domingo, 1 de junho de 2008

Itália na cabeça!


Ao contrário da F1, quando os italianos invadem os seus autódromos para o Grande Prêmio da Itália de Motociclismo, eles preferem os homens ao invés das máquinas. E hoje, Mugello viu uma festa italiana, com certeza, com vitória nas três categorias dos representantes do país da bota. Se não fosse o bastante, Simone Corsi e Marco Simoncelli venceram nas categorias menores com motos italianas, enquanto a lenda Valentino Rossi demonstra que um sexto título na principal categoria do Mundial é mais do que uma possibilidade.

A MotoGP chegou a Mugello com um favorito destacado em Rossi, com o piloto da Yamaha vindo de seis vitórias seguidos no circuito de teste da Ferrari. E o italiano não decepcionou. Após conseguir uma pole depois de quase um ano de seca, Rossi venceu com méritos na frente dos seus torcedores com seu capecete muito louco. O único ato falou de Rossi foi na largada, quando saiu mal e chegou a ocupar a quinta posição durante a primeira volta. Sempre achei que Valentino faz isso para dar emoção as provas, pois em pouco tempo o italiano da Yamaha foi ultrapassando um a um seus adversários até chegar à liderança ainda no início da prova para não mais perdê-la. Rossi administrou a vantagem para a briga envolvendo Stoner e Pedrosa com maestria e não foi incomodado em nenhum momento. Foi uma vitória como a dos seus bons tempos, mas Rossi parece que nunca teve uma má fase e é, definitivamente, uma lenda viva do Mundial de Motociclismo.

Stoner e Pedrosa perseguiram um ao outro toda a prova, com vantagem para o australiano. O piloto da Ducati se aproveitou da potência prodigiosa de sua moto e se desvencilhou de Pedrosa após cometer um pequeno erro na metade da prova e perder a posição para espanhol, mas logo Stoner recuperou a posição e finalmente subiu ao pódio após uma fase menos boa. Já Pedrosa, as coisas ficam cada vez mais complicadas no campeonato com a excelente fase de Rossi e a pouca potência da Honda, que numa tentativa desesperada desenterrou Tadayuki Okada, que não participava de uma corrida desde o ano 2000, para testar um motor novo. Por sinal, o companheiro de equipe de Pedrosa não pode fazer nada para ajudar o espanhol, já que após conseguir uma boa posição no grid, Nicky Hayden foi perdendo rendimento até receber a bandeirada numa obscura décima segunda posição.

Outro destaque do meio do pelotão foi Alex de Angelis, que levou sua Honda Gresini ao melhor resultado do ano ao chegar na quarta posição. E próximo de Pedrosa! As Yamahs Tech 3 andaram bem novamente, com Colin Edwards e James Toseland logo atrás de De Angelis. Loris Capirossi começou bem a corrida, mas sua Suzuki foi perdendo rendimento e o italiano, que conversou com o astro Brad Pitt antes da largada, acabou chegando bem para trás. Jorge Lorenzo, que fez dois milagres nas duas últimas provas, finalmente cometeu um erro de novato e caiu ainda no início da prova, se distanciando um pouco na briga pelo título, que pelo jeito ficará entre Rossi e Pedrosa.

Já nas 250cc, Marco Simoncelli conseguiu uma vitória polêmica após um toque em pleno retão em Hector Barberá, com quem disputava a primeira posição até a abertura da última volta. Os dois passaram a prova brigando pela liderança, com Barberá muito mais rápido nas retas, enquanto Simoncelli levava vantagem no miolo. Quando o espanhol tentou ultrapassar mais uma vez o italiano na reta dos boxes, Simoncelli fez um movimento brusco e Barberá acabou tocando na Gilera do seu adversário, fazendo com que sua Aprilia capotasse e o espanhol teve sorte em ter escapado ileso de tamanha pancada. Sem muito com que se preocupar, Simoncelli partiu feliz para sua primeira vitória nas 250cc, seguido por Alex Debon e Thomas Luthi, que também passaram a prova duelando por posição.

Por sinal, a prova italiana foi recheada de acidentes, inclusive com Álvaro Bautista, até aqui a maior decepção do ano. O espanhol caiu sozinho quando liderava a corrida sem muitos problemas e de maior favorito ao título deste ano, Bautista agora tentará correr atrás do prejuízo. O líder do campeonato Mika Kallio fez uma prova de espera e se aproveitou dos vários acidentes para chegar em quarto, mas nem assim o finlandês escapou de alguns incidentes. A equipe KTM tinha orbigado Hiroshi Aoyama ficar atrás de Kallio, mas eis que na última volta, o japonês tentou uma ultrapassagem banzai na última curva da prova e por pouco não levou Kallio ao chão. Quem se aproveitou disso tudo foi Mattia Pasini, que ainda se recuperando de duas quedas durante os treinos, chegou em quinto e viu sua desvantagem para Kallio nãu subir tanto.


