segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Figura(BRA): George Russell

 Não poderia ser outro! Vindo de três anos na Williams, onde seu talento ficava claro, Russell chegou à Mercedes com esperanças de finalmente andar na frente, lutar por vitórias e, por que não?, por títulos. Porém a realidade de Russell foi bem distinta do que ele esperava antes de iniciar o ano. A Mercedes errou o conceito do seu carro no novo regulamento e viu Ferrari e, principalmente, Red Bull se tornarem os grandes protagonistas da F1 em 2022. Contudo Russell nunca baixou os braços. Acostumado a correr em carros abaixo do seu potencial, George passou a usar a consistência como sua maior arma para amealhar pontos e ainda superar seu badalado companheiro de equipe Lewis Hamilton. Usando toda a sua força e estrutura, a Mercedes foi crescendo e após uma atualização em Austin, o time tedesco cresceu a ponto de voltar a lutar mais na frente do pelotão. Em Interlagos, a Mercedes se mostrou imparável e quem estava liderando a equipe era Russell, vencedor da Sprint Race no sábado após disputa apertada com Verstappen. Mesmo já tendo largado uma vez na pole, era esperado saber como George se comportaria liderando um pelotão com um carro realmente competitivo, além de ter Hamilton no seu cangote. E o jovem inglês não decepcionou. Russell não se intimidou com as relargadas, imprimiu um ritmo muito forte e praticamente não foi ameaçado nas 71 voltas do GP de São Paulo. Foi uma vitória verdadeira de Russell, onde ele não precisou do azar alheio. As lágrimas de Russell após a corrida emocionaram a todos, mas George pode estar apenas iniciando um período como verdadeiro piloto de ponta. Pelo o que fez nesse final de semana, Russell pode ser uma potencial estrela da F1.

Figurão(BRA): Max Verstappen

 Nunca faltou talento e velocidade para Max em sua carreira, assim como não faltou nesse final de semana em Interlagos, mas algumas atitudes de Verstappen em sua passagem por São Paulo foram, no mínimo, duvidosas e controversas. Primeiro foi mais um toque envolvendo Hamilton na coleção do neerlandês, que foi considerado culpado, mesmo que para muitos foi apenas um lance de corrida. No entanto fica claro que quando Verstappen tem como seu desafiante o número 44 numa disputa mano a mano, o piloto da Red Bull eleva bastante seu nível de agressividade, resultando em vários toques com Lewis. Porém, isso não seria a única polêmica do dia para Verstappen. No final da prova, com seu companheiro de equipe Sergio Pérez perdendo rendimento e ainda na luta pelo vice-campeonato, Verstappen foi autorizado à ultrapassar o mexicano para tentar tirar pontos de Leclerc, mas com uma condição: caso Max não ultrapassasse Leclerc, ele devolveria a posição. A missão era dura e Verstappen sequer ultrapassou Alonso, que estava entre ele e a Ferrari de Leclerc. Porém, na hora de devolver a posição, Verstappen ignorou os pedidos da equipe e ainda criticou seu chefe via rádio para todo mundo ouvir. Apesar das declarações exageradas de Pérez ('Se ele tem dois títulos, ele deve agradecer a mim'), o segundo piloto da Red Bull auxiliou Verstappen em momentos cruciais nessas duas temporadas que estão correndo sob o mesmo teto. Para piorar, Verstappen invocou uma história para lá de mal contada que está sendo anunciada pela imprensa holandesa de que Max, na verdade, estaria dando um troco em Pérez por um incidente em Mônaco. Ou seja, para seu país natal, Verstappen não apenas não é o bandido, como é um acuado mocinho na história. E Max não apenas caiu nessa, como expôs sua equipe à uma situação difícil, além de iniciar uma polêmica vazia com seu companheiro de equipe, que em condições normais não atrapalha Verstappen, mas que já mostrou útil outras vezes. Se não foi brilhante na pista, mas não deixou de mostrar sua força, a conduta de Max Verstappen nesse final de semana deixou muito a desejar. 

domingo, 13 de novembro de 2022

O que é isso, companheiro?


