sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

RB19

 


Quando a Red Bull saiu do senso comum das apresentações contemporâneas da Formula 1 e atravessou o Atlântico para mostrar seu novo carro para a temporada 2023 em Nova Iorque, pouca gente poderia supor o que tinha por trás dessa iniciativa dos austríacos. Afinal, o carro não muda suas cores desde que praticamente a Red Bull entrou na F1 como equipe, em 2005. No entanto o fato da Red Bull apresentar seu novo carro nos Estados Unidos tinha muito a ver com a grande novidade da F1 para os novos regulamentos de motores em 2026, pois nada melhor do que ir ao país da montadora que retornará a F1, após um período de muito sucesso entre as décadas de 1970 e 1990, para mostrar a grande novidade desse começo de ano. A Ford acertou seu regresso à F1 após mais de vinte anos, em parceria com a Red Bull.

Desde que a Honda anunciou a sua saída da F1 em 2020, talvez de forma açodada, a Red Bull ficou com um pepino nas mãos. Tendo um dos melhores carros da F1, nenhuma montadora já envolvida na categoria iria suprir motores aos austríacos, fazendo com que a Red Bull resolvesse criar uma nova empresa em que construiria seus novos motores para ela. Mesmo não faltando dinheiro, faltava expertise à turma de Christian Horner. Quando a Porsche anunciou que iria entrar na F1, a Red Bull se tornou um alvo claro para os alemães e uma séria negociação começou, mas a forma como a Porsche queria a parceria desagradou aos homens da Red Bull. Os alemães queriam comprar 50% da equipe e isso poderia tirar bastante poder de Horner e Helmut Marko. Por isso que de forma surpreendente, a Red Bull disse 'não' a Porsche. Com a Honda mais arrependida que o cachorrinho do Chaves, parecia que seriam os nipônicos que retornariam para o seio da Red Bull, inclusive ajudando a desenvolver e montar os motores que deram o bicampeonato à Max Verstappen em 2022. 

O que a Honda talvez não esperasse era que o súbito crescimento de interesse do mercado americano pela F1 fizesse que um antigo conhecido da categoria passasse a olhar com carinho um retorno a Formula 1. Vendo a GM fazer uma tentativa de entrar na F1 em parceria com a Andretti, a Ford percebeu que um retorno à F1 não seria de todo mal, ainda mais que o novo motor que estreará em 2026 terá todos os componentes de sustentabilidade que fazem os olhos das montadoras brilharem. Porém, desenvolver um motor do zero como a Audi está fazendo dá muito trabalho, além de ser bastante dispendioso. Sem contar que há o risco real de que esse desenvolvimento demore bastante a render frutos, como a própria Honda mostrou. Com a Red Bull tendo cada vez mais experiência nos novos e complexos motores da F1, a Ford viu uma oportunidade de ouro para entrar na F1 pela porta da frente, lembrando que Red Bull e Ford já são parceiras no WRC. Uma negociação entre as partes começou em 2022, enquanto todos esperavam que a Porsche ou Honda ficaria com a Red Bull, a Ford foi mais rápido no gatilho e garantiu uma parceria que tudo leva a crer ser benéfica para todos. E deixa na dúvida de como será o futuro de Porsche e Honda na F1.

O anúncio da parceria Red Bull/Ford obviamente ofuscou por completo o novo carro da Red Bull, que é simplesmente idêntico ao do ano passado. E se olharmos somente as cores, é igual ao modelo de 2019, 2013, 2009... Max Verstappen é o favorito óbvio para o título deste ano, pois tem a equipe à sua disposição e está pilotando como nunca. Resta saber como virá as demais equipes, principalmente Mercedes e Ferrari, para termos noção do quão trabalho Max terá em 2023. Sergio Pérez vai para o seu terceiro ano com a Red Bull falando em brigar pelo título, um papo bem parecido com o de Barrichello nos tempos de Ferrari e a situação é idêntica de vinte anos atrás. Por melhor que Pérez seja, Verstappen não apenas é superior a ele, como a equipe gira em torno do neerlandês. As brigas entre os pilotos vistas no final do ano passado podem atrapalhar um pouco a caminhada da Red Bull em 2023, mas não restam dúvidas de que o time é um dos grandes favoritos ao título desse ano, principalmente com a forma de Max Verstappen dentro das pistas. E agora com o futuro mais garantido com essa parceria com a Ford, a Red Bull poderá se focar ainda mais no curto prazo e iniciar a cooperação com os americanos com alguns títulos para contar. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Que pena...

