segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Figurão(BRA): Segurança

Simplesmente uma vergonha internacional. O que aconteceu em Interlagos (ou nos arredores) manchou ainda mais o nome do Brasil perante os estrangeiros que estiveram em São Paulo ou simplesmente acompanham a F1 de seus respectivos países. Infelizmente o Brasil convive numa sociedade violenta e por serem estrangeiros, as pessoas ligadas à F1 não estariam imunes às mazelas que nós, cidadãos, sofremos no nosso dia a dia. Na Copa do Mundo e nas Olimpíadas havia o temor de péssimas e constantes notícias relacionadas à falta de segurança que tanto nos incomoda, mas durante esses eventos tudo ocorreu com relativa tranquilidade, com notícia aqui e ali de assaltos. Porém, num evento anual veio à tona tudo o que se imaginava acontecer em 2014 e em 2016. Durante todo o final de semana do Grande Prêmio do Brasil vans das equipes e organizadores foram atacadas por assaltantes armados, deixando em pânico as pessoas envolvidas. Se nós, que sabemos como anda nossa 'guerra civil', nos assustamos quando isso acontece conosco ou com alguém conhecido, imagem quando isso acontece com pessoas de fora. Lewis Hamilton, que tem milhões de seguidores nas redes sociais, criticou veementemente os assaltos (a primeira vítima foi a Mercedes) e culminou com o vexaminoso cancelamento dos testes de pneus da Pirelli devido à falta de segurança em Interlagos. Se já não bastasse o fato do Brasil não ter nenhum representante na F1 em 2018, agora podemos perder o Grande Prêmio por falhas clamorosas de segurança para os envolvidos. Como diria Boris Casoy, uma vergonha!

domingo, 12 de novembro de 2017

Uma corrida. Dois vencedores

Em muitas corridas, nem sempre o melhor piloto vence. Por variadas razões, um piloto pode vacilar e não ser o vencedor, mas por uma pilotagem fora de série, conseguir se destacar tanto quanto o real vencedor da corrida. Sebastian Vettel venceu com alguma dose de facilidade, acabando com um jejum incômodo que já durava três meses e que alijou o alemão da Ferrari da disputa pelo título desse ano. Porém, era sabido que Lewis Hamilton tinha o melhor carro do final de semana e se não fosse o seu erro na classificação, ele seria o natural favorito à vitória. Largando de último, o inglês da Mercedes deu um show em Interlagos, passando por cima de praticamente o grid inteiro sem tomar conhecimento de quem vinha à frente.

O sol forte em Interlagos fez com que a corrida de hoje tivesse uma pitada de intempérie climática, com o calor sendo um fator importante para os pneus. A vitória de Vettel foi decidida basicamente na largada, com o alemão saindo muito bem por dentro, mesmo que no lado sujo, e apostando na freada da primeira curva para deixar Bottas para trás e assumir a ponta, de onde só sairia durante as paradas de boxe. Vettel ainda teve um pequeno momento de suspense quando saiu dos boxes após sua parada logo à frente de Bottas, que o atacou por algumas curvas, mas quando os pneus atingiram a temperatura ideal, o alemão pôde partir impávido rumo a vitória e dar um importante passo rumo ao vice-campeonato. Bottas e Raikkonen fizeram uma corrida bem arroz-com-feijão, permanecendo o tempo todo em suas posições. Quando todos os pilotos colocaram os pneus macios, Kimi tentou uma aproximação em cima de Bottas, mas ficou nisso. Os três primeiros ficaram separados por 2s, mas Kimi ainda teria um trabalho extra no final.

Hamilton saiu do pit-lane, mas teve uma pequena ajuda com dois acidentes na primeira volta. Na curva 2, Vandoorne e Magnussen abandonaram e ainda atrasaram Ricciardo. No Laranjinha, Grosjean errou e acabou tocando em Ocon, ocasionando o abandono do piloto da Force India. Só nisso, cinco pilotos já estavam atrás de Hamilton. Na relargada, o inglês começou seu show particular, onde parecia que ultrapassava cones, não pilotos de F1. Com carros inferiores, a maioria nem se importou muito em deixar o inglês passar, pois sabiam que não tinham o que fazer. Hamilton simplesmente não tomava conhecimento e em poucas voltas, já aparecia em quinto, mas com a parada dos líderes, assumiu a liderança da prova na altura da metade da corrida! Colocando pneus supermacios, Hamilton voou, ultrapassou o sempre complicado Verstappen e marcou voltas mais rápida em cima de volta mais rápida para conseguir o seu objetivo: o pódio. E o inglês quase conseguiu. Partiu para cima de Raikkonen, mas Kimi segurou bem a posição e subiu ao pódio mais uma vez, mas pela exibição de hoje, Hamilton mostrou que é um digno tetracampeão!