 Ao conseguir vencer a Sprint Race nesse sábado com autoridade, George Russell deu a dica que viria muito forte para a corrida e que a Mercedes finalmente venceria em 2022. Não deu outra! Russell dominou a prova em Interlagos com a calma de um veterano, largando (e relargando) muito bem e praticamente não foi sequer ameaçado durante as 71 voltas de um GP de São Paulo que começou animado e acidentado, mas que no fim foi definido pela estratégia das equipes e que terá muita polêmica na reunião pós-corrida de várias equipes.


A semana inteira se falou em chuva durante todo o final de semana paulistano, mas a precipitação só deu as caras mesmo na sexta-feira, quando a F1 ficou chocada com a primeira pole de Kevin Magnussen, mas já na primeira volta da corrida, realizada com sol entre nuvens, o danês da Haas voltou ao mundo real quando foi abalroado por um atrapalhado Daniel Ricciardo, que deve estar encerrando sua passagem na F1 com um senhor viés de baixa. Largando na pole, Russell deu uma resposta aos seus rivais logo na saída, conseguindo abrir uma bela vantagem para Hamilton antes que o Safety-Car entrasse na pista pela primeira vez para retirar os carros de Magnussen e Ricciardo. Na relargada, Russell não se intimidou em ter Hamilton no seu retrovisor e como um piloto experiente de várias vitórias, esperou até o último momento para acelerar, o que acabou atrapalhando Hamilton, deixando o inglês como um alvo fácil da dupla da Red Bull, que vinha logo atrás dele. Já no sábado ficou claro que Max Verstappen ainda não se recuperou de toda a tensão que se envolveu com Hamilton em 2021 e brigar com o inglês faz com que Max aumente um degrau na graduação de agressividade. Hamilton se colocou por dentro, enquanto Verstappen tentou uma manobra agressiva por fora, tentando se colocar por dentro na segunda perna do esse do Senna. Hamilton percebeu a manobra e deixou o mínimo espaço para Max, fazendo com que o toque fosse inevitável. Ambos saíram da pista, com Verstappen sendo o mais prejudicado e tendo que trocar a asa dianteira, além de ter sido punido. Hamilton perdeu tempo, mas permaneceu na pista e numa boa posição para iniciar uma recuperação. Russell liderava à frente de Pérez e tudo levava a crer que o mexicano sairia de Interlagos com o vice-campeonato nas mãos, pois mais atrás Leclerc se envolvia num incidente com Norris, fazendo com que o monegasco saísse da pista e batesse de leve no muro. Leclerc retornou à pista, trocou a asa dianteira e caiu para último.


A corrida se concentrou numa luta distante entre Russell, Pérez e Sainz, mas o espanhol sofreria uma falta de sorte terrível quando um sobreviseira entrou no duto do seu freio traseiro direito, fazendo com que Sainz tivesse que fazer uma parada não-programada, mas não tirando-o totalmente da briga pelo pódio, enquanto Hamilton aproveitava a sua nova situação de cidadão brasileiro honorário e fazia uma bela corrida de recuperação na frente do público que vibrou muito com ele, ultrapassando Vettel e Norris para ser quarto, subindo para terceiro com a parada de Sainz. A corrida parecia um jogo de gato e rato entre Mercedes, Red Bull e Ferrari. Cada vez que alguém parava, a outra equipe logo chamava seu piloto para evitar o undercut. Contudo, o ritmo da Mercedes era muito forte no clima mais agradável que fez no final da tarde em Interlagos, com Hamilton rapidamente se aproximando e ultrapassando Pérez. Sainz fez sua segunda parada mais cedo e com pneus melhores, quase surpreendia Russell, pois George saiu de seu segundo pit-stop apenas 1s na frente do espanhol. Mais um pouquinho e a Ferrari conseguia sua melhor manobra tática do ano. Mas como sempre, a Ferrari não fez acontecer com 100% de precisão. Com pneus mais novos e macios (contra os desgastados médios de Sainz), Russell parecia que partiria para uma vitória tranquila, mas o abandono de Norris faltando um punhado de voltas para o fim fez com que houvesse ainda algum suspense no fim, com a entrada do segundo SC. Sainz foi aos boxes colocar pneus macios e relargaria em quarto, enquanto Hamilton teria uma nova chance para atacar. Teria?


