segunda-feira, 29 de março de 2021

Figura(BAH): Lewis Hamilton

 E ainda há quem duvide de Lewis Hamilton... O inglês é acusado de estar teoricamente batendo em bêbado com sua Mercedes nos últimos anos, que seus números superlativos tem mais a ver com a superioridade da Mercedes do que seu talento. Tudo pode ser relativizado, menos o talento e a velocidade de sir Lewis Hamilton. Nesse final de semana no Bahrein a Mercedes, depois de muito tempo, não tinha o melhor carro e o piloto que estava com o melhor carro era simplesmente Max Verstappen, para muitos, o piloto mais rápido da F1 atual. A classificação no sábado já mostrava o piloto da Red Bull quatro décimos na frente da Mercedes de Hamilton. Corrida perdida? Não para Hamilton e sua equipe. Primeiro a Mercedes optou em adiantar a primeira parada de Hamilton e fazer o famoso 'undercut' em Verstappen, mas todos sabiam que em ritmo de corrida o piloto neerlandês era, sim, mais forte do que Hamilton. Contudo, o inglês soube segurar a barra com pneus mais gastos e um carro ligeiramente inferior. Lewis viu Max se aproximar nas últimas voltas, abrir a asa móvel e até mesmo ultrapassa-lo em determinado momento, mesmo que Max tenha tido que devolver por causa da sua infração (mesmo que a infração seja discutida). Hamilton não se desesperou, errou pouquíssimo sob muita pressão e começou 2021 com uma vitória consagradora. Se a Red Bull tem mesmo o melhor carro e se Max Verstappen virá muito forte nesse ano, Lewis Hamilton mostrou mais uma vez que não entregará a sua taça de forma fácil. Temos campeonato, amigos e Hamilton está preparado para ele!  

Figurão(BAH): Sebastian Vettel

 Lá vamos nós novamente... Sebastian Vettel, tetracampeão mundial de forma consecutiva, com números que o colocam como o terceiro piloto mais vitorioso da história da F1 e dono de uma experiência de quase quinze anos na categoria simplesmente não consegue se adaptar ao seu novo carro, algo que o alemão vem repetindo várias vezes desde a pré-temporada. Ok, adaptar-se nunca foi nada fácil, mas Carlos Sainz (Ferrari) e Daniel Ricciardo (McLaren) tiveram as mesmas oportunidades de Vettel em suas novas equipes e fizeram bem mais do que Seb. Isso, sem contar o novato Tsunoda e Alonso vindo de dois anos fora da F1. O vexame já ficou evidente quando Vettel não apenas ficou num horroroso P18 no Q1, como tomou sete décimos do seu fraco companheiro de equipe. Como se desgraça pouca é bobagem, Vettel acabou punido por não ter diminuído durante um período de bandeira amarela, caindo para a última posição. As primeiras voltas do piloto da Aston Martin foram até promissoras, mas ele parou sua evolução quando ultrapassou as duas Williams e tinha apenas 2s de vantagem para Russell. De Williams! Tentando fazer um diferente, Vettel partiu para uma suicida tática de uma parada, algo que era considerado impossível por todos no Bahrein justamente pela queda acentuada de rendimento da tática. Logicamente Vettel subiu para o top-10, teve algumas brigas interessantes, principalmente com seu desafeto Alonso, mas fez sua parada esperada que o devolveu às últimas posições. Tentando recuperar o prejuízo, se envolveu num acidente com Esteban Ocon que nem é digno de um piloto de F1, mas de um barbeiro em qualquer trânsito do mundo, acertando a traseira do francês quando era ultrapassado. Uma cena bizarra para alguém com o currículo de Vettel, que terminou na décima quinta posição, punido pelo toque com Ocon e com risco de ser suspenso pela barbeiragem. A saída da Ferrari serviria para Vettel respirar novos ares, mas até o momento o alemão continua sua imparável espiral descendente na carreira.

domingo, 28 de março de 2021

Maverick deu o primeiro tiro

 


A falta de Marc Márquez nessas duas primeiras corridas da temporada 2021 tornaram essas provas de abertura no Catar bem decisivas, pois os muitos pontos marcados no Oriente Médio podem fazer muita diferença no final do campeonato. Sabendo disso, Ducatis, Suzukis e Yamahas lutaram com o que tinham para se sobressaírem no Catar, na abertura do campeonato 2021 e no final, Maverick Viñales conseguiu uma bela vitória em outra corrida apertada da MotoGP.

A largada viu como o controle de saída Ducati é muito superior aos demais. O pole Francesco Bagnaia se manteve na frente, mas logo atrás dele vieram três Ducatis, incluindo o novato Jorge Martin, que saíra da terceira fila. Uma diferença impressionante, mas como a MotoGP não tem muitas restrições de ultrapassagens, isso não se torna tão crucial como numa corrida de carro. Bagnaia se manteve boa parte da corrida na ponta, usando e abusando da potência da Ducati, marca registrada da montadora italiana desde que chegou à MotoGP. Porém, o jovem italiano nunca disparou, em outra corrida próxima na MotoGP. Jack Miller se destacou na pré-temporada e muitos já especulavam se o australiano emularia seu compatriota Casey Stoner como o próximo campeão pela Ducati. Pelo o que se viu nessa abertura de campeonato, Miller precisará mostrar muito mais do que agressividade para isso, pois ele não segurou o pelotão atrás de si e terminou a prova num opaco nono lugar.

Outro que precisava se afirmar era Maverick Viñales. O espanhol da Yamaha sempre foi considerado um 'anti-Márquez', mas nunca mostrou isso na prática. Velocidade nunca faltou à Viñales, mas sim força mental. A chegada de Fabio Quartararo a equipe oficial da Yamaha colocou ainda mais pressão no frágil espanhol, mas Viñales colocou ordem na casa ao ficar sempre na frente de Quartararo e ultrapassar uma a uma as Ducatis, usando uma boa estratégia para se defender da velocidade estúpida da Ducati nas retas. Quando abriu 1s sobre o segundo colocado Zarco, Viñales se colocou numa zona de segurança e não foi mais ameaçado até a bandeirada, começando o campeonato com o pé direito, mas isso já aconteceu antes, restando saber se Maverick manterá essa pegada.

O atual campeão Joan Mir parecia que faria uma corrida fraca, porém, ele se mostrou como os americanos chamam de 'closer', ou 'fechador'. O espanhol começa as corridas devagar, mas vai ganhando corpo durante a prova e da décima posição que largou chegou na briga pelo segundo lugar com as Ducatis de Zarco e Bagnaia no final. Mir estava em segundo na última curva, mas acabou errando um pouco na tomada, permitindo que a potência das Ducatis engolissem sua Suzuki e saindo do pódio. Boa corrida para Zarco, tentando reconstruir sua carreira e de Bagnaia, mostrando que pode ser a ponta de lança da Ducati de fábrica. Rossi largou em quarto, mas perdeu muito rendimento e foi apenas 12º, enquanto Franco Morbidelli foi ainda pior, caindo para as últimas posição e finalizando apenas em 19º. Muito pouco para um vice-campeão. Sem Márquez, a Honda novamente sofreu, mas Pol Espargaró ainda assegurou um oitavo lugar, logo atrás do seu seu irmão Aleix, numa evoluída Aprilia.

A vitória de Maverick Viñales pode fazer bem a fugaz confiança do espanhol da Yamaha, mas essa corrida no Catar nos mostrou novamente que ainda tem muito água para rolar debaixo da ponte do campeonato 2021, sem contar a chegada de Marc Márquez em breve.

Tivemos briga


 Mais uma vitória de Lewis Hamilton. Monótono, chato. Qual a novidade nisso? Bom, olhando unicamente o resultado da prova desse domingo no Bahrein pode-se chegar a conclusão que a F1 não mudou nada e que o inglês segue dando as cartas. Porém, quem não assistiu a prova de abertura da temporada de 2021 perdeu uma corrida de tirar o fôlego, num final realmente emocionante e que Lewis Hamilton mostrou para os que tem dúvidas o porquê seus tantos títulos o quanto ele pode ser excepcional, enquanto Max Verstappen também apareceu bem e dar um pequeno recado ao inglês de que o oitavo título pode até vir, mas Lewis terá que lutar duro por ele.


