quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MP4/28

Há uma piada de fim de ano em que se fala que o Show do Roberto Carlos é sempre o mesmo há vinte anos, com uma outra música entrando no repertório do famoso cantor. Pois está parecendo que as apresentações da McLaren são inspiradas no Rei. Um carro que praticamente não muda desde 2009 e uma ou outra novidade fazem parte do repertório mclariano de se apresentar seus carros.

Na sua suntuosa sede em Woking, a McLaren mostrou seu novo MP4/28, que se dissesse que era o MP4/27 de 2012, ninguém duvidaria. A cara nova foi o mexicano Sérgio Pérez, que parecia ter tudo encaminhado para seguir carreira na Ferrari, mas as circunstâncias o fizeram aportar na McLaren. O tempo dirá se a McLaren cometeu um erro grotesco de avaliação ou se a Ferrari comeu mosca ao desperdiçar um talento nato. Pelas boas exibições do ano passado, fico com a segunda opção! Quando venceu em Interlagos, Button ouviu mais uma das brincadeiras de Nelson Piquet, mas que fazem muito sentido. Com a saída de Lewis Hamilton, Jenson exercerá o papel de líder dentro da McLaren, podendo fazer com que Button, agora o piloto mais experiente do grid em 2013, um forte favorito. Button já é campeão mundial e parece ter melhorado desde que surpreendeu o mundo em 2009. Olho nele!

Contudo, se há algo a temer na McLaren é o ritmo de classificação. Hamilton era um diferencial e tanto em uma volta lançada e tanto Button como Pérez se mostraram muito fortes em ritmo de corrida, mas nem tanto nos sábados. Outro fator interessante será como irá ser a vida da McLaren pós-Hamilton com seus pós e contras. Os cinquenta anos da McLaren serão bem sortidos em 2013, com cara nova e apresentação velha.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

E21

E a F1 começa sua temporada de apresentações com uma equipe que surpreendeu não apenas com seu desempenho, como também com seus dois pilotos. A Lotus, antiga Renault (antiga Benetton, antiga Toleman...), mostrou seu modelo novo praticamente sem nenhuma grande diferença aparente para o modelo de 2012 e mostrando que o continuísmo é tudo, o time comandado por Eric Boullier manteve sua dupla de pilotos.

Kimi Raikkonen foi uma grata surpresa em sua reestreia na F1 após dois anos acidentados no WRC. Quem viu o finlandês saindo pelas portas do fundo da  F1 via Ferrari em 2009, nunca imaginaria o piloto vibrante e sólido de 2012, que garantiu o terceiro lugar no Mundial com apenas uma vitória e vários pódios. Para 2013, a tendência é o finlandês continuar em seu estilo, digamos, exótico fora das pistas e forte dentro delas, o que será ajudado se a Lotus manter o nível de 2012 para 2013, objetivo declarado dos seus chefes, que almejam um terceiro lugar no Mundial de Construtores, ou seja, superando ou Ferrari, ou Red Bull, ou McLaren. Missão bastante difícil, principalmente com um piloto com Romain Grosjean como segundo piloto. O francês é rápido e numa corrida sem problemas (principalmente na primeira volta), Grosjean se mostrou capaz de conseguir alguns pódios e até superou com alguma constância Raikkonen em ritmo de classificação, porém, seus erros até infantis arranharam sua boa temporada com dois pódios, mas vários pontos perdidos e uma suspensão, algo que não ocorria há 18 anos. A ponto da confirmação de Grosjean para 2013 ter demorado mais tempo do que o esperado.

Se Raikkonen manter o foco e Grosjean passar a correr como nos bons momentos em 2012, não restam dúvidas que a Lotus virá muito forte em 2013, mas para superar o atual trio de ferro (Ferrari, Red Bull e McLaren), somente muita força de Kimi e erros adversários para conseguir esse objetivo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Palmeirinha

Por 153 votos a 102, o empresário Paulo Nobre elegeu-se presidente do Palmeiras para os próximos dois anos. O que um blog sobre corridas, que se diz não noticioso, tem haver com esta sentença tão futebolística? Simples. Nobre é além de palmeirense fanático, também um piloto de rali dos bons, disputando campeonatos do nível de WRC, Dakar e, com algum sucesso, mas também com falta de sorte por nunca ter conseguido um título mesmo sendo um dos mais rápidos, o Rally dos Sertões. Sempre juntando suas duas paixões, Paulo Nobre corria todo de verde e se auto-intitulava como 'Palmeirinha'. Agora presidente do Verdão, Nobre terá um desafio tão grande quanto encarar o todo-terreno em todo o mundo: tirar o Palmeiras do buraco que se encontra agora.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Lenda viva

Ele já anunciou sua aposentadoria. Iria correr em Monte Carlo apenas para se divertir, mas as estradas ao redor do principado estavam cheias de gelo e neve por causa de uma forte nevasca que chegou a cancelar o último dia neste que foi considerado o Rally de Monte Carlo mais difícil dos últimos tempos. Ele poderia relaxar, ainda mais com um Sebastien Ogier voltando muito forte com o VW Polo. Tirar o pé no seu famoso Citroen, mas isso é basicamente impossível para Sebastien Loeb e seu eterno navegador Daniel Elena, vencedores com quase dois minutos de vantagem sobre os rivais neste sábado em Mônaco.

Marcas históricas

Automobilisticamente falando, janeiro se resume unicamente ao Dakar e neste final de semana chegou ao fim mais uma edição em Santiago (?) com várias marcas históricas ganhando forma durante os 18 dias que durou a travessia pela costa do Pacífico no último janeiro que, como infelizmente sempre acontece ao longo dos anos, teve algumas mortes para incrementar as estatísticas. Em 2013 foram mais três.

Stéphane Peterhansel chegou ao seu incrível 11º triunfo no rally, o quinto nos carros, superando o não menos lendário Ari Vatanen na história da categoria carros. Peterhansel usou toda a sua experiência para levar seu Mini rumo ao título na base da regularidade, pois os buggys de Nasser Al-Ittihad e Carlos Sainz eram protótipos mais rápidos, mas como foram pouco testados, acabaram ficando pelo caminho. Sendo o mais rápido em apenas dois dias, Peterhansel liderou o rally desde o segundo dia, mas sofria pressão de Ittihad, Sainz e também do maluquinho Robby Gordon e seu famoso Hummer. Contudo, seus adversários foram caindo um a um, enquanto o francês marcava seus adversários mais próximos, conseguindo outro triunfo em seu vasto plantel de vitórias.

Outro que se consagrou de forma definitiva foi o irascível Cyril Deprés. O francês da KTM se tornou favoritíssimo ao título antes mesmo da largada quando seu principal rival, Marc Coma, desistiu de participar graças a um problema no ombro, porém, Deprés não teve vida fácil com vários adversários aparecendo pela frente, como a revelação Olivier Pain e o veterano David Casteur, ambos da Yamaha. Os dois franceses lideraram o rally com consistência, mas acabaram vítimas das armadilhas do rally (no caso de Casteur, de uma vaca...) e Deprés aproveitou para conquistar seu quinto título, encostando em Peterhansel no quesito vitórias em motos e superando o italiano Edi Orioli. 

E nos caminhões, após Chaguine e Kabirov, em 2013 foi a vez do jovem Eduard Nikolaev fazer a Rússia vencer o rally com os míticos caminhões Kamaz. O Nikolaev pilotou como um veterano, já que ele não venceu nenhuma especial e viu seus adversários da Iveco, dominante ano passado, ficando pelo caminho após liderarem várias especiais.

O Dakar 2013 terminou com a consolidação de velhos nomes, assim como a chegada de algumas revelações que podem tomar forma nos próximos anos, mas o velho Dakar, atravessando o Saara e chegando na capital do Senegal, era o verdadeiro Dakar. Mesmo os organizadores tentando fazer um rally parecido na América do Sul, o charme e a tradição de uma prova na África nunca será igual, fora as polêmicas, como no caso da troca do motor de Deprés, onde a ASO foi acusada (novamente) de ajudar os franceses. Acho que a primeira ação a fazer era mudar o rally de nome. Dakar na América do Sul é o mesmo de usar Rally dos Sertões no Rio Grande do Sul!