domingo, 25 de junho de 2017

Sem sossego

Faltando seis voltas para o fim do Grande Prêmio da Holanda da MotoGP, a vitória de Valentino Rossi estava bem encaminhada, com Petrucci, Márquez e o pole Zarco brigando pela segunda posição, com vantagem para o piloto da Ducati, enquanto o novo líder Andrea Doviziozo estava isolado em quinto, mas andando mais rápido que os pilotos da frente. Porém, uma bandeira branca mostrada no final da reta dos boxes mudou tudo e transformou as últimas voltas do TT Holandês nas mais insanas dos últimos tempos, porém Rossi usou sua experiência para derrotar seu compatriota e atrevido Petrucci para voltar a vencer quase um ano depois do seu último triunfo e com a queda de Maverick Viñales, entrar com tudo na briga pelo título de um campeonato ainda melhor e imprevisível do que ano passado.

Assen, a Catedral do Motociclismo, é como Spa para a F1 no quesito clima. De uma hora para outra a chuva aparece e pode estragar ou melhorar a corrida de alguém num piscar de olhos. Com pista seca, o pole Zarco se manteve na ponta e logo um quarteto liderava a corrida, com o francês liderando Márquez, Rossi e Petrucci. Mais atrás, Viñales se recuperava de sua péssima classificação e chegava no vice-líder Andrea Doviziozo, com ambos cercados por várias Ducatis satélites. Lá na frente, Rossi subia em uma de suas pistas favoritas e ultrapassava Márquez e Zarco, este com direito a toque, assumindo a liderança e para melhorar ainda mais sua situação, Petrucci cresceu e assumiu a segunda posição, garantindo um escudo para Valentino dos ataques de Márquez. Mais atrás, correndo em quinto, Viñales dava um gosto especial ao campeonato quando caiu sozinho na chicane, num acidente muito perigoso e por muito pouco não foi atingido por Doviziozo, que assumia a ponta do campeonato.

Rossi já abria da briga entre Petrucci e Márquez, enquanto Zarco e seus pneus macios caía e já via Doviziozo menos de 2s atrás. Então veio a chuva. Fraca e em alguns pontos da pista, mas o suficiente para mudar tudo. Sempre pensando diferente, Zarco imediatamente foi aos boxes trocar de moto no que foi um movimente equivocado, pois a chuva nunca seria forte o suficiente para molhar definitivamente a pista. Se estava 2s atrás de Zarco, Doviziozo começou a voar e ultrapassou Márquez e Petrucci, se aproximando de sua terceira vitória consecutiva ao tentar ultrapassar Rossi, mas o veterano piloto da Yamaha se segurou na pista que mais gosta no calendário e talvez pensando no campeonato, Andrea tirou a mão, fazendo que Petrucci, especialista em pista molhada, fosse para cima e atacasse Rossi numa briga forte e de tirar o fôlego numa pista com pouca aderência. No fim, ajudado pelo retardatário Alex Rins na última volta, Rossi recebeu a bandeirada em primeiro e entrava na briga pelo campeonato. Petrucci mostrava o seu crescimento e com a moto Ducati de 2017, já anda constantemente na frente dos pilotos de fábrica, inclusive colocando uma volta de Lorenzo, que se deu mal ao também trocar de moto. Mais atrás, Cal Cruthlow usou sua experiência em piso sem aderência que tinha na Inglaterra e tirou 2s para a briga entre Márquez e Doviziozo e chegou a assumir o terceiro lugar, mas Márquez usou sua agressividade para garantir um lugar no pódio e seu lugar na briga pelo título.

Doviziozo, Viñales, Rossi e Márquez estão separados por apenas onze pontos no campeonato onde tudo parece favorecer para que tudo fique emocionante em cada corrida. A queda de Viñales deu um sabor especial à briga pelo título, além da força da Ducati de Doviziozo, a agressividade indomável de Márquez e a magia de Valentino Rossi, que comemorou bastante sua incrível 115º vitória na carreira. Um campeonato com corridas onde todos os pilotos tem que andar no limite e que deverá ser outro que entrará na história do Mundial de MotoGP.  

sábado, 24 de junho de 2017

Como nos bons tempos

Numa reta absurda em Baku, a Mercedes reviveu seus áureos tempos dos últimos três anos e conseguiu uma fácil dobradinha com Lewis Hamilton se isolando como o segundo piloto com mais poles na história, apenas contando para superar Michael Schumacher até mesmo nesse verão europeu. Para melhorar ainda mais o humor do britânico, a Ferrari tomou 1s dos carros prateados e seu maior rival, Vettel, nem foi para a foto dos três primeiros colocados, superado por Kimi Raikkonen.