Depois de três corridas muito boas, a Red Bull não se adaptou à Interlagos e ficou muito longe da vitória e até mesmo do pódio. À título de comparação, Ricciardo e Hamilton pararam na mesma volta e colocaram os meus pneus, só que o australiano chegou mais de 30s atrás, com um ritmo nitidamente inferior a ponto de ter Felipe Massa próximo dele. Verstappen, junto com Pérez e Raikkonen, foi um dos poucos que ainda resistiram à recuperação de Hamilton, mas em poucas curvas Lewis superava Max. Com os pneus supermacios desgastados, Verstappen colocou macios novos nas voltas finais e quebrou o recorde do circuito de Interlagos. Massa largou muito bem, usou o motor Mercedes para ultrapassar Alonso na relargada e com o espanhol brigou a corrida inteira, segurando o piloto da McLaren até o fim. Sem motor, Alonso usou todo o seu talento para se manter próximo de um carro bem mais potente do que o seu, mas a impossibilidade de ultrapassar Massa trouxe Pérez para a briga e os três terminaram a corrida colados. Massa finalmente teve a digna despedida que merecia e terminou a corrida com uma emocionante mensagem do seu filho via rádio para todo o mundo.

Hulkenberg fechou a zona de pontuação com a Renault ainda sofrendo muito em ritmo de corrida, mas ao menos o alemão superou Carlos Sainz, que veio logo atrás. Pierre Gasly também deve ter ficado aliviado por ter recebido a bandeirada, pois a Toro Rosso está terminando seu relacionamento com a Renault marcada pelas quebras constantes, o que vitimou Hartley. A Sauber viu seus pilotos brigarem e como sempre, Wehrlein se sobressaiu. Num final de temporada muito ruim, a Haas viu Grosjean rodou sozinho, foi punido pelo toque com Ocon e recebeu a bandeirada em último.

Os quatro primeiros colocados receberam a bandeirada com poucos segundos de diferença, sendo que Hamilton largou de último para chegar encostado no pelotão principal, indicando que seria o vencedor se não errasse ontem. Vettel aproveitou a boa largada para dominar a corrida e se consolidar como vice-campeão. Os dois finlandeses vão fazendo seus papeis de 'Patrese', enquanto a Red Bull não conseguiu superar as retas e a subida do Café para brigar com Mercedes e Ferrari. O final de ano vai chegando e a F1 vai se despedindo de 2017 já pensando em 2018, quando dois tetracampeões brigarão pelo título, tendo ainda Verstappen como um terceiro fator. 

Desobediente

Jorge Lorenzo é um grande piloto. Ninguém é tricampeão mundial à toa e o espanhol tem seu nome na história recente da MotoGP. Sua tocada limpa o fez derrotar pilotos como Valentino Rossi e Marc Márquez, sendo que contra o italiano, usando a mesma moto. Se compararmos o auge, Lorenzo ficou abaixo de Rossi e mesmo não sabendo se esse é o auge ou não de Márquez, já dá para dizer que Lorenzo também está abaixo do compatriota. O que faz Lorenzo não ser tão popular e muitas subvalorizado é o seu comportamento irascível. O espanhol deixou desafetos ao longo de quase quinze anos no circo do Mundial de Motovelocidade e sua arrogância nos momentos de vitória o deixam bastante antipatizado.

Quando Lorenzo tomou a corajosa atitude de sair da Yamaha para a Ducati, repetindo o que fez Rossi, o espanhol pareceu mais relaxado, não se mostrando tão arrogante quanto esteve na crista da onda. Completando 30 anos, a maturidade deve ter chegado para o espanhol. Mesmo ganhando sete vezes mais do que o seu companheiro de equipe, Lorenzo teve que engolir Doviziozo conseguir seis vitórias no ano e brigar pelo título com Márquez, enquanto Jorge lutava para se adaptar a uma moto totalmente desconhecida. No íntimo, Lorenzo queria repetir Rossi não na Ducati, mas na própria Yamaha, quando o italiano conseguiu um improvável e épico título na sua estreia pela montadora nipônica em 2004. Nesse caso, Lorenzo fracassou fragorosamente. 

Nas últimas semanas, Lorenzo ficou numa situação, no mínimo, estranha à ele. Trazido a peso de ouro para a Ducati, o espanhol teria que correr para Doviziozo, algo que já tinha sido feito em Sepang. O modo relaxado de Lorenzo indicava que isso se repetiria em Valencia, mesmo sabendo que as chances de Doviziozo eram apenas retóricas. Lorenzo afirmou que pouco poderia fazer, mas que ajudaria o companheiro de equipe. Então foi dada a largada para o Grande Prêmio da Comunidade Valenciana e Lorenzo fica em quarto, com Doviziozo logo atrás. Márquez estava na frente e conquistava o título, enquanto que para Doviziozo só a vitória interessava.

A situação de Dovi era dramática no campeonato, mas Lorenzo precisava ajudar o companheiro de equipe, que estava mais rápido atrás. As voltas foram passando, os líderes não avançavam, mas... Doviziozo também não! Numa cena totalmente inacreditável, Lorenzo simplesmente não abriu espaço para o companheiro de equipe, na mesma medida em que não atacava Daniel Pedrosa, que vinha logo atrás. A Ducati se desesperava com a situação. Mandava mensagem por computador e por placas, mas Lorenzo permanecia impávido na frente, numa situação completamente surreal. 

Ordens de equipe sempre existiram na corrida. As presepadas com Barrichello e Massa com a Ferrari revoltaram muitos, mas pelo contexto do campeonato, se mostraram dispensáveis, principalmente com Rubens. No caso de hoje, era imperativo que Lorenzo deixasse Doviziozo passar. Mas o espanhol não deixou. A situação só não ficou mais complicada com a queda dos dois, dando o título para Márquez.

Porém, a desobediência de Jorge Lorenzo pode fazer um mal bem maior do que o espanhol possa imaginar. Na hora em que a Ducati precisou de Lorenzo, ele simplesmente virou as costas para um time que lhe paga um salário milionário e Jorge tem que pensar que TODAS as equipes viram a rebeldia do espanhol num momento crucial do campeonato. Outro fator é que Doviziozo ficará pelo menos mais um ano na Ducati ao lado de Lorenzo e o que aconteceu hoje em Valencia pode se virar contra Lorenzo se ambos tiverem numa situação inversa. O cumprimento nos boxes foi mais um ato de cavalheiresco de Doviziozo, mas o que Lorenzo fez pegou muito, muito mal para o espanhol, até mesmo por envolver um piloto tão gente boa quanto Doviziozo.

Esse caso dentro da Ducati não trouxe grandes proporções por causa da queda da dupla da Ducati, mas isso pode causa grandes danos ainda para Lorenzo. Pois como se falou muito bem na transmissão: o que se faz hoje, um dia pode voltar.

Era Márquez

O esporte a motor sempre viveu de ciclos, onde pilotos dominaram uma categoria em um determinado espaço de tempo. Particularmente no Mundial de Motovelocidade, tivemos grandes pilotos dominando a categoria principal de tempos em tempos. Duke, Surtees, Hailwood, Agostini, Doohan, Rossi... 

Todos foram grandes lendas do esporte, que está ganhando mais um membro. Quando um piloto ainda está em atividade, é difícil mensurar o quão grande ele é dentro da história. Lewis Hamilton é um exemplo claro disso. O inglês ainda está vencendo e aumentando os seus já superlativos números. Marc Márquez também está nesse estágio. O jovem espanhol de 24 anos ainda está conquistando muita coisa para podermos dizer com precisão aonde Márquez está dentro da história do Mundial de Motovelocidade, mas os números de Marc já impressionam. Em cinco temporadas na MotoGP, já são quatro títulos, deixando para trás pilotos do quilate de Valentino Rossi e Jorge Lorenzo. Em termos relativos, seus números de vitórias e poles já o colocam dentre os maiorais. Márquez vem reescrevendo a história do Mundial de MotoGP com seu talento e agressividade.

