sábado, 7 de janeiro de 2023

Miki

 


Ele passou por um dos momentos mais críticos do Mundial de Rali como um piloto dominante, mesmo que por apenas dois anos. Após toda a emoção e tragédia do Grupo B, o Mundial de Rali partia para o Grupo A, com carros muito menos potentes e emocionantes que a geração anterior. Houve uma queda natural de público e interesse. Foi nesse cenário que um pequeno italiano se destacou com seu Lancia. Miki Biasion foi bicampeão mundial de rali conquistando várias vitórias, derrotando pilotos do naipe de Juha Kankkunen e Didier Auriol. Completando 65 anos no dia de hoje, vamos conhecer um pouco desse piloto que se tornou, até o momento, o último campeão italiano do mundial de rali.


Massimo Biasion nasceu no dia 7 de janeiro de 1958 na pequena cidade de Bassano del Grappa, no norte da Itália. Desde cedo Miki, como ficou conhecido, sempre foi apaixonado por corridas, ainda mais porque sua cidade recebia uma das etapas do tradicional Rali de Monte Carlo e ainda criança, Biasion via na porta de sua casa nomes como Sandro Munari, Walter Röhrl ou Markku Alén. Contudo, por viver numa cidade sem pistas de kart por perto e sem dinheiro para começar nos ralis, Miki escolheu o motocross para ingressar no esporte a motor, obtendo sucesso em duas rodas e chegando a correr pela equipe oficial da Aprilia. Contudo, no final da década de 1970, foi organizado um pequeno campeonato de rali no norte da Itália e Biasion inscreveu o pequeno Renault 5 de sua mãe para participar do torneio e vencer. Esse torneio era organizado por Tiziano Siviero, que motivou Biasion a sair do motocross e da faculdade de arquitetura para se dedicar ao rali, com o próprio Siviero se tornando navegador de Biasion por toda a carreira. Em 1979 Miki participou do campeonato italiano de rali com resultados encorajadores e no ano seguinte se tornou campeão italiano com um Opel Ascona, derrotando na ocasião os pilotos oficiais da montadora alemã. No ano seguinte Biasion disputava o título italiano com um piloto que usava Lancia e mesmo perdendo a disputa, chamou bastante a atenção do chefe da Lancia Cesare Fiori, que o contrata para 1983. Seria o início de uma relação duradoura.


Inicialmente Miki Biasion focaria no campeonato europeu de rali, onde conquistaria o título com facilidade. Miki participava das etapas italianas do Mundial de Rali desde 1980 e com o apoio da Lancia, faria meia temporada em 1984, no auge do Grupo B. O Grupo B é até hoje considerado a era de ouro do Mundial de Rali, quando os carros se tornaram protagonistas com uma tecnologia poucas vezes vista, já que a FIA praticamente não colocava limites na construção dos carros, fazendo com que Audi, Peugeot, Lancia e outras explorassem cada detalhe técnico para obter a menor vantagem que fosse. Biasion começava a se destacar em meio à inúmeras estrelas que haviam na época e em Portugal, ele liderava o rali quando houve a tragédia da Lagoa Azul em 1986, quando um carro se descontrolou e atingiu vários expectadores. Biasion venceria sua primeira corrida no Mundial naquela temporada na Argentina, poucos meses depois de uma nova tragédia atingir o Mundial de Rali e ocorrer a morte de Henri Toivonen, companheiro de equipe de Biasion na Lancia. Isso determinou o fim do Grupo B. Biasion já havia perdido um ano antes seu amigo Attilio Bettega, também num acidente no Tour de Corse. Porém, Biasion não poderia simplesmente baixar a cabeça. Conhecido pelo seu estilo trabalhador, Miki começou o desenvolvimento do Lancia Delta HF ainda em 1986, já que o mítico Lancia Delta S4 se tornaria uma peça de museu. Miki se entregou nos testes do novo carro e com as saídas oficiais de Peugeot e Audi, a Lancia passou a dominar sozinha o Mundial de Rali. Conhecendo muito bem o carro, Biasion era o piloto mais rápido da Lancia em 1987, mas o italiano acabou sofrendo com várias quebras mecânicas e o título ficou com Kankkunen.


Para 1988, Biasion não deu chances aos adversários e conquista o seu primeiro campeonato com cinco vitórias, batendo Markku Allen com folgas. Em 1989 a situação foi idêntica. Com Kankkunen ainda desenvolvendo o carro da Toyota, Biasion não teve adversários e com cinco vitórias, se tornou bicampeão mundial de rali, repetindo o que Kankkunen havia feito em 1986-87. Com o segundo título, Biasion se igualava à Kankkunen e Walter Röhrl como os maiores campeões do Mundial de Rali até então. Para 1990, Biasion receberia de volta na Lancia Kankkunen, com quem teve uma polêmica durante o Rali de Monte Carlo em 1987, mas com quem nutria uma grande amizade. Após dois anos desenvolvendo o Toyota Celica, Kankkunen saiu da montadora japonesa e quem se aproveitou disso foi Carlos Sainz, que conquistou seu primeiro título no rali. A Lancia tinha uma super-equipe, mas foi derrotada por Sainz e a Toyota, com Biasion apenas em quarto lugar, mas terminando no pódios em todos os ralis que completou, sendo duas vitórias. Miki havia renovado seu contrato com a Lancia em 1991, mas foi surpreendido pelo anúncio da saída dos italianos no final daquele ano. Ainda foi oferecido à Biasion uma vaga numa equipe satélite da Lancia, a Jolly, mas o italiano preferiu aceitar uma proposta da Ford a partir de 1992. Foi o início da decadência para Miki Biasion.


