segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Figura(ITA): Pierre Gasly

 Ano passado o francês apoiado pela Red Bull frequentou bastante a coluna de baixo e não podemos nos esquecer: Gasly teve um semestre abaixo com a equipe principal da Red Bull. Rebaixado à Toro Rosso, renomeada de Alpha Tauri, o francês de 24 anos teve uma injeção de ânimo que o fez subir no pódio já no ano passado. Com a equipe tendo mudado de nome, a boa fase de Gasly continuou e tudo desembocou na inesperada e incrível vitória em Monza nesse domingo. Logicamente que o francês foi beneficiado pelas circunstâncias da corrida, que o colocou no lugar certo e na hora certa, mas Gasly se comportou de forma magnífica quando se viu em primeiro e sofrendo uma perseguição implacável de Carlos Sainz, que também procurava sua primeira vitória, nas voltas finais. O piloto da Alpha Tauri não cometeu um erro sequer e quando Sainz encostou de vez nas duas últimas voltas, Gasly não deu qualquer chance de um ataque mais forte do piloto da McLaren, vencendo pela primeira vez na F1, se torna o 109º piloto a fazê-lo, além de quebrar um jejum de 24 anos sem vitórias gaulesas na F1. Gasly passou por uma montanha russa de emoções, inclusive a trágica morte do seu inseparável amigo Anthoine Hubert bem no final de semana em que foi rebaixado. Cair uma vez faz parte, mas a forma se levantar é que faz a diferença. E Pierre Gasly mostrou toda a diferença.

Figurão(ITA): Ferrari

 O vexame já era esperado, mas ter um abandono duplo em Monza... O futuro a curto prazo da Ferrari é sombrio, pois apenas em 2022 haverá uma grande revolução nos carros e até lá, o motor Ferrari será o mais fraco da F1, mas como demonstrou Raikkonen e sua claudicante Alfa Romeo, o problema da Ferrari passa muito mais do motor. O chassi também está muito abaixo das glórias da Ferrari. Como falou bem Vettel depois da corrida, pelo menos a torcida não estava presente em Monza para ver tamanho descalabro.

domingo, 6 de setembro de 2020

A loucura de Monza


 Após a classificação de ontem, alguém em sã consciência poderia apostar em Pierre Gasly como vencedor de hoje, tendo ao seu lado no pódio Carlos Sainz e Lance Stroll? Muito louco para alguém apostar algum real, dólar ou euro, mas foi exatamente isso que aconteceu nesse domingo em Monza. Para quem esperava um novo passeio da Mercedes de Hamilton acabou vendo um raro erro da equipe tedesca proporcionar um pódio completamente aleatório, com Pierre Gasly acabando com um jejum de mais de 24 anos sem vitórias da França na F1.


O grande dia de Pierre se deveu às circunstâncias da corrida de hoje. Um safety-car difícil de engolir e um forte acidente de Charles Leclerc, que trouxe uma rara bandeira vermelha, bagunçou todo o coreto da F1, que via Lewis Hamilton caminhar impávido rumo a vitória de número 90 na F1. Tudo começou quando Kevin Magnussen encostou seu carro na grama, bem na entrada dos boxes. Em outros tempos, uma bandeira amarela resolveria toda a questão, até porque o carro do danês estava numa posição longe de ser perigosa. Contudo, haviam somente três comissários no local e nenhum guindaste. Resultando num Safety-Car que o diretor de prova terá que explicar muito bem nesse resto de dia. Foi então que aconteceu o erro crucial da Mercedes e de Hamilton. Como o incidente que trouxe o Safety-Car foi bem na entrada dos boxes, o pit-lane estava fechado. Uma placa piscando em vermelho estava à esquerda da pista. Provavelmente prevendo uma oportunidade para trocar os pneus, Hamilton ignorou o placar luminoso e embicou sua Mercedes rumo ao pit-lane. Algo claramente proibido no regulamento e punido com um doloroso stop-and-go de 10s para o inglês da Mercedes. Faltou alguém gritar a Hamilton 'stay out', a mesma que gritou para Bottas, que seguiu o resto do pelotão e ficou na pista. 


