello. A cruzada de Montezemolo contra a nova F1 tem muito haver com os problemas da Ferrari, que hoje está claramente com o pior motor da F1, pois foi nítido as dificuldades de Alonso ultrapassar carros mais lentos na reta. Raikkonen foi atacado e ultrapassado de todos os jeitos e maneiras, mas ainda conseguiu salvar um pontinho, mas o finlandês pode se desmotivar com esse estado de coisas na Ferrari.

A McLaren andou forte com Button, mas quando foi dada a relargada o inglês foi perdendo posições até abandonar sua 250º corrida na F1 nas voltas finais, se juntando a Magnussen, que havia abandonado quase que anonimamente um pouco antes. Com os demais carros equipados com motores Mercedes lá na frente, Ron Dennis terá que trabalhar dobrado se quiser fazer com que a McLaren não tenha outra temporada medíocre. Daniil Kvyat fez outra corrida consistente e se não marcou pontos hoje, ficou em 11º e bastante próximo de Raikkonen, demonstrando que o russo não é apenas mais um pay-driver, enquanto que para Jean-Eric Vergne, conhecendo a pouca paciência da Red Bull com seus jovens pilotos, deve começar a se preocupar com a falta de resultados e de estar sempre tomando tempo de Kvyat. A Sauber fez uma corrida para esquecer com seus dois pilotos abandonando, mas Gutierrez foi vítima da barbeiragem mais perigosa dos últimos tempos. Tem quem goste de Pastor Maldonado e eu não estou entre eles. De estilo espetacular, Maldonado deve ter bebido da mesma fonte de Montoya, que chegou chegando na F1 há treze anos atrás, mas se Montoya tinha talento, isso falta a Maldonado, que parece ser um piloto mimado e cercado por pessoas que devem dizer 'você está certo, eles querem derrubar o chavismo. Vai Pastor!' E Pastor vai... fazendo merda em cima de merda. Hoje provocou uma espetacular capotagem de Gutierrez quando... saía dos boxes! A punição de 10s parados nos boxes foi pouca para Maldonado, que só está na F1 pela crise financeira da categoria. 

A corrida de número 900 foi espetacular e fez juízo a uma corrida histórica. Hamilton também mostrou com uma pilotagem sensacional nas últimas voltas que tem cacife para se juntar a Moss, Peterson, Lauda e Piquet (nomes de vitoriosos em corridas centenárias) como um digno piloto a vencer uma prova especial como a de hoje. Vale salientar que o campeonato será decidido basicamente dentro dos boxes da Mercedes, que hoje demonstrou que não está muito propícia a dar ordens de equipe a seus pilotos, que brigaram livremente numa prova espetacular e que não deu margem a nenhuma reclamação. 

sábado, 5 de abril de 2014

Planeta Mercedes

A frase do engenheiro de Nico Rosberg logo após o alemão iniciar sua segunda volta do Q3 indica bem o quão na frente estar a Mercedes à frente as demais. "Lewis saiu da pista e a pole já é sua!" A frase pode ter um pouquinho de soberba, mas é a mais pura realidade. A Mercedes em 2014 está em outro nível frente as demais equipes, num nível até mesmo superior ao que a Red Bull tinha sobre as demais no segundo semestre do ano passado. Apesar do erro de Hamilton em sua última tentativa, Nico Rosberg já havia conseguido abrir uma boa diferença no Q2 na luta particular entre eles e era o mais rápido até o momento no Q3, indicando uma pequena superioridade sobre Lewis. 

Fora o Planeta Mercedes, a luta entre as demais equipes foi apertada e já indica disputas interessantes. Para quem esperava Vettel esmagando Ricciardo no duelo interno da Red Bull vê com surpresa o australiano superar o atual tetracampeão pela segunda vez em três tentativas, sendo que Vettel ficou no Q2 e Ricciardo abrirá a segunda fila, ficando como o 'melhor do resto'. Após o polêmico pedido da Williams, a expectativa do duelo entre Bottas e Massa ficou maior e no Q2 ambos marcaram exatamente o mesmo tempo. Vale corrigir Reginaldo Leme, que lembrou a histórica classificação da decisão do campeonato de 1997, onde houve um empate triplo na primeira posição, mas ao lado de Schumacher e Villeneuve, estava Heinz-Harald Frentzen, não David Coulthard como falou o veterano (e esquecido) comentarista. Porém, no Q3 Bottas se sobressaiu e colocou três décimos em Massa, derrotando o companheiro de equipe pela primeira vez e deixando Felipe com cara de poucos amigos na hora pesagem. A esperada disputa entre Alonso e Raikkonen sofreu uma repentina virada com Kimi colocando oito (!) décimos em cima de Alonso no Q3, algo que estava acontecendo, mas exatamente o contrário. Se não houver desculpas técnicas, Alonso não estará de muito bom humor. Por último, como aconteceu na Ferrari, Sergio Pérez reverteu sua situação frente Nico Hulkenberg e enquanto o alemão ficou no Q2, o mexicano largará em quinto amanhã. 

Se algo muito extraordinário não acontecer amanhã, a Mercedes vencerá com o pé nas costas, enquanto as demais brigarão pelo terceiro lugar, hoje ocupado por Ricciardo, mas não devemos nos esquecer do que a Red Bull já andou aprontando com o australiano. Quando vi Hamilton sair do seu carro, enquanto Rosberg comemorava discretamente, como é o próprio do piloto alemão, me veio a cabeça 1988. Naquele ano, uma equipe (McLaren) era muito mais rápida do que as demais, com dois pilotos bastante equilibrados (Senna e Prost). O resultado foi uma briga emocionante de dois pilotos que se davam bem, mas que acabou numa rivalidade histórica. Nas devidas proporções, acontecerá algo parecido a partir de amanhã?