sábado, 28 de novembro de 2015

Mega Sena

Muito do campeonato de 2015 ter sido tão modorrento foi por causa do desempenho abaixo do ano passado de Nico Rosberg. O alemão não tem a mesma velocidade de Lewis Hamilton, mas mostrou ser capaz de incomodar, e muito, o seu companheiro de equipe na Mercedes, equipe dominante no momento. Por algum motivo que vai de novos ajustes do carro Mercedes a um natural relaxamento de Hamilton após o título consolidado, Nico Rosberg começou uma incrível sequência que faz lembrar seus bons momentos no ano passado e hoje, o alemão da Mercedes conseguiu sua sexta pole consecutiva, com uma boa margem para Hamilton. E isso, com Rosberg utilizando um motor mais velho e com mais quilometragem do que o companheiro!

O treino teve como surpresa a falha estratégica da Ferrari no Q1, que deixou Vettel nos boxes com pneus macios, enquanto os demais dezessete pilotos (as Mercedes se garantiram com os pneus que estivessem a disposição...) estavam com pneus supermacios na pista. O resultado foi uma surpreendente eliminação do alemão, que largará bem mais atrás do que o normal, abrindo caminho para uma fácil dobradinha da Mercedes no domingo. Raikkonen ainda salvou a honra da Ferrari com uma terceira colocação, um pouco à frente do também surpreendente Sergio Pérez, num ótimo final de semana com a Force India. A McLaren conseguiu um bom resultado com Button em 12º. Hoje em dia, 12º é ótimo para a McLaren...

No Q3, mesmo com Hamilton tendo a disposição um motor mais evoluído e com menos quilômetros, Rosberg meteu quatro décimos em Lewis, garantindo a sua sexta pole consecutiva, um resultado que demonstra que Nico parece ter acordado de uma profunda letargia. Se vencer amanhã, Nico Rosberg poderá começar 2016 mais motivado e com chances de igualar o campeonato de 2014, que mesmo com o domínio avassalador da Mercedes, foi bem mais animado do que o desse ano. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Volta por cima

Americanos adoram ler e assistir histórias de grandes viradas, de uma grande volta por cima dado por um determinado personagem. Em 2015, a Nascar proporcionou uma dessas histórias com o inesperado título de Kyle Busch neste domingo. Considerado uma das grandes revelações desse século nas pistas americanas, mas também dono de uma personalidade controversa, Kyle Busch começou o ano da pior forma possível, ao quebrar uma perna e um pé após fortíssimo acidente numa corrida da Xfinity Series em Daytona. Já contando com 30 anos de idade e já sendo considerado uma eterna promessa, parecia que Kyle não calaria a boca dos seus muitos críticos em 2015. Parecia. Num retorno espetacular, Kyle Busch conseguiu seu primeiro título na Nascar Sprint Cup com a vitória de ontem em Homestead, lavando a alma dos seus muitos fãs, além de colocar um definitivo cala boca em seus muitos críticos.

Kyle Busch está longe de ser considerado um piloto popular na Nascar e sua ficha corrida em acidentes propositais, brigas após corridas e desafetos é enorme. Assim como também é enorme o talento desse piloto que começou muito jovem na Nascar, à sombra do seu irmão mais velho Kurt Busch, campeão da Nascar em 2004. Porém, o psicológico de Kyle sempre o atrapalhou nos momentos decisivos, principalmente com a aberração dos Play-Offs da Nascar. Em 2009, Kyle foi o melhor piloto da Sprint Cup, venceu oito provas, mas nas dez corridas finais, 'Buschinho', como é conhecido por aqui, acabou sucumbindo à pressão e foi derrotado por Jimmie Johnson. O tempo foi passando e a necessária maturidade parecia nunca vir para Kyle, enquanto outros pilotos de sua geração, como Brad Keselowski, já tinham um título para contar.

Piloto principal da Joe Gibbs, Kyle começou 2015 da pior forma possível. Busch sempre correu na Xfinity Series, a segunda divisão da Nascar, se tornando, inclusive, o piloto com maior número de vitórias da história do campeonato. Em Daytona, primeira etapa do ano, Kyle se envolveu num fortíssimo acidente nas últimas voltas, quando seu carro se espatifou num muro sem 'soft-wall'. O resultado foi uma perna quebrada e um pé fraturado. E vários meses longe da pista. O sonho do primeiro título parecia adiado, mas ainda em maio Kyle Busch voltou às pistas e sua recuperação foi relâmpago, vencendo quatro corridas em cinco, garantindo uma vaga no famigerado Play-Off da Nascar, a cada ano mais apapagaiado. Antigo fantasma de Busch, essa fase não o amedrontou e na base da regularidade, o piloto da Gibbs chegou à última etapa entre os quatro que correriam pelo título. Lenda viva da Nascar e se despedindo das pistas, Jeff Gordon não tinha muitas chances, o mesmo ocorrendo com Martin Truex Jr. O grande rival de Busch seria mesmo Kevin Harvick, atual campeão da Sprint Cup. 

