terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

C37

A associação entre Sauber e Ferrari já pode ser considerada antiga e tradicional dentro da F1, contando mais de vinte anos de estrada, isso, sem contar os tempos em que os suíços foram comprados pela BMW no final da década passada. Sempre querendo aliados políticos nas votações para decidir os rumos da F1, a Ferrari ter uma equipe no bolso é uma grande ajuda. Além da estreita parceria com a Haas, a Ferrari alongou seu relacionamento com a Sauber, tornando a antiga equipe de Peter Sauber numa espécie de time B, além de ter trazido o nome da Alfa Romeo de volta à F1.

A pintura da Sauber/Alfa Romeo já era conhecida, mas o carro novo foi apresentado hoje. A Sauber passou por momentos turbulentos e quase fechou as portas, muito por causa da desastrada gestão de Monisha Katelborn. Com a ajuda de investidores suecos e da Ferrari, a Sauber ressurgiu na tentativa de sair das últimas posições e voltar a frequentar o pelotão intermediário, seu tradicional habitat em exatos 25 anos de F1. Provando os dois pilares que mantém a equipe, estão os dois pilotos da Sauber em 2018. A Ferrari impôs à equipe o jovem e promissor Charles Leclerc, piloto júnior da escuderia italiana. Atual campeão da F2 com sobras, Leclerc chega à F1 com pinta de futura estrela e todos esperam muito do que o monegasco possa fazer na F1. Do outro lado, os investidores suecos impuseram o horrível Marcus Ericsson em mais uma temporada, no lugar do ótimo Pascal Wehrlein, dono de todos os pontos da Sauber em 2017. Em sua quarta temporada na Sauber e na F1, todos sabem da (não) capacidade de Ericsson, mas seus patrocinadores ainda acreditam nele.

A Sauber tentará sair do buraco em que se meteu nos últimos anos com a preciosa ajuda da Ferrari, que se não colocará seu nome na equipe, costurou um belo Alfa Romeo na lateral do carro suíço.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

RB14

Normalmente a Red Bull deixa para os últimos dias para mostrar seu novo carro, mas em 2018 a equipe austríaca foi diferente. Tentando voltar aos dias de glória e acabar com o chorôrô dos seus dirigentes, a Red Bull foi a terceira equipe a mostrar suas armas para essa temporada, mesmo que com uma pintura alternativa.

A Red Bull não sofre com problemas financeiros, mas está num momento decisivo de sua existência. Após quatro temporadas impecáveis, a Red Bull viu uma mudança de regulamento onde a principal arma dos seus adversários era a única coisa que os austríacos não dominavam: o motor. Quando o regulamento de motores estava estável, a Renault serviu muito bem à Red Bull, porém a Mercedes tem hoje o melhor motor híbrido da F1, com a Ferrari logo atrás. A Renault ficou para trás nessa corrida e quem mais sofre é a Red Bull, que se viu sem armas para poder enfrentar Mercedes e Ferrari, mesmo tendo os meios para encarar essas gigantes. As cutucadas entre Red Bull e Renault são tão aparentes que é nítido que ambas apenas se suportam, porém, 2018 será o último ano dessa parceria tão vitoriosa quanto turbulenta, principalmente por causa dos dirigentes da Red Bull. No entanto, restam poucas opções para a Red Bull. Com Mercedes e Ferrari não querendo armar uma rival em potencial e brigada com a Renault, a Red Bull torce para que a Honda consiga uma evolução monstruosa após três anos com fracassos espetaculares. Ou então rezar para que a VW finalmente entre na F1...

Enquanto espera para ver o que será do seu futuro, a Red Bull entra em 2018 com pinta de terceira força da F1, mesmo com uma dupla de pilotos fortíssima. Cada vez mais maduro e experiente, a curva de crescimento de Max Verstappen é ainda ingrime e ainda estamos por ver o melhor do holandês. No outro lado do box, Daniel Ricciardo já percebeu que Max deverá ocupar o cargo de estrela da equipe num futuro próximo e o australiano terá um ano em que, ou conquista logo seus objetivos, ou mudará para uma outra equipe, ainda mais que é seu último ano de contrato.

Com forte investimento e dois pilotos excelentes e motivados, a Red Bull já superou suas concorrentes outras vezes e poderá fazê-lo novamente, resta saber como será a convivência nada pacífica com a Renault.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

0.000

No automobilismo, o tempo é contado de uma forma bem diferente do normal. Se para nós segundos algumas vezes passam desapercebidos, nas corridas um ou dois segundos chega a ser uma eternidade para os envolvidos, principalmente em categorias como a Nascar. Por isso que ao longo dos tempos aparecem cada vez mais casas decimais para decidir quem é o mais rápido ou simplesmente o vencedor. Nesse sábado, na primeira etapa da Xfinity Series em Daytona, a terceira casa decimal, há tanto tempo decidindo provas não foi suficiente para definir a vitória de Tyler Reddick. Depois de um final interminável com cinco prorrogações (uma anomalia da Nascar moderna...), Reddick bateu o veterano Elliot Sadler por um spoiler de diferença. No cronômetro, a diferença foi de 0.000s! Isso mesmo, deu empate! Apenas no photo-finish se definiu a vitória de Reddick. 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

FW41

Quando a temporada da F1 se aproxima do seu início, todas as equipes ficam otimistas para o ano vindouro, sempre esperando o melhor e que o desempenho do ano anterior seja superior. Para 2018, porém, a Williams talvez seja a única com o pensamento contrário. E por culpa da própria Williams.

Ao perder dois patrocinadores, a Williams precisou amealhar mais dinheiro e não satisfeita em ter Lance 'Riquinho' Stroll ao volante, contratou outro piloto-pagante, o russo Sergey Sirotkin. Os dois contestados pilotos terão a missão de manter a Williams no top-5 do Mundial de Construtores, um objetivo bem menor do que no ano passado, quando a tradicional equipe inglesa falava em pódios e até mesmo vitória. Mesmo o sarrafo tendo baixado, o objetivo da Williams parece ainda mais difícil de se obter em 2018. Quando a Mercedes tinha um motor bem superior à concorrência, a Williams ainda se sustentava no pelotão da frente, mas com a aproximação dos motores Ferrari e Renault, a Williams perdeu seu principal diferencial e hoje nem consegue superar a outra cliente da Mercedes, a Force India.

Para complicar, terá em seu plantel dois pilotos jovens de potencial para lá de duvidoso. Stroll venceu vários títulos nas categorias de base, mas está claro que o canadense chegou cedo demais na F1. Em sua estreia na F1 a inconsistência corrida a corrida de Lance assombrava, além do canadense nunca conseguir extrair todo o potencial do seu carro em volta de classificação. Stroll está com o cargo à perigo? Não com o papai pagando a brincadeira. E foi pagando muito dinheiro que Sergey Sirotkin ascendeu à F1, após uma tentativa frustrada na Sauber anos atrás. O russo esteve longe de brilhar nas categorias de base e pouco ou nada se espera dele.

O novo carro da Williams ficou bonito (apesar do Halo...) e pode até ser superior ao do ano passado. O problema é fazer Stroll e Sirotkin aproveitarem essa superioridade.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

VF-18

A Haas tinha sido a única equipe a não divulgar quando apresentaria seu carro para a F1-2018. Os americanos, no entanto, foram mais rápidos e antes de divulgar alguma data, divulgaram logo o novo carro para esse ano. Foi uma bela surpresa, além de inaugurar a temporada de apresentações para a temporada 2018 da F1. A novata Haas entrou muito mais preparada do que suas antecessoras (Lotus, Hispania e Virgin) na F1 e os americanos estão longe de fecharem o grid, mas ainda falta o passo adiante para que a Haas se consolide como uma equipe média. Isso pode afetar a paciência do dono da equipe Gene Haas. Quando ingressou na Nascar ao lado de Tony Stewart, rapidamente a equipe Haas foi campeã com Stewart, tornando-se uma equipe de ponta na stock americana. Na F1, a Haas ainda comemora pontos... Os dois pilotos da equipe vivem também momentos decisivos em suas carreiras. Grosjean já vai para a sua oitava temporada completa na F1 e sua busca por uma equipe grande vai ficando cada vez mais difícil, enquanto Kevin Magnussen terá que desfazer a fama de piloto desleal dentro da pista. O chefe de equipe Günter Steiner entrou numa polêmica nessas férias ao dizer que nenhum piloto americano está no nível da F1. Apesar de muita gente, principalmente da Indy, espernear o chefe da Haas não está totalmente errado, mas para garantir ter os americanos ao seu lado, a Haas não precisa desse tipo de polêmica, além de finalmente dar um passo à frente, mesmo tendo a mesma base de 2017 (leia-se a parceria com a Ferrari). Para o sonho de Gene Haas na F1 ter continuidade, esse passo à frente tem que ser dado logo, se possível em 2018.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Indy 1 x 0

Esse ano a F1 estreará o polêmico Halo em seus carros, que visa aumentar a segurança dos pilotos, com mais ênfase em objetos que possam atingir a cabeça do piloto, causa de boa parte dos acidentes graves nos últimos tempos nos monopostos. Após longos estudos, a polêmica foi criada por que o Halo não agrada visualmente, além de deixar brechas para que o piloto possa ser atingido por algo e piorar a visão de quem está atrás do volante a mais de 300 km/h. A última morte da Indy (Justin Wilson) aconteceu justamente por que uma peça atingiu a cabeça do inglês e a categoria também pensou em algo para minimizar esse tipo de acidente. Os americanos estudaram e usaram uma das alternativas que a FIA deixou de lado: um defletor transparente. Nessa semana Scott Dixon testou o aparato no novo carro da Indy e aparentemente protege melhor a cabeça do piloto, a visão do piloto não é afetada, além de ser bem mais agradável aos olhos do que o Halo. Se tudo der certo e a Indy escolher essa alternativa, ponto para os americanos.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Chatice atual

Não, não houve nenhuma corrida ruim para ficarmos lembrando dos 'bons tempos' que muitas vezes nem eram tão bons assim. A chatice atual tem uma conotação ainda mais ampla do que uma categoria ou esporte. O mundo está ficando cada vez mais chato. E ninguém parece ter força para mudar isso.

Essa semana a Liberty tomou sua atitude mais impopular dos últimos tempos ao acabar com as famosas gridgirls das corridas de F1. "O que há de mal uma mulher bonita ficar ao lado de um piloto antes da largada?" perguntou Bernie Ecclestone e vários fãs ao redor do mundo. Simplesmente não há mal nenhum, mas olhando o mundo atual, fica claro os motivos da Liberty fazer isso.

Todos tem que ser politicamente corretos, até mesmo instituições como a FIA ou a F1. Não se pode fazer mais nada, antes que alguém se sinta ofendido. Assistindo os velhos 'Trapalhões', que foi produzido na mesma época em que surgiram as gridgirls, via-se brincadeiras de todos os tipos. E todos achavam engraçado. Didi chamando Mussum de 'Grande pássaro'? Hoje é racismo. Didi insinuando que o Dede era gay? Hoje é homofobia. Os quatro trapalhões dando em cima de mulheres bonitas? Hoje seria machismo.  Lógico que não se pode ofender ou diminuir ninguém. Isso é desrespeito, além de falta de educação, mas hoje nada pode-se fazer sem que alguém se ofenda, se sinta atingido. Sou nordestino com muito orgulho e não me sentia quando o Mussum chamava o Didi de 'Paraíba'.

Os tempos dos 'Trapalhões' e das girdgirls eram mais leves e com uma fiscalização menos ostensiva. Se podia brincar e ninguém ficar de mimimi. Eram tempos de carros velozes e barulhentos. Dizem que o futuro é a F-E (que abdicou faz tempo das gridgirls e elogiou a F1 como se estivesse na vanguarda do não sei o que). Na F-E os carros são lentos, feios, as pistas são ruins e não há mulheres bonitas ao lado dos carros. Isso representa o politicamente correto na essência, pois os carros não emitem poluentes, mesmo que não haja emoção.

O mundo está ficando cada vez mais chato...