O título conquistado hoje teve muitas das características de Marc Márquez. Dono de uma tocada extremamente agressiva, Márquez quase pôs tudo a perder quando tomou a primeira posição de Johan Zarco na curva um e teve que se virar para não cair logo depois. Saindo da pista e caindo para quinto, Márquez ainda tinha uma confortável margem para ser tetracampeão em Valencia. As chances de Andrea Doviziozo eram mais formais do que realísticas e quando o italiano da Ducati caiu já nas últimas voltas da corrida, o título de Márquez estava consolidado.

Daniel Pedrosa ainda conseguiu aumentar a alegria da Honda ao ultrapassar Zarco na abertura da última volta e vencer pela segunda vez esse ano. Porém, o novato francês mereceu a honra de ser o melhor estreante e suas estratégias de pneus agressivas, além de combates corpo-a-corpo bem fortes já fazem de Zarco um piloto a ser observado no futuro, mesmo o francês não sendo tão jovem assim. A Yamaha teve que engolir uma moto 2016 brigando pela vitória, enquanto os modelos 2017 desapontaram, com Rossi em quinto e Viñales passando boa parte da corrida atrás da KTM de Bradley Smith. Maverick deu pinta de favorito ao título, mas o jovem espanhol foi se perdendo na medida em que a Yamaha 2017 se mostrava sensível demais quando as condições de pista e, principalmente, climáticas mudavam. Para o bem da MotoGP, 2018 espera uma Yamaha bem mais consistente.

Quando Doviziozo caiu, a Ducati começou a consolar uns aos outros, mostrando que a briga contra uma gigante como a Honda era tão desigual quanto a luta do próprio italiano contra alguém tão mais veloz quanto Márquez. A atitude de Lorenzo hoje e o 2018 da Ducati ficará para um post mais tarde, mas Andrea Doviziozo foi um dos grandes vitoriosos de 2017. Ninguém poderia esperar que o cerebral italiano levasse a disputa pelo título até a corrida final e pudesse fazer frente à Márquez. No placar das vitórias em 2017, ficou 6x6, sendo que duas vezes Doviziozo derrotou Márquez na última curva. Já contando com 31 anos de idade, será difícil para Andrea voltar a ter uma chance como a que teve em 2017, mas o italiano da Ducati fez muito mais do que dele se esperava.

Suzuki decepcionou após um ano excelente com Viñales ano passado e o instável Iannone, com quem a Suzuki apostou, ficou devendo muito, enquanto Rins chegou na frente do italiano na corrida final em Valencia. A KTM ainda tem muito a crescer, após um ano de aprendizado.

Com o campeonato de 2017 findo, a pergunta que fica é: quem poderá segurar Márquez?

sábado, 11 de novembro de 2017

Aproveitando a oportunidade

Não é segredo nenhum que Lewis Hamilton é bem mais rápido do que Valtteri Bottas. Isso é ponto pacífico. Mesmo o finlandês ter superado o companheiro de equipe em outras oportunidades no primeiro semestre, Hamilton é amplamente superior à Bottas. Se quisesse ser pole em Interlagos, Bottas deveria superar Ferrari e, principalmente, Hamilton. Como todo o esporte o imponderável acontece, Hamilton foi logo para a pista no Q1, olhando o céu carrancudo de São Paulo, tentando marcar logo um tempo competitivo antes de uma possível chuva. O inglês abriu sua volta, mas uma escapada no Laranjinha pôs tudo a perder para Lewis, que destruiu sua suspensão dianteira esquerda na barreira de pneus e largará em último amanhã. Tudo que Bottas necessitava agora era derrotar a Ferrari. A tarefa não foi simples, mas o finlandês fez bem seu trabalho para conquistar sua terceira pole na carreira.

