segunda-feira, 24 de junho de 2024

Figura(ESP): Max Verstappen

 O Red Bull RB20 claramente não tem mais a dominância que exibia nas primeiras corridas de 2024, mas ainda assim Max Verstappen continua vencendo. A razão disso é que o neerlandês mostra uma superioridade alarmante sobre os demais pilotos, mesmo Lando Norris, hoje o piloto mais próximo dele, fazendo corridas de alto nível, principalmente após sua primeira vitória na F1. No entanto, Max ainda faz muita diferença e em Barcelona, Verstappen controlou a corrida com bastante competência, superando Lando mesmo com a McLaren mais forte. Max foi incisivo na ultrapassagem sobre Russell que fez muita diferença no final da corrida e administrou bem seus pneus, mantendo-se rápido, mas salvando a borracha. A Red Bull não tem mais carro dominante e o projetista de tantos títulos, mas mantém Max Verstappen. E isso está fazendo toda a diferença.

Figurão(ESP): Sergio Pérez

 Ao final do GP da Espanha, a Red Bull tinha menos de cem pontos de vantagem sobre a terceira colocada McLaren no Mundial de Construtores, com a Ferrari ainda mais próxima em segundo lugar. Mesmo com a Red Bull tendo vencido 70% das corridas em 2024. A razão disso tudo é que Ferrari e McLaren pontuam com seus dois pilotos, enquanto a Red Bull sobrevive apenas com Max Verstappen. Nesse final de semana Pérez ainda marcou quatro pontos com um sofrido oitavo lugar, tendo ultrapassado a Alpine, que no início do ano mal ia ao Q2, de Pierre Gasly na última volta. Se a Red Bull perder o Mundial de Construtores desse ano, será muito difícil para Christian Horner justificar a renovação de contra de Checo por dois anos.

domingo, 23 de junho de 2024

Vitória de quem mereceu

 


Numa das mais icônicas pistas da Indy, Alex Palou parece sempre se inspirar no seu xará italiano, inclusive com uma bela ultrapassagem no Saca-Rolha nesse ano, local onde Alex Zanardi se consagrou no automobilismo americano vinte e oito anos atrás. Palou foi praticamente perfeito nesse domingo em Laguna Seca, conquistando todos os pontos possíveis e com isso, assumindo a liderança do campeonato.

Largando da pole, Palou foi surpreendido pelo seu companheiro de primeira fila Kyle Kirkwood, que efetuou uma bela manobra na primeira curva, assumindo a ponta, mas sem ritmo, segurando bastante Palou no primeiro stint de corrida. Isso ficou claro quando começou a primeira rodada de paradas e Alexander Rossi, que vinha em quarto e parou antes que os três primeiros, emergindo na ponta quando todo mundo parou. Palou sofreu com os pneus frios quando saiu dos pits e acabou ultrapassado pela dupla da Andretti, Kirkwood e Colton Herta. No entanto, a primeira bandeira amarela mudou o andamento da prova e Palou não parou, ao contrário da maioria dos pilotos de ponta, tentando abrir vantagem com a cara no vento.

Com o carro mais rápido do dia, Palou ganhou bastante terreno e mesmo numa janela diferente de estratégia, era o favorito a vitória, mesmo com uma enorme polêmica. A Penske vinha fazendo uma corrida pobre, mas Josef Newgarden se aproveitou das bandeiras amarelas para entrar no top-10. A turma que parou na primeira amarela tinha economizar combustível, permitindo à Palou assumir a ponta, inclusive com Alex ultrapassando Herta no Saca-Rolha. Nostalgia pura. Num perigoso acidente onde Marcus Armstrong atravessou a pista descontrolado na frente de dois carros, a bandeira amarela era óbvia, mas a direção de prova demorou a mostrar o pano amarelo. Arriscando na estratégia, Newgarden liderava a corrida e com Armstrong perigosamente parado no meio da pista, fez sua parada final e retornou à pista em segundo, que foi quando a bandeira amarela foi finalmente mostrada, para indignação de praticamente todo o grid. Porém, essa manobra, proposital ou não, foi o início do pesadelo da Penske. Primeiro que McLaughin bateu em Power e quebrou a barra de direção do seu carro, além de fazer Power, líder do campeonato, perder posições. Mais tarde, Newgarden sairia da pistas duas vezes e de segundo caiu para décimo nono. Carma?

De um jeito ou de outro, Alex Palou se manteve impávido na ponta, mesmo com uma sequência quase interminável de bandeiras amarelas nas voltas finais, causando tensão pelas relargadas, com Colton Herta sempre à espreita. No fim, Palou manteve a ponta até a bandeirada, conseguindo sua vitória de número onze na Indy, a segunda valendo pontos em 2024 e rumando para o tricampeonato.