A classificação em Baku foi totalmente dentro das expectativas. O quase demissionário Jolyon Palmer nem participou do treino, pois quebrou o motor no TL3 e pela forma que vem guiando, não seria impossível que o inglês nem participe mais de outras qualificações esse ano. A McLaren-Honda sofreu com a grande reta e a falta de potência, mas Alonso quase faz outro milagre e ficou bem próximo de participar do Q2, que contou com a presença de Pascal Wehrlein, dando uma resposta à própria equipe de quem é piloto bom da Sauber. E definitivamente não é Marcus Ericsson. Desde o começo as equipes com motor Mercedes se destacaram e sem surpresas, Williams e Force India foram ao Q3, fazendo companhia ao trio de ferro Mercedes, Ferrari e Red Bull.

O time austríaco mostrou força na sexta-feira, mas a falta de potência do motor Renault fez com que o time ficasse na tradicional terceira fila, desta vez sozinho com Max Verstappen, já que Daniel Ricciardo bateu. Na Williams o destaque ficou com o bom treino de Lance Stroll, que pela primeira vez na F1 superou um companheiro de equipe. Massa trabalhou com um carro com pouca asa e por várias vezes esteve perto de bater. A Ferrari parecia perdida no final de semana, não raro chegando a ficar atrás de Red Bull ou Force India, mas na tentativa final de seus pilotos, a Ferrari pulou para a segunda fila, com Raikkonen novamente à frente de um apagado Sebastian Vettel.

A bandeira vermelha causada por Ricciardo deu um pequeno suspense no Q3, pois Bottas liderava, já que Hamilton havia errado na última curva de sua tentativa. Mesmo com a dificuldade em aquecer os pneus, os pilotos da Mercedes destroçaram a concorrência, com Hamilton sendo o único a andar na casa de 1:40 e metendo quase meio segundo em Bottas. Mesmo a Ferrari se destacando mais em ritmo de corrida, será muito difícil os italianos conseguirem superar uma Mercedes tão forte como no Azerbaijão. Numa pista tão traiçoeira, a esperança é que não se repita a chatice do ano passado.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

História: 15 anos do Grande Prêmio da Europa de 2002

Após vencer com facilidade em Montreal, numa pista em que teoricamente a Williams andaria melhor, a Ferrari começava a mostrar que 2002 seria um ano de extremo domínio e no renovado circuito de Nürburgring, onde Michael Schumacher havia vencido nos dois últimos anos, o time italiano era ainda mais favorito. A curva um de Nürburgring foi totalmente modificada, saindo a larga chicane e entrando uma série de curvas, trazendo mais segurança e tentando aumentar as ultrapassagens na curva um. A corrida por mais ultrapassagens era antiga... 

A Williams tinha um pacote de treino dominante quinze anos atrás e foi com ele que Juan Pablo Montoya conquistou sua terceira pole consecutiva e quarta na temporada, com Ralf Schumacher muito próximo do colombiano. Michael Schumacher dominou os treinos livres, mas teve que se conformar com a terceira posição, após ter feito as duas melhores parciais em sua última tentativa, mas falhando no setor final. Rubens Barrichello ficou num distante quarto lugar, logo à frente da dupla da McLaren. Numa temporada dominada pelo trio de ferro Ferrari, Williams e McLaren, Jarno Trulli era o sétimo colocado já mais de 1s atrás do pole. A Michelin colocou sete carros entre os dez primeiros, enquanto a Williams conquistava sua primeira dobradinha no grid no ano, mas ficava a dúvida quanto ao ritmo de corrida do time inglês.