A Ford sabia de todo o conhecimento técnico de Biasion e o contratou para desenvolver o Escort, mas o carro só estaria pronto em 1993, portanto, Miki teria que se conformar com o pesado Sierra RS Cosworth 4x4. O primeiro contato com o carro não foi bom e Biasion chegou a chamar o carro de 'um monte de merda' após o Rali de Monte Carlo. Para piorar, a Ford se enamoraria com o jovem François Delecour, francês muito rápido e impetuoso, principalmente no asfalto. Mesmo tendo Biasion, a Ford resolveu apostar em Delecour no desenvolvimento do novo Escort, para extremo desgosto de Miki, que não se sentia tão confortável como nos tempos da Lancia. Miki ainda salvou um quarto lugar no campeonato de 1992 e conquistaria a sua última vitória no Rali Acrópole de 1993, já com o novo Escort. Porém, o carro havia sido feito ao gosto de Delecour, que sofreria um acidente no início de 1994 que o tirou das estradas por quase toda a temporada. Com um carro fora do seu estilo e com vários atritos com a alta cúpula da Ford, Miki Biasion não renovou seu contrato e encerrou sua carreira no Mundial de Rali no final de 1994, com 36 anos de idade. Foram 78 ralis, 17 vitórias, 40 pódios e 373 estágios vencidos. Porém, Biasion nunca se desprenderia dos ralis. Ele participaria com sucesso do Paris-Dakar, onde quase venceu com a Mitsubishi em 2003, logo depois se mudando para caminhões, correndo pela Iveco. Colecionador de carros antigos de rali, Miki Biasion se mostrou um piloto veloz e conquistou dois títulos de forma dominante, mas como isso ocorreu num período de entressafra do Mundial de Rali (entre a Era Grupo B e a Era WRC), poucos se lembram do italiano como um dos grandes do esporte.

Parabéns!

Miki Biasion

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Que pena...

 


O ano mal começou e o mundo do esporte a motor já tem o que lamentar. Num acidente banal, em um snowmobile, o americano Ken Block faleceu aos 55 anos de idade nesse segundo dia útil do ano de 2023. Block não era conhecido por seus resultados nos ralis, porém, seu espetacular controle de qualquer carro o tornou muito famoso e seus vídeos chegam aos milhões de views. Muito popular, Ken Block chegou a participar de algumas etapas do WRC e de forma mais assídua do Global Rallycross, onde dividiu a pista com Travis Pastrana e Nelsinho Piquet. Sua fama e carisma fizeram de Ken Block uma referência em acrobacias e um personagem bastante popular, além de ter o respeito de gente do naipe de Sebastien Loeb, Sebastien Ogier e Marc Márquez. Uma pena...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Rei Eterno

 


Quando crescemos e um sentimento em nós é criado, rapidamente heróis e referências nos surgem. Como sempre amei esportes, em particular automobilismo e futebol, uma verdade me foi imposta: o futebol tinha um rei e ele se chamava Pelé. E com o tempo percebi que era verdade. O Rei Pelé!

Claro que não o vi em campo, mas não faltam vídeos, documentários e filmes para provar que Pelé foi um ser acima da média, uma lenda que encantou plateias em todo o mundo. Como ele jogava num tempo sem tantas informações e por isso, com mais fantasia, não faltam lendas em torno do que Pelé fez nos anos 1950 e 1960. Porém, somente os fatos bastavam para ver que Pelé merecia sua coroa de rei do futebol, principalmente na mítica Copa de 1970. Com todas as partidas podendo ser assistidas inteiras, Pelé era mesmo diferente numa seleção de lendas. Porém, mais importante que o que fazia em campo, o significado de Pelé para o Brasil e o mundo o deixava como um personagem global antes da globalização. Todos conheciam Pelé. Você pode estar na Times Square ou numa remota planície africana, todos sabem quem é Pelé. 

