terça-feira, 30 de outubro de 2012

25 anos do Tri

Para não deixa passar a data, uma bela foto no belíssimo Williams-Honda que deu a Nelson Piquet seu último título mundial.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Figura(IND): Sebastian Vettel

Logo após o treino classificatório de sábado, Fernando Alonso não teve dúvidas em dizer quem era seu grande rival em sua luta pelo tricampeonato mundial: o projetista da Red Bull e multi-campeão Adryan Newey. Isso foi uma clara provocação a Sebastian Vettel, líder do campeonato e pole destacado para a prova desse domingo. Pois Vettel deu a melhor resposta possível ao rival espanhol com uma pilotagem que vem se tornando sua característica: liderar na primeira curva, disparar nas primeiras voltas e administrar o resto da prova com a tranquilidade de quem realmente tem o melhor carro do pelotão. Porém, isso nem sempre garante vitórias e títulos. Os números estratosféricos de Sebastian Vettel em sua curta e impressionante história da F1 mostram que ter apenas um ótimo carro em mãos não é a única razão dos seus dois títulos, 27 vitórias e 34 poles. E as exibições do seu companheiro de equipe, com o mesmo carro, é outra indicação de como Vettel vem fazendo história na F1 pela porta da frente.

Figurão(IND): Mark Webber

Se em 2010 Mark Webber andou no mesmo ritmo do que seu companheiro de equipe a ponto de ter cobrado a Red Bull para Vettel lhe ajudar na luta contra Fernando Alonso e as McLarens, hoje Webber é uma pálida sombra do piloto combativo de dois anos atrás. Desde sua bela vitória em Silverstone, o australiano da Red Bull vem fazendo um campeonato discreto e mesmo conseguindo dois pódios consecutivos, Webber se vê longe da briga pelo título com Vettel, novamente, dominante rumo ao seu terceiro título. Para 2013, a tendência é a mesma para Webber, que é visto cada vez menos como um piloto que pressionado Vettel.

domingo, 28 de outubro de 2012

Questão de confiança

Uma pausa para falar do meu time. O Ceará naufragou no campeonato da Série B e após vexatórias quatro derrotas seguidas, o meu alvinegro segue errante até o final do campeonato, sem chances de subir ou descer. O Vozão chegou a ficar oito jogos sem derrotas e conseguiu três vitórias consecutivas, mas em nenhum momento nos passou a confiança de que iria subir para a Série A, o que acabou se materializando. Falo tudo isso para chegar em Daniel Pedrosa. O espanhol da Repsol Honda vinha de cinco vitórias nas últimas seis provas, tirando quinze pontos da enorme desvantagem que tinha para Jorge Lorenzo. Mas nem assim Pedrosa passava confiança de que conseguiria uma histórica virada em cima do rival espanhol. E hoje, na penúltima etapa do campeonato, Pedrosa mostrou o porquê dessa desconfiança toda, caindo ainda na segunda volta da corrida e entregando de bandeja o bicampeonato para Lorenzo.

Claro que Jorge Lorenzo não tem nada com isso e demonstra uma confiança que o faz nunca ser carta fora do baralho mesmo estando em desvantagem na corrida ou no campeonato, ainda mais com um campeonato impecável do piloto da Yamaha. Lorenzo pode não ter a mesma velocidade de Pedrosa e sua moto não é melhor do que a Honda, mas Jorge tem uma força que o faz superar a lógica e conquistar o campeonato 2012 da MotoGP com uma etapa de antecedência. Lorenzo tem cinco vitórias no ano e inúmeros segundos lugares, tanto que foi essa sua pior posição quando viu a bandeirada, não contando a queda que levou na largada em Assen. O piloto da Yamaha sabia as limitações de sua moto e aproveitou como ninguém as circunstâncias dessa temporada. Após conquistar o bicampeonato de forma arrasadora em 2011, Stoner não entrou em 2012 tão forte quanto e ainda sofreu o sério acidente em Indianápolis, que culminou com a quebra do seu tornozelo direito e três provas de molho. Stoner provou hoje com sua vitória esmagadora que tinha caixa para bater de frente com Lorenzo, já que o australiano tem tanta confiança quanto o piloto da Yamaha e ao contrário de Pedrosa.

