segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Figura(BEL): Charles Leclerc

Não bastasse vencer pela primeira vez na F1, Charles Leclerc entra nessa parte da coluna por ser um piloto com uma personalidade fortíssima, que faz muita falta na F1. Com apenas 21 anos de idade o monegasco já passou por várias situações de superação e dor que muitos pilotos experientes não passaram em toda a carreira. Quando começou a correr de kart no começo da década passada, Leclerc tinha como contemporâneos Pierre Gasly, Esteban Ocon e Anthoine Hubert. Junto a eles, Charles conheceu um piloto um pouco mais velho e já reconhecido como uma grande esperança francesa chamado Jules Bianchi. Leclerc passar a ser apoiado por Bianchi, além do seu pai. Charles Leclerc foi se mostrando um grande talento como Gasly, Ocon e Hubert, mas em 2014 o monegasco viu seu mentor Bianchi sofrer um seríssimo acidente em Suzuka pela F1 que o mataria nove meses depois. Leclerc conseguiu o lugar que era destinado para Bianchi: ser o futuro piloto da Ferrari. Infelizmente Leclerc não conseguiu que seu pai Hervé visse esse sonho se tornar realidade, pois ele morreu em 2017, ano em que Leclerc venceu a F2. Charles estreou na Ferrari esse ano, conseguiu duas poles no ano de estreia numa equipe grande, bateu na trave o mesmo número de vezes para vencer. Em Spa, Leclerc marcou sua terceira pole na carreira, só que a festa durou poucas horas, até seu amigo Hubert falecer num acidente de F2. Com muita dor, Leclerc abraçou a mãe de Anthoine antes da largada e recebeu um pedido do seu contemporâneo Gasly: Vença essa corrida por Anthoine. Charles Leclerc pôs tudo isso de lado e fez uma corrida magnífica, passando 44 vezes pelo local que matou seu amigo menos de 24 horas antes, onde administrou a liderança e soube segurar a pressão do pentacampeão Lewis Hamilton nas voltas derradeiras antes da bandeirada. Por Anthoine Hubert. Por Hervé Leclerc. Por Jules Bianchi. Essa primeira vitória (tomara que de muitas) mostrou bem do que é feito Charles Leclerc.

Figurão(BEL): Haas

Antes que Günther Steiner reclame dos seus atrapalhados pilotos, o chefe de equipe da Haas deveria olhar para a sua equipe e exigir explicações para um ritmo de corrida tão pobre dos seus carros aurinegros. Por mais que Kevin Magnussen e Romain Grosjean façam besteiras, rodem, batam entre si e dificultem a vida dos adversários com manobras evasivas agressivas demais, os dois são pilotos rápidos e isso fica claro com as boas posições conseguidas por eles na classificação. Porém, quando vem o domingo... Em Spa Kevin Magnussen tinha um ritmo de corrida tão ruim que ele foi ultrapassado por cinco pilotos em cinco voltas consecutivas, deixando o dinamarquês sem qualquer poder de reação a não ser contabilizar mais uma posição perdida. Mais tarde Grosjean entrou na mesma espiral negativa e no fim da prova, a dupla chegou uma volta atrás dos líderes e fora dos pontos mesmo largando entre os dez primeiros. A simpática equipe americana vinha sempre evoluindo desde que entrou na F1, mas 2019 vem se mostrando um ano negativo para a Haas e o pior é que o time não apenas não resolveu o problema, como também não descobriu o que acontece com seus carros durante as provas, quando os pontos são conquistados.

domingo, 1 de setembro de 2019

Com a mão na taça

Josef Newgarden esteve longe de fazer uma corrida agressiva nessa tarde em Portland, mas levando seu Penske na manha até o final, o americano praticamente pôs uma mão no título desse ano na Indy, numa prova vencida pelo seu companheiro de equipe Will Power.