Menos de quinze dias após uma final de Copa do Mundo que entrou para a história, o planeta Terra se sensibiliza com a morte do cidadão Edson Arantes do Nascimento, aos 82 anos. Foi uma luta assistida por todos com angústia, talvez não acreditando que Pelé poderia morrer. Era algo que ninguém poderia esperar presenciar, mas na tarde desse 29 de dezembro de 2022, Pelé se tornou ainda mais lenda.  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Obrigado, futebol

 


2022 nem foi um ano para se lembrar em termos de futebol. Na verdade, tudo que tinha de dar errado, deu terrivelmente errado para mim no pébol. Por isso, essa Copa do Mundo estranha, no final do ano e num país que literalmente comprou o direito de sediar a Copa para abafar os inúmeros gritos de trabalhadores mortos construindo estádios e as vítimas de injustiças que assolam o Catar com uma liberdade impressionante. Pouco era esperado da Copa no Catar em 2022, mas o futebol entregou uma edição simplesmente inesquecível para quem acompanhou a apoteose de uma lenda do esporte e inúmeras histórias incríveis.


Um fato que ajudou bastante a causa catari foi que, forçosamente realizada no final do ano por causa do clima inclemente no Catar no tradicional meio do ano, a grande maioria dos jogadores chegaram para a Copa bem próximo do ápice físico, ao contrário do que normalmente acontece, quando os jogadores se apresentam às suas seleções no final de uma desgastante temporada. Isso ajudou que o nível técnico dessa Copa fosse uma das melhores dos últimos trinta anos, provavelmente ficando atrás apenas de 1998 e 2014. Ou até mesmo ao lado dessas marcantes edições. O início provava que seria uma Copa diferente. Logo na primeira rodada, Argentina e Alemanha perdiam em suas estreias. Enquanto a Argentina se recuperou, os alemães ficaram pelo caminho pela segunda Copa consecutiva, voltando para casa ao fim da primeira fase. Mas os tedescos não seriam os únicos. Sensação em 2018, a famosa geração belga decepcionou com uma base envelhecida e, principalmente, desunida. Após uma apertada vitória contra o inofensivo Canadá, uma derrota merecida contra Marrocos e um empate contra a Croácia significou que os belgas retornaram à Flandres pensando quando terão uma geração tão boa. O Uruguai ainda apostava na sua dupla de ataque Suérez-Cavani, mesmo que um ou outro ficando no banco. Uma interessante fornada de jovens uruguaios no meio-campo era a esperança de uma boa mescla, mas um empate pálido com a Coreia do Sul e uma derrota para Portugal praticamente definiu a sorte charrua. Mesmo vencendo Gana, imitando a mitológica quartas-de-final de 2010, serviu para o Uruguai, que saíram da Copa se perguntando o motivo do treinador (evidentemente demitido) não ter colocado Arrascaeta antes no time titular.


Todas essas eliminações abriam o caminho para o Brasil. O grupo do Brasil não era um mar de rosas, mas longe de um grupo de morte, porém a situação dos mata-matas era preocupante, com a seleção brasileira tendo um prospecto de pegar apenas campeões do mundo até uma possível final. Com as saídas de Uruguai, Alemanha e Bélgica, o caminho parecia livre rumo à semifinal de sonho contra a Argentina. Porém, faltou avisar aos croatas de Luka Modric. O Brasil chegou ao Catar ainda no polarizado clima eleitoral e tudo isso levava a críticas ou elogios, de acordo com a conveniência política de A, B ou C. Mas o Brasil deu motivos. O dispensável episódio da 'carne de ouro' pegou muito mal. O fato de trazer um cabelereiro no lugar de um psicólogo também chamou atenção para um grupo que dançou muito, mas pouco fez em campo. Tite era uma unanimidade como o melhor treinador brasileiro e o gaúcho mantém esse status, demonstrando bem como o Brasil está caindo em termos táticos. Tite errou na convocação (Daniel Alves foi uma brincadeira de péssimo gosto), na escalação e na leitura dos jogos. Com Neymar melhor acompanhado, era esperado que o Brasil confirmasse o favoritismo de antes da Copa, onde mostrou uma grande solidez como time, mas a contusão (mais uma) de Neymar ainda no primeiro jogo atrapalhou ainda mais a preparação para os demais jogos, onde o Brasil sofreu para ganhar da Suíça e teve a sorte de pegar uma Coreia do Sul de peito aberto nas oitavas. Um jogo contra a Croácia, que eliminou o Japão nos pênaltis e jogando pior, parecia o passaporte para as semifinais. O que vimos foi um jogo controlado por Modric e mesmo com o Brasil transformando o goleiro Livakovic no nome da partida, o time sofreu um gol inacreditável quando faltavam escassos quatro minutos na prorrogação. Com sete jogadores no campo de ataque. Nos pênaltis, mais polêmica. Na minha visão, uma polêmica vazia.