Nas 125cc, a corrida foi das mais animadas e emboladas, como sempre acontece na categoria júnior. Porém, a experiência de Simone Corsi falou mais alto no final e o italiano venceu na frente dos seus fãs e assumiu a liderança do campeonato. Agora, o mundial descansará apenas uma semana antes de partir para Barcelona, onde será a vez dos espanhóis lotarem o circuito de Montmeló para torcerem para a vitória de um compatriota seu.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ivan, o terrível


A F1 foi tomada de assalto pelos italianos no final da década de 80 e um dos vários pilotos promissores que surgiram na época foi Ivan Capelli. Piloto muito simpático e popular no paddock, o italiano foi leal aos seus chefes de equipe, mesmo quando o bom senso indicava que existia algo melhor para Ivan. Infelizmente, quando esteve numa equipe grande, Ivan sucumbiu e a decepção foi tamanha, que o italiano abandonou as corridas, vivendo hoje como comentarista de F1. Completando 45 anos nessa semana, iremos conhecer um pouco mais a carreira deste italiano que chegou a ser considerado o "melhor italiano desde Ascari".

Ivan Franco Capelli nasceu no dia 24 de maio de 1963 na cidade de Milão, na Itália. Como sempre acontece no automobilismo, Capelli fez sua estréia nas corridas no kart em 1978 e logo de cara mostrou talento. Sendo vice-campeão europeu um ano após estrear nos karts, Ivan teria como principal adversário outro bambino promissor, que também chegaria à F1 com muitas expectativas, para não realizá-las: Stefano Modena. Após quatro temporadas vitoriosas no kart, Capelli subiu direto para a F3 Italiana com a ajuda providencial de Cesare Gariboldi, de quem teria uma relação de pai para filho. Depois de um ano de aprendizado com um March, Capelli se mudou para a equipe Coloni, que na época era o melhor time da categoria italiana e com nove vitórias, se sagrou campeão italiano de F3 em 1983.

Ao contrário do que ocorre normalmente, Capelli preferiu ficar mais um ano na F3 pela mesma equipe Coloni e não se arrepende. Entrosado com a equipe, Ivan vence o Campeonato Europeu de 1984, derrotando na ocasião Gerhard Berger e Johnny Dumfries, porém houve controvérsias por uma ilegalidade no seu carro, encontrado durante o ano. Com seu nome crescendo no mercado, Capelli finalmente sobe um degrau e debuta na F3000 Internacional, que em 1985 fazia sua primeira temporada. Em sua grande maioria, os pilotos da F3000 simplesmente migraram do Europeu de F2, que tinha sido extinto no final de 1984, e por isso tinham muita experiência nos circuitos europeus com carros potentes. Além disso, Capelli estaria na pequena e estreante equipe Genoa Racing do seu amigo Gariboldi. De forma surpreendente, Ivan consegue ótimos resultados com seu March-Cosworth e termina conseguindo uma bela vitória em Zeltweg, fechando o campeonato em sétimo.

Esses bons resultados chamam a atenção de dirigentes da F1 e Ken Tyrrell, velho garimpador de jovens talentos, percebe em Capelli um potencial substituto de Stefan Bellof, morto em agosto de 1985 e chama o italiano para sua equipe para as etapas finais do campeonato. Com apenas 22 anos, Capelli estreou na F1 no Grande Prêmio da Europa em Brands Hatch, mas não demorou para o italiano mostrar seu talento. No primeiro Grande Prêmio da Austrália da F1, Capelli fez uma prova de paciência, onde vários pilotos abandonaram à sua frente e o resultado foi um impressionante quarto lugar no final da corrida e seus três primeiros pontos na F1.

Apesar desse ótimo resultado, Capelli resolve ficar um segundo ano na F3000 pela mesma equipe Genoa. Tudo isso em consideração a Gariboldi. Ivan corria praticamente de graça e para aumentar o seu orçamento, aceitou participar do Campeonato Italiano de Turismo como piloto oficial da BMW. Porém, o interesse maior de Ivan estava nos monopostos e mesmo numa equipe pequena, começou a mostrar bons resultados, vencendo a segunda etapa do campeonato realizada em Vallelunga. Na época, os maiores rivais de Capelli eram o dinamarquês John Nielsen, da equipe Ralt, o seu compatriota e contemporâneo Emanuelle Pirro, da forte equipe Onyx e a dupla da equipe italiana Pavesi, Pierluigi Martini e Luiz-Perez Sala. Sem condições de enfrentar as equipes mais fortes de seus adversários, Capelli resolve trocar a agressividade pela regularidade e conquista inúmeros pódios, vencendo apenas mais uma vez, em Zeltweg. Com esses resultados, Ivan Capelli se torna o segundo campeão do Europeu de F3000 e se sente preparado para entrar de vez na F1.

Ainda em 1986 Capelli participa de duas corridas na F1 como piloto único da equipe AGS, que nada mais era que um Renault de 1984 adaptado e com motores da preparadora italiana Motori Moderni. Foram duas quebras, mas o italiano de Milão tinha planos mais ambiciosos. Cesare Garibaldi estava planejando entrar na F1 em parceria com o projetista da March de F3000 Robin Herd e ressuscitar a marca March na F1. Com poucos recursos e um projeto feito às pressas, o começo da nova trajetória da March na F1 foi mambembe. Como o novo carro não estava pronto, a March resolveu levar o chassi da F3000, mas o motor Ford V8 de F1 simplesmente não cabia no carro... Duas corridas depois, a March teve que adaptar um motor de 3.3l de um carro esportivo, pois não havia mais motores da Ford de F1 disponíveis. Porém, Capelli fazia milagres e conseguia classificar o carro para os grid, numa época em que havia um enorme número de equipes procurando vagas para largar.

