sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Pausa

Para quem percebeu, o blog ficou toda essa semana, mas há um motivo muito simples: por todo esse período fiquei sem computador em casa. Como no trabalho é impossível postar (podendo até custar meu emprego, fora a falta de tempo!), tive que esperar os técnicos trazerem a máquina de volta. Com tudo novo, espero que não fique nessa situação novamente. De posse novamente do computador, terei condições de fazer três novas biografias nesse final de semana.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Figura (HUN): Timo Glock

Se Felipe Massa sofreu o ato mais cruel dos últimos anos e não merecia o final que teve, ele pode se espelhar em Timo Glock para o resto da temporada. O piloto da Toyota também teve uma tarde trágica quinze dias atrás para se recuperar de forma magnífica na Hungria. Tendo que fazer um exame médico para poder correr neste final de semana, Glock começou o final de semana hungáro de forma satisfatória, andando à frente de Jarno Trulli e se colocando num surpreendente pelotão da frente na sexta. No sábado, Glock consegue um excepcional segundo lugar na Q2, no momento em que os carros andam com os tanques de combustível vazios. O quinto lugar no grid ainda foi visto com desconfiança, quando mais parecia que o alemão estava mais leve do que os demais. Ledo engano. Glock largou muito bem e ultrapassou Kubica na largada, andando num sólido quarto lugar, chegando a se aproximar da McLaren de Hekki Kovalainen em alguns momentos. A corrida de Glock seguia na medida em que pilotos iam quebrando a sua frente e de repente o alemão estava num ótimo segundo lugar, mas, graças aos pneus macios que o fez perder rendimento, sendo pressionado pela Ferrari de Kimi Raikkonen. De forma até tranqüila, Glock segurou Kimi e partiu para o seu primeiro pódio na carreira e igualando o melhor resultado da Toyota na história da equipe nipônica. Após um início de temporada claudicante, Glock finalmente se coloca entre os pilotos promissores do futuro e mostra que o título na GP2 não foi por acaso.

Figurão (HUN): BMW Sauber

Pelo que vem mostrando nas últimas corridas, a BMW Sauber já fechou o ano de 2008 com a dobradinha no Canadá e agora só espera, parada, por 2009. Se em Hockenheim a equipe bávara já tinha ser portado muito mal em casa, na Hungria a apresentação da equipe foi ainda pior. Com um carro cheio de apetrechos aerodinâmicos, era fácil indicar que o carro da BMW andaria bem no travado e sinuoso circuito de Hungaroring, onde a pressão aerodinâmica faz um carro vencer ou cair nas profundezas. E foi isso o que aconteceu com a BMW. Sem condição alguma de dar um carro decente aos seus pilotos, a BMW sofreu desde o primeiro dia do Grande Prêmio hungáro e somente o talento de Robert Kubica para o quarto lugar no grid. Mas a "verdadeira" BMW estava nas mãos de Nick Heidfeld, que não se classificou sequer para a Q2, ficando num obscuro décimo sexto lugar. Se é verdade que Heidfeld foi atrapalhado por Sebastien Bourdais no final da Q1, também é verdade que o alemão estava lutando para passar de fase com um carro muito ruim. Na corrida, a via-crucis da equipe continuou. Após perder a posição para um ótimo Timo Glock, Kubica desapareceu após sua primeira parada e só ganhou o ponto da oitava posição por causa da infelicidade de Felipe Massa. Já Heidfeld, lá atrás, fez tudo certo no script. Largou pesado para uma única parada, mas o carro era tão ruim que nem essa estratégia foi capaz de o colocar numa posição digna, ficando muito longe da zona de pontuação. Do jeito que vai, a BMW não chegará ao almejado lugar entre as equipe campeãs em 2009. Nem mesmo como terceira força!

domingo, 3 de agosto de 2008

Que pena!


Um campeonato nunca é decidido apenas por um momento ou manobra. Mas há certas ocasiões que um momento pode valer o campeonato pelo lado psicológico. Num primeiro momento, Felipe Massa serpenteia por entre as McLarens após uma largada fulminante e após um instante de receio de Hamilton na primeira curva, assume a liderança. Ao contrário de todos os prognósticos, vai aumentando a diferença para o rival da McLaren. Em outro instante, Felipe Massa se vê, a três voltas do fim, com uma confortável vantagem sobre o segundo colocado, que nem era mais Hamilton. Quando aponta na reta dos boxes, o motor pára de funcionar. Quando Felipe olha no retrovisor, vê apenas uma densa fumaça branca. Depois o carro vai perdendo velocidade após deixar uma longa mancha de óleo. Agora vem as mãos na cabeça e as lágrimas debaixo do capacete. Esse segundo momento pode ter definido o campeonato.

