segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Figura: Lewis Hamilton

Não foi do jeito que imaginava, mas quem importa?

116 pódios
72 poles
62 vitórias
E agora, quatro títulos mundiais.

Dizer mais o que de Lewis Carl Davidson Hamilton? Lenda viva, simplesmente.

Figurão(MEX): Felipe Massa

A corrida mexicana teve valor simbólico para um estranho tabu da já longa carreira de Felipe Massa na F1. Desde que estreou na F1, mesmo mostrando muito serviço ao londo de todos esse tempo, Massa tem a incrível marca de sempre marcar menos pontos do que seus companheiros de equipe. Quando enfrentou Schumacher, Raikkonen (motivado) e Alonso, ainda se perdoa, mas ficar atrás do novato e endinheirado Lance Stroll não pega nada bem para Felipe. No circuito Hermanos Rodríguez, a Williams demonstrou mais uma vez o final de ano medíocre que vem mostrando nas últimas provas e seus dois pilotos não foram ao Q3 na classificação, mas uma largada confusa colocou Massa e Stroll entre os dez primeiros. No entanto, a corrida de Felipe foi estragada por um furo lento e o paulistano teve que parar nos boxes ainda nas primeiras voltas para trocar de pneus e estratégia, ficando até a bandeirada com o mesmo tipo de pneu. Arriscando em não trocar de pneus quando o Virtual Safety Car deu as caras, Massa teve que resistir aos ataques de pilotos melhores 'calçados' do que ele e o brasileiro saiu da zona de pontos. Porém, Stroll se manteve na ponta do pelotão intermediário desde a largada e com um bom ritmo, o canadense conseguiu se manter entre os dois pilotos da Force India (hoje um carro melhor do que a Williams) e conseguiu um honesto sexto lugar no México. Com isso, Stroll ultrapassou Massa na tábua de pontuação e se o brasileiro não virar nas próximas duas corridas, o canadense prosseguirá a sina de Massa de perder do seu companheiro de equipe. Apesar de rápido, não é segredo nenhum que Lance Stroll só está na Williams por causa do dinheiro do papai Lawrence e o jovem canadense ainda sofre com a falta de regularidade. Mesmo com Massa tendo perdido vários pontos importantes por culpa alheia ao longo da temporada, essa marca nada edificante poderá ficar cravada na carreira de Felipe, ainda mais ficando atrás de um piloto de quase a metade de sua idade e ainda bastante errático. Por isso a Williams procura descaradamente um substituto para Massa em 2018... 

domingo, 29 de outubro de 2017

É tetra!

Como diria Toto Wolff depois da corrida, não foi a maneira como Hamilton queria, mas isso não importava. Lewis Hamilton é o mais novo tetracampeão mundial de F1, se igualando à Alain Prost e Sebastian Vettel na história da categoria. Como a decisão pelo título estava muito fácil à favor de Hamilton, o toque entre os dois protagonistas da luta pelo campeonato nem trouxe tanta polêmica e mesmo conseguindo apenas um nono lugar, Lewis garantiu seu nome ainda mais cintilante no panteão dos grandes da F1.

Era esperado uma luta forte entre Hamilton e Vettel na corrida, com Verstappen sendo um ilustre convidado na briga pela vitória, mas tudo praticamente acabou na curva dois da corrida. Os três primeiros colocados largaram muito bem e na freada da curva um chegaram a fazer um improvável 'three-wide'. Logicamente que Hamilton recuou, mas Vettel e Verstappen continuaram na briga e os dois acabaram se tocando, além de terem se atrasado. Hamilton tentou se aproveitar da situação, mas acabou tocado por Vettel, furando seu pneu traseiro direito. Por um momento, a conquista do título parecia adiada, mas os seguidos toques na Ferrari do alemão fez com que ele precisasse trocar o bico do carro, enquanto Hamilton se arrastava  com o pneu furado na primeira volta. Com Verstappen dominante e muito atrás no pelotão, mesmo à frente de Hamilton, a missão de Vettel era quase impossível. O título de Hamilton viria mesmo no México. Primeiro o alemão colocou os pneus macios para não parar uma segunda vez, mas com a entrada do virtual safety-car com a quebra do motor de Hartley, Vettel mudou de ideia. O ferrarista fez uma bela corrida de recuperação, com destaque para a briga com Massa, mas quando se viu 23s atrás de Raikkonen nas voltas finais, Sebastian nem teve coragem de pedir uma troca de posição de que nada adiantaria. Hamilton também colocou pneus macios em sua primeira parada, mas os pneus mais duros pareciam incapazes de aquecer e gerar aderência necessário ao inglês. Era incrível como Lewis não conseguia ultrapassar a Renault de Sainz e a Sauber de Wehrlein. Sorte do inglês que sua situação era privilegiada. Quando trocou de pneus no VSC, Hamilton recuperou bastante do seu desempenho e ainda brigou de forma forte com Alonso, no melhor momento da corrida. Lewis talvez tenha se arriscado demais na briga com Alonso, mas até um zero ponto lhe daria o tetracampeonato naquela situação. Ser campeão com um nono lugar não é o ideal, mas o título não foi conquistado hoje. Hamilton soube lutar com Vettel, um piloto do seu naipe, em vários momentos da temporada e o inglês da Mercedes não se exasperou, sua grande característica anos atrás. Aos 32 anos de idade, Lewis Hamilton chegou à maturidade para controlar um campeonato disputado e sua complexa corrida de hoje. O toque entre Vettel e Hamilton poderia ter causado uma polêmica grande se o campeonato não estivesse tão à favor de Hamilton. Depois da corrida, Vettel bateu palmas para Hamilton de forma merecida. O alemão sabe que está bem acompanhado no rol dos tetracampeões. Lewis Hamilton já tem números superlativos e quem o acompanha desde que estreou como um furacão dez anos atrás sabe que Lewis tem um estilo de pilotagem empolgante e não é nenhum exagero o colocar, no mínimo, entre os dez grandes da história da F1

Assim como Lewis Hamilton em 2007, Max Verstappen chegou à F1 como um dos grandes fenômenos dos últimos tempos. A Red Bull demorou muito a acordar, mas finalmente o fez nessas últimas corridas de 2017 e Verstappen vem se aproveitando dessa melhora para conquistar ótimos resultados. Max forçou na briga com Vettel na curva um, mas seu ritmo hoje mostrou bem que ele tinha totais condições de vencer mesmo com Vettel e Hamilton nas primeiras posições. Foi uma vitória dominadora, indicando que a Red Bull pode vir muito forte em 2018, tendo Verstappen como seu principal piloto. Depois de trocar de motor um pouco antes da largada, Ricciardo foi o primeiro a abandonar e ainda viu seu talentoso companheiro de equipe ganhar cada vez mais confiança. E um piloto confiante, além de super talentoso, é um perigo para um piloto claramente um degrau abaixo como Daniel Ricciardo. Os dois pilotos finlandeses tiveram uma corrida discreta, particularmente Bottas. O piloto da Mercedes tomou quase 20s de Verstappen de uma forma quase natural e só chegou em segundo por causa dos problemas de Vettel e Hamilton, o mesmo acontecendo com Raikkonen. Perdendo várias posições na largada, Kimi Raikkonen demonstrou mais uma vez uma grande dificuldade em ultrapassar pilotos com carros claramente inferiores ao seu e só subiu para terceiro com os pit-stops da turma da Force India e Nico Hulkenberg. Depois disso, Kimi fez uma corrida bastante burocrática e só subiu ao pódio por que não valia a pena para a Ferrari ordenar uma troca de posições com seus pilotos tão distantes entre si. O ritmo da Ferrari no tour asiático e na corrida de hoje mostrou bem que se não fossem os erros cometidos nas três corridas na Ásia e o título seria decidido até a última corrida, com Vettel apertando Hamilton. Se serve de consolo, esse grupo da Ferrari ganhou uma experiência valiosa para estar novamente na briga em 2018, mas a Mercedes ainda será o alvo a ser atingido por Ferrari e Red Bull.

Para desespero de Sergio Pérez, correndo em casa ele viu Esteban Ocon ser o melhor do resto com alguma folga, fazendo o francês repetir sua melhor posição na vida com um quinto lugar, sendo ultrapassado por Vettel já nas voltas finais. Stroll largou muito bem, chegou a ser quarto e num ritmo muito bom, conseguiu ficar entre os dois carros da Force India, salvando um bom sexto lugar para a Williams, muito na frente de Massa, que teve um pneu furado no início da prova e ao contrário de Vettel e Hamilton, não mais parou nos boxes e com pneus macios, ficou fora dos pontos por apenas uma posição. Magnussen se aproveitou dos problemas alheios e fez uma boa corrida ao levar a sofrível Haas aos pontos, enquanto Grosjean foi o último dos que receberam a bandeirada. A equipe americana caiu bastante nas últimas provas. Largando nas últimas posições após uma montanha de punições, os pilotos da McLaren subiram de posição até chegar à zona de pontuação com Alonso, com Vandoorne colado em Massa. Fernando se divertiu na briga com Hamilton, mas olhando de um plano maior, o espanhol tem com o que se preocupar em 2018. Todos os pilotos com motor Renault tiveram problemas no final de semana, garantindo o abandono da dupla da Renault (Hulkenberg vinha bem posicionado, junto com Ocon) e de Hartley. Felizmente Verstappen resistiu bem, mas a Renault ainda precisa melhorar sua confiabilidade. A Sauber fez seu papel de sempre, já pensando em 2018.

E a F1 já começa a pensar na próxima temporada. Com o seu campeão definido, a F1 parte para as duas últimas corridas do ano mais relaxado, mas já percebendo alguns bons sinais para 2018. O crescimento da Red Bull pode indicar uma briga à três ano que vem e Verstappen mostrou hoje que não tem medo de se digladiar com as grandes estrelas Hamilton e Vettel. Mesmo com um motor que rende até 20 km/h a menos, a McLaren mostrou um chassi muito bom e como falou bem Alonso, com um motor melhor, estaria na briga lá na frente nesse final de semana. E hoje, mesmo nem tão confiável, a Renault é bem melhor do que a Honda. Galvão Bueno narrou com emoção em sua estreia pela Sportv e com a Williams querendo claramente um outro piloto para o lugar de Massa em 2018, devemos nos acostumar com a ideia da F1 saindo da Globo e se mudando o canal fechado. A Liberty trouxe uma lufada de ar fresco à uma F1 carrancuda dos últimos tempos de Bernie. A festa no México para Hamilton foi midiática como aconteceu na apresentação de Austin quinze dias atrás. Houve zerinhos, uma corrida do inglês no meio da torcida, uma entrevista improvisada com um DJ aparecendo atrás do pódio. Essa nova F1 midiática (sinceramente achei dispensável Neymar aparecer no rádio com Hamilton, mas como o brasileiro é midiático...) tem tudo a ver com Hamilton. O inglês soube usar seu talento sobrenatural para ganhar fãs em outros nichos e se tornar uma superestrela pop mundial. Admirador confesso (e as vezes meloso demais) de Senna, Hamilton já superou o brasileiro em todos os números e sem medo de errar, já é uma lenda viva. Lewis Hamilton já está na história da F1. 

Respirando por aparelhos

Andrea Doviziozo ainda respira, mesmo que com muita dificuldade nessa sua inglória luta pelo título de 2017. O italiano da Ducati conquistou sua sexta vitória em 2017, se igualando ao líder Marc Márquez, mas o 13º lugar em Phillip Island semana passada foi decisivo para deixar o espanhol da Honda com a faca e o queijo na mão. 