Em Monte Carlo, pista travada e onde o braço do piloto faz diferença, Ivan consegue um excepcional sexto lugar e marca o primeiro ponto da "nova" equipe. Após vários abandonos em 1987, o futuro da March parecia promissor com o maior investimento da Leyton House a partir de 1988, da contratação do projetista Adryan Newey e de Maurício Gugelmin, outra promessa no final dos anos 80. Newey projeta um carro bem convencional, com o motor Judd aspirado, mas o destaque era o bico curvo na parte de baixo que simulava o efeito de asa invertida e aumentava muito a estabilidade do carro em altas velocidades, um percursor do que seria a F1 na década seguinte. E o campeonato de 1988 seria simplesmente sensacional para Capelli. Apenas quatro vezes Capelli não largaria entre os dez primeiros e várias vezes freqüenta a zona de pontuação. Apesar dos vários problemas mecânicos que o faz abandonar algumas vezes, Capelli consegue marcar pontos quando termina as provas e isso resulta no seu primeiro pódio no Grande Prêmio da Bélgica (beneficiando pela desclassificação dos dois carros da Benetton) e repetiria a dose no Grande Prêmio de Portugal, com direito a ultrapassagem em cima da McLaren de Senna. Porém, o ponto alto de 1988 seria exatamente um mês depois. De forma surpreendente, Capelli persegue a McLaren de Alain Prost de perto durante todo o Grande Prêmio do Japão e na volta 16, ultrapassa a poderosa McLaren de Prost na reta, mas infelizmente o motor Judd falha e o francês recupera a liderança ainda antes da primeira curva. Era a primeira vez que Capelli liderava uma corrida na F1. Mesmo que por 200 metros...

Com tamanho desempenho, as equipes crescem os olhos em cima de Capelli, mas este permanece fiel a March e a Garibaldi e permanece outros três anos na equipe. Foi uma péssima escolha. A March só faria cair a partir de então, a ponto de não conseguir classificar nenhum carro para o Grande Prêmio do México de 1990. O piso do circuito mexicano era extremamente ondulado e a próxima corrida seria em Paul Ricard, num asfalto que mais parecia uma mesa de bilhar. O March de Newey funcionava maravilhosamente bem nesse tipo de piso e Capelli consegue um excelente sétimo lugar no grid. Durante a prova, a March resolve não seguir as demais equipes e permanece na pista sem trocar pneus. O resultado disso? Capelli liderava a prova, seguido por Gugelmin. A Ferrari de Prost era o carro mais rápido da pista e partiu para cima de Gugelmin, mas só efetuou a ultrapassagem quando o brasileiro abandonou com o motor quebrado. Poucas voltas depois Prost partiu para cima de Capelli, mas o italiano lutou bravamente contra a potente Ferrari de um Prost louco para vencer na frente dos seus fãs. Foi o velho "Davi contra Golias", mas Prost achou uma ultrapassagem na penúltima volta, vencendo a prova, com Capelli logo atrás. Com o motor quase quebrando...

Mesmo com tantos problemas, Capelli fica mais um ano na March, que passaria a se chamar Leyton House, do investidor japonês Akira Akagi. As coisas só piorariam! A March resolve arcar com o desenvolvimento do novo motor Ilmor V10 e o resultado são várias quebras e apenas um ponto no campeonato. A essa altura, Adryan Newey já tinha sido contratado pela Williams, Garibaldi já tinha falecido após sofrer um acidente de carro e Akagi fora preso por uma fraude contra o Banco Fuji. Capelli não encontra mais laços para ficar na March e saí da equipe de forma amistosa ainda antes do final de 1991, assessorando de graça a equipe nas últimas provas do ano e ajudando o novato Karl Wendlinger em sua adaptação a F1.

Porém, Capelli já sabia do seu futuro. Ele realizaria o sonho de todo menino italiano e iria para a Ferrari em 1992. "A Ferrari é uma grande oportunidade para mim", falou Capelli antes de começar a temporada. E era mesmo. Apesar do péssimo ano da equipe vermelha em 1991, Luca Montezemolo voltava a equipe como presidente, Harvey Postlethwaite e Steve Nichols desenhariam o F92A, Sante Ghedini era novamente o chefe de equipe e Niki Lauda foi empregado como um conselheiro. A grande equipe dos anos 70 estava de volta!

O F92A era um carro totalmente novo, com várias tecnologias novas que tinham chegado à F1 naqueles tempos de suspensão ativa e câmbio automático. Porém, algumas das novidades não deram muito certo e como resultado, faltando quinze dias para a primeira corrida do ano na África do Sul, nem Capelli e nem seu companheiro de equipe Jean Alesi tinham testado o novo carro. Em Kyalami, Ivan consegue um bom nono lugar, mas o problema era que ele estava longínquos 1.119s de Alesi e quase 3 segundos mais lento que Nigel Mansell, o pole. Durante a corrida, outro fato lamentável marcou a Ferrari, com os dois carros abandonando depois que o sistema de óleo não funcionasse em uma curva por causa da força G da mesma. Duas semanas depois no México, as coisas se tornariam pior quando Alesi era o carro mais lento na reta dos boxes, 14 km/h mais lento que o mais rápido, e ambas as Ferraris ficaram atrás da Dallara, que usavam motores... Ferrari!

Para Capelli a passagem no México foi terrível. Ele foi apenas 20º e 23º nos treinos livres, 12º e 24º nas duas sessões qualificativas, e terminando em 20º no grid, a pior posição da Ferrari desde 1981! Para piorar, Capelli foi tocado por Wendlinger na largada e se estatelou no muro dos boxes depois de poucos metros de corrida. Em Interlagos, Capelli se recupera do fiasco mexicano e marca seus primeiros pontos com um quinto lugar, mas terminando 30s atrás de Alesi. Em Barcelona, Capelli parecia que reagiria e pela primeira vez largaria na frente de Alesi, conseguindo a 5º posição atrás de Mansell, Michael Schumacher, Ayrton Senna e Riccardo Patrese, só 2.223s mais lento que a Williams de Mansell e 0.333s mais rápido que o companheiro de equipe dele. Se nos treinos as coisas pareciam promissoras para Capelli, a corrida foi um desastre. Enquanto Alesi conseguia um pódio debaixo de muita chuva, Ivan rodava quando estava três voltas atrás do vencedor Mansell.

O carro da Ferrari era um desastre completo, mas ainda assim Alesi conseguia boas exibições. Muito ao contrário de Capelli. Em Ímola, quintal de casa da Ferrari, enquanto Alesi dava show lá na frente segurando McLarens e Benettons, Capelli abandonava discretamente após rodar na Acque Minerale. Em Monte Carlo, Ivan Capelli fica numa posição totalmente desagradável após deixar sua Ferrari sobre o guard rail, num ângulo de 45 graus. Após sofrer um forte acidente no Canadá, Capelli é designado como piloto número 2 e sua situação na Ferrari vai ficando cada vez mais insustentável. O piloto alegre do paddock se tornava um piloto cada dia mais distante. A imprensa italiana, que chegou a dizer que tinha surgido um "novo Ascari na Ferrari", se desiludia com a sua promessa e mesmo com a garantia de Montezemolo de que Capelli estava com sua vaga garantida, poucos acreditavam na presença do italiano na Ferrari no final do ano.

Para piorar, o carro não evoluía e Lauda começou a contestar Capelli dentro da equipe. Daquele ponto em diante, era apenas uma questão de suportar o resto da temporada, enquanto esperava-se que alguma melhoria pudesse ser feita, e que Capelli pudesse marcar alguns mais pontos. Após abandonar novamente na França, Capelli fica 5.5s atrás do pole Nigel Mansell na Inglaterra e acaba a corrida quietamente em nono. Após sofrer com a falta de potência do motor Ferrari nas longas retas de Hockenheim, Ivan consegue um resultado decente na Hungria, quando marca a terceira volta mais rápida da corrida e termina em sexto. Mas foi apenas um suspiro. Na Bélgica, Capelli largou em 12º, 5.530s mais lento que o pole, 1.637s atrás de Alesi, e 0.110s mais lento que Gabriele Tarquini... da Fondmetal!

Em Monza, Capelli anda próximo de Alesi durante a corrida com o novo Ferrari F92T, mas para desilusão dos tifosi, ambas as Ferrari abandonam na mesma volta, mas por razões diferentes, enquanto Capelli rodava mais uma vez. Em Portugal, lugar onde tinha conquistado seu primeiro pódio, Ivan chega a ficar em décimo nono durante a corrida antes de abandonar. A essa altura, Gerhard Berger já tinha sido confirmado como piloto Ferrari para 1993 para o lugar de Capelli. Esse tinha sido o golpe de misericórdia na motivação de Ivan. Estoril seria a última corrida de Capelli na Ferrari e de um piloto italiano na casa de Maranello.

Mesmo ainda jovem (29 anos), Capelli fica arrasado para permanecer na F1, mas Ian Phillips, com quem tinha trabalhado na March, o leva para a Jordan em 1993. Ao lado do novato Rubens Barrichello, Capelli não se destaca na primeira corrida na África do Sul e não consegue Classificação para o Grande Prêmio do Brasil. O detalhe foi que Capelli foi o único a não se classificar... Algumas pessoas diziam que a má performance de Capelli tinha a ver com uma briga com sua namorada na época do Grande Prêmio do Brasil, mas a verdade era que o grande Ivan Capelli, que tinha conseguido verdadeiros milagres em equipe minúsculas, tinha ficado no passado. Após aquele fim de semana, Capelli procurou Eddie Jordan, agradeceu pela oportunidade, e, com acordo de ambas as partes, pediu demissão e saiu da F1. Foram 93 Grandes Prêmios, 31 pontos e três pódios.