Não faltam exemplos de equipes deixando o principal batedor por último e dar certo, vide o que houve com o Flamengo na final da Copa do Brasil. Naquele mesmo dia, Argentina e Holanda colocaram seus principais jogadores e capitães para bater o primeiro pênalti. Messi fez. Van Dijk perdeu. O Brasil começou a disputa com o jovem Rodrygo. Perdeu. Neymar é um dos grandes batedores do futebol mundial, mas a batida de Marquinhos na trave fez com que o jogador do PSG sequer batesse um pênalti. Sinceramente pensava que o Brasil seria hexa, lembrando até mesmo o que aconteceu em 2002, quando o caminho era aberto pelas circunstâncias das outras seleções e o Brasil de Ronaldo e Rivaldo se aproveitou da situação. O Brasil de Neymar e Tite não aproveitou. Tite já avisou que não ficaria com a seleção antes da Copa, mas mesmo que nada falasse, não tinha como segurar o treinador, que saiu da Copa menor do que entrou, com todos os erros, alguns pequenos, se transformassem em grandes vacilos. Um treinador estrangeiro é praticamente uma exigência! O mesmo acontecendo com Neymar. Dessa vez Neymar não saiu rolando ridiculamente pelo gramado. Ele chegou a fazer um gol decisivo contra a Croácia, que deveria garantir o Brasil nas semis. Porém, não há como negar que Neymar jogou mal contra a Croácia e ficou a sensação que Neymar, aos 30 anos, perdeu sua verdadeira chance de ganhar uma Copa do Mundo. Em 2018 o Brasil saiu da Copa com a sensação que a próxima Copa seria à vera. Chegou 2022 e nada aconteceu. Dessa vez o Brasil precisa de uma reformulação, que não veio com o fatídico 7x1 e não se sabe se virá dessa vez. Já se vão vinte anos sem Copa do Mundo. E pela empáfia de muita gente influente, o futebol corre o risco de cair na mesma vala da F1 para o Brasil. Apenas doces e distantes lembranças.


Mas a Copa continuou. E como continuou. Argentina e Holanda fizeram um jogo cardíaco no mesmo dia da eliminação brasileira e Messi se transformava no nome da Copa. Ele havia marcado gols decisivos contra a Austrália (era esperado a Dinamarca, outra decepção nessa Copa) e contra a Holanda, que saía do seu DNA de jogo bonito para chuveirinhos na área. E foi assim que o gigante Weghorst conseguiu o empate no último lance, numa jogada ensaiada e friamente executada. Novamente pênaltis e um personagem surgia na Argentina: o goleiro Emiliano Martínez. Dibu garantiu a Argentina nas semifinais, mas não teria clássico contra o Brasil na fase seguinte. Porém, não faltaram clássicos. A atual campeã França chegou ao Catar mais parecendo uma enfermaria, com vários dos seus craques ficando pelo caminho, incluindo Karim Benzema, recém coroado como melhor do mundo. Porém, a França hoje vive o que era a característica do Brasil em outros anos. Se dizia que era possível montar várias seleções brasileiras competitivas, mas hoje quem se dá esse luxo são os franceses. Quem aparecia na seleção gaulesa, dava conta do recado. Mbappe fazia uma Copa exuberante, com arrancadas explosivas rumo ao gol. Kylian era o artilheiro da Copa quando houve o embate entre França e Inglaterra. Um jogaço! Pelo o que vinha fazendo, a França era favorita, sem contar a sempre amarelada da Inglaterra nas Copas. Cantando pela primeira vez em setenta anos 'God save the king', os ingleses surpreenderam ao jogarem de igual para igual contra os velhos rivais, sendo muitas vezes superiores. Porém, a força da França se mostrou grande demais para os ingleses, que viu Harry Kane perder um pênalti decisivo no final da partida.


Era esperado que a França encarasse Espanha ou Portugal na semifinal, saindo de uma emocionante disputa ibérica. Novamente esqueceram de avisar aos marroquinos. Com a globalização do futebol, seleções que antigamente não colocava medo em ninguém apresentam grandes jogadores em seu plantel e no caso do Marrocos, havia Hakimi e Ziyech. Ambos nascidos na Europa e atuando no principal palco do futebol, mas preferindo representar o país dos seus familiares. Marrocos já tinha despachado a Bélgica e liderado um grupo que era zebra. Pegou a Espanha e seu irritante Tiki-Taka que só deu um chute a gol e venceu nos pênaltis. Contra Portugal, Marrocos não enfrentaria de cara Cristiano Ronaldo. Em litígio com seu clube, CR7 fazia uma Copa discreta, mesmo com o recorde de cinco Copas marcando pelo menos um gol. Nas oitavas de final, o inacreditável. Cristiano estava no banco. Na hora dos hinos, os fotógrafos preferiam flagrar Ronaldo com cara de poucos amigos no banco, enquanto seu substituto dava show ao marcar um hat-trick contra o ferrolho suíço, que funcionou contra o Brasil, mas tomou de 6x1 para os lusos. Com uma seleção poderosa, Portugal era favorito contra Marrocos, que tinha a melhor defesa da Copa e se provou contra os lusos. Marrocos marcou 1x0 e não seria vazado, tornando o goleiro Bonou numa das sensações e se tornando o primeiro país africano e árabe na semifinal de uma Copa. A torcida marroquina, na mesma forma que os demais países árabes, tornaram o clima dos estádios bem intimidante. Claro, sem contar o anfitrião Catar, que se tornou o primeiro país-sede a perder todos os seus jogos, mostrando uma seleção fraquíssima.


Apesar da torcida zoeira para uma final Croácia x Marrocos, o futebol merecia Argentina x França. E assim foi. A Argentina deu um show contra os croatas, aplicando um categórico 3x0 que fez muita gente agradecer à Tite de livrar o Brasil da sanha dos argentinos e de Messi. A França teve mais trabalho contra Marrocos, mas as individualidades fez com que os europeus tentassem o primeiro bicampeonato em sessenta anos. A perspectiva de uma final entre argentinos e franceses fazia com que esse jogo fosse um dos mais esperados dos últimos tempos, principalmente com o choque entre Messi e Mbappe. Os dois tinham contas a acertar com o destino. Messi tinha deixado para traz a desconfiança dos próprios argentinos e tinha levado sua seleção para a final. Se em 2014 teve a preciosa ajuda de Dí Maria, dessa vez Angel passou boa parte da Copa machucado e Messi contou com o auxílio de jovens jogadores que tinham Lionel como ídolo quando crianças. Todos queriam que o título fosse para Messi, mas os franceses não pensavam assim e Mbappe, aos 23 anos, queria mostrar que entraria para a história do futebol. Armava-se um duelo de titãs.


Muitas vezes a expectativa para um final de Copa se desnuvia pela tensão de uma partida tão importante. Porém, tivemos o verdadeiro privilégio de assistir um jogo que será contado por décadas a fio, assim como me foram contadas histórias de Brasil x Itália em 1970. Domingo, dia 18 de dezembro de 2022, foi um dia que ficará para sempre marcado para todo amante do esporte. Vimos duas figuras gigantescas se chocarem num jogo épico. O primeiro tempo foi todo da Argentina. Di Maria retornou a equipe muito bem, correu como nunca, mas era Messi quem acabava com o jogo com passes incríveis. Messi marcou, deu carrinho, comandou e fez mais um gol, o primeiro. A Argentina chegou aos 2x0 e parecia se encaminhar impávido rumo ao título. Mas todo portenho adora um tango e esse ritmo musical é marcado pelo drama. Mbappe era uma figura praticamente nula, assim como a França. Quando o gás de Di Maria acabou e ele foi substituído, a França sentiu cheiro de sangue. Mbappe sentiu cheiro de sangue. Uma bobeada da defesa e Kylian fez o primeiro gol igual à Messi, de pênalti. Dois minutos depois, Mbappe marcava o segundo num belo gol. Faltavam dez minutos e a Argentina sentia o golpe e a saída de Di Maria, mas os deuses nos presentearam com mais trinta minutos de futebol, drama e brilho. Brilho de Messi, que marcou seu segundo gol quando faltavam dez minutos para o título, meio que redimindo o erro do segundo gol da França, quando perdeu a bola no meio campo. Brilho de Mbappe, que bateu um pênalti quando faltavam cinco minutos, marcando um hat-trick, o primeiro em finais desde 1966.


Ainda faltava um bom coadjuvante. Com a saída de Di Maria, que chorava de alegria e tristeza no banco na medida em que o jogo desenrolava, veio Emiliano Martínez. No última lance da prorrogação, o goleiro do Aston Villa defendeu um chute de Muani que selaria o título da França. 3x3. Disputa de pênaltis. Mas nem de longe parecia as truncadas decisões de 1994 e 2006. O mundo tinha visto a maior final da história de 92 anos de Copa do Mundo. Argentina e França mereciam o título. Messi e Mbappé mereciam o título. Não houve vilões. Lionel e Kylian converteram seus pênaltis. Muani marcou o seu, evitando a pecha de infame, mas não adiantou muito. Martínez já tinha defendido a penalidade de Comam e Tchoumani tinha chutado para fora. O obscuro lateral Montiel, que com um toque de braço havia cedido o último pênalti da França, deslocou Lloris e deu o terceiro título para a Argentina.


Poucas vezes em nossas vidas ficou a clara e nítida impressão de que a história havia sido feito nos nossos olhos. Nos últimos anos foi muito difícil dizer que uma Copa pertenceu a um único jogador. Isso, desde 1986 com Maradona. Trinta e seis anos depois, podemos dizer que essa Copa foi de Messi. Se faltava algo para transformar Lionel Messi numa lenda viva, agora não falta mais. Porém, com oito gols nessa edição (mais gols desde 2002) e doze no total, Kylian Mbappe caminha a passos largou para chegar próximo aonde Messi está nesse momento. No fim, podemos dizer apenas uma coisa:

Obrigado, futebol!

Com esse post, encerro o ano de 2022 não falando de F1 dessa vez, mas de um momento histórico do esporte e com a esperança de que, assim como domingo, os tricolores acabem perdendo no fim...