A primeira curva do tradicional circuito de Oregon sempre teve como característica a apertada primeira curva, local de inúmeros acidentes, porém nesse ano Graham Rahal e Ryan Hunter-Reay tiveram panes mentais em dois incidentes separados no setor que neutralizou as primeiras vinte voltas de prova com bandeira amarela. Quando a corrida teve ritmo de bandeira verde, Scott Dixon ultrapassou o pole Colton Herta e parecia que ganharia em Portland para entrar de vez na luta pelo título, mas uma pane numa bateria estragou a corrida do neozelandês, o alijando da briga pelo hexacampeonato. O jovem Herta foi ultrapassado não apenas por Dixon, mas por todo um pelotão, liderado por Power, Rosenqvist e Rossi. Melhor piloto da Chevrolet no final de semana, Power dominou a corrida após o abandono de Dixon após segurar os ataques do segundo colocado Rosenqvist e venceu com muita tranquilidade, espantando os rumores de que poderia ser dispensado da Penske. A 37º vitória de Power o coloca como o sexto maior vitorioso da história da Indy.

Rossi necessitava desesperadamente da vitória, mas o americano da Andretti pareceu sem forças para brigar pelo objetivo e só não perdeu o lugar no pódio por que um recuperado Colton Herta não atacou muito o quase companheiro de equipe. Com Pagenaud fazendo outra corrida opaca para ser sétimo, Rossi reassumiu a vice-liderança, mas apesar da última etapa em Laguna Seca ter pontuação dobrada, Newgarden está muito próximo do título. O americano da Penske quase se envolveu no enrosco da largada provocado por Rahal, mas escapou sem danificar o carro e caiu para último. Numa recuperação segura, Josef chegou a vislumbrar um pódio, mas quando foi atacado por Herta, preferiu ficar numa sólida quinta posição que o deixou bem confortável para conseguir o bicampeonato. 

Nos detalhes

A esperada primeira vitória do talento emergente Charles Leclerc finalmente veio em Spa, mas o próprio monegasco pouco comemorou numa corrida marcada pela tristeza e pelo luto da trágica morte de Anthoine Hubert na tarde de ontem na F2. Piloto muito próximo de Hubert, Leclerc mostrou muita personalidade para superar toda a sua dor e vencer uma corrida nos detalhes, já que a Ferrari por muito pouco não entregou a rapadura novamente, com Hamilton chegando colado em Charles na última volta, mesmo que a vantagem da Ferrari nos treinos não indicasse isso.

Como não poderia deixar de ser, antes da corrida houve o protocolar um minuto de silêncio pela perda de Anthoine Hubert de todos os pilotos e equipes de F1, F2 e F3. Num momento muito bonito, na volta 19 (número que Hubert usava) todo o público em Spa se levantou e aplaudiu, num belíssimo momento de reverência, que chegou a abafar o ruído dos motores. De todos os vinte pilotos que largaram nessa manhã, o mais próximo de Hubert era justamente o pole Charles Leclerc. Dois anos mais jovem, Leclerc fez sua carreira inteira ao lado de Hubert. Como esperado o monegasco era o mais sentido pelo acontecimento de ontem, mas Charles Leclerc colocou sua dor de lado por uma hora e meia para vencer uma corrida que foi mais difícil do que o esperado pela Ferrari. Após dominar todos os treinos com uma velocidade estonteante nas retas, a Ferrari contava até mesmo com uma dobradinha, mas os italianos foram surpreendidos pela força da Mercedes, principalmente com os pneus médios. Leclerc garantiu a sua vitória por meros detalhes que fizeram toda a diferença. Primeiro foi o bom período de safety-car no começo da prova que ajudou os pilotos a esticarem ao máximo o stint com os pneus macios, mais propícios ao ritmo da Ferrari. Depois Leclerc contou com a ajuda de Vettel, quando o alemão segurou um claramente mais rápido Hamilton por duas voltas. Nesse momento, Lewis já tinha abaixado a sua desvantagem de sete para quatro segundos e quando Vettel fez um bom trabalho de equipe, a vantagem de Leclerc voltou aos 7s. Porém, os pneus médios de Charles foram se desgastando a ponto de Hamilton tirar mais de 1s no segundo setor (que favorecia a Mercedes) nas voltas finais. Mesmo se segurando nas partes rápidos da pista, era nítido que Leclerc não teria o que fazer se houvesse uma ou duas voltas a mais de corrida, mas felizmente para ele, a Ferrari e Mattia Binotto, a prova terminou a tempo de Charles Leclerc conseguir sua primeira vitória na carreira, além de ter sido a primeira vitória de Mônaco na F1 e a primeira da Ferrari em 2019, garantindo o emprego de Binotto.