Administração


 Desde os treinos livres estava claro que o desgaste de pneus seria um fator importante na corrida em Barcelona e sua pista de ultrapassagens complicadas. Quem administrasse melhor a borracha e fizesse uma melhor tática, teria bastante vantagem na corrida. Contudo, a Red Bull conta com outro fator que faz muita diferença: Max Verstappen. O neerlandês foi cirúrgico quando ultrapassou George Russell na volta três e pôde controlar a corrida, mesmo que Lando Norris demonstrasse mais uma vez a grande evolução da McLaren, assim como a de sua confiança, terminando em segundo lugar, no mesmo take de Max, depois de uma perseguição implacável no último stint.


A corrida no circuito de Montmeló foi mais tática do que emocionante, com um momento fundamental para a prova espanhola sendo decidida na largada. Separados por dois centésimos na classificação, Lando Norris e Max Verstappen largaram muito bem no apagar das luzes vermelhas, mas tendo o carro por dentro, Max deu um estilingada e estava claramente na frente do inglês, que imediatamente convergiu para cima da Red Bull, chegando a fazer Verstappen ir pela grama, fazendo 'um pouco de rali na reta', como Max disse depois da corrida. Isso fez com que ambos se aproximassem da primeira curva lado a lado, mas com Verstappen em clara vantagem. O que nenhum dos dois percebeu no momento foi que George Russel executava a melhor largada do ano até o momento. O piloto da Mercedes imediatamente ultrapassou Hamilton e pegou o vácuo de Max e Lando, com ambos bem à direita na reta, o que fez Russell ir para a esquerda, no traçado convencional da curva um. Com uma freada no limite, Russell ultrapassou aos dois ponteiros numa bela manobra, com Lando Norris tendo juízo o suficiente para tirar o pé e evitar um acidente com três carros praticamente lado a lado na primeira curva. Mesmo com Max não assumindo a liderança da prova, ficou claro que o grande derrotado do dia já estava definido: Lando Norris.


Assim como aconteceu no ano passado, a McLaren deu um passo gigantesco no desenvolvimento do seu carro, num grande mérito do time comandado por Andrea Stella. Mesmo com Oscar Piastri tendo feito uma corrida medíocre (novamente...), o time papaia inegavelmente é hoje a segunda força da F1 e ao contrário da Aston Martin em 2023, a McLaren incomoda bastante a Red Bull, fazendo o time austríaco suar bastante para manter Verstappen na ponta. Tendo deixado Norris para trás, a ordem para a Red Bull era clara para Max: ultrapassar o mais rapidamente possível George Russell. Bastou que o famigerado DRS estivesse à disposição de Max para ele ultrapassar George no final da reta dos boxes, numa manobra agressiva, mas cirúrgica, principalmente para a estratégia da corrida. Correndo com cara para o vento, Max não se preocuparia com o superaquecimento dos pneus ao ficar preso atrás de alguém, enquanto Lando Norris não teve a mesma facilidade quando se encontrou poucas voltas mais tarde com o compatriota, pois a borracha de Lando não estava na mesma temperatura com que Verstappen encontrou Russell na volta três. Norris e a McLaren teriam que usar a estratégia para deixar Russell para trás. Mesmo Barcelona sendo uma pista de ultrapassagens difíceis, a McLaren arriscou numa tática diferente do grupo que tinha a dupla da Mercedes e também da Ferrari, que brigaram entre si, com vantagem para Sainz após um toque com Leclerc. Enquanto essa turma e Max pararam cedo, indicando uma estratégia de duas paradas, Lando e Leclerc postergaram ao máximo suas paradas, até mesmo imaginando uma tática de uma única parada, mas a realidade era que Norris queria ter pneus em condições bem melhores do que os rivais para efetuar as ultrapassagens necessárias. Mesmo perdendo tempo num primeiro momento, caindo para trás de Hamilton e Sainz, o ritmo de Lando Norris era muito superior e ultrapassou os dois sem maiores problemas.

Porém, George ofereceu bastante resistência ao compatriota, no melhor momento da corrida, quando Russell e Norris percorreram metade de volta trocando posições, até Lando se impor e imediatamente abrir a segura vantagem de 1s para não ser mais atacado por George. Nesse momento, a vantagem de Max era de 9s, a maior que o neerlandês obteve. Mais uma vez Norris mostrou o crescimento da McLaren, tirando a vantagem de Verstappen de forma contínua. Na segunda rodada de paradas, Norris ficou duas voltas a mais do que Max, no que pôde ter sido decisivo no final, pois com pneus macios novos, Max abriu novamente 8s quando Lando parou, desta vez com o inglês em segundo, saindo dos boxes milimetricamente na frente de Russell. As últimas voltas viram uma briga de alto nível, com Norris tirando tudo do seu carro e dos seus pneus, enquanto Max Verstappen administrava sua vantagem com uma pilotagem cerebral, onde não destruiu os pneus e se mantendo rápido. No fim, Max recebeu a bandeirada com pouco mais de 2s de vantagem sobre Lando Norris, numa briga que deverá se repetir outras vezes. Para a nossa alegria. As duas voltas a mais na pista fizeram a diferença a favor de Max? Se Lando tivesse mantido a ponta na largada, a vitória seria sua? Demonstrando o nível que está no momento, Norris saiu do carro chateado, pois ele sabe que poderia ter marcado mais uma vitória, mas o inglês já está num merecido segundo lugar no Mundial de Pilotos.