O Grande Prêmio da Hungria foi fiel a sua tradição de grandes procissões. Hoje a corrida foi chata, amarrada e sem disputas de posição. Afora a ultrapassagem de Button sobre Barrichello e o erro de Nelsinho na primeira volta, o que se viu foram carros encostados um ao outro sem chance de ultrapassar. Mas, seguindo roteiro de 2008, a corrida em Budapeste foi das mais imprevísiveis. Quem apostaria em Heikki Kovalainen antes da prova com seu companheiro (e queridinho) de equipe Lewis Hamilton na pole? Quem apostaria em Heikki Kovalainen a cinco voltas do fim, com 7s de desvantagem para um soberano Felipe Massa? Pois foi o piloto nórdico da McLaren que acabou vencendo esta corrida. Não dá nem para dizer que a renovação do seu contrato influiu em alguma coisa, pois Kovalainen vinha no mesmo ritmo das demais corridas. Ou seja, indo pro "vamos ver no que é que dá!". Deu uma vitória que caiu, literalmente, no seu colo, pois como o próprio finlandês admitiu, ele era mais lento do que Massa e Hamilton.

Depois de Massa, não restam dúvidas que o nome da prova de hoje é Timo Glock. Se na Alemanha Nelsinho Piquet conseguiu um segundo lugar na base da sorte, Timo igualou o melhor resultado da história da Toyota com um ótimo desempenho em toda o final de semana. Diferentemente da quinzena anterior, quando deixou o circuito numa ambulância, Glock foi rápido desde os treinos e quando todos pensaram que ele cairia em ritmo de corrida, o piloto da Toyota andou no mesmo ritmo da McLaren de Kovalainen, não dando chances aos pilotos que vinham atrás dele. Ainda para surpresa geral, o resultado conseguido por Glock na Classificação não se deveu a estratégia de combustível, pois ele parou no momento em que todos fizeram suas paradas. Apenas quando Timo colocou os pneus extra-macios, é que a Toyota perdeu, e muito, rendimento e o atual campeão da GP2 teve que segurar o outro campeão de 2007, Kimi Raikkonen, no finalzinho da prova. Foi um resultado encorajador para Glock, que superou um incógnito Jarno Trulli durante toda a prova. Só espero que o acidente em Hockenheim não tenha nada a ver com o desempenho de Glock na Hungria, pois já pensou se isso virasse algo a ser seguido?

Raikkonen vinha fazendo uma prova anônima até "acordar", quando o finlandês calçou os pneus macios. De repente, Kimi passou a marcar voltas mais rápidas e se aproximou perigosamente de Glock no final da prova. Quando Massa estourou o seu motor, Kimi diminuiu repentinamente o ritmo e me deu a impressão de estar com algum problema no pneu traseiro direito, pois na câmera on-board o carro quicava bastante. Porém, quando se lembra que o finlandês largou em sexto, perdeu uma posição para Alonso na largada, permaneceu atrás do espanhol a corrida inteira, a terceira posição saiu mais do que no lucro para o atual campeão mundial, que ainda subiu para segundo no Mundial de Pilotos.

Desta vez, Fernando Alonso não usou de táticas diferentes para colocar seu Renault no pelotão da frente e conseguiu sua melhor posição desde o Grande Prêmio da Austrália, que abriu a temporada. O espanhol ainda teve que suportar a Ferrari de Raikkonen colada em seu cangote toda a corrida e só foi ultrapasssado, nos boxes, é claro, na segunda rodada de paradas. Nelsinho Piquet conseguiu duas posições na largada, mas um errou ainda na primeira volta o fez perder essas mesmas dois posições. Mais pesado, Nelsinho rezava para uma repetição de Hockenheim, mas o safety-car não apareceu e ele teve que brigr a corrida toda com Trulli, seja na pista, seja voltando dos boxes, promovendo um dos raros momentos de emoção da corrida. A sexta posição de hoje mostra a real posição de Nelsinho na F1 atual. O que não deixa de ser bom, mas a Renault não aproveitou o péssimo dia da BMW para beliscar mais um pódio hoje.