Evidentemente Leclerc apontou para o céu dedicando sua vitória à Hubert, além de rapidamente quebrar seu tabu de vitórias na F1, após bater na trave duas vezes (Bahrein e Áustria) tão perto da bandeirada. A Ferrari perdeu a dobradinha no momento em que caiu no blefe da Mercedes e antecipou a parada de Vettel, quando ele já era pressionado pelo terceiro colocado Hamilton. Mais rápido na pista quando teve pneus novos, Vettel ficou totalmente vendido quando Leclerc e a dupla da Mercedes pararam e se aproximaram dele. A Ferrari mandou Vettel encostar para Leclerc passar, mas num momento decisivo, segurou o alemão na pista ao máximo para segurar Hamilton quando o inglês tirava muita diferença para Leclerc. Vettel fez bem seu trabalho, o que acabou sendo valioso para a Ferrari no resultado final, mas o alemão se viu numa posição incomum de boi de piranha para garantir a vitória de outro piloto da Ferrari. Uma situação incômoda para quem foi contratado a peso de ouro para ser campeão com a Ferrari. Hamilton demonstrou mais uma vez que é um gigante da história da F1. Com a Mercedes claramente em desvantagem para a Ferrari nas longas retas de Spa, o inglês ainda quase arrancou a vitória, chegando menos de 1s atrás de Leclerc, após superar Vettel na pista. Hamilton foi para cima de Leclerc com a gana de quem estaria atrás do campeonato, não com mais de sessenta pontos na frente do vice-líder do campeonato. Assim como ocorreu na Hungria, Hamilton queria demarcar território frente a um jovem piloto. Não conseguiu por pouco. Com contrato renovado, Bottas pouco apareceu numa corrida onde levou sua Mercedes ao pódio e se distanciou ainda mais do terceiro no campeonato.

Correndo praticamente em casa, Max Verstappen mais uma vez largou mal. Levando-se em conta o histórico desse ano, isso era até uma boa notícia, pois em todas as oportunidades que Max saiu mal na largada, ele venceu, porém o velho Max afobado apareceu novamente e numa manobra para lá de otimista, foi para cima de Raikkonen na Source e quase fez o finlandês capotar. Com a suspensão dianteira claramente quebrada, Verstappen continuou rápido e enfrentou a Eau Rouge (local do acidente fatal de Hubert) daquele jeito. O resultado não poderia ser outro do que um acidente na rápida curva, trazendo um crucial safety-car que acabou ajudando seu rival de longa data Leclerc a vencer. Apesar de cada dia melhor, Verstappen teve uma recaída hoje, talvez nervoso por ter largado mal numa pista que não favoreceu a Red Bull na frente de sua enorme torcida. Alexander Albon fez uma ótima estreia pela Red Bull, ao sair da última fila rumo a um belíssimo quinto lugar após muitas ultrapassagens, com destaque para uma em cima de Daniel Ricciardo por fora. Bastou uma corrida para o tailandês ter uma exibição melhor do que as doze de Pierre Gasly esse ano, que nem foi tão mal em sua reestreia pela Toro Rosso e pontuou. Lando Norris escapou da presepada de Verstappen e pulou de 11º para quinto logo na largada e ficou nessa posição a corrida inteira de forma sólida, mas acabou traído pela McLaren na abertura da última volta, saindo da zona de pontuação, enquanto Sainz abandonou na primeira volta, após ficar parado na largada, bem no dia do seu aniversário.

