domingo, 26 de julho de 2020

Dupla de Fabio e trinca da Yamaha

Muito se fala que após a sua primeira vitória, o piloto ganha ainda mais confiança e os triunfos seguintes aparecem de forma natural. A primeira vitória de Fabio Quartararo já tinha batido na trave algumas vezes na temporada passada, mas na semana anterior ela não escapou. O francês ainda correu alguns riscos na semana passada, contudo, não foi o caso nesse domingo. Quartararo foi bem simples em sua segunda vitória consecutiva: largou bem da pole, despachou os rivais e recebeu a bandeirada com ampla vantagem para as duas Yamahas de fábrica.

Debaixo de um calor quixadaense, Jerez viu uma prova marcada por vários abandonos, incluindo quebras mecânicas, algo raro na MotoGP. Se na semana passada Quartararo vacilou na largada e teve que fazer algumas ultrapassagens antes de assumir a ponta, dessa vez o francês da SIC Petronas Yamaha não deu essa deixa para os seus adversários, vencendo com enorme categoria e já disparando na liderança do campeonato. A tentativa até mesmo desesperada de Márquez voltar às pistas apenas três dias depois de operar seu braço direito fraturado tinha muito a ver com a performance de Quartararo. Márquez sabe muito quem é seu grande rival ao título e que havia uma boa chance do espanhol começar a disputa pelo título com 50x0 contra logo de cara, o que acabou acontecendo. O bom senso prevaleceu com Márquez nem indo para a classificação, com seu braço direito flagrantemente inchado, mas o espanhol da Honda sabe que está encrencado pensando no campeonato.

Com Quartararo disparado na frente, a briga ficou pela segunda posição e não faltaram concorrentes a ocupa-la, mas o forte verão europeu foi eliminando alguns deles. Rossi conseguiu uma excelente largada e ficou a maior parte da corrida nessa posição. Primeiro ele foi ultrapassado pelo seu pupilo Francesco Bagnaia, que surpreendia ao colocar a sua Ducati satélite não apenas na frente das motos de fábrica, como conseguindo um ritmo promissor, que fatalmente o levaria ao segundo lugar, se seu motor não entregasse os pontos no fim da prova, num abandono de cortar corações. O mesmo aconteceu com Franco Morbidelli, que estava se encaminhando para um tranquilo pódio quando sua Yamaha lhe deixou na mão. O sempre desastrado Jack Miller escorregou na baba ainda na metade da prova. 

Maverick Viñales foi a grande decepção do dia, ao não conseguir seguir no ritmo de Quartararo, quando deu indícios que seria o único a fazê-lo. O espanhol chegou a cair para sexto, mas foi se aproveitando dos abandonos e no fim, superou seu companheiro de equipe Rossi para salvar outro segundo lugar, mas Viñales dá mostras que, mesmo rápido, não tem estofo para bater de frente com Márquez e ainda corre o risco de ano que vem ter que receber um piloto capaz disso, que é Fabio Quartararo. 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

História de um cancelamento anunciado

No começo da tarde de hoje, a FIA e a Liberty anunciaram o óbvio. Se no começo de 2020 o epicentro da pandemia do Covid-19 estava na Ásia, nesse momento está nas Américas, cujos alguns governantes vem tendo atitudes no mínimo irresponsáveis para deter a pandemia. Ou no caso, não detê-la. Com isso a F1 não passará pelo Novo Mundo pela primeira vez em sua história, lembrando que nos anos 1950 a F1 tinha como uma de suas etapas as 500 Milhas de Indianápolis.

Para compensar a perda de Canadá, México, Estados Unidos e Brasil, a F1 anunciou três novas provas na Europa, sendo dois retornos e uma novidade. Ímola e Nürburgring voltam ao circo da F1 com circuitos ligeiramente renovados, mas com amplas condições de ter de volta a F1. Já o circuito de Portimão sempre foi considerado um dos melhores autódromos que ainda não receberam a F1, com um traçado seletivo e cheio de altos e baixos. A F1 ganhará três ótimos circuitos para tentar amenizar a saída dos quatro belos circuitos perdidos pelo Coronavírus. Além disso, Portugal voltará a receber a F1 depois de 24 anos, enquanto a Itália terá três etapas esse ano.