Feliz Natal, um 2023 cheio de paz a todos!

sábado, 17 de dezembro de 2022

Sete

 


Ele foi um surpreendente rival de Valentino Rossi bem no auge do italiano na MotoGP. Surpreendente, pois até então Sete Gibernau era considerado apenas um bom piloto, mas sem maiores predicados para se tornar um campeão do mundo, mas ao conseguir um maior apoio da Honda, justamente quando esteve fora da equipe oficial, Gibernau se tornou um piloto de ponta e protagonizou disputas eletrizantes com Rossi, mesmo que sendo derrotado na maioria das vezes. Completando 50 anos nessa semana, vamos conhecer um pouco mais da carreira de Gibernau.


Manuel Gibernau Bultó nasceu no dia 15 de dezembro de 1972 na bela cidade de Barcelona e as motos sempre estiveram presentes na vida do garoto, que logo ficou conhecido por Sete. Gibernau é neto de Paco Bultó, fundador da marca espanhola de motos Bultaco, que inclusive disputou o Mundial de Motovelocidade. Gibernau fazia provas eventuais com motos Bultaco pela Espanha, mas somente aos 18 anos fez sua estreia no campeonato espanhol. Graças ao sobrenome famoso, Gibernau conseguiu rapidamente subir de categoria e apenas dois anos depois de debutar no espanhol, Sete fez sua estreia no Mundial de Motovelocidade, participando do Grande Prêmio da Espanha de 1992 na categoria 250cc. Gibernau disputou por quatro anos o Campeonato espanhol de motovelocidade das 250cc de forma competitiva, mas sem títulos. Sete fez provas pontuais no Mundial das 250cc, mas só fez sua estreia no certame completo em 1996 e mesmo fazendo uma temporada para lá de discreta, Gibernau surpreendeu a todos ao subir para as 500cc em 1997, contratado pela equipe de Wayne Rainey. Numa moto mais potente, Gibernau fez um papel decente em sua Yamaha e marcou alguns pontos no campeonato. Pela primeira vez na carreira e não seria a última, Gibernau se aproveitou do infortúnio de um japonês para conseguir dar um passo em sua carreira. A equipe oficial da Honda testava uma novo moto com seu piloto Takuma Aoki, quando este sofreu um sério acidente que o paralisou da cintura para baixo. Sem muitas opções, a Honda apostou em Gibernau, que entrou como quarto piloto da equipe Repsol Honda e usando uma moto experimental V2. Gibernau conquistou seu primeiro pódio no Mundial em Jarama e Sete ficou fora dos dez primeiros no campeonato.


Quando Mick Doohan sofreu seu sério acidente que finalizaria sua gloriosa carreira no começo de 1999, Gibernau assumiu a moto do australiano e seus resultados melhoraram, subindo mais vezes ao pódio e terminando o campeonato em quinto, mas bem longe do seu compatriota e companheiro de equipe Alex Crivillé, o campeão daquele ano. A expectativa para Sete no ano 2000 era boa e logo na primeira corrida ele marcou sua primeira pole no Mundial, mas esse seria praticamente o ponto alto de Gibernau na temporada. Num ano marcado por várias quedas, Gibernau despencou para 15º no campeonato e acabou dispensado pela Repsol Honda, se mudando para a Suzuki em 2001, no lugar de Nobuatsu Aoki. A mudança parecia promissora para Gibernau, pois a Suzuki vinha de dois anos muito fortes nas 500cc, culminando com o título de Kenny Roberts Jr, porém Honda e Yamaha evoluíram para 2001 e a Suzuki acabou ficando para trás na luta de forças no que seria um ano de transição no Mundial de Motovelocidade, com a entrada das motos quatro tempos. Tanto Suzuki como Roberts estiveram longe de defenderem o título, mas Gibernau surpreendeu ao conquistar sua primeira vitória no Mundial em Valencia, numa prova marcada pela chuva, mas quando a pista secou, Sete estava com os pneus certos e após uma briga fratricida com Alex Barros, derrotou o brasileiro e comemorou a vitória na frente de 120.000 espanhóis. Porém, a Suzuki ficou ainda mais para trás com a chegada das novas regras da MotoGP e Gibernau fez um campeonato opaco em 2002, bem coerente com o pobre equipamento que dispunha. Foram apenas alguns pontos marcados e uma decepcionante 16º posição no campeonato. Até então a carreira de Sete Gibernau não chamava muita atenção e parecia que caminhava rumo a mediocridade. Porém, alguns fatores ajudaram a tornar Sete num piloto de ponta a partir de 2003.