Russell chegou a perguntar à Mercedes se os dois pilotos prateados estavam livres para lutar, no que foi confirmado pela Mercedes, mas George fez sua parte com outra grande relargada e Hamilton segurou bem às pontas ao administrar bem a vantagem sobre Sainz, não forçando em demasia uma situação de ataque sobre Russell. O jovem inglês da Mercedes fez uma corrida de gente grande, não se intimidou com as situações de relargada e conseguiu sua primeira vitória na F1, dando à Mercedes sua merecida vitória em 2022, além de encostar na Ferrari no Mundial de Construtores, mesmo que uma virada ainda não seja das tarefas mais fáceis. Russell saiu do carro emocionado, numa cena bem diferente da vista em Sakhir em 2020, quando a vitória dele escapou por muito pouco. Uma vitória bem representativa para a Mercedes, que começou o ano de forma muito mais modesta do que habitual e no final da temporada, conseguiu uma dobradinha dentro da pista, sem precisar de uma combinação de sorte e quebras de suas rivais. Toto Wolff não estava em São Paulo nesse final de semana, mas ele falou com seus pilotos e provavelmente a Mercedes será a única equipe que partirá para Abu Dhabi feliz após os resultados desse domingo.


Seja por resultados ruins ou por problemas internos com seus pilotos, as demais nove equipes do grid da F1 terão pequenos problemas a serem resolvidos nos próximos dias. A luta pelo vice-campeonato ainda está aberta entre Charles Leclerc e Sérgio Pérez, com ambos saindo empatados em pontos e igualmente bastante chateados com seus respectivos companheiros de equipe. Nas últimas voltas chegou a ser constrangedor a forma como Leclerc mendigava por uma troca de posição com Sainz, sendo que o espanhol andou a corrida inteira na frente, mesmo com a bela recuperação de Leclerc, que saiu da última posição para ser quarto. A Ferrari desconversava e com Sainz 4s na frente, os italianos deixaram como estava. Para sorte de Leclerc, a situação de Pérez foi a mesmo e bem mais tensa. O mexicano perdeu bastante desempenho após a segunda relargada e foi sendo ultrapassado por quem vinha atrás, incluindo Verstappen. A Red Bull deixou Max passar na esperança do neerlandês alcançar Leclerc, mas havia uma pedra no caminho, chamado Fernando Alonso, que fez da tática da Red Bull no mínimo duvidosa. Para piorar, a equipe prometeu naquelas poucas voltas uma inversão de posições, mas Verstappen simplesmente ignorou a chamada da equipe e para quem quisesse ouvir, reclamou com o time de que não cederia posições. Pérez não deixou por menos, sendo bastante irônico em suas colocações sobre o companheiro de equipe. Um clima nada amistoso dentro da Red Bull para a última corrida e a próxima temporada se aproxima. Até mesmo Christian Horner entrou no rádio para acalmar Checo, mas a reunião da Red Bull não será a única tensa.


Vettel fazia uma bela corrida em sua despedida em Interlagos, chegando a ficar em quinto, mas o alemão foi perdendo rendimento e quando colocou os pneus médios na última relargada, a situação ficou ainda pior para Seb. Quem vinha atrás de Vettel era Stroll, que ontem jogou o companheiro de equipe na grama. A Aston Martin, cujo dono, não devemos esquecer, é pai de Lance, pediu para Vettel ceder sua posição para Stroll para que ele atacasse Bottas e que caso Lance não conseguisse a ultrapassagem sobre a Alfa de Valtteri, as posições seriam invertidas. Vettel deixou passar, Stroll não conseguiu ultrapassar Bottas, mas permaneceu à frente de Vettel, fazendo com que outra reunião pós-corrida seja bem animada, assim como será na Alpine. Por causa das trapalhadas dos seus pilotos, a equipe gaulesa viu sua dupla largar na penúltima fila, mas com um baita ritmo e com Alonso num dia inspirado, a Alpine marcou pontos com seus dois pilotos, com destaque para o quinto lugar de Fernando. Porém, na última relargada, novamente Ocon e Alonso estavam juntos e foi preciso a equipe se impor para que ambos soubessem o que fazer. E principalmente não se tocarem! Entre mortos e feridos, Alonso chegou bem à frente de Ocon, que foi apenas oitavo, à frente de Bottas e Stroll. 


Foi uma corrida animada como é comum em Interlagos e também marcante para George Russell, que conseguiu sua primeira e merecida vitória na F1 com uma corrida correta, como foi toda a sua temporada. Sempre ficará a dúvida se Hamilton deixou ou não Russell vencer, mas o certo é que há harmonia dentro da Mercedes, o mesmo não acontecendo em várias outras equipes, até mesmo na super campeã Red Bull.

sábado, 12 de novembro de 2022

A primeira de George

 


O início de 2022 da Mercedes foi daqueles esquecíveis. O time não apenas perdeu sua majestade de equipe dominante, como se viu em meio a sérios problemas de conceito do carro no novo regulamento técnico, fazendo que o porpoising ficasse ainda mais claro nos carros prateados, chegando a fazer Hamilton sair de uma corrida com fortes dores nas costas. Uma das poucas boas notícias para a Mercedes foi o acerto na contratação de George Russell. O jovem inglês, tratado com certo desdém por algumas pessoas que veem maldade em tudo, usou uma consistência incrível no primeiro ano de George numa equipe grande e na medida em que a Mercedes ia evoluindo, Russell subia na mesma medida. Hoje em Interlagos Russell fez uma bela corrida Sprint, superou o bicampeão Max Verstappen para conseguir sua primeira vitória (não-válida) na F1 e quebrar o domínio de Ferrari e Red Bull em 2022.

A corrida Sprint em Interlagos sempre apresenta uma emoção diferente dos outros eventos. Mesmo os pilotos sabendo que a mini-corrida serve apenas para definir o grid de domingo e que não vale a pena forçar demais com o sério risco de prejudicar o resto do final de semana, Interlagos viu uma prova emocionante e cheia de manobras. E como não poderia deixar de ser, Interlagos nos proporcionou belas surpresas. A esperada chuva em todo final de semana apareceu, até esse momento, apenas na sexta e decidindo a classificação, onde Kevin Magnussen esteve na hora certa e no lugar certo para conseguir sua primeira pole na carreira, fazendo a festa da Haas e da F1 em geral, que ficou feliz com a surpreendente pole do danês. Porém, com pista seca, era sabido que Kevin pouco poderia fazer para se manter na ponta, mas o piloto da Haas fez uma prova decente, não exagerando nas defesas e garantindo um bom oitavo lugar no grid de amanhã. Um dos poucos a largar com pneus médios, Verstappen logo assumiu a ponta e com os demais pilotos correndo com os macios, era de se esperar outro passeio do neerlandês em Interlagos. Russell e Sainz vinham na espreita, enquanto Pérez e Leclerc se recuperavam de uma classificação ruim na sexta, onde a Ferrari aprontou novamente com o monegasco, que foi o único piloto com pneus intermediários numa pista... seca!

Ao contrário do esperado, os pneus macios não se degradaram. Muito pelo contrário. Verstappen ia perdendo terreno para Russell, que começou um ataque para cima de Max que durou algumas voltas e foi um dos pontos altos desse sábado, com várias trocas de posição entre os dois, mas George levou a melhor. Isso tudo fez com que Sainz encostasse na briga trazendo consigo Hamilton. Sem ritmo, Verstappen foi atacado pelo espanhol da Ferrari, que tentou na freada do esse do Senna e ultrapassou somente após um toque com Max. Hamilton era o piloto mais rápido da pista, mas quando Max vê o 44 no seu retrovisor, o piloto da Red Bull coloca a faca nos dentes. Com a asa dianteira avariada e totalmente sem ritmo, Verstappen segurou como pôde Hamilton, que quando efetuou a ultrapassagem, já estava longe para tentar qualquer ataque em Sainz, que por ter trocado o motor, largará apenas em sétimo amanhã. Pérez, ainda na luta pelo vice-campeonato, sugeriu uma troca com Max, mas a Red Bull não deu ouvidos ao mexicano, mesmo com Max capengando para chegar um pouco à frente do companheiro de equipe, mas com Sainz punido, as duas Red Bulls largarão na segunda fila amanhã. E após anos de domínio, pela primeira vez em 2022 a Mercedes largará na primeira fila amanhã, com Russell completando uma Sprint Race perto da perfeição nesse sábado, garantindo sua primeira vitória na F1, mesmo que hoje não conte para as estatísticas.