Com a pandemia ainda matando mil brasileiros por dia, mesmo que minimizada pelo máximo governante do país, o cancelamento do Grande Prêmio do Brasil era favas contadas, apenas confirmando o óbvio. Só nos resta torcer que, quando o mundo normalizar, Interlagos esteja de volta à F1.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Figura(HUN): Red Bull

A Red Bull não acertou o acerto do carro em nenhum momento, seus pilotos largaram abaixo da terceira fila e o pódio de Max Verstappen foi muito mais mérito do holandês do que do carro. Contudo, o pequeno milagre de Verstappen se deveu a alguns homens comprometidos com a equipe e usuários do lema de 'desistir jamais!' O que os mecânicos da Red Bull fizeram nos minutos anteriores a largada foi algo digno de nota! Porém, tudo começou com um erro do holandês. Quando levava seu carro ao grid, com a pista úmida, Max acabou saindo da pista, quebrando a asa dianteira e, pior, quebrando a suspensão dianteira esquerda. Parecia um abandono certo ou até mesmo com Verstappen tendo que largar dos boxes. Não para a turma de Christian Horner. Os mecânicos bateram recordes de consertos e ajustes naqueles angustiantes minutos. No último momento, o carro estava OK. Tudo o que Verstappen teria que fazer era honrar o trabalho dos mecânicos da Red Bull e Max se redimiu ao separar os dois carros dominantes da Mercedes. Uma pequena vitória para pessoas que raramente são lembradas, mas que nesse domingo foram os destaques do dia!

Figurão(HUN): Ferrari

Dessa vez a Ferrari colocou seus dois pilotos no Q3 e Vettel conquistou um sexto lugar em Hungaroring. Um feito e tanto pelo o que aconteceu nas duas corridas anteriores, mas muito, muito pouco para uma equipe como a Ferrari. No entanto não faltaram erros básicos estratégicos na corrida que acabaram atrapalhando Charles Leclerc e somente a experiência de Vettel salvou um pouco a corrida ferrarista. A prova magiar começou até bem para os vermelhos, com os dois carros da Ferrari dando um bom pulo na frente, mas com a pista molhada secando rapidamente, era claro que os pits seriam visitados rapidamente para colocar pneus slicks. Mas qual pneu usar? Havia uma previsão de chuva para alguns minutos. A Ferrari resolveu então colocar pneus macios em seus dois pilotos. Quando foi chamado para os boxes para colocar pneus macios, Vettel imediatamente questionou a equipe e salvou o dia da Ferrari. O alemão pediu pneus médios. O pneu macio simplesmente se desgastava rápido demais em pista seca e o serviço meteorológico húngaro ainda não havia acertado uma. O coitado do Leclerc voltou à pista com pneus macios, a esperada chuva realmente não veio e isso acabou transformando a corrida do monegasco num calvário, fazendo-o ficar 6s da Haas em determinado momento. Sem ritmo a corrida toda, Leclerc foi ultrapassado pelo ascendente McLaren de Carlos Sainz (futuro companheiro de equipe de Charles) nas voltas finais, saindo dos pontos. Num circuito mais travado, a falta de potência da Ferrari ficou escondida e se não fosse os erros táticos (mais um) da equipe de Maranello, talvez Leclerc estivesse no mesmo patamar de Vettel no final da corrida. A falta de potência nos motores Ferrari é latente, com não apenas os carros italianos, mas também Haas e Alfa Romeo sendo os mais lentos em velocidade de ponta. Com a F1 praticamente congelada para 2021 devido à pandemia, o futuro a curto-médio prazo da Ferrari não é nada animador, já que a boa velocidade em curvas não compensa em melhorar a situação da Ferrari. Uma situação que ameaça muita gente, principalmente o chefão Mattia Binotto.

domingo, 19 de julho de 2020

Acima das expectativas

Quando a Mercedes começou a temporada 2020 com um carro muito superior às demais, aliado ao declínio de Red Bull e, principalmente, Ferrari, as expectativas para as corridas desse ano são sempre muito baixas, porém, assim como aconteceu no segundo semestre do ano passado, a F1 está até surpreendendo com corridas longe de serem paradas, como a prova em Paul Ricard de 2019. Em Hungaroring, uma chuva que molhou a pista nas primeiras voltas misturou o coreto um pouco, mas para um piloto que está cada dia mais próximo da categoria de lenda viva, isso não chega a ser exatamente um problema. Lewis Hamilton por muito pouco não fez o chamado Grand Chelem, que é vitória, pole, melhor volta e liderança de ponta a ponta. Uma volta liderada por Verstappen impediu isso, mas para alguém que tem tantos números superlativos, Hamilton não deve se importar muito, já que o inglês já assumiu o posto onde sempre este acostumado a estar nos últimos anos: na frente de todo mundo.

O sistema meteorológico húngaro não parece dos mais confiáveis. No sábado havia previsão de 90% de chuva e a classificação se deu com pista seca. Já a previsão para hoje era de apenas 10% de chuva. E hoje choveu. Talvez não o suficiente para atrapalhar Hamilton. O início com piso molhado foi decisivo principalmente para o segundo piloto da Mercedes e único rival de Hamilton esse ano. Bottas largou pessimamente, caindo para sexto na largada, enquanto Hamilton abria 3s de frente para o segundo colocado Stroll na primeira volta para não ser mais visto. O único suspense para Lewis nesse domingo era escolher a hora certa para colocar os pneus slicks e esperar que os pajés húngaros errassem novamente e não voltasse a chuva. E foi exatamente isso que aconteceu. Ainda na terceira volta Hamilton colocou os pneus slicks, os corretos para a ocasião, e houve apenas uma leve garoa no meio da corrida, mas nada que parasse Lewis, que ainda se deu o luxo de fazer uma parada no final da corrida para colocar pneus macios e garantir a melhor volta da corrida na última passagem. Por mais que haja uma torcida para condições traiçoeiras nas corridas, as pessoas se esquecem que Hamilton é um mestre nesse tipo de situação, além de contar com uma equipe entrosada, que raramente erra na estratégia. Hamilton já lidera o campeonato e somente um incidente parecido que afetou Marc Márquez nesse domingo parará o inglês.

A má largada de Bottas fez com que o nórdico tentasse apenas controlar os danos e pelo carro que tem, Valtteri ficou um pouco abaixo do que pode. Ele precisou que a Mercedes antecipasse sua parada para ultrapassar Stroll, já que na pista Bottas não conseguiu, e chegou tarde demais atrás de Verstappen para emular Hamilton no ano passado e efetuar uma ultrapassagem consagradora sobre o holandês nos últimos momentos. Porém, Bottas não é e provavelmente nunca será Hamilton. Por mais que se esforce, Bottas sempre estará um ou mais patamares atrás de Hamilton. Já Verstappen com certeza guardará a corrida de hoje com muito carinho. O domingo do holandês começou de forma dramática quando escapou da pista na volta de alinhamento, quebrando o bico de seu Red Bull afetando a suspensão dianteira esquerda. Haviam dúvidas se Max largaria de sua posição, mas o neerlandês não apenas largou, como conseguiu uma largada espetacular, pulando para terceiro e logo depois da rodada de paradas, ficou em segundo, posição que manteve até o final da prova. Uma corrida para recordar, pois a Red Bull se mostrou um carro desequilibrado em todo o final de semana, condição que deve ter piorado com o toque antes da largada, e Verstappen se manteve a frente da poderosa Mercedes de Bottas por mais da metade da corrida. Já dá para dizer que Verstappen leva o seu carro nas costas. O mesmo não pode ser exigido por Albon, que ainda fez uma corrida de recuperação, subindo de 13º para quinto, se aproveitando de um erro de Vettel no final e conquistando bons pontos no Mundial de Construtores. Afinal, tendo como vizinho de box Max Verstappen, é isso que é esperado de Albon.