O Q1 teve como principal evento a garantia de que a corrida, independentemente do clima, será de emoção. A batida de Hamilton ainda em sua primeira volta rápida abriu o leque de opções para a pole, já que o inglês era o favorito a largar na ponta e amanhã será o último, isso se não tiver que largar dos boxes. Atormentado por uma quebra no treino livre de sábado, Stroll ficou pelo caminho no Q1, com um tempo muito pior do que o de Massa. Na Toro Rosso, o clima esquentava com a guerra aberta com a Renault e seus motores que estouram, além do flagra da discussão entre Cyril Abiteboul (Renault) e Helmut Marko (Red Bull) no paddock de Interlagos. Ameaças de boicote não devem melhorar um relacionamento que um dia produziu um tetracampeonato e hoje causa arrepios com uma confiabilidade ruim.

Em sua última classificação em Interlagos, Felipe Massa foi coerente com sua temporada. O brasileiro prometeu muito com ótimos tempos no Q1 e no Q2, mas no Q3 ele decepcionou e com a punição de Ricciardo, largará apenas em nono. Mesmo levando a Williams ao Q3 depois de muito tempo, ficou um gostinho de quero mais para Massa. Com a Red Bull claramente fora da briga, a luta pela pole seria entre Bottas e a dupla da Ferrari, principalmente Vettel, que conseguiu um excelente tempo no Q2. O alemão bem que tentou, mas em sua última volta Bottas garantiu a pole com a melhor volta feita na história de Interlagos. Pelo menos, a versão de quatro quilômetros...

Se a chuva não veio hoje a ponto de embaralhar o grid, amanhã a previsão é de sol forte. Se quiser ser vice no final do ano, Bottas terá que aproveitar bem a oportunidade que tem, não tendo Hamilton à sua frente e com uma Mercedes num ritmo de corrida bem melhor do que a da Ferrari. Mais atrás, é esperado um show de ultrapassagens de Hamilton.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mãos ao alto

Como em 2009, vou utilizar esse espaço para falar do assalto a mão armada que aconteceu ontem no Castelão. Como em 2009, o Ceará sofreu para empatar com o Guarani, após ficar atrás duas vezes do time campineiro. Oito anos atrás, o Paraná fez um gol claríssimo de mão, acabando com a invencibilidade do Vozão de forma irregular. Ontem, o Ceará se preparava para um virada histórica contra uma equipe tradicionalmente complicada e Richardson balançou as redes no final do jogo, para logo em seguida ter seu tento anulado. Impedimento. O volante do Ceará não estava impedido duas vezes. Primeiro, porque estava atrás da linha da bola. O impedimento só se configura quando o atacante está na frente da linha da bola no momento do lançamento. E por último, Richardson saiu de trás da linha de zagueiros. Simplesmente uma vergonha! Quando vi que o árbitro seria baiano, esperava até mesmo uma 'ajudinha' por ser nordestino, mas Marielson Alves Silva atrapalhou tudo. Espero que, como em 2009, depois de tudo isso, o resultado seja o mesmo no final dessa série B.

sábado, 4 de novembro de 2017

Aposentadoria II

Sem nenhuma surpresa, pelos últimos fatos em suas negociações de renovar com a Williams, nessa manhã Felipe Massa postou em suas redes sociais um pequeno vídeo anunciando que fará suas duas últimas corridas na F1 em Interlagos e Abu Dhabi, no final desse mês.

O anúncio desta manhã foi resultado de uma temporada irregular de Massa, muito pela decadência da Williams em 2017, causada principalmente pela aproximação dos motores Ferrari e Renault junto à Mercedes. O propulsor alemão ainda é o mais potente, mas a diferença caiu muito e os pontos fracos da Williams ficaram mais evidentes. Quando teve a melhor temporada dos últimos vinte anos em 2014, a Williams se apoiou na grande diferença do motor Mercedes frente ao resto, mas na medida em que as rivais foram se aproximando da Mercedes, a Williams ia perdendo mais e mais desempenho. Sem muitas portas abertas em equipes interessantes, Felipe anunciou sua primeira aposentadoria em 2016, mas o destino fez com que Massa retornasse à Williams antes mesmo de sair quando Nico Rosberg derrubou a primeira peça de um dominó que bagunçou todo o mercado de pilotos no final do ano passado.