Numa pista que tradicionalmente favoreceu a Racing Point (leia-se Force India), Sérgio Pérez conseguiu um bom sexto lugar, mesmo tendo sido ultrapassado por Albon na última volta, enquanto Stroll aproveitou-se do infortúnio de Norris na penúltima volta para conseguir o último ponto. Numa meio de pelotão equilibrado, Kvyat foi sétimo e o demitido Hulkenberg foi oitavo com a Renault, todos muito próximos um dos outros, mesmo que mais de um minuto atrás dos líderes. Ricciardo bateu na primeira volta e precisou parar cedo, arriscando ficar a corrida inteira com o mesmo set de pneus. O tiro saiu pela culatra e o australiano foi escalado nas últimas voltas, mas o piloto mais ultrapassado do dia foi mesmo Kevin Magnussen, que largou bem, mas o terrível ritmo de corrida da Haas fez com que o danês fosse sendo ultrapassado de forma contínua de forma até constrangedora para a trupe de Günther Steiner, numa cena parecida com Grosjean. Giovinazzi vinha na zona de pontos quando bateu na última volta, enquanto Raikkonen teve o carro danificado pelo toque Verstappen na primeira volta a ponto de ficar entre os dois carros da Williams, o que hoje em dia é sinal de ficar nas últimas posições.

Muita gente esperava por chuva para termos uma corrida ainda mais animada em Spa, mas por tudo o que aconteceu ontem, era bem melhor que a pista estivesse seca mesmo e hoje a corrida tivesse menos riscos. Contudo, nem por isso tivemos uma corrida aborrecida e ainda houve a tensão pelo modo ataque de Hamilton nas últimas voltas em cima de Leclerc, que mostrou muita maturidade para não se intimidar com a chegada do pentacampeão e vencer com todos os méritos pela primeira vez na F1. Infelizmente, Charles Leclerc não pôde comemorar seu feito pessoal como merecia. 

sábado, 31 de agosto de 2019

Aller avec Dieu, Anthoine

Quando terminava de escrever o post sobre a classificação do Grande Prêmio da Bélgica, uma notícia dava conta de uma sério acidente na F2. Claro que isso chamou minha atenção, mas quando vi as primeiras imagens, um frio atravessou toda a minha espinha. Um acidente na Eau Rouge sempre será uma pancada forte, basta lembrar os acidentes com os pilotos da BAR vinte anos atrás ou, voltando ainda mais no tempo, o acidente fatal de Stefan Bellof. Mas um acidente em 'T' nesse local era um prenúncio de que as notícias a seguir não seriam boas.

Alguns minutos se passaram antes que a FIA colocasse em todas as suas redes sociais a confirmação da morte de Anthoine Hubert, de 22 anos de idade, em decorrência do grave acidente deste sábado. Cria do automobilismo de base francês, Hubert tinha uma carreira brilhante e com títulos na F4 e GP3. Mesmo não liderando em seu primeiro ano na F2, o jovem francês havia sido contratado pela Renault e o futuro de Hubert prometia bastante. Num acidente em que não se pôde identificar culpados, Hubert bateu na proteção de pneus na Eau Rouge e acabou colhido por Juan Manuel Correa (que está hospitalizado). O carro de Hubert foi atingido em cheio por Correa. As imagens fortíssimas, junto com a falta de informações e o cancelamento da prova eram claros indicativos de que a situação de Anthoine Hubert não era nada boa.

Mesmo levado de helicóptero para o hospital, Anthoine Hubert faleceu.

Desde o trágico final de semana em Ímola vinte e cinco anos atrás, um piloto não morria num final de semana de F1 (Bianchi morreu nove meses depois do seu acidente). Muitas vezes nos pegamos fazendo troça do automobilismo atual e que os pilotos de hoje são todos 'Nutella'. Por mais que a segurança esteja cada vez mais reforçada, o lema 'Motorsport is dangerous' não pode ser esquecido jamais. 

Assim como jamais deveremos esquecer de Anthoine Hubert. 

Ferrari com sobras

Num ano marcado pelo domínio da Mercedes e de Lewis Hamilton, que devem garantir o título em algumas etapas, chega a surpreender o que a Ferrari e Charles Leclerc fizeram nesse sábado em Spa. Não foi apenas o caso do monegasco garantir a pole, mas enfiar goela abaixo da Mercedes uma vantagem de sete décimos de segundo, com Hamilton comemorando o terceiro lugar, enquanto Vettel se viu superado pelo jovem companheiro de equipe mais uma vez.