Após tentar correr de turismo por um tempo, Capelli abandonou o automobilismo de forma definitiva alguns anos depois. A decepção fora enorme e Ivan se manteve afastado das corridas até ser chamado pela RAI para comentar as corridas de F1, fato que faz até hoje. O homônimo brasileiro tem um dos melhores blogs de F1. Com o novo emprego, Ivan Capelli voltou a ser a pessoa alegre que todos conheciam em seus tempos de March e disputava freada com as poderosas McLaren e Ferrari.

Parabéns!
Ivan Capelli

terça-feira, 27 de maio de 2008

Figura(MON): Adrian Sutil

Numa prova cheia de alternativas e onde os pilotos puderam mostrar suas reais habilidades, muita gente que pouco aparece deu o ar da sua graça em Monte Carlo. Além de Hamilton, Massa e Kubica, poderíamos citar Webber, Vettel e Barrichelo como grandes destaques da chuvosa corrida em Mônaco, mas ninguém superou os feitos do alemão Adrian Sutil. Ano passado o piloto da Force India já tinha andado muito bem na chuva em Monte Carlo, quando liderou um treino livre, mas desde então Sutil pouco fez na F1 e a temporada 2008 do alemão era basicamente pífia. Os treinos em Mônaco não foram diferentes e Sutil permaneceu na rabeira, mas quando o domingo amanheceu chovendo, Sutil deve ter dado um sorriso e pensado: É hoje! Mesmo com o pior carro do grid, o alemão fez ultrapassagens e logo estava entre os dez primeiros, à frente de muita gente com equipamente nitidamente melhor, como Vettel, Piquet, Button e etc. Andando forte e no ritmo dos demais, Sutil começou a se destacar quando a pista começava a secar e de forma totalmente inesperada, começou a marcar volta mais rápida em cima de volta mais rápida. E como seu tanque, pesadíssimo, estava se esvaziando, Sutil era o mais rápido na pista e saiu da sua única parada numa excepcional quarta posição, bem à frente da Ferrari de Raikkonen. Quando tudo parecia um mar de rosas para Sutil, eis que um safety-car e um amalucado Kimi Raikkonen pôs tudo a perder e Sutil foi chorar com sua equipe, colocando para fora toda sua frustração de estar tão próximo de um resultado inesperado. Claro que Kimi não fez de propósito, mas o que Sutil fez em Monte Carlo merece todos os aplausos de quem gosta de F1. E de pé!

Figurão(MON): Ferrari

De como perder uma corrida após fazer uma dobradinha no grid. Essa pode ser a dissertação da Ferrari na corrida deste domingo. Depois de ser batida de forma clamorosa para McLaren ano passado e estar amargando um jejum de sete anos no principado, a Ferrari queria vencer neste domingo e tendo o melhor carro as chances eram muitos boas, mas uma série de erros totalmente incaracterísticos acabou com o sonho ferrarista, que tinha começado muito bem no sábado, com uma dobradinha na primeira fila, supreendendo a McLaren, que estava muito bem nos treinos livres. A coisa começou a desandar quando o domingo amanheceu chuvoso e antes da largada houve dúvida sobre qual pneu deveria ser usado. É básico para uma gigante como a Ferrari ter o tempo em que os pneus devem ser colocados antes da volta de apresentação. Pois a equipe se enganou e Raikkonen teria que pagar uma penalidade durante a prova. Se para Kimi os erros da equipe só se resumiram a isso (o resto, ficou na conta do finlandês), Felipe Massa teve razão em ter discutido feio com sua equipe durante a prova. Com a expectativa de mais chuva, a Ferrari decide mudar a estratégia de Massa e encheu o tanque de sua Ferrari no meio da prova. Muito mais pesado e com pneus intermediários numa pista que secava claramente, o brasileiro foi perdendo rendimento até que trocar os pneus fosse obrigação. Uma péssima parada permitiu a Kubica tirar a segunda posição de Felipe e a chance de, ao menos, diminuir o prejuízo com um segundo lugar. Mesmo com o melhor carro do pelotão, a Ferrari terá que ficar de olho para não repetir atuações como a deste domingo e começar a perder um campeonato que estava, e acho que ainda está, em suas mãos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Uma vitória merecida


Este ano as 500 Milhas de Indianápolis não foi tão emocionante como em outros anos. Não houve mudanças mirabolantes de estratégia ou grandes recuperações, mas Scott Dixon não teve nada com isso e conseguiu uma vitória para lá de tranqüila e imensamente merecida. A Ganassi foi a equipe mais rápida em todo o mês de maio e esse domínio continuou na corrida, com Dixon e Dan Wheldon correndo em dobradinha até o inglês perder rendimento na metade final da prova.

De forma surpreendente, o piloto que mais ameaçou o neo-zelândes não foi algum dos pilotos do trio-de-ferro da categoria, mas Vítor Meira, da Panther. O brasiliense mostrou toda a sua familiaridade com o traçado em Indianápolis, aonde já tinha conseguido outros bons resultados e ontem foi segundo e ainda foi o protagonista da ultrapassagem mais espetacular do dia, ao deixar Dixon e Ed Carpenter para trás numa relargada. E por fora! Se os resultados não vinham aparecendo para Vítor, esse bom resultado pode trazer um ânimo novo para o brasileiro.

Entre os demais brasileiros, Tony Kanaan bateu quando liderava e ainda culpou Marco Andretti, que nada mais é do que o filho do seu patrão. Vendo a imagem, não vi nada demais na manobra de Andrettizinho, mas apenas Kanaan indo para a parte de cima da pista e escorregando na sujeira. Da forma que vinha andando, Tony era o único a poder enfrentar Dixon de forma mais consistente, mas o acidente do baiano pôs tudo a perder e facilitou ainda mais a vitória do piloto da Ganassi. Por sinal, Marco conseguiu seu melhor resultado em Indianápolis. Hélio Castroneves foi discreto, mas eficiente o suficiente para chegar na quarta posição, após ter perdido várias posições quando acertou detritos de um carro acidentado. Bruno Junqueira provocou a primeira bandeira amarela de uma forma bastante esquisita. Seu retrovisor se soltou e o mineiro foi obrigado a trocar a lateral do carro e sua equipe é tão imcompetente, que a operação custou a Junqueira doze voltas. Seu companheiro de equipe Mário Moraes chegou a liderar um volta por causa da estratégia, mas foi engolido pelo pelotão. Ao menos, chegou até o fim. Com um carro ruim e admitido pelo próprio, Enrique Bernoldi só tentou chegar e conseguiu seu intuito. Jaime Câmara sofreu o acidente mais forte do dia, o seu segundo no mês, mas nada aconteceu ao goiano.

A corrida só não foi mais desanimada por um evento ocorrido fora das pistas. Danica Patrick saía do seu pit e foi atingido por um destrambelhado Ryan Briscoe. Sinceramente não vi tanta culpa assim do australiano, mas a baixinha invocada não pensou assim e caminhou com passos firmes em direção ao carro de Briscoe. O público foi a delírio enquanto a piloto ia para cima de Briscoe com claras intenções de briga. Que só não aconteceu por causa de um segurança com o dobro do tamanho dela, que se meteu na frente de Danica e evitou o pior. Ou o melhor! Já pensou num, como se diz aqui no Ceará, tamborete de quenga partindo para cima do galalau australiano? Seria o máximo!

domingo, 25 de maio de 2008

Sensacional!


Sabe aquela velha história de molharem a pista antes das corridas para que tenhamos emoção na F1. Pois foi isso o que aconteceu em Mônaco! A chuva deu as caras no principado e o que vimos foi uma prova sensacional, com muitas alternativas, mudanças na liderança, brigas em todo o pelotão, ultrapassagens e a afirmação de que Lewis Hamilton é mesmo um piloto diferenciado. Para mim também ficou a impressão de que os atuais pilotos de F1 não são tão "ruins" como parecem ou querem nos transparecer, pois pelas condições de pista, principalmente no início da corrida, apenas seis abandonos ao final da prova é algo a se destacar.

Temos que presquisar com muito cuidado para vermos a última vez em que o vencedor de uma prova sofreu um incidente em que bateu e teve que trocar um pneu furado. Hamilton fez uma boa prova desde largada e tirando o seu deslize ainda no início da corrida, soube se aproveitar da estratégia bolada pela McLaren, das condições variáveis do piso e, principalmente, da sua velocidade, pois Lewis foi incrivelmente rápido antes da sua segunda parada, quando ainda estava calçado com pneus intermediários numa pista que secava rapidamente. O inglês da McLaren chegou a ter 40s de vantagem sobre o segundo colocado Kubica e mostrou frieza na última entrada do safety-car, já próximo da bandeirada. Com essa vitória, Hamilton mostra que é mesmo um dos melhores no piso molhado e que anda muito bem em circuitos urbanos. E esse ano teremos mais duas etapas parecidas com Monte Carlo. Apesar da vantagem técnica da Ferrari ainda ser clara, vale destacar a subida de produção da McLaren nesta altura do campeonato e Hamilton já lidera o campeonato.

Corrida após corrida, Robert Kubica mostra que é mesmo um daqueles caras que já entram numa prova para ser observado, pois ele sempre surpreenderá. Se Hamilton bateu, Massa saiu da pista e Raikkonen fez um monte de besteira, o polonês foi o único dos ponteiros que não cometeu erros quando a pista estava mais molhada e nem deixou de ser rápido. Quando assumiu a segunda posição, Kubica era mais rápido que Massa e se aproveitou bem do erro do brasileiro para assumir a liderança pela segunda vez nesta temporada. Mais leve que os demais, não pôde ficar mais tempo na pista, porém foi recompensado com uma segunda colocação, à frente de Massa. Numa pista em que a BMW nunca se mostrou à vontade, Kubica tirou mais um coelho da cartola e essa sólida corrida que fez hoje foi todo mérito seu e, por incrível que pareça, está numa próxima quarta posição no campeonato, apenas seis pontos atrás de Hamilton. Se a BMW continuasse o seu bom momento da Espanha, junto com o talento de Kubica, as coisas seriam bastante interessantes. Por sinal, não está nada interessante a situação de Heidfeld. Se não bastasse ter feito uma péssima Classificação, o alemão ainda fez corrida horrível, onde foi lento, seja na chuva, seja no seco.

Felipe Massa foi a grande surpresa deste final de semana por ter andado muito bem em condições em que nunca se deu bem. E a esse fato se soma a corrida ter sido nas ruas de Monte Carlo, onde o próprio Felipe já admitiu que não gosta de correr. A forma como dominou a prova quando mais chovia não deixou de ser surpreendente e o seu erro na St. Devote foi por causa do forte ritmo do ferrarista. Nem assim o brasileiro baixo a guarda e andou perto de Kubica até sua parada e a Ferrari ter feito a segunda besteira do dia. Com a expectativa de chuva para os próximos minutos, os italiano preferiram apostar no arriscado quando o indicado era o conversadorismo e encheu o tanque de Massa. Com o carro muito pesado e a pista secando, Felipe foi perdendo rendimento até ficar longuínquos 40s atrás de Hamilton. A Ferrari ainda errou por ter atrasado a vinda de Massa para os pits e isso provocou a perda da segunda posição para Kubica, mas nem tudo foi horrores para o brasileiro. Com a terceira posição, Massa encostou de vez em Raikkonen, que estava irreconhecível hoje. Mesmo com o erro absurdo da Ferrari em errar a colocação dos pneus de Kimi antes da volta de apresentação, isso não tira a culpa da corrida desastrosa do finlandês. Só uma coisa pode explicar tamanha quantidade de besteira de Kimi: Monte Carlo... festas... Vodka...

Mark Webber vem sendo a grata surpresa deste ano, com a Red Bull em torno de si e o australiano mostrando um grande serviço para os austríacos não apenas na Classificação, mas na corrida. Hoje Webber foi um dos mais rápidos nas corridas secantes, mas ele não merecia a quarta posição. Adrian Sutil foi o grande nome de hoje, andando super bem com sua humilde Force India. O almeão também tinha se destacado na chuva no principado ano passado e neste domingo mostrou um talento na chuva fora do comum, marcando várias voltas mais rápidas e estava num sólido quarto lugar quando foi atingido por trás por Kimi no finalzinho da prova. Sua cena quando chegou aos boxes, praticamente aos prantos, lembrou muito a cena de Vettel e o alemão finalmente deu as caras hoje, mostrando que é um excelente piloto na chuva e levou seu novo Toro Rosso aos pontos, com a quinta posição. Pontos, por sinal, foi o que conquistou Rubens Barrichello hoje, após quase 18 meses de um incômodo jejum. O piloto da Honda, por sinal, foi muito rápido quando precisava e mereceu os pontos.

Nakajima fez uma prova correta e ao menos não se meteu em encrencas, ao contrário de Rosberg e Alonso, que no começo da prova pintavam como protagonistas e acabaram dando e levando vários toques, sendo que o alemão bateu muito forte quando a pista secou. Já Nelsinho Piquet foi muito combativo quando teve que enfrentar pilotos melhor calçados do que ele, mas um erro da equipe, o fazendo usando pneus para tempo seco, pôs tudo a perder. Kovalainen vai se tornando o piloto azarado do ano, pois de tudo acontece com o coitado do finlandês. Hoje, ele ficou parado na volta de apresentação e numa pista difícil de ser ultrapassar, marcar um pontinho não deixa de ser importante para o piloto da McLaren, que no final ainda ajudou sua equipe ao segurar Raikkonen na última volta.

Vale registrar um pequeno detalhe. Quando Raikkonen bateu bizonhamente e Sutil, o Galvão tratou logo de dizer que Kimi tinha errado. Fico aqui pensando se o acidente fosse envolvendo Massa. O Galvão iria logo dizer que algo quebrou, enquanto o Luciano "Cheerleader" Burti iria logo dizendo que "algo quebrou na traseira". A gente pode reclamar da Globo, mas há transmissões muito piores. Como foi provado mais tarde...

A corrida monagasca nos mostrou que o fim do controle de tração não foi tão traumático assim e os pilotos podem sobreviver bem sem o artefato. A Ferrari pode provar o remédio que a McLaren tomou amargamente ano passado, quando viu seus dois pilotos brigarem entre si e entregando o título para Raikkonen. Com Massa e Kimi praticamente empatados, Hamilton pode surgir como um terceiro fator nessa briga por um campeonato que vai se tornando, novamente de forma surpreendente, bastante interessante.

sábado, 24 de maio de 2008

Contra todas as expectativas!


Felipe Massa nunca andou bem em Mônaco e teve a coragem, que poucos pilotos da atualidade tem, em admitir que não gosta do traçado nas ruas de Monte Carlo. Porém, você não gostar de uma coisa não significa você não fazer isso direito e Massa surpreendeu ao conseguir dominar a Classificação de hoje em todas as partes da Classificação e conseguir a terceira pole do ano e décima segunda na carreira.