Como normalmente aconteceu em Sepang, a corrida aconteceu com pista molhada, mesmo que não chovesse durante a corrida. Numa prova que poderia definir o campeonato da MotoGP, o piso molhado tornava ainda mais tenso uma corrida já dramática por natureza. Largando em sétimo após uma queda na classificação, Márquez mostrou logo de cara que não liga muito para matemática pelo título com uma largada hiper agressiva, pulando para primeiro na curva um, mas sem tomada, acabou descendo para terceiro, o que não deixava de ser ótimo pela posição que largou. Mais cerebral, Doviziozo caiu de terceiro para quinto, mas o italiano mostrou que também pode lutar quando é preciso e deixou a múmia Daniel Pedrosa para trás ainda na primeira volta após luta encarniçada. Tendo como meta ficar, no mínimo, na frente de Márquez, Dovi abriu luta contra o espanhol, que não desistiu fácil, como esperado. Quando a corrida assentou-se era claro que a Ducati tinha um melhor desempenho no molhado e Doviziozo assumiu o terceiro lugar ao natural, enquanto Lorenzo alcançava Zarco na ponta.

Ambas as Ducatis assumiram as duas primeiras posições, mas o título estava sendo decidido em Sepang, se Doviziozo não assumisse a primeira posição, que era ocupada por Lorenzo. A metade final da corrida foi dominada pelo suspense se Lorenzo cederia ou não a vitória. Seria a primeira vitória do espanhol com a Ducati, mas o bom senso prevaleceu e Doviziozo assumiu a ponta da corrida faltando meras cinco voltas para o fim, num erro de Lorenzo na última curva do circuito malaio. Como Márquez não conseguiu ultrapassar Zarco, que ficou com o último lugar do pódio, a batalha pelo título ficou basicamente com Doviziozo necessitando unicamente da vitória para se manter com chances, enquanto para Márquez basta ser décimo primeiro. Pelo ritmo que o espanhol tem, sem falar no conhecimento da pista de Valencia, Doviziozo só garantirá o título se Márquez cair.

O título não foi definido em Sepang, mas Márquez está como o meu Vozão, com 95% (ou mais) de chance de conquistar o tetracampeonato na última etapa do Mundial, que conheceu o campeão da Moto2 ainda antes da corrida. Thomas Lüthi sofreu um sério acidente na classificação e com o tornozelo quebrado, o suíço foi proibido de correr, dando a Franco Morbidelli, que tem mãe brasileira, o título desse ano. Com Márquez e Doviziozo tendo o mesmo número de vitórias esse ano, quem se sagrar campeão em Valencia na próxima quinzena, será o digno campeão de 2017, mas Márquez não precisa fazer mais do que o arroz com feijão (além de não imitar Rossi em 2006) para ser tetracampeão em casa.

sábado, 28 de outubro de 2017

Pensando no futuro

Muito se reclamou esse ano sobre a bipolaridade entre Ferrari e Mercedes em 2017, onde mesmo sendo bem mais interessante do que o monólogo da Mercedes nos três últimos anos, ter apenas duas equipes brigando pela vitória fica sempre um gostinho de quero mais. Ao contrário do sexo, onde um é pouco, dois é bom e três é demais, na F1 ter três ou até mais equipes envolvidas é até melhor para o espetáculo. Nas últimas corridas, a Red Bull está entrando de forma até sorrateira dentro da briga por vitórias, principalmente na pessoa de Max Verstappen. Se não fosse a duvidosa punição da FIA semana passada em Austin, Max teria três pódios seguidos, sempre lembrando que nos Estados Unidos o holandês largou das últimas posições. Hoje, Verstappen ficou bem próximo da sua primeira pole numa volta de tirar o fôlego, que parecia definitiva, mas se tem uma coisa que Vettel tem de virtude é sua perseverança e o alemão tirou uma volta da cartola que o deixou na pole no México, mas com Hamilton logo atrás, o título ainda está nas mãos do inglês.