A ótima largada dos seus pilotos foi apenas uma ilusão para a Ferrari, que se não bastasse os problemas no conjunto carro-motor, ainda sofre com falhas de estratégia. Quando todos os pilotos foram aos pits colocar pneus slicks, Leclerc foi o único a usar os pneus macios, com a Ferrari acreditando piamente nos pajés húngaros e que a chuva voltaria. Como se sabe, ela nunca voltou e a corrida de Leclerc foi para o brejo, com o monegasco chegando a tomar 6s de um carro da Haas e atrapalhando o ritmo de Carlos Sainz no final, acabando por ser ultrapassado pelo espanhol da McLaren e ficando fora dos pontos. Vettel ainda salvou um sexto lugar, não sem antes cometer um erro nas voltas finais que lhe valeu uma posição para Albon. Dá para dizer que a mira da Ferrari é mesmo os carros de McLaren e Renault, pois Red Bull e Racing Point já parece ser um alvo mais complicado para a trupe de Mattia Binotto. Lance Stroll chegou a sonhar com o pódio, mas o canadense teve que se conformar com uma boa e solitária quarta posição. A péssima largada de Pérez definiu a posição do mexicano para o resto da tarde, deixando-o apenas em sétimo. Muito pouco para quem vê sua posição ameaçada por Vettel em 2021. Contudo, fica bem claro que talvez o ponto fraco da Racing Point fique naquela pecinha entre o volante e o banco dos seus carros. Se Vettel for confirmado, a Racing Point, que se transformará em Aston Martin ano que vem, poderá ter um piloto a altura do seu carro. Isso, se a FIA permitir a cópia descarada do carro da Mercedes.

No meio do pelotão o grande destaque foi o pulo do gato da Haas, que trouxe seus pilotos para os pits ainda na volta de apresentação, colocando pneus slicks em Magnussen e Grosjean, fazendo-os ficar em segundo e terceiro em determinado momento. Óbvio que isso não durou muitas voltas, mas garantiu preciosos pontos com o nono lugar de Magnussen, enquanto Grosjean caiu feito uma pedra jogada do quarto andar, terminando longe dos pontos. Ricciardo levou a Renault ao oitavo lugar e próximo de Pérez, o que julgando o carro que o mexicano tem, foi algo bem impressionante, da mesma forma que impressiona a falta de ritmo de Ocon, promissor piloto que está ficando muito distante de Ricciardo nesse início de ano. A McLaren não conseguiu se aproveitar da pista molhada e seus pilotos perderam muito ritmo, com Sainz salvando um pontinho ao ultrapassar Leclerc nas voltas finais, enquanto Norris esteve longe dos pontos a corrida inteira. Latifi chegou a correr em décimo com pista molhada, mas a Williams saltou o novato canadense na hora errada, tocando em Sainz e furando o pneu de Latifi, que acabou a corrida três voltas atrasado, com Russel logo à sua frente. A dupla da Alfa Romeo, que largou na última fila, conseguiu superar a Williams como a pior equipe no dia magiar, mas só demonstra mais uma vez a falta de ritmo dos carros clientes da Ferrari, valorizando ainda mais os pontinhos de Magnussen pela Haas. Gasly foi o único abandono do dia, com o motor Honda, que já vinha avisando que ia quebrar desde sábado, estregando os pontos na corrida, enquanto Kvyat não foi visto.