Logo na definição do grid, Kyle Busch deu seu recado ao ser o melhor colocado entre os quatro postulantes ao ser terceiro no grid. Durante a corrida, que foi atrasada pela chuva, Kyle Busch sempre andou no top-5, marcando Harvick em cima. Na última bandeira amarela (bem mandrake, por sinal...), Kyle Busch estava em segundo, com Harvick em quarto. Os dois relargaram muito bem e tomaram as duas primeiras posições, mas Harvick acabou cometendo um pequeno erro que deu a tranquilidade necessária para Kyle Busch vencer e se tornar campeão pela primeira vez da Sprint Cup, formando com seu irmão Kurt outra dupla de irmãos campeões da Nascar.

No dia em que Jeff Gordon se aposentou, Kyle Busch tem o talento suficiente para se tornar, quem sabe, um multi-campeão no futuro. Afinal, a maturidade, após uma temporada dura, finalmente pareceu ter chegado. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fim de uma era

Após dezesseis anos de uma casamento glorioso, em todo tipo de terreno, Sebastien Loeb e Citröen não são mais contratado e contratante. Ainda em 1999 Loeb entrou na equipe Citröen, que se movimentava para voltar ao WRC como equipe oficial e logo o jovem francês começou a se destacar a ponto de, quando a Citröen contratou os badalados Carlos Sainz e Colin McRae em 2003, foi Loeb que liderou a equipe francesa contra a Subaru de Petter Solberg. Loeb foi derrotado pelo simpático norueguês na ocasião, mas essa seria a última. Pelos próximos nove anos, Loeb dominou o o WRC de uma forma nunca antes vista, se tornando, sem muita dúvida, o maior piloto da história do WRC e uma lenda do esporte a motor, criando até algumas dúvidas do que Loeb poderia fazer em outras categorias, como a F1. O último título de Loeb em 2012 foi uma espécia de turning point para a Citröen. De dominante, a montadora francesa passou a ser dominada pela VW e, o que é pior, pelo o que seria o sucessor de Loeb, Sebastien Ogier. Por sinal, Loeb e Ogier não tiveram as melhores das relações quando compartilharam o mesmo teto.

Loeb saiu do WRC para o WTCC, com a Citröen se tornando a equipe dominadora do Campeonato Mundial de Turismo, mas Loeb, mesmo conseguindo algumas vitórias, ficou sempre à sombra dos seus dois companheiros de equipe, Pechito López e Yvan Müller. Com a Citröen diminuindo seus investimentos no esporte a motor (inclusive uma segunda saída do WRC), Loeb saiu pela porta da frente da Citröen, agora se tornando piloto da Peugeot no novo projeto no Rally Dakar. Foi uma carreira impressionante, com uma incrível pitada de lealdade entre Sebastien Loeb e Citröen, mas que acabou no dia de hoje.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Figura(BRA): Fernando Alonso

Esse insosso Grande Prêmio do Brasil de 2015 ficará marcado pela zoeira. Para entrar no clima, Fernando Alonso merece estar nessa parte da coluna, da mesma forma como subiu a um pódio fake com Jenson Button no sábado: só para zoar. E se uma imagem vale mais do que mil palavras, a foto abaixo é bem explicativa por Alonso estar aqui.

Figurão(BRA): Felipe Massa

Se tem uma pista do calendário atual da F1 no qual Felipe Massa sempre andou bem, essa é Interlagos. O brasileiro sempre utilizou o fator casa muito bem e com duas vitórias, aliado a ótimos resultados, Massa tem um ótimo cartel em Interlagos. Até esse ano. Felipe Massa nunca conseguiu acertar seu Williams na pista paulistana durante o final de semana inteiro e mesmo 'revirando o carro de cabeça para baixo', como o próprio piloto brasileiro comentou, nada foi encontrado para Massa ter um desempenho, pelo menos, parecido com o que já conquistou em São Paulo. E para piorar, seu companheiro de equipe na Williams Valtteri Bottas não sofria de nenhuma mazela do qual Massa tanto reclamou e fez o papel que cabe a Williams em 2015: ser a terceira força. Superado por Bottas com folga na classificação, Massa teve uma corrida burocrática no domingo, onde não atacou, assim como também não foi atacado, permanecendo na mesma oitava posição em que largou, porém, após a corrida, como que um golpe de misericórdia no péssimo final de semana de Felipe Massa em casa, o brasileiro da Williams acabou desclassificado por mero 0,1 psi abaixo do permitido em um dos seus pneus, fazendo com que Massa saísse de Interlagos com as mãos abanando. E também com seu pior desempenho na pista de sua casa!

