segunda-feira, 13 de julho de 2020

Figura(EST): Lewis Hamilton

A vitória massacrante do domingo de Lewis Hamilton, o seu triunfo de número 85 na F1, foi apenas uma sequência do que o inglês havia feito no sábado. Um piloto diferenciado fica mais em evidência quando as condições não são ideias, seja de clima ou de carro. A chuva forte que caiu em Spielberg no sábado por muito pouco não cancelou a classificação, mas felizmente a FIA liberou a pista e pudemos ver porque Lewis Hamilton já está entre os grandes da história de setenta anos da F1. Numa pista encharcada e com visibilidade praticamente nula, Hamilton colocou 1.2s no não menos talentoso Max Verstappen, além de 1.5s em cima do seu companheiro de equipe Valtteri Bottas, não apenas o vencedor da última semana e muito confiante, como tem o mesmo carro de Lewis. Mesmo se Max não tivesse rodado em sua última tentativa a diferença de Hamilton seria abissal frente os rivais. Com tamanha confiança e um carro que é o melhor (novamente) do pelotão, Hamilton fez o que os seus compatriotas chamam de 'sunday drive' na corrida, onde Lewis poderia colocar o braço para fora do carro e ouvir o seu Hip Hop na FM do seu Mercedão. Foi uma vitória acachapante no Red Bull Ring! Mesmo não sendo ainda o líder do campeonato de 2020, Hamilton segue impávido rumo a mais um título, além de bater mais alguns recordes. Ou alguém tem dúvida disso?

Figurão(EST): Ferrari

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, essa foto da curva três da primeira curva do Grande Prêmio da Estíria fala de forma perfeita de quem fez muito feio nesse final de semana. Além de um carro ruim e um motor fraco, a Ferrari ainda tem que lidar com uma dupla de pilotos que parece ter um ímã entre eles.


domingo, 12 de julho de 2020

Força jovem

Enquanto a F1 via Lewis Hamilton destruir a concorrência, a Indy via a classificação da segunda corrida em Road America acontecer com algumas surpresas. O mexicano Pato O'Ward da McLaren ficou com a pole, com o novato Alex Palou ao seu lado na primeira fila e Colton Herta completando os três primeiros. A média de idade do top-3 no grid de hoje foi de 21,3 anos! Se Palou e Herta não se mantiveram na luta pela vitória, O'Ward liderou a prova inteira, mas acabou traído pelos pneus e superado na penúltima volta por Felix Rosenqvist, de 28 anos, que conseguiu sua primeira vitória na Indy e manteve o 100% da Ganassi.

Com pilotos tão jovens nas duas primeiras filas havia um receio de incidentes na largada. Os incidentes realmente aconteceram, mas envolveram pilotos experientes. Will Power (39 anos) tocou em Ryan Hunter-Reay (39), jogando o piloto da Andretti no muro. Algumas curvas depois, Power tocou em Graham Rahal (31), que ainda foi tocado por Rosenqvist antes de bater forte no muro. Enquanto isso, O'Ward começava a sua dominação numa prova que só teria mais uma bandeira amarela (trazida por um trapalhão Power, que rodou sozinho). Atrás do piloto da McLaren, Palou não repetia a corrida de ontem e era superado por Herta, que já tinha a raposa felpuda Scott Dixon em quarto. Se largando em nono o neozelandês venceu ontem, largando em sexto seria mais fácil, certo?

Errado! Dixon teve um dia daqueles, onde não se acertou com os pneus duros e ainda deixou seu carro morrer no último pit-stop, fazendo o líder do campeonato cruzar a linha de chegada apenas em 13º. Se Dixon não ia para frente, seus companheiros de equipe na Ganassi faziam o serviço. Os suecos Rosenqvist e Marcus Ericsson andaram muito bem, com destaque para o primeiro, que ao assumir a segunda posição, diminuía a diferença para um dominante O'Ward até ter um pequeno problema em seu segundo pit-stop. Com um carro mais acertado, Rosenqvist não desistiu e foi tirando a diferença novamente para Pato O'Ward, que escolheu usar pneus macios usados no último stint. Nas voltas finais Pato estava tão lento que foi ultrapassado até pelo retardatário Conor Daly. Rosenqvist foi forte para cima de O'Ward, mas o mexicano, mesmo sem pneus, não entregou a posição fácil, chegando a tocar no sueco algumas vezes, porém, Rosenqvist completou a ultrapassagem vencedora na penúltima volta.