A classificação foi bastante morna nas primeiras fases, com algumas equipes sofrendo de antemão e deixando as passagens para o Q2 e Q3 bem tranquilas. A Haas vem perdendo ritmo há algum tempo e hoje viu seus dois pilotos ficando pelo Q1, ao lado da cativa Sauber. No terceiro treino livre a Toro Rosso já tinha visto Pierre Gasly abandonar com o motor quebrado e no Q3 foi a vez de Brendon Hartley ver seu bom trabalho virar, literalmente, fumaça. Com a McLaren tendo a pilha de punições para pagar resolvendo não participar do Q2, não houve muita emoção, com a Williams placidamente estacionada como sexta força do ano e vendo seus dois pilotos em 11º e 12º. Porém, já no Q2 Verstappen mostrou a que veio marcando uma volta meio segundo mais rápida do que todos os demais, garantindo o recorde do circuito Hermanos Rodríguez. No Q3 o holandês piorou seu tempo, mas ainda estava bem na frente de todos, mas numa última tentativa, Vettel frustrou Verstappen e conquistou sua 50º pole na carreira, lhe dando um pequeno suspiro na briga pelo campeonato. Hamilton pareceu até um pouco perdido nas fases derradeiras da classificação, mas o terceiro lugar lhe serve demais para garantir o tetracampeonato amanhã. Decepção maior ficou com Ricciardo, largando em sétimo, bem longe do companheiro de equipe e superado pela Force India de Ocon, para desespero do piloto local Pérez. 

O muito tempo sem andar numa pista com características únicas por causa da altitude viu a F1 sofrer com várias saídas de pista mesmo com os carros com o máximo de downforce possível, além das quebras de motores, particularmente dos Renault. Porém, o interessante será ver três equipes lutando pela vitória amanhã, pena que a Red Bull demorou demais para acordar em 2017. Tomara que ela acorde em Melbourne em 2018.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

História: 25 anos do Grande Prêmio do Japão de 1992

A F1 parecia cansada quando chegou em Suzuka 25 anos atrás para a tradicional prova no Japão. Talvez por isso as atenções estavam todas sobre o que iria acontecer no ano seguinte. Vinculado à McLaren, Mika Hakkinen sabia que Michael Andretti viria para a equipe em 1993, mas a insatisfação de Senna com o equipamento que tinha da McLaren fazia que o finlandês tivesse esperanças de estar no grid com a McLaren no ano seguinte. Hakkinen era um dos destaques da temporada e suas boas exibições eram um último suspiro da Lotus, que decaía cada vez mais. Com apenas Prost definido em 1993, a Williams também estava de olha em Mika. Assim como ocorrera no ano anterior, a Ferrari não terminou a temporada com a mesma dupla de pilotos da primeira corrida, só que ao contrário da escandalosa demissão de Prost em 1991, a saída de Ivan Capelli nem chegou a surpreender pela péssima temporada que o italiano vinha fazendo até então em 1992. Após ótimas exibições pela March, Capelli decepcionou na Ferrari e foi substituído pelo compatriota Nicola Larini, piloto de testes da Ferrari e mais acostumado com o carro. Capelli nunca se recuperou na carreira. E falando em March, a equipe surpreendeu ao trazer de volta à F1 Jan Lammers, após mais de dez anos em que o holandês esteve na F1 pela última vez. O experiente piloto trouxe uma boa grana para a quase falida March e se quando estreou na F1 em 1979 era um imberbe calouro, agora ele era um dos pilotos mais velhos do grid.

Se despedindo da Williams, Nigel Mansell ficou com outro recorde ao igualar o número de poles (13) numa mesma temporada de Senna em 1988 e 1989. Sem surpresa alguma, Patrese ficou com a segunda posição e a dupla da McLaren, com Senna à frente, ocupava a segunda fila. Larini surpreendeu ao ficar na frente de Alesi, mas isso não significava muito quando o italiano era apenas 11º e o francês estava quatro posições atrás. Lammers retornava bem e superava seu companheiro de equipe Emanuele Naspetti.

Grid:
1) Mansell (Williams) - 1:37.360
2) Patrese (Williams) - 1:38.219
3) Senna (McLaren) - 1:38.375
4) Berger (McLaren) - 1:40.296
5) Schumacher (Benetton) - 1:40.922
6) Herbert (Lotus) - 1:41.030
7) Hakkinen (Lotus) - 1:41.415
8) Comas (Ligier) - 1:42.187
9) De Cesaris (Tyrrell) - 1:42.361
10) Boutsen (Ligier) - 1:42.428