Grid:
1) Montoya (Williams) - 1:29.906
2) R.Schumacher (Williams) - 1:29.915
3) M.Schumacher (Ferrari) - 1:30.035
4) Barrichello (Ferrari) - 1:30.387
5) Coulthard (McLaren) - 1:30.550
6) Raikkonen (McLaren) - 1:30.591
7) Trulli (Renault) - 1:30.927
8) Button (Renault) - 1:31.136
9) Heidfeld (Sauber) - 1:31.211
10) Salo (Toyota) - 1:31.389

O dia 23 de junho de 2002 amanheceu ensolarado e com calor em Nürburgring, num clima que parecia ser mais adequado aos usuários da Michelin. Em tempos de Copa do Mundo, havia muitas camisas de seleções no paddock, principalmente com Barrichello e Massa usando a canarinho. Nas arquibancadas, a torcida alemão parecia mais confiante na pista do que nos campos da Coreia e do Japão e quando Ralf Schumacher largou melhor do que seu companheiro de equipe, parecia que um alemão venceria de qualquer maneira em casa, mas mais importante na corrida foi Rubens Barrichello deixando Schumacher para trás. No final do pelotão, Fisichella rodava em seu centésimo Grande Prêmio.

Ainda com os acontecimentos de Zeltweg frescos na memória, Rubens Barrichello resolveu mostrar que estava pronto para voltar a vencer e partiu com tudo para cima dos pilotos da Williams. Ainda na primeira volta ultrapassou Montoya e na abertura da segunda volta, assumiu a liderança ao deixar Ralf para trás, numa impressionante primeira volta. Mais atrás Schumacher Sr passava Montoya para ficar em terceiro denunciando o rendimento apenas mediano da Williams em ritmo de corrida. Logo a Ferrari estava correndo em dobradinha, com Barrichello na frente, mas o brasileiro teve a sorte de ver Michael cometer um raro erro enquanto forçava para cima do brasileiro antes da primeira parada de ambos e rodou, perdendo aproximadamente 10s, mas ainda permanecendo em segundo. 

Os pilotos de Williams e McLaren passaram a correr contra si, ficando longe da Ferrari. Os quatro pilotos iriam para uma tática de uma parada e quando Montoya passou a enfrentar problemas com seus pneus, ele foi atacado por Coulthard. O escocês tentou ultrapassar na curva um, Montoya forçou e acabou rodando, sendo acertado pela McLaren de Coulthard, determinando o abandono dos dois. Isso deixava a briga pelo terceiro lugar entre Raikkonen e Ralf Schumacher, que começava a ter os mesmos problemas de Montoya e quando ambos pararam, o finlandês emergiu na frente para conseguir um valoroso pódio. Button garantia um quinto lugar com o abandono da dupla Montoya-Coulthard, enquanto mais atrás, um drama se desenrolava na Sauber. Felipe Massa estava em sexto e marcando um pontinho para a equipe numa boa corrida do brasileiro, mas Nick Heidfeld, piloto da casa, vinha logo atrás e de forma espantosa, Peter Sauber mandou que seus pilotos trocassem de posição, algo que Massa, talvez pensando que estava com salvo conduto pelo o que tinha acontecido com o compatriota Barrichello mais cedo na temporada, se vez de desentendido e desobedeceu a ordem do seu chefe.

E falando nisso, para angústia de muitos que acompanhavam aquela corrida, Michael Schumacher começou a encostar em Barrichello nas voltas finais. Apesar de toda a repercussão negativa pela troca de posições na Áustria, a Ferrari deixava a entender que não se arrependia do que havia feito. Será que a Ferrari repetiria a controversa manobra em Nürburgring? Foi o que todos se perguntavam quando Schumacher passou colado em Barrichello na abertura da última volta. Hoje não? Hoje não. Rubens Barrichello vencia pela primeira vez em 2002, para enorme alívio de quem acompanhava a F1 naqueles tempos. Raikkonen era um distante terceiro colocado, com Ralf amargando um quarto lugar de um minuto atrás das Ferraris. Se não houve ordem de equipe na Ferrari, houve na Sauber e a desobediência de Felipe Massa lhe custaria o emprego no final da temporada. Mesmo fazendo duas paradas contra uma de Williams e McLaren, a Ferrari não teve rival em Nürburgring, conquistando uma comemorada dobradinha com mais de 45s de vantagem para o terceiro colocado. Começava um dos maiores passeios da história da F1.

Chegada:
1) Barrichello
2) M.Schumacher
3) Raikkonen
4) R.Schumacher
5) Button
6) Massa 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Saindo da própria confusão

Nesse meio de ano de 2017, muito se fala dos quinze anos da Copa do Mundo de 2002, na minha opinião, a pior dos últimos vinte anos, mesmo o Brasil vencendo. Como o blog fala de corridas, vamos voltar quinze anos no tempo e ver onde estava a Sauber. Um ano após descobrir Kimi Raikkonen e ter feito sua melhor temporada até então, a equipe suíça fazia um bom papel no pelotão intermediário, marcando alguns pontos em tempos onde só se pontuava até o sexto colocado.