Graças aos seus contatos, Gibernau sempre teve bons patrocínios junto ao seu nome e como a Espanha estava animadíssima com o Mundial de Motovelocidade desde o título de Crivillé, não foi difícil para Sete conseguir uma boa moto para 2003. Apoiado pela Telefônica, Gibernau levou a gigante de telecomunicações espanhola da Suzuki para a Honda Gresini. Mesmo sendo uma equipe satélite, a Gresini tinha como trunfo o japonês Daijiro Kato, queridinho da Honda e no qual a montadora apostava como o próximo grande ídolo nipônico. Por isso, Kato tinha uma moto de fábrica e mesmo trazendo o sempre bem-vindo patrocinador máster, Gibernau ficaria com um equipamento satélite. Porém, a tragédia se abateu sobre a Honda em Suzuka, quando Kato caiu na região da Chicane Casio e morreu. Foi um choque para todos, inclusive para Gibernau. O espanhol herdou o equipamento de Kato e sempre usaria o número 74 do japonês em seu macacão. Na prova seguinte, Gibernau segurou Valentino Rossi para conseguir sua segunda vitória na carreira na África do Sul, num dia emocionante para todos e logicamente dedicado à Kato. Até aquele momento a relação entre Rossi e Gibernau era boa, inclusive com o italiano genuinamente feliz pelo triunfo do espanhol em Welkon. Porém, Gibernau se tornou um piloto de ponta, brigando pela vitória em praticamente todas as provas e na Alemanha, Sete voltou a vencer derrotando Rossi na última curva. Essa vitória marcou a quarta vitória de Gibernau em 2003, confirmando-o como um dos contendores ao título, mas a tensão aumentou entre Gibernau e Rossi devido aos diferentes níveis de status dentro da Honda. Rossi, como piloto de fábrica e então campeão mundial, teve naturalmente prioridade em termos de peças e desenvolvimentos, mas Gibernau, por sua vez, estava naturalmente pressionando para ter o máximo de apoio possível da HRC para aumentar suas esperanças de título. Rossi sempre falava que as motos eram praticamente iguais e segundo a lenda, o italiano chegou a testar a moto de Gibernau para provar isso! Essa tensão dentro da Honda deixava Rossi descontente e no final de 2003 ele surpreendeu a todos ao anunciar sua ida para a Yamaha.


Com o vice-campeonato nas mãos, Gibernau parecia que seria o favorito da Honda em 2004, mas a montadora contratou Alexandre Barros como piloto principal e o debate sobre o apoio da fábrica continuou, com Gibernau ainda pilotando uma Honda de fábrica para uma equipe satélite, enquanto Rossi tinha o apoio total da Yamaha. Como a Yamaha vinha de uma má fase crônica, a Honda tinha tudo para fazer um dos seus pilotos campeão e ainda fechar a boca de Rossi. Gibernau liderou os testes de pré-temporada e era naturalmente um dos grandes favoritos ao título, mas Rossi deu seu recado logo na primeira corrida, quando conquistou sua famosa vitória em Welkon. Sete venceu as duas corridas seguintes em Barcelona e Le Mans, mas sofreria três derrotas consecutivas doloridas para Rossi. Naquele tempo, era comum as corridas da MotoGP ter Gibernau liderando a maior parte da corrida para ser ultrapassado por Rossi no final da prova. Parecia até mesmo ser de propósito! Aquilo mexia no psicológico de Gibernau e por isso o espanhol teve algumas quedas, facilitando ainda mais a vida de Rossi. As hostilidades entre Rossi e Gibernau, após tantas disputas próximas, atingiu o  clímax no Grande Prêmio do Catar de 2004 - palco da última vitória de Sete na MotoGP - quando Rossi foi rebaixado para o final do grid depois que sua equipe foi 'flagrada' limpando ilegalmente seu lugar no grid na noite anterior à corrida. Com ou sem razão, Rossi culpou Gibernau por este protesto 'antidesportivo' e, após a corrida, declarou furiosamente que Gibernau 'não voltaria a ganhar'. Era a famosa praga de Rossi e o praticamente o fim dos tempos áureos de Gibernau no Mundial de Motovelocidade.


A praga de Rossi ficou evidente logo na abertura da temporada 2005, quando novamente ele e Gibernau lutaram pela vitória em Jerez. Na última curva da última volta, Rossi partiu para uma manobra temerária para cima de Gibernau, que acabou na brita. Rossi venceu e foi ruidosamente vaiado pela torcida espanhola. Sete foi ao pódio com cara de poucos amigos e falou algo para Rossi, que pareceu fazer pouco das reclamações de Gibernau. Para muitos, aquela manobra de Rossi foi o início das disputas mais duras e polêmicas que dali em diante marcaram a MotoGP, com reflexos até hoje. Com Rossi em seu auge, o italiano conquistou o título de 2005 de forma tranquila, enquanto Gibernau teve um ano cheio de quedas e problemas com os pneus. Na última corrida do ano em Valencia, Gibernau abandonou com um problema na sua moto no início da prova e a forma como ele ficou em cima da moto, com os braços cruzados desconsolado mostrava bem sua situação difícil naquele momento. Após uma relação conturbada com a Honda, Sete se mudou para a Ducati em 2006, onde novamente seria piloto oficial de fábrica e os primeiros testes com a moto italiana foram promissores, mas a temporada de Gibernau começou com uma falha mecânica enquanto estava no grupo da frente em Jerez e mais infortúnios se seguiram - com destaque para um acidente assustador na curva um em Barcelona, quando ele se tocou com o companheiro de equipe Loris Capirossi. Gibernau quebrou a clavícula na queda, obrigando-o a perder as três corridas seguintes, então, apenas duas corridas após seu retorno, foi necessárias uma nova operação após a placa inserida para curar a fratura ficar enfraquecida, obrigando-o a perder outra corrida. Gibernau retornou no final da temporada, mas uma nova queda fez com que Sete não participasse da última etapa do campeonato. Troy Bayliss assumiu a moto de Gibernau em Valencia e venceu a prova! Com a Ducati tendo contratado Casey Stoner para 2007, Gibernau surpreendeu ao anunciar sua aposentadoria aos 35 anos de idade.


