Não poderia ser outro! Vindo de três anos na Williams, onde seu talento ficava claro, Russell chegou à Mercedes com esperanças de finalmente andar na frente, lutar por vitórias e, por que não?, por títulos. Porém a realidade de Russell foi bem distinta do que ele esperava antes de iniciar o ano. A Mercedes errou o conceito do seu carro no novo regulamento e viu Ferrari e, principalmente, Red Bull se tornarem os grandes protagonistas da F1 em 2022. Contudo Russell nunca baixou os braços. Acostumado a correr em carros abaixo do seu potencial, George passou a usar a consistência como sua maior arma para amealhar pontos e ainda superar seu badalado companheiro de equipe Lewis Hamilton. Usando toda a sua força e estrutura, a Mercedes foi crescendo e após uma atualização em Austin, o time tedesco cresceu a ponto de voltar a lutar mais na frente do pelotão. Em Interlagos, a Mercedes se mostrou imparável e quem estava liderando a equipe era Russell, vencedor da Sprint Race no sábado após disputa apertada com Verstappen. Mesmo já tendo largado uma vez na pole, era esperado saber como George se comportaria liderando um pelotão com um carro realmente competitivo, além de ter Hamilton no seu cangote. E o jovem inglês não decepcionou. Russell não se intimidou com as relargadas, imprimiu um ritmo muito forte e praticamente não foi ameaçado nas 71 voltas do GP de São Paulo. Foi uma vitória verdadeira de Russell, onde ele não precisou do azar alheio. As lágrimas de Russell após a corrida emocionaram a todos, mas George pode estar apenas iniciando um período como verdadeiro piloto de ponta. Pelo o que fez nesse final de semana, Russell pode ser uma potencial estrela da F1.
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Figurão(BRA): Max Verstappen
Nunca faltou talento e velocidade para Max em sua carreira, assim como não faltou nesse final de semana em Interlagos, mas algumas atitudes de Verstappen em sua passagem por São Paulo foram, no mínimo, duvidosas e controversas. Primeiro foi mais um toque envolvendo Hamilton na coleção do neerlandês, que foi considerado culpado, mesmo que para muitos foi apenas um lance de corrida. No entanto fica claro que quando Verstappen tem como seu desafiante o número 44 numa disputa mano a mano, o piloto da Red Bull eleva bastante seu nível de agressividade, resultando em vários toques com Lewis. Porém, isso não seria a única polêmica do dia para Verstappen. No final da prova, com seu companheiro de equipe Sergio Pérez perdendo rendimento e ainda na luta pelo vice-campeonato, Verstappen foi autorizado à ultrapassar o mexicano para tentar tirar pontos de Leclerc, mas com uma condição: caso Max não ultrapassasse Leclerc, ele devolveria a posição. A missão era dura e Verstappen sequer ultrapassou Alonso, que estava entre ele e a Ferrari de Leclerc. Porém, na hora de devolver a posição, Verstappen ignorou os pedidos da equipe e ainda criticou seu chefe via rádio para todo mundo ouvir. Apesar das declarações exageradas de Pérez ('Se ele tem dois títulos, ele deve agradecer a mim'), o segundo piloto da Red Bull auxiliou Verstappen em momentos cruciais nessas duas temporadas que estão correndo sob o mesmo teto. Para piorar, Verstappen invocou uma história para lá de mal contada que está sendo anunciada pela imprensa holandesa de que Max, na verdade, estaria dando um troco em Pérez por um incidente em Mônaco. Ou seja, para seu país natal, Verstappen não apenas não é o bandido, como é um acuado mocinho na história. E Max não apenas caiu nessa, como expôs sua equipe à uma situação difícil, além de iniciar uma polêmica vazia com seu companheiro de equipe, que em condições normais não atrapalha Verstappen, mas que já mostrou útil outras vezes. Se não foi brilhante na pista, mas não deixou de mostrar sua força, a conduta de Max Verstappen nesse final de semana deixou muito a desejar.
domingo, 13 de novembro de 2022
O que é isso, companheiro?