O tempo passou, a Sauber foi comprada pela BMW e experimentou viver como grande, mas quando a marca bávara foi embora da F1 sem muito aviso, o time quase foi à falência, mas foi salva justamente por Peter Sauber, porém o veterano dirigente estava cansado de rodar o globo para marcar alguns pontos e entregou à equipe a seu homem de confiança. Corrigindo, sua mulher de confiança. Monisha Kalterborn estreou como chefe de equipe no final de 2012. Não é novidade que as mulheres vem se destacando cada vez mais em todos os setores da humanidade e não demorou muito para a hindu tivesse a companhia de Claire Williams no mesmo patamar.

Porém, é certeiro em afirmar que Kalterborn esteve longe de fazer um bom trabalho como chefe de equipe, com a Sauber saindo do seu patamar de equipe intermediária até chegar ao nível atual de equipe pequena. Não nos esqueçamos que durante a 'Era Monisha' a Sauber viveu o famoso imbróglio na abertura da temporada 2015, quando apareceram três pilotos contratados por ela para correr em Melbourne. E soube-se depois que Jules Bianchi também estava contratado, totalizando quatro pilotos para duas vagas. Patrocinadores foram embora e pilotos pagantes dominaram os últimos tempos da Sauber, principalmente com Marcus Ericsson e Felipe Nasr. O primeiro, tendo apoio de um investidor que não coloca seu nome nos carros, se tornou intocável, mesmo Ericsson estar longe de ser um talento. 

Para 2017, Kaltenborn conseguiu Pascal Wehrlein emprestado da Mercedes e o alemão, muito bom e promissor, começou a colocar Ericsson no bolso. Resultado? Os investidores começaram a se incomodar e apesar de Monisha estivesse certa em tentar manter a igualdade dentro da Sauber, ela acabou demitida pelos novos donos da Sauber. 

Mesmo certa nesse momento, o conjunto da obra de Monisha Kaltenborn nesses anos à frente da Sauber foi ruim, transformando uma equipe simpática e sólida num time onde um piloto pagante (e fraco) manda graças aos seus misteriosos investidores. Foi Monisha quem meter a Sauber nessa situação e ela acabou sendo a principal vítima.

domingo, 18 de junho de 2017

Maldição japonesa

Não há como não se compadecer do azar da Toyota. Há vários anos os japoneses se esmeram para construir o melhor carro de Endurance, mas na principal prova do ano em Le Mans, algo sempre acontece com a Toyota. Esse ano, Kamui Kobayashi conseguiu o feito histórico de ter batido o recorde da pista francesa que já durava mais de vinte anos e havia um motivo para isso. Com os carros chegando aos 400 km/h no final da reta Mulsanne no final dos anos 1980, os organizadores franceses colocaram duas chicanes para frear a velocidade no local, mas com o aumento de tecnologia, aderência e eficiências em outras frentes, a Toyota conseguiu bater esse recorde.

Com a Porsche tomando 1s ou mais e sem a presença ameaçadora da Audi, de fora em Le Mans após quase vinte anos, a Toyota nadava de braçada até ter problemas quase que simultâneos em seus três carros, praticamente entregando a vitória para a Porsche, mas não sem drama. O carro do trio Jani/Lotterer/Tandy liderava por mais de uma dezena de voltas quando teve problemas faltando três horas para o fim. A vitória estava indo para um carro da LMP2, de uma equipe do ator Jackie Chan. Seria quase que uma piada, mas um segundo carro da Porsche, que tivera problemas no começo da corrida, veio como um furacão com o trio Bernhard/Bamber/Hartley e a Porsche venceu pela 19º vez em Le Mans.

A Toyota não teve uma derrota tão cruel como no ano passado, mas os sucessivos contra-tempos quando lidera já começa a virar a lenda em Le Mans. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

História: 25 anos do Grande Prêmio do Canadá de 1992

Após a Williams ter perdido seu domínio implacável em 1992 com a surpreendente e emocionante vitória de Senna em Monte Carlo, a F1 atravessava o Atlântico novamente para a disputa do sempre festivo Grande Prêmio do Canadá, pista em que os pilotos adoravam. Porém, a mambembe Andrea Moda teve problemas no seu transporte e o time acabou em Quebec e sem motores. Ao chegar em Montreal, o time de Andrea Sassetti pediu um motor Judd emprestado à Brabham. Como milagres não acontecem todo o tempo, Roberto Moreno não conseguiu o milagre de classificar seu carro para o grid pela segunda vez, algo que o trabalhador piloto brasileiro havia conseguido quinze dias antes. Fora das pistas, uma movimentação interessante era um teste que Michael Andretti faria pela McLaren naqueles dias. Com o pai Mario fazendo a negociação, ainda com o pé engessado por um acidente durante as 500 Milhas de Indianapolis, Michael finalmente poderia estrear na F1, o que indicava que Berger poderia ter que procurar outro cockpit.

Mesmo a vitória de Senna em Mônaco ter acontecido de forma casual, com um problema que Mansell imaginou em seu Williams quando liderava com ampla vantagem, um triunfo sempre faz bem a confiança e Senna marcou sua primeira pole de 1992, quebrando também o domínio da Williams nesse quesito, com Patrese e Mansell, nessa ordem, ficando muito próximos do tempo do brasileiro. O ameaçado Berger, que sempre andava bem em Montreal, fechava a fila com um tempo meio segundo atrás do companheiro de equipe, seguido por Schumacher e a surpresa Johnny Herbert. Conta a lenda que durante os treinos, a March quase não participava por falta de patrocínios e o time chegou a anunciar em jornais locais que precisava de dinheiro para correr. Mesmo com esses problemas todos, o ótimo Karl Wendlinger ficou próximo do top-10.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:19.775
2) Patrese (Williams) - 1:19.872
3) Mansell (Willaism) - 1:19.948
4) Berger (McLaren) - 1:20.145
5) Schumacher (Benetton) - 1:20.456
6) Herbert (Lotus) - 1:21.645
7) Brundle (Benetton) - 1:21.738
8) Alesi (Ferrari) - 1:21.777
9) Capelli (Ferrari) - 1:22.297
10) Hakkinen (Lotus) - 1:22.360

O dia 14 de junho de 1992 amanheceu nublado e frio em Montreal, por sinal um clima bem típico da região, mas a esperada chuva não veio, fazendo com que a corrida ocorresse com pista seca. Na largada, como se a primeira posição lhes pertencia por direito e havia um intruso ali, os dois pilotos da Williams atacaram com força Senna, mas o brasileiro usa sua agressividade implacável para deixar Mansell, que assumia a segunda posição, e Patrese para trás. Apesar da estreiteza das duas primeiras curvas e a força com que vieram as Williams, a primeira curva não teve nenhum problema e apenas Tarquini abandonou por problemas de câmbio.

Lembrando seus tempos de Lotus, Ayrton Senna não tinha um carro rápido, mas teimava em se manter na ponta e com isso, segurava um enorme pelotão atrás de si, em cena que já havia acontecido em Interlagos. Em segundo lugar, o sempre impaciente Mansell começava a mostrar seu carro a todo momento nos espelhos de Senna, mas parecia que o inglês não aprendia muito, pois esses truques Senna entendia e dominava como ninguém. Patrese apenas observava, enquanto era seguido de perto por Berger, Schumacher e Brundle. A corrida era próxima e interessante, ao contrário do que vinha acontecendo em 1992. Na volta 14, ocorre o primeiro ataque mais forte no pelotão da frente e Berger assume a terceira posição ao ultrapassar Patrese, numa situação atípica de um Williams-Renault sendo ultrapassado. Empolgado que uma ultrapassagem era possível e vendo-se sem o seu escudeiro e o deixando numa posição vulnerável de ataque, Mansell resolveu ir para cima de Senna. No fechamento da volta 14, Mansell colocou de lado na chicane, mas como era de se imaginar, Senna não pensa duas vezes antes de fechar o inglês, que roda e deixa o motor morrer. Mansell seria muito criticado por ter tentado a ultrapassagem de forma afoita e perdido uma nova chance de vitória tendo um carro bem melhor do que o de Senna e os demais. O inglês da Williams passou uma volta inteira dentro do carro, remoendo sua raiva até ser removido pelos comissários. Ainda furioso, Mansell foi aos boxes da McLaren discutir com Ron Dennis sobre o comportamento de Senna.