Hamilton esteve irreconhecível hoje e fazia uma prova totalmente apática, até que a sorte, que parecia que o tinha abandonado quando o inglês teve um pneu furado logo após a reta dos boxes, lhe tirou um pouco do prejuízo com a quebra de Massa e Lewis ainda pôde permanecer na liderança do Campeonato. Porém, Hamilton nunca esteve em condições de lutar com Massa quando ambos ponteavam a corrida e sua pouca luta na primeira curva mostrou cautela, ao mesmo tempo que revelou fraqueza rente a um Massa lutador. Por isso, a frase de Cléber Machado na transmissão de hoje resume bem o que houve com Massa. Um pecado! Sua largada já disse tudo e a forma como liderou poderia lhe levar a decisão da Ferrari de lhe colocar como primeiro piloto da scuderia. Agora com Kimi a sua frente, essa decisão se tornará ainda mais complicada.

A BMW teve o pior final de semana de 2008 e nem o talento de Kubica impediu o seu desaparecimento depois da primeira parada dos boxes. O pontinho conquistado, graças as quebras alheias, ainda foi o consolo de um péssimo final de semana. Largando lá atrás, tudo o que Nick Heidfeld podia fazer era largar muito pesado e parar uma vez. E foi isso que o alemão fez, mas nem isso foi capaz de Heidfeld ficar, sequer, próximo de pontuar. Outra equipe que decepcionou foi a Red Bull, com Webber fazendo uma corrida discretíssima e Coulthard da mesma foram. A única coisa que chamou atenção para a equipe austríaca foi, como costuma acontecer, suas lindas garotas nos boxes. Já a Toro Rosso chamou a atenção de outra forma mais perigosa. Enquanto Vettel abandonou cedo, o carro de Sebastien Bourdais pegou fogo duas (!) vezes durante os dois reabastecimentos, deixando o francês na última posição. Mas a imagem foi espetacular e prova toda a segurança da F1 contra incêndios.

Incêndios esses que aconteceram também com a Williams e com a Honda. No da equipe inglesa, nem o fogo foi capaz de parar Kazuki Nakajima, que andou mais forte do que Nico Rosberg mais uma vez. Já Rubens Barrichello perdeu tempo demais e ficou muito para trás, sendo que já tinha sido ultrapassado por Button no início da prova. Com o péssimo carro que tem em mãos, a décima segunda posição do inglês valeu muita coisa. Com tantos problemas com os rivais mais próximos, a Force India teve condições de brigar um pouquinho mais à frente e pôs Fisichella e Sutil misturados com Toro Rosso, Williams e Honda. Mesmo com Sutil abandonando, a Force India colocou Fisichella à frente de Barrichello e Bourdais.

Na transmissão de hoje, fica claro que Galvão faz falta a F1. Quando Massa quebrou, minha mãe logo afirmou. "Se hoje fosse o Galvão..." Além disso, o Cléber Machado cai meio que de pára-quedas na transmissão e as vezes parece meio perdido. Galvão tem seus defeitos, mas é muito mais bem-informado. Pena que não sabe usá-las muito bem... Por sinal, até o Massa quebrar, a transmissão estava horrível, com muito ufanismo barato. Por essas e outras que conheço muita gente já ficando com raiva do Massa...

Porém, para se refazer de um baque como o de hoje, Massa terá que ter um lado psicológico muito forte, talvez tendo que mostrar mais tenacidade do que no início da temporada, quando ele errou duas vezes e foi espinafrado por todo lado. Quando tudo parecia certo a seu favor, inclusive com uma decisão da Ferrari a seu favor bem próximo, eis que essa quebra no motor põe tudo a perder. Mas acontece. Massa teve muita sorte na França, mas hoje foi seu dia de azar. Quem se aproveitou foi a Finlândia, pois Heikki Kovalainen entrou no rol dos vencedores e Raikkonen entrou novamente na luta pelo título. Não devemos nos esquecer do ano passado. Nessa mesma época do ano Kimi estava mortinho da silva para ressurgir feito uma furacão no final.

