segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Figurão(ESP): Renault

 Aprendemos que sempre devemos fazer o correto mesmo quando ninguém esteja vendo, mas não há dúvidas de que a presença do chefe nos faz ter mais esmero em nossos serviços. A Renault recebeu nesse final de semana a visita do seu CEO, Luca de Meo. O dirigente talvez estivesse ávido em saber como uma montadora que passou maus bocados durante a pandemia ainda investe tanto dinheiro na F1. Com certeza Jerome Stoll e Cyril Abiteboul mostraram a equipe Renault e rezaram por um bom resultado, como o quarto lugar obtido por Ricciardo no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quinze dias atrás, afinal um bom resultado pegaria muito bem com o chefe. Pois foi justamente na frente de De Meo que a Renault teve seu pior final de semana de 2020, onde a equipe não encontrou ritmo nem nos treinos, muito menos na corrida. Pela primeira vez a equipe não colocou um único carro no Q3 e a corrida esteve longe de melhorar, com Ricciardo e Ocon fora dos pontos e dando pouca impressão que o fariam. Antes que se culpe o motor, a cliente McLaren pontuou com seus dois carros novamente e briga com Racing Point e Ferrari pelo terceiro lugar do Mundial de Construtores. Uma luta onde a equipe oficial da Renault não se encontra no momento. Com certeza Stoll e Abiteboul tiveram muito o que se explicar ao CEO da Renault sobre os péssimos resultados do final de semana espanhol.

domingo, 16 de agosto de 2020

Alta tensão

 

O circuito de Interlagos já é um dos palcos mais tradicionais da F1 e uma pista feita sobre medida para carros. Contudo, a pista paulistana não serve para motos. O motivo é muito simples: os muros em volta em partes de alta velocidade, como a reta dos boxes e a reta oposta, não deixando margens para erros para os motociclistas. O circuito de Spielberg, com suas retas e longos trechos de alta velocidade, trouxe boas corridas de F1 esse ano, porém, não é de hoje a visita da MotoGP é motivo de muita preocupação para os pilotos. Dona da média mais alta de velocidade do calendário (o atual ou o original), Spielberg tem vários locais onde os muros estão bem próximos e qualquer saída de pista pode ocasionar um sério acidente.

Hoje a pista austríaca proporcionou dois graves acidentes, sendo que o último tinha um potencial trágico. Na Moto2 o italiano Enea Bastianini perdeu o controle da sua moto bem no meio do pelotão, numa situação grave, pois foi na saída da curva um, que fica numa subida, ou seja, é cega em sua saída. Hazfin Syarhin não viu a tempo a moto caída de Bastianini e acertou-a em cheio. O malaio foi levado ao hospital com algumas contusões, principalmente no quadril, no que parecia pouco num acidente aterrorizante. Porém, o pior veio na MotoGP. Numa disputa de posição, Zarco bateu em Morbidelli em alta velocidade. Por sorte os dois não foram atingidos pelas motos, que saíram sozinhas e se espatifaram contra os guard-rails. Contudo, as motos por muito pouco não atingiram as Yamahas de Viñales e Rossi. A reação assustada de Rossi quando chegou aos boxes indicava bem o potencial de tragédia que o experiente piloto escapou. Com as motos vindo sem controle a mais de 200 km/h, se fosse atingido, Viñales ou Rossi poderiam se machucar seriamente. Ou até mesmo pior. Rossi nasceu de novo.

Quando a corrida reiniciou, parecia que a KTM venceria novamente com Pol Espagaró, mas a bandeira vermelha diminuiu o número de voltas da corrida e fez com que os pilotos trocassem seus pneus e suas estratégias. Dominadora na Áustria, a Ducati tinha Jack Miller e Andrea Doviziozo na briga com Pol e as Suzukis. Espargaró perdeu posições na relargada e acabou se envolvendo num incidente com a outra KTM de Miguel Oliveira, que chegou aos boxes bastante irritado. Com pneus médios, a dupla da Suzuki parecia ter uma certa vantagem sobre a dupla da Ducati, que escolheram a borracha macia. Contudo, Alex Rins acabou caindo quando tinha pinta que partiria para a ultrapassagem vitoriosa sobre Doviziozo, que administrou sua vantagem sobre Miller, que ainda foi ultrapassado por Joan Mir na penúltima curva da corrida, coroando o primeiro pódio do jovem espanhol. Com Quartataro tendo outra corrida ruim, Doviziozo entra na luta pelo título justamente quando anunciou que não estará com a Ducati em 2021, fazendo do seu futuro o grande mistério desse segundo semestre. Piloto cerebral e muito inteligente, Andrea Doviziozo se encaixaria em qualquer equipe e todas as montadoras sabem disso.

Contudo, não se pode negar que esse domingo foi mais tenso do que o normal no Mundial de Movelocidade, onde dois acidentes poderiam ter consequências trágicas e o pior é que semana que vem teremos uma nova etapa na perigosa pista da Red Bull.

Tudo normal em Barcelona

Passa ano, muda regulamento, muda a geração de pilotos, mas a F1 tem uma certeza: a corrida em Barcelona será um enorme bocejo. Das trinta edições do Grande Prêmio da Espanha realizado no circuito de Barcelona, conta-se nos dedos de uma mão as corridas realmente boas e emocionantes. Uma mistura de pista estreita, conhecida das equipes e com curvas rápidas transformaram a pista localizada em Montmeló em um sonho para as equipes, mas um pesadelo para os fãs da F1, que ficam quase duas horas se apegando em alguma coisa para se manter acordado até a bandeirada. Claro que Lewis Hamilton não teve do que reclamar e de ponta a ponta, venceu a corrida de hoje, espantando qualquer zebra como ocorrida semana passada.

sábado, 15 de agosto de 2020

Contagem regressiva

A diferença brutal da Mercedes para as rivais em ritmo de classificação em 2020 já permite uma contagem interessante para os números da F1: quando Lewis Hamilton alcançará a inacreditável marca das 100 poles. Tendo como adversário unicamente seu companheiro de equipe, Hamilton novamente colocou Bottas no bolso em Barcelona para vencer a disputa particular com o nórdico dentro do seio da Mercedes e conseguir sua pole de número 92. E contando.

Numa classificação extremamente convencional no extremamente convencional circuito de Barcelona, foram poucos os destaques. Kimi Raikkonen conseguiu levar a péssima Alfa Romeo ao Q2 pela primeira vez em 2020, a Williams ficou de fora do Q2, algo que George Russell vinha conseguindo com alguma constância, a Renault decepcionou bem na frente do seu CEO e novamente Vettel ficou de fora do Q2, superado por meros dois milésimos por Lando Norris, que junto à Hamilton, Bottas e Verstappen, são os únicos a participarem de todos os Q3 de 2020. Para mim o maior destaque do treino de hoje foi a estreia de Everaldo Marquez numa transmissão de F1 no Sportv. Narrador consagrado nos esportes americanos, mas muito versátil, Everaldo migrou para o grupo Globo esse ano e claramente atrapalhado pela pandemia, não pôde ainda mostrar todo seu talento. Já tendo narrado F1, mas pelo rádio, era esperado que Marques debutasse na F1 e nesse final de semana onde Sergio Maurício narrará a Copa Truck, Everaldo deu conta do recado com muita informação e descontração. 

A época do ano totalmente singular para o Grande Prêmio da Espanha pode dar um ligeiro tempero na corrida de amanhã, pois o forte calor deu um trabalho fora do normal à Mercedes em Silverstone, onde as temperaturas eram até menores do que hoje. Dessa vez a Red Bull não pensou diferente e Max Verstappen largará com os mesmos pneus da dupla da Mercedes à sua frente. Resta saber como os carros negros se comportarão amanhã, mas o favoritismo é todinho da Mercedes na corrida. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

História: 25 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1995

A Hungria recebia pela décima vez a F1 sendo um sucesso absoluto de público, mesmo que haviam críticas frequentes ao circuito tortuoso e estreito, dificultando muito as ultrapassagens. Enquanto os carros chegavam à Budapeste com o máximo de downforce possível, os bastidores da F1 pegavam fogo 25 anos atrás. A contratação de Michael Schumacher pela Ferrari era dado como certeza e a presença de Gianni Agnelli na Hungria apenas aumentou a sensação que a divulgação era iminente, mas tudo o que Schumacher anunciou naquele final de semana foi seu casamento. Com a saída de Schumacher, Flavio Briatore investia forte em Jean Alesi, enquanto Gerhard Berger não se manifestava sobre seu futuro, sabendo apenas que não seria na Ferrari em 1996. A Benetton negociava com Rubens Barrichello, enquanto a Williams decidia em renovar com Damon Hill, mesmo o inglês fazendo uma temporada medíocre em 1995, com erros crassos nas duas corridas anteriores. Enquanto testava Jacques Villeneuve, a Williams já pensava em 1997 e sondava Frentzen. Mesmo garantido para 1996, Hill não era o futuro da Williams naquele momento.

Debaixo de forte calor, os treinos foram marcados por um forte acidente de Jean Alesi na sexta-feira, que quase tirou o piloto da Ferrari do final de semana. Mesmo não sendo um carro que historicamente andasse bem em Hungaroring, a Williams dava à Damon Hill sua quarta pole em 1995, três décimos à frente de Coulthard. Schumacher teve problemas com o acerto do seu Benetton e teve que se conformar com a terceira posição, enquanto Berger fechava a segunda fila. Enquanto negociava seu futuro na F1, Rubens Barrichello tomava 1.5s de Irvine na classificação, que ganhava a fama de rápido e atraía a atenção da Ferrari.

Grid:

1) Hill(Williams) - 1:16.982

2) Coulthard (Williams) - 1:17.366

3) Schumacher (Benetton) - 1:17.558

4) Berger (Ferrari) - 1:18.059

5) Hakkinen (McLaren) - 1:18.363

6) Alesi (Ferrari) - 1:18.968

7) Irvine (Jordan) - 1:19.499

8)  Brundle (Ligier) - 1:19.748

9) Herbert (Benetton) - 1:20.072

10) Panis (Ligier) - 1:20.160

O dia 14 de agosto de 1995 amanheceu ensolarado e muito quente em Budapeste, trazendo um desafio extra aos pneus Goodyear, que sugeriu às equipes fazerem três paradas. No warm-up Schumacher ficou com o tempo mais rápido, indicando que poderia estar muito forte na corrida. Na luz verde a dupla da Williams manteve suas posições, enquanto Schumacher largou mal e teve que usar suas criticadas manobras diagonais para manter sua terceira posição à frente de Hakkinen e Berger.

Imediatamente Hill abriu uma boa vantagem para Coulthard, que claramente segurava Schumacher. Como a pista de Hungaroring sempre foi difícil de se ultrapassar, a corrida era normalmente decidida na tática. Schumacher pressionava como podia, mas Coulthard se segurava, enquanto Hakkinen abandonava bem cedo com o motor Mercedes quebrado. Na volta 13 Coulthard cometeu um pequeno erro e mesmo não saindo da pista, permitiu a Schumacher tomar a segunda posição, mas o alemão já estava exatos 12s atrás de Hill. Mais atrás, acontecia um dos acontecimentos mais folclóricos da história da F1. O japonês Taki Inoue estacionou seu Arrows ao lado da pista com o motor quebrado. Inoue tentou extinguir um pequeno incêndio em seu carro, mas acaba sendo atingido por um carro de apoio. Ainda zonzo após ser atropelado, Inoue não consegue se levantar e é ajudado pelos médicos, mas nada aconteceu com o japonês. E para sempre Inoue entraria para a história da F1 pelo lado dos fundos.

Logo após a presepada de Inoue, os pilotos da frente foram aos pits fazer suas primeiras paradas, mas Schumacher tem problemas na mangueira de reabastecimento e volta à pista com menos combustível do que o esperado, fazendo o alemão voar na pista e diminuir a desvantagem de Hill, mas o piloto da Benetton tem que fazer sua segunda parada poucas voltas depois. Ao menos ele sairia logo à frente de Coulthard, que estava com problemas de estabilidade em seu Williams. Hill faz sua segunda parada e retorna logo à frente de Schumacher, que o pressiona, mas Damon resiste bem aos ataques. Mais atrás Alesi abandonava a prova com o motor quebrado. Schumacher faz sua terceira parada sem conseguir ultrapassar Hill e praticamente teria que se conformar com a segunda posição. Blundell, Barrichello e Berger vão aos boxes para reabastecer e voltam à pista na mesma ordem. Blundell e Barrichello estavam numa estratégia diferente e ganhavam muitas posições na corrida. Hill faz sua terceira parada calmamente e retorna à pista em primeiro, com Schumacher mais de 11s atrás e tendo que poupar os pneus para eles resistirem até o final sem uma quarta parada.

Na medida em que a corrida se aproximava do final, as posições ficam assentadas e parecia que nada mudaria. Porém, carreras son carreras, como diria o mítico Juan Manuel Fangio. Irvine vinha num bom quarto lugar quando sua embreagem quebrou e quem herdou a posição foi Barrichello, numa ótima corrida de recuperação após largar em 14º. Faltando apenas três voltas a bandeirada a boa corrida de Rubens ficaria ainda melhor quando o motor Renault da Benetton de Schumacher silenciava-se. Eram fim de prova para o alemão, com Hill quase um minuto na frente do seu companheiro de equipe Coulthard e Barrichello conseguindo um quase heroico pódio. Contudo, o sonho de Barrichello se tornaria um pesadelo no finalzinho da corrida. O motor Peugeot tinha um sensor que desligava o motor quando ele estivesse prestes a explodir. Faltando poucas curvas para a bandeirada, o motor Peugeot travou e para não quebrar, ele desligou automaticamente. Barrichello ainda tentou chegar no embalo, mas acabou ultrapassado pelo grupo que tinha Berger, Herbert, Frentzen e Panis. Foi uma das maiores decepções da carreira de Barrichello, que saiu do carro desolado. Se não fosse o sensor, ele terminaria a corrida com o motor estourado, mas em terceiro! Com um grand-chelem (Pole, melhor volta, vitória e todas as voltas lideradas), Damon Hil dava uma resposta aos seus críticos numa corrida marcada por duas situações inusitadas.

Chegada:

1) Hill

2) Coulthard

3) Berger

4) Herbert

5) Frentzen

6) Panis

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Figura(70): Max Verstappen

 Esse lugar bem que poderia ser também da Red Bull, que bolou uma estratégia magistral, pensando em tudo antes mesmo da largada, ainda na classificação, para derrotar a então imbatível Mercedes, mas o time austríaco não conseguiria desbancar a Mercedes se não tivesse um piloto diferenciado no seu plantel. Max Verstappen novamente só não fez chover em Silverstone, sendo que dessa vez, Max usou o incomum calor que assolou a velha base aérea inglesa para conseguir uma vitória arrebatadora. Conseguindo sua melhor volta no Q2 com pneus duros, Verstappen rapidamente pulou para terceiro, ficando na sua habitual posição atrás dos carros da Mercedes. Contudo, os bólidos negros de Stuttgart não dispararam na frente, como esperado. Com os pneus derretendo em bolhas no forte calor britânico, Bottas e Hamilton foram incapazes de imprimir um ritmo forte, enquanto Verstappen mantinha um ótimo ritmo com os pneus mais duros do final de semana. Se não conseguiu ultrapassar Hamilton na pista, Verstappen deu sua parte de show quando ultrapassou Bottas na saída de sua primeira parada, deixando o finlandês sem pai, nem mãe em uma bela manobra no final da reta Wellington. Mesmo com pneus duros a dupla da Mercedes não conseguiu acompanhar a Red Bull de Verstappen, que acabou com o 100% da Mercedes em 2020 com doses de inteligência tática de sua equipe de engenheiros e talento exuberante do seu piloto.

Figurão(70): Sebastian Vettel

Na F1 é comum haver discrepâncias entre companheiros de equipe por motivos variados, sendo que na maiorias das vezes ocorre por pura e simples diferença de talento. Em 2020 na Ferrari está acontecendo algo que pode ser histórico e inédito, que é um multi-campeão sendo completamente superado pelo companheiro de equipe. O segundo final de semana de Sebastian Vettel em Silverstone foi sofrível, ainda pior que na semana passada, quando o alemão viu Leclerc subir ao pódio. Se já não bastasse ser constantemente superado na classificação por Leclerc, Vettel voltou a errar na corrida, rodando sozinho ainda na primeira volta, o deixando praticamente na última posição. Um erro que já não é novidade para o alemão. Tendo que remar tudo de novo, em outros tempos Vettel faria uma corrida de recuperação com sua Ferrari, mas com os italianos sofrendo com o carro desse ano, tudo o que Sebastian teve que fazer foi brigar com Alpha Tauris, Alfa Romeos e Renaults. Para complicar tudo, Vettel não se fez de rogado em criticar a tática da Ferrari depois da corrida, que segundo o alemão, o fez perder ainda mais tempo. A Ferrari não perdeu tempo também, dizendo que a estratégia já estava estragada quando Vettel rodou. Se já não bastasse a falta de confiança com um carro longe do ideal, a falta de apoio da equipe, pois foi dispensado antes mesmo da temporada começar, Vettel ainda se meteu numa polêmica boba com a Ferrari. Ainda procurando uma equipe para 2021, o destino de Vettel pode ser ainda mais constrangedor que sua atual temporada 2020 da F1: a demissão sumária no meio da temporada. Um fato que pode ocorrer e que não combina com um tetracampeão, porém, qual equipe grande contrataria um piloto que vê seu companheiro de equipe conquistar resultados acima do potencial do carro e o piloto em questão se arrasta fora da zona de pontuação. O futuro de Vettel na F1 ainda é incerto, mas o garoto risonho do começo da década de 2010 ficou bem para trás.