Além de não gostar de Mansell, Ron Dennis estava mais satisfeito por ver uma cena que não via fazia um ano: uma dobradinha da McLaren. Na volta 19 um grande susto quando Capelli bateu forte no muro e parecia que ele estava desacordado, mas não era o caso. Mesmo livre de Mansell, Senna não abria vantagem e um pelotão menor, mas ainda compacto, era visto na briga pela liderança, tendo Senna, Berger, Patrese e Schumacher. Quando os líderes se aproximam dos primeiras retardatários, Brundle entrou na festa, mostrando o quão o ritmo de Senna era ruim, a ponto dele ser atacado por Berger, que não comete o mesmo erro de Mansell. Os dois carros da Lotus corriam em quinto e sexto com Herbert e Hakkinen respectivamente, mas ambos tem quebras de câmbio em duas voltas, fazendo Alesi subir aos pontos na sua cambaleante Ferrari. Na volta 38, a falta de ritmo de Senna fica evidenciada quando seu carro trava de uma vez e o brasileiro tem que abandonar quando liderava. Um grande golpe na confiança de Senna, que poderia ter conquistado duas vitórias seguidas numa temporada amplamente dominada pela Williams, mas seu ritmo era tão ruim, que logo que fica com pista livre à frente, Berger começa a abrir aos poucos de Patrese e Schumacher.

Na volta 39 Schumacher comete um erro ao tentar passar Patrese e acaba ultrapassado pelo o seu companheiro de equipe Brundle. Cinco voltas mais tarde, Patrese entra nos boxes com o câmbio quebrado. Era estranho um Williams ficar no meio do pelotão tendo um carro tão competitivo. Era a primeira vez em 1992 que a Williams deixava uma corrida de mãos abanando. A alegria de Brundle dura pouco quando o inglês tem uma quebra de transmissão na volta 46 e do animado pelotão que havia entretido o público nas primeiras voltas, sobrava apenas Berger e Schumacher, separados por 3s. Com tantos problemas com os líderes, algumas surpresas começaram a brotar. Num ano difícil para a Ferrari, Alesi cavava um lugar no pódio, seguido por Wendlinger na quase falida March, Katayama e Andrea de Cesaris. Schumacher começa a ter uma luz piscando em seu painel, indicando que nem tudo ia bem na Benetton do alemão e com isso Michael tira o pé, deixando Berger solto na ponta. Katayama tem o motor quebrado com menos de dez voltas para o fim, perdendo pontos preciosos. Berger conseguia sua sétima vitória na carreira num momento crucial, onde tudo indicava que ele não permaneceria na McLaren. Schumacher era segundo e a Ferrari subia ao pódio pela primeira vez no ano. Wendlinger conquistava os últimos pontos da tradicional March na F1, enquanto Comas marcava com o sexto lugar o primeiro ponto da Ligier desde 1989. A vitória de Berger não diminuía o domínio da Williams em 1992, mas marcava a primeira corrida realmente divertida daquela temporada tão enfadonha. 

Chegada:
1) Berger
2) Schumacher
3) Alesi
4) Wendlinger
5) De Cesaris
6) Comas

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Figura(CAN): Force India

Numa pista cheia de retas e sem muitas curvas de alta, onde a aerodinâmica é essencial, a Force India fez um ótimo trabalho em Montreal e num circuito que lhe veste bem, o time hindu fez sua melhor corrida em 2017, onde deu muito trabalho à Red Bull e fez com que a Ferrari mudasse de estratégia para que os carros vermelhos ultrapassassem Pérez e Ocon. Porém, isso custou um pequeno problema interno, pois Ocon tinha um carro em maiores condições de ataque e poderia tomar a terceira posição e o lugar no pódio de Daniel Ricciardo, mas Pérez recusou ceder sua posição e o resultado foi que os dois carros rosa foram ultrapassados por Vettel, enquanto Ocon ainda tentou um ataque final sobre o mexicano. Não deixa de ser um problema, mas é um 'bom' problema, pois se equipes como Williams, Renault e Haas tem claramente um único piloto pontuando e liderando a equipe, a Force India tem dois pilotos competitivos e no dia em que a FI conseguiu lhe entregar um bom carro, ficaram bem próximos do pódio, superando as rivais do pelotão intermediário com folga.