Quando foi dada a relargada, não demorou a aparecer a punição para o coitado do Giovinazzi, que fez a mesma coisa de Hamilton, mas antes que o inglês fosse punido, aconteceu o grande susto do dia, quando Charles Leclerc perdeu a traseira de sua Ferrari e se espatifou contra o muro. Em outros tempo, aí sim o Safety-Car entraria, mas surgiu a bandeira vermelha. Mais explicações do sr Masi, diretor de provas. Com o monegasco ok, parecia que Lance Stroll tinha tirado a sorte grande. O canadense não tinha feito sua parada e estava logo atrás de Hamilton na outra relargada. Com a punição de Lewis e a possibilidade de trocar pneus em período de bandeira vermelha, estava tudo certo para Stroll, certo? Errado! O canadense largou pessimamente e ainda saiu da pista, perdendo sua chance de vencer. Quem emergiu atrás de Hamilton foi Pierre Gasly. O francês largou muito bem, ultrapassando Stroll e deixando para trás as Alfas, que tinham parado antes do surgimento do SC, rapidamente e quando Hamilton foi cumprir sua punição, Gasly assumiu a ponta para não mais perdê-la. Porém, o piloto da Alpha Tauri não teria vida fácil. Carlos Sainz ultrapassara Stroll e tirava a diferença para Gasly. Numa final de tirar o fôlego, Sainz tentou de tudo nas duas últimas voltas, mas a vitória ficou mesmo com Gasly. O jovem francês da Alpha Tauri comemorou muito sua primeira e inesperada vitória na F1. Gasly é mais um jovem piloto da Red Bull que foi fritado pela dupla Helmut Marko&Max Verstappen na equipe principal e foi humilhantemente rebaixado para então Toro Rosso no meio do ano passado. Ainda em 2019 Gasly conseguiu seu primeiro pódio e nesse ano sempre teve performances sólidas, muito superiores ao seu já experiente companheiro de equipe Daniil Kvyat, além do seu sucessor na Red Bull, Alexander Albon. Gasly soube se livrar dos muitos problemas da prova de hoje para se colocar no lugar certo e na hora certa para dar a Alpha Tauri sua primeira vitória, ou segunda, se contarmos os tempos de Toro Rosso. Por coincidência, também em Monza.


Carlos Sainz disse que na penúltima volta que queria muito essa vitória. Olhando para as expectativas deles para 2021, é bom mesmo que ele queira logo, pois a situação da Ferrari apenas piora. A classificação ridícula de ontem culminou com um duplo abandono no domingo, com Vettel tendo problemas nos freios ainda no início da prova e Charles Leclerc estampando no muro da Parabolica cinquenta anos depois da morte de Jochen Rindt. Felizmente Leclerc saiu do carro correndo, assim como a Ferrari quer correr de 2020 como o Cascão quer fugir de um banho. Não apenas o motor da Ferrari é ruim, mas o carro também não ajuda, com a Alfa de Kimi Raikkonen sendo o tempo inteiro o melhor piloto com motor Ferrari hoje. Uma atuação patética e que para sorte dos tifosi, não precisaram ver ao vivo. A Force India conseguiu seu esperado primeiro pódio de 2020, deixando Sergio Pérez em maus lençóis. O mexicano largou na frente de Stroll, mas perdeu muito ritmo após sua parada e fez uma corrida opaca, bem longe do seu fraco companheiro de equipe, que mostrou que sob pressão, espalha a farofa, como na relargada horrorosa e ter saído da pista alguns metros depois. Sorte que Stroll se recuperou com duas boas ultrapassagens, mas não apagando sua incrível chance de vitória de hoje. Falando em corrida opaca, o que dizer da corrida de Valtteri Bottas? O nórdico foi totalmente burocrático e sorumbático após uma primeira volta tenebrosa, onde caiu de segundo para sexto e passou o resto da corrida impotente, só atacando seu compatriota Raikkonen pela, hoje, grande diferença de motores entre Mercedes e Ferrari. Hamilton mostrou em meia corrida como se ultrapassa em Monza, saindo de décimo sétimo para sétimo sem maiores dramas ou loucuras. Essa é a diferença entre uma lenda do esporte e um bom piloto.


A Red Bull teve seu pior final de semana em 2020, com seus dois pilotos não lutando sequer pelo pódio, antes que Max Verstappen abandonasse e Alexander Albon terminasse em penúltimo, longe, muito longe do seu antecessor na Red Bull. Da mesma forma que o projeto de jovens pilotos da Red Bull dá muitos frutos, a impaciência de Marko também dá muito abacaxi. A Renault, que em 2021 passará a se chamar Alpine, decepcionou após o forte desempenhos nos trechos rápidos de Spa semana parada. Seus pilotos falaram até mesmo em pódio, mas Ricciardo foi sexto e Ocon um distante sétimo colocado. Na despedida da família Williams da F1, em meio a confusão que foi a prova Latifi chegou a ser P11, o que poderia ser uma chance de pontuação, mas o canadense não segurou a força da Mercedes de Hamilton no final.


Para quem esperava uma corrida morna e sem muita emoção como fora em Spa semana passada, viu uma corrida histórica e completamente maluca, que somente grandes palcos como Monza podem nos oferecer. Assim é o esporte, podendo nos surpreender a qualquer momento. Ou alguém esperada a vitória de Gasly ou o pódio de Sainz e Stroll? 

sábado, 5 de setembro de 2020

A mais rápida da história


 Lewis Hamilton já tem tantos recordes na sua laureada carreira, que talvez nem tenha percebido mais um que conquistou hoje. No santuário de Monza, o inglês da Mercedes conseguiu a média de velocidade mais alta da história da F1, com mais de 264 km/h. Uma média digna de oval! E sem modo festa! Surpresa? Absolutamente nenhuma. Se o tal modo ainda tivesse permitido, talvez a diferença para os demais superasse 1s, mas sem maiores mudanças para o time da Mercedes, enquanto do terceiro para baixo se viu um inesperado equilíbrio.

Como esperado a Ferrari passou vexame, praticamente repetindo o tenebroso papel feito em Spa. Numa pista de alta velocidade, o hoje raquítico motor italiano sofreu bastante nas longas retas de Monza e da mesma forma de Hamilton, a Ferrari vai acumulando recordes. Só que negativos. Pela primeira vez em quinze anos a Ferrari ficou duas corridas consecutivas fora do top-10 num grid de F1 e desde 1964, ainda com Giancarlo Bachetti, um piloto ferrarista ficava de fora do top-15 em Monza. E a vítima acabou sendo Vettel, que saiu irritado por algo comum que está acontecendo em Monza nos últimos anos. No intuito de conseguir vácuo, os pilotos esperam para o último momento na Parabólica para acelerar, acabando por ocasionar literalmente um engarrafamento. Ocon e Raikkonen praticamente disputavam freadas, atrapalhando a si e quem vinha atrás, entre eles Vettel. Um problema de difícil resolução para os dirigentes da FIA.

Lá na frente, a Mercedes sobrava e Lewis Hamilton chegava a pole de número 94, dessa vez com Bottas muito perto. Porém, o terceiro lugar não ficou com Verstappen, que teve que se conformar com a terceira fila. Sainz tirou Pérez da terceira posição e foi para entrevista pensando que a Ferrari mais próxima está dez posições atrás...

No placar eletrônico, por engano, mostrou a 90º vitória de Hamilton. Seria um prenúncio? Pode até ser, mas tomara que a corrida não seja o porre da semana passada e o equilibrado segundo pelotão nos indica que não.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Que pena...

 


A F1 ainda nem era tão conhecida no Brasil, quando um jovem brasileiro de 22 anos foi à Europa após impressionar Juan Manuel Fangio e José Froilan González numa corrida. Fritz D'Orey foi para a F1 praticamente sem muito preparo e para os padrões da época, ainda bastante jovem. Foram apenas três corridas e nenhum ponto em 1959, mas havia esperança que esse jovem tivesse um futuro grande no automobilismo. Então um grave acidente em Le Mans acabou com a carreira de D'Orey que mal havia começado, mas havia toda uma vida pela frente, que terminou no dia de hoje, aos 82 anos.

Figura(BEL): Renault

 Quando surgiu a era híbrida em 2014, a Renault passou a ser criticada pela então parceira Red Bull de ter um motor fraco, onde mesmo tendo um ótimo chassi, a equipe austríaca era atrasada pela Renault. Isso depois de quatro títulos consecutivos da parceria. Uma coexistência tensa de mais quatro anos resultou numa ruptura entre Renault e Red Bull, enquanto a montadora francesa refez sua equipe nos escombros da antiga Lotus, que um dia foi... Renault! Apesar dos resultados da equipe Renault ainda serem abaixo do esperado para uma equipe financiada por uma montadora, Spa mostrou que após muitos anos os franceses finalmente tem um motor à altura dos melhores da F1. Nos setores um e três, onde a potências mais contava em Spa, a Renault chegou a ter o carro mais rápido do pelotão, mostrando que o motor francês agora fala bem alto. Só falta acertar o chassi, que a Renault poderá entrar na briga pelas vitórias.

Figurão(BEL): Ferrari

 Não precisa de muitas palavras para explicar o porquê da Ferrari estar nessa parte da coluna. Em doze anos e meio de blog, talvez nunca tenha sido tão fácil indicar um figurão de uma corrida. O final de semana da Ferrari foi abaixo do pífio, abaixo do patético, abaixo de qualquer crítica. O motor Ferrari de 2020, agora debaixo das regras impostas pela FIA, se tornou disparado o pior da F1, contudo, Kimi Raikkonen ultrapassou Sebastian Vettel no final da reta Kemmel. E o motor de Kimi é Ferrari. Além do propulsor, o chassi também está errado. Logo depois Vettel e Leclerc se tocaram enquanto brigavam pela 'gloriosa' décima segunda posição. Mais uma prova que a gestão dentro da Ferrari não vai nada bem. Apenas três abandonos durante toda a prova e a Ferrari só flertou com os pontos por causa de uma ótima largada de Leclerc, mas não demorou para o monegasco ser engolido por pilotos com outros motores. Renault, Mercedes e Honda. Não importava o motor, pois Leclerc era ultrapassado de forma até mesmo constrangedora pelos outros pilotos. E nas duas próximas semanas, teremos duas corridas na Itália. Sorte da Ferrari que sem torcedores em Monza e alguns poucos em Mugello. Assim a vergonha deverá ser menor.