domingo, 15 de novembro de 2015

Bocejo

Foram duas corridas seguidas com um público animado e com arquibancadas lotadas em países latino-americanos. E novamente as coisas fora da pista estavam mais quentes fora do que dentro dela. Foi outra corrida sem graça e morna, onde as posições foram definidas logo após a largada e Nico Rosberg mais uma vez dominou Lewis Hamilton, que tentou em algumas estocadas realizar o sonho de vencer em Interlagos, mas o alemão sequer fez manobras defensivas para manter a ponta. Pela nona vez em 2015, Sebastian Vettel completou o pódio após domínio da Mercedes, numa corrida previsível, onde o desgaste dos pneus foi dentro do esperado e a chuva só ficou na ameaça do céu carrancudo.

Nem a magia de Interlagos foi capaz de dar um molho para a penúltima etapa de 2015 da F1. Hoje a corrida foi tão sem graça quanto na Cidade do México. Nico Rosberg largou bem e na primeira curva, espalhou para cima de Hamilton, indicando ao inglês que não daria qualquer colher de chá. A partir de então, os carros da Mercedes desapareceram frente aos demais, tanto que apenas a Ferrari não tomou volta dos bólidos prateados. O quinto colocado Bottas chegou com uma volta de desvantagem. Restava ver se Hamilton teria forças para dar o bote em cima de Rosberg. E Lewis tentou. O inglês fez voltas agressivas quando os seu pneus permitiram, abrindo a asa móvel algumas vezes e ficando a meio segundo do companheiro de equipe, mas Rosberg esteve impecável hoje, não dando chance a Hamilton sequer colocar de lado na disputa pela primeira posição. Quando os pneus se desgastavam, Lewis perdia rendimento e foi assim que a corrida terminou, com Nico Rosberg tomando fôlego na reta final da temporada com duas vitórias seguidas em cima de Hamilton e garantindo o vice-campeonato. Para Hamilton, que idolatra de forma exagerada, na minha opinião, Senna, ficou o gostinho de outro ano sem vencer nos domínios do seu ídolo e também a certeza de que, se ir para muitas festas e dar uma vacilada em 2016, Rosberg pode muito bem assumir as rédeas da equipe Mercedes.

Vettel ainda tentou fazer um diferente ao colocar pneus macios no meio da corrida e marcar a volta mais rápida, mas o alemão nunca teve reais condições de partir para cima das Mercedes e, grande novidade, ficou mais uma vez em terceiro, posição em que Vettel já conhece de cor e salteado em 2015. Raikkonen fez uma corrida discreta, onde também tentou fazer diferente ao parar duas vezes, mas o finlandês manteve a quarta posição. Os quatro primeiros colocados do Grande Prêmio do Brasil de 2015 terminaram da mesma forma em que largaram e que fecharam a primeira volta. Dando a clara indicação do quão 'movimentada' foi a prova de hoje. Bottas conseguiu uma largada sensacional, pulando de sétimo para quinto e ficou a corrida inteira nessa posição, numa prova solitária, mas seu companheiro de equipe Felipe Massa saiu frustrado da corrida, pois o brasileiro não conseguiu se acertar numa pista onde sempre andou bem e na oitava posição em que largou, Felipe terminou. Seu xará Nasr tentou a estratégia de duas paradas e o brasiliense chegou a andar em nono, mas com pneus mais desgastados foi caindo pelotão abaixo nas voltas finais e acabou longe da sonhada zona de pontuação. Hulkenberg e Kvyat foram ultrapassados por Bottas na largada e mantiveram suas posições até a bandeirada, onde ambos andaram perto ou longe em determinados momentos da corrida, mas sem maiores ameaças de ultrapassagem. Correndo de luto pelos atentados terroristas de sexta-feira, Grosjean conseguiu marcar dois pontinhos e a Lotus perdeu a chance de ter dois pilotos nos pontos quando Maldonado foi ultrapassado no final da prova por Verstappen. O holandês fez outra corrida consistente, fez uma bela ultrapassagem sobre Pérez, muito abaixo do companheiro de equipe em Interlagos hoje, e Verstappen marcou um pontinho, enquanto Sainz foi o único abandono do dia ainda na primeira volta, quando o espanhol mal dar a volta de alinhamento. Saindo lá de trás, Ricciardo chegou próximo dos pontos e ultrapassou o duo da McLaren-Honda, em outro final de semana esquecível para a promissora parceira. Ericsson foi vítima de Maldonado e os dois carros da Manor deram passagem para os rivais, como sempre.