O dia 25 de outubro de 1992 amanheceu com clima ameno que sempre caracteriza Suzuka nessa época do ano e, portanto, perfeito para uma corrida de F1. Pela primeira vez desde que debutou na F1, Suzuka não era palco de uma corrida decisiva e já tinha o campeão conhecido, no caso, Mansell, que largou muito bem na luz verde e se manteve na ponta, com Patrese colado no inglês, mas ficando num comportado segundo lugar. A largada ocorreu sem maiores problemas, com Larini sendo o protagonista do único drama ao ficar parado no grid, mas sem ser atingido por ninguém, o italiano seguiu na prova com ajuda dos comissários. Como sempre, os comissários japoneses são solícitos até demais...

Como sempre também, os dois carros da Williams desapareciam no horizonte, enquanto Senna enfrentava o seu pior final de semana no Japão, lugar onde era muito popular. Depois de quebrar o motor no warm-up, o brasileiro viu o segundo motor Honda quebrar ainda na quarta volta da corrida, abandonando prematuramente e sem poder fazer muito para tornar a despedida da montadora nipônica da F1 um pouco mais digna. O ritmo da Williams era tão superior, que ainda na décima volta Mansell já tinha 23s de vantagem em cima do terceiro colocado Berger, que era pressionado por Schumacher. O austríaco faria sua primeira parada na volta 11 e chamou atenção a forma acintosa com que Berger avisou Schumacher que estava indo aos boxes, ainda se lembrando do perigoso acidente de Estoril com Patrese. Schumacher assumia o terceiro lugar, mas o alemão mal sentiu o gosto da posição quando abandona com o câmbio quebrado na volta 13. Era o primeiro abandono por problema técnico do alemão na temporada. Incrivelmente, duas voltas depois de subir para terceiro Herbert abandona com o câmbio quebrado e quem assumia a posição 'maldita' era Mika Hakkinen.

Quem estava na tática de uma volta começa a fazer suas paradas, incluindo a dupla da Williams, com Mansell permanecendo em primeiro, com 10s de vantagem sobre Patrese. Berger reassume o terceiro lugar e quando o austríaco faz sua segunda e definitiva parada na volta 29, ele retorna à pista bem na frente de Hakkinen e fica com a sua terceira posição. Faltando vinte voltas para o fim e com 20s de vantagem para Patrese, Mansell tira o pé completamente e em três voltas é alcançado por Patrese, que assume a ponta sem nenhuma objeção de Mansell, que persegue o companheiro de equipe de perto, sugerindo que Mansell dava à Patrese uma vitória de presente após dois anos de total submissão do italiano dentro da Williams. Na volta 40, a equipe Larrousse teve sua corrida estragada por culpa dos seus pilotos. Gachot tentou passar Katayama na freada da chicane Casio e acabou batendo no japonês, abandonando no local, enquanto Katayama seguia na prova, mas após perder várias posições. Essa chicane sempre viu companheiros de equipe batendo de qualquer forma...

Com menos de dez voltas para o fim, com a dupla da Williams andando em formação, uma rara falha do motor Renault fez Mansell abandonar. O inglês tentou ir aos boxes, mas como apareceu fogo, Mansell desistiu. Nigel nunca teve muita sorte em Suzuka e a Williams perdia a chance de marcar uma dobradinha na casa da Honda, numa espécie de vingança pelo o que japoneses fizeram cinco anos antes ao deixar a Williams na mão e sem motor após ser campeões juntos. Enquanto isso Hakkinen perdia um pódio ao abandonar no fim da prova e quem assumia o lugar no pódio já nas voltas finais era Martin Brundle. Patrese tinha 40s de vantagem e para evitar qualquer problemas, aliviou bastante o seu ritmo para receber a bandeirada em primeiro para o que seria última vitória na F1. Num pódio recheado de segundos pilotos, com os abandonos de Mansell, Senna e Schumacher, quem completava os três primeiros eram Berger e Brundle. De Cesaris obtém um ótimo quarto lugar na frente de um persistente Alesi, em corrida bem discreta da Ferrari. Christian Fittipaldi marcou seu primeiro ponto na carreira na F1 e o primeiro do ano para a Minardi. Essa vitória garantiu à Patrese o vice-campeonato, num ano perfeito para a Williams-Renault.

