O procedimento de entrada do Safety-Car nos pits após a pista ser limpa sempre fui muito claro para toda a F1. No meio da volta o SC apaga suas luzes no teto sinalizando aos pilotos que estava entrando nos boxes e a bandeira verde seria mostrada mais adiante. Isso dava tempo ao primeiro colocado programar quando o ritmo da corrida reiniciava, lhe dando vantagem na relargada. Pois bem, em 2020 a FIA resolveu mudar esse procedimento, com o SC apagando as luzes já no final da volta, com o claro intuito de não dar tempo ao líder para recomeçar o ritmo quando quiser e tentar colocar mais 'emoção' nas relargadas. Em Mugello, o tiro saiu pela culatra! Bottas liderava o pelotão e a luz do SC só apagou na entrada da última curva. O piloto da Mercedes foi tão surpreendido que simplesmente não acelerou quando apontou na reta dos boxes, mesmo com bandeira verde à mostra, Bottas demorou a acelerar de verdade, causando o famoso efeito sanfona no pelotão de trás. Latifi desviou à tempo de Kvyat, mas Giovinazzi acertou Magnussen em cheio e acabou levando Sainz e o próprio Latifi. Os quatro abandonos trouxe a bandeira vermelha e por sorte, ninguém se machucou. Apenas os bolsos dos chefes de equipe, que tiveram que lhe dar com quatro carros destruídos. A linha entre esporte e entretenimento sempre foi muito tênue. O automobilismo em geral sofre para encontrar o equilíbrio e a F1 nunca deverá perder esse equilíbrio, antes que alguém acabe se machucando apenas para a corrida ter mais 'emoção'.
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
domingo, 13 de setembro de 2020
Domínios diferentes
Domínios acontecem em todos os esporte e ocorrem de forma recorrente. A parte boa do esporte é quando há alternância desse domínio, com determinada equipe vencendo por um período de tempo para ser derrotada por outra alguns anos depois. Na Indy, categoria conhecida por sua forte competitividade, aconteceu algo bem interessante nesse final de semana. Com um calendário bem atropelado por causa da pandemia, a Indy programou duas corridas em Mid-Ohio, tradicional pista mista no mesmo estado.
No sábado, a Penske matou a pau com uma dobradinha dominadora com Will Power e Josef Newgarden, numa corrida onde simplesmente não houve bandeiras amarelas e o australiano chegou a colocar 8s em seu companheiro de equipe. No dia seguinte, numa classificação realizada com pista molhada, foi a Andretti que dominou a corrida de domingo, com Colton Herta liderando uma tripleta com Alexander Rossi e Ryan Hunter-Reay. A Andretti ficou com todo o pódio. Destaque negativo nas equipes dominantes foi Simon Pagenaud no sábado, quando errou na primeira volta e ainda teve problemas no seu pit, destoando na Penske, enquanto Marco Andretti simplesmente não honra seu sobrenome com corridas horrorosas, só estando na forte equipe da família por ser filho do dono.
Em comum a essas corridas foram exibições ruins de Scott Dixon. No sábado o piloto da Ganassi largou muito atrás e numa pista onde domina, ainda conseguiu ultrapassagens que o colocaram em décimo. Largando em terceiro hoje, Dixon rodou sozinho e chegou a cair para último. Tendo que remar tudo outra vez, Dixon repetiu a colocação de sábado, mas viu sua boa diferença para Newgarden no campeonato ir para os ares. Porém, nada impede que a Ganassi domine na próxima corrida, ou então Penske, Andretti, Rahal...
Corrida sem fim
A era dos iniciantes
A mesma pergunta que se faz na F1, era feita na MotoGP até o início do ano: Como seria se o dominador estivesse de fora? No caso, das duas rodas, o que seria da MotoGP sem Marc Márquez? As corridas, em sua maioria, normalmente são excelentes na MotoGP, mas o vencedor não mudava nunca: no fim, sempre dava o espanhol da Repsol Honda! Com o sério acidente de Márquez ainda na primeira corrida desse ano, essa resposta foi dada com um campeonato de 2020 simplesmente espetacular, permanecendo o alto nível das corridas.
