domingo, 8 de novembro de 2026

E Interlagos entregou

 


Talvez a corrida desse domingo não tenha sido tão caótica como em outros anos e as surpresas não tenham aparecido com tanta frequência em Interlagos nessa edição 2026, mas não se pode negar que a etapa paulistana foi movimentada e com a tensão de quando o clima instável do microclima que tem em Interlagos pregasse alguma peça em cima dos pilotos. Lando Norris novamente largou mal, mas quando assumiu a liderança após o erro de um irreconhecível Andrea Kimi Antonelli o inglês desfilou rumo a sua segunda vitória consecutiva em Interlagos, consolidando Lando como um dos grandes pilotos do palco paulistano, contudo, Norris ainda fica bem abaixo de Max Verstappen, que parece querer sempre expor sua genialidade de forma plena, executando outra corrida enorme, saindo da vigésima primeira posição rumo ao segundo lugar, tendo seu companheiro de equipe Hadjar lhe fazendo companhia. E num dia em que a Mercedes não subiu ao pódio, o time de Toto Wolff confirmou mais um título no Mundial de Construtores.


Após a enorme chuva que caiu no sábado e que afetou a classificação decisivamente, o domingo em Interlagos amanheceu com o clima carrancudo e com a típica garoa paulistana. Era esperado uma tempestade, o que poderia transformar a edição de 2026 em outra corrida problemática para pilotos, equipes e organização, mas como a chuva era fina, não houve grandes problemas para que a largada fosse dada na hora marcada, com todos os pilotos escolhendo pneus intermediários. Já entrou para o folclore da F1 as largadas ruins de Lando Norris quando ele sai da pole e mesmo que o título do ano passado tenha diminuído essa característica do inglês da McLaren, os velhos fantasmas de Norris surgiram e na pista escorregadia de Interlagos, Lando foi atropelado por Antonelli e na segunda perna do Esse do Senna, Lando ainda foi ultrapassado por Lawson, que se portara muito bem largando nas duas primeiras filas de um Grande Prêmio pela primeira vez. O que mais impressionou quem acompanhava a primeira volta foi a espetacular saída de Lewis Hamilton, que pulara de vigésimo para nono ainda na reta oposta! 

Em seu melhor momento no final de semana, Andrea Kimi Antonelli abriu uma boa distância nas primeiras voltas, com Lawson segurando Norris, seguido por Hadjar e Russell. Mostrando toda a sua velocidade em piso escorregadio, Hulkenberg era sexto colocado, mas a pista claramente estava menos molhada do que os pilotos imaginaram. Os principais pontos molhados em Interlagos era justamente entre a Junção e o Esse o Senna, com um trilho ficando cada vez mais claro no resto do circuito. Norris esperou cinco voltas antes de ultrapassar Lawson, mas já vinha com 5s de desvantagem para Kimi, enquanto vários pilotos com carros das equipes top começavam a flexionar seus músculos. Piastri pulara para oitavo, mas era segurado por Albon, enquanto Verstappen fazia uma corrida de recuperação que lembrou suas remontadas de 2024 e 2025. Max cruzou a primeira volta em 13º e se Hamilton estancou em nono após sua primeira volta relâmpago, Verstappen permaneceu insaciável nas voltas seguintes. O piloto da Red Bull não tomou conhecimento de Hamilton e Piastri, que se engalfinhavam atrás de Albon e por sinal, se Lewis e Oscar tiveram dificuldades de deixar o piloto da Williams para trás, Verstappen atropelou o anglo tailandês. Lawson perdia rendimento e foi ultrapassado em voltas seguidas por Hadjar e Russell, enquanto Max já ultrapassar Hulkenberg. Após todo o entrevero no México, tudo o que Lawson queria era estender o tapete vermelho para Verstappen, que assumiu o quinto lugar em menos de onze voltas.