Não deixa de um alívio para o sueco, que teve um ano de novato com alguma irregularidade, mas mostrando potencial em 2019, contudo, 2020 vinha sendo um ano complexo para Rosenqvist, até pela cruel comparação com Dixon, que teve o início de campeonato mais forte na Indy desde 2006. Outro que teve uma corrida redentora foi Alexander Rossi, que após três corridas terríveis, conseguiu um sólido pódio. Decepção total para a Penske, que viu Power bater em dois carros na primeira volta e rodar na quinta, além de Newgarden nem de longe repetir a dominação de ontem e com Pagenaud fazendo outra corrida apagada. Mesmo fazendo uma corrida fora de suas características, Dixon se mantém tranquilo na ponta do campeonato, mas pelo menos vê em Rosenqvist um possível escudeiro contra os ataques de rivais num futuro próximo. 

Velho normal

Após o dilúvio de ontem, a corrida na Áustria, hoje conhecida como Estíria, ocorreu com pista seca e sol. Semana passada ocorreram três intervenções do Safety-Car, enquanto hoje o Mercedes AMG de Bernd Maylander só deu as caras uma única vez e na primeira volta, não fazendo qualquer diferença na corrida. O resultado tudo isso? Dobradinha da Mercedes e passeio completo de Lewis Hamilton, que se manteve intocável em primeiro durante toda a prova. Já Bottas teve um pouco mais de trabalho pela posição que largou, tendo que lidar com um sempre combativo Max Verstappen, que mostrou seu enorme talento frente ao finlandês. Já a Ferrari...

A muito provavelmente única corrida na história com o nome Estíria não foi das mais empolgantes, principalmente se comparado ao da semana passada, porém deu para perceber a real distribuição de forças da F1 em 2020. A Mercedes está realmente sobrando frente as rivais, com a Red Bull como única capaz de incomodar os tedescos. E sendo mais específico, apenas a Red Bull de Max Verstappen. O holandês carrega o carro nas costas, enquanto Albon tomou 20s em 22 voltas do companheiro de equipe. O tailandês não chega a ser um piloto ruim, mas está alguns patamares atrás de Max. Racing Point vem logo atrás de Albon, com McLaren e Renault não muito atrás da trupe de Lawrence Stroll. A Ferrari deve estar por ali, mas será falado mais tarde. Depois vem, na ordem, Alpha Tauri, Alfa Romeo, Hass e Williams. A corrida de hoje aconteceu com brigas entre esses pelotões. Lewis Hamilton foi dominante numa das suas vitórias mais fáceis de sua já longa carreira. O inglês da Mercedes poderia colocar o braço para fora do seu carro e escutar um hip hop no rádio, no que se pode afirmar um passeio no parque de Lewis. Hamilton largou bem, se livrou dos rivais e sem os problemas de câmbio que perturbaram os pilotos da Mercedes semana passada, o inglês não foi mais visto até receber a bandeirada em primeiro pela 85º vez na F1, se aproximando do recorde de Michael Schumacher. Se Hamilton não teve maiores problemas para garantir a primeira vitória em 2020, Bottas teve um pouco mais de trabalho para completar a dobradinha da Mercedes. O finlandês largou em quarto e teve que deixar Sainz para trás e se manter a corrida inteira atrás de Verstappen. Prorrogando sua parada, Bottas garantiu que teria pneus em melhores condições nas últimas voltas frente ao piloto da Red Bull, que foi o primeiro dos líderes a parar. Se o engenheiro da Mercedes esperava que Bottas alcançasse Verstappen na última volta, Valtteri fez um pouco melhor e com cinco voltas para o fim já estava ameaçando um Verstappen sem pneus.

Foi então que aconteceu a melhor disputa da corrida, confrontando dois pilotos totalmente diferentes. Enquanto o jovem Verstappen explode em talento e empolgação, Bottas é um piloto frio e pragmático. Com um carro melhor e pneus em melhores condições, Bottas sabia que a ultrapassagem era algo pró-forma, mas Verstappen não entregaria a posição sem briga. Na primeira tentativa, Bottas ultrapassou o holandês, mas Max permaneceu por fora na freada e deu o troco de forma belíssima na curva seguinte. Um espetáculo, mas Bottas atacou na volta seguinte, lembrando de ficar em melhor posição na freada para garantir o segundo lugar e a primeira posição no campeonato. Verstappen ainda tentou uma segunda parada com o intuito de ganhar um ponto pela melhor volta, mas o holandês teve que se conformar com a terceira posição e sem ponto extra. Como falado anteriormente, Albon ficou mais próximo do pelotão intermediário do que correr junto dos pilotos de ponta. Nas voltas finais o anglo-tailandês foi atacado por um empolgado Sérgio Pérez, que saiu das últimas posições para ser quinto nas voltas derradeiras. Pérez chegou a marcar a melhor volta algumas vezes, mas o já experiente piloto acabou cometendo um erro de principiante na penúltima volta, batendo em Albon e quebrando a sua asa dianteira. Curiosamente, no mesmo local onde Albon foi rodado por Hamilton uma semana antes, mas dessa vez Albon se deu melhor e conseguiu um suado quarto lugar. Porém, a diferença entre os dois pilotos da Red Bull é uma das maiores da F1 atual.

