No automobilismo, o tempo é contado de uma forma bem diferente do normal. Se para nós segundos algumas vezes passam desapercebidos, nas corridas um ou dois segundos chega a ser uma eternidade para os envolvidos, principalmente em categorias como a Nascar. Por isso que ao longo dos tempos aparecem cada vez mais casas decimais para decidir quem é o mais rápido ou simplesmente o vencedor. Nesse sábado, na primeira etapa da Xfinity Series em Daytona, a terceira casa decimal, há tanto tempo decidindo provas não foi suficiente para definir a vitória de Tyler Reddick. Depois de um final interminável com cinco prorrogações (uma anomalia da Nascar moderna...), Reddick bateu o veterano Elliot Sadler por um spoiler de diferença. No cronômetro, a diferença foi de 0.000s! Isso mesmo, deu empate! Apenas no photo-finish se definiu a vitória de Reddick.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
FW41
Quando a temporada da F1 se aproxima do seu início, todas as equipes ficam otimistas para o ano vindouro, sempre esperando o melhor e que o desempenho do ano anterior seja superior. Para 2018, porém, a Williams talvez seja a única com o pensamento contrário. E por culpa da própria Williams.
Ao perder dois patrocinadores, a Williams precisou amealhar mais dinheiro e não satisfeita em ter Lance 'Riquinho' Stroll ao volante, contratou outro piloto-pagante, o russo Sergey Sirotkin. Os dois contestados pilotos terão a missão de manter a Williams no top-5 do Mundial de Construtores, um objetivo bem menor do que no ano passado, quando a tradicional equipe inglesa falava em pódios e até mesmo vitória. Mesmo o sarrafo tendo baixado, o objetivo da Williams parece ainda mais difícil de se obter em 2018. Quando a Mercedes tinha um motor bem superior à concorrência, a Williams ainda se sustentava no pelotão da frente, mas com a aproximação dos motores Ferrari e Renault, a Williams perdeu seu principal diferencial e hoje nem consegue superar a outra cliente da Mercedes, a Force India.
Para complicar, terá em seu plantel dois pilotos jovens de potencial para lá de duvidoso. Stroll venceu vários títulos nas categorias de base, mas está claro que o canadense chegou cedo demais na F1. Em sua estreia na F1 a inconsistência corrida a corrida de Lance assombrava, além do canadense nunca conseguir extrair todo o potencial do seu carro em volta de classificação. Stroll está com o cargo à perigo? Não com o papai pagando a brincadeira. E foi pagando muito dinheiro que Sergey Sirotkin ascendeu à F1, após uma tentativa frustrada na Sauber anos atrás. O russo esteve longe de brilhar nas categorias de base e pouco ou nada se espera dele.
O novo carro da Williams ficou bonito (apesar do Halo...) e pode até ser superior ao do ano passado. O problema é fazer Stroll e Sirotkin aproveitarem essa superioridade.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
VF-18
A Haas tinha sido a única equipe a não divulgar quando apresentaria seu carro para a F1-2018. Os americanos, no entanto, foram mais rápidos e antes de divulgar alguma data, divulgaram logo o novo carro para esse ano. Foi uma bela surpresa, além de inaugurar a temporada de apresentações para a temporada 2018 da F1. A novata Haas entrou muito mais preparada do que suas antecessoras (Lotus, Hispania e Virgin) na F1 e os americanos estão longe de fecharem o grid, mas ainda falta o passo adiante para que a Haas se consolide como uma equipe média. Isso pode afetar a paciência do dono da equipe Gene Haas. Quando ingressou na Nascar ao lado de Tony Stewart, rapidamente a equipe Haas foi campeã com Stewart, tornando-se uma equipe de ponta na stock americana. Na F1, a Haas ainda comemora pontos... Os dois pilotos da equipe vivem também momentos decisivos em suas carreiras. Grosjean já vai para a sua oitava temporada completa na F1 e sua busca por uma equipe grande vai ficando cada vez mais difícil, enquanto Kevin Magnussen terá que desfazer a fama de piloto desleal dentro da pista. O chefe de equipe Günter Steiner entrou numa polêmica nessas férias ao dizer que nenhum piloto americano está no nível da F1. Apesar de muita gente, principalmente da Indy, espernear o chefe da Haas não está totalmente errado, mas para garantir ter os americanos ao seu lado, a Haas não precisa desse tipo de polêmica, além de finalmente dar um passo à frente, mesmo tendo a mesma base de 2017 (leia-se a parceria com a Ferrari). Para o sonho de Gene Haas na F1 ter continuidade, esse passo à frente tem que ser dado logo, se possível em 2018.
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Indy 1 x 0
Esse ano a F1 estreará o polêmico Halo em seus carros, que visa aumentar a segurança dos pilotos, com mais ênfase em objetos que possam atingir a cabeça do piloto, causa de boa parte dos acidentes graves nos últimos tempos nos monopostos. Após longos estudos, a polêmica foi criada por que o Halo não agrada visualmente, além de deixar brechas para que o piloto possa ser atingido por algo e piorar a visão de quem está atrás do volante a mais de 300 km/h. A última morte da Indy (Justin Wilson) aconteceu justamente por que uma peça atingiu a cabeça do inglês e a categoria também pensou em algo para minimizar esse tipo de acidente. Os americanos estudaram e usaram uma das alternativas que a FIA deixou de lado: um defletor transparente. Nessa semana Scott Dixon testou o aparato no novo carro da Indy e aparentemente protege melhor a cabeça do piloto, a visão do piloto não é afetada, além de ser bem mais agradável aos olhos do que o Halo. Se tudo der certo e a Indy escolher essa alternativa, ponto para os americanos.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
Chatice atual
Não, não houve nenhuma corrida ruim para ficarmos lembrando dos 'bons tempos' que muitas vezes nem eram tão bons assim. A chatice atual tem uma conotação ainda mais ampla do que uma categoria ou esporte. O mundo está ficando cada vez mais chato. E ninguém parece ter força para mudar isso.
Essa semana a Liberty tomou sua atitude mais impopular dos últimos tempos ao acabar com as famosas gridgirls das corridas de F1. "O que há de mal uma mulher bonita ficar ao lado de um piloto antes da largada?" perguntou Bernie Ecclestone e vários fãs ao redor do mundo. Simplesmente não há mal nenhum, mas olhando o mundo atual, fica claro os motivos da Liberty fazer isso.
Todos tem que ser politicamente corretos, até mesmo instituições como a FIA ou a F1. Não se pode fazer mais nada, antes que alguém se sinta ofendido. Assistindo os velhos 'Trapalhões', que foi produzido na mesma época em que surgiram as gridgirls, via-se brincadeiras de todos os tipos. E todos achavam engraçado. Didi chamando Mussum de 'Grande pássaro'? Hoje é racismo. Didi insinuando que o Dede era gay? Hoje é homofobia. Os quatro trapalhões dando em cima de mulheres bonitas? Hoje seria machismo. Lógico que não se pode ofender ou diminuir ninguém. Isso é desrespeito, além de falta de educação, mas hoje nada pode-se fazer sem que alguém se ofenda, se sinta atingido. Sou nordestino com muito orgulho e não me sentia quando o Mussum chamava o Didi de 'Paraíba'.
Os tempos dos 'Trapalhões' e das girdgirls eram mais leves e com uma fiscalização menos ostensiva. Se podia brincar e ninguém ficar de mimimi. Eram tempos de carros velozes e barulhentos. Dizem que o futuro é a F-E (que abdicou faz tempo das gridgirls e elogiou a F1 como se estivesse na vanguarda do não sei o que). Na F-E os carros são lentos, feios, as pistas são ruins e não há mulheres bonitas ao lado dos carros. Isso representa o politicamente correto na essência, pois os carros não emitem poluentes, mesmo que não haja emoção.
O mundo está ficando cada vez mais chato...
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Feito vinho
Aos 55 anos, Carlos Sainz venceu esse estranho Dakar que ocorre a milhares de quilômetros... de Dakar! Tudo bem ser uma marca, mas para mim sempre será estranho. E Sainz usou sua intocável velocidade para derrotar as feras do Cross-Country para conquistar o bicampeonato no rali, além de terminar a passagem da Peugeot em alta, pois os franceses estão saindo das areias sul-americanas. Por fim, Sainz. O seu primeiro título no WRC está perto de completar trinta anos e 'El Matador' continua firme como uma rocha no deserto. Sainz fala em aposentadoria. Seus rivais brincaram, dizendo que é uma boa ideia. Para os fãs, o melhor é que Carlos Sainz continue mostrando sua velocidade por mais alguns anos.
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Pagando pela decadência
Piloto pagante. Espécie nada rara que sempre existiu na F1 desde seus tempos idos. Naquele grid de 13 de maio de 1950 em Silverstone, haviam vários condes, barões e príncipes que pagavam verdadeiras fábulas para se divertirem a mais de 200 km/h. E assim foi ao longo das décadas, sempre com alguém pronto para pagar uma grana para estar no grid da F1. Houveram pilotos pagantes que se sobressaíram e o caso mais famoso foi de Niki Lauda, que comprava seu cockpit com empréstimos bancários antes de se tornar estrela da Ferrari. Com a cada vez maior profissionalização da F1, esses pilotos apareciam mais em equipes pequenas, como uma March da vida, além da simpática e teimosa Minardi.
Por isso que a notícia de Sergey Sirotkin assumindo o segundo carro da Williams mostrou bem o quanto a tradicional equipe pensa para o seu futuro. Vinte anos atrás, a épica temporada 1997 ainda reverberava com a lendária decisão de Jerez, onde Jacques Villeneuve conquistou seu único título. A pergunta era se a Williams permaneceria dominando como fazia desde 1992 com o carro 'de outro planeta'. Porém, a resposta é que Villeneuve conquistou o último título da Williams. E pelo jeito, esse recorde permanecerá ainda por muito tempo.
Desde Bruno Senna a Williams tinha sempre um piloto-pagante no seu plantel, passando pelo folclórico Pastor Maldonado. Lance Stroll entrou na Williams ano passado garças unicamente à fortuna do papai Lawrence. Mas Stroll venceu vários títulos na base? Perguntará alguém menos informado. Lawrence Stroll comprava a melhor equipe e contratava os melhores pilotos para treinarem o seu rebento até ser, adivinhem, campeão no final da temporada. Stroll mostrou até velocidade, mas sua impetuosidade excessiva também mostrou que Lance chegou à F1 cedo demais, mas como ele pode errar e bater à vontade (que papai paga), o canadense entrou logo na F1 para não perder muito tempo em caros simuladores pagos por Lawrence.
Porém, a Williams ainda tinha Felipe Massa. Mesmo não sendo o mesmo piloto pré-molada, Massa ainda era rápido e técnico o suficiente para desenvolver uma equipe de porte médio como a Williams. Só que a experiência do brasileiro não foi suficiente para fechar as contas da Williams.
O mundo se comoveu com a tentativa da volta de Robert Kubica, ainda mais pelo seu estado físico, particularmente o braço direito, ainda sequelas do seu grave acidente de rally em 2011. Kubica foi rápido nos testes, mas por trás de sua volta haviam milhões de euros de patrocínios polacos. Kubica, hoje anunciado piloto de teste da Williams, também seria um pagante. Porém, o dinheiro russo de Sirotkin pesou literalmente mais. O jovem russo tenta ser piloto pagante há muito tempo na F1. Alguns anos atrás ele quase comprou uma vaga na Sauber, mas ainda muito novo e com seus patrocinadores numa ligeira crise, Sirotkin adiou sua ida a F1, ficando vários anos marcando passo na GP2, hoje F2. Quando os seus patrocinadores viram a oportunidade, conversaram baixinho com o camarada Putin e... voi là, Sergey Sirotkin será segundo piloto da Williams. Mesmo estreando, Sergey é um pouco mais velho do que Stroll, fazendo com que a Williams tenha a dupla de piloto mais jovem da F1. Só que ao contrário da Toro Rosso, que sempre conta com jovens pilotos da cantera da Red Bull, a Williams teve seus dois cockpits comprados.
Vinte anos atrás a Williams pintava seus carros de vermelho por causa de um novo patrocinador, algo que não faltava para uma equipe grande e vencedora como era. Hoje, a Williams só consegue atrair jovens pilotos pagante e o vermelho é mais de vergonha, de um futuro nebuloso para uma equipe de tantas glórias.
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