Nesse momento os pilotos conversavam freneticamente com suas equipes para escolher o melhor momento de colocar pneus slicks. Hamilton era o mais impaciente, pois a pista estava nitidamente seca em mais de 70% do traçado e foi Lewis quem foi o primeiro a entrar nos pits e colocar a borracha macia para piso seco. Mesmo ainda aquecendo seus pneus, Hamilton marcou o melhor segundo setor da corrida, ligando o sinal para que todas as equipes trouxessem seus pilotos para os pits. Russell cometeu um erro ao rodar na saída dos pits, quase provocando um incidente sórdido, mas tirando a perda de tempo e mais uma mancha em sua temporada 2026, Russell continuou normalmente a corrida. Contudo, Antonelli teve sérios problemas com seus pneus slicks e tendo parado uma volta depois de Norris, o italiano rodou no Esse do Senna, entregando a liderança para o piloto da McLaren. Kimi estava em pânico no rádio, reclamando do comportamento do seu carro, tanto que o italiano, que fez um campeonato próximo da perfeição em 2026, errou novamente e com um ritmo ruim, acabou superado pela dupla da Red Bull. 

Após toda a tensão de uma largada com piso úmido e ela ter secado rapidamente, a corrida se acomoda. Norris liderava com boa vantagem sobre Hadjar, que fazia uma bela corrida e de certa forma controlava a vantagem sobre Verstappen. O problema no comportamento da Mercedes pareceu diminuir na medida em que os pneus ganharam temperatura e Antonelli se consolidava em quarto, seguido de longe por Piastri e um ótimo Lawson. Mesmo tendo pouco espaço para manobrar após seu erro bizarro na saída dos pits, Russell melhorou seu ritmo com pneus slicks e após ultrapassar Hulkenberg, tentava uma aproximação em cima de Lawson. Mesmo sendo um dos primeiros a parar, a Ferrari não conseguia evoluir com seus pilotos, com Hamilton demorando bastante para superar Lindblad e Leclerc tomando pressão até da Alpine de Colapinto. Com todos os pilotos colocando pneus macios para ter bastante aderência no momento crítico de transição de piso úmido para seco, era claro que a grande maioria do pelotão iria fazer mais uma visita aos pits. Com pouco mais da metade da corrida, Hadjar cometeu um ligeiro erro no Esse do Senna, permitindo a aproximação de Verstappen e isso foi a deixa para a Red Bull trocar seus pilotos de posição, enquanto que no horizonte, o céu paulistano ficava mais e mais escuro. A chuva se aproximava de Interlagos.


Os pilotos estenderam ao máximo seus stints esperando a chuva, mas com os pneus muito desgastados, a grande maioria foi aos pits pela segunda vez. Porém, logo depois os primeiros pingos de chuva começaram a cair na câmeras e nas viseiras dos pilotos. Era uma chuva tão fina que nem atrapalhou o ritmo dos pilotos, mas quando a garoa se transformou numa chuva fraca, novamente um enxame de carros foi para os pits atrás dos pneus intermediários. O timing das equipes foi tão bom como na primeira troca de pneus e mesmo a chuva tendo caído mais forte exatamente na última volta, as posições não mudaram muito e Lando Norris recebeu a bandeirada em primeiro lugar com boa vantagem sobre Max Verstappen. A McLaren foi a única equipe a trazer atualizações para Interlagos e mesmo assim, já pensando em 2027. Norris fez uma boa classificação no molhado e mesmo perdendo a ponta na largada, aproveitou os erros de Antonelli para vencer pela terceira vez em 2026 e mostrar que o título do ano passado o fez pilotar melhor, sem a pressão massacrante de conquistar seu primeiro campeonato.


Mais uma vez Verstappen mostrou que tem uma relação especial com Interlagos, fazendo mais uma corrida de recuperação impressionante, executando várias ultrapassagens no momento em que a pista estava úmida, justamente aonde o talento do piloto faz realmente a diferença. Mesmo reclamando do ritmo do seu carro após sua segunda parada, Max fez outra grande remontada e com o segundo lugar disparou na segunda posição no campeonato, se consolidando para conquistar mais um vice-campeonato. Hadjar se manteve entre os primeiros em boa parte da corrida e por algumas voltas controlou o ritmo de Max, mas um ligeiro erro fez com que a Red Bull ordenasse a troca de pilotos, mesmo com alguma reclamação de Isack, mas o tempo mostrou que Max tinha mesmo o melhor ritmo. Mesmo com a vitória de Lando, a McLaren viu a Red Bull se distanciar na luta que trava com os austríacos pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores, muito por outra corrida apagada de Oscar Piastri, que terminou a prova em sexto. Impressionantes 56s atrás do companheiro de equipe. Mais uma atuação para esquecer do jovem australiano, mas que está se tornando uma constante em 2026.


A Mercedes só precisava fazer três pontos a mais do que a Ferrari para consolidar o título do Mundial de Construtores e com a corrida horrorosa dos italianos, a Mercedes não precisou fazer uma corrida grandiosa para conquistar seu nono título. Antes da corrida Antonelli saiu da pista na volta de alinhamento, iniciando uma corrida errática de Kimi, que saiu da pista algumas vezes e quando colocou pneus intermediários novamente, cedeu sua posição para Russell, que após a presepada na saída dos boxes, evoluiu bastante e terminou em quarto lugar, com Kimi logo atrás. A Ferrari não tinha ritmo em nenhum momento da corrida, seja em piso úmido ou seco. Depois de insistir em parar mais cedo para colocar pneus slicks, Hamilton chegou a rodar com os pneus slicks na pista já molhada e bateu de leve na Curva do Café. Leclerc esperou a chuva e não fez uma segunda parada para pneus slicks, ganhando bastante tempo com a manobra, porém, o monegasco iniciou uma briga com Lawson pela sétima posição e tocou o carro de Liam para ganhar a posição, mas a FIA puniu Charles pelo incidente e Leclerc acabou mesmo em oitavo, com Hamilton logo atrás, mas uma volta atrás.


Mesmo com o emprego em risco, Lawson foi mais uma vez o grande piloto do pelotão intermediário, chegando na frente da dupla da Ferrari e marcando pontos que podem ser decisivos para que a Racing Bulls consiga o desejado quinto lugar no Mundial de Construtores. Outro destaque foi Nico Hulkenberg, que andou boa parte da corrida da zona de pontos e mesmo punido em 10s por ultrapassar por fora da pista, o alemão da Audi ainda terminou em décimo. Ao contrário do seu companheiro de equipe, Gabriel Bortoleto fez uma corrida bem abaixo, ficando sempre longe dos pontos e terminando mais de 50s atrás de Hulkenberg. Até o momento a relação de Bortoleto com Interlagos não é nada boa. Rafael Câmara mostrou velocidade nos treinos, mas não se pode negar que o novato fez uma prova errática, saindo da pista várias vezes e terminando em último dos que receberam a bandeirada. Contudo, o contexto da estreia de Câmara, andando num carro que pouco conhecia, numa pista nova para ele e com clima variável, pede um pouco mais de paciência para o pernambucano.


Albon andou as primeiras voltas na zona de pontos, mas a mediocridade da Williams fez Alexander cair pelotão abaixo, o mesmo acontecendo com seu desafeto Alonso. Quando os dois se encontraram na pista, Albon e Alonso proporcionaram um certo entretenimento, mas com ambos fora dos pontos, mesmo que pela fase atual da Aston Martin, o 12º lugar de Alonso é um feito. A Alpine não saiu das últimas posições e Sergio Pérez conseguiu o feito de colocar seu Cadillac na frente de uma Williams (Sainz) e Haas (Câmara), porém, a outra Cadillac nem largou, com Bottas tendo problemas mecânicos antes da largada.


Interlagos entregou uma corrida movimentada pelas mudanças climáticas, mas ainda assim o pole Lando Norris venceu pela segunda vez em Interlagos e se igualou à Emerson Fittipaldi, piloto histórico da casa. Depois de confirmar seu título no México, Antonelli fez sua pior corrida no ano, mas Kimi já pode se dar o luxo de cometer erros, no entanto, o italiano precisa ficar de olhos nos rivais. A McLaren consegue bons resultados em determinados circuitos e correndo solto, sem precisar interagir com ninguém, Norris é um piloto respeitável, enquanto Max Verstappen se aproveita das melhorias do forte motor Ford/Red Bull. A F1 promete em 2027 e certamente Interlagos entregará outra boa corrida para nós ano que vem. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário