terça-feira, 10 de junho de 2008

Figurão(CAN): Lewis Hamilton

"Erro bobo", "manobra medonha", "motorista aprendendo a dirigir", foram os ácidos comentários que a então babona imprensa inglesa fez nesta segunda ao seu queridinho Lewis Hamilton. E não poderia ter sido mais merecido! O que Hamilton fez neste domingo entrou para os anais da F1 como uma das maiores asneiras de todos os tempos, ao acertar Kimi Raikkonen quando estavam parados no final do pit-lane, com a luz vermelha. Da mesma forma que foi totalmente inacreditável que Felipe Massa, exatamente um ano atrás no Canadá, e Rubens Barrichello na primeira etapa do ano, não viram a luz vermelha quando saíam dos boxes, Hamilton ainda teve o adicional de não ter visto dois carros parados bem à sua frente! Se desgraça pouca não fosse bastante, Hamilton estragou um final de semana que até então vinha sendo maravilhoso e sem erros, onde tinha todas as chances de aumentar sua vantagem na liderança do campeonato, mesmo sem ter o melhor carro. Ao invés disso, terá que lhe dar com uma merecida punição no próximo Grande Prêmio da França e uma incômoda vice-liderança do Mundial.

Problemas técnicos

Para quem acompanha este blog, percebeu que fiquei fora do ar por alguns dias. Isso aconteceu por dois motivos. O primeiro foi uma crise alérgica daquelas que me deixou de cama todo o final de semana. A segunda, e principal, foi a memória do meu PC, que me pregou uma peça e me deixou sem acesso a muita coisa durante todos esses dias. Mas com um PC praticamente novo e quase (quase!) bom, volto ao normal nos próximos dias!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

História: 25 anos do Grande Prêmio Estados Unidos-Leste de 1983


A disputa pelo campeonato de 1983 parecia que seria tão acirrada como nos últimos anos. Renault, Ferrari e Brabham-BMW dominavam a temporada com seus potentes motores turbo. Porém, Detroit era ainda mais travado do que Monte Carlo e os pilotos com motores aspirados poderiam ter uma nova chance, assim como tiveram em Long Beach e Mônaco. Keke Rosberg e os pilotos da McLaren, Lauda e Watson, esperavam repetir seus triunfos, como nas etapas em circuitos de rua.

Porém, o primeiro carro aspirado no grid para Detroit era a Arrows de Marc Surer na quinta posição, enquanto as duas primeiras filas eram dominadas por carros com motores turbo. René Arnoux começava a ser pressionado dentro da Ferrari e precisava mostrar serviço logo e a pole seria uma ótima resposta. Mesmo não gostando de circuitos de rua, Nelson Piquet largaria na primeira fila e poderia se aproximar ainda mais do líder do campeonato Alain Prost, que colocou seu Renault numa humilde décima terceira posição. Em quarto, Elio de Angelis levava seu Lotus 93T com o novo motor Renault turbo a melhor posição na temporada. Antes da F1 chegar em Detroit, a Lotus tinha anunciado a contratação de Gerard Ducarouge e o francês começava a mostrar trabalho.

Grid:
1) Arnoux (Ferrari) - 1:44.734
2) Piquet (Brabham) - 1:44.933
3) Tambay (Ferrari) - 1:45.991
4) De Angelis (Lotus) - 1:46.258
5) Surer (Arrows) - 1:46.745
6) Alboreto (Tyrrell) - 1:47.013
7) Cheever (Renault) - 1:47.334
8) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:47.453
9) Warwick (Toleman) - 1:47.534
10) Boutsen (Arrows) - 1:47.586

O dia 5 de junho de 1983 estava nublado, mas não havia possibilidade de chuva naquele momento. Porém, uma nuvemzinha negra estava em cima da cabeça de Patrick Tambay, que ficou parado durante a largada e mesmo tendo a sorte de não ter sido atingido por ninguém, o francês da Ferrari abandonou a corrida sem sequer ter feito um metro!

Nelson Piquet e René Arnoux largam muito bem, mas o brasileiro faz uma boa manobra por fora e assumia a liderança. Elio de Angelis queima a largada de forma descarada e fica em terceiro, enquanto Surer é atrasado pela Ferrari de Tambay e perde várias posições. Com um carro praticamente novo, De Angelis tem problemas ainda na quinta volta e abandona com a transmissão quebrada. Quem assumia a terceira posição era Andrea de Cesaris, mostrando o quanto o italiano se sentia à vontade em circuitos de rua. No entanto, Keke Rosberg vinha de uma obscura décima segunda posição no grid para as cabeças. Na sétima volta o finlandês ultrapassava Alboreto e assumia a quarta posição, enquanto Lauda e Watson vinham ganhando posições mais atrás.

Piquet e Arnoux impriam um ritmo muito forte e já tinha se destacado dos demais pilotos. O francês tinha claramente um carro mais rápido, mas Piquet resistia e os dois brigavam fortemente. Quando o piloto da Brabham sentiu que era inútil segurar Arnoux, praticamente deixou o piloto da Ferrari passar na nona volta. Mais atrás Rosberg ultrapassava De Cesaris e começava a se aproximar de Rosberg e realizaria a ultrapassagem na volta 19. Então a estratégia começou a entrar na corrida. A Brabham tinha sido a pioneira nos pit-stops modernos e todos esperavam por uma parada de Piquet durante as provas, porém o brasileiro não vinha num ritmo alucinante, como normalmente fazia nos inícios de prova e vinha num seguro terceiro lugar. Na volta 29, Rosberg foi aos boxes reabastecer, mostrando que seu ritmo inicial era mais por um carro bem mais leve.

Na volta 31, Arnoux começa a perder rendimento e abandona com problemas elétricos. Piquet liderava a corrida. E mais da metade da prova já tinha passado e nada do brasileiro parar. Depois de ter praticamente inventado as paradas programadas, Piquet daria o bote e não pararia? Parecia o caso e o final da corrida foi se aproximando com Piquet praticamente garantindo a vitória. Contudo, Michele Alboreto estava numa estratégia semelhante e começava a se aproximar de Piquet. E se aproximava rápido. Rápido demais! Logo o italiano estava colado na Brabham de Piquet e quando todos esperavam por uma grande batalha nas voltas finais, o pneu traseiro direito de Piquet baixou de vez e o brasileiro teve que ir aos boxes fazer sua parada. Com isso, Alboreto desfilou tranqüilo nas dez últimas voltas para conquistar sua segunda vitória na carreira. Rosberg conseguia uma boa segundo posição, enquanto Watson completava um pódio inteiro "aspirado". Piquet ainda voltou a tempo de conquistar um quarto lugar, que o deixava apenas um ponto atrás de Prost no campeonato.

O triunfo de Alboreto era tão inesperado, que até então o italiano não tinha marcado pontos no campeonato, mas esta prova teria um sentido ainda mais especial. Apesar de toda a festa da Tyrrel, o que ninguém sabia era que essa seria a última vitória da tradicional equipe, que quinze anos depois seria vendida para a BAR.

Chegada:
1) Alboreto
2) Rosberg
3) Watson
4) Piquet
5) Laffite
6) Mansell

História: 35 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1973


Após cinco etapas, o Campeonato Mundial de 1973 vinha sendo uma disputa reservada aos dois últimos campeões, Emerson Fittipaldi e Jackie Stewart, que compartilharam as cinco primeiras vitórias, com vantagem para o brasileiro, que tinha três triunfos, frente a dois do escocês. Porém, o campeonato daquele ano não vivia unicamente das duas estrelas e os coadjuvantes das respectivas equipes também andavam no pelotão da frente junto com seus companheiros de equipe. François Cevert começava a dar o retorno do investimento feito nele pela Tyrrell, enquanto Ronnie Peterson mostrava todo o seu talento na Lotus. Emerson liderava o campeonato sete pontos à frente de Stewart, enquanto Cevert era um distante terceiro colocado e Peterson ainda não havia transformado suas espetaculares exibições em pontos.

O Grande Prêmio de Mônaco seria realizado um pouco mais tarde do que o habitual por causa de algumas mudanças ocorridas no circuito, como a nova sessão do Túnel e uma nova curva chamada La Rascasse. Essa foi a última grande reforma do traçado nas ruas de Monte Carlo e até hoje a pista segue sem praticamente nenhuma mudança. Na briga pela pole, Stewart mostrava a evolução da Tyrrell e assegurava mais uma pole, enquanto Peterson fazia mais uma das suas e acompanhava o escocês na primeira fila. Emerson era apenas quinto e ao seu lado teria uma das surpresas do dia: o austríaco Niki Lauda. O jovem austríaco pagava para ficar na equipe BRM corrida após corrida, mas desta vez Lauda mostrou o seu valor e largaria à frente do seu mais conhecido companheiro de equipe Clay Regazzoni. Mais atrás, à bordo de um March privado, um jovem inglês fazia sua estréia na F1 ao lado do seu rico chefe de equipe, Lord Hesketh. O seu nome era James Hunt!

Grid:
1) Stewart (Tyrrell) - 1:27.5
2) Peterson (Lotus) - 1:27.7
3) Hulme (McLaren) - 1:27.8
4) Cevert (Tyrrell) - 1:27.9
5) E.Fittipaldi (Lotus) - 1:28.1
6) Lauda (BRM) - 1:28.5
7) Ickx (Ferrari) - 1:28.7
8) Regazzoni (BRM) - 1:28.9
9) W.Fittipaldi (Brabham) - 1:28.9
10) Ganley (Iso-Marlboro) - 1:29.0

Ao contrário do ano anterior, o dia 3 de junho de 1973 amanheceu debaixo de sol forte no principado de Mônaco. Assim, uma zebra como a vitória de Beltoise era praticamente impossível, mas essa corrida seria marcada por algumas surpresas. Na luz verde, François Cevert consegue uma excepcional largada e pula de quarto para a liderança da prova, seguido por Peterson. Ou seja, os dois pilotos número 2 das duas principais equipes lideravam a prova. Atrás deles, Clay Regazzoni também surpreendia ao pular de oitavo para terceiro, ficando à frente de Stewart e Fittipaldi. Infelizmente para Cevert, sua liderança seria efêmera e o francês bateu num meio fio ainda na segunda volta, cortando seu pneu e caindo para a última posição.

Com isso, Peterson voltava a liderar um Grande Prêmio e com um bom acerto em seu Lotus, o sueco começa a abrir vantagem sobre os demais, enquanto Regazzoni segurava todos os pilotos atrás de si. Mesmo com um BRM longe de poder enfrentar Lotus e Tyrrell, o suíço era carne de pescoço e ninguém conseguia deixá-lo para trás. Contudo, Rega estava forçando demais, andando mais do que o próprio carro e na sexta volta ele acaba passando reto na chicane. Quando o suíço se recuperou de sua burrada, ele já estava atrás de Cevert na última posição.

Com pista livre, Stewart passa a atacar Peterson, com Emerson à espreita. Quando uma grande briga pela liderança parecia se iniciar, Peterson perde rendimento em sua Lotus. O sueco é ultrapassado por Stewart e Fittipaldi na oitava volta e depois perderia mais três lugares, para se alojar na sexta posição. Stewart liderava mais um Grande Prêmio em Mônaco, mas tinha Emerson Fittipaldi em seu encalço, pronto para se aproveitar de qualquer erro do escocês. Eles eram as estrelas de 1973, mas atrás deles uma outra grande estrela começava a desabrochar. Mesmo com um pequeno BRM, Lauda estava num impressionante terceiro lugar, à frente da Ferrari de Ickx e de um não menos impressionante Brabham de Wilson Fittipaldi. Até então, todos viam Lauda como um piloto-pagante e sem nenhuma expressão na F1, mas Mônaco seria um divisor de águas para o austríaco.

A corrida se mantém extática até Lauda abandonar na volta 25 com o câmbio quebrado. Ickx coloca sua Ferrari na terceira posição, mas aquele ano não seria vermelho e o belga abandonaria vinte voltas depois com o semi-eixo quebrado. Com essas quebras, Wilson Fittipaldi ocupava sua melhor posição na F1 e estava na terceira posição, mas muito atrás do seu irmão, que nesse momento estava mais preocupado em atacar Stewart. Porém, Jackie era conhecido como um dos pilotos mais largos da história da F1 e o escocês não deu chance ao azar, conquistando sua terceira vitória em 1973 e se igualando a Jim Clark como o maior vencedor da F1 até então, com 25 primeiros lugares. Com o segundo lugar, Emerson permanecia sem ganhar em Mônaco, mas continuava na liderança, mas agora com Stewart apenas quatro pontos atrás. Infelizmente para a família Fittipaldi, Wilson teve problemas no final da prova e abandonou faltando sete voltas para o fim da corrida. Peterson, que se acomodou após o seu problema, chegou na terceira posição e marcava seus primeiros pontos no ano, enquanto Cevert fazia uma grande prova de recuperação e chegava em quarto. Porém, Emerson e Jackie pareciam estar em outro mundo e colocou uma volta no piloto da Lotus. Na volta de desaceleração, os dois líderes do campeonato e amigos ficaram tão emocionados que tocaram seus carros, quase causando um acidente. Coisas de gênios!

Chegada:
1) Stewart
2) E.Fittipaldi
3) Peterson
4) Cevert
5) Revson
6) Hulme

terça-feira, 3 de junho de 2008

Se fosse no Brasil...


A moção a favor de Max Mosley, decidida hoje, me faz lembrar a famosa votação contra a cassação de Renan Calheiros ano passado, quando tudo conspirava contra o político alagoano. Foram denúncias em cima de denúncias e todo o povo brasileiro esperava sua cassação, que seria decida entre os pares de Renan e o resultado foi... que Calheiros não seria cassado.

Hoje foi parecido. O que Mosley fez foi inaceitável e ficou provado de forma cabal que ele era o velhinho no meio de cinco prostitutas vestidas de nazistas. O mundo automobilístico esculachou Mosley e todos esperavam que algo acontecesse contra ele, mas numa votação entre seus pares, Max permanecerá firme à frente da FIA.
O que o cidadão faz ou deixa de fazer não interessa a ninguém, mas será que antes de comprimentar Max, não será lembrado seu bumbum para fora e dizendo "Come on, kick my ass!"? Muita gente quer vê-lo longe da cadeira de presidente da FIA e até Ecclestone, que praticamente o colocou nessa cadeira, não quer Max nem no aniversário da sua esposa.

O futuro é nebuloso para a FIA, mas já houve reações hoje mesmo, como das federações alemã e americana. O que será que a CBA colocou na urna? Apoio ou repúdia a Max? Essa pergunta dificilmente será respondida, assim como várias outras num problema que não deverá acabar na votação de hoje.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

História: 5 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 2003


Após as confusas primeiras etapas, quando as equipes ainda se acostumavam as novas regras, a F1 chegou à Mônaco muito mais adaptada e via o crescimento das equipes com pneus Michelin, em especial a Williams. Depois de muito investimento da BMW, a equipe de Grove se recuperava de um início apenas regular de campeonato e a chegada de Franck Dernie, engenheiro de Nelson Piquet nos bons tempos da equipe, foi uma grande requisição da Williams. Contudo, a Ferrari mostrava que o seu novo modelo, o F2003-GA, era tão bom quantos os demais carros vencedores da equipe e Michael Schumacher tinha conquistado três vitórias seguidas, assumindo a liderança do campeonato e mostrando que o alemão ainda tinha lenha para queimar.

Em meio a isso tudo, a McLaren tentava se manter entre as líderes e ainda tentava lançar o seu novo carro, o já famoso McLaren MP4/18. Ainda com o carro de 2002, a equipe de Ron Dennis se mantinha na frente pelo talento de Kimi Raikkonen, que estava na vice-liderança. No ano anterior, em que a Ferrari tinha massacrado seus adversários, uma de suas poucas derrotas fora justamente em Monte Carlo. E pela McLaren de David Coulthard. A principal arma do escocês na edição de 2002 foi a aderência dos pneus super-macios da Michelin e em 2003 os pneus franceses voltaram a funcionar muito bem. As duas primeiras filas foram dominadas por pilotos calçados com pneus Michelin, com a pole de Ralf Schumacher, que até então vinha sendo dominado por Juan Pablo Montoya, terceiro no grid. Trulli demonstrava a boa fase da Renault e colocava seu carro em quarto, à frente de Michael Schumacher. A nota triste foi o forte acidente sofrido por Jenson Button no final da reta do túnel no sábado, tirando o inglês do resto do final de semana.

Grid:
1) R.Schumacher (Williams) - 1:15.259
2) Raikkonen( McLaren) - 1:15.295
3) Montoya (Williams) - 1:15.415
4) Trulli (Renault) - 1:15.500
5) M.Schumacher (Ferrari) - 1:15.644
6) Coulthard (McLaren) - 1:15.700
7) Barrichello (Ferrari) - 1:15.820
8) Alonso (Renault) - 1:15.884
9) Webber (Jaguar) - 1:16.237
10) Da Matta (Toyota) - 1:16.744

O dia primeiro de junho começou com sol forte às margens do mediterrâneo e a corrida seria com um tempo perfeito para uma corrida que prometia ser equilibrada. Na largada, Montoya sai muito bem e antes da St. Devote fica à frente de Raikkonen, começando uma dobradinha da Williams, que na ocasião comemorava o vigésimo aniversário de sua última vitória no principado com Keke Rosberg. Mais atrás, Alonso se aproveitava do cada vez melhor sistema de largada da Renault e ganha duas posições na largada, ultrapassando os veteranos Coulthard e Barrichello.

Como era previsto, a corrida é muito equilibrada em seu início, com os oito primeiros colocados andando próximos, mas sem grandes tentativas de ultrapassagem. Era mais do que lógico que as posições seriam decididas nos boxes. Ralf Schumacher, o pole, foi o primeiro a fazer sua parada na volta 20, deixando caminho livre para Montoya fazer voltas mais rápidas e tentar a ultrapassagem nos boxes. Raikkonen fazia o mesmo e colava no colombiano. Mais atrás Michael Schumacher tentava a mesma estratégia e colava na Renault de Trulli, que claramente tinha um ritmo mais lento do que o alemão. Montoya parou duas voltas depois do seu companheiro de equipe e essas voltas foram suficientes para que ele saísse à frente do Schumacher Jr. Na volta 24 foi a vez de Kimi e o finlandês se meteu entre os dois carros da Williams e também deixava Ralf para trás.

Trulli assumia a liderança por duas voltas, mas quando o italiano parou, Schumacher utilizou sua mais letal arma para ultrapassar: suas voltas antes de sua parada. De forma clínica, o alemão voou com pista livre e com quatro voltas com a cara no vento, o piloto da Ferrari não apenas deixou Trulli para trás, como também seu irmão. Após a primeira rodada de paradas, as posições eram: Montoya -> Raikkonen -> M.Schumacher -> R.Schumacher -> Trulli -> Coulthard -> Alonso -> Barrichello. Dos líderes, apenas Barrichello permanceu na mesma posição, ou seja, fechando o primeiro pelotão...

Como era de se esperar, os pilotos mantiveram suas posições esperando pela segunda rodada de paradas. Montoya ficava à uma distância segura de Raikkonen, enquanto o finlandês via a aproximação de Schumacher. A vitória ficaria entre os três. A decisão da prova começaria na volta 49, quando Montoya fez sua última parada. Raikkonen apertou o ritmo. Schumacher também. Essa era a chance dos dois de ultrapassarem o colombiano. Kimi fazia bem seu papel, mas encontrou um lento retardatário Jacques Villeneuve e perdeu tempo. Resultado? Quando fez sua parada quatro voltas depois, Kimi estava atrás de Montoya. Agora restava Schumacher. O alemão ainda não estava em posição de atacar os dois primeiros, mas nem assim diminuiu seu ritmo, marcando ótimos tempos. E as voltas passavam... e nada do alemão parar. Nos boxes de McLaren e Williams, a apreensão era grande pelo filme que eles já tinham visto tantas vezes. Mais atrás, Alonso aprontava das suas e o espanhol ultrapassou, nos boxes, seu companheiro de equipe.

Finalmente na volta 58 o piloto da Ferrari faria sua parada e apesar do seu esforço, Schumacher saía logo atrás de Raikkonen. Montoya ainda liderava, mas tinha Raikkonen colado em seu câmbio. Qualquer erro era fatal. Para piorar, Schumacher se aproximava perigosamente de Raikkonen. Nas voltas finais, finalmente o alemão encostou nos dois primeiros. Para aumentar a dramaticidade, o tempo em Mônaco virou e de repente o clima ficou carrancudo. Patrick Head, sócio da Williams, olhava para o céu nervosamente. Será que viria chuva? Não veio e Montoya dava para a Williams sua primeira vitória em Monte Carlos vinte anos depois de Rosberg. Com esse resultado, Montoya entrava na briga pelo campeonato de forma gradual, enquanto a Williams, juntamente com a Michelin, crescia no campeonato. Seria uma das melhores temporadas do século 21!

Chegada:
1) Montoya
2) Raikkonen
3) M.Schumacher
4) R.Schumacher
5) Alonso
6) Trulli
7) Coulthard
8) Barrichello

domingo, 1 de junho de 2008

Itália na cabeça!


Ao contrário da F1, quando os italianos invadem os seus autódromos para o Grande Prêmio da Itália de Motociclismo, eles preferem os homens ao invés das máquinas. E hoje, Mugello viu uma festa italiana, com certeza, com vitória nas três categorias dos representantes do país da bota. Se não fosse o bastante, Simone Corsi e Marco Simoncelli venceram nas categorias menores com motos italianas, enquanto a lenda Valentino Rossi demonstra que um sexto título na principal categoria do Mundial é mais do que uma possibilidade.

A MotoGP chegou a Mugello com um favorito destacado em Rossi, com o piloto da Yamaha vindo de seis vitórias seguidos no circuito de teste da Ferrari. E o italiano não decepcionou. Após conseguir uma pole depois de quase um ano de seca, Rossi venceu com méritos na frente dos seus torcedores com seu capecete muito louco. O único ato falou de Rossi foi na largada, quando saiu mal e chegou a ocupar a quinta posição durante a primeira volta. Sempre achei que Valentino faz isso para dar emoção as provas, pois em pouco tempo o italiano da Yamaha foi ultrapassando um a um seus adversários até chegar à liderança ainda no início da prova para não mais perdê-la. Rossi administrou a vantagem para a briga envolvendo Stoner e Pedrosa com maestria e não foi incomodado em nenhum momento. Foi uma vitória como a dos seus bons tempos, mas Rossi parece que nunca teve uma má fase e é, definitivamente, uma lenda viva do Mundial de Motociclismo.

Stoner e Pedrosa perseguiram um ao outro toda a prova, com vantagem para o australiano. O piloto da Ducati se aproveitou da potência prodigiosa de sua moto e se desvencilhou de Pedrosa após cometer um pequeno erro na metade da prova e perder a posição para espanhol, mas logo Stoner recuperou a posição e finalmente subiu ao pódio após uma fase menos boa. Já Pedrosa, as coisas ficam cada vez mais complicadas no campeonato com a excelente fase de Rossi e a pouca potência da Honda, que numa tentativa desesperada desenterrou Tadayuki Okada, que não participava de uma corrida desde o ano 2000, para testar um motor novo. Por sinal, o companheiro de equipe de Pedrosa não pode fazer nada para ajudar o espanhol, já que após conseguir uma boa posição no grid, Nicky Hayden foi perdendo rendimento até receber a bandeirada numa obscura décima segunda posição.

Outro destaque do meio do pelotão foi Alex de Angelis, que levou sua Honda Gresini ao melhor resultado do ano ao chegar na quarta posição. E próximo de Pedrosa! As Yamahs Tech 3 andaram bem novamente, com Colin Edwards e James Toseland logo atrás de De Angelis. Loris Capirossi começou bem a corrida, mas sua Suzuki foi perdendo rendimento e o italiano, que conversou com o astro Brad Pitt antes da largada, acabou chegando bem para trás. Jorge Lorenzo, que fez dois milagres nas duas últimas provas, finalmente cometeu um erro de novato e caiu ainda no início da prova, se distanciando um pouco na briga pelo título, que pelo jeito ficará entre Rossi e Pedrosa.

Já nas 250cc, Marco Simoncelli conseguiu uma vitória polêmica após um toque em pleno retão em Hector Barberá, com quem disputava a primeira posição até a abertura da última volta. Os dois passaram a prova brigando pela liderança, com Barberá muito mais rápido nas retas, enquanto Simoncelli levava vantagem no miolo. Quando o espanhol tentou ultrapassar mais uma vez o italiano na reta dos boxes, Simoncelli fez um movimento brusco e Barberá acabou tocando na Gilera do seu adversário, fazendo com que sua Aprilia capotasse e o espanhol teve sorte em ter escapado ileso de tamanha pancada. Sem muito com que se preocupar, Simoncelli partiu feliz para sua primeira vitória nas 250cc, seguido por Alex Debon e Thomas Luthi, que também passaram a prova duelando por posição.

Por sinal, a prova italiana foi recheada de acidentes, inclusive com Álvaro Bautista, até aqui a maior decepção do ano. O espanhol caiu sozinho quando liderava a corrida sem muitos problemas e de maior favorito ao título deste ano, Bautista agora tentará correr atrás do prejuízo. O líder do campeonato Mika Kallio fez uma prova de espera e se aproveitou dos vários acidentes para chegar em quarto, mas nem assim o finlandês escapou de alguns incidentes. A equipe KTM tinha orbigado Hiroshi Aoyama ficar atrás de Kallio, mas eis que na última volta, o japonês tentou uma ultrapassagem banzai na última curva da prova e por pouco não levou Kallio ao chão. Quem se aproveitou disso tudo foi Mattia Pasini, que ainda se recuperando de duas quedas durante os treinos, chegou em quinto e viu sua desvantagem para Kallio nãu subir tanto.


Nas 125cc, a corrida foi das mais animadas e emboladas, como sempre acontece na categoria júnior. Porém, a experiência de Simone Corsi falou mais alto no final e o italiano venceu na frente dos seus fãs e assumiu a liderança do campeonato. Agora, o mundial descansará apenas uma semana antes de partir para Barcelona, onde será a vez dos espanhóis lotarem o circuito de Montmeló para torcerem para a vitória de um compatriota seu.