Chegada:
1) Patrese
2) Berger
3) Brundle
4) De Cesaris
5) Alesi
6) Fittipaldi  

terça-feira, 24 de outubro de 2017

História: 40 anos do Grande Prêmio do Japão de 1977

A etapa derradeira da interessante e mortal temporada de 1977 tinha um ar mais relaxado, pois não havia praticamente nada a decidir a ponto do campeão Niki Lauda, intrigado com a Ferrari naquele momento e de malas prontas para a Brabham, sequer viajou ao Japão para defender seu título. O austríaco não foi o único. Equipes com problemas financeiros ou de desenvolvimento dos seus carros resolveram não viajar para o Oriente. Eram Renault, Copersucar, Williams, BS Fabrications e Hesketh. Como havia acontecido no ano anterior, pilotos e equipes japonesas marcariam presença.

As últimas corridas tinham sido dominadas por James Hunt e Mario Andretti, que só não brigaram mais seriamente com Lauda pelo título por problemas de confiabilidade nos novos carros de McLaren e Lotus, respectivamente. Com carros mais confiáveis, os dois desafetos chegaram ao Japão como favoritos e Andretti acabou confirmando isso ao ficar com a pole, a sétima em 1977, com Hunt largando ao seu lado. A dupla da Brabham ocupou a segunda fila, seguidos por Laffite, Scheckter, Reutemann e Mass. Nilsson, com uma pintura nova da Lotus, era apenas 11º, com a dupla da Tyrrell muito mal, com Depailler em 15º e Peterson em 18º. Em sua terceira corrida pela Ferrari, o substituto de Lauda, Gilles Villeneuve, ainda tinha dificuldades de adaptação e largaria apenas em vigésimo.

Grid:
1) Andretti (Lotus) - 1:12.23
2) Hunt (McLaren) - 1:12.39
3) Watson (Brabham) - 1:12.49
4) Stuck (Brabham) - 1:13.01
5) Laffite (Ligier) - 1:13.08
6) Scheckter (Wolf) - 1:13.15
7) Reutemann (Ferrari) - 1:13.32
8) Mass (McLaren) - 1:13.37
9) Brambilla (Surtees) - 1:13.37
10) Regazzoni (Ensign) - 1:13.52

O dia 23 de outubro de 1977 amanheceu com céu limpo e muito sol no sopé do Monte Fuji, ao contrário do temporal que desabou no ano anterior, proporcionando uma corrida épica e que decidiu o campeonato de 1976. Um ano depois, Andretti, que largara na pole na decisão de 1976, saiu muito mal na bandeirada e foi ultrapassado imediatamente por sete carros, com Hunt assumindo a liderança. Por causa da má saída de Andretti, muitos pilotos foram atrapalhados nas primeiras filas.  Scheckter consegue uma largada excepcional e pula de sexto para segundo, seguido por Mass e Regazzoni, que também realizaram largadas muito boas e ganharam muitas posições.

Hunt abria imediatamente uma vantagem em cima de Scheckter, que era perseguido de perto por Mass. Tentando se recuperar de sua má largada, Andretti começa a prova em modo de ataque, mas sua corrida duraria muito pouco. O americano colocou por dentro de Laffite na freada do hairpin, porém, perdeu o controle da sua Lotus e bateu no guard-rail, acabando sua corrida ainda na segunda volta. No mesmo local, o astro local Noritake Takahara brigava com Hans Binder e os dois acabaram se estranhando, batendo no mesmo lugar de Andretti. Mais atrás, uma briga chamava a atenção pela agressividade dos envolvidos. Ronnie Peterson era ídolo de Gilles Villeneuve, mas o atrevido canadense não queria nem saber e atacava o sueco com força. Na abertura da sexta volta, Villeneuve erra o cálculo de uma tentativa de ultrapassagem no final da reta dos boxes e o resultado é trágico. Villeneuve bate na traseira de Peterson e alça voo. A Ferrari do canadense sai capotando em direção ao público e quando o carro pára, felizmente Villeneuve estava ileso, apesar de assustado. Porém, duas pessoas estavam num local proibido por negligência da organização e foram atingidas fatalmente pelos destroços da Ferrari. As câmeras da TV não tiveram pudor em mostrar a polícia levar os dois corpos para fora do local, além de outros feridos, sendo sete de forma grave.