Não foi uma corrida animadora em Interlagos, palco de disputas fenomenais em outros tempos. Havia até uma esperança de chuva, mas o tempo nublado só ficou na ameaça. Era a única forma de travar a monotonia vista dentro da pista. Não podemos falar mal da Mercedes ou de Nico Rosberg. Ao contrário, temos que parabenizá-los. Ninguém tem culpa de ser mais competente do que os demais. Porém, a F1 parece terminar como em 2002, quando uma temporada enfadonha pelo domínio ferrarista terminou com verdadeiros passeios vermelhos nas últimas etapas e a última imagem que ficou naqueles dias é que a F1 estava chata demais. E isso está se repetindo treze anos depois. Se serve de consolo para 2016, é que 2003 foi uma das melhores temporadas desse milênio!

sábado, 14 de novembro de 2015

Mão espalmada

Apesar da polêmica do assunto, pois o tema é bem delicado aqui no Brasil, acho um exagero enorme a fixação que Lewis Hamilton tem por Ayrton Senna. Nenhum piloto brasileiro tem ou teve tanta obsessão pelo tricampeão que se foi em 1994, como tem Hamilton. Por essa idolatria, ao meu ver exagerada, por Senna, é muito importante para Hamilton vencer em Interlagos, lar espiritual de Senna nos seus tempos na F1, além de estar localizada na cidade natal do brasileiro. Ano passado Nico Rosberg engrossou as coisas para Hamilton muito pela sua ótima performance na classificação, onde o alemão conseguia se manter na ponta e num ritmo equilibrado com o companheiro de equipe, Rosberg conseguia emparelhar as coisas com Hamilton, bem mais talentoso do que ele. Hamilton precisava de uma pole para tentar barrar a boa fase de Rosberg em São Paulo, que venceu com sobras no México. Precisava. Num momento impressionante, Nico Rosberg conseguiu a quinta pole consecutiva em 2015, mostrando que deverá ser um páreo duro para Hamilton amanhã.

A Mercedes dominou desde os treinos livres com sobras e por isso, era nítido que Hamilton e Rosberg brigariam, como fizeram na maior parte de 2015, pela pole em Interlagos. Andando meio segundo mais rápido do que os demais, os carros prateados dominaram todas as sessões, com Hamilton conseguindo um leve predomínio no sábado e nas primeiras partes da classificação, mas Rosberg deu o bote na hora certa (Q3) e ficou com a pole por muito pouco. Completando a cena habitual, Vettel ficou em terceiro, sendo, novamente, o melhor do resto. Bottas largaria em quarto, numa ótima classificação do finlandês, mas o piloto da Williams foi punido e largará em sétimo, cedendo seu lugar para o compatriota e rival Raikkonen, numa segunda fila toda da Ferrari. Mais atrás, numa confusão caseira, Felipe Nasr atrapalhou uma volta do xará Massa, que reclamou bastante. Por sinal, Massa tinha muito do que reclamar, pois em casa, não conseguiu se igualar ao ritmo de Bottas, mas ainda assim dificilmente os dois brasileiros terão um clima nada amistoso como há entre os seus companheiros de equipe finlandeses.

Num final de semana triste pelos atentados em Paris, houve espaço para galhofa, com Fernando Alonso tomando um bronzeado após outra quebra de sua McLaren, e com a veterana dupla do time de Woking dando uma de moleques e aparecerem no pódio de surpresa. Só assim mesmo para Alonso e Button se divertirem na McLaren atualmente...

O que não está muito divertido é o clima dentro da Mercedes. Hamilton desdenhou da quinta pole de Rosberg, dizendo que já tem o título, que é mais importante. Mesmo com tudo praticamente decidido na F1, essa animosidade toda dentro da Mercedes pode animar a corrida de amanhã e a última, em ABu Dhabi. Isso sem contar o imprevisível clima em São Paulo...