Os seis de sempre ficaram no top-6, com Norris sendo o melhor do resto ao ultrapassar Magnussen nas voltas finais. Mais atrás, muita confusão entre companheiros de equipe de diferentes gerações. Ocon e Alonso largaram bem, mas se estranharam já na primeira volta, com Alonso quase rodando. Mesmo fazendo a melhor volta do treino livre, Ocon não tinha rendimento e num segundo encontro entre os pilotos da Alpine, Alonso quebrou sua asa dianteira na reta dos boxes, resultando em comentários irônicos de Fernando via rádio, que uma hora dessa deve estar mandando zaps seguidos para Gasly. Só que Alonso não deverá ter sossego em 2023. Lance Stroll deu uma fechada criminosa em Vettel, que mereceu uma punição de 10s. Enquanto Vettel soltou apenas um 'ok' no rádio, a F1 já começa a perder a paciência com Stroll e suas Strolladas.

Amanhã é que contará, mas sábado foi um grande aprendizado para as equipes. A Red Bull percebeu que o rendimento dos compostos médios não funcionou tão bem, enquanto viu Ferrari e, principalmente, Mercedes muito próximas na luta pela vitória. Enquanto alguns companheiros de equipe devem ter reuniões tensas nas próximas horas, ainda há o risco da chuva nesse domingo. E São Paulo sempre foi pródiga em corridas molhadas na sua cinquentenária história na F1.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Boas lembranças


 Quem acompanhou a Indy no final da década de 1980, alguns patrocinadores serão para sempre marcantes e serão associados à equipes tradicionais. Ontem em outra categoria, um conjunto equipe/patrocinador nos trouxe boas lembranças. Afinal, quem não se lembra do mítico carro amarelo de Rick Mears, patrocinado pela Pennzoil na Penske? Pois foi com essa combinação saudosa que Joey Logano venceu seu segundo campeonato na principal categoria da Nascar.

Foi uma dominação poucas vezes vistas numa final da Nascar. Logano largou na pole, liderou a maior parte das voltas e ainda contou com a ajuda do seu companheiro de equipe Ryan Blaney. Para completar, seu rival mais perigoso, Chase Elliott, se acidentou numa relargada e terminou duas voltas atrás. Debutando na final da Nascar Cup, Christopher Bell pouco apareceu na corrida, enquanto o outro estreante, Ross Chastain, ainda tentou um esforço final, mas a dupla da Penske não deu qualquer chance a outra gracinha de Chastain, que ganhou destaque semana passada pela sua manobra de Gamer apelão para ir para a final em Phoenix.

Logano conquistou seu segundo título e se consolida como um dos pilotos mais fortes da atual Nascar, que vai se renovando a ponto de Logano, aos 32 anos, tenha sido o mais velho a estar ainda na luta pelo título. Por sinal, Logano bateu alguns recordes de precocidade e parecia um prodígio quando surgiu, mas Joey demorou a desabrochar, só conseguindo mostrar o que dele se esperava quando chegou na Penske, onde conquistou o primeiro título em 2017 e bisou o mesmo nessa temporada. Um título onde Logano não teve adversário em Phoenix e com a Nascar sempre procurando emoção, nem que seja de forma artificial, talvez até mude a final.

domingo, 6 de novembro de 2022

Vitória da máquina

 


É relativamente comum vermos na F1 um piloto sendo campeão tendo disparadamente o melhor carro, mas com várias pessoas apontando que o melhor piloto era outro. Um exemplo claro aconteceu no final dos anos 1990, quando Hill, Villeneuve e Hakkinen foram campeões, mas ninguém contestava que o melhor piloto daquele momento era mesmo Michael Schumacher. Na moto isso não acontece com tanta frequência, pois o piloto ainda faz muita diferença em cima de sua máquina. Porém, 2022 vimos isso acontecer na MotoGP. Já tendo conquistado um título mundial na Moto2, Bagnaia era a ponta de lança da Ducati para esse ano e mesmo com algumas quedas, o italiano usou a força da montadora italiana para superar o atual campeão Fabio Quartararo ao longo de 2022, chegando na última prova com uma boa diferença de pontos, porém, o francês, até mesmo pelo o que fez com o equipamento que tem em mãos, pode ser considerado de forma indubitável o melhor piloto do ano. Quem venceria, homem ou máquina? Deu a máquina! Bagnaia fez uma corrida calculada para quebrar várias marcas e ser o novo campeão da MotoGP.

Mesmo com Bagnaia tendo a faca e o queijo na mão, toda decisão é tensa e Valencia tinha um clima pesado, afinal, a Ducati precisava acabar com quinze anos de jejum, mesmo que claramente a montadora de Bologna tenha a melhor moto do pelotão, com boa vantagem para a Yamaha de Quartararo, que como em toda a temporada, foi o cavaleiro solitário da Yamaha frente uma oposição ampla da Ducati, que tinha dois pilotos na primeira fila. No entanto, quem saiu feito um foguete na largada foi Alex Rins, que fazia sua despedida com a Suzuki. A marca de Hamamatsu deve estar se perguntando até agora se fez mesmo a melhor escolha em decidir pelo abandono da MotoGP. Rins foi perfeito da primeira a última volta, vencendo a corrida do adeus (ou até logo?) da Suzuki da MotoGP. Isso por si só já ajudava sobremaneira Bagnaia, pois Quartararo precisava da vitória de qualquer maneira. E já nas primeiras voltas, Bagnaia quis garantir que Fabio não venceria. Numa disputa quente entre os dois contendores pelo título, Bagnaia chegou a tocar em Quartararo e perder uma aleta, mas fez com que o piloto da Yamaha perdesse muito tempo para o primeiro pelotão formado por Rins, Martin, Márquez e Miller. Essa diferença foi crucial.


Correndo com o regulamento debaixo do braço, mas com a moto tendo problemas de equilíbrio pela aleta perdida, Bagnaia pouco brigava com quem chegava perto dele, enquanto Quartararo tentava de todas as formas tirar a diferença para os primeiros colocados. Fabio ainda contou com as quedas de Márquez e Miller, que quando foi ao chão com uma Ducati vermelha, certamente fez corações pararem na Itália. Contudo Quartararo não contou com a força da KTM de Brad Binder, que após ultrapassar Bagnaia foi à caça do pelotão dianteiro, ultrapassando não apenas Quartararo, como também Martin, mas não tendo tempo para buscar Rins. Tendo bastante cuidado na briga com Bagnaia, Binder perdeu alguns segundos que lhe fizeram falta na bandeirada. Bagnaia ainda caiu para nono, numa corrida burocrática, mas era mais do que o suficiente. Foram sete vitórias ao longo do ano e uma impressionante virada sobre Quartararo no campeonato, onde Pecco chegou a estar 95 pontos atrás do francês. O início de ano para Bagnaia não foi dos melhores, com algumas quedas, corridas sem muito brilho e a boa fase de Bastianini, com uma Ducati de 2021. Pecco foi se recuperando, mostrando a força da Ducati, que com seu pelotão foi minando as forças da Yamaha, que se apoiava unicamente em Quartararo, já que seus demais pilotos fizeram temporadas pífias.

Na medida em que foi colocando a cabeça no lugar e, principalmente, parou de cair, Bagnaia partiu para uma recuperação irresistível. Sem armas para se defender, restou à Quartararo andar no limite do limite de sua Yamaha e isso causou alguns erros do francês, como na Austrália. Sem forças para se recuperar e com uma moto bem inferior à Ducati e seu esquadrão, Quartararo viu Bagnaia passar por cima de sua vantagem construída com muita competência no começo do campeonato, não sem antes fazer belas corridas, como na Malásia e hoje. Falta à Yamaha ter mais potência e piloto melhores para ajudarem Quartararo, que passou o ano órfão de ajuda de companheiros de equipe, sendo que em 2023 somente terão duas Yamahas no grid. A Honda sofreu com uma moto mal nascida e com Marc Márquez ainda às voltas do seu problema no braço direito machucado em 2020, que o fez perder várias corridas nesse ano, a montadora nipônica teve sua pior temporada na MotoGP em anos, mas com Márquez quase recuperado, ele ainda poderá fazer a diferença, como fez hoje, andando no pelotão da frente, enquanto seus companheiros de equipe mal pontuavam. A KTM se mostrou muito irregular, com duas vitórias de Miguel Oliveira em corridas com chuva e boas exibições de Binder, misturado com corridas em que os laranjas nem chegavam no top-10. Próximo ano a equipe terá a presença de Jack Miller e terá uma equipe de suporte com a Gas Gas, com um decepcionante Pol Espargaró retornando à casa austríaca, ao lado do novo campeão da Moto2, Augusto Fernández. A Aprilia mostrou um imenso crescimento para 2022 e Aleix Espargaró foi um dos protagonistas do campeonato a maior parte do ano, mas se é um batalhador, falta à Aleix talento e velocidade para fazer frente aos grandes pilotos da MotoGP. Espargaró foi constante, com hoje sendo seu único abandono, mas a Aprilia mostrou força em 2022 e terá em Maverick Viñales sua reserva técnica para 2023, junto à nova equipe satélite RNF, que terá Miguel Oliveira.