sábado, 12 de novembro de 2022
A primeira de George
A corrida Sprint em Interlagos sempre apresenta uma emoção diferente dos outros eventos. Mesmo os pilotos sabendo que a mini-corrida serve apenas para definir o grid de domingo e que não vale a pena forçar demais com o sério risco de prejudicar o resto do final de semana, Interlagos viu uma prova emocionante e cheia de manobras. E como não poderia deixar de ser, Interlagos nos proporcionou belas surpresas. A esperada chuva em todo final de semana apareceu, até esse momento, apenas na sexta e decidindo a classificação, onde Kevin Magnussen esteve na hora certa e no lugar certo para conseguir sua primeira pole na carreira, fazendo a festa da Haas e da F1 em geral, que ficou feliz com a surpreendente pole do danês. Porém, com pista seca, era sabido que Kevin pouco poderia fazer para se manter na ponta, mas o piloto da Haas fez uma prova decente, não exagerando nas defesas e garantindo um bom oitavo lugar no grid de amanhã. Um dos poucos a largar com pneus médios, Verstappen logo assumiu a ponta e com os demais pilotos correndo com os macios, era de se esperar outro passeio do neerlandês em Interlagos. Russell e Sainz vinham na espreita, enquanto Pérez e Leclerc se recuperavam de uma classificação ruim na sexta, onde a Ferrari aprontou novamente com o monegasco, que foi o único piloto com pneus intermediários numa pista... seca!
Ao contrário do esperado, os pneus macios não se degradaram. Muito pelo contrário. Verstappen ia perdendo terreno para Russell, que começou um ataque para cima de Max que durou algumas voltas e foi um dos pontos altos desse sábado, com várias trocas de posição entre os dois, mas George levou a melhor. Isso tudo fez com que Sainz encostasse na briga trazendo consigo Hamilton. Sem ritmo, Verstappen foi atacado pelo espanhol da Ferrari, que tentou na freada do esse do Senna e ultrapassou somente após um toque com Max. Hamilton era o piloto mais rápido da pista, mas quando Max vê o 44 no seu retrovisor, o piloto da Red Bull coloca a faca nos dentes. Com a asa dianteira avariada e totalmente sem ritmo, Verstappen segurou como pôde Hamilton, que quando efetuou a ultrapassagem, já estava longe para tentar qualquer ataque em Sainz, que por ter trocado o motor, largará apenas em sétimo amanhã. Pérez, ainda na luta pelo vice-campeonato, sugeriu uma troca com Max, mas a Red Bull não deu ouvidos ao mexicano, mesmo com Max capengando para chegar um pouco à frente do companheiro de equipe, mas com Sainz punido, as duas Red Bulls largarão na segunda fila amanhã. E após anos de domínio, pela primeira vez em 2022 a Mercedes largará na primeira fila amanhã, com Russell completando uma Sprint Race perto da perfeição nesse sábado, garantindo sua primeira vitória na F1, mesmo que hoje não conte para as estatísticas.
Os seis de sempre ficaram no top-6, com Norris sendo o melhor do resto ao ultrapassar Magnussen nas voltas finais. Mais atrás, muita confusão entre companheiros de equipe de diferentes gerações. Ocon e Alonso largaram bem, mas se estranharam já na primeira volta, com Alonso quase rodando. Mesmo fazendo a melhor volta do treino livre, Ocon não tinha rendimento e num segundo encontro entre os pilotos da Alpine, Alonso quebrou sua asa dianteira na reta dos boxes, resultando em comentários irônicos de Fernando via rádio, que uma hora dessa deve estar mandando zaps seguidos para Gasly. Só que Alonso não deverá ter sossego em 2023. Lance Stroll deu uma fechada criminosa em Vettel, que mereceu uma punição de 10s. Enquanto Vettel soltou apenas um 'ok' no rádio, a F1 já começa a perder a paciência com Stroll e suas Strolladas.
Amanhã é que contará, mas sábado foi um grande aprendizado para as equipes. A Red Bull percebeu que o rendimento dos compostos médios não funcionou tão bem, enquanto viu Ferrari e, principalmente, Mercedes muito próximas na luta pela vitória. Enquanto alguns companheiros de equipe devem ter reuniões tensas nas próximas horas, ainda há o risco da chuva nesse domingo. E São Paulo sempre foi pródiga em corridas molhadas na sua cinquentenária história na F1.
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Boas lembranças
Foi uma dominação poucas vezes vistas numa final da Nascar. Logano largou na pole, liderou a maior parte das voltas e ainda contou com a ajuda do seu companheiro de equipe Ryan Blaney. Para completar, seu rival mais perigoso, Chase Elliott, se acidentou numa relargada e terminou duas voltas atrás. Debutando na final da Nascar Cup, Christopher Bell pouco apareceu na corrida, enquanto o outro estreante, Ross Chastain, ainda tentou um esforço final, mas a dupla da Penske não deu qualquer chance a outra gracinha de Chastain, que ganhou destaque semana passada pela sua manobra de Gamer apelão para ir para a final em Phoenix.
