segunda-feira, 10 de junho de 2024

Figurão(CAN): Ferrari

 Esse lugar poderia ser de Sérgio Pérez, mas para não ser repetitivo, iremos colocar um outro personagem, que assim como o mexicano da Red Bull, mereceu demais estar nessa parte da coluna. Duas semanas depois de vencer em Monte Carlo e dar uma vitória emocional ao piloto local Charles Leclerc, todos apontavam a Ferrari como favorita em Montreal, pelas características do circuito canadense, mesmo que o clima fosse um fator preponderante em todo o final de semana. Apesar da chuva forte, a Ferrari andou bem na sexta-feira, num dia em que pouco poderia saber de como seria o restante do final de semana. O que ninguém poderia imaginar foi que a Ferrari tivesse uma classificação pífia, onde Leclerc e Sainz brigaram pela última posição para ir ao Q3 e acabaram sendo eliminados por Albon. Parecia um acidente de percurso e era esperado uma corrida de recuperação... que nunca veio. Leclerc teve um estranho problema de motor logo no início da corrida, enquanto Sainz nem isso tinha como desculpa por permanecer empacado no pelotão intermediário. Mesmo com problemas, diga-se de passagem, Charles ficou a maior parte do tempo na frente de Sainz e somente quando a pista secou mais, potencializando os problemas de motor de Leclerc, foi que o monegasco foi perdendo mais e mais rendimento, acabando por abandonar. Sainz permaneceu na corrida, mas cometeu um erro nas voltas finais quando a pista secava, levando consigo Albon, destruindo a ótima corrida do piloto da Williams. Um zero ponto inesperado e merecedor para a Ferrari em Montreal. 

domingo, 9 de junho de 2024

Caos canadense

 


Montreal é uma das pistas mais icônicas do calendário da F1 e mesmo a Liberty Media teimando em inchar o já apertado cronograma da F1, o circuito Gilles Villeneuve permanece muito pelas incríveis corridas que por lá acontecem, além do ótimo ambiente na cidade canadense. Mais uma vez tivemos a satisfação de ver uma corrida daquelas de ficar de olhos bem abertos em todo o momento, pelo volume de alternativas que aconteceram na prova canadense desse domingo. Mesmo com mais uma vitória de Max Verstappen, a sexagésima de sua já incrível carreira, a corrida desse domingo esteve bem longe do script de outras vitórias do piloto da Red Bull, numa luta apertada contra McLaren e Mercedes, em meio a um clima incerto durante quase duas horas, num pódio completado por Norris e o pole Russell.


De antemão se sabia que o clima seria um fator preponderante no final de semana canadense, com a chuva aparecendo com força na sexta, nem tanto no sábado e reaparecendo no domingo. Mesmo não chovendo na hora largada, a pista estava encharcada, fazendo com que a dupla da Haas arriscasse os pneus de chuva extrema, algo bastante raro nos últimos anos. Com a largada acontecendo normalmente com pista molhada, nos livrando da constrangedora situação de vermos uma largada atrás do Safety-Car, os pilotos largaram com bastante cautela, com praticamente nenhuma mudança nas primeiras posições. Russell liderava à frente de Max, Norris e Piastri. Num primeiro momento a aposta da Haas se pagou com Magnussen e Hulkenberg escalando o pelotão e o danês chegando a se aproximar de um impressionante top-5, mas um sol tímido mostrava que não demoraria que a carruagem se transformasse em abóbora. E a corrida pegasse no tranco de vez. Quando a pista ainda estava bastante molhada, os carros estavam mais espaçados, mas na medida em que a pista foi secando, Max foi encostando em Russell. Com o trilho se formando, ultrapassar se tornou algo bem desafiador, mesmo quando o DRS foi liberado. Russell forçava bastante seus pneus intermediários e sem chance de ultrapassar, Verstappen ficou travado atrás da Mercedes, vendo Lando Norris crescer em seus retrovisores. Cuidando mais dos pneus e com um ritmo melhor, Lando viu o trilho aumentar e proporcionar duas ultrapassagens sobre Max e George, assumindo a liderança. E abrir!


Parecia que aconteceria algo parecido com Miami, quando Lando Norris disparou com vento no rosto, mas um Safety-Car causado pelo horroroso Logan Sargeant mudaria a face da corrida. Voltando à corrida na Flórida, quando um SC ajudou sobremaneira Norris, no Canadá aconteceu o contrário. A McLaren perdeu a entrada dos pits e quem se aproveitou foi o trio Max, Russell e Piastri, que foram aos pits na hora certa e quando Lando fez sua parada uma volta depois, ele perdeu terreno, caindo para terceiro. Apesar da pista praticamente seca, todo mundo colocou pneus intermediários, pois o radar mostrava que a chuva estaria de volta em minutos e ninguém, com exceção de Leclerc, cuja corrida tinha ido para as cucuias, arriscou os slicks. Mesmo tendo apenas 26 anos, Verstappen usou sua já vasta experiência em relargadas para deixar Russell para trás e assumir a liderança, mas sem disparar. E a chuva realmente veio, mesmo que de leve e de forma rápida. A briga pelo segundo lugar era apertada entre Russell, Norris e Piastri, enquanto Gasly ia aos pits colocar pneus slicks, sendo o boi de piranha para as demais equipes. Todos acompanhavam o ritmo do piloto da Alpine e quando ficou claro que Pierre se tornava um dos pilotos mais rápidos da pista, começou uma nova romaria rumo aos boxes para colocar pneus slicks.


Norris arriscou esticar sua parada e numa atuação forte, ele chegou a sair do pit-lane na frente de Verstappen, mas com pneus gelados, Lando quase rodou antes de ceder a posição definitivamente sua posição para Max. No entanto, a corrida do neerlandês não ficaria sossegada. Faltando pouco menos de quinze voltas, Carlos Sainz coroava um final de semana horripilante da Ferrari ao rodar e atingir Alexander Albon, trazendo o segundo Safety-Car do dia. A Mercedes tentou dar o pulo do gato ao colocar pneus novos nos carros dos seus pilotos e Russell foi para cima da dupla da McLaren, com o inglês quase batendo em Piastri na curva 13 e perdendo posição para Hamilton na sequência. No entanto, George se recuperou, ultrapassou o australiano e deu o troco em Lewis numa ultrapassagem no limite nas voltas finais. Porém, Russell lamentou bastante o erro que lhe custou a segunda posição para Norris, que foi sincero em dizer que se foi ajudado pelo SC em Miami, foi atrapalhado em Montreal. Sorte de Max Verstappen. O neerlandês fez uma corrida correta em mais um final de semana onde a Red Bull não dominou e tirando uma ligeira escapada de pista na curva um, Max não errou e disparou novamente no campeonato, com o zero ponto de Leclerc.


Após largar da pole, George Russell completou o pódio, mas novamente a Mercedes irá ouvir de Hamilton, pois na última parada o time de Toto Wolff colocou pneus duros no carro de Lewis, enquanto George foi com os mais corretos médios. Hamilton ficou o primeiro terço da prova atrás de Alonso, só o superando por um pit-stop mais rápido da Mercedes. Lewis andou próximo de Russell, jogou duro com o companheiro de equipe quando disputaram o último lugar do pódio e no final, parecia não muito feliz com as opções da equipe. No entanto, é muito bom para o campeonato esse súbito crescimento da Mercedes, com mais um player na luta pelas vitórias. A Aston Martin fez uma corrida discreta, com Alonso se esmerando, como sempre, em segurar Hamilton, mas quando foi superado, nada mais fez em ficar num tranquilo sexto lugar. Correndo em casa, Lance Stroll ficou a corrida toda no meio de um pelotão animado que ia do oitavo lugar até o décimo quinto e no final o canadense acabou liderando esses carros, terminando num honroso sétimo lugar. Após ser criticado de forma ácida (e merecida) por Jacques Villeneuve, Daniel Ricciardo deu uma pequena resposta ao ficar em oitavo, numa corrida sólida, mas em que sempre andou atrás do seu companheiro de equipe Yuki Tsunoda. Nas últimas voltas o japonês deu uma rodada perigosa, onde quase foi atingido por uma Haas, mas felizmente tudo não passou de um enorme susto. Depois de todo o entrevero em Monte Carlo, a Alpine marcou pontos com seus dois carros, algo que não deverá ser muito comum, mas que mostra a evolução da equipe.


Se o título de Max Verstappen é uma questão de tempo, não se pode afirmar nesse momento que há uma dominação no campeonato 2024. Nas últimas corridas vimos um crescimento de McLaren, Ferrari (mesmo que nesse final de semana estivessem irreconhecíveis) e Mercedes, enquanto a Red Bull ainda se acha em meio ao caótico bastidor da equipe. Se havia o temor de que aconteceria um passeio nas 24 corridas do ano, estamos vendo provas bem mais animadas do que o esperado, mesmo que Max Verstappen permaneça vencendo.

sábado, 8 de junho de 2024

Empate!


 Empates na pole são extremamente raros na F1, ainda mais com todas as casas decimais zeradas. De cara lembramos da épica classificação da não menos histórica decisão do campeonato de 1997, onde Villeneuve, Schumacher e Frentzen empataram em 1:21.072, com Damon Hill dois centésimos atrás em Jerez. Passados quase 27 anos, Montreal viu algo parecido, mas com um algo a mais. George Russell conseguiu a marca de 1:12.000 no Q3, um número já raro de se ver, mas momentos depois Verstappen foi lá e fez... 1:12.000! Um raro empate marcou esse estranho treino de classificação em Montreal.

Os treinos de sexta-feira foram bastante prejudicados pela chuva e ninguém sabia ao certo quem estava bem para o resto do final de semana, mas com o tempo ligeiramente mais firme no sábado, logo se percebeu que a ótima fase da Ferrari nas últimas corridas não se repetiria no circuito Gilles Villeneuve, com ambos os carros fora do Q3, para profundo desgosto de Charles Leclerc. Pior foi Sergio Pérez. De contrato renovado, o mexicano ficou no Q1 pela segunda corrida consecutiva, aumentando ainda mais a pressão do verdadeiro motivo da Red Bull ter renovado com o mexicano, o mesmo fazendo com Tsunoda, que momentos antes da classificação teve sua permanência na Racing Bulls confirmada para 2025. Porém, Yuki já tem mais participações no Q3 do que Checo em 2024. Já nos treinos livres estava clara as dificuldades da Red Bull, mas com o braço de Verstappen melhorando a situação, mas a equipe mais rápida era a... Mercedes!

O time comandado por Toto Wolff está em sérias dificuldades desde o advento dos novos regulamentos com o efeito-solo e mesmo com melhorias aqui e ali, via-se um carro bastante abaixo do potencial de uma equipe que dominou a F1 a poucos anos. No entanto, sem maiores novidades anunciadas, a Mercedes veio forte no Canadá, sendo o mais rápido com Russell no TL3 e se desenvolvendo bem durante a classificação. A McLaren também veio forte com a sua dupla ficando com a segunda fila, mas foi Max quem mais ameaçou o time prateado, com o neerlandês simplesmente empatando o tempo de Russell, lhe garantindo um lugar na primeira fila, mas já olhando pro campeonato, bem na frente de Leclerc, apenas 11º no grid de amanhã. Para esse domingo é esperado mais chuva, porém, não se pode negar que as atividades de pista no sábado não foram afetadas pela chuva. A Mercedes terá ritmo de corrida para segurar Verstappen? Amanhã saberemos!

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Mercado quente

 Tanto na F1, como na MotoGP essa semana foi recheada de novidades. Ou não. Mesmo continuando a fazer um trabalho abaixo do esperado, Sergio Pérez teve seu contrato renovado por dois anos com a Red Bull, mesmo que houvessem indícios de que a equipe só quisesse um ano e foi o mexicano que forçou para serem dois. Imaginem se Checo estivesse fazendo um ótimo trabalho...

A renovação de Checo mostra que a Red Bull tem ao mesmo tempo um assento valioso e amedrontador pelo contexto de uma equipe que funciona em torno de Max Verstappen, que vai se tornando um piloto dos gigantes da história da F1, iniciando um círculo virtuoso para o neerlandês, mas vicioso para quem quer que esteja ao seu lado. Não custa lembrar à Red Bull que os times, aos poucos, se aproximam dos austríacos e a Ferrari, com uma dupla equilibrada, só está 24 pontos atrás da Red Bull no Mundial de Construtores, com Checo apenas em quinto lugar no Mundial de Pilotos. Mesmo que o piloto campeão chame atenção, é no certame de construtores que as equipes ganham dinheiro.

Já na MotoGP a movimentação foi mais intensa. Antes do final de semana de Mugello, falava-se claramente que Jorge Martin seria companheiro de equipe de Bagnaia em 2025 na equipe oficial da Ducati, numa transação esperada, ainda mais com Martin liderando o campeonato, mesmo com toda a sua banca. O que a Ducati não esperava era que Marc Márquez recusasse a vaga de Martin na Pramac, deixando os dirigentes italianos em pânico, com a possibilidade real de perder Márquez. Então a Ducati mudou de ideia e contratou Marc, deixando Martin no vácuo pela terceira vez e irritado, o espanhol se mandou para a Aprilia, com a aposentadoria de Aleix Espargaró.

Com Jorge Martin liderando o campeonato numa equipe satélite, será que a Ducati irá apoiar de forma irrestrita o espanhol? Fala-se muito que a Pramac, cujo contrato com a Ducati termina no final desse ano, não ficou nada feliz com a movimentação feita pelos italianos e teria na mesa uma fortuna para se juntar à Yamaha. E como será a relação entre Bagnaia e Márquez, dois galos no mesmo galinheiro? 

Muitas perguntas para uma semana quente no mercado da F1 e da MotoGP.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Que pena...

 


O automobilismo americano está de luto com a morte de Parnelli Jones. Como era comum nas décadas de 1950 e 1960, Jones foi um piloto versátil, participando de vários tipos de corridas, como Indy e Stock Cars, com destaque para as suas participações nas 500 Milhas de Indianápolis, com uma polêmica vitória em 1963 com um Lotus, um ano após ser o primeiro a quebrar a barreira das 150 mph (241 km/h) de média na classificação. Parnelli Jones também foi um prolífico chefe de equipe na Indy, além de uma rápida passagem na F1. Nos últimos anos Jones lutava contra o Mal Parkinson e aos 90 anos era o vencedor de Indianápolis mais velho ainda vivo. 

domingo, 2 de junho de 2024

Dixon atravessa Destroit

 


Mesmo Detroit retornando ao 'downtown' para realizar a sua já tradicional corrida de rua, o antigo circuito que recebeu por anos a F1 e a Indy por três temporadas não tem nada a ver com o ondulado e sem graça circuito que hoje a Indy corre na Capital do Automóvel americano. No entanto, isso não impediu uma corrida insana no estado do Michigan e nessas condições de adversidade, quem se sobressaiu foi a experiência de Scott Dixon.

Narrar a corrida em Detroit em poucos parágrafos chega a ser um desafio, pois de tudo aconteceu, mas Colton Herta liderou com facilidade as primeiras voltas, mesmo que os pneus macios tenham tido um desgaste gigantesco, fazendo pilotos como Alex Palou tivesse problemas no primeiro stint. Nuvens ameaçadoras estavam ao largo de Detroit, inclusive com pingos sendo vistos nas câmeras de TV e quando o segundo colocado Scott McLaughlin bateu no muro, estava claro que a pista estava cada vez mais molhada. Ao contrário da F1, a Indy não tem os chamados pneus intermediários, fazendo com que os pilotos tivessem um desafio e tanto numa pista estreita e escorregadia. A maioria do grid optou por colocar os pneus para chuva, o que alguns, como Dixon, preferiam ficar na pista com pneus slicks. A chuva foi tão rápida, que a sucessão de bandeiras amarelas fez com que a pista secasse e os pilotos que trocaram pneus retornassem aos pits para colocar pneus slicks novamente sem perder tanto terreno.

Há uma frase nas categorias americanas de que 'bandeira amarela chama bandeira amarela'. E assim foi, com uma incontável sequência de bandeiras amarelas e vários pilotos se envolvendo em toques, particularmente no hairpin ao final da reta oposta. Pilotos como Christian Lundgaard se jogavam na freada e esperavam se segurar... batendo nos outros carros! Foi uma sessão de derby de destruição, transformando o GP de Detroit em 'Destroit'. Colton Herta, piloto dominador na primeira parte, teve uma pane mental e saiu reto numa curva, totalmente sem tomada, fazendo-o lembrar o motivo das equipes de F1 terem perdido interesse nele. Will Power se envolveu em vários toques, chegou a cair para as últimas posições após ser punido e ainda assim chegou no top-10. Vencedor da 500 Milhas semana passada, Josef Newgarden teve uma corrida para esquecer, ao ser protagonista numa das várias bandeiras amarelas, envolvendo o ex-líder do campeonato Alex Palou, errar um pit-stop e machucar um mecânico da Rahal e finalmente bater seu Penske no muro, quebrando a suspensão traseira esquerda.

Enquanto a loucura se dava na pista de Michigan, Scott Dixon fazia o que ele faz de melhor: achar uma estratégia para poupar combustível rumo a vitória. O neozelandês transformou um stint máximo de trinta e três voltas em mais de quarenta voltas, economizando combustível nas amarelas e até mesmo correndo na verde. Tendo como escudeiro o companheiro de equipe e compatriota Marcus Armstrong, manteve um ritmo decente para terminar em primeiro, com Marcus Ericsson, que ultrapassou Armstrong na penúltima volta, em segundo. Com a mesma estratégia de Dixon, mas sem a mesma manha, Armstrong recebeu a bandeirada e logo depois parou sem combustível. Com esse resultado, Dixon reassume a liderança do campeonato e se torna o único piloto até o momento com duas vitórias em corridas oficiais da Indy em 2024. Estão deixando Scott sonhar!

Auto controle


 Já no ano passado ficou claro que na disputa entre Pecco Bagnaia e Jorge Martin, o espanhol é claramente mais talentoso, mas o italiano é mais completo e foi assim que Bagnaia se sagrou bicampeão da MotoGP em cima de Martin. Num momento decisivo da temporada 2024 e também 2025, com as possíveis mudanças no time oficial Ducati, mais uma vez Bagnaia mostrou sua pilotagem cerebral durante a corrida, além de uma agressividade cirúrgica na largada, quando pulou de quinto para primeiro e dominar a prova em Mugello.

Se fora da pista a temperatura estava alta, dentro não foi tão assim. O traçado cheio de 'esses' de Mugello e a alta velocidade da pista da Ferrari não nos deu uma corrida de alta tração, como é comum na MotoGP. Talvez sabedor dessa situação, Bagnaia efetuou uma belíssima largada, após ser punido por bloquear Alex Márquez nos treinos, caindo de segundo para quinto no grid. Pecco saiu forte e se colocou por fora na temida freada da San Donato. Mais embalado, deixou Viñales para trás e já se encontrava ao lado dos líderes Martin e Bastianini. Numa manobra forte, na segunda grande freada Bagnaia se pôs por dentro e assumiu a liderança. Para não mais perdê-la. A diferença para Martin não superou 1s em nenhum momento, mas não se pode dizer que Bagnaia era ameaçado pelo espanhol, com Pecco tendo auto controle de apenas administrar a sua vantagem até a bandeirada.

Atrás de Pecco, havia uma briga interessante, mas sem maiores faíscas pela segunda posição. Pressionado e com sua vaga em xeque na equipe oficial Ducati, Bastianini deu uma bela resposta para os seus críticos, derrotando justamente quem o ameaça. Inicialmente Enea travou uma batalha a corrida inteira com Marc Márquez, que sofria de falta de potência da Ducati 2023, mas conseguiu uma agressiva manobra na San Donato, se colocando em terceiro a maior parte da corrida. Bastianini pressionou o tempo inteiro, mas se todos esperavam um ataque na enorme reta dos boxes, Enea respondeu com um ataque não menos agressivo no miolo da pista, local onde Márquez dominava. De forma inesperada, Bastianini tirou toda a diferença para Martin e na última volta, tomou a segunda posição do espanhol na última curva, com Jorge Martin claramente não querendo muita briga. Uma bela exibição de Enea Bastianini, mas que pode ter sido tarde demais, pois o anúncio da Ducati para 2025 é iminente e segundo consta, Jorge Martin irá substitui-lo.

Lá na frente Bagnaia pôde comemorar uma vitória relativamente tranquila, onde controlou bem a prova rumo a quarta vitória em 2024, recortando pela metade a desvantagem que ainda tem para Jorge Martin. Se hoje Pecco tem em Bastianini um ótimo coadjuvante e que hoje lhe ajudou bastante, para 2025 a história tende a ser bem diferente e Bagnaia tem que aproveitar o máximo o momento atual.