O Grande Prêmio do Bahrein entrou para o rol das ótimas aberturas de campeonato, numa corrida em que a pessoa não poderia cravar o vencedor da prova depois da primeira volta, algo que vem acontecendo continuamente de 2018 para cá. Max Verstappen ficou com a pole e largou muito bem, mas atrás dele vinha Lewis Hamilton, simplesmente dono de sete títulos mundiais, fato que não pode ser negado ao inglês. As estratégias entraram em cena e mais uma vez a Mercedes se aproveitou da situação 2x1 em relação à Red Bull. Os alemães anteciparam a parada de Hamilton, mas como Bottas não estava muito longe de Verstappen, fez com que a Red Bull não reagisse a jogada da Mercedes, mantendo Verstappen na pista, pois qualquer deslize significaria uma vitória de Bottas. Quando Max fez sua parada mais tarde, ele voltou atrás de Hamilton, que sempre colocou pneus duros. Verstappen colocou pneus médios, tendo que colocar outro composto em sua segunda parada. Ao retardar a parada do seu piloto, a Red Bull deu a sensação que colocaria os macios no carro de Max, mas para surpresa geral, faltando apenas 16 voltas e com o carro com o tanque mais vazio, montou os compostos duros no carro de Verstappen. Mesmo com o vacilo da trupe de Christian Horner, descortinou-se uma luta épica entre um Lewis Hamilton com pneus mais gastos, contra um Max Verstappen com sangue nos olhos. O neerlandês foi se aproximando volta a volta, até chegar na chamada 'zona do DRS'. Porém, Hamilton usou seu talento e experiência para dar apenas uma chance para Max, que aproveitou para ultrapassar, mas claramente colocando as quatro rodas para fora da curva 4. Podemos criticar, mas se o regulamento diz que não pode, tudo o que Verstappen pôde fazer era devolver a posição metros adiante. O piloto da Red Bull claramente guardou energia para a última volta, mas não foi o suficiente. Numa luta fratricida, Lewis Hamilton abriu a temporada de 2021 com uma vitória consagradora, mostrando que sabe reagir quando está em desvantagem ou atacado. 


A Red Bull precisa urgentemente garantir que Max Verstappen não fique sozinho em suas lutas contra a Mercedes. Sergio Pérez não foi ao Q3, mas ainda assim isso não faria diferença, já que seu carro simplesmente apagou na volta de apresentação, fazendo o mexicano largar dos boxes e tendo que fazer uma corrida de recuperação rumo ao quinto lugar. Olhando o copo meio cheio, Pérez fez uma impressionante remontada em sua estreia pela Red Bull. Já olhando para o copo meio vazio, Checo falhou em nunca andar próximo de Verstappen, aumentando as opções da Mercedes na escolha da melhor estratégia para seus pilotos. Menos mal para Verstappen que a Mercedes cometeu um raro erro. E quando isso acontece, sempre sobra para Valtteri Bottas, que ficou 10s parado no seu segundo pit-stop por causa de uma porca presa, saindo definitivamente da luta pela vitória, restando ao nórdico um decepcionante terceiro lugar.


Na briga pelo resto, Lando Norris lutou bastante com Charles Leclerc e acabou se sobressaindo ao monegasco, no que promete ser uma outra luta bem interessante nesse campeonato. No fim, o jovem inglês ainda ficou na frente de Pérez, que não teve tempo de alcança-lo, garantindo pontos importantes para a McLaren. Leclerc chegou a ocupar a terceira posição no início da corrida, mas mais uma vez mostrou-se um abismo entre o duopólio de Mercedes e Red Bull para o resto do pelotão. Daniel Ricciardo não conseguiu andar na frente de Norris, no que pode se afirmar de um início abaixo do esperado do australiano, enquanto Sainz também não o fez com Leclerc. Havia a expectativa de que Aston Martin e Alpine estivessem nessa briga, mas as duas montadoras decepcionaram e só pontuou com o fraco Lance Stroll, na décima posição. Fernando Alonso chegou a brigar na zona de pontuação com McLarens e Ferraris, mas um problema de freio tirou o espanhol da corrida, mas Alonso ainda tem a competência de sempre, enquanto Ocon foi vítima do figurão da corrida de hoje. Vettel largou apenas em 18º, que se tornou último por não ter respeitado as bandeiras amarelas no dia de ontem. O alemão tentou postergar sua parada, se envolveu numa luta birrenta com Alonso, claramente querendo se sobressair frente ao espanhol da Alpine, mas no final ele acabou atingido a traseira da outra Alpine numa manobra que mais parece de um motorista barbeiro do que de um tetracampeão mundial. Muito, muito ruim a estreia de Vettel pela Aston Martin, equipe que aposta nele para tentar ficar no top-3 do Mundial de Construtores, mas corre o risco de se juntar à Ferrari como mais uma a se lamentar pela eterna má fase de Vettel.