Gibernau tinha algumas ofertas, mas recusou todas elas, percebendo que seu tempo na MotoGP tinha passado. Para colocar sal na ferida, Stoner pegou a moto que seria de Gibernau e foi campeão da MotoGP em 2007, derrotando Rossi. Em 2009 Gibernau fez um breve retorno à MotoGP com uma Ducati satélite, mas quando a equipe faliu após apenas seis corridas, a carreira de Sete Gibernau acabou de vez com 158 corridas, nove vitórias, 32 pódios, 13 poles e os dois vice-campeonatos de 2003 e 2004 na MotoGP como seus melhores resultados. Gibernau  fez um retorno surpresa ao paddock do Mundial em 2019, correndo na nova Copa do Mundo de MotoE pela Pons. Sete conseguiu um sexto lugar como melhor resultado na temporada de estreia da classe de motos elétricas antes de se aposentar para sempre. Piloto educado e bem relacionado, Sete Gibernau é um dos cinco pilotos a venceram nas 500cc e na MotoGP e para sempre será lembrado por sua habilidade na pista molhada. O temperamento forte atrapalhou Sete algumas vezes, principalmente nas disputas diretas com Rossi, que mesmo tendo várias diferenças com Gibernau, já declarou várias vezes que um dos rivais mais difíceis que teve na carreira foi Sete Gibernau.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Figura(2022): Red Bull/Max Verstappen

 Com cinco nomeações cada, Red Bull e Max Verstappen ficaram na parte de cima da coluna. Normalmente desempato a disputa, mas de forma excepcional deixarei os dois como merecedores de destaque de 2022, até mesmo pela força que formam o conjunto Verstappen/Red Bull. Após anos de jejum, a Red Bull mostrou que não desaprendeu a brigar pelo título e com Adryan Newey ainda muito afiado, foi construído um carro que se adaptou a todo tipo de pista no longo calendário da temporada 2022. Houveram alguns problemas de confiabilidade no começo do ano, mas rapidamente foi resolvido e com táticas perfeitas, a Red Bull rapidamente suplantou o favoritismo inicial da Ferrari e quebrou vários recordes nessa temporada. Porém, nada disso aconteceria sem a pilotagem magistral de Max Verstappen. Mesmo tendo apenas 25 anos de idade, colocar o neerlandês como um dos grandes da F1 pelo o que fez esse ano não é nenhum exagero. Verstappen executou uma temporada próxima da perfeição, mostrando que a disputa que travou (e venceu) com Hamilton ano passado o tornou um piloto ainda melhor e mais maduro, transformando Max num piloto praticamente imbatível em qualquer situação. Houveram corridas de levantar as sobrancelhas, como na Hungria, Bélgica e Japão, mostrando que mesmo tendo um grande carro nas suas habilidosas mãos, Max Verstappen sabe tirar um algo mais para ir rumo ao panteão das lendas da F1.

Figurão(2022): Ferrari

 Com cinco nomeações ao longo do ano, a Ferrari 'ganhou' com alguma vantagem estar nessa parte da coluna no balanço de 2022. E não foi para menos. Após iniciar a temporada com pinta que brigaria seriamente pelo título, até mesmo com jeito de favorita, tudo desandou no reino comandado por Mattia Binotto e o campeonato foi de forma tranquila para Verstappen e a Red Bull. Foram erros estúpidos em todos os departamentos da Ferrari. Estratégico, desenvolvimento, político, humano. Desacostumados a brigar pelo título, a Ferrari entrou em pânico quando a Red Bull resolveu seus problemas de confiabilidade e passou a cometer erros de desenvolvimento que acabou afetando a própria confiabilidade dos italianos. Com a Red Bull melhorando seu ritmo de corrida, a Ferrari passou a apostar nas estratégias, mas o que vimos foram equívocos em sequência, que fez aparecer quase que o alfabeto completo a cada corrida, com a Ferrari parecendo tatear para achar uma tática boa para seus pilotos. E muitas vezes não achavam... Por fim, pressionados, os pilotos passaram a errar, como a saída de pista de Leclerc em Paul Ricard. Foram tantos erros, que Binotto acabou sacrificado. Resta saber se a Ferrari aprendeu alguma coisa e evolua em 2023.