E a perspectiva para 2013 é a melhor possível para Lorenzo. Mesmo não sendo mais a estrela inconteste da Yamaha com a saída do decepcionante Ben Spies e a volta do multi-campeão Valentino Rossi, o espanhol hoje é o líder da equipe e sua forma está melhor do que nunca. Lorenzo continua tão veloz como sempre foi, mas aliado a isso, mantém uma regularidade impressionante, visto com todas as letras este ano. E o bicampeonato servirá para aumentar ainda mais a confiança de Lorenzo. Com a aposentadoria precoce de Stoner, Daniel Pedrosa poderia estar ainda mais tranquilo para 2013 como estrela única da Honda e com a possibilidade de uma briga interna na Yamaha, mas Pedrosa, cria da Honda desde os quinze anos, já está sendo muito contestado dentro da própria equipe. A cara do presidente da HRC, Suhei Nakamoto, ao final da corrida de hoje mostra bem a decepção de ter construído a melhor moto do pelotão e ter perdido um título que parecia ganho, principalmente olhando para 2011. E o piloto principal era Daniel Pedrosa, que desperdiçou uma chance de ouro para conquistar seu primeiro título da MotoGP. Pedrosa já tem sete temporadas na Repsol Honda e ninguém consegue apostar mais nele. E a Honda já tem sua aposta: Marc Márquez, que se sagrou campeão da Moto2 também hoje e é tão talentoso como Pedrosa, mas bem mais confiante.

O que tem que melhorar são as corridas. A linda paisagem de Philip Island, talvez o circuito mais bonito do mundo, não corroborou com a corrida chata de hoje, onde Stoner assumiu a ponta para não ser mais incomodado, o mesmo acontecendo com Lorenzo e o terceiro colocado Cal Cruthlow. E a grande maioria das corridas foram assim. Tomara que 2013 mude para melhor!

Quadra

Ao longo da história, a F1 viu inúmeros tipos de pilotos, com suas devidas características. Juan Manuel Fangio tinha seu estilo limpo de guiar, Niki Lauda era metódico, Alain Prost era calculista, Ayrton Senna era agressivo e Michael Schumacher era intimidador. Em sua 27º vitória na carreira, Sebastian Vettel venceu 95% das vezes como hoje. Largou na pole, disparou nas primeiras voltas e administrou o resto da prova. Isso resume bem o que foi a quarta vitória consecutiva do alemão, que só não teve um final de semana ainda mais perfeito porque Fernando Alonso é um monstro e conseguiu superar uma das Red Bull para ficar em segundo, enquanto Webber mostrou hoje porque é o piloto número dois da equipe chefiada de forma competente por Christian Horner e desenhada de forma perfeita por Adryan Newey.

A corrida hoje não foi tão monótona como na Coréia, mas não deixou de ser modorrenta. Vettel não largou tão bem, mas se impôs frente a Mark Webber, que largou melhor, na freada da primeira curva e o australiano não sobrou outra coisa se não recuar. Daí em diante Vettel levou apenas dois sustos. O primeiro quando deu de cara com um lento Pastor Maldonado, que tinha acabado de ter um pneu furado. O outro, já no fim da corrida, quando faíscas saíram debaixo do assoalho do seu carro em alguns momentos da pista e da mesma forma que veio, foi embora. Vettel dominou hoje como fez em praticamente todas as corridas em que venceu. Porém, Vettel só não disparou definitivamente graças ao problema no kers do carro de Webber nas voltas finais, que fez o australiano perder rendimento no final da corrida e ser ultrapassado por Alonso. Porém, com a fase da Red Bull nessa reta final de campeonato, os treze pontos que tem de vantagem sobre Alonso tende a ser mais do que suficiente para que Vettel se encaminhe para o título.

A cara de desconsolo de Alonso no pódio traduz sua impotência frente ao poderio da Red Bull. Durante a corrida, seu engenheiro Andrea ainda tentou animá-lo e o espanhol soube, mais uma vez este ano, tirar proveito de um erro da rival para subir ao segundo lugar e diminuir um pouco o prejuízo. O ritmo da Ferrari em corrida não chega a ser nitidamente inferior a Red Bull, mas o time italiano necessita de forma imperativa melhorar seu rendimento nas Classificações, onde Alonso passou duas voltas tentando ultrapassar as duas McLarens no melhor momento da corrida, mas quando o fez, já estava muito longe dos dois carros da Red Bull e ficou sem ter muito o que fazer no resto da prova. Felipe Massa fez uma prova mais discreta do que as últimas, quando necessitava algum destaque para renovar seu contrato. Quando Alonso passou as duas McLarens, ficou a expectativa de Massa fazer o mesmo, mas o brasileiro acabou ficando mais para Raikkonen, mas o finlandês não tinha velocidade suficiente para efetuar a ultrapassagem em Felipe e passou a prova inteira vendo a frase 'The world best's bank' na asa traseira de Massa. Grosjean fez mais uma prova segura, passando com segurança Nico Rosberg e partindo para cima de Nico Hülkenberg, mas sem cometer loucuras. O problema maior do francês é a notícia da bancarrota de sua equipe, que estaria com problemas financeiros e estaria para ser vendida.