A Alpha Tauri poderia muito bem estar nessa briga, mas Pierre Gasly acabou atingido pela McLaren de Daniel Ricciardo logo na primeira relargada, deixando o francês na última posição e como não houveram mais SC's, a corrida de Gasly estava praticamente condenada ali. Uma pena, pois Pierre vinha fazendo um ótimo final de semana. Se serve de consolo, o novato Yuki Tsunoda chegou em nono e se tornou o primeiro japonês a pontuar na sua estreia na F1. A Alfa Romeo deu indícios de melhoria, com Kimi Raikkonen chegando a estar próximo de pontuar, mas o nórdico teve que se conformar com a 11º posição, ficando logo à frente de Giovinazzi. O italiano vinha mais rápido do que Kimi todo o final de semana, mas novamente sucumbiu em ritmo de corrida. A Williams se mostrou estacionada, enquanto a Haas já ocupa, sozinha, o cargo de pior equipe de 2021. Seus dois pilotos novatos erraram na mesma curva em manobras semelhantes, mas ao menos Mick Schumacher pôde levar o carro até o fim, mas o último dentre os que terminaram.


Para os consumidores brasileiros, a grande novidade foi a entrada da TV Bandeirantes na F1. Com uma novidade dessa nas mãos, a emissora paulista caprichou em sua primeira corrida, com três horas de programa antes da largada e o belo pódio sendo mostrado. Porém, com uma equipe praticamente vinda inteira da Globo, não se sentiu uma grande diferença, com Felipe Giaffone sempre preciso, Reginaldo Leme errando aqui e ali, mas exalando qualidade e insuspeição, enquanto Sergio Maurício fez um ótimo trabalho, mesmo que em alguns momentos ele gritou demais quando o momento não precisava para tanto. Com Mariana Becker sendo pouco interrompida, a Bandeirantes começou bem sua nova jornada na F1 e ainda teve a sorte de ter mostrado uma bela corrida na sua reestreia.


Se há algo de bom da temporada começar em Sakhir é que temos um quadro mais real das forças da F1 em 2021, ao contrário do que ocorresse se o campeonato começasse no circuito de rua de Melbourne, um traçado atípico do que acontece no resto da temporada. O asséptico traçado barenita é ordinário, até por que ele foi feito por Tilke e não faltam circuito feitos pelo arquiteto alemão por aí. E o que se viu foi muito bom. A Red Bull apareceu muito forte com Verstappen, comprovando o que se viu na pré-temporada, enquanto a Mercedes se recuperou rapidamente da má performance no mesmo circuito. As brigas pelo pelotão intermediário continuam animadas, somente uma pena que longe do pelotão dianteiro. A Red Bull ainda tem pendente ter seu segundo piloto mais próximo da briga pela liderança. Hamilton pode ter vencido mais uma vez, mas o inglês lutou bastante para isso. Se continuar assim, podemos ter uma temporada e tanto pela frente!

sábado, 27 de março de 2021

Boas perspectivas

 


Ao contrário dos anos anteriores, não vimos a Mercedes blefando para destruir a oposição. Lewis Hamilton e Valtteri Bottas deram tudo de si, como os próprios falaram depois da classificação. Os problemas mercedianos foram resolvidos rapidamente, como esperado, mas não foi o bastante. Com uma volta incrível no final do Q3, Max Verstappen marcou uma pole consagradora no Bahrein, começando a promissora temporada 2021 com o pé direito, ao contrário de alguns dos seus colegas.

Antes mesmo dos carros entrarem na pista no Oriente Médio era sabido que a Haas apostará todas as suas fichas no carro 2022, praticamente jogando fora 2021 e foi exatamente isso que se viu, com a sua jovem dupla ocupando a última fila, enquanto Nikita Mazepin rodava loucamente pela pista barenita. Apesar da beleza dos carros, Alpine e Aston Martin ficaram para trás, porém, temos que falar de dois personagens dessas equipes. Fernando Alonso deixou para trás a ferrugem de dois anos fora da F1 para suplantar o promissor Esteban Ocon com certa facilidade e levar o carro gaulês rumo ao Q3, enquanto Ocon ficou no Q1. Junto ao francês estará Sebastian Vettel. O alemão que foi tetracampeão e é o terceiro maior vencedor da história da F1 fez outro papelão nesse sábado, ficando numa humilde décima oitava posição, tomando oito décimos para Stroll, ficando atrás até mesmo do péssimo Nicholas Latifi. Mesmo com toda a sua mediocridade, Lance Stroll rumou ao Q3 com seu Aston Martin. O canadense não teve a companhia de Sérgio Pérez. O mexicano nunca andou próximo de Verstappen e no Q2 foi claro que a Red Bull errou em sua tática ao deixa-lo com pneus médios, quando vários pilotos estavam com os pneus macios, desclassificando Pérez por meros três centésimos de segundo.

Um começo nada auspicioso de Pérez, que deu até a sensação que estava para chorar dentro do seu carro. Ao contrário acontecia com Pierre Gasly. Com o crescimento do motor Honda e a Alpha Tauri assumindo mais e mais itens do carro da Red Bull, o francês aproveitou para conseguir uma ótima quinta posição no grid, enquanto o novato Tsunoda deu a impressão que incomodaria Gasly, mas acabou no Q2. Outra equipe que cresceu à olhos vistos foi a Ferrari, que chegou a fazer dobradinha no Q2. Sainz ficou à frente de Leclerc o treino praticamente inteiro, mas no famoso pega pra capá, o monegasco enfiou seis décimos em cima do espanhol, levando um bom quarto lugar, porém, a dupla da Ferrari largará com pneus macios amanhã, ao contrário da turma ao redor. Será uma luta interessante com a forte McLaren.

A Mercedes se mostrou forte na classificação, mas Max Verstappen sempre batia os tempos dos alemães. Quando Hamilton marcou um tempo de 29.3s no Q3, parecia que mais uma vez ficaria com a pole, mas Verstappen tirou uma volta da cartola, sendo mais rápido até mesmo no primeiro setor, que era favorável à Mercedes. A pole de Max Verstappen foi com um tempo daqueles de cair o queixo, mostrando que podemos ter briga não apenas nessa corrida, mas em toda a temporada. A perspectiva para 2021 não poderia ser melhor! 

sexta-feira, 26 de março de 2021

Lella


 Não resta muita dúvida de quem foi a mulher mais bem-sucedida da história da F1. Mesmo com algumas tentativas antes e depois dela, Lella Lombardi foi mesmo a melhor mulher a correr na F1, além de ter sido a único a ter pontuado. Se viva fosse, Lella estaria completando 80 anos de idade no dia de hoje.

Maria Grazia Lombardi nasceu no dia 26 de março de 1941 em Frugarolo, no Piemonte. O começo do interesse de Lella Lombardi por carros e corridas foi bem peculiar, pois além de sua família não se interessar por corridas, nem carros eles tinham! Mas Lella era apaixonada por esportes e jogava handebol no time local. Numa partida, Lombardi foi designada a marcar a melhor atacante do time adversário e a pequena italiana foi muito bem, fazendo com que a adversária não marcasse nenhum gol, contudo, Lella acabou levando uma cotovelada no nariz, quebrando-o. Depois da partida Lella estava no ponto de ônibus com o nariz tampado com um lenço quando um Alfa Romeo azul parou na frente dela. Era a atacante que ela tinha acabado de marcar, que estava ao volante. "Vamos, vou levá-lo ao hospital", disse ela, então Lella entrou no carro. Vendo a situação do nariz de Lella, a antiga adversário dirigiu rumo ao hospital a toda velocidade. Lella de repente esqueceu do seu ferimento. Ela ficou tão impressionada com a velocidade e a emoção que estava tendo naquele momento que o estrago foi feito. O nariz da jovem foi consertado e isso não era mais um problema, mas a alma de Lella Lombardi foi tomada pela paixão pela velocidade.

Lella sonhava com carros rápidos, mas nem carteira de motorista ela tinha. À muito custo ela entrou num auto-escola e quando conseguiu um namorado, ela tinha mais interesse em dirigir o Fiat dele do que no rapaz. Um dia, Lella conheceu um jovem que era piloto de corridas e passou a ajuda-lo fora das pistas. Em uma ocasião, o rapaz inscreveu seu Alfa Romeo para um rali e Lella seria seu navegador. Ela gostou daquele 'fim de semana em alta velocidade' e convenceu o amigo a trocar de lugar para o próximo evento. Quando Lella apareceu no banco do motorista, os outros pilotos riam com desprezo ... Lella ficou muito chateada e colocou toda a sua raiva em seu volante. Ela ganhou a sua corrida de estreia! Depois desse tremendo sucesso, com a ajuda de uma empresa italiana, ela teve a chance de correr para a Alfa Romeo no Campeonato Italiano de Turismo. No início, seus resultados foram modestos, mas ela terminou na terceira posição num evento em Palermo. Mais tarde a atenção de Lella se voltou para os monopostos, onde seria vice-campeã da F3 Italiana em 1968. Seu maior sucesso veio no Campeonato de F-Ford do México, no qual ela se tornou a campeã em 1973. No ano seguinte, ela subiu para a Fórmula 5000 e estava competindo no campeonato Shellsport, na Inglaterra.

Em 1974 ela participou de sua primeira corrida de F1, no Grande Prêmio da Inglaterra, com um Brabham. Ela seria patrocinada por uma rádio de Luxemburgo, cuja estação era a FM 208 e foi com esse número incomum que Lella correu naquele final de semana, mas ela não conseguiu se classificar. Em 1975 as coisas mudaram para melhor. O multi-milionário Conde 'Guggi' Zanon comprou um lugar na equipe de fábrica da March para Lombardi, ao lado de Vittorio Brambilla. A primeira tentativa de Lella veio em Kyalami, onde ela registrou o 26º tempo e último tempo, ficando à frente de Wilsinho Fittipaldi e Graham Hill. Pela primeira vez em 17 anos a F1 veria uma mulher largar para um Grande Prêmio. Então veio a corrida em Montjuich, na Espanha. O então campeão mundial Emerson Fittipaldi liderou um movimento para boicotar a corrida devido à falta de segurança. Aquilo se mostrou profético. Lella alinhou seu March em 24º no grid. Na volta 26, o carro do líder Rolf Stomellen quebrou a asa traseira e o alemão perdeu o controle da máquina, destruindo um guard-rail e matando cinco espectadores. A corrida foi interrompida na 29ª volta e devido ao alto índice de abandonos Lella subiu para o sexto lugar. Jochen Mass venceu, mas com um terço de corrida percorrido apenas, os pilotos receberam meio ponto. Então, Lella recebeu 0,5 ponto por seus esforços. Essa foi a primeira e única vez na história da F1 que uma piloto marcou um ponto.

Depois da Espanha, Lella Lombardi marcou apenas um resultado digno de crédito, com a sétima colocação em Nurburgring. Quando Mark Donohue morreu durante os treinos para o Grande Prêmio da Áustria, Lella quase se aposentou da Fórmula 1, mas o desejo de competir no mais alto nível do automobilismo a fez ficar. Para o Grande Prêmio dos EUA, Lella se mudou para Frank Williams Racing, mas ela não conseguiu se classificar para a prova. Para a primeira corrida de 1976, Lella estava de volta à March e ela terminou em 14º lugar após largar em 22º. Aquela corrida em Interlagos, a 12º de sua carreira, seria a última de Lombardi na F1. Quando Ronnie Peterson saiu da Lotus, a March o contratou imediatamente e dispensou Lella. Ela ainda tentou correr pela equipe RAM, mas falhou em todas as suas tentativas. Em 1977 Lella Lombardi fez uma aparição na Nascar, onde teria a companhia da também desbravadora Janet Guthrie, além da belga Christine Beckers. Durante os anos 1980, Lella Lombardi disputou várias categorias de turismo, além de se declarar homossexual, se juntando à companheira Fiorenza. Sua paixão pelas corridas continuou intacto até praticamente o fim de sua vida. Em 1989 ela ainda participava do campeonato europeu de turismo, até o câncer a afastar das corridas. Ela sucumbiria à doença em 1992, poucos dias antes de completar 51 anos de idade. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Fator Marc Márquez

 


Na última semana, Marc Márquez anunciou que não participará das duas primeiras etapas do Mundial de MotoGP no Catar, ainda se recuperando de sua complicada contusão no braço direito. Como a participação da terceira etapa ainda é uma incógnita, resta saber como será a MotoGP nesse 2021 sem seu principal piloto.

O ano de 2020 foi basicamente um campeonato europeu, com as montadoras sofrendo com a instabilidade das motos passando de circuito para circuito. Se a Yamaha se adaptou perfeitamente em Jerez, sofreu no Red Bull Ring, pista que viu uma das vitórias da KTM. A Honda mostrou sua Márquez-dependência e só apareceu com alguns espasmos de Alex Márquez. A Ducati conseguiu uma vitória na Áustria, mas a saída tumultuada de Andrea Doviziozo marcou uma temporada em que os italianos lembraram os tempos nada áureos da Ferrari nos anos 1960, 70 e 80. Restou quem? A Suzuki se mostrava uma moto bastante regular, andando forte em todos os circuitos, principalmente com um ritmo de corrida muito bom quando os pneus estavam desgastados. Contudo, Alex Rins, seu primeiro piloto, sofreu um sério acidente na primeira corrida e fez várias provas machucados. O jovem Joan Mir não parecia pronto. Parecia. O espanhol fez um campeonato extremamente regular a ponto de chegar nas provas finais na liderança, mas sem ter vencido nenhuma prova, problema que resolveu na antepenúltima etapa. A consistência de Mir lhe deu o surpreendente título, o primeiro da Suzuki em vinte anos. Agora, como se fosse no tênis, Joan Mir precisa confirmar a quebra do saque e continuar na luta pelo título.

Com a ausência de Márquez nas primeiras corridas, a MotoGP deverá ter um campeonato não muito diferente do ano passado, com muitos pilotos fortes entrando numa briga de foice no escuro para se destacar. Mir claramente será um piloto a ser observado e a solidez da Suzuki será um fator a lhe auxiliar, mas agora Rins estará em forma desde o início e poderá fazer da vida do compatriota mais difícil. Mesmo sendo uma das decepções da temporada, Fabio Quartararo teve sua promoção à equipe de fábrica da Yamaha confirmada ao lado da já eterna promessa Maverick Viñales. Valentino Rossi, que nesse ano completa 25 anos no Mundial de Motovelocidade, foi para a equipe satélite da Petronas, mas isso não significa algo tão ruim, lembrando que o pupilo de Rossi, Franco Morbidelli, foi o melhor piloto da Yamaha no campeonato passado. 

A Ducati terá dois novos pilotos para tentar voltar a ganhar o título, algo que não acontecesse desde o já longínquo ano de 2007, com o agressivo Jack Miller e promissor Pecco Bagnaia. Doviziozo ficou sem moto esse ano, mesmo ele sendo ligado à Aprilia, que tenta se fazer finalmente um bom ano. A Honda rebaixou Alex Márquez para a LCR, trazendo para o seu lugar Pol Espargaró, porém, a marca da asa dourada espera ansiosamente para Marc Márquez possa retornar o mais rapidamente possível, mas algumas questões já começam a ser levantadas. Como Márquez irá voltar? Aos 28 anos o espanhol, que ganhou quase tudo na década passada, pode não ser mais o piloto espetacular de outrora? Até que ponto a sua séria contusão poderá afetar sua pilotagem agressiva? Quando Márquez voltar, terão passados quase nove meses de seu acidente, sua atrapalhada volta precipitada e sua longa convalescênça. Talvez a cabeça de Marc deverá ser seu primeiro obstáculo.

Marc Márquez será um fator importante para a temporada 2021, lembrando que ele já começa com cinquenta pontos de deficit para todos os demais pilotos esse ano. E não se sabe como e quando ele retornará. A MotoGP começa com muitas perguntas a serem respondidas e provavelmente não será no Catar que a serão. Porém, não deverá faltar emoção nas corridas e no campeonato que está para começar.