Felipe teria várias missões esse ano. Com a mudança de regulamento, o brasileiro usaria sua vasta experiência para tentar melhorar um carro saído praticamente do zero. A outra missão era ser uma espécie de tutor para o novato e endinheirado Lance Stroll, que estreava na F1 muito por que seu pai Lawrence comprou parte das ações da Williams, além de desenvolver um esquema de testes praticamente inédito unicamente para Lance não fazer feio em seu debute na F1. Massa foi piloto de testes da Ferrari, mas nunca foi um grande desenvolvedor de carros, mesmo que tenha contribuído para apontar os vários pontos fracos do novo carro da Williams. Felipe foi um ponto de referência para Stroll, onde o canadense teve que se virar para andar no mesmo ritmo de Massa e na maioria das vezes não conseguiu. Porém, Stroll mostrou velocidade, arrojo e estrela durante a temporada a ponto de conseguir o único pódio da Williams no ano em Baku de forma totalmente fortuita. Nessa mesma prova no Azerbaijão, Massa tinha até chances de vencer, mas acabou traído pela suspensão do seu carro. 

Mesmo andando mais forte do que Stroll no geral, a tabela de pontos mostrava o canadense próximo  de Felipe e com outra boa corrida de Lance no México, o novato estava na frente de Massa no campeonato. Queira ou não, isso pegou muito mal para um piloto tão experiente quanto Felipe Massa. A Williams também percebeu isso e de forma descarada, procurava um piloto para 2018. Como Stroll paga as contas, a vaga era de Felipe. O novo regulamento trouxe um carro mais veloz e gostoso de se pilotar, fazendo Massa pedir outro ano na F1. Como novamente as portas estavam fechadas, até mesmo pelo ano mezzo/mezzo de Massa, a Williams era a única alternativa. Enquanto isso, o time do tio Frank testava pilotos. O acidentado Robert Kubica, o piloto de testes Paul di Resta e até mesmo o seguidamente demitido Kvyat tinham chances. Era demais para Massa!

Tentando terminar a carreira do seu jeito, Massa anunciou sua segunda aposentadoria nessa manhã. Ele fez algo que, por exemplo, Rubens Barrichello não teve oportunidade. Não foi aposentado. Aposentou-se. 

A saída de Massa na F1 é um golpe duro no combalido automobilismo brasileiro. Se algo de outro planeta não ocorrer até o final do ano, a certeza de que não haverá nenhum piloto brasileiro na F1 em 2018 é uma certeza 100%. E o futuro a curto prazo não indica que nada mudará isso. Sergio Sette Câmara foi colocado para fora do programa da Red Bull e fez um ano irregular na F2, onde conquistou vitórias por causa da discutível inversão no grid na segunda corrida de cada etapa da categoria. Pedro Piquet é uma enorme desilusão na F3 Europeia e só terá um terceiro (!) ano na categoria por causa do sobrenome famoso. E só. Pietro Fittipaldi lidera a World Series, que está muito longe dos bons tempos, com grid magros e de qualidade duvidosa.

Até mesmo a transmissão aqui para o Brasil está em dúvida, com a possibilidade real de mais e mais corridas migrando da Globo para o Sportv, com seu trio de transmissão bem pior do que da Globo. Acreditem, não estou exagerando! 

Por fim, Massa. Foram quinze temporadas onde o brasileiro teve muitos altos e baixos, teve uma pouco comum segunda chance quando foi enxotado da Sauber no final de 2002, mas voltou à equipe dois anos depois. Viveu seus melhores anos na Ferrari e sem sombra de dúvida, seu auge ocorreu em 2008, quando por muito pouco não derrotou Lewis Hamilton. E hoje temos a noção onde o inglês está na história da F1. Seu acidente em Hungaroring/2009 foi um marco em sua carreira. Por mais que negue, Massa nunca mais foi o mesmo piloto de antes do acidente e somente seu aguerrimento e seriedade o deixou na F1 por tanto tempo ainda. Por causa dessas duas características, Felipe Massa tem o merecido respeito de toda a F1. Apesar de algumas críticas, Massa teve uma carreira para se orgulhar e durante quatro temporadas (2006-2009), foi um dos melhores pilotos do grid da F1.

O que ele fará daqui para frente, ainda não se sabe (F-E, Indy, Stock...). Mas como o próprio Felipe já falou, que ele seja feliz por qualquer caminho que ele trace a partir de 2018.