sábado, 2 de agosto de 2008

Lewis continua quente


Na escaldante Hungaroring, Lewis Hamilton mostra que suas vitórias nas duas últimas provas não foram frutos das confusões que marcaram as etapas na Inglaterra e na Alemanha e de forma dominante, conquistou mais uma pole em 2008. Com uma McLaren cada vez melhor, Hamilton ratificou seu favoritismo na travada pista de Hungaroring e para mostrar que o carro prateado realmente está melhor do que os demais, Heikki Kovalainen acabou de pintar de cromo a primeira fila húngara.
Já na sexta-feira o domínio de Hamilton ficou aparente. Durante as duas primeiras partes da Classificação, ficou claro que Lewis estava andando com 60 ou 70% do seu potencial, apenas se resguardando para a hora que importava. Para que ser o mais rápido na Q2, quando o que importa é o Q3? Por isso que o inglês não se preocupou muito em ser superado por Massa e acabar em terceiro. Na Q3, ele botou botou a faca entre os dentes e não deu chance a ninguém, conquistando a nona pole de sua carreira e num circuito em que a posição do grid diz muito, dá para dizer que Hamilton deu um passo importantíssimo rumo a segunda vitória consecutiva no Grande Prêmio da Hungria. E para melhorar a vida do inglês, Heikki Kovalainen, de contrato assegurado para 2009 com a McLaren, completará a primeira fila amanhã. Isso significará uma preocupação a menos para Hamilton, pois dificilmente Kova irá ameaçar o predomínio do queridinho da McLaren na primeira curva. Resta agora para Kovalainen tentar se manter em segundo e ajudar o máximo possível Hamilton na corrida de amanhã. Algo que o finlandês não conseguiu até agora.

Felipe Massa começa a dar indícios que será o piloto da Ferrari para 2008 na tentativa de impedir o título de Hamilton. O brasileiro foi o melhor do resto (algo incomum em se tratando de Ferrari) e colocou três décimos em cima de um cada vez mais desmotivado Kimi Raikkonen. Pela velocidade de Massa e o desânimo de Kimi nesse atual momento, não demorará para a Ferrari escolher o brasileiro como o Number One. Com a BMW num momento de claro declínio, o quarto lugar de Kubica deve estar mais relacionado com a quantidade de combustível e o talento inerente do polonês do que a competitividade do carro. Numa clara demonstração disso, Nick Heidfeld ficou logo na Q1 e mesmo que tenha sido atrapalhado por Sebastien Bourdais em sua melhor volta, o alemão estava brigando para ficar entre quinze primeiros na Q2.

Ainda é cedo para afirmar, mas a pancada na Alemanha parece ter chacoalhado a cabeça de Timo Glock e o alemão andou muito na Classificação desta manhã. Não foi a quinta posição de hoje, à frente de Kimi Raikkonen, que mais impressionou a todos. Mas foi a segunda posição na Q2, quando os carros andam mais leves e, por isso, mais rápidos. Na Hungria, a Toyota é a terceira equipe na relação de forças e por isso foi decepcionante a nona posição de Trulli, que normalmente se classifica muito bem, sempre à frente de Glock. O pódio de Nelsinho deu forças para o novato brasileiro e ele se classificou para a Q3, logo atrás atrás de Alonso. A Renault cresceu, mas o crescimento de Nelsinho se deve muito mais ao psicológico do que ao técnico.

As equipes da Red Bull não se encontraram na travada pista da Hungria e apenas Mark Webber, ainda assim a duras penas, se classificou para a Q3. Os outros três representantes da marca austríaca ficaram praticamente juntos, mas Bourdais pode sofrer punição por ter atrapalhado Heidfeld na Q1. A Williams continua seu longo declínio e por muito pouco os dois carros não ficaram na Q1, mas Rosberg sequer entrou na pista na Q2, preferindo ficar em décimo quinto. A Honda é que permanece na mesma, apesar de Button ter superado Barrichello até com facilidade. Até quando irá a paciência dos japoneses em verem seus carros andando no pelotão de trás?

Nas últimas provas o imponderável vem acontecendo nas corridas da F1 e uma zebra sempre pode acontecer. Em condições normais de temperatura e pressão, Hamilton é o favorito destacado para amanhã e a McLaren tem ótimas chances de conseguir uma dobradinha. Mas as condições não estão nada normais em 2008 para a F1!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Vídeo

Até para quem não gosta de F1, é difícil não se emocionar com as imagