segunda-feira, 6 de julho de 2015

Figura(ING): Felipe Massa

Desde que saiu da Ferrari, a evolução do já experiente Felipe Massa é evidente e em Silverstone, o brasileiro da Williams fez sua melhor corrida desde a fatídica corrida em Interlagos/2008, quando perdeu o título da forma que todos sabemos. Enfrentando um piloto do naipe de Valtteri Bottas, dito por todos como um futuro campeão mundial, com o mesmo carro, Massa não vem abaixando a cabeça e no sábado, ficou novamente à frente do finlandês, largando em terceiro. O brasileiro tem larga vantagem sobre Bottas no placar do grid em 2015. Felipe Massa já tinha demonstrado em outras ocasiões ter a largada como um dos seus pontos fortes e nesse domingo, o brasileiro da Williams efetuou uma das melhores largadas do últimos tempos, quando tracionou maravilhosamente bem e deixou a primeira fila da Mercedes como se os carros prateados estivessem parados. Assumindo a ponta pela primeira vez em 2015, Massa se viu atacado por mais de vinte voltas por três pilotos mais jovens do que ele e com a vantagem de poder abrir a asa traseira móvel. Mesmo com Bottas claramente mais rápido do que ele, Felipe não teve muito trabalho em segurar o companheiro de equipe e mostrou a mesma solidez em que brigou pelo título em 2008. Mesmo perdendo a ponta quando Hamilton arriscou ao antecipar sua parada, Massa vinha num sólido segundo lugar e agora com pneus duros, abrindo uma leve vantagem sobre Bottas, que se virava em segurar Nico Rosberg. Tudo levava a crer que Felipe conseguiria o seu segundo pódio consecutivo. Então começou a chover...

Figurão(ING): Williams

... e a Williams estragou o seu melhor domingo em anos. Desde a parceria com a BMW que a Williams não liderava uma corrida com seus dois carros como nesse domingo em Silverstone. A ótima largada dos seus dois pilotos propiciou uma apertada luta com a Mercedes, onde os dominantes carros prateados não tiveram chance de atacar Felipe Massa e Valtteri Bottas nas primeiras voltas. Quando ambos estavam com pneus médios, houve uma falta de visão sistêmica da corrida por parte da Williams e seu engenheiro Rob Smedley quando Bottas, que vinha claramente mais rápido do que Massa, foi proibido de ultrapassar o companheiro de equipe, mas logo depois foi permitido ao finlandês ultrapassar, desde que fosse uma manobra 'limpa'. Ora, numa luta tão próxima como entre os dois pilotos da Williams, uma manobra de ultrapassagem seria tudo, menos limpa. Na verdade, seria muito suja! Porém, esse pequeno detalhe ficou como uma nota de rodapé devido aos erros posteriores da Williams. A primeira rodada de paradas, onde Hamilton arriscou e antecipou sua parada para aparecer em primeiro ainda é perdoável, mas após as primeiras gotas de chuva caírem dos céus acima de Silverstone, que colocou a Williams nesse lado da coluna. A demora em trazer seus dois carros para os boxes quando a chuva apertou fez tanto Massa, como Bottas perderem um tempo absurdo ao ficarem uma volta a mais na pista já molhada com pneus slicks, quando Hamilton, mais à frente, já tinha dado a dica da manobra correta. Com isso, Vettel assumiu o terceiro lugar de Massa e na pista molhada, ficou evidente a hidrofobia dos carros da Williams, com Felipe longe de atacar o alemão da Ferrari e Bottas sendo atacado no final pela Red Bull de Kvyat. Isso sem contar o trabalho de pit-stops da equipe, em média 1s mais lenta do que Williams e Ferrari. A Williams demonstrou hoje que tem condições de andar no mesmo embalo da Mercedes e até brigar por vitórias, mas erros operacionais ainda separam uma equipe campeã (Mercedes) de uma equipe que ainda luta chegar lá. Mesmo com tantos títulos e tradições, é hoje o caso da Williams.

Panca da semana

Nessa madrugada, a Nascar realizou a sua segunda prova em Daytona, atrasada pela chuva. Semana passada houve muita polêmica sobre a corrida da Indy em Fontana, quando os carros andaram muito agrupados e dois grandes acidentes aconteceram, mas sem feridos. Correr num pelotão compacto é a marca registrada da Nascar nos Superovais de Daytona e Talladega, mas quando há os toques nos stocks americanos, é uma batida porta com porta, muitas vezes sem maiores danos. Ao contrário do monoposto da Indy, quando um carro pode sair voando com trágicas consequências após um simples toque. Porém, mesmo na Nascar, fortíssimos acidentes podem acontecer quando um toque mal dado, correndo em grupo, acontece. Após a bandeirada desta madrugada, Austin Dillon sofreu um dos acidentes mais impressionantes dos últimos tempos da Nascar, por sorte, sem ferimentos. Se fosse na Indy, num carro bem menos robusto do que o da Nascar, nem quero imaginar o que poderia ter acontecido...


domingo, 5 de julho de 2015

Duas em uma

No espaço de uma hora e meia, tivemos praticamente duas corridas diferentes hoje, em Silverstone. Com pista seca, uma emocionante e surpreendente briga entre os dois pilotos de Williams e Mercedes dava o tom de uma corrida próxima e empolgante, com a Williams, literalmente, surpreendendo a todos ao ter um ritmo similar ao das dominantes Mercedes num dia de sol e sem muito calor na Inglaterra. Porém, o típico clima inglês se fez presente na segunda parte da corrida. Se a largada aconteceu com sol, nuvens negras no horizonte fazia crer que a chuva viria. E ela veio de leve, mas o suficiente para modificar totalmente a cara da prova, porém, o resultado foi o mesmo das outras corridas, com uma dobradinha da Mercedes, com Lewis Hamilton, para delírio do público que lotou as dependências de Silverstone, na frente. Contudo, mesmo com outra dobradinha da Mercedes, o Grande Prêmio da Inglaterra foi de longe a melhor corrida do ano.

A largada deu o tom das primeiras voltas da corrida. Os dois pilotos da Williams, na segunda fila, conseguiram uma largada estupenda e assumiram as duas primeiras posições, com Massa na frente. Bottas deu um mole inacreditável e foi ultrapassado por Hamilton ainda na primeira volta, mas um incidente na parte de trás do pelotão trouxe o safety-car para a pista. Na relargada, com toda a torcida a seu favor e com anseio para retomar logo a primeira posição, Hamilton atacou de forma agressiva Massa, mas o brasileiro da Williams se defendeu muito bem e Bottas aproveitou a pequena saída de pista de Lewis para assumir o segundo lugar, completando a dobradinha da Williams na ponta. A primeira depois de muitos anos. Era esperado um ataque direto dos dois carros da Mercedes em cima dos clientes da Williams, mas tanto Massa como Bottas conseguiram imprimir um ritmo forte a ponto de repelir os ataques Hamilton, enquanto Rosberg ficava na espera. Bottas parecia mais rápido do que Massa, mas Felipe não queria nem saber de 'alguém is faster than you' e segurou sua posição sem sustos. Hamilton queria a vitória para satisfazer seus fãs e se fosse fazer igual aos Williams, poderia ficar na posição que estava. A Mercedes antecipou a parada de Lewis e com pneus novos e pista livre, Hamilton passou os dois carros da Williams quando Massa e Bottas pararam nas voltas seguintes. Foi a primeira vez na corrida em que a Mercedes deu um banho estratégico na Williams. Contudo, Massa e Bottas ainda tinham um desesperado Nico Rosberg atrás e com pneus duros, Felipe conseguia abrir uma pequena vantagem sobre o companheiro de equipe, que segurava Nico sem muitos arroubos. Contudo, o tempo já tinha mudado. O sol deu lugar às nuvens negras se aproximando de Silverstone e a chuva era iminente. Primeiro, uma leve garoa, que fez alguns carros irem aos boxes colocar pneus intermediários. Os quatro primeiros ficaram na pista. Com um carro mais equilibrado que o da Williams, Rosberg ultrapassou Bottas com facilidade e não tomou conhecimento de Massa, quando a chuva diminuiu. De forma impressionante, o alemão vinha 2s mais rápido do que Hamilton quando a chuva voltou. E com mais força. Lewis foi mais rápido e entrou logo para os pits, colocando os pneus intermediários. Nico enfrentou a pista molhada por uma volta e quando voltou à pista com os pneus corretos, estava 9s atrás de Hamilton e muito na frente dos carros da Williams. A Mercedes estava com a dobradinha feita! Faltando poucas voltas para o final, Hamilton ainda aumentou sua vantagem para o companheiro de equipe e recebeu a bandeirada, já fazendo sol, com tranquilidade. Com cara de poucos amigos, pois sabe que perdeu uma boa chance nesse final de semana, Nico Rosberg completou a dobradinha da Mercedes, a mais difícil da equipe alemã nos últimos dois anos. A Mercedes mostrou hoje que além de ter construído o melhor carro, já tem cancha o suficiente para escolher as melhores estratégias para quando seus pilotos serem incomodados.

Me recordo nos anos da briga entre Damon Hill e Michael Schumacher, quando a Williams vivia se embananando toda na estratégia de corrida, sendo sempre superada por Schumacher mesmo tendo um carro melhor. Passados vinte anos, a Williams ainda não aprendeu a lição. A posição perdida por Hamilton ainda é perdoável, pois a Mercedes agiu rápido e surpreendeu a Williams, com Lewis fazendo o resto na pista. Porém, vendo Hamilton entrar nos boxes quando a chuva aumentou, era a senha para a Williams trazer seus dois carros, já bem espaçados, para os pits e garantir ao menos o pódio de Massa. Mas a Williams arriscou a mesma tática de Rosberg e acabou destruindo o melhor final de semana da Williams em muito tempo. Desde os tempos da parceria Williams-BMW  que o time inglês não liderava com seus dois carros uma corrida, ainda mais em condições normais e após a ótima largada dos seus dois pilotos, Massa e Bottas suportaram sem muitos problemas os ataques de Hamilton. Nesse caso, já faltou um pouco de tato da Williams, pois era nítido que Bottas tinha um ritmo melhor do que o de Massa com pneus médios, mas a equipe não promoveu uma troca de posição, mesmo que de forma polêmica, vide o passado recente de Massa. Porém, a Williams tinha praticamente um lugar no pódio na mão, com Massa muito bem com pneus duros e Bottas segurando Rosberg sem maiores problemas, mas quando a estratégia se fez importante na corrida, a equipe deixou seus carros uma volta a mais do que o nítido necessário e com um carro que desde o ano passado não anda bem com pista molhada, quem se deu bem foi Vettel. O alemão da Ferrari vinha fazendo uma corrida discretíssima, largando mal e caindo para nono. Para ganhar posições, a Ferrari mudou a estratégia e Raikkonen e Vettel assumiram as posições em que largaram, mas fatalmente teriam que fazer uma segunda parada, mas com a chuva, a estratégia de todos se igualou e Vettel aproveitou o vacilo da Williams para assumir um suado terceiro lugar. Raikkonen foi um dos primeiros a parar, ainda quando a chuva apareceu pela primeira vez, mas a parada se mostrou muito prematura a ponto de Kimi ter que parar novamente, pois os seus primeiros pneus intermediários estavam destruídos. Típico caso de de uma tática de tudo ou nada. E Raikkonen ficou com nada. Mesmo com esse pódio, a Ferrari teve um final de semana preocupante, pois não teve ritmo para ultrapassar a Force India de Nico Hulkenberg e ainda viu a Williams andar no mesmo ritmo da Mercedes, algo que a Ferrari só conseguiu em situações bem específicas durante a temporada.

Daniil Kvyat foi o melhor representante da trupe da Red Bull. E também o único sobrevivente, pois Ricciardo e Sainz abandonaram com problemas mecânicos e Verstappen rodou sozinho. Porém, o russo fez uma boa prova e chegou colado em Bottas, garantindo um bom sexto lugar. Quando abandonou, Ricciardo fazia uma corrida ruim, até mesmo longe de Kvyat. Ainda empolgado com a vitória em Le Mans, Hulkenberg fez uma ótima largada e ultrapassou as Ferraris para alcançar o quinto lugar, segurando os ataques de Raikkonen sem grandes problemas, mas quando a estratégia entrou em cena, o alemão, que costuma andar muito bem com pista molhada, acabou perdendo ritmo e acabou em sétimo, mas Hulk amealhou mais pontinhos em sua poupança. Sergio Pérez andou sempre entre os dez primeiros, marcando alguns pontos no final, mas o mexicano andou sempre longe do seu companheiro de equipe. Após um início de corrida desastroso, onde Alonso bateu em Button e tirou o inglês de sua corrida caseira, Fernando aproveitou o fato dos muitos abandonos para garantir o seu primeiro pontinho de 2015 e o primeiro também de sua volta à McLaren. O acidente que trouxe o safety-car para pista na primeira volta não ficou muito claro, mas três carros abandonaram, inclusive os dois carros da Lotus. Com Maldonado envolvido, tudo levar a crer... deixa pra lá! A Sauber teve um domingo tenebroso, com Felipe Nasr abandonando antes da largada, quando seu câmbio quebrou enquanto levava o seu carro para o grid. Ericsson tinha boas chances de pontuar e quando a pista esteve seca, ele estava entre os dez, mas quando a chuva veio, o sueco foi um dos primeiros a colocar pneus intermediários e de onze carros competitivos que receberam a bandeirada, Ericsson chegou... em 11º! Nada bom para o sueco, que chegou à frente dos dois carros da Manor, que com mais dois abandonos, poderiam marcar pontos. No rimo atual, só numa corrida como a de hoje, confusa, a Manor poderia marcar algum ponto.

Para quem reclamava da previsibilidade da F1, o Grande Prêmio da Inglaterra provou a magia das corridas, com uma prova cheia de alternativas e calando a boca de quem só se preocupa em criticar F1 e ficar babando categorias inferiores como a F-E. Talvez até por outros motivos que a gente só especula... No futuro, quando olharmos para a corrida de hoje e vermos outra dobradinha da Mercedes, poderemos pensar em outro passeio, mas o 1-2 da equipe tedesca foi a mais suada nos últimos dois anos. A Williams impressionou ao andar no mesmo ritmo da Mercedes e se não fosse a chuva, tão ansiada por muitos para dar uma agitada nas provas, poderia dar ainda mais trabalho para os alemães. Hamilton conseguiu sua ansiada vitória em casa, agradecendo os torcedores após a bandeirada e dando até zerinhos. Após a decepção na Áustria e a aproximação de Rosberg, Lewis Hamilton deu a resposta em casa e se estatística serve de alguma coisa, o inglês venceu em Silverstone nos anos em que foi campeão... 

sábado, 4 de julho de 2015

Que pena...

No dia em que o Chile comemorou sua primeira Copa América da história, foi feito um minuto de silêncio antes da parida final contra a Argentina em homenagem ao ex-piloto Carlo de Gavardo. Pioneiro do país em competições off-road de alto nível, Gavardo foi ao pódio em 2001 no Rally Dakar, ainda na África e o chileno participou da competição até 2010. Vítima de infarto fulminante aos 45 anos, Carlo de Gavardo não curtiu a bonita festa chilena em Santiago do Chile.

Na hora H

Um grande piloto consegue extrair o máximo do seu carro, até mesmo além dos limites (não da pista), nos momentos decisivos do final de semana. Hamilton vinha sendo superado por Nico Rosberg em praticamente todos os treinos desse final de semana em Silverstone, mas correndo em casa, o inglês da Mercedes deu a resposta ao rival no momento em que importava, conseguindo a sua 45º pole na carreira, se igualando a Vettel como o terceiro no ranking histórico da F1. 

Ao contrário das probabilidades, a chuva não deu as caras em Silverstone e a classificação se deu com tempo bom e pista seca. Porém, tão traiçoeiro como a chuva, estava a decisão dos comissários da corrida em punir pilotos que passassem dos limites de pista, particularmente na curva 9. Vários pilotos tiveram suas voltas anuladas ao passar as quatro rodas além desse limite na curva Copse, mas no final, o resultado não mudou muito do que foi visto no final de semana. O Q1 viu McLaren e Manor ficando pelo caminho, mas se serve de consolo para Alonso e Button, pelo menos eles andaram muito próximos do pelotão intermediário numa pista onde as características do McLaren-Honda não são muito favoráveis. Quem sobrou da turma do pelotão intermediário foi Felipe Nasr, sofrendo com a falta de desenvolvimento da Sauber, mas o pior foi ter sido superado por Marcus Ericsson, piloto sueco não muito conceituado dentro da F1, mesmo em sua segunda temporada.

O Q2 mostrou uma Lotus, mesmo com motor Mercedes, bem desequilibrada e com Maldonado tirando a paciência do seu engenheiro ao passar tanto dos limites da pista. Verstappen vinha andando bem nos treinos livres, mas o jovem holandês acabou superado novamente por Carlos Sainz, que foi ao Q3, enquanto Sérgio Pérez ficou pelo caminho com a nova versão da Force India, além de ter ficado bem atrás de um motivado Nico Hulkenberg. No Q3, a briga maior ficou pela apertada disputa entre os dois pilotos da Mercedes. Rosberg vinha na frente de Hamilton na maioria dos treinos, mas já na primeira tentativa, Lewis mostrou a reserva técnica que tem em suas habilidosas mãos e superou o companheiro de equipe por um décimo. Na segunda tentativa, nenhum dos carros prateados melhorou o seu tempo e Hamilton pôde comemorar mais uma pole. Um segundo atrás da F-Mercedes, a Williams sobrepujou a Ferrari e dominou a segunda fila, com Felipe Massa sendo um dos poucos a melhorar em sua segunda volta rápida e superou o altamente cotado Valtteri Bottas. Grande resultado para o brasileiro! A Ferrari ficou pelo caminho nesse meio de temporada e se antes tentava se aproximar da Mercedes, agora vê a Williams no seu cangote. Até mesmo na frente. Para diminuir o choro da Red Bull, ambos os carros passaram ao Q3, mas chama a atenção o fato de Kvyat estar superando com alguma constância Ricciardo. O australiano já está provando do remédio que deu em Vettel ano passado?

Numa disputa apertada como vem sendo essa dentro da Mercedes, esse algo a mais de Hamilton, principalmente na hora H, vem fazendo a diferença e o inglês terá a vantagem de largar na frente amanhã, mas não devemos esquecer que Rosberg vem de três vitórias nas últimas quatro corridas, sendo que na última, venceu na exata situação desse final de semana na Inglaterra, casa de Hamilton e com certeza Lewis fará de tudo para não ser derrotado em seu quintal. Uma disputa apertada e emocionante se aproxima amanhã!  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

História: 10 anos do Grande Prêmio da França de 2005

A França recebia a F1 mais alegre do que o normal. Desde os tempos de Alain Prost que os gauleses não lotavam as arquibancadas do inóspito circuito de Magny-Cours para torcer de verdade, mas a causa agora era a equipe Renault, que liderava o campeonato com Fernando Alonso. O enigmático presidente da Renault Carlos Gosh estava acompanhando a equipe, enquanto funcionários da Renault ocupavam uma arquibancada exclusiva no circuito. Porém, a F1 estava longe de estar em festa. Os eventos em Indianápolis ainda ecoavam por todos os cantos e uma entrevista coletiva improvisada foi realizada antes dos treinos, tendo a frente Bernie Ecclestone e os chefes de equipe que abandonaram a corrida americana por causa dos problemáticos pneus da Michelin. Um dos que menos bateram nos franceses foi justamente Flavio Briatore, da Renault. Falava-se que a Briatore havia conseguido os melhores pneus da Michelin para a Renault, numa sociedade 'francesa' contra a Bridgestone e a Ferrari. Porém, o outro usuário da Michelin, a McLaren de Kimi Raikkonen, era o maior adversário para Alonso e a Renault.

Em clara desvantagem no campeonato, a McLaren estreou uma nova especificação do motor Mercedes no carro de Raikkonen. Os prateados dominaram os treinos livres, inclusive com dobradinha entre Kimi e Montoya, mas o pouco testado motor de Raikkonen acabou estourando e de acordo com as regras da época, o finlandês teria que perder dez posições no grid. Pensam que a bagunça é de agora? Pressionado por correr em 'casa', Alonso marcou a pole numa classificação apertada, onde 1s separavam os nove primeiros colocados. O expert em classificações Jarno Trulli completou a primeira fila, ajudando sobremaneira Alonso e a Renault, pois com Raikkonen conseguindo o terceiro tempo, ele na verdade largaria em décimo terceiro. Com isso, quem subiria para terceiro era Michael Schumacher, que já demonstrava que a Ferrari não teria chance contra os carros com pneus Michelin. Porém, a quebra de Raikkonen foi um balde água fria na McLaren, que viu Montoya apenas em nono, mas numa época em que os carros largavam com o mesmo combustível que se classificaram, era esperado surpresas no domingo.

Grid:
1) Alonso (Renault) - 1:14.412
2) Trulli (Toyota) - 1:14.521
3) M.Schumacher (Ferrari) - 1:14.572
4) Sato (BAR) - 1:14.655
5) Barrichello (Ferrari) - 1:14.832
6) Fisichella (Renault) - 1:14.887
7) Button (BAR) - 1:15.051
8) Montoya (McLaren) - 1:15.406
9) Massa (Sauber) - 1:15.566
10) Villeneuve (Sauber) - 1:15.699

O dia 3 de julho de 2005 estava quente e ensolarado na região de Nevers, local onde estava o distante e pouco popular circuito de Magny-Cours. Impopular entre os pilotos, devido ao circuito sinuoso e com raras chances de ultrapassagens, e também de público, pois o autódromo francês fica num lugar pouco populoso na França, mas com a Renault muito bem no campeonato, o tradicional circuito recebeu um ótimo público, que aproveitava para curtir o início do verão europeu. A largada se deu sem maiores sustos, apenas com Christian Klien abandonando praticamente no início da prova, com problemas mecânicos em seu Red Bull. Mesmo sofrendo ataques de Schumacher, Trulli manteve a segunda posição, Barrichello ultrapassa Sato e sobe para quarto e os dois carros da McLaren conseguem ganhar uma posição cada. 

Enquanto Trulli segurava com unhas e dentes a segunda posição, Alonso disparava na frente, abrindo 3s em três voltas, demonstrando a diferença de ritmo entre e o italiano da Toyota. Raikkonen sobe para 10º ao ultrapassar um desequilibrado Williams de Mark Webber, mas encontra um resistente Felipe Massa da Sauber lhe segurando insistentemente, arruindo, naquele momento, a corrida de recuperação de Kimi. A boa posição de Takuma Sato é explicada quando o japonês é o primeiro a ir aos boxes, demonstrando estar numa estratégia de três paradas, quando a maior parte do pelotão pararia duas vezes. Para sorte de Raikkonen, dos pilotos que fariam dois pit-stops, Massa foi um dos que primeiro foram aos boxes, abrindo caminho para o finlandês da McLaren. Trulli e Schumacher foram aos boxes juntos na primeira rodada de paradas e a maior experiência da Ferrari acabou pagando, fazendo com que o alemão saísse na frente do italiano para ganhar a posição dele no trabalho de pit. Fisichella faz sua parada, mas um problema na mangueira de combustível fez com que o italiano perdesse muito tempo. Alonso fez sua primeira parada na volta 20. Desta vez sem problemas para a equipe Renault e o espanhol voltou a pista ainda em primeiro.

Claramente numa estratégia de duas paradas, explicando a não tão boa classificação, os dois carros da McLaren postergaram ao máximo suas primeiras paradas, com Montoya andando em segundo, com Raikkonen logo atrás. Kimi fazia as voltas mais rápidas da corrida, com JP também num bom ritmo. O colombiano fez sua parada na volta 25 e suas voltas rápidas tinham valido à pena, com Montoya retornando à frente de Schumacher, em terceiro. Restava Raikkonen. O finlandês da McLaren voava no circuito de Magny-Cours e quando finalmente entrou nos boxes na volta 28, o trabalho perfeito da McLaren, somado ao ritmo avassalador do finlandês, permitiu Raikkonen retornar à corrida em segundo, um pouco à frente de Montoya. O ritmo de Raikkonen mostrava que ele tinha totais condições de brigar pela vitória com Alonso, mas o espanhol estava, nesse momento, muito na frente para uma briga mais direta entre os dois contendores pelo título. Mais atrás, Sato aprontava das suas e já tinha dois toques (Barrichello e Trulli) em seu histórico na corrida, em ultrapassagens agressivas e atabalhoadas no hairpin Adelaide e com isso, Sato, que precisava marcar pontos urgentemente, caía para décimo. Péssima temporada do japonês, mas pelo menos o entretenimento da corrida ainda estava lá!

Quem não se divertia em 2005 era Montoya. Controlando com facilidade Schumacher, o colombiano acaba tendo que abandonar a corrida na volta 46, com problemas hidráulicos. Mais uma amostra de que a McLaren tinha, sem sombra de dúvidas, o melhor carro do ano, mas ainda restava melhorar a confiabilidade. Com Raikkonen em segundo e claramente numa estratégia de duas paradas, a Renault age rapidamente e faz com Alonso pare somente duas vezes. Com 14s de vantagem, o espanhol faz sua parada tranquilamente, o mesmo fazendo Raikkonen e Schumacher. Na segunda rodada de paradas, de destaque apenas Button superar Trulli quando o inglês da BAR ficou uma volta a mais do que o rival da Toyota, assumindo o quarto lugar. Após Sato dar outra escapada na hairpin Adelaide e se despedir definitivamente de qualquer chance de marcar pontos, o destaque ficava pelo abandono de Nick Heidfeld, declarando que seu Williams-BMW estava inguiável. A intriga entre as duas parceiras causavam danos no desempenho da Williams e estava claro que uma separação estava a caminho. No início do último stint, Alonso tinha 17s de vantagem sobre Raikkonen e se manteve em primeiro até a bandeirada, se tornando o primeiro piloto da Renault a vencer na França desde Alain Prost em 1983. Raikkonen via a diferença do campeonato aumentar mais dois pontos, mas pela posição em que largou, Kimi podia comemorar o controle de danos do que poderia ser um resultado ainda pior. Schumacher ia para o pódio após sua vitória bizarra nos Estados Unidos com um gosto meio amargo, pois o alemão foi o último na mesma volta dos líderes, mais de um minuto atrás de Alonso e Raikkonen. Em 2005, a Ferrari não tinha ritmo para emparelhar com Renault e McLaren. E nem a Bridgestone poderia encarar a Michelin. Era a quinta vitória de Alonso na temporada e tudo levava a crer que o campeonato estava indo para as habilidosas mãos do espanhol.

Chegada:
1) Alonso
2) Trulli
3) M.Schumacher
4) Button
5) Trulli
6) Fisichella
7) R.Schumacher
8) Villeneuve