Mais atrás, Lewis Hamilton conseguia o primeiro pódio da temporada, concluindo uma sequência incrível de dezoito temporadas seguidas subindo pelo menos uma vez no pódio na F1. Lewis teve seu melhor final de semana de longe em 2024, indicando também o crescimento da Mercedes, mas também escancarando uma divisão no time comandado por Toto Wolff. Nessa semana a Mercedes recebeu e-mails dizendo que Hamilton está sendo boicotado, mas hoje quem pode reclamar é Russell. Tendo sido um dos primeiros a parar, após ter forçado bastante para se manter na frente de Norris, George viu Hamilton encostar após sua bela batalha com Lando. Algumas voltas antes, Hamilton estava se defendendo de Norris, mas sem poder contar o DRS por estar a mais de 1s de Russell, virou presa fácil para a McLaren. Custava George ter tirado o pé e ter dado DRS para Hamilton se defender por mais tempo de Norris? Quando as duas Mercedes iniciavam uma briga, o time chamou Russell aos pits, colocando pneus duros no carro de George. A escolha parecia lógica, pois seria um stint longe, se Russell não quisesse parar. Porém, o jovem inglês teve dificuldades com os pneus e como resultado, se viu alcançado por Hamilton, que usou pneus macios usados no último stint. Com um ritmo bem melhor, era lógico a Mercedes pedir a George passar, mas Russell lutou com o compatriota, que efetuou a manobra na curva um, fechando com gosto George, além de tirar o companheiro de equipe da posição de pódio que esteve por dois terços de prova. A Ferrari também viu uma briga próxima entre seus dois pilotos, com um leve toque entre Sainz e Leclerc no começo da corrida, mas com táticas diferentes, a Ferrari escolheu a mesma tática de Russell para Sainz, deixando o espanhol sem ter o que fazer se não deixar Leclerc passar, na frente de sua torcida. 


Na última briga da corrida, Leclerc se aproximou bastante de Russell, mas a corrida acabou antes de um ataque mais incisivo do monegasco, mas fica claro que a Ferrari já está não apenas atrás da McLaren, como vê a Mercedes encostar de forma decisiva nas últimas semanas. Red Bull, Ferrari e McLaren estão separadas por menos de cem pontos no Mundial de Construtores e a razão é que a Red Bull está pontuando basicamente com apenas um piloto, enquanto Ferrari e McLaren tem dois pilotos marcando pontos, mesmo com Piastri tendo feito uma corrida bem mequetrefe nesse domingo. Tão mequetrefe quando Sergio Pérez, que fez uma corrida opaca, sendo até mesmo ultrapassado por Nico Hulkenberg no primeiro stint, fazendo a Red Bull o colocar numa rara estratégia de três paradas, onde Checo teve bastante trabalho antes de ultrapassar a dupla da Alpine, sendo que Gasly só foi deixado para trás na última volta. Muito, muito pouco para um piloto que tem o melhor carro do pelotão, mesmo que não sendo mais tão dominante como no início do ano. Será difícil para Horner justificar a renovação de Pérez, caso a Red Bull perca o Mundial de Construtores esse ano.


Coincidência ou não, a Alpine voltou a marcar pontos com seus dois pilotos no primeiro final de semana com Flavio Briatore como um dos chefes do confuso time gaulês. A Alpine se aproveitou de outro final de semana horroroso da Aston Martin, que deu uma verdadeira marcha ré em comparação ao ano passado e de equipe que pensava em vitória, o time comandado por papa Stroll agora luta para retomar a quinta posição no Power Ranking da F1/2024. Tudo isso, na frente da torcida de Alonso, que não deve estar nada feliz com tamanha queda. Hulkenberg andou bastante tempo na décima posição, mas acabou saindo da zona de pontuação, mas o fato foi que o alemão deu um banho em Magnussen, provavelmente sabendo que está de aviso prévio. Racing Bulls e Williams também caíram bastante em comparação às últimas corridas, fazendo-os entrar na briga com a Sauber para se livrar das últimas posições, numa corrida onde os vinte carros que largaram viram a bandeirada.