Após ver o domínio da McLaren na quinta, a Ferrari reestabeleceu a verdade do campeonato ao pintar de vermelho a primeira fila para o Grande Prêmio de Mônaco de amanhã, mas, ao contrário de todos resultados anteriores, foi Felipe Massa o mais rápido, pouco á frente de Kimi Raikkonen, que parecia ser o favorito tanto pelo retrospecto em Mônaco, como pela performance até agora mostrada. Para mostrar que sua pole não foi conquistada apenas pela estratégia, Felipe foi o mais rápido em todas as partes da sessão e pelo equilíbrio dos três primeiros, que ficaram separados por menos de um décimo de segundo, a quantidade de combustível de Massa não é muito diferente dos seus principais adversários de amanhã. Raikkonen foi, novamente, um piloto sem brilho, mas eficiente. O finlandês parecia estar num daqueles dias bem burocráticos e foi rápido apenas o suficiente para colocar seu carro na primeira fila, sem se importar muito em conseguir algo melhor.

A McLaren, como vem sendo comum nos últimos anos, andou muito forte em Monte Carlo e parecia até mesmo a favorita para ficar com a pole hoje com Hamilton, mas a equipe prateada não contava com a subida da Ferrari e teve que se contentar com a segunda fila. Hamilton poderia muito bem ter ficado com a pole hoje e com certeza será o um fator importante para a corrida de amanhã. Principalmente se repetir a atuação da corrida passada na Turquia. Kovalainen não foi tão rápido quanto o companheiro e ficou longe da briga pela ponta e se não houver algo de estranho com alguém a sua frente, dificilmente conquistará um pódio.

A BMW ainda não se recuperou do final de semana regular que teve em Istambul e novamente ficou longe da briga pela pole, mas Kubica demonstrou hoje que é realmente um grande piloto e um dos pilotos mais rápidos da F1 atual. O polonês colocou um binóculo em cima de Nick Heidfeld e por muito pouco não ficou à frente de Kovalainen, mas o ritmo da BMW em corrida não parece ser páreo a McLaren e Ferrari. Os recentes rumores de que o destino de Alonso em 2009 seja a BMW parecem cada vez mais reais pelo péssimo rendimento de Nick Heidfeld, que pela primeira vez no ano não conseguiu ir para a Q3, ficando numa obscura décima terceira posição, apesar de ter recolhido seu carro, provavelmente com problemas, antes de terminar a Q2. Numa pista de difícil ultrapassagem, o alemão marcará apenas alguns pontos, ficando cada vez mais distante de Kubica no campeonato e da renovação do seu contrato.

Rosberg vem sendo a grande surpresa desse final de semana e sempre ficou entre os seis primeiros em Mônaco. Ao contrário de Massa, Rosberg já fez várias juras de amor ao traçado monegasco e sua performance com a Williams mostra que o alemão realmente se dá bem no que já foi sua casa, ao contrário de Nakajima, que ficou numa péssima décima quarta posição. Em outra disputa interna bastante desigual, Fernando Alonso levou sua Renault a um improvável sétimo lugar, enquanto Nelsinho, como tinha acontecido na Turquia, ficou exatas dez posições atrás. Se para o espanhol a tortura não durará tanto tempo, pois seu nome vive circulando entre Ferrari e BMW, já está passando da hora de Nelsinho mostrar serviço e aindar de forma ao menos decente. Os avisos já foram dados nos últimos dias, agora só resta Nelsinho acordar para o perigo que ronda sua vaga na Renault.

Mark Webber não foi tão brilhante nas Classificações como nas etapas anteriores, mas ao menos conseguiu ir para a Q3, mas foi o mais lento. Coulthard provocou o único acidente da sessão ao perder o controle do seu Red Bull na freada da Reta do Túnel. Mesmo com o forte acidente, Coulthard largará em décimo. Isso se não trocar de carro. Outra equipe que perdeu rendimento foi a Toyota, com Jarno Trulli tendo que suar para chegar à Q3 onde anteriormente conseguia com facilidade, enquanto Glock, ao menos nesse final de semana, andou próximo de Trulli, mas ainda atrás!

A Honda continua no seu sofrimento e Button superou Barrichello sem muitos problemas. Novamente. A Toro Rosso estreou seu carro em Mônaco, mas os resultados foram similares e novamente Bourdais superou Vettel, que nem de longe parece ser a promessa alemã alardeada com tanta força no ano passado. Na briga pela rabeira, Sutil superou Fisichella pela primeira vez no ano, apesar do italiano, que completará 200 Grandes Prêmios amanhã, ter tido sua volta atrapalhada por Barrichello.

Se Felipe largar bem (e ele normalmente faz isso), a corrida estará praticamente ganha. Porém, um fator que atrapalhou a terceira sessão de treinos livres pode se fazer presente amanhã: a chuva. Sem controle de tração e numa pista molhada, vejo poucas chances para Felipe vencer, pois foi nessas condições em que Massa não se deu bem, mas como dificilmente os metereologistas andam acertando ultimamente, Felipe Massa poderá dormir tranqüilo.