A vitória de Hamilton era esperada e ocorreu sem maiores dramas, mas havia potencial de que algo pudesse ocorrer com o inglês, que usou seu gigante talento para driblar as cascas de banana e vencer com tranquilidade, assumindo a liderança do campeonato. O favoritismo da Mercedes permanece intacto, mas as últimas corridas foram mais interessantes do que o esperado, mesmo que da segunda posição para baixo. Verstappen talvez seja o único piloto com estofo para bater de frente com Hamilton, mas enquanto a Red Bull não lhe entregar um carro à sua altura, podemos nos contentar com exibições miraculosas como a de hoje. Bottas está mais para um Heikki Kovalainen do que um Nico Rosberg. E Hamilton agradece.

Primeira vitória e muito mais

Para quem acompanha a ascensão impressionante de Fabio Quartararo na MotoGP sabia que a primeira vitória do francês era apenas uma questão de tempo. A história de Cinderela de Quartararo, quando chegou ao Mundial como prodígio, não conseguir os resultados esperados na Moto2 e Moto3 e a criticada subida à MotoGP para se tornar a grande revelação dos últimos tempos teve mais um capítulo hoje, na primeira etapa da truncada temporada 2020, com Fabio confirmando o que dele se esperava com uma vitória categórica em Jerez. Porém, as circunstâncias podem fazer desse triunfo de Quartararo apenas mais uma escalada para algo maior.

A grande notícia desse final de semana do esporte a motor foi o grave acidente de Marc Márquez, que poderá até mesmo definir os rumos do campeonato desse ano. O espanhol da Honda estava fazendo o seu conhecido papel até a terceira volta da prova. Márquez largou bem, ultrapassou Maverick Viñales e liderava rumo a vitória quando saiu da pista na quarta volta. Foi um verdadeiro milagre Márquez ter se mantido em pé em outra das características do espanhol: suas conhecidas salvadas. Caindo para 16º, logo à frente do seu irmão Alex, Marc Márquez imprimiu um ritmo alucinante para uma agressiva corrida de recuperação. Não faltaram toques e enfiadas por dentro de Márquez. Quando já se encontrava em terceiro nas voltas finais, ocorreu o grande acidente que pode definir muita coisa. Na mesma curva aonde havia saído da pista, Márquez sofreu o chamado high-side e saiu rolando pela brita espanhola. Márquez chegou a sair andando do local, mas não demorou aparecer imagens de Márquez sendo imobilizado numa maca rumo a uma ambulância. Durante a corrida da F1 foi constatada uma delicada fratura no braço direito de Márquez, que requererá uma cirurgia ainda nessa terça-feira. Não se sabe o tempo de recuperação.

Quartararo acabou com um jejum de 21 anos de vitórias francesas na categoria premier do Mundial de Motovelocidade, além de ter dado a primeira vitória a sua equipe, a Petronas, porém, o jovem de 21 anos de idade pode estar se tornando o maior favorito ao título de 2020. A forma como se recuperou da má largada e se distanciou do pelotão indicava que Quartararo venceria mesmo se Márquez permanecesse na pista até a bandeirada. Mesmo Maverick Viñales tendo um moto oficial, Fabio foi bem superior ao seu futuro companheiro de equipe e com poucas voltas para o fim, Márquez não teria tempo hábil para chegar em Fabio. Numa pista que nunca favoreceu a Ducati, um empenado Andrea Doviziozo (o italiano havia quebrado a clavícula num acidente de motocross) ainda conseguiu um pódio, superando nas últimas voltas Jack Miller. Pol Espargaró provou que o investimento que a Honda está fazendo nele para 2021 poderá valer a pena, com o espanhol levando a KTM para um bom quinto lugar, enquanto a chegada de Alex Márquez, que sempre se mostrou um piloto superestimado nas categorias de base, foi mais um agrado à Marc. O mais jovem dos Márquez ficou sempre nas últimas posições, muito pouco para quem tem uma Repsol Honda nas mãos. Outro que foi bem mal foi Rossi, abandonando com problemas em sua moto quando estava apenas numa pálida nona posição e longe do pelotão da frente.

Os pilotos de motos são pródigos em recuperações milagrosas, mas esse acidente de Marc Márquez poderá afetar o ritmo do espanhol da Honda, que dificilmente estará apto para correr semana que vem em Jerez. E mesmo que corra, Marc estará muito longe dos 100%, perdendo praticamente duas corridas num campeonato bem curto. No dia de hoje, o único piloto que tinha alguma chance de competir contra Marc Márquez seria mesmo Fabio Quartararo. Se o francês manter a cabeça, poderá começar o campeonato com 50 pontos de frente à Márquez num campeonato compacto. A temporada 2020 da MotoGP começou de forma parecida com os outros tempos, numa corrida emocionante, mas o acidente de Márquez poderá nos trazer mais surpresas para o campeonato desse ano.

sábado, 18 de julho de 2020

Difícil defender

Hungaroring é um circuito bem diferente de Spielberg e, quem sabe, a diferença da Mercedes para as demais poderia diminuir, certo? Completamente errado! Lewis Hamilton bateu o ponto para conseguir sua pole de número 90, sem dúvida nenhuma um número incrível, mas que o histórico inglês mal suou seu belo macacão preto. Bottas completou a dobradinha numa pilotagem burocrática, bem de acordo com o nórdico. Então veio um abismo para as demais, liderada de forma surpreendente por Lance Stroll.

A classificação de hoje teve de suspense apenas as nuvens negras ameaçadoras no horizonte, mas não houve pista molhada e, sim, houve alguns desempenhos bem interessantes, como a Williams colocar seus dois carros no Q2, com George Russell marcando um tempo menos de um décimo atrás de Verstappen. Com a Ferrari tendo o pior motor de 2020, Haas e Alfa Romeo agora brigam para não ficar com a última fila, que na Hungria ficaram com os italianos. Pela draga que está 2020, a Ferrari colocar seus dois carros no Q3 foi marcante, mas ainda assim muito longe da Mercedes, que dominou todo o final de semana com uma facilidade que lembrou bastante os anos de ouro da Ferrari de Schumacher e companhia bela.

O atual domínio da Mercedes não era tão enfático como o da Ferrari, quando Schumacher e Barrichello completavam dobradinhas em todas as sessões, com diferenças até mesmo superiores a 1s na classificação. Dá para dizer que a Mercedes conseguiu isso hoje. Muitos méritos por uma equipe gerida de forma espetacular por Toto Wolff, que tem entrosamento e um piloto que faz realmente a diferença com Lewis Hamilton. Porém, não dá para negar a fraqueza das suas principais rivais. Se Red Bull e Ferrari andavam próximas no segundo semestre de 2019, esse ano estão tomando 1.5s, lembrando o que foi a temporada de 2004. Max Verstappen fez o que pôde com um carro desequilibrado, mas acabou se conformando com um melancólico P7, atrás até mesmo da claudicante Ferrari. Albon foi outra decepção, ficando sete décimos atrás de Max no Q2 e tomando tempo até da Williams de Russell. Isso, em outros tempos da Red Bull, poderia significar rebaixamento sumário, mas Helmut Marko simplesmente não tem jovens pilotos no estoque. Outro que não dá para defender é Sergio Pérez. O mexicano é um bom piloto, mas tomar tempo de Lance Stroll pega muito mal para um piloto que está vendo sua vaga ameaçada por Vettel, que tem todo um lobby a apoia-lo a ficar na F1. Além de todos saberem que Stroll só estar nessa posição por ser filho do dono da equipe.

Red Bull vem tendo um péssimo final de semana, o mesmo acontecendo com Albon, Pérez e as clientes da Ferrari. Nesse novo normal, a Ferrari até teve um brilhareco nesse sábado. Sendo mais fácil copiar do que criar, a Racing Point by Stroll ficou como segunda força com um carro idêntico a Mercedes e a equipe alemã não tem nada com isso. Não se pode culpar uma equipe por ser mais eficiente do que as outras, além das rivais estarem em dificuldades. Prognósticos? Somente se uma chuva fora de hora amanhã atrapalhar Hamilton e a Mercedes.