Esse lugar poderia ser de Sérgio Pérez, mas para não ser repetitivo, iremos colocar um outro personagem, que assim como o mexicano da Red Bull, mereceu demais estar nessa parte da coluna. Duas semanas depois de vencer em Monte Carlo e dar uma vitória emocional ao piloto local Charles Leclerc, todos apontavam a Ferrari como favorita em Montreal, pelas características do circuito canadense, mesmo que o clima fosse um fator preponderante em todo o final de semana. Apesar da chuva forte, a Ferrari andou bem na sexta-feira, num dia em que pouco poderia saber de como seria o restante do final de semana. O que ninguém poderia imaginar foi que a Ferrari tivesse uma classificação pífia, onde Leclerc e Sainz brigaram pela última posição para ir ao Q3 e acabaram sendo eliminados por Albon. Parecia um acidente de percurso e era esperado uma corrida de recuperação... que nunca veio. Leclerc teve um estranho problema de motor logo no início da corrida, enquanto Sainz nem isso tinha como desculpa por permanecer empacado no pelotão intermediário. Mesmo com problemas, diga-se de passagem, Charles ficou a maior parte do tempo na frente de Sainz e somente quando a pista secou mais, potencializando os problemas de motor de Leclerc, foi que o monegasco foi perdendo mais e mais rendimento, acabando por abandonar. Sainz permaneceu na corrida, mas cometeu um erro nas voltas finais quando a pista secava, levando consigo Albon, destruindo a ótima corrida do piloto da Williams. Um zero ponto inesperado e merecedor para a Ferrari em Montreal.
segunda-feira, 10 de junho de 2024
domingo, 9 de junho de 2024
Caos canadense
sábado, 8 de junho de 2024
Empate!
Os treinos de sexta-feira foram bastante prejudicados pela chuva e ninguém sabia ao certo quem estava bem para o resto do final de semana, mas com o tempo ligeiramente mais firme no sábado, logo se percebeu que a ótima fase da Ferrari nas últimas corridas não se repetiria no circuito Gilles Villeneuve, com ambos os carros fora do Q3, para profundo desgosto de Charles Leclerc. Pior foi Sergio Pérez. De contrato renovado, o mexicano ficou no Q1 pela segunda corrida consecutiva, aumentando ainda mais a pressão do verdadeiro motivo da Red Bull ter renovado com o mexicano, o mesmo fazendo com Tsunoda, que momentos antes da classificação teve sua permanência na Racing Bulls confirmada para 2025. Porém, Yuki já tem mais participações no Q3 do que Checo em 2024. Já nos treinos livres estava clara as dificuldades da Red Bull, mas com o braço de Verstappen melhorando a situação, mas a equipe mais rápida era a... Mercedes!
O time comandado por Toto Wolff está em sérias dificuldades desde o advento dos novos regulamentos com o efeito-solo e mesmo com melhorias aqui e ali, via-se um carro bastante abaixo do potencial de uma equipe que dominou a F1 a poucos anos. No entanto, sem maiores novidades anunciadas, a Mercedes veio forte no Canadá, sendo o mais rápido com Russell no TL3 e se desenvolvendo bem durante a classificação. A McLaren também veio forte com a sua dupla ficando com a segunda fila, mas foi Max quem mais ameaçou o time prateado, com o neerlandês simplesmente empatando o tempo de Russell, lhe garantindo um lugar na primeira fila, mas já olhando pro campeonato, bem na frente de Leclerc, apenas 11º no grid de amanhã. Para esse domingo é esperado mais chuva, porém, não se pode negar que as atividades de pista no sábado não foram afetadas pela chuva. A Mercedes terá ritmo de corrida para segurar Verstappen? Amanhã saberemos!
quarta-feira, 5 de junho de 2024
Mercado quente
Tanto na F1, como na MotoGP essa semana foi recheada de novidades. Ou não. Mesmo continuando a fazer um trabalho abaixo do esperado, Sergio Pérez teve seu contrato renovado por dois anos com a Red Bull, mesmo que houvessem indícios de que a equipe só quisesse um ano e foi o mexicano que forçou para serem dois. Imaginem se Checo estivesse fazendo um ótimo trabalho...
A renovação de Checo mostra que a Red Bull tem ao mesmo tempo um assento valioso e amedrontador pelo contexto de uma equipe que funciona em torno de Max Verstappen, que vai se tornando um piloto dos gigantes da história da F1, iniciando um círculo virtuoso para o neerlandês, mas vicioso para quem quer que esteja ao seu lado. Não custa lembrar à Red Bull que os times, aos poucos, se aproximam dos austríacos e a Ferrari, com uma dupla equilibrada, só está 24 pontos atrás da Red Bull no Mundial de Construtores, com Checo apenas em quinto lugar no Mundial de Pilotos. Mesmo que o piloto campeão chame atenção, é no certame de construtores que as equipes ganham dinheiro.
Já na MotoGP a movimentação foi mais intensa. Antes do final de semana de Mugello, falava-se claramente que Jorge Martin seria companheiro de equipe de Bagnaia em 2025 na equipe oficial da Ducati, numa transação esperada, ainda mais com Martin liderando o campeonato, mesmo com toda a sua banca. O que a Ducati não esperava era que Marc Márquez recusasse a vaga de Martin na Pramac, deixando os dirigentes italianos em pânico, com a possibilidade real de perder Márquez. Então a Ducati mudou de ideia e contratou Marc, deixando Martin no vácuo pela terceira vez e irritado, o espanhol se mandou para a Aprilia, com a aposentadoria de Aleix Espargaró.
Com Jorge Martin liderando o campeonato numa equipe satélite, será que a Ducati irá apoiar de forma irrestrita o espanhol? Fala-se muito que a Pramac, cujo contrato com a Ducati termina no final desse ano, não ficou nada feliz com a movimentação feita pelos italianos e teria na mesa uma fortuna para se juntar à Yamaha. E como será a relação entre Bagnaia e Márquez, dois galos no mesmo galinheiro?
Muitas perguntas para uma semana quente no mercado da F1 e da MotoGP.
terça-feira, 4 de junho de 2024
Que pena...
domingo, 2 de junho de 2024
Dixon atravessa Destroit
Narrar a corrida em Detroit em poucos parágrafos chega a ser um desafio, pois de tudo aconteceu, mas Colton Herta liderou com facilidade as primeiras voltas, mesmo que os pneus macios tenham tido um desgaste gigantesco, fazendo pilotos como Alex Palou tivesse problemas no primeiro stint. Nuvens ameaçadoras estavam ao largo de Detroit, inclusive com pingos sendo vistos nas câmeras de TV e quando o segundo colocado Scott McLaughlin bateu no muro, estava claro que a pista estava cada vez mais molhada. Ao contrário da F1, a Indy não tem os chamados pneus intermediários, fazendo com que os pilotos tivessem um desafio e tanto numa pista estreita e escorregadia. A maioria do grid optou por colocar os pneus para chuva, o que alguns, como Dixon, preferiam ficar na pista com pneus slicks. A chuva foi tão rápida, que a sucessão de bandeiras amarelas fez com que a pista secasse e os pilotos que trocaram pneus retornassem aos pits para colocar pneus slicks novamente sem perder tanto terreno.
Há uma frase nas categorias americanas de que 'bandeira amarela chama bandeira amarela'. E assim foi, com uma incontável sequência de bandeiras amarelas e vários pilotos se envolvendo em toques, particularmente no hairpin ao final da reta oposta. Pilotos como Christian Lundgaard se jogavam na freada e esperavam se segurar... batendo nos outros carros! Foi uma sessão de derby de destruição, transformando o GP de Detroit em 'Destroit'. Colton Herta, piloto dominador na primeira parte, teve uma pane mental e saiu reto numa curva, totalmente sem tomada, fazendo-o lembrar o motivo das equipes de F1 terem perdido interesse nele. Will Power se envolveu em vários toques, chegou a cair para as últimas posições após ser punido e ainda assim chegou no top-10. Vencedor da 500 Milhas semana passada, Josef Newgarden teve uma corrida para esquecer, ao ser protagonista numa das várias bandeiras amarelas, envolvendo o ex-líder do campeonato Alex Palou, errar um pit-stop e machucar um mecânico da Rahal e finalmente bater seu Penske no muro, quebrando a suspensão traseira esquerda.
Enquanto a loucura se dava na pista de Michigan, Scott Dixon fazia o que ele faz de melhor: achar uma estratégia para poupar combustível rumo a vitória. O neozelandês transformou um stint máximo de trinta e três voltas em mais de quarenta voltas, economizando combustível nas amarelas e até mesmo correndo na verde. Tendo como escudeiro o companheiro de equipe e compatriota Marcus Armstrong, manteve um ritmo decente para terminar em primeiro, com Marcus Ericsson, que ultrapassou Armstrong na penúltima volta, em segundo. Com a mesma estratégia de Dixon, mas sem a mesma manha, Armstrong recebeu a bandeirada e logo depois parou sem combustível. Com esse resultado, Dixon reassume a liderança do campeonato e se torna o único piloto até o momento com duas vitórias em corridas oficiais da Indy em 2024. Estão deixando Scott sonhar!
Auto controle
Se fora da pista a temperatura estava alta, dentro não foi tão assim. O traçado cheio de 'esses' de Mugello e a alta velocidade da pista da Ferrari não nos deu uma corrida de alta tração, como é comum na MotoGP. Talvez sabedor dessa situação, Bagnaia efetuou uma belíssima largada, após ser punido por bloquear Alex Márquez nos treinos, caindo de segundo para quinto no grid. Pecco saiu forte e se colocou por fora na temida freada da San Donato. Mais embalado, deixou Viñales para trás e já se encontrava ao lado dos líderes Martin e Bastianini. Numa manobra forte, na segunda grande freada Bagnaia se pôs por dentro e assumiu a liderança. Para não mais perdê-la. A diferença para Martin não superou 1s em nenhum momento, mas não se pode dizer que Bagnaia era ameaçado pelo espanhol, com Pecco tendo auto controle de apenas administrar a sua vantagem até a bandeirada.
Atrás de Pecco, havia uma briga interessante, mas sem maiores faíscas pela segunda posição. Pressionado e com sua vaga em xeque na equipe oficial Ducati, Bastianini deu uma bela resposta para os seus críticos, derrotando justamente quem o ameaça. Inicialmente Enea travou uma batalha a corrida inteira com Marc Márquez, que sofria de falta de potência da Ducati 2023, mas conseguiu uma agressiva manobra na San Donato, se colocando em terceiro a maior parte da corrida. Bastianini pressionou o tempo inteiro, mas se todos esperavam um ataque na enorme reta dos boxes, Enea respondeu com um ataque não menos agressivo no miolo da pista, local onde Márquez dominava. De forma inesperada, Bastianini tirou toda a diferença para Martin e na última volta, tomou a segunda posição do espanhol na última curva, com Jorge Martin claramente não querendo muita briga. Uma bela exibição de Enea Bastianini, mas que pode ter sido tarde demais, pois o anúncio da Ducati para 2025 é iminente e segundo consta, Jorge Martin irá substitui-lo.
Lá na frente Bagnaia pôde comemorar uma vitória relativamente tranquila, onde controlou bem a prova rumo a quarta vitória em 2024, recortando pela metade a desvantagem que ainda tem para Jorge Martin. Se hoje Pecco tem em Bastianini um ótimo coadjuvante e que hoje lhe ajudou bastante, para 2025 a história tende a ser bem diferente e Bagnaia tem que aproveitar o máximo o momento atual.
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