Fabio Quartararo deu pinta que poderia dominar a temporada, mas o francês está dando pinta mesmo de ser um Maverick Viñales melhorado. Depois das duas vitórias de Quartararo, houveram mais quatro vencedores diferentes e assim como o francês, três deles estrearam no topo do pódio. Após as duas vitórias da KTM com Brad Binder e Miguel Oliveira, hoje foi a vez de Franco Morbidelli brilhar em Misano com uma vitória enfática, dominando de ponta a ponta, mostrando a Petronas Yamaha que a equipe não tem apenas Quartararo. A corrida de hoje em Misano foi muito próxima o tempo inteiro, mas o domínio da Yamaha na classificação não se espelhou por completo na corrida. Enquanto Morbidelli e Rossi se mantiveram na ponta, Viñales e Quartararo despencaram pelotão abaixo. Sendo que no caso do francês, literalmente. E duas vezes! Desde as vitórias em Jerez Quartararo esteve longe do nível exibido na Andaluzia e hoje fez uma corrida horrenda, onde conseguiu a proeza de cair duas vezes. Já Viñales fez o de sempre. Conseguiu uma bela pole, largou muito mal e com a confiança abalada, foi sendo ultrapassado em sucessão até cair para sexta posição final.
Com pouco mais de metade da idade de Valentino, Morbidelli não cedeu um centímetro sequer para o experiente piloto e quando Rossi começou a perder rendimento de sua Yamaha, Franco manteve a liderança e não foi incomodado, vencendo de ponta a ponta sua primeira corrida na MotoGP. O surpreendente Francesco Bagnaia, que andava pelo paddock de bengala por causa de uma fratura na perna, foi o melhor piloto da Ducati e saiu de oitavo para segundo com o mesmo ritmo de Morbidelli. Bagnaia é o grande favorito para ser companheiro de equipe na Ducati oficial em 2021 de Jack Miller, que mais uma vez largou bem, brigou pela liderança e foi batido pelo desgaste de pneus. Na busca do seu pódio de número 200, Rossi foi superado na última volta por Joan Mir, que no final da penúltima volta tinha ultrapassado a outra Suzuki de Alex Rins. Segundo pódio seguido de Mir, demonstrando que 2020 vem sendo o ano dos jovens pilotos.
Porém, com a queda de Quartararo, o novo líder da MotoGP é um velho conhecido: Andrea Doviziozo. Meio brigado com a Ducati e sem ritmo em Misano, Dovi fez uma corrida de espera e os nove pontos do sétimo lugar o fizeram superar Quartararo no campeonato, mas por pouco. Sem Márquez, a MotoGP está basicamente sem favoritos e os pilotos novatos (ou quase novatos) vem se aproveitando para brilhar, mostrando que a próxima geração da MotoGP vem com muita força.
sábado, 12 de setembro de 2020
Posição importante
Lewis Hamilton conquistar mais uma pole, com seu companheiro de equipe Valtteri Bottas ao seu lado está longe de ser uma surpresa em 2020, mas na pista de Mugello, isso deverá ser essencial para a corrida de amanhã. Qualquer vacilo e as Mercedes teriam muito mais trabalho nesse domingo, devido ao fato de ultrapassar em Mugello não seja uma tarefa das mais fáceis, mas Hamilton e Bottas cumpriram bem os seus papeis, ou seja, Bottas pôde ter sido mais rápido nos treinos livres, mas na hora do vamos ver, Hamilton colocou ordem na casa.
Falando em Mugello, a bela pista italiana já caiu no gosto de todo o 'ecossistema' da F1. Pilotos, equipes e fãs adoraram a pista de alta velocidade (média de 250 km/h), onde a marcha mais baixa utilizada foi a terceira, com curvas de alta e média, além de muitas subidas e descidas. Pista muito utilizado na MotoGP, Mugello caiu como uma luva para os atuais carros de F1, mas isso não garante uma corrida emocionante amanhã. Devido à sua característica de curvas de alta velocidade, Mugello não oferece muitas oportunidades de ultrapassagens, nem mesmo na enorme reta dos boxes, na entrada da famosa curva San Donato. A anfitriã Ferrari não comemorará seu milésimo GP da forma que queria, mas pelo menos não passou o vexame das duas corridas anteriores, com Leclerc beliscando um Q3. O pelotão intermediário está muito equilibrado, com os tempos muito próximos e até mesmo o vencedor da corrida passada Gasly ficando ainda no Q1.
Com uma pista tão complicada de ultrapassar, a Mercedes não poderia dar o mínimo mole, ainda mais com Verstappen mais perto dessa vez. Bottas liderou durante todo o final de semana, mas no momento da onça beber água, Hamilton fez o seu papel e garantiu a pole de número 95. A largada será essencial amanhã pela posição da pista, mas o forte calor e as curvas de alta deverão machucar bastante os pneus. Numa pista nova (e bela), tudo será novo em Mugello, mas os resultados não poderão ser tão diferentes assim.
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
E ele não se aposentou
Como uma peça de dominó que é derrubada, o anúncio da saída de Sergio Pérez da Racing Point no dia de ontem era a deixa para que Sebastian Vettel fosse anunciado nessa manhã como novo piloto da equipe, que em 2021 se chamará Aston Martin e terá status de equipe de fábrica.
Muito se falava que a Aston Martin seria o porto seguro de Vettel após sua passagem abaixo das expectativas na Ferrari. O alemão sabia que não tinha chances na Mercedes, principalmente com as constantes sovas levadas por Hamilton ao longo dos últimos tempos, apesar dos multi-campeões se respeitarem bastante. Sem muitas opções em cockpits competitivos, Vettel viu na futura Aston Martin uma alternativa viável para continuar sua carreira na F1. Não é de hoje que a Mercedes questiona se vale ou não à pena se manter como equipe própria na F1 e Toto Wolff já demonstra sinais de cansaço. O dirigente estaria estafado da constante pressão de manter o alto sarrafo que a Mercedes colocou nos atuais padrões da F1. Pensando, talvez, num cargo menos estressante, o dirigente austríaco já tem ações da futura equipe britânica.
Com laços estreitos com a Mercedes, começando com a cópia descarada do carro do ano passado, a futura Aston Martin tem um futuro promissor pela frente e sendo alemão, Vettel se ajuntaria de alguma maneira com a Mercedes. Porém, Vettel pode ter problemas se a política da equipe permanecer. Apesar da força da Aston Martin, o dono da equipe nada mais é que Lawrence Stroll, magnata canadense que faz questão de bancar a brincadeira do seu filho Lance. Apesar de ainda jovem e ter sido treinado para chegar à F1 desde muito novo, é nítida a falta de talento de Lance Stroll, mas como ele é filho do homem...
Não foi raro os outros pilotos da equipe Racing Point fazendo paradas 'estranhas' no final da corrida, fazendo com que Lance fosse o piloto número um da equipe no final das corridas. Pérez e Hulkenberg são claramente muito mais capacitados do que Stroll, mas foram negligenciados na estratégia da equipe em vários momentos e foram deixados de lado por causa do canadense. Será que Vettel aceitaria de bom grado uma parada 'estratégica' nas últimas voltas?
Pérez está no mercado e sua situação não é nada boa, com poucos lugares vagos que valham realmente a pena. O mexicano estava na equipe desde 2014 e ajudou a equipe se recuperar de sua pior fase, quando o chefão Vijay Mallya foi preso. Porém, Pérez acabou tragado pela equipe de Stroll, mesmo tendo ainda contrato. Por um lado, é ótimo para a F1 manter Vettel em seu grid em 2021, porém, claramente o piloto sacado da equipe foi o errado.
terça-feira, 8 de setembro de 2020
Super Aguri
Por muitos anos ele foi o único japonês a ter subido ao pódio na F1 e mesmo não sendo tão popular quanto o seu contemporâneo Satoru Nakajima, Aguri Suzuki também tinha seu espaço junto aos japoneses a ponto de ganhar, assim como Nakajima, um vídeo game com o seu nome. A carreira de Suzuki na F1 parecia somente se resumir ao seu pódio único em Suzuka, mas Aguri voltaria à categoria anos depois como dono de equipe, mas de forma efêmera. Completando 60 anos de idade hoje, vamos conhecer um pouco da carreira de Suzuki, que quase era sinônimo de sua pista favorita.
Aguri Suzuki nasceu no dia 8 de setembro de 1960 em Tóquio, Japão e o automobilismo sempre esteve presente em sua vida, pois seu pai fora um dirigente local e fundador da primeira federação de kart no Japão. Aguri deu suas primeiras voltas de kart em 1972, mas só começou a competir aos 17 anos, conquistando o título japonês de kart em 1978. Suzuki subiria para a F3 no ano seguinte, mas em paralelo correria de kart, sendo campeão outras vezes. Em 1982 Suzuki seria vice-campeão de F3 com duas vitórias, mas ao invés de subir para o conceituado campeonato de F2 Japonesa, ele foi contratado pela Nissan para correr em campeonatos locais de turismo, mas também lhe proporcionou sua estreia em Le Mans em 1986.