Se Sergio Pérez perdeu um ótimo quarto lugar, Lance Stroll não foi muito diferente em termos de pontos perdidos. Após ser ultrapassado por Pérez, Stroll ficou mais de vinte voltas empacado atrás da Renault de Daniel Ricciardo, não conseguindo a ultrapassagem mesmo sendo nítido a vantagem de carro. Contudo, mais uma vez, a diferença de pilotos apareceu em Spielberg. Lando Norris, que passou o final de semana reclamando de dores nas costas, partiu para cima de Stroll e Ricciardo, não tomando conhecimento dos dois. Para melhorar, Norris ainda alcançou Pérez na última curva da corrida para ser quinto, enquanto o mexicano superou Stroll por menos de um décimo na bandeirada. A Racing Point tem um bom carro em mãos, mas talvez esteja faltando ter pilotos melhores para fazer ótimas apresentações como a de Norris, que mais uma vez se destacou vindo mais atrás, enquanto Carlos Sainz garantiu mais um ponto com a melhor volta da corrida, confirmando a ótima fase da McLaren, nesse que pode ser um recomeço para a tradicional equipe. A Renault viu Ocon fazer uma boa corrida enquanto esteve na prova, mas o francês acabou abandonando. Ricciardo sentiu na pele o que é anunciar que está saindo da equipe. Mesmo com mais ritmo do que Ocon, Ricciardo teve que superar o companheiro de equipe na pista, sem ajuda da Renault, que apenas assistia os dois perderem tempo frente aos rivais. Gasly passou o primeiro stint no top-10, mas acabou perdendo tempo na sua parada e ritmo na corrida e quem fechou a zona de pontuação foi Kvyat. Haas e Alfa Romeo, filiais da Ferrari, passaram a corrida brigando entre si, mas numa corrida sem tantos abandonos, estiveram longe de batalhar por pontos, com Raikkonen usando a sua experiência para vencer esse duelo particular. A Williams viu George Russell sair da pista ainda no começo da prova, o que significou a Williams fechar a corrida com seus carros em penúltimo e último.

O ritmo ruim de Haas e Alfa Romeo dá uma boa amostra de quão mal vão as coisas com o motor Ferrari, hoje o pior da F1, para desespero dos mais puristas, acostumados com a Ferrari mostrando muita potência, mesmo que sem muito controle. Porém, mais sem controle está Mattia Binotto. Antes da corrida o capo da Ferrari já falava que o desempenho da escuderia no sábado não dignificava o tradicional nome Ferrari, mas as coisas piorariam na corrida. Ou na primeira volta. Numa tentativa no mínimo otimista de Charles Leclerc, o monegasco acabou acertando no meio do Vettel, destruindo a asa traseira do alemão, que abandonou imediatamente, nos boxes. Com o fundo do carro bastante avariado, Leclerc desistiu pouco tempo depois, numa atuação horrorosa da Ferrari. Na última vez que os dois carros da Ferrari bateram na primeira volta, em Cingapura/2018, Vettel e Raikkonen brigavam pelas primeiras posições, enquanto hoje Vettel e Leclerc estavam no meio do pelotão, onde esse tipo de coisa fica fácil de acontecer. Leclerc admitiu a culpa e aparentemente entre os pilotos as coisas não estão muito diferentes, no entanto, para a cúpula da Ferrari, fica cada dia mais complicado explicar o time perder 1s numa pista curta como Red Bull Ring de um ano para o outro, além de ter o pior motor do ano, lembrando que a Ferrari escapou de uma punição da FIA justamente por suspeitas de que propulsor italiano do ano passado teriam irregularidades, suspeita essa que aumenta com a falta de velocidade final não apenas da Ferrari, como também de Haas e Alfa Romeo. 

Próxima semana teremos uma pista bem diferente, com Hungaroring sendo um circuito travado e muito pouco utilizado durante o ano. Talvez a Ferrari possa evoluir e não passar tanto vexame, como hoje. O que não deve mudar é o domínio da Mercedes. Numa corrida normal, Hamilton não enxergou adversários e com a confiança em alta, depois da volta espetacular da classificação de ontem, o inglês se manteve intocável a corrida inteira, porém, o líder do campeonato ainda é Valtteri Bottas. Resta saber até quando o nórdico segurará essa liderança. 

sábado, 11 de julho de 2020

Dixon diferenciado

Se na F1 existe um Lewis Hamilton para chamar de diferenciado, a Indy pode usar o mesmo termo para Scott Dixon. O neozelandês nem precisa ter o carro mais rápido para vencer. Basta que surja uma oportunidade. É o que basta para Dixon triunfar e em Road America, o piloto da Ganassi, que havia largado apenas em nono, viu as oportunidades surgirem até se colocar em primeiro e administrar a corrida até a bandeirada, completando uma incrível trinca de vitórias e o 100% na temporada 2020.

A corrida no belo circuito de Elkhart Lake começou com Josef Newgarden dominando a corrida e parecia que nada poderia deter o piloto da Penske. Saindo da pole, Newgarden viu alguns dos pilotos a sua volta terem problemas e chegou a abrir 10s para o segundo colocado Santino Ferrucci, após a primeira rodada de paradas. Atrás de Newgarden a corrida era animada, mas sem tantas ultrapassagens. Ryan Hunter-Reay brigou muito com Newgarden na primeira volta, mas sem ritmo, foi perdendo posições. Após ultrapassar Hunter-Reay, Graham Rahal deu pinta de que poderia atacar Newgarden, mas um pit ruim da equipe do seu pai tirou Graham do top-10. Numa corrida sem ultrapassagens, a estratégia se provou um ponto decisivo para a prova. Will Power fazia uma corrida medíocre, sendo atacado pelo novato Alex Palou no meio do pelotão, porém, o australiano foi um dos primeiros a parar e quando todos fizeram suas paradas, Power era terceiro colocado, atrás de um intocável Newgarden e Ferrucci.

Na segunda rodada de paradas, Dixon começou a aparecer e já estava colado em Power, quando a corrida de Newgarden foi para o vinagre, após o atual campeão da Indy deixar seu Penske morrer no pit-stop, saindo da luta da corrida. A corrida parecia que seria decidida entre Power, Dixon e Ferrucci, mas o último acabou alijado da disputa quando foi tocado na saída do último pit-stop. Com pits um ao lado do outro, Dixon e Power pararam ao mesmo tempo e foi aí que o melhor trabalho da Chip Ganassi colocou Dixon na ponta para não mais perde-lo. Desde 2002 na equipe Ganassi, Scott Dixon está de tal forma entrosado com o time que ganha corridas de forma natural, sempre se dando bem nas estratégias, com os mecânicos fazendo ótimos pit-stops, além de Dixon fazer a diferença na pista, seja andando o mais rápido possível ou economizando combustível.

Power terminou em segundo, com o surpreendente Palou completando o pódio. Hunter-Reay e Colton Herta salvaram outro dia ruim da equipe Andretti, que viu Alexander Rossi ter outra jornada horrorosa, saindo cada vez mais da luta pelo título. Com o 100% no campeonato, Dixon parte impávido rumo ao incrível hexacampeonato. 

Hamilton diferenciado

O piloto diferenciado aparece com mais força em condições diferenciadas. Seja no calor extremo, um carro ruim ou de pista muito molhada, quem é acima da média se sobressai. Lewis Hamilton vem cada vez mais nos mostrando atuações monstruosas nos últimos tempos, meio que nos respondendo que o inglês, sim, está entre os maiorais da história da F1. Debaixo de muita chuva, Lewis colocou mais de 1s em todo o pelotão e mesmo se Max Verstappen não tivesse errado em sua última volta, o tempo não seria lá muito diferente. Acreditavam mesmo em Bottas? Pois o finlandês tomou 1.5s (!) com o mesmo carro.

Pela primeira vez repetindo um circuito em sua história, a F1 viu o clima em Spielberg mudar drasticamente, com uma esperada tempestade atrapalhando seus trabalhos nesse sábado, cancelando o terceiro treino livre e atrasando em quase uma hora a classificação. A Liberty trouxe uma bufada de modernidade à F1 e pela repercussão negativa das redes sociais, com a F1 atual sendo chamada de F-Mimimi, a direção de prova foi autorizada a dar luz verde mesmo em condições em que outros tempos adiaria a sessão para domingo de manhã. Provavelmente houve monitoração dessas reclamações nas redes sociais e deram sinal verde para realizar a classificação em condições extremas. A surpresa pela realização do treino foi tamanha, que muitas equipes forçaram o ritmo no TL2, pois se não houvesse classificação, os tempos dessa sessão seriam utilizados para definir o grid. E a pista estava realmente muito complicada, com muitas poças d'água, uma visibilidade nula e muita dificuldade em manter os carros em linha reta. Claro que isso trouxe algumas surpresas. Sergio Pérez chegou a liderar o TL1 e vinha andando bem com a Racing Point, mas não repetiu o mesmo desempenho no Q1 e largará nas últimas posições, entre as Alfa Romeos e Grosjean, que nem marcou tempo após sair da pista. O francês já está fazendo hora extra na F1...

Outro boa surpresa foi ver o ótimo desempenho de George Russell, que não apenas colocou a Williams no Q2, como ficou apenas 0.008s atrás de Leclerc, com a claudicante Ferrari. O time de Maranello também sofreu em pista molhada, mas dessa vez foi Vettel o único piloto que foi ao Q3, com Leclerc atrapalhado no final do Q2, quando a chuva aumentou momentaneamente. Com o Q3 caminhando, pilotos ficaram praticamente o tempo todo numa pista encharcada e até mesmo para câmeras era difícil ver os carros. E acabaram com a F-Mimimi. Com um Vettel apagadíssimo, outro que brilhou foi Ocon, que não apenas superou Ricciardo de forma regular no treino, ainda colocou a Renault em quinto. A McLaren apareceu forte com Sainz superando Bottas para ficar em terceiro e mais uma vez aparecer na entrevista pós-corrida. Em condições tão adversas, os dois melhores pilotos da atualidade brigaram pela pole, mas Hamilton tirou uma volta absurda da cartola para bater a todos os seus rivais com mais de um segundo de vantagem. Verstappen vinha numa volta rápida e acabou rodando nas últimas curvas, mas o holandês não teria condição de ameaçar a pole de Hamilton. Simplesmente a 89º! Amanhã a previsão é de clima seco e com a Mercedes sobrando, Hamilton tem a chance de colocar para trás a decepção da semana passada, mesmo a Red Bull tendo evoluído bastante.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Alonso In

Quando perdeu Daniel Ricciardo de forma não muito amistosa, a Renault precisava de uma resposta. Sempre sofrendo ameaças por parte da cúpula da montadora, a equipe Renault estava na berlinda, principalmente com a falta de resultados, sem contar a crise financeira pelo qual a Renault está sofrendo no momento. Querendo voltar a um passado glorioso, a Renault fez uma aposta arriscada para ambos os lados. Fernando Alonso está de volta à F1 e a Renault.

Ninguém jamais negará o talento de Fernando Alonso, talvez um Carlos Reutemann melhorado, pois ao contrário do argentino não apenas é um melhor piloto, como ao menos conquistou títulos. Da mesma forma, a personalidade complicada de Alonso o fez sair de Ferrari e McLaren (duas vezes) de forma tumultuada, deixando cicatrizes em ambas e foi fato que ambas melhoraram quando Alonso saiu. Mesmo considerado um dos gigantes da F1, Alonso conquistou seu último título pela última vez há catorze anos e o espanhol está desesperado por um novo triunfo, não se importando em mudar de equipe e exigir tudo delas. McLaren e Ferrari que o digam. Mas o que esperar da Renault? O time sofre com resultados medianos há anos e mesmo considerada uma equipe de fábrica, não faz por onde ter esse status.

Cyril Abiteboul tem uma gestão questionável à frente da Renault e a vinda de Alonso tem um claro apelo de mídia. Quando for reestrear em 2021, Alonso estará prestes a completar 40 anos e não deverá querer esperar muito para ser competitivo. Ou seja, conseguir resultados que a Renault de Abiteboul ainda não entregou. Porém, Alonso será um grande chamariz para a F1 e seu talento poderá fazer diferença numa equipe que sofre com uma crise não apenas financeira, mas também de liderança. Resta saber se Alonso poderá ser a solução. Pena que essa notícia deverá significar a saída de outro campeão da F1. Com a vaga da Renault preenchida e fazendo corridas medíocres, será difícil ver Vettel numa equipe boa em 2021.