A classificação na Bélgica, debaixo de muito sol, foi bem atípica com duas quebras de motor bem ao velho estilo, com muita fumaça e fogo. A primeira vítima foi Robert Kubica em sua claudicante Williams, o que não deve fazer tanta diferença para o polaco em outro final de semana ruim da tradicional esquadra inglesa. Bem no finalzinho do Q1, foi a vez do motor Ferrari do Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi abrir o bico, estragando a tentativa de Carlos Sainz ir ao Q2, além de deixar a dupla da Toro Rosso no limbo, com o detalhe de Gasly, ainda se acostumando com o novo carro, na frente de Kvyat. Nelsão merecia um genro um pouquinho mais talentoso. 

À essa altura já ficava claro que a Mercedes não teria muitas chances de brigar pela pole, mas Hamilton não tinha muito do que reclamar. No terceiro treino livre o inglês cometeu um incaracterístico erro e destruiu a frente do seu carro, dando muito trabalho aos seus mecânicos. Ajudado pela quebra de motor de Kubica, Hamilton pôde participar da classificação normalmente e ainda ficar na frente de Bottas. Outro que sofreu foi Verstappen. Correndo em 'casa', o holandês teve vários problemas com falta de potência do motor Honda e com isso Max teve que se contentar com uma opaca quinta posição, enquanto Albon foi um dos vários pilotos punidos por troca de motor e nem foi ao Q2 de forma estratégica.

Charles Leclerc deu um verdadeiro vareio em cima de Vettel, liderando todas as sessões de hoje e garantindo uma atordoante pole para a Ferrari, a primeira desde a Áustria. O monegasco lutará por sua primeira vitória na F1, enquanto Vettel tentará acabar com o tabu de recém-completados um ano sem vitória. Em condições normais, a Ferrari decidirá entre si a vitória no domingo, com Hamilton à espreita esperando um vacilo (algo que aconteceu várias vezes esse ano...) de algum dos pilotos ferraristas. Porém, estamos falando de Spa e a previsão é de chuva para amanhã. Portanto, nada está perdido para Hamilton e Verstappen, além de nada está garantido para a Ferrari, que dominou esse final de semana até agora com sobras.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

História: 20 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1999

Após o monótono Grande Prêmio da Hungria, onde a McLaren mostrou sua força com uma dobradinha dominante, a F1 chegava ao tradicional palco de Spa, num circuito completamente diferente de Hungaroring, mas nem por isso a McLaren parecia menos forte. Mika Hakkinen tinha cometido alguns erros não característicos para um campeão, o mesmo acontecendo com a McLaren, que deixou seus dois pilotos na mão algumas vezes vinte anos atrás. Por isso, mesmo com Michael Schumacher ainda se recuperando dos seus ferimentos em casa, a Ferrari liderava o Mundial de Pilotos com o segundo piloto Eddie Irvine, que negociava para onde iria no ano 2000, enquanto a Ferrari encaminhava um contrato com Rubens Barrichello, que fazia uma ótima temporada com a Stewart.

O tempo bom marcou os treinos em Spa, mas o que ficou na lembrança foram os dois acidentes protagonizados pela dupla da BAR. Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta bateram muito forte na Eau Rouge, com pouca diferença entre os dois acidentes, mas apesar da magnitude das pancadas e os carros completamente destruídos, os dois pilotos saíram ilesos. A McLaren confirmou os prognósticos e arrastou a primeira fila com muita facilidade, com Hakkinen na frente de Coulthard. Numa tarde infeliz da Ferrari, foi a Jordan quem conseguiu a segunda fila com Frentzen novamente se mostrando como o piloto do ano de 1999, enquanto o semi-aposentado Damon Hill conseguia sua melhor classificação naquela temporada. Irvine era apenas sexto, tomando mais 1.5s das McLarens, num final de semana bem complicado para os italianos.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:50.329
2) Coulthard (McLaren) - 1:50.484
3) Frentzen (Jordan) - 1:51.332
4) Hill (Jordan) - 1:51.372
5) R.Schumacher (Williams) - 1:51.414
6) Irvine (Ferrari) - 1:51.895
7) Barrichello (Stewart) - 1:51.974
8) Zanardi (Williams) - 1:52.104
9) Salo (Ferrari) - 1:55.124
10) Herbert (Stewart) - 1:52.164