Vendo o desempenho de sua futura equipe, Lewis Hamilton tem muito o que se preocupar. A Mercedes fez outra corrida medonha, onde Rosberg não foi páreo para Force India, Lotus e Williams, ficando fora da zona de pontuação sem nenhum problema aparente, como o que acometeu Schumacher na primeira curva, fazendo-o ficar sempre nas últimas posições até abandonar no final. A McLaren ainda teve a melhor volta da corrida com Button, mas totalmente desmotivada com a saída de Hamilton, o time não foi páreo à Red Bull e Ferrari, mesmo com Hamilton ainda ameaçando o terceiro lugar de Webber no final, graças aos problemas do australiano. Hülkenberg vem mostrando um ótimo ritmo nessas últimas provas e sua possível ida a Sauber indica uma ponte para a Ferrari em 2014, já que não é segredo que a Sauber e o time italiano são co-irmãs, enquanto Paul di Resta fez outra corrida medíocre para alguém que teve seu nome cotado em times grandes. Bruno Senna fechou a zona de pontuação em outra corrida agressiva, mas muito segura. As ultrapassagens sobre Maldonado, Kobayashi e Rosberg mostram um Bruno cada vez melhor em ritmo de corrida, ao contrário de Maldonado, que faz ótimos treinos, mas se afoba demais em vários momentos. Se a Williams tivesse a velocidade de Maldonado nos sábados e a serenidade Bruno Senna nos domingos num mesmo piloto, estava feita. As demais equipes fizeram corridas muito apagadas, em especial a Sauber, que teve um pneu furado com Pérez e um cada vez mais desmotivado Kobayashi ficando pelo meio do pelotão, enquanto a Toro Rosso apareceu apenas com seus pilotos cortando os pneus de Schumacher e Pérez. Das nanicas, então, só Pedro de la Rosa ficando sem freios no final da reta oposta e abandonando.

Foi das corridas mais emocionantes, mas houve ultrapassagens e movimentação nas posições intermediárias. Pois lá na frente não teve para ninguém. Vettel dominou a seu bel-prazer e respondeu a Alonso sua provocação de ontem, quando disse que disputava o título com Newey, o projetista da Red Bull. Fernando ainda superou uma Red Bull, mas não Vettel.

sábado, 27 de outubro de 2012

Dor de cotevelo

Falar de mais uma pole de Vettel após o alemão dominar todo o final de semana chega a ser repetitivo. Provavelmente acordarei cedinho para assistir uma baita vitória de Vettel e vê-lo disparar na ponta do campeonato, pois a Ferrari é claramente a terceira força na Índia e Fernando Alonso teve que se conformar com a quinta colocação no grid.

E foi de Fernando Alonso a frase do dia. Após ver outro domínio da Red Bull, Alonso declarou que não está lutando com Vettel, mas Adryan Newey, projetista da Red Bull e dono de vários títulos na F1. Essa afirmação tem duas lógicas. Um de crítica velada a Ferrari, pois disse que vem derrotado pelo carro azul desenhado por Newey e não por Vettel, enquanto não tem carro para derrotar o alemão, coisa que a Ferrari ainda não foi capaz de fazer. E outro cutucão em Vettel, praticamente afirmando que o alemão só está se aproximando do tricampeonato, superando o próprio Alonso na história da F1, por que tem o melhor carro da F1.

Ninguém duvida que Fernando Alonso é a grande referência da F1 atual, mas o espanhol parece incomodado em ser superado por Vettel em termos históricos e ver um título que estava em suas mãos não faz muito tempo parece doer em Alonso, que parece impotente frente ao poderio rubro-taurino. Porém, é raro um piloto ser campeão com um carro nitidamente inferior e o próprio Alonso estava prestes a fazer isso em 2012, portanto, o fato de Vettel ter em mãos o melhor carro da F1 atual não diminui em nada seus feitos. E ele deverá provar isso com mais uma vitória amanhã!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Alta tensão!

Essa semana se falou muito do famoso Grande Prêmio do Japão de 1989, uma das corridas mais tensas da história do automobilismo, que completou 23 anos no último dia 23. Pois hoje está completando uma data fechada da decisão mais tensa desde aquele final de semana em Suzuka. Quinze anos atrás, Jerez de la Frontera sediava a sua última corrida de F1 num clima carregado e que teve um final parecido com o de Suzuka. 

