quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sobre as asas da Ferrari

Nessa manhã a Sauber anunciou uma parceria técnica com a Alfa Romeo a partir de 2018, indicando o retorno da mítica marca italiana à F1 após mais de trinta anos. Porém, a Alfa foi a primeira equipe dominante da F1, vencendo com ampla vantagem em 1950 com Farina e já enfrentando o crescimento da Ferrari em 1951 com Fangio. No final dessa temporada, a Alfa se retirou oficialmente da F1 para retornar apenas no final dos anos 1970, primeiro cedendo motores para a Brabham e depois com uma equipe própria, que nem de longe repetiu a performance da sua predecessora nos anos 1950.

Contudo, para quem está vibrando com a entrada de uma nova montadora na F1 é bom diminuir o facho. A verdade é que a Alfa Romeo está retornando à F1 com a benção da Ferrari e a parceria com a Sauber nada mais é que transformar a equipe suíça numa espécie de Toro Rosso da Ferrari, onde os italianos irão colocar seus jovens pilotos para maturar rumo à Ferrari. Com tão poucas vagas na F1 e com os programas de jovens pilotos tão em voga, a atitude da Ferrari é inteligente, além de ser politicamente bom ter dois aliados (Sauber-Alfa e Haas) na hora das votações da FIA. 

Outra boa notícia é que os jovens pilotos das canteras ferraristas podem estrear na F1 e terem tempo para ganhar uma boa experiências, casos claros de Charles Leclerc e Antonio Giovinazzi. Outra boa notícia é que o grupo que salvou a Sauber ano passado perderá força e o grid ganhará tecnicamente com a provável saída de Marcus Ericsson...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Figura(ABU): Valtteri Bottas

Alheio à chatice da corrida, Valtteri Bottas ajudou a transformar a prova ainda mais enfadonha. Mas com todos os méritos. Claramente batido por Hamilton nos treinos livres e nas primeiras fases da classificação, Bottas acertou uma última volta no Q3 que o deu a pole position para a corrida em Yas Marina. Foi uma surpresa e mesmo largando em segundo, Hamilton era o favorito. Só esqueceram de avisar Bottas. O piloto da Mercedes conseguiu uma bela largada e com pneus ultramacios foi abrindo para Hamilton, que esticou um pouco seu primeiro stint e com pneus supermacios, se aproximou de Bottas. Era a grande prova para Bottas. Com um tetracampeão logo atrás e com o mesmo carro, o finlandês seguraria Hamilton até a bandeirada? Bottas respondeu com uma pilotagem segura e sem maiores erros, onde administrou muito bem a vantagem para Hamilton e quando o inglês mais se aproximava, Bottas dava a resposta de forma rápida e segura. Já no fim da corrida Bottas marcou a volta mais rápida e abriu, ganhando o respiro para vencer pela terceira vez na carreira e no ano. Em seu primeiro ano numa equipe grande, Bottas oscilou bastante a ponto de ser criticando pela cúpula da Mercedes, mas na última corrida do ano provou que pode ser mais do que um mero coadjuvante de Hamilton.

Figurão(ABU): Yas Marina

Quando uma pista é ruim, ou a corrida é muito boa ou é muito ruim. Quando os sheiks resolveram encher os cofres de Bernie Ecclestone com uma pista em Abu Dhabi, o objetivo deles era de uma corrida de Mônaco nas arábias. Construíram uma marina artificial e a encheu de iates luxuosos, colocaram a pista dentro de um hotel cinco estrelas e para dar um toque especial, a corrida seria realizada no crepúsculo. Tudo muito bonito (literalmente), mas numa frase bem futebolística, esqueceram de combinar com o adversário. No caso de Yas Marina, não combinaram com os fãs. Além de todo o glamour, Mônaco tem uma pista desafiadora e com os guard-rails sempre à espreita, incidentes podem acontecer a qualquer momento na prova monegasca. Safety-cars e surpresas já aconteceram aos borbotões no principado. Já em Yas Marina, Hermann Tilke projetou seu pior circuito (de longe) exatamente por não dar um real desafio aos pilotos e tirando uma ou outra exceção, sem nenhuma surpresa. Várias chicanes construídas sem o mínimo sentido, retas sem fim e curvas sem graça fazem do circuito extremamente sem emoção. Para completar, as amplas áreas de escape fazem com que os pilotos não tenham seus erros punidos, como ocorre em Monte Carlo e Cingapura, uma pista projetada por Tilke, mas que já criou liga com os fãs da F1. Ao contrário de Abu Dhabi. Como aconteceu na maioria das vezes em que a F1 aportou em Abu Dhabi, a corrida de ontem foi tenebrosa e praticamente nada aconteceu. Até os pilotos reclamaram que a corrida foi chata. Se pilotando o carro os protagonistas acharam a prova chata, imagina então para quem assistiu? Foi de dar sono. Uma pena que uma temporada tão legal acabe de forma tão melancólica. Se os árabes já demonstraram ter tando dinheiro, bem que eles poderia deixar a marina, o hotel e desmanchar a pista para fazer tudo de novo! 

domingo, 26 de novembro de 2017

Final indigno

Somente a alta grana investida pelos árabes explica o circuito de Yas Marina, tradicional palco de corridas horrorosas, continue não apenas no calendário da F1, como sendo local da última prova da temporada. A temporada 2017 foi legal demais para ter um final tão sem-vergonha como esse em Abu Dhabi. Há pouco a ser dito de uma corrida onde os melhores momentos aconteceram em brigas pela 13º posição (Grosjean/Stroll e Magnussen/Wehrlein). Bottas não tem nada com isso e conseguiu uma vitória categórica em Abu Dhabi.

Como falado acima, não é necessário muitas linhas para falar de uma corrida que até a largada, momento em que normalmente acontecem coisas interessantes, simplesmente não aconteceu nada. Os doze primeiros colocados do grid completaram a primeira volta na mesma posição. Bottas, Hamilton, Vettel, Ricciardo, Raikkonen e Verstappen. A única mudança entre os seis primeiros foi o abandono de Ricciardo, completando um final de temporada desapontador para o australiano, que com tantos abandonos perdeu o quarto lugar no Mundial de pilotos para Raikkonen. Verstappen nunca ficou longe de Raikkonen, da mesma forma que nunca atacou o piloto da Ferrari. Vettel esperava ter um ritmo de corrida próximo da Mercedes, mas os 20s que tomou no final da corrida deu a medida da distância que a Ferrari esteve hoje da Mercedes. Com o abandono de Ricciardo, Vettel fez uma corrida extremamente solitária. Sem ter nada com que brigar, a Ferrari apenas cumpriu tabela. O único momento interessante no pelotão dianteiro foram as tentativas de Hamilton brigar pela vitória. O inglês, com pneus supermacios, se aproximou de Bottas, abriu o DRS, mas ficou mesmo em segundo. Méritos para Bottas. O finlandês teve um meio de temporada discreto a ponto de ser criticado pela cúpula da Mercedes, mas hoje Bottas fez uma corrida digna de um piloto que quer algo mais do que ser coadjuvante de luxo dentro da Mercedes. Valtteri não errou com a pressão de Hamilton e mostrou reservas quando o companheiro de equipe mais se aproximou. O finlandês só não conseguiu o Grand-Chelem porque Hamilton resolveu ficar algumas voltas na pista depois da parada de Bottas, mas o nórdico conseguiu o Grand-Slam (pole, vitória e melhor volta da corrida).

No meio do pelotão, Nico Hulkenberg se livrou dos problemas que o atingiram nas últimas corridas e superou a Force India mesmo sendo punido, quando conseguiu uma vantagem ao ultrapassar Pérez na primeira volta. O alemão se manteve forte a corrida toda em sexto e com os pontos conquistados, subiu para décimo no Mundial de Pilotos. Sainz estava fora dos pontos quando abandonou por erro da Renault, que não apertou corretamente sua roda em seu pit-stop. A Force India foi superada pela Renault de Hulk, mas fez seu papel de quarta força de 2017. Demonstrando força nessas corridas finais, Alonso superou Massa e marcou dois pontos, assegurando que após um início tenebroso, a Honda deu indícios de melhoras. Só que tarde demais para a paciência de Alonso e da McLaren, que correrão de Renault em 2018. Massa se despediu da F1 de forma digna, marcando ponto com um carro que nem é mais o quinto mais rápido do grid. Com a aposentadoria de Felipe, o Brasil não terá nenhum representante na F1 em 2018. Apesar de ter perdido o décimo lugar para Hulkenberg na corrida derradeira, Massa pelo menos superou seu companheiro de equipe pela primeira vez na F1, com Stroll tendo uma corrida que lembrou seus primeiros movimentos na F1. Muito ruins. Criticado de forma errônea pelo trio da Globo, Grosjean conseguiu ultrapassar Stroll com categoria e numa corrida cerebral, quase levou a descendente Hass aos pontos, enquanto Magnussen rodava na primeira volta e ficava no pelotão de trás, junto com as duplas de Toro Rosso e Sauber.

Nós somente temos noção do quão bom foi uma temporada na medida em que olhamos para trás e lembrarmos das coisas boas que ela nos proporciona. Observando no retrovisor, conseguimos enxergar uma temporada onde duas marcas gigantescas (Mercedes e Ferrari) construíram carros que foram superiores aos demais na maioria as vezes e sempre brigaram pela vitória. Além de dois tetracampeões (Vettel e Hamilton) mostrando o seu melhor para se sobressair numa luta que durou dois terços do ano. Não fossem os erros da Ferrari e Vettel poderia estar brigando com Hamilton até a última corrida. Além de tudo isso, ainda vimos que Vettel e Hamilton tem dois coadjuvantes competentes e que a Red Bull tem uma dupla com potencial de serem campeões do mundo. Verstappen vai confirmando que ele é um cara especial. Além disso, vimos Alonso cada vez mais maduro e com gana de voltar a vencer e o surgimento de Esteban Ocon como uma possível estrela do futuro. A F1 teve um grande ano e já ficamos na expectativa de 2018. Portanto, o melhor a se fazer é riscar a corrida de Abu Dhabi de nossas cabeças e curtir o que se passou em 2017 e o que poderá vir em 2018.

sábado, 25 de novembro de 2017

Volta da F-Mercedes

Última corrida do ano com tudo definido. Algumas despedidas, mas a tendência é que 2018 seja muito parecido com 2017, pois os regulamentos pouco mudarão. Esse clima de fim de feira fez com que muitas equipes não se matassem para correr atrás de alguma coisa e com isso, a F1 teve em sua chata pista de Abu Dhabi uma classificação digna da pista. Chata. Com a Ferrari não querendo muita coisa e a Mercedes voando no Oriente Médio, o time alemão voltou aos tempos em que dominava a F1 como queria, mas foi surpreendente Bottas bater Hamilton no Q3 e conseguir sua quarta pole na carreira e no ano, evitando que Lewis se igualasse ao número de poles numa temporada.

Foi um treino bem borococho, sem nenhuma surpresa e os pilotos mais preocupados em bater o ponto de entrada e saída da empresa. Se despedindo de forma conturbada da Renault, a Toro Rosso ficou sempre nas últimas posições com seus dois novatos e com a chegada da Honda, prevendo uma temporada difícil, mas de aprendizado para quando a Red Bull assumir a parceria com os japoneses. Levando muito tempo de Massa, Stroll conseguiu passar ao Q2 por uma margem ínfima, merecendo os aplausos da família. Massa vem fazendo boas apresentações em suas despedidas e mesmo com a Williams não tendo carro para tal, foi ao Q3, tirando o lugar que seria de Alonso, saudando o fim de 2017 e a saída da Honda da McLaren. Na Renault, Hulkenberg colocou ordem na casa ao ir para o Q3 e superar Sainz, que ficou no Q2.

A Red Bull continua sofrendo com um motor Renault que não pode forçar muito para não quebrar, mas Ricciardo surpreendeu ao tirar o quarto lugar de Raikkonen. Desde os treinos livres era claro que a Mercedes iria dominar na classificação e Hamilton era o grande favorito, mas Bottas só precisou da primeira volta rápida para fazer a melhor volta da história de Abu Dhabi e ficar com a pole. Bottas ainda luta pelo vice com Vettel, mas somente um abandono do alemão, que foi terceiro hoje, com uma vitória do nórdico ajudaria a causa do finlandês da Mercedes. A espera é que a corrida seja bem mais atrativa do que o treino. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Justiça na loteria

Na eterna briga 'pontos corridos' x 'mata-mata' para se saber a melhor fórmula de campeonato, os defensores do primeiro falam muito em justiça. Já para a segunda parte, fala-se em emoção. No futebol isso rende uma discussão acalorada, mas no automobilismo, para mim, é bem claro que um campeonato construído da primeira à última corrida é muito mais válido do que um tudo ou nada na última prova do campeonato. O cada vez pior play-off da Nascar faz com que o esforço de um piloto e uma equipe não seja recompensado no final do ano, pois tudo é decidido mesmo na corrida derradeira. Não adianta vencer sete vezes ao longo do ano, se uma má corrida poder jogar tudo pelo ralo.