Por fim, todo o investimento em inovações técnicas da Ducati valeu à pena. Não faltaram asas, aletas e apetrechos aerodinâmicos para compensar a falta de ciclística na moto, já que os italianos imitam o que a Ferrari fazia até a década de 1980, onde o motor era o mais importante. Desde o já longínquo título de Casey Stoner em 2007, a Ducati se caracterizou pela enorme potência do seu motor e a pouco maneabilidade da moto. Foram colocados vários pilotos na Ducati, incluindo Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, mas a situação não mudava, com a sensação de que apenas Stoner teve condições de domar a Desmodedici. Porém, a chegada de Luigi Dall'Igna ao corpo técnico da Ducati fez com que a moto fosse melhorando a ponto de Andrea Doviziozo ter dado um trabalho não esperado à Márquez no auge dos poderes do espanhol. A Ducati ia evoluindo, mas faltava alguém para liderar a equipe, principalmente com a saída de Doviziozo. Bagnaia era mais um pupilo de Rossi e rapidamente chegou à Ducati oficial de fábrica, após bons anos no time satélite. Ao contrário dos seus compatriotas, Bagnaia é bem cerebral, bebendo da fonte de Doviziozo, antigo piloto da equipe. A Ducati tinha a melhor moto de 2022 e ainda contou com seus forte esquadrão de oito pilotos, que muitas vezes dominaram o top10 do grid e das corridas.

Mesmo com a força de Miller, Bagnaia usou a inconsistência do carismático australiano para liderar a Ducati desde o final de 2021 e com uma recuperação espetacular, bateu Quartararo. Com sete vitórias em 2022, Pecco foi o maior vencedor do ano, além de quebrar alguns jejuns, como o de títulos da Ducati, o de títulos da Itália (desde 2009) e sendo o primeiro italiano a ser campeão com uma moto italiana, algo que não acontecia desde 1972 com o legendário Giacomo Agostini e sua MV Agusta. Bagnaia pode não ter o talento de Quartararo e de um Márquez recuperando suas forças, mas liderou a Ducati, que lhe deu a melhor moto do pelotão. Foi um título merecido tanto para Pecco, como, principalmente, para a Ducati. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Que pena...

 


Hoje em dia um carro de F1 é tão sofisticado, que há um projetista para cada pedacinho dele. Suspensão, freio... Agora imaginem uma única pessoa ser responsável pelo projeto de um carro de F1, F2 e Endurance ao mesmo tempo. Meio insano, certo? Não para Mauro Forghieri. Nascido em Modena, Mauro sempre teve a mecânica e a Ferrari por perto e com apenas 27 anos se tornou projetista-chefe da Ferrari após uma debandada na escuderia no início dos anos 1960. Apaixonado pela Ferrari, Forghieri era um soldado perfeito para o Comendador Enzo, não se negando em se envolver em qualquer negócio em que a Ferrari se metesse, mesmo que parecesse loucura em certos momentos. Mauro projetou carros históricos, participando ativamente das famosas batalhas contra a Ford em Le Mans e construindo os famoso Ferrari de câmbio transversal nos anos 1970, que deram títulos à Niki Lauda e Jody Scheckter. Às vezes parecendo meio atrapalhado dentro dos boxes, Mauro Forghieri foi um tifoso dentro da scuderia, só saindo da Ferrari em 1987, após mais de vinte anos de serviços prestados. Forghieri ainda atuou na Lamborghini e na Bugatti nos anos 1980 e 1990, se mantendo lúcido para conhecer a F1 moderna da atualidade. Hoje, aos 87 anos, Mauro Forghieri foi se encontrar com o velho Enzo nos boxes do céu.