Em 1987 Aguri se juntaria com um patrocinador que lhe ajudaria bastante no futuro: a Footwork. Ele estreou na então F3000 Japonesa no mesmo ano sendo logo vice-campeão, conquistando o título em 1988. A Footwork apostava bastante em Suzuki e o inscreveu algumas vezes no certame europeu, mas Suzuki pouco fez, mas não demoraria para ele estrear na F1, na porta aberta por Satoru Nakajima. A equipe Lola estava desfalcada de Yannick Dalmas, que estava doente, quando chegou ao Grande Prêmio do Japão de 1988 e teve que procurar às pressas um piloto local. Com apoio da Footwork Suzuki estreou em Suzuka levando o carro até o fim. Graças a contatos que tinha com a Yamaha, conseguiu um lugar na Zakspeed em 1989, mas a equipe alemã não projetou um bom carro e Aguri não conseguiu sequer sair da pré-classificação durante a temporada. Mesmo não mostrando muita coisa na Zakspeed, Suzuki ainda conseguiu um lugar na equipe Larrousse em 1990, que nada mais era do que a sucessora da Lola. Com mais treinos e um carro melhor, Aguri começava a mostrar bons resultados, com seu primeiro ponto com um sexto lugar em Silverstone e a mesma posição em Jerez.
Desde as categorias de base Aguri Suzuki sempre havia dando muito bem em Suzuka, cujo nome era bem parecido com o seu. Na corrida de 1990 Aguri largou numa boa nona posição e viu de perto o 'atropelo' de Senna em Prost na primeira curva da prova. Mansell e Berger abandonaram cedo, com a corrida indo para as mãos da dupla da Benetton, com Piquet à frente de Roberto Moreno. Suzuki fazia uma corrida sólida e quando Patrese fez sua parada nos boxes, Aguri assumiu a terceira posição e com isso, se tornou o primeiro japonês a subir no pódio na F1. Como esperado, Suzuki comemorou muito seu feito e se tornou herói no Japão. Porém, 1991 seria bem diferente. Com problemas financeiros a Larrousse não desenvolveu seu carro e foi perdendo rendimento ao longo da temporada. O sexto lugar na primeira corrida em Phoenix foi a única vez que Suzuki viu a bandeirada em 1991 e na metade final da temporada ele nem conseguia tempo para largar. A sua antiga parceira Footwork havia comprado a Arrows e Suzuki foi imediatamente contratado em 1992, mas o japonês teve duas temporadas decepcionantes, onde não marcou nenhum ponto, foi superado pelos seus experientes companheiros de equipe (Alboreto e Warwick) e seus erros fizeram crescer um certo tabu na F1, onde piloto japonês era sinônimo de piloto ruim.
Quando Jackie Oliver retomou a equipe Arrows, Suzuki foi dispensado e fez um ano no campeonato de GT no Japão em 1994, quando surgiu outra oportunidade na F1. Em 1995, ajudado pelo fabricante de motores Mugen Honda, Aguri ingressou na equipe francesa Ligier, em alternância com Martin Brundle. Suzuki teve uma temporada difícil, onde só marcou ponto em Hockenheim. Numa dessas ironias da vida, Aguri sofreu um sério acidente nos treinos para o Grande Prêmio do Japão em Suzuka e com dores no pescoço, desistiu da corrida e da carreira, aos 35 anos. Justamente na pista que o marcou para sempre. Foram 64 corridas, oito pontos e seu famoso pódio em 1990.
Aguri Suzuki retornou ao seu país e fez algumas provas, antes de pendurar o capacete para ser agente de jovens pilotos japoneses e chefe de equipe na F-Nippon. Em 2003, ele abriu uma equipe na IRL, chamada Super Aguri Racing, com Roger Yakusawa como piloto e depois seu protegido Kosuke Matsuura em 2004. A Honda mantinha uma equipe na F1, mas tinha um problema na mão. Takuma Sato era muito popular em seu país e havia conquistado bons resultados em 2004, mas o japonês havia perdido claramente desempenho depois disso e se a Honda quisesse dar um passo à frente, teria que se livrar de Sato. Quando a Honda divulgou a contratação de Rubens Barrichello, os japoneses entraram em polvorosa: e Sato? Para não perder sua base de fãs, a Honda entrou em contato com Aguri Suzuki e no final de 2005 anunciaram a criação de uma equipe de Fórmula 1, com motores Honda, tendo como pilotos Takuma Sato e Yuji Ide, esse um protegido de Suzuki. Surgia a Super Aguri Racing, que nas primeiras corridas utilizou um velho Arrows A23 atualizado. Ide foi tão mal que seria quase que expulso da F1. Em 2007 a equipe usou o carro da Honda do ano anterior com adaptações e Sato marcou os primeiros pontos da escuderia, porém, a saída de Sato praticamente selou o fim da Super Aguri no início de 2008. Aguri Suzuki continua procurando jovens talentos japoneses até hoje.
Parabéns!
Aguri Suzuki