Isso quase aconteceu com Martin Truex Jr. O já veterano americano foi o melhor piloto da temporada  2017 disparado, venceu sete vezes no ano, mas se algo lhe acontecesse em Homestead, Truex amargaria uma derrota gigantesca. 

Truex tem uma carreira cheia de altos e baixos na Nascar. Discípulo de Dale Earnhardt Jr, Truex foi bicampeão da então Busch Series (2004-2005) e estreou na categoria principal do time de Dale Jr, naquele momento, uma equipe de ponta. Quando Junior foi para a Hendrick, a Earnhardt Incorporated foi decaindo nas mãos de Teresa Earnhardt (madrasta de Dale Jr) e Truex foi perdendo rendimento junto. Em 2010 Martin foi para a equipe de Michael Waltrip e em 2013 se envolveu no escândalo da rodada de propósito do seu companheiro de equipe Clint Bowyer para que Truex pudesse participar dos play-offs daquele ano. A equipe de Waltrip foi definhando e parecia que a carreira de Truex iria pelo mesmo caminho. 

Em 2014 Truex foi para a pequena Forniture Row. Parecia que Martin Truex nunca confirmaria as expectativas que todos tinham nele, mas foi nesse ambiente mais leve que o americano voltou a andar na frente e vencer corridas. Nessa temporada a Forniture Row conseguiu uma parceria com a Joe Gibbs e Truex era praticamente o quinto piloto da tradicional equipe Gibbs. No segundo ano das corridas com segmentos (outra ideia horrível da Nascar...), Truex venceu várias dessas mini-corridas, além de sete triunfos. A frieza de Truex nas corridas chamavam a atenção e raramente ele não corria no top-5. Foi uma temporada surpreendente de Truex, que foi à final em Homestead ano passado como azarão, mas ontem era o grande favorito. Truex compensou em Homestead o que fez a temporada inteira. Foi uma corrida calculada, mas num ritmo muito forte que o colocou na frente nos últimos momentos da prova e mesmo pressionado por Kyl Busch, Martin Truex Jr segurou o rojão e venceu pela oitava vez. Quando mais precisava!

Fez-se a justiça. Truex não merecia perder e tanto é verdade, que todos na Nascar pareciam felizes com o título de Martin, que recentemente acompanhou sua esposa na luta contra um câncer. Porém, essas ideias 'Professor Pardal' da Nascar parecerem surtir um efeito contrário para a categoria. Se antes havia pilotos sobrando num grid de 43 carros, hoje está complicado fechar os 40 carros. Nas arquibancadas, são vistos clarões que não existiam dez anos atrás. A Nascar não precisa de artifícios para ser emocionante, pois ela sempre foi competitiva. Menos mal que Martin Truex Jr venceu em meio a tantas tentativas de estragarem seu título. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Amor de primeira

Pode-se dizer que foi um ano de sonho. Quando subimos em 2009, perdemos o estadual nos detalhes, numa das maiores injustiças que eu me lembre. Esse ano foi diferente. Ganhamos o estadual com um time que já dava mostras que poderia nos alegrar muito mais, faltando apenas alguns ajustes, além de contratações. O goleiro Éverson é excelente. A dupla de zaga Rafael Pereira e Luís Otávio é segura e ainda faz gols. O lateral esquerdo Romário veio do Atlético Goianiense (campeão da Série B ano passado) para dar qualidade no setor, principalmente no apoio. O meio campo...

Já tínhamos Richardson e a prata da casa Raul. Durante o Cearense chegou Pedro Ken, que estava esquecido na Rússia e conhecendo o projeto do Ceará, preferiu vir para cá, no lugar de outros clubes até da série A. O maestro Ricardinho, se recuperando de uma operação no joelho, entrava aos poucos. Poucos clubes na Série B tinham um meio-campo desse. No ataque, a velha magia de Magno Alves. O Cearense veio até fácil, mas parecia que ainda faltava algo. O time ganhava e não encantava, mostrava momentos dispersivos durante o jogo, além de problemas de criação. Quando o veterano Givanildo substituiu o esquecível Gilmar dal Pozzo, todos esperavam que o velho Giva garantiria outro acesso em sua vasta carreira de sucesso. Ledo engano. As rodadas passavam e o Ceará não engrenava. Após uma derrota e um empate em dois jogos dentro de casa, Givanildo foi demitido. Quem iria entrar no lugar?