 


No post feito em homenagem à Jean Pierre Jabouille nas redes sociais, a Alpine disse que só estava naquela posição muito pelo legado do francês. Não é exagero da Alpine e da Renault. Antes de ser um ótimo piloto, Jabouille foi um grande mecânico e engenheiro. Desenvolvendo seus carros desde a F3, Jabouille foi um piloto de testes brilhante e suas impressões melhoraram seus carros, fazendo-o conquistar o campeonato europeu de F2 num carro chamado Elf-Jabouille. Isso fez com que Jean Pierre fosse chamado pela Renault para desenvolver o motor turbo tanto no Mundial de Marcas como na F1. Jabouille usou toda sua experiência de engenheiro nessa empreitada e foi o escolhido para ser o piloto da nova equipe, estreando de verdade na F1 em 1977, após uma corrida com a Tyrrell em 1975. Era o primeiro motor sobrealimentado depois de mais de vinte anos na F1, mas Jabouille teve a paciência necessária para melhorar o Renault Turbo e no Grande Prêmio da França de 1979, viria a primeira vitória de Jabouille na F1, com o Renault turbo. Era a primeira vitória de um piloto francês, com um carro francês, com motor francês e com pneus franceses (Michelin). Sempre desenvolvendo o carro, Jabouille experimentava novas peças e por isso teve inúmeras quebras, terminando menos de 25% das corridas em que largou. Mas não faltou talento e velocidade à Jabouille, mesmo com apenas duas vitórias. Com a sua ajuda, o motor turbo logo se tornaria obrigatório na F1 no início dos anos 1980. Após sofrer um sério acidente em Montreal, quando a suspensão do seu Renault quebrou e Jean Pierre fraturou uma perna, Jabouille fez apenas mais algumas provas com a Ligier antes de se aposentar da F1, mas permaneceu correndo por muitos anos em Le Mans e foi chefe da Peugeot quando esta entrou na F1. Um grande piloto, cujos números não traduzem a importância de Jean Pierre Jabouille no automobilismo, que nos deixou aos 80 anos de idade nessa quinta-feira. 

Merci pour tout, Jean Pierre

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

VF 23


 Iniciando a temporada 2023 de apresentações dos carros da F1, a Haas mostrou suas novas cores, enquanto o carro de verdade só estará na pista dia 11, num shakedown em Silverstone. Com a saída do dinheiro russo por causa da guerra, as cores vermelha, branca e azul (argh!) saíram para o retorno do preto, branco e vermelho, lay-out muito usado pela equipe americana, que tem agora como patrocinador principal a Money Gram, ajudando Gene Haas a pagar a conta do time, um dos mais simpáticos da F1, principalmente por causa do seu chefe Gunther Steiner.

O italiano Steiner terá que mostrar ainda mais do que suas homéricas broncas flagradas no Drive to Suvirve. Como chefe de uma equipe com orçamento enxuto, Steiner escolheu esperar pelos novos regulamentos em 2022, deixando 2020 e 2021 de lado, resultando em temporadas que marcar pontos era uma verdadeira epopeia para a Haas. Isso fez com que o dinheiro na Haas ficasse ainda mais curto e Steiner tivesse que aceitar intromissões em seu line-up, surgindo a dupla Mick Schumacher e Nikita Mazepin, uma das mais fracas dos últimos tempos. Mick foi imposição da Ferrari. Nikita, pelo aporte financeiro de papai. Então estourou a guerra na Ucrânia, fazendo com que tudo que era russo se tornasse radioativo e Mazepin foi enxotado da F1, para alegria da Haas, que ficou com parte do dinheiro do fedelho para construir um bom carro com os novos regulamentos. O velho conhecido Kevin Magnussen chegou de última hora em 2022 e a Haas subiu de patamar, marcando bons pontos nas primeira corridas. Mick Schumacher ficou numa situação complicada, pois para derrotar Mazepin bastava a natureza, mas com Magnussen a situação era bem diferente. Para complicar, o jovem alemão destruiu o carro algumas vezes, deixando Steiner fulo da vida. Quando a relação entre Schumacher e Ferrari terminou, ficou fácil para Günther chutar os fundilhos de Mick. Com o teto orçamentário equilibrando um pouco as coisas, o dinheiro fácil de um piloto pagante não se tornou tão necessário assim, portanto, a Haas teve mais liberdade em escolher o companheiro de equipe de Magnussen, assegurado por uma temporada sólida, coroada com uma pole position surpresa em Interlagos. Pietro Fittipaldi ficará mais um ano como piloto de desenvolvimento. 

Porém, ninguém poderia supor que Nico Hulkenberg, três anos aposentado, pudesse ressurgir na F1. Hulk foi uma espécie de Roberto Moreno do século 21, substituindo vários pilotos nessas últimas temporadas, ganhando experiência com o carro com o novo regulamento e moral para garantir um contrato com uma equipe. Os melhores momentos da Haas foi quando teve bons (apenas bons) pilotos experientes e juntar Magnussen e Hulkenberg parece ser o ideal. Ou não? Os dois nunca foram amigos e entrou para o folclore da F1 quando os dois discutiram feio após uma corrida na Hungria. Porém, os dois sabem que terão uma chance rara na F1 e que conseguiram a confiança da Haas muito pela capacidade de ambos de terminar corridas, principalmente se for entre os dez primeiros e isso garanta pontos. Nesse momento, esse é o principal objetivo da Haas para 2023. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Photo finish depois de 24 horas

 As corridas de Endurance muitas vezes se caracterizam por finais longe de serem emocionantes, afinal, após tantos quilômetros percorridos e uma série de infortúnios, não raro acontece de várias voltas separarem o primeiro do segundo colocado e daí por diante. Porém, nesse domingo houve as 24 horas de Daytona, contando com a nata do automobilismo americano e que teve vitória do quarteto da Meyer Schenk, incluindo os dois titulares da Indy, Helio Castroneves e Simon Pagenaud. Porém, o que ficou marcado foi a apoteótica final da categoria LMP2. Ben Henley liderava a prova, mas via a rápida chegada de James Allen, da equipe Proton. Allen vinha em terceiro, mas ao ultrapassar o carro da AF Corse, partiu para cima dos líderes na abertura da última volta. Henley fechou a porta, mas era nítido que Allen estava mais rápido e quando chegou na reta final de uma prova de 24 horas, Allen colocou de lado e ultrapassou Henley por míseros dezesseis milésimos de segundo, numa chegada histórica no automobilismo.


domingo, 15 de janeiro de 2023

Primeira do ano


 O ano de 2023 mal começou e já temos os primeiros campeões do esporte a motor. Mesmo não tendo o charme dos tempos em que o rali atravessava o deserto do Saara e o destino final era em... Dacar(!), o Rally Dakar permanece como o maior evento do Cross-Country. Correndo na Arábia Saudita, mais uma vez a experiência falou mais alto e velhos vencedores triunfaram nesse ano.

Nas motos a disputa foi empolgante e no final de 44 horas cronometradas, apenas 42s separaram o vencedor Kevin Benavides de Tom Price, ambos pilotos da KTM. A briga foi apertada nos treze dias de competições e o argentino levou a melhor ao vencer por pouco nas duas últimas etapas, deixando Price para trás, garantindo o segundo título no Dakar. A categoria motos teve várias surpresas, como o americano Skyler Howes da Husqvarna, que liderou por um tempo e tinha chances de vitória no último dia.

Já nos carros a situação foi bem diferente. Nasser Al-Attiyah forçou na primeira semana, viu seus principais concorrentes terem problemas que fizeram com que o catari abrisse a segunda semana com mais de uma hora de vantagem, fazendo com que Al-Attiyah apenas administrasse rumo ao quinto título no Dakar. Destaque positivo para Lucas Moraes. O jovem brasileiro tinha sido o mais jovem campeão do Rali dos Sertões e em 2023 estreou no Dakar com estilo. Mantendo uma ótima regularidade, Lucas não venceu nenhuma especial, mas com os problemas de Loeb e da equipe Audi (Sainz, Peterhansel e Ekstrom), o brasileiro passou a última semana em segundo lugar. O sprint final de Loeb, que venceu seis especiais consecutivas fez com que o lendário francês ultrapassasse Moraes, mas o brasileiro debutou no Dakar no pódio e pela pouca idade, pode ser um piloto a ser observado no mundo do Dakar nos próximos anos.

Como não poderia deixar de ser, o Dakar não terminou sem mortes e Karel Loprais, líder disparado da categoria caminhões, acabou atropelando um turista italiano que tirava fotos na saída de uma duna, que acabou morrendo no dia seguinte. Loprais abandonou o rali e quem venceu foi neerlandês Janus van Kasteren.

Mais um ano se passou com as maiores equipes do Cross-Country disputando o Dakar com o melhor que tem, mas fica a pergunta que sempre farei: por que Dakar, se o rali se passa a milhares de quilômetros de Dacar?

domingo, 8 de janeiro de 2023

Que pena...

 



Meu pai era fanático por futebol, daqueles que acordavam assistindo jogo e ia dormir assistindo jogo. Ele era de uma outra geração e quando morava no interior do estado, em Quixadá, não acompanhava os times cearenses, mas os times do Rio de Janeiro. Motivado por um tio, ele se tornou vascaíno e um garoto de sua geração apareceu nos anos 1970 para se tornar o seu maior ídolo. Dinamitando tudo. Maior artilheiro da história do Vasco e do Campeonato Brasileiro, Roberto Dinamite marcou toda uma geração não apenas de vascaínos, mas de torcedores de futebol. Era uma época diferente, quando a glória de um garoto era brilhar nos grandes estádios brasileiros, particularmente no Maracanã. E Roberto brilhou intensamente com a camisa cruzmaltina. Ao lado de sua primeira esposa, Jurema, marcou uma era perdida do futebol brasileiro. Roberto se tornou deputado e presidente do Vasco, onde após um bom início, decepcionou deveras. No final do ano, quando todo o mundo do futebol respirava ofegante com as notícias de Pelé, foi Zico quem deu a dica que a situação do vascaíno não ia bem. Lutando contra um câncer no estômago, Zico pediu preces também para Roberto. Logo no comecinho do ano, semanas após Pelé, com o Vasco de volta à série A e com um novo projeto para retornar aos bons tempos, recebemos a triste notícia da morte de Roberto Dinamite. Não torço Vasco, mas lamento pela lembrança do meu pai, que estaria arrasado com essa triste notícia. 

Que pena...

 


Um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro nos deixou nesse sábado. Chico Rosa não venceu nenhuma corrida atrás de um volante, mas foi de uma importância ímpar para o esporte a motor nacional, ajudando decisivamente nas carreiras de Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Nelson Piquet, quando os três ainda tateavam no automobilismo europeu. Depois disso, Chico Rosa, engenheiro de formação, se tornou administrador do circuito de Interlagos e por lá ficou durante quatro décadas, inclusive no crítico período quando São Paulo perdeu a F1 nos anos 1980 e o autódromo ficou praticamente abandonado. Nesse sábado, foi anunciado que Chico Rosa, aos 80 anos, faleceu. Uma pena...