A temporada de 1997 foi a clara disputa entre a máquina (Williams de Jacques Villeneuve) e o homem (Michael Schumacher levando sua Ferrari nas costas). A Williams vinha em sua toada vitoriosa iniciada em 1992 e Villeneuve era o grande favorito para 1997, mas Schumacher teimava em tirar proveito dos (muitos) erros do canadense e da própria Williams. Em Suzuka, Villeneuve acabaria suspenso por desrespeitar uma bandeira amarela num treino livre e acabaria suspenso daquela prova, onde correu por causa de uma liminar. Schumacher venceu em Suzuka e tinha um ponto de vantagem sobre Villeneuve quando a F1 aportou em Jerez.

Jacques Villeneuve nunca foi um piloto com papas na língua, enquanto Schumacher estava desesperado para tirar a Ferrari da fila que já chegava a 18 anos sem títulos de pilotos. Até mesmo os coadjuvantes tinham seus motivos para meter o bedelho na briga. Eddie Irvine participou ativamente do plano para elevar Schumacher ao primeiro lugar em Suzuka e demonstrava estar disposto a tudo, tudo mesmo, para ajudar seu companheiro de equipe ser campeão. Villeneuve criticou muito Irvine e ganhava um inimigo. Já Frentzen, piloto número 2 da Williams, tinha contas antigas a pagar com Schumacher. Em 1990 ele foi derrotado por Michael por apenas um ponto no campeonato alemão de F3 e ainda viu sua namorada procurar os braços de Schumacher no final da temporada.

Os quatro pilotos passaram os dias anteriores ao Grande Prêmio cutucando seus adversários. Na sexta-feira, Irvine e Villeneuve se encontraram na pista e um fez questão de atrapalhar ao outro. Quando chegaram aos boxes, Jacques saiu do seu carro e partiu para cima de Irvine. Mas o melhor estava para o sábado. Villeneuve saiu da pista e fez 1:21.072. Minutos depois, Schumacher foi à pista e fez... 1:21.072. E eis que Frentzen levou seu carro ao asfalto espanhol e marcou... 1:21.072. Era o primeiro e único empate triplo na pole-position da F1!

Villeneuve amanhece febril para a decisão do título. Isso não deve ter influenciado a sua má largada, fazendo com que Schumacher ficasse em primeiro, com Frentzen logo atrás. Em nenhum momento o alemão foi páreo ao compatriota da Ferrari e logo a Williams inverteu a posição dos seus pilotos. Começaria um histórico jogo de xadrez a 300 km/h, onde cada movimento era acompanhado com atenção e seria decisivo, seja em Frentzen antecipar sua parada para tentar atrapalhar Schumacher na volta do ferrarista à pista, seja em Norberto Fontana, piloto da Sauber-Ferrari, ter bloqueado Villeneuve por algumas curvas.

A tensão chegou ao seu clímax na volta 47, na freada da Dry Sack. Villeneuve vinha mais rápido após a segunda rodada de paradas e já ensaiava a ultrapassagem no local. Um dos motivos da tensão da prova era a reação de Schumacher. O alemão sabia que ambos fora da corrida, o campeonato acabaria em seu colo e Schumacher não tinha bons antecedentes. Villeneuve diria depois que tinha total consciência de que Michael faria o que fez no final da reta oposta durante a 48º volta. O mundo inteiro condenou a atitude de Schumacher, enquanto Villeneuve se tornava o mocinho do circuito e todos comemoraram muito o título de Jacques, talvez como se fosse uma homenagem ao seu pai Gilles Villeneuve.

Schumacher mais uma vez se envolvia num lance polêmico e sem muita defesa. Se em 1989 Prost, o bandido, se deu bem, oito anos depois o bandido se daria mal e acabaria punido ao ver seu vice-campeonato cassado. Villeneuve vencia seu primeiro título logo em seu segundo ano na F1. Mas seria o último. A F1 passaria por uma revolução em 1998 e com carros totalmente diferentes, além de Adryan Newey se debandando para a McLaren, a Williams nunca mais teria seus momentos de glória repetidos, o mesmo acontecendo com Jacques, que tomou decisões erradas na sua carreira, mesmo que seu talento nunca tenha entrado em discussão. 

Foi uma batalha épica de uma final de tensa de um campeonato espetacular. Essa foto demonstra bem o que foi aquela corrida histórica corrida em Jerez.