Foi exatamente nesse momentos de dúvida, que o Ceará começou a concretizar seu ano de sonho. Junto com as contratações de Élton, Lima, Roberto (pena que se machucou muito...), Pio e Fernando Henrique, veio a surpreendente contratação do técnico Marcelo Chamusca. Justo Chamusca, nome ligado ao principal rival. Porém, alguns detalhes passaram desapercebidos. Quando Chamusca estava do lado de lá, o Ceará tinha um time bem superior, mas o Fortaleza comandado por ele dava mais trabalho do que o imaginado. O nome de Chamusca ficou ligado aos fracassos do rival na série C, mas o trabalho dele aparecia na ascensão do Guarani de Campinas à série B ano passado. Chamusca era um estudioso e mesmo com os vacilos nos mata-matas, ele montava bons times. Bem visto pela diretoria, ele foi contratado, para desespero da maior parte da torcida do vozão. Outro detalhe histórico. Um dos títulos mais festejados da história do Vozão foi o tetracampeonato cearense de 1978, onde o técnico era Moésio Gomes, nome ligado ao Fortaleza pelos quatro costados. Se deu certo quase quarenta anos atrás, poderia dar novamente, por que não?

E como deu certo!

Estive no estádio PV na estreia de Chamusca do Ceará. Vitória convincente de 3x0. O time oscilou na medida em que Chamusca buscava a melhor formação. Houve derrotas inexplicáveis, como a do Goiás em casa, mas as vitórias fora de casa compensavam. Já no final do primeiro turno o Ceará conquistava uma arrancada que o colocou entre os quatro primeiros do campeonato, mas logo o time saiu dos quatro primeiros. Pressão. Teve quem pedisse a cabeça de Chamusca. Será que ninguém aprende que mudar de técnico a todo instante, o time não sobe? O Ceará venceu o Náutico, engatando uma sequencia de nove jogos invictos. Vitórias contra rivais diretos (Vila Nova, Paraná e Oeste) foi sucedido por uma inesquecível vitória sobre o Internacional em pleno Beira-Rio. O mesmo Inter que nos derrotou no Castelão e o zagueiro Vitor Cuesta chamou Élton de macaco. O mesmo babaca ficou perguntando onde ficava Ceará? O Lima disse bem direitinho aonde fica o Ceará!

Um acesso do Ceará sem polêmica de arbitragem não teria graça. Contra o Guarani, após conseguir um suado empate de 2x2, Richardson fez o gol de desempate saindo atrás da linha de zagueiros, além de estar posicionado atrás da linha da bola. Ou seja, não foi impedimento duas vezes. O bandeirinha, no final do jogo no Castelão cheio, anulou o gol que nos daria a vitória de virada. O bandeira deve ter marcado impedimento da quenga da mãe dele, só pode!

O Ceará deu uma escorregada no final, mas os rivais também vacilavam. Vila Nova saía aos poucos do páreo. Oeste, sem torcida, não tinha apoio. O Paraná perdia fôlego. O problema era o Londrina atropelando. A vitória contra o Payssandu foi providencial. O Ceará tinha cinco pontos de vantagem sobre o quinto colocado faltando duas rodadas para o fim. Se fosse outro clube, já teria cravado que tinha subido. Mas era o Ceará e o coração não permitia esse açodamento. Nessas coisas do destino, o jogo do Ceará era o último da rodada e algo me dizia que nós estaríamos na série A antes de entrar em campo nessa penúltima rodada. Dito e feito! Londrina empatou em casa com o América-MG e o Oeste foi surpreendido pelo ABC, lanterna da série B, em Natal. 

Vozão na Série A!

As últimas semanas foi de tensão e angústia. Se o outro lado subiu  num lance de sorte, a gente tinha que manter a ordem dentro do estado. O Ceará tem hoje uma estrutura de dar inveja a muito clube com pose. Em 2009 o acesso teve o sabor da surpresa. No Guia do Campeonato Brasileiro da Placar, o Ceará foi colocado como brigando contra o rebaixamento. Na época, sem estrutura, o time vivia brigando para se manter na série B mesmo, mas com o trabalho de Evandro Leitão, o time subiu para a série A com um time inesquecível. O clube evoluiu dentro e fora de campo. O Ceará poderia ter subido em 2013, 2014 e 2016, mas infelizmente não deu. O sucessor de Leitão, Robinson de Castro, fez algumas escolhas impopulares, como a contratação de Chamusca, mas garantiu um 2017 simplesmente inesquecível para nós, alvinegros. Apesar do simbolismo daquele time de 2009, acho o time de 2017 mais equilibrado e mais forte. Brigar pelo título na série A beira o impossível, mas se manter lá por um tempo é possível. É o que nós queremos! BORA VOZÃO!