Peterson, que abandonou no local, acusou Villeneuve de pilotagem perigosa e por incrível que pareça, a corrida continuou normalmente. Hunt abria uma bela vantagem para o seu companheiro de equipe Mass, que ultrapassara Scheckter e que depois perderia o terceiro lugar para John Watson. Vindo de uma corrida de recuperação, Watson passa a atacar Mass pelo segundo lugar, mas por incrível que pareça, ambos abandonam na mesma volta, a 29, com Mass tendo o motor quebrado e Watson com o câmbio quebrado. Isso deixava Hunt com uma diferença de 28s em cima de Scheckter, além um surpreendente Clay Regazzoni em terceiro, logo atrás, enquanto Reutemann era um discreto quarto lugar. O Wolf de Scheckter tinha claros problemas de equilíbrio e o sul-africano perdia rendimento na medida em que a corrida passava da metade. Na volta 34 Regazzoni assume o segundo posto e estava a ponto de dar o primeiro pódio para a Ensign, que comemorava sua corrida de número 50 em Fuji. Jacques Laffite vinha numa boa corrida de recuperação e encostava em Reutemann, que já atacava o irregular Scheckter. O sul-africano entrou nos boxes na volta 43 para trocar seus pneus dianteiros. Num tempo em que pit-stop programado não existia, isso significava o fim do sonho de uma corrida competitiva para Scheckter, mas como Andretti havia abandonado ainda no começo da prova, Jody garantia o vice-campeonato numa equipe praticamente estreante.

Na volta 44 o motor de Regazzoni deixa o suíço na mão e Morris Nunn, chefe da Ensign, fica inconsolável nos boxes, pois sabia que dificilmente teria uma chance de ir ao pódio como aquela. Com sua tocada tranquila, Reutemann assumia o segundo lugar, mas era pressionado por Jacques Laffite. Scheckter voltou dos boxes em penúltimo, mas entre Reutemann e Laffite. Com pneus melhores, Scheckter consegue ultrapassar Reutemann e tirar uma volta do argentino, mas Laffite aproveita o embalo e numa manobra audaciosa, deixa o piloto da Ferrari para trás. Enquanto isso, Hunt fazia o que os ingleses chamam de 'Sunday Drive', chegando a colocar um minuto de diferença em cima de Laffite, que tirava o pé para economizar combustível, mas não foi o suficiente, com o francês abandonando na penúltima volta com pane seca. James Hunt vence sua corrida mais tranquila da F1 com minuto de vantagem em cima de Reutemann, mesmo o argentino não tendo uma exibição brilhante. Numa corrida de paciência, Depailler se aproveitou do problema de Laffite para subir para terceiro, pressionado por Alan Jones. Laffite ainda conseguiu o quinto lugar e o jovem italiano Riccardo Patrese marcou seu primeiro ponto na Fórmula 1. Após a corrida, ocorreu uma cena curiosa e que dificilmente se repetirá. Quando chegou aos boxes, Hunt trocou de roupa na frente de todo mundo, colocou uma bluca e um jeans e se mandou para o aeroporto. Ele não podia perder o seu voo de volta para a Europa. O mesmo pensou Carlos Reutemann. Num pódio curioso, apenas Depailler estava presente para ouvir o hino da Grã-Bretanha. Os japoneses ficaram bastante irritados com a falta de respeito ao público dos pilotos e reclamou bastante com a FIA, que ficou insatisfeita em ver o número de mortes da temporada 1977 aumentar por uma falha de organização. Fuji ficaria trinta anos longe da F1 e o Grande Prêmio do Japão só retornaria dez anos depois. Dessa vez para ficar!

Chegada:
1) Hunt
2) Reutemann
3) Depailler
4) Jones
5) Laffite
6) Patrese