O dia 29 de agosto de 1999 amanheceu belo e pleno ao redor da floresta das Ardenas, num clima nada típico da região, mas que garantia uma corrida mais tranquila e no seco. Muito provavelmente a Ferrari esperava um clima diferente para ter uma chance na corrida, já que em nenhum momento os italianos conseguiram acertar o carro. Debaixo de muito sol a largada foi dada com a dupla da McLaren saindo rumo a primeira curva lado a lado. Hakkinen deixou patinar um pouco a embreagem, enquanto Coulthard saiu melhor. Vindo por dentro, Mika tentou forçar a barra e os dois McLarens se tocaram, mas sem maiores problemas dessa vez e na entrada da Eau Rouge era Coulthard quem liderava a corrida. Irvine fez uma boa largada e forçou para ficar em quarto, atrás de Frentzen e Ralf Schumacher, já que Hill não largou bem e ficou para trás, superado inclusive por Zanardi, que fazia uma corrida competitiva finalmente.

Coulthard imprimia um ritmo fortíssimo na frente, enquanto Hakkinen apenas se distanciava do terceiro colocado Frentzen. Os três primeiros colocados estavam distantes entre si e não haviam brigas pelas primeiras posições. Na volta 7 a McLaren mostrou a placa 'Push' para Hakkinen e o nórdico rapidamente diminuiu a vantagem para Coulthard, aumentando as suspeitas que uma ordem de equipe seria dada naquele momento, mas o escocês também incrementou o ritmo e a diferença entre a dupla da McLaren se estabeleceu nos 6s. Mais atrás Irvine segurava claramente Ralf Schumacher na briga pela quarta posição, mostrando que somente um milagre faria o irlandês permanecer na ponta do campeonato na bandeirada.  Quando os líderes fizeram suas primeiras paradas, a vantagem de Coulthard só aumentou, principalmente com Ralf Schumacher esticando seu stint e atrapalhando Hakkinen quando o finlandês tentava 'voar' com os pneus novos. 

Numa corrida sem muita emoção, saindo um pouco das características caóticas de Spa-Francorchamps, David Coulthard venceu com extrema facilidade, não dando chances à Hakkinen, que quase deixou o motor morrer em sua segunda parada, mas esteve longe de ser ameaçado por Frentzen, que chegou mais uma vez no pódio numa corrida solitária. Irvine teve sorte, pois a estratégia da Williams não funcionou e Ralf Schumacher perdeu bastante tempo com relação ao irlandês. Em termos táticos, não foi um dia feliz para a Williams, pois Alex Zanardi corria tranquilamente para marcar seu primeiro ponto em sua volta à F1 quando a Williams não colocou combustível o suficiente e o italiano teve que fazer uma parada não-programada, relembrando de forma triste os splash-and-go tão característicos da Indy. Hill ficou com o último ponto, segurando um frustrado Zanardi nas últimas voltas. Numa prova onde os cinco primeiros da primeira volta terminaram nas mesmas posições na bandeirada, a grande polêmica do dia foi a falta de ordens de equipe dentro da McLaren. Com a Ferrari num péssimo final de semana e Hakkinen brigando pelo títulos, os quatro pontos poderiam fazer muita diferença para o nórdico na briga com Irvine. Norbert Haug simplificou a questão dizendo que a McLaren não trabalhava da mesma forma do que outras equipes, numa alfinetada na Ferrari. Apesar do ato de esportividade da McLaren, por sorte aqueles pontos não fariam falta para Hakkinen no final do ano.

Chegada:
1) Coulthard
2) Hakkinen
3) Frentzen
4) Irvine
5) R.Schumacher
6) Hill