Num circuito que sempre favoreceu aos carros projetados por Adrian Newey, mais uma vez o inglês viu uma obra sua vencendo em Barcelona, porém, não se pode negar que o time austríaco já não tem a vantagem de antes, com a chegada de outros times, a McLaren em particular, alavancada pela super confiança que Lando Norris ganhou com a primeira vitória na F1. Porém, a Red Bull ainda pode contar com Max Verstappen para potencializar ainda mais seu conjunto e mesmo sem dominar como antes, Max pode caminhar a passos largos rumo ao tetracampeonato.   

sábado, 22 de junho de 2024

Sinais

 


Entrevistado recentemente, Helmut Marko opinou sobre a recente oscilação da Red Bull, com o time austríaco não mostrando o mesmo desempenho dominante do começo da temporada. Sempre muito pedante, Marko culpou as características dos circuitos onde Max venceu com dificuldades ou nem isso. Mas chegando em Barcelona, falou a veterano dirigente, a Red Bull voltaria ao desempenho anterior. Pois chegamos em Barcelona e Marko pode colocar as barbas de molho. Verstappen se mostrou competitivo, talvez a sua versão mais competitiva das últimas semanas, mas ainda assim Max viu seus rivais mais de perto do que o esperado e de forma surpreendente, Lando Norris conseguiu tirar a pole de Verstappen por meros dois centésimos, mostrando que, sim, a Red Bull tem companhia no momento.

A classificação ocorreu sem maiores surpresas, ao contrário das últimas corridas. A Williams vinha com atualizações que deixou o carro mais 'magro', mas a perda de peso deixou seus dois pilotos na última fila, com Sargeant muito atrás de Albon. A Racing Bulls também veio com algumas novidades, mas o time acabou de fora do Q2 com seus dois carros, demonstrando que as novidades não foram tão boas assim. E falando em novidades, a Alpine foi ao Q3 com seus dois carros no final de semana em que anunciou a volta de Flavio Briatore ao time. Levando-se em conta os antepassados da Alpine, seria uma terceira volta de Briatore à estrutura e não devemos esquecer que, não importando a forma, o italiano conquistou dois títulos em cada uma de suas passagens no time baseado em Enstone, totalizando quatro títulos de pilotos. Será o suficiente para a Alpine parar de passar vergonha?

O Q3 mostrou um Max Verstappen muito forte, parecendo imbatível, mas atrás dele vinha McLaren, Ferrari e Mercedes muito forte. Pérez fez uma classificação opaca, talvez com o mexicano mais preocupado em preparar o carro para corrida, sabendo ele de sua punição de três posições no grid por causa do seu retorno à pista em Montreal. Piastri errou quando fazia um ótimo tempo, mas Norris compensou com uma volta espetacular, tirando o doce da boca de Max com o cronômetro zerado. A pole de Lando, mais a proximidade das demais equipes emitiu sinais claros. A Red Bull tem como grande diferencial no momento o talento de Max Verstappen, que enfiou três décimos para as duplas de Mercedes e Ferrari, que ficaram muito próximas na classificação, enquanto Lando, cada vez mais confiante, fez o suficiente para tirar a pole de Max. O neerlandês ainda é o piloto mais forte e com um ritmo de corrida fortíssimo, poderá muito bem vencer amanhã em Barcelona, mas numa pista que tem como característica ver os carros projetados por Adrian Newey muito fortes, há sinais claros que a dominância da Red Bull pode estar perto do fim. 

domingo, 16 de junho de 2024

Bi da Ferrari

 


Não foi tão disputado e aberto como no ano passado, mas não podemos dizer que faltou emoção em Le Mans em 2024. Ferrari e Toyota lutaram palmo a palmo pela vitória numa corrida marcada pela chuva e intermináveis horas atrás do Safety-Car. No fim, o carro de número 50 de Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen derrotaram o Toyota de José María López, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, tendo que enfrentar um pit-stop fora de hora por causa de uma porta e uma economia de combustível extrema para chegar até a bandeirada, superando os nipônicos por meros 14s após 24 horas. Após quase sessenta anos fora de Le Mans e de forma oficial do Endurance, a Ferrari voltou com força e conquistou o bicampeonato em Sarthe.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Figura(CAN): Max Verstappen

 Mais uma vez Max Verstappen não teve o melhor carro destacado. E mais uma vez ele fez a diferença! O neerlandês tirou leite de pedra para marcar o mesmo tempo de George Russell na classificação, marcando um raro empate na pole-position, mesmo que Max tivesse que sair em segundo. Na corrida, com uma clima inconstante, Verstappen soube controlar a força da McLaren de Lando Norris e praticamente não errou para conseguir mais uma vitória na base do seu talento, chegando à sexagésima vitória na carreira.