Logano conquistou seu segundo título e se consolida como um dos pilotos mais fortes da atual Nascar, que vai se renovando a ponto de Logano, aos 32 anos, tenha sido o mais velho a estar ainda na luta pelo título. Por sinal, Logano bateu alguns recordes de precocidade e parecia um prodígio quando surgiu, mas Joey demorou a desabrochar, só conseguindo mostrar o que dele se esperava quando chegou na Penske, onde conquistou o primeiro título em 2017 e bisou o mesmo nessa temporada. Um título onde Logano não teve adversário em Phoenix e com a Nascar sempre procurando emoção, nem que seja de forma artificial, talvez até mude a final.
domingo, 6 de novembro de 2022
Vitória da máquina
Mesmo com Bagnaia tendo a faca e o queijo na mão, toda decisão é tensa e Valencia tinha um clima pesado, afinal, a Ducati precisava acabar com quinze anos de jejum, mesmo que claramente a montadora de Bologna tenha a melhor moto do pelotão, com boa vantagem para a Yamaha de Quartararo, que como em toda a temporada, foi o cavaleiro solitário da Yamaha frente uma oposição ampla da Ducati, que tinha dois pilotos na primeira fila. No entanto, quem saiu feito um foguete na largada foi Alex Rins, que fazia sua despedida com a Suzuki. A marca de Hamamatsu deve estar se perguntando até agora se fez mesmo a melhor escolha em decidir pelo abandono da MotoGP. Rins foi perfeito da primeira a última volta, vencendo a corrida do adeus (ou até logo?) da Suzuki da MotoGP. Isso por si só já ajudava sobremaneira Bagnaia, pois Quartararo precisava da vitória de qualquer maneira. E já nas primeiras voltas, Bagnaia quis garantir que Fabio não venceria. Numa disputa quente entre os dois contendores pelo título, Bagnaia chegou a tocar em Quartararo e perder uma aleta, mas fez com que o piloto da Yamaha perdesse muito tempo para o primeiro pelotão formado por Rins, Martin, Márquez e Miller. Essa diferença foi crucial.
Na medida em que foi colocando a cabeça no lugar e, principalmente, parou de cair, Bagnaia partiu para uma recuperação irresistível. Sem armas para se defender, restou à Quartararo andar no limite do limite de sua Yamaha e isso causou alguns erros do francês, como na Austrália. Sem forças para se recuperar e com uma moto bem inferior à Ducati e seu esquadrão, Quartararo viu Bagnaia passar por cima de sua vantagem construída com muita competência no começo do campeonato, não sem antes fazer belas corridas, como na Malásia e hoje. Falta à Yamaha ter mais potência e piloto melhores para ajudarem Quartararo, que passou o ano órfão de ajuda de companheiros de equipe, sendo que em 2023 somente terão duas Yamahas no grid. A Honda sofreu com uma moto mal nascida e com Marc Márquez ainda às voltas do seu problema no braço direito machucado em 2020, que o fez perder várias corridas nesse ano, a montadora nipônica teve sua pior temporada na MotoGP em anos, mas com Márquez quase recuperado, ele ainda poderá fazer a diferença, como fez hoje, andando no pelotão da frente, enquanto seus companheiros de equipe mal pontuavam. A KTM se mostrou muito irregular, com duas vitórias de Miguel Oliveira em corridas com chuva e boas exibições de Binder, misturado com corridas em que os laranjas nem chegavam no top-10. Próximo ano a equipe terá a presença de Jack Miller e terá uma equipe de suporte com a Gas Gas, com um decepcionante Pol Espargaró retornando à casa austríaca, ao lado do novo campeão da Moto2, Augusto Fernández. A Aprilia mostrou um imenso crescimento para 2022 e Aleix Espargaró foi um dos protagonistas do campeonato a maior parte do ano, mas se é um batalhador, falta à Aleix talento e velocidade para fazer frente aos grandes pilotos da MotoGP. Espargaró foi constante, com hoje sendo seu único abandono, mas a Aprilia mostrou força em 2022 e terá em Maverick Viñales sua reserva técnica para 2023, junto à nova equipe satélite RNF, que terá Miguel Oliveira.
Mesmo com a força de Miller, Bagnaia usou a inconsistência do carismático australiano para liderar a Ducati desde o final de 2021 e com uma recuperação espetacular, bateu Quartararo. Com sete vitórias em 2022, Pecco foi o maior vencedor do ano, além de quebrar alguns jejuns, como o de títulos da Ducati, o de títulos da Itália (desde 2009) e sendo o primeiro italiano a ser campeão com uma moto italiana, algo que não acontecia desde 1972 com o legendário Giacomo Agostini e sua MV Agusta. Bagnaia pode não ter o talento de Quartararo e de um Márquez recuperando suas forças, mas liderou a Ducati, que lhe deu a melhor moto do pelotão. Foi um título merecido tanto para Pecco, como, principalmente, para a Ducati.
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
Que pena...
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