sábado, 1 de julho de 2023
Que pena...
domingo, 25 de junho de 2023
Precisamos falar de Márquez
Marc Márquez já tem seu nome entre os gigantes do Mundial de Motovelocidade, vencendo seis títulos da categoria principal de forma dominante, passando por cima de uma geração forte, que tinha Lorenzo, Pedrosa e Doviziozo, além da aurora da Era Rossi. Usando seu incrível talento, Márquez tinha como característica sua agressividade em cima da moto e sabendo que tinha uma joia nas mãos, a Honda investiu no espanhol desde a entrada dele na MotoGP, após uma passagem gloriosa pela Moto3 e Moto2. E desde as categorias de base algo chamava atenção em Márquez: suas quedas. O espanhol não é daquele tipo de piloto que vai crescendo aos poucos, mas vai ao limite logo de cara e só descobria quando ultrapassava essa linha quando Márquez caía. Em 2011 Márquez poderia ser campeão da Moto2, mas uma queda lhe rendeu uma diplopia. Mesmo na gigantesca MotoGP, Márquez manteve a sua mentalidade, não se impressionando que a velocidade na queda seria ainda maior.
A Honda projetou uma moto para Márquez, tanto que absolutamente ninguém conseguiu domar a Honda como o espanhol. A Honda simplesmente focou apenas em Márquez e em suas impressões, mesmo que o talento de Márquez muitas vezes camuflasse as deficiências da moto da asa dourada. Então veio 2020. Logo na primeira corrida de uma temporada entrecortada pela pandemia, Márquez sofreu o acidente que marcou sua carreira e lhe rendeu quatro cirurgias no braço direito. Sem seu principal piloto, a Honda esperou por Márquez, enquanto as demais montadoras trabalharam forte e de uma forma diferente dos nipônicos. Ducati, KTM e Aprilia tinham visão distinta e mais ágil de gerir seus problemas e as motos europeias foram melhorando cada vez mais, enquanto a Yamaha usava a mesma estratégia da Honda com Quartararo e a própria Honda aguardava a chegada do seu 'messias'. Márquez tentou várias vezes, mas seu corpo o segurava. Após sua quarta e aparentemente definitiva cirurgia no braço direito, Marc voltaria com tudo à MotoGP. O que Márquez não esperava era encontrar uma moto Honda completamente obsoleta frente às demais.
Com uma mentalidade vencedora, Márquez foi à luta e tentou tirar a diferença no braço. Está sendo o caos! Márquez simplesmente não pára de cair em sua luta para se manter em posições altas e isso está lhe cobrando contusões seguidas, o deixando de fora de várias corridas. Após cair cinco vezes semana passada na Alemanha, nesse final de semana foram mais duas quedas em Assen, agravando uma fratura na costela, fazendo Márquez desistir de mais uma corrida. Uma situação que deixa não apenas frustração, como também uma raiva crescente em Márquez. O espanhol se vê impotente em lutar com a Ducati e a Honda parece completamente sem norte. Nesse domingo, Alex Puig falou que a Honda 'não trabalha com pessoas infelizes', numa clara e forte indicação para Márquez, que se retirou de Assen com uma declaração padrão, sem maiores polêmicas, mas pelo o que falou Puig, há uma clara tensão entre a Honda e seu principal piloto. Com contrato até o final de 2024, Márquez muito provavelmente deverá procurar uma nova moto, antes que algo ainda mais grave lhe ocorra tentando fazer a Honda andar. Dentro das montadoras europeias, não há tantas vagas fortes, que absorvam alguém como Márquez. A Honda está em sua pior crise desde que retornou ao Mundial de Motovelocidade no início da década de 1980 e tem uma moto ruim e com uma fama ainda pior: de destruidora de pilotos.
Tendo ainda trinta anos, Marc Márquez se vê numa situação complicada na carreira, onde por um lado tenta se manter fiel à Honda, mas a montadora não está fazendo a sua parte. Por outro lado, no quadro atual, se quiser retornar às boas posições, Márquez terá que procurar uma nova moto. Quem o abrigará? Márquez diminuirá seu alto salário? O que a Honda fará para retornar aos bons tempos? Essas perguntas serão respondidas ao longo do tempo.
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Figura(CAN): Alexander Albon
O tailandês da Williams fez com que a simpática equipe inglesa deixasse de sentir falta de George Russell nesse final de semana canadense. Com uma pilotagem sublime e ótimas decisões táticas, Alexander Albon executou um final de semana perto da perfeição. No sábado, Albon arriscou no Q2 ao colocar pneus slicks numa pista que secava e acertou na mosca, pois logo a chuva retornaria e Alex se garantiu no Q3, consolidando uma posição entre os dez primeiros no grid. Contando com o décimo carro do pelotão na ordem de forças da F1, Albon precisava de outras decisões boas para se manter na zona de pontuação. no domingo E novamente o anglo-tailandês acertou no alvo. A Williams é um carro que não tem a complexidade do Red Bull na aerodinâmica e por isso, sofre com a falta de downforce. Por outro lado, isso garante ao carro azul ótima velocidade em linha reta e foi assim que Albon aproveitou-se dessa característica do seu carro para se manter entre os primeiros. Ao ficar na pista quando Russell bateu no muro e trouxe o Safety-Car, Albon pararia apenas uma vez, enquanto os demais parariam duas vezes. Porém, esses mesmos pilotos, com carros superiores, chegariam em Albon com pneus mais novos e assim aconteceu. O que Ocon, Norris, Russell, Stroll e companhia não contavam era com a ótima velocidade de Albon nas retas, praticamente não permitindo que, mesmo com DRS aberto, ultrapassasse a Williams no último terço de prova. Por mais que tentassem, Albon se defendeu de forma esplêndida para garantir um ótimo sétimo lugar e marcar valiosos pontos para a Williams, além de mostrar que Albon, num bom dia, é capaz de resultados superiores ao potencial do seu carro.
Figurão(CAN): Sergio Pérez
O que passa com Sérgio Pérez? Após conquistar duas vitórias nas quatro primeiras corridas de 2023, dando até mesmo esperança que poderia haver uma briga pelo título dentro do guarda-chuva da Red Bull, o mexicano simplesmente perdeu a mão e vai acumulando atuações abaixo da crítica nas últimas provas. Em Montreal, Checo completou uma incômoda terceira desclassificação no Q2, colocando Pérez numa situação difícil na corrida, ao largar no meio do grid. Com o carro que tem, Pérez teria obrigação de corridas de recuperação avassaladoras, mas Checo faz corridas burocráticas e quase anônimas, ganhando posição mais na base da estratégia do que na base da imposição de quem tem o melhor carro, disparado, do pelotão. A difícil missão de dividir os boxes com um gênio como Max Verstappen parece ter minado por completo a confiança de Pérez, que parece impotente em chegar perto do neerlandês e nesse momento, nem parece capaz de brigar com pilotos de Mercedes, Aston Martin e Ferrari, no qual Max destroça sem maiores cerimônias. Conhecido pela falta de paciência com seus pilotos, Helmut Marko deve estar se coçando para chegar junto em Pérez, ainda mais com vice-campeonato em perigo.
domingo, 18 de junho de 2023
Ombreando gigantes
Se Max não deu chance à ninguém, a luta pelo segundo lugar foi mais animada. Nico Hulkenberg viu sua carruagem virar abobora antes da hora por causa de um erro da Haas, o deixando apenas em quinto no grid, com Alonso completando a primeira fila e as duas Mercedes logo atrás. Hamilton sabia que não podia ameaçar Verstappen, mas ele poderia encher o saco de Alonso. Por mais que chegasse a dizer que queria a vitória, Alonso sabia que o segundo lugar era o máximo que poderia alcançar. Dois velhos rivais novamente juntos na luta por bons pontos marcou também a corrida, com Hamilton começando em vantagem ao largar muito bem e ultrapassar até com certa facilidade Alonso, que ainda teve que se defender dos ataques de George Russell. No primeiro stint, Hamilton, Alonso e Russell andaram próximos, numa fase de estudos, mas esse estágio foi interrompido quando o próprio Russel cometeu um incaracterístico erro e bateu num dos vários muros de Montreal. Incrivelmente Russell ainda teve condições de retornar à corrida e pontuaria, se não fosse um problema identificado pela Mercedes já no final da prova. Além de ter como características de tanque o tamanho e o peso, o carro de F1 também tem a resistência de um tanque!
Esquentando o campeonato
Antes da largada já havia grande movimentação, com a notícia que Marc Márquez perderia mais uma corrida em 2023, após sua quinta (!) queda em Sachsenring, pista onde o espanhol havia vencido nada menos do que onze vezes, mas a ruindade da moto da Honda faz com que Marc queira compensar as dificuldades com o seu talento e isso resulta em quedas em sequência. A falta de uma maior ambição das montadoras japonesas nos dá um cenário inacreditável no momento na MotoGP, onde não apenas a Ducati, mas também KTM e Aprilia dominam o campeonato, deixando para trás o eterno domínio de Honda, Yamaha e Suzuki. Se antes os pilotos corriam atrás dos nipônicos, não demorará para ocorrer o contrário. O reconhecidamente talentoso Fabio Quartararo, campeão em 2021, chegou em décimo terceiro, logo atrás do seu companheiro de equipe Morbidelli, que semana passada até mesmo duvidou se era interessante renovar com a Yamaha na situação atual. Uma situação que reverbera na saúde dos pilotos, que tentam tirar a diferença e acabam no chão, fazendo com que a Honda largasse com apenas um piloto hoje, já que os demais estavam inaptos por problemas físicos. Márquez sabe que é um piloto para estar brigando, no mínimo, pela vitória. Em condições normais, estaria dominando. Mas Marc, que sempre correu com a Honda desde que estreou na MotoGP, se vê numa situação onde a montadora que o acolheu simplesmente não tem condições de lhe dar um bom equipamento e parece perdida para achar um caminho de volta aos bons tempos.
A realidade atual é a Ducati dominando e isso foi visto mais uma vez na Alemanha. Num dia de muito calor no começo do verão europeu, Bagnaia era visto como favorito, mesmo com a ótima exibição de Martin no sábado, mas como Jorge não cuida lá muito bem dos pneus, Pecco poderia usar essa vantagem para derrotar o espanhol e dar uma resposta no campeonato. Martin vem num momento ascendente no campeonato, já superando o outro piloto satélite da Ducati Marco Bezzecchi e assumindo a vice-liderança. Martin chegou ao domingo em alta e como atual campeão, Bagnaia tinha a obrigação de dar um basta nas gracinhas de Jorge e impor não apenas seu status de campeão vigente, como de piloto da equipe de fábrica Ducati. Como esperado, Martin não demorou muito para assumir a ponta da corrida, ultrapassando Bagnaia. Miller largou melhor, errou na curva 11 e depois sucumbiu a superioridade das Ducatis. Brad Binder fazia um trabalho melhor e era terceiro, quando saiu da pista sozinho e de forma estranha, deixando Zarco em terceiro. E longe da briga pela ponta.
Vendo a corrida era claro que Bagnaia não forçava em nada, esperando que Martin queimasse seus pneus, como ocorreu semana passada em Mugello. Pecco apenas seguia o espanhol e se aproximava quando queria, mas o que Bagnaia não contava era com a valentia de Martin. O primeiro ataque de Bagnaia veio faltando dez voltas, quando os pneus de Martin já estariam no teoricamente no talo. Na teoria. Martin não se abateu com a ultrapassagem e continuou forçando, até conseguir a ultrapassagem faltando sete voltas para o fim. Muito cedo? Talvez, mas Martin soube segurar a enorme pressão de Bagnaia, que chegou a tocar na traseira de Martin na abertura da última volta e terminou menos de um décimo de segundo atrás de Martin na bandeirada, que com a vitória diminuiu bastante a desvantagem para Bagnaia, ganhando uma confiança que lhe pode ser bastante interessante no resto do certame. Talvez Bagnaia tenha subestimado Martin e seu controle de pneus, perdendo uma chance de colocar Martin 'no seu lugar'. Cerebral como é, Pecco não deverá cometer o mesmo erro novamente. O certo é que o GP da Alemanha foi excepcional e provavelmente viu os dois pilotos que lutarão pelo título. Tudo dentro do guarda-chuva da Ducati.
sábado, 17 de junho de 2023
Debaixo de indefinição
Porém, antes do Q3, muita coisa aconteceu, começando com um final de semana totalmente desastrado de Carlos Sainz, que no TL3 já tinha atrapalhado Albon e no Q1 fechou Gasly de forma descarada, deixando o francês da Alpine irado e de fora do Q2. Como a chuva já tinha parado, o Q2 foi insano, com os pilotos tendo que escolher o momento exato de colocar os pneus slicks na traiçoeira pista do circuito Gilles Villeneuve. O saudoso canadense deve ter suspirado forte com outro erro estratégico da Ferrari, não parando Leclerc na hora certa, deixando o monegasco de fora do Q3. Mas se Charles tem desculpas, o que dizer de Sergio Pérez, pela terceira vez consecutiva de fora do Q3? Já está começando a ficar feio para Checo.
Então a chuva veio forte no Q3 e antes de Oscar Piastri estampar sua McLaren no muro, Verstappen tinha feito um tempo espetacular, muito mais rápido do que qualquer um. Que naquele momento era Hulkenberg, novamente se sobressaindo em condições molhadas e colocando a Hass na primeira fila. Quando a pista foi liberada, a chuva apertou de vez e ninguém melhorou, deixando Alonso em terceiro, seguido pela dupla da McLaren. A previsão de amanhã é de tempo seco, melhorando ainda mais a vida de Verstappen, pois os pilotos que poderia levemente lhe atrapalhar amanhã largarão a partir da segunda fila. Mesmo com tanta indefinição do tempo, Max mais uma vez se impôs nesse 2023 dominador.


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