Sempre vale a pena escutar esse cara...
sábado, 9 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
História: 30 anos do Grande Prêmio da Alemanha de 1984
O Grande Prêmio da Alemanha acontecia no ultra-rápido circuito de Hockenheim, sempre uma pista muito difícil para os motores, particularmente com a tecnologia dos turbos, a grande maioria no pelotão da F1 no momento. A Tyrrell havia feito uma nova apelação de seu banimento da temporada 1984 da F1 e por isso correria normalmente na Alemanha, Áustria e Holanda, quando seria julgado a apelação da equipe, porém o piloto local Stefan Bellof tinha uma corrida marcada no Mundial de Marcas pela Porsche no Canadá e por isso o jovem alemão não estaria presente em sua corrida caseira, sendo substituído pelo neozelandês e novo (e último) campeão da F2, Mike Thackwell. A Toleman recebia boas notícias de Johnny Cecotto se recuperando do seu terrível acidente em Brands Hatch, mas sem encontrar um substituto do venezuelano para Hockenheim, e equipe inglesa só correria com Senna na Alemanha.
Os treinos de sexta-feira começaram com o domínio dos motores Renault com Elio de Angelis ficando a maior parte do treino em primeiro, seguido por Derek Warwick e Patrick Tambay. Porém, Alain Prost acabou com a festa dos seus antigos empregadores ao tirar a pole provisória de Elio, sendo o mais rápido por apenas cinco centésimos de segundo. Normalmente muito rápido nos treinos, Nelson Piquet ficou apenas em quinto, enquanto Niki Lauda rodou duas vezes durante a sessão e teve que se contentar com o sétimo lugar. A Williams continuava sofrendo com a confiabilidade do Williams-Honda e Keke Rosberg foi apenas 19º no grid, com Jacques Laffite sete posições à frente. Sendo a única equipe a usar motor convencional, a Tyrrell sofria muito e Stefan Johansson, 26º colocado no grid, era 3s mais lento... que o 25º! Thackwell foi o último colocado e como apenas 26 carros largariam, o neozelandês estava fora da corrida. Ken Tyrrell tentou usar o mesmo artifício que a Osella fez em Brands Hatch para garantir Jo Gartner no grid, solicitando a todas as equipes que Thackwell fosse aceito o 27º colocado largar. Todas as equipes inglesas aceitaram os argumentos de Tyrrell, mas o chefe de equipe da Ferrari Marco Piccinini, chateado com a longa negociação entre Tyrrel, Ferrari e Alboreto nos últimos dois anos, negou e o GP da Alemanha teria 26 carros no grid no domingo.
Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:47.012
2) De Angelis (Lotus) - 1:47.065
3) Warwick (Renault) - 1:48.382
4) Tambay (Renault) - 1:48.425
5) Piquet (Brabham) - 1:48.584
6) Alboreto (Ferrari) - 1:48.847
7) Lauda (McLaren) - 1:48.912
8) Fabi (Brabham) - 1:49.302
9) Senna (Toleman) - 1:49.385
10) Arnoux (Ferrari) - 1:49.857
O dia 5 de agosto de 1984 começou com chuva em Hockenheim, a mesma chuva que arruinou os treinos no sábado e que por isso o grid fora definido na sexta. O warm-up, liderado por Warwick, se deu com a pista secando e quando a largada se aproximava, a pista já estava seca e havia até um tímido sol para alegria dos 90.000 alemães que lotavam as arquibancadas de Hockenheim. Bem ao contrário desse ano. Quando Prost levava seu carro ao grid, o francês tem problemas com a bomba de óleo e por isso largaria com o carro reserva. Talvez por isso o francês não tenha largado tão bem, sendo superado por Elio de Angelis na entrada na curva um. Piquet, notório por não largar muito bem, sai de suas características e fritando os pneus na freada da curva um por fora, o brasileiro supera os dois carros da Renault e sobe para terceiro, enquanto mais atrás Ayrton Senna faz uma largada espetacular e subia para sexto, logo atrás dos dois carros da Renault.
Os três primeiros colocados (De Angelis, Prost e Piquet) aos poucos abriam vantagem sobre o quarto colocado Warwick, que corria isolado, enquanto Tambay era ultrapassado por Senna durante a segunda volta e o francês já era atacado por Lauda. Contudo, a bela corrida de Ayrton Senna durou apenas cinco voltas, quando a asa traseira da Toleman do brasileiro quebrou sem aviso, provocando um perigoso acidente com Senna, que bateu muito forte no guard-rail, mas sem consequências para o brasileiro, que saiu do carro muito irritado pela oportunidade perdida de fazer outra boa prova após o pódio na Inglaterra. Enquanto isso acontecia, Lauda ultrapassava um lento Tambay e logo tentava uma aproximação a Warwick. Keke Rosberg era o piloto que mais evoluía no pelotão. Aparentemente livre dos problemas mecânicos em seu Williams e contando com a exuberante potência do motor Honda, Rosberg já havia pulado de 19º para sexto em apenas seis voltas!
Lá na frente, Elio de Angelis se segurava como podia dos ataques de Prost e Piquet, inclusive fazendo manobras de zigue-zague no meio das retas, tentando tirar o vácuo de Prost. Porém, na oitava volta a corrida do italiano acabou quando o seu motor Renault abriu o bico na saída da segunda chicane, propiciando a Prost a liderança da prova, mas o francês usufrui da ponta por muito pouco tempo, pois Piquet efetua a ultrapassagem de na entrada da terceira chicane na mesma volta. Mais atrás, Lauda assume a terceira posição, trazendo consigo um espetacular Keke Rosberg, mas a corrida do finlandês termina tristemente na volta 11 quando seu Williams apresenta problemas elétricos, mostrando que a Williams ainda teria muito trabalho pela frente para aproveitar todo o potencial do motor Honda. Piquet e Prost andavam colados, com Niki Lauda aproximadamente 6s depois e Warwick fazendo uma corrida solitária, onde não atacava ninguém e também não era atacado. Porém, Piquet começa a abrir uma certa vantagem para Prost e quando a vantagem do brasileiro chegou aos 4s na volta 22, Piquet perde rendimento e é rapidamente ultrapassado por Prost e Lauda. Seria mais um triste abandono de Piquet, que lhe roubou tantos pontos importantes, se não fosse mais uma molecagem do brasileiro.
Num mundo corporativo como o de hoje, essa cena seria praticamente impossível de acontecer. Estranhamente Piquet não parou nos boxes quando o problema de câmbio de seu Brabham se manifestou, com o brasileiro fazendo uma volta muito lenta até voltar aos boxes. Quando se aproximou do seu pit, Piquet fez um sinal com a mão para que todos os pneus fossem trocados. Os mecânicos trabalharam rápido e quando o carro foi baixado, Piquet simplesmente bateu no cinto e saiu do carro as gargalhadas, enquanto os mecânicos riam de tudo. Eram tempos mais humanos na F1. Porém, a Brabham não achou muita graça quando Teo Fabi, correndo em quarto lugar, entrou nos boxes cinco voltas depois com um problema de câmbio e a prova da Brabham estava terminada com pouco mais da metade da corrida.
O que não estava terminada era a briga pela liderança. Após se ver livre de Piquet, Niki Lauda aumentou o ritmo e começou a fazer volta mais rápida em cima de volta mais rápida, chegando a diminuir sua desvantagem para Prost a menos de 3s. Porém, o francês acordou e começou a também fazer várias voltas mais rápidas, novamente abrindo uma vantagem confortável para o seu companheiro de equipe. Na volta 34 Patrick Tambay era ultrapassado por Nigel Mansell, com o francês tendo problema de rendimento desde o início da prova. Numa corrida onde não houve paradas programadas nos pits, René Arnoux foi um dos poucos a fazê-lo e era sexto quando levou uma volta do seu inimigo e rival Alain Prost. Após chegar a abrir 10s de vantagem para Lauda, Prost diminuiu bem seu ritmo nas últimas duas voltas e recebeu a bandeirada com Lauda apenas 3s atrás. Era a quarta vitória de Prost em 1984 e mesmo tendo os melhores carros do pelotão, Lauda completara apenas a segunda dobradinha da McLaren no ano. Warwick completou o pódio numa corrida muito tranquila, enquanto Mansell foi quarto, Tambay, com sérios problemas no motor, chegando em quinto e Arnoux fechou a zona de pontuação. Com os abandonos de Elio de Angelis e Nelson Piquet, a McLaren tinha praticamente a certeza que o título seria decidido unicamente por seus dois pilotos, com Prost tendo no momento 4,5 pontos de vantagem sobre Lauda e uma vitória a mais. Porém, esse meio ponto feito em Monte Carlo ainda daria muito o que falar para Prost no final do ano.
Chegada:
1) Prost
2) Lauda
3) Warwick
4) Mansell
5) Tambay
6) Arnoux
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
História: 40 anos do Grande Prêmio da Alemanha de 1974
O Campeonato Mundial de Pilotos de F1 em 1974 era um dos mais equilibrados da história, com quatro pilotos brigando diretamente pelo título. Quando a F1 chegou à Alemanha para o seu tradicional Grande Prêmio em Nürburgring, Emerson Fittipaldi estava em segundo lugar no campeonato com seu McLaren, mas o carro da equipe de Teddy Mayer era inferior à Ferrari e somente pela experiência do brasileiro, Fittipaldi se mantinha na briga pelo título. Junto com Emerson vinha os dois pilotos da Ferrari, mas cada um fazendo um campeonato distinto. Enquanto Niki Lauda era considerado o piloto mais rápido do ano, fazendo várias poles, o austríaco sofreu vários problemas mecânicos e perdeu vários pontos importantes, enquanto Clay Regazzoni fazia um campeonato de regularidade, terminando oito das corridas até Nürburgring, décima primeira etapa, nos pontos. O quarto fator era o surpreendente Jody Scheckter. Até 1973 o sul-africano era considerado um piloto até mesmo perigoso, mas Scheckter foi 'domesticado' por Ken Tyrrell e fazia um campeonato também de chegada, marcando pontos em nove corridas consecutivas.
Mesmo Nürburgring ficando a cada ano mais seguro devido à pressão da GPDA, Howden Ganley sofreu um sério acidente durantes os treinos e fraturou seus dois tornozelos, abandonando o final de semana. Durante os treinos livres Niki Lauda havia se tornado o primeiro piloto a completar os 22 km de Nürburgring em menos de sete minutos, mas o piloto da Ferrari não conseguiu repetir a proeza na classificação para valer, porém Lauda ficou com a quarta pole consecutiva na temporada, com Regazzoni completando uma primeira fila toda ferrarista. Os outros postulantes ao título estavam na segunda fila, com Emerson superando Scheckter. Frank Williams necessitava de um piloto para o seu segundo carro e o escolhido foi o francês Jacques Laffite, de 30 anos, grande revelação da F2. Seria a primeira corrida de Laffite, que marcaria presença na F1 pelos próximos doze anos.
Grid:
1) Lauda (Ferrari) - 7:00.8
2) Regazzoni (Ferrari) - 7:01.1
3) Fittipaldi (McLaren) - 7:02.3
4) Scheckter (Tyrrell) - 7:03.4
5) Depailler (Tyrrell) - 7:06.2
6) Reutemann (Brabham) - 7:07.2
7) Hulme (Brabham) - 7:08.8
8) Peterson (Lotus) - 7:09.0
9) Ickx (Lotus) - 7:09.1
10) Mass (Surtess) - 7:09.8
O dia 4 de agosto de 1974 tinha um dia típico da região Eifel, com um tempo nebuloso e com chuva iminente, como também podendo ocorrer sol. Contava-se na época que um piloto poderia encontrar as quatro estações do ano em uma volta completa em Nürburgring. Antes da corrida, Jackie Stewart e o presidente da CSI, o príncipe Metternich, davam instruções de segurança aos pilotos no grid de largada, numa cena insólita, se levarmos para os nossos tempos. Porém, quando a bandeira alemã baixou, Lauda não largou bem e foi logo ultrapassado por Regazzoni e Scheckter, enquanto Emerson Fittipaldi tinha uma largada ainda pior, quando o piloto da McLaren não consegue engatar a primeira marcha e levanta os dois braços para avisar aos demais pilotos que estava parado. Apesar do esforço de Emerson, ele acabou atingido por... Dennis Hulme, seu companheiro na McLaren! A pancada fez com que Fittipaldi saísse do lugar, mesmo com seu carro avariado, mas Hulme se torna o primeiro abandono do dia. Teoricamente...
Em terceiro lugar, Lauda tenta imediatamente dar o troco em seus rivais e logo nas primeiras curvas, o austríaco ataca o segundo colocado Scheckter, que se defendia como podia. Numa manobra ousada na curva Nordkehre, Lauda acaba acertando uma das rodas traseiras de Scheckter, voa e bate no muro, destruindo sua corrida ainda na primeira volta, para profundo desgosto do austríaco, enquanto o sul-africano permanecia ileso em segundo, 2s atrás de Regazzoni, enquanto Carlos Reutemann subia para terceiro. No final da primeira volta Emerson leva sua McLaren aos boxes para trocar um pneu, mas a suspensão traseira fora atingida por Hulme e o brasileiro abandonaria na volta seguinte. Porém, isso não era a única movimentação nos boxes da McLaren. Tentando ser mais espertos do que a esperteza, Teddy Mayer manda Hulme sair com o carro reserva, alegando que o acidente tinha acontecido antes do final da primeira volta... a esperteza foi descoberta rapidinho e Hulme acabaria desclassificado no final da terceira volta.
Apesar de nunca ter vencido em Nürburgring, Clay Regazzoni era um piloto que reconhecidamente andava muito bem no circuito alemão e vendo uma ótima chance de vencer, o suíço abria uma boa diferença para Scheckter e Reutemann, que andavam separados por apenas 2s, enquanto o alemão Jochen Mass, que aproveitava para usar seu conhecimento do circuito, fazia uma boa corrida em quarto com seu Surtees, mas já estava distante de Reutemann. Porém, uma pancada de chuva começou a cair em parte do circuito de Nürburgring quando a corrida chegava na sua metade, mas para sorte de Regazzoni, ele tinha acabado de passar por essa parte da pista com a chuva muito leve, enquanto Scheckter e Reutemann tiveram que diminuir bastante o ritmo quando foram surpreendidos pelo piso muito molhado e com isso, a vantagem de Regazzoni subiu para 32s. Mais atrás, nem todo o conhecimento de Mass poderia impedir as traiçoeiras condições climáticas do local e o alemão quase sai da pista e perde duas posições para os dois carros da Lotus, com Ronnie Peterson, que usava o novo Lotus 76, à frente de Jacky Ickx, mestre em condições molhadas e um dos poucos que conhecia muito bem o circuito de Nürburgring, mas ainda ao volante do obsoleto Lotus 72. Menos sorte teve Patrick Depailler, que bateu com seu Tyrrell e teve que abandonar. A chuva é passageira e na volta seguinte, os pilotos encontraram o piso apenas úmido e sem maiores problemas em continuar com pneus slicks, mas Peterson sai do trilho e com isso perde a quarta posição para Ickx, e depois é ultrapassado por Mass e Hailwood. Porém, o belga, que liderava esse pelotão, já estava quase um minuto atrás do terceiro colocado Reutemann.
Mesmo liderando com enorme facilidade, Regazzoni abre uma enorme vantagem de 50s para Scheckter, que se conforma em ter feito a melhor volta da prova. Na décima volta, a boa corrida de Jochen Mass acaba quando o motor do seu Surtees quebra. Quando tudo se encaminhava para um final de corrida tranquilo, Mike Hailwood perde o controle de seu McLaren inexplicavelmente na descida Pflanzgarten e bate de frente do guard-rail. A frente do McLaren de Hailwood fica destruída e o inglês fica preso em seu carro, mas a corrida continua e Clay Regazzoni vence pela primeira vez em 1974, assumindo a ponta do campeonato. Era também a segunda vitória do suíço na F1, sendo que o seu primeiro triunfo na F1 fora quase quatro anos antes. Scheckter consegue importantes seis pontos do segundo lugar, enquanto Reutemann conseguia seu primeiro pódio na Alemanha, mesmo o argentino perdendo muito rendimento nas voltas finais. Na última volta, Peterson toma o quarto lugar de Ickx e marca os primeiros pontos do novo Lotus 76, assim como Tom Pryce, que fechou a zona de pontuação. Com esse resultado, Clay Regazzoni assumia a ponta do campeonato, com Scheckter em segundo, enquanto a Ferrari disparava no Campeonato de Construtores após um dia muito ruim da McLaren, que estava fora do pódio em Nürburgring pela primeira vez desde 1971. Porém, a pior notícia da McLaren era sobre o seu terceiro piloto Mike Hailwood. O inglês multi-campeão nas motos tinha sofrido uma fratura na perna, além de deslocamento do joelho e rompimento do tendão de aquiles. Era o fim da carreira de Mike 'The Bike' na F1, relembrando os perigos de Nürburgring, provavelmente o melhor e mais perigoso circuito da história da F1.
Chegada:
1) Regazzoni
2) Scheckter
3) Reutemann
4) Peterson
5) Ickx
6) Pryce
domingo, 3 de agosto de 2014
O rei de Ohio
Scott Dixon pode não ser um poço de carisma, mas não restam dúvidas sobre a qualidade do neozelandês ao volante de um carro da F-Indy. Multi-campeão, Dixon mostrou hoje em Mid-Ohio porque é um dos grandes da categoria. Largando na última posição em um circuito notoriamente difícil de se ultrapassar, Dixon sabia que as corridas em Mid-Ohio normalmente se decidem pela estratégia e por isso o piloto da Ganassi tentou algumas estratégias, fazendo paradas fora da janela para tentar dar o pulo do gato.
Até então, a corrida vinha sendo dominada pelo francês Sebastian Bourdais, que fora o pole, seguido de perto do Josef Newgarden e Ryan Hunter-Reay. Porém, os dois americanos tiveram problemas nos boxes e quando Hunter-Reay tentou tirar a diferença da sua punição por ter excedido o limite de velocidade nos pits, o americano da Andretti acabou rodando e trouxe a segunda e última bandeira amarela. Dixon tinha acabado de fazer um pit-stop, sendo o único a ficar na pista quando os demais pilotos visitaram os boxes. Dixon teria uma árdua tarefa pela frente ao ter que economizar combustível para fazer sua estratégia dar certo e esticar sua parada ao máximo, ainda tendo que imprimir um ritmo forte que o deixasse na ponta da corrida. E foi exatamente isso que Dixon fez. O neozelandês andou mais de trinta voltas com os pneus macios e economizou combustível o suficiente para que Dixon tivesse que fazer apenas uma parada até o fim, se igualando à estratégia dos demais e ficando em vantagem. Quando Newgarden, que o acompanhava, se atrapalhou nos pits juntamente com sua equipe, Dixon teve caminho livre para vencer pela quinta vez em Mid-Ohio.
O segundo colocado Bourdais parecia não estar muito chateado por perder a vitória e estava mais admirado como Dixon conseguiu andar tão rápido e sem gastar em demasia o combustível que o fez sair da última posição, após Scott ter rodado na pista molhada na classificação de ontem, para uma vitória consagradora. Na briga pelo campeonato, os dois pilotos da Penske não brilharam, com Helio Castroneves tendo problemas ainda na volta de apresentação e largando com quatro voltas de atraso, enquanto Will Power acabou atrapalhado pelo acidente na primeira curva após a largada que envolveu Tony Kanaan, Marco Andretti e Takuma Sato. Sabendo que Helio estava praticamente fora da disputa, Power fez uma corrida mais conservadora do que o normal e terminou a corrida em sexto, mas garantindo-se na liderança do campeonato novamente, com quatro míseros pontos de vantagem. Hunter-Reay ainda garantiu um décimo lugar após outro corrida problemática e agora está empatado em terceiro lugar no campeonato com Simon Pagenaud, outro que fez uma prova discreta em Mid-Ohio.
Não foi das corridas mais emocionantes, mas Scott Dixon mostrou que é um dos grandes da história da Indy, mesmo praticamente fora da disputa final do campeonato deste ano, que agora terá apenas três corridas (sendo que a última prova em Fontana valendo por duas) até o final do mês com Power e Castroneves na luta pelo primeiro campeonato de ambos.
Vitória milionária
Que Rubens Barrichello já está garantido financeiramente, não restam dúvidas. Porém, Rubens parecia um iniciante que precisava urgentemente do prêmio de uma vitória para correr na semana seguinte neste domingo e venceu a Corrida do Milhão da Stock Car, numa disputa sensacional com Thiago Camilo.
Rubens Barrichello liderou praticamente de ponta a ponta a corrida no revitalizado circuito de Goiânia, perdendo sua primeira posição nas paradas artificiais que a Stock impõe às suas corridas para ter mais emoção. Porém, Barrichello tinha um rival forte vindo de trás e com experiência em vitórias nessa corrida específica. Thiago Camilo já havia vencido duas vezes a Corrida do Milhão, ambas em Interlagos, e mesmo tendo feito um treino discreto, o piloto paulista fez uma baita prova de recuperação e após o segundo pit-stop de todos os pilotos, se aproximou perigosamente de Barrichello.
Tendo os botões do 'push-to-pass' fazendo uma diferença brutal na reta dos boxes de Goiânia, o final da prova tinha um quê de estratégia, pois quem tivesse mais botões disponíveis para utilizar na final, teria uma vantagem significativa. Camilo e Barrichello trocaram de posições algumas vezes usando o botãozinho mágico, mas na entrada da última volta, era Rubens que liderava e tinha tudo para vencer com tranquilidade, se não cometesse erros. Barrichello não errou, mas Camilo tentou um bote final e chegou a emparelhar seu Stock com o de Rubinho na bandeirada, mas Barrichello foi o grande vencedor do milhão neste domingo, além de ter conseguido sua primeira vitória na Stock.
Depois da corrida, foi inegável a grande festa pela vitória de Rubens Barrichello, mostrando que mesmo com tanta zoação ao longo dos últimos vinte anos, Barrichello é, sim, um ídolo do automobilismo brasileiro. Aos 42 anos, Barrichello mostrou que ainda tem garra para vencer corridas!
sábado, 2 de agosto de 2014
História: 15 anos do Grande Prêmio da Alemanha de 1999
A McLaren teve pouco tempo para se recuperar da presepada protagonizada por David Coulthard em Zeltweg e menos de uma semana depois, se reuniria junto com a F1 em Hockenheim e seu saudoso circuito de longas retas, onde teoricamente a McLaren teria vantagem e a Mercedes correria, teoricamente, em casa.
Porém, os treinos mostraram um equilíbrio entre as equipes, mas numa sessão classificatória com alguns incidentes com carros mais lentos, mesmo Hockenheim sendo um circuito bastante longo para os padrões da época, Mika Hakkinen conquistou a centésima pole da McLaren, mas o finlandês superou o segundo colocado Frentzen por apenas cinco centésimos de segundo. Porém, Mika falou após a corrida que sua melhor volta na sessão teve que se abortada devido à problemas com o tráfego, mesma desculpa dada por Eddie Irvine pelo apagado quinto lugar no grid, ficando atrás até mesmo do seu companheiro de equipe Mika Salo, que se recuperava de sua atuação ruim na Áustria. Se metendo entre os carros de McLaren e Ferrari no topo do grid, além de estar bem colocado na classificação do campeonato, Heinz-Harald Frentzen mostrava que seria um nome a ser observado não apenas na corrida, mas também numa improvável briga pelo título.
Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:42.950
2) Frentzen (Jordan) - 1:43.000
3) Coulthard (McLaren) - 1:43.288
4) Salo (Ferrari) - 1:43.577
5) Irvine (Ferrari) - 1:43.769
6) Barrichello (Stewart) - 1:43.938
7) Panis (Prost) - 1:43.979
8) Hill (Jordan) - 1:44.001
9) Trulli (Prost) - 1:44.209
10) Fisichella (Benetton) - 1:44.338
O dia primeiro de agosto de 1999 estava quente e ensolarado em Hockenheim, o que poderia ser um problema para os engenheiros de motores, já que a pista alemã exige bastante dos motores e com o calor, esse problema poderia aumentar. Antes da corrida, num telão, Michael Schumacher falava ao vivo para o seu público para que torçam para a Ferrari, mas sem indicar quando ele voltaria às pistas e nem dando um simpático 'boa sorte' para Irvine e Salo. Porém, na ação dentro da pista, Hakkinen fez uma boa largada e desta vez sem ser atacado por ninguém, contudo, a melhor largada do dia pertenceu a Mika Salo, que subiu de quarto para segundo, contornando a primeira curva à frente de Coulthard e Frentzen. Mais atrás, Villeneuve é tocado e sai da pista ainda na primeira curva, levando consigo Pedro Paulo Diniz, encerrando a corrida de ambos.
Hakkinen liderava uma inédita dobradinha finlandesa na Alemanha, mas pensando no campeonato, a corrida não poderia ter começado melhor para o piloto da McLaren, pois Irvine foi ultrapassado por Barrichello ainda na primeira volta, caindo para sexto lugar. O brasileiro mostrava que o novo motor Ford era um dos mais potentes da F1 ao ultrapassar Frentzen pelo quarto lugar ainda na volta três, mas a corrida de Barrichello acabaria três voltas depois com um problema hidráulico. Rubens não tinha como saber, mas esse problema lhe acompanharia bastante nos anos seguintes... Voltando à prova, Salo sofria uma enorme pressão de David Coulthard na briga pela segunda posição, quando foi atingido de forma sutil pelo escocês na volta 10. Salo escapou ileso do incidente, mas Coulthard teve que ir aos boxes trocar sua asa dianteira. Mais tarde, no decorrer da corrida, o escocês ainda seria punido por cortar uma chicane enquanto ultrapassava Olivier Panis em sua corrida de recuperação, fazendo daquele espaço de dias esquecível para David Coulthard.
Após um início de corrida discreto, Eddie Irvine começa a pressionar Frentzen pelo terceiro lugar. O irlandês falou depois da corrida que estava tendo problemas de alimentação no começo da prova e por isso poupou seu motor. Quando o ataque ao alemão estava se intensificando, Frentzen foi fazer seu único pit-stop, sendo seguido por Irvine duas voltas mais tarde, quando o irlandês emulou a estratégia de Schumacher que tinha lhe servido tantas vezes e Irvine ganhou a posição de Frentzen na estratégia. O último piloto à fazer sua parada foi Hakkinen. E foi nesse momento que a McLaren iniciou seu pesadelo. Tudo começou quando um problema na mangueira de reabastecimento fez com que a McLaren se atrapalhasse toda e Hakkinen perdeu 15s no seu desastroso pit-stop. Voltando à pista em quarto, logo atrás de Frentzen, Hakkinen logo se estabelece como o piloto mais rápido da pista, mas poucas voltas depois o finlandês sofre um perigoso acidente quando seu pneu traseiro esquerdo perde o ar de repente no final da freada que leva à seção do Estádio e Mika dá um giro de 360º antes de bater levemente na barreira de pneus. Poderia ter sido um acidente de consequências parecidas com o acidente de Michael Schumacher um mês antes, mas Hakkinen rapidamente fez um sinal aos comissários que estava bem, mas sua corrida estava acabada.
Para profundo desgosto da Mercedes, dona do circuito de Hockenheim, a torcida alemã consentiu ao pedido de Schumacher e vibrou como nunca pelo acidente de Hakkinen. Poucas voltas antes do acidente de Mika, a Ferrari ordenara a Salo ceder sua posição à Irvine. Não se soube de alguma revolta por parte da imprensa finlandesa por parte das ordens de equipe da Ferrari, mas o gesto de Salo fora ainda mais impressionante pelo fato do finlandês praticamente abdicar do que seria sua única vitória na F1. Irvine assumiu a primeira posição, mas o perigo ainda não havia terminado, pois Frentzen tinha um ritmo melhor após sua parada e pressionava as duas Ferraris a ponto de Salo solicitar à Ferrari para que pedisse a Irvine aumentar seu ritmo! A diferença entre as duas Ferraris nunca foi superior a 1s, com Salo demonstrando que tinha carro para vencer, mas foi Irvine que recebeu a bandeirada na frente, numa vitória histórica da Ferrari na Alemanha. Frentzen completou o pódio logo atrás dos carros vermelhos, enquanto David Coulthard fazia a melhor volta da corrida no último giro, numa tentativa de frustrada de tirar o quarto lugar de Ralf Schumacher. Era notório que a McLaren tinha o melhor carro, mas o time de Ron Dennis continuava a lançar oportunidades douradas pelo ralo, enquanto Mika Hakkinen via sua luta pelo bicampeonato sendo atrapalhada por problemas alheios a ele e ainda teria que lutar com um piloto com a confiança aumentando a cada volta. Contratado para ser coadjuvante, Eddie Irvine se tornava o candidato da Ferrari a tirar o time italiano do longo jejum de vinte anos.
Chegada:
1) Irvine
2) Salo
3) Frentzen
4) R.Schumacher
5) Coulthard
6) Panis
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
To the limit
O automobilismo é cheio de histórias não apenas sobre corridas emocionantes ou de novas tecnologias, mas também de histórias humanas e algumas vezes com final trágico. Acabei de assistir um baita documentário na ESPN, da série 30 for 30, sobre o piloto Tim Richmond.
Desconhecido por mim à primeira vista, Tim Richmond tinha o apelido de 'Hollywood' na década de 80, onde correu pela Nascar. Vindo de uma família muito rica, Richmond era um playboy e não tinha vergonha nenhuma de se portar como tal, aproveitando a vida e cometendo vários excessos que o dinheiro poderia lhe trazer. Porém, Tim era um esportista nato, a ponto de sua escola ter aposentado a camisa que ele usou nos campeonatos de futebol americano. Richmond adorava velocidade e quando criança andava de kart apenas por diversão, mas aos 21 anos ele teve os primeiros contatos com corridas de verdade e usando a sua fortuna, Richmond foi galgando terreno até chegar à Indy em 1979. Apesar de ser aparentemente um pay-driver como sempre existiu no automobilismo, Tim Richmond demonstrava muito talento e o ponto culminante veio nas 500 Milhas de Indianápolis de 1980, quando ele foi o melhor novato da corrida e ainda ganhou uma carona do vencedor Johnny Rutherford após a corrida. Porém, um forte acidente em Michigan ainda em 1980 fez Tim abandonar a Indy e se mudar para a Nascar.
Naquele início dos anos 80, a Nascar era povoada por pilotos considerados durões, que usavam grandes chapéus e se comportavam como verdadeiros cowboys. Tim Richmond era completamente diferente do biotipo de um piloto da Nascar comum. Como falou uma jornalista no documentário, Tim Richmond era uma pessoa cosmopolita e a Nascar nunca teve um piloto cosmopolita. Bonito, carismático e brincalhão, Tim Richmond chegou até a atuar num filme em 1983, mas demorou a conquistar espaço da Nascar mesmo sendo reconhecidamente talentoso, só o fazendo quando foi contratado por Rick Hendrick em 1986. Numa equipe ascendente e ao lado de um chefe de mecânicos, Harry Hyde, competente e considerado da velha-guarda, Richmond começou a se destacar na então Winston Cup. Dale Earnhardt, cujo apelido Intimidador é bem explicativo, foi o campeão de 1986 da Nascar, mas teve em Tim Richmond um rival à altura e um verdadeiro antagonista, pois Dale Sr era exatamente o oposto de Richmond fora das pistas. Tim ganhou sete corridas em 1986, sendo o piloto que mais venceu na temporada, e mesmo ficando em terceiro lugar no campeonato, foi escolhido o piloto do ano. Contudo, havia algo de errado com Tim Richmond.
Mesmo vencendo corridas, Tim constantemente ficava doente e uma insistente tosse não o abandonava nem mesmo nas entrevistas. Havia boatos dentro da Nascar que um dos excessos fora das pistas de Tim Richmond poderia ser com drogas. Ainda no final de 1986, Richmond foi a um médico que o diagnosticou com Aids. Foi um choque para o piloto e sua família, mas Richmond resolveu permanecer com a doença em segredo e hoje, não se pode repreender a posição de Tim. Pouco se sabia sobre Aids e uma pessoa diagnosticada com a doença era imediatamente segregada pela sociedade, além de ser considerado homossexual pela visão estreita e sem conhecimento da época.
Vindo de uma temporada espetacular, a Nascar ficou chocada quando Tim Richmond anunciou que estava com pneumonia e por isso não participaria das 500 Milhas de Daytona de 1987, primeira etapa do ano e mais importante corrida da Nascar. Tim Richmond fez um emocionante retorno ainda em 1987 e logo em sua primeira corrida, em Pocono, Tim venceu e saiu dos carros aos prantos. Richmond venceria ainda em Riverside, mas logo a saúde de Richmond lhe trairia e ele tem abandonar novamente as corridas, reincidindo seu contrato com a equipe Hendrick. Haviam rumores dentro da Nascar de que a verdadeira doença de Tim Richmond fosse Aids, mas nada poderia se provado e o piloto negava isso. Nas 500 Milhas de Daytona de 1988, Richmond tentou outro retorno, mas a Nascar exigiu pela primeira vez um exame antidoping. Tomando vários remédios, Richmond é pego no exame e é suspenso pela Nascar, mas foi provado mais tarde que o exame havia sido mal feito e por isso o exame foi considerado inválido.
Porém, esse baque foi grande demais para Tim Richmond. Ele já estava morando na casa dos pais, na Florida, e ficou cada dia mais recluso à medida que a sua doença o consumia. Em meados de 1989, Tim Richmond foi internado num hospital e na Nascar, todos desejavam que Tim se recuperasse rapidamente de... sua queda numa moto! Porém, em 13 de agosto de 1989, Tim Richmond morreria aos 34 anos de idade. Poucos dias depois sua família anunciou que o real motivo da morte de Tim fora complicações devido a Aids. Houve uma polêmica de quando Tim Richmond fora infectado pelo vírus, mas saindo com várias mulheres ao mesmo tempo no auge de sua fama, a suspeita foi que o talentoso e promissor piloto tenha sido infectado numa dessas farras.
Uma triste história do automobilismo sem disputas na pista.
Quem estiver com o inglês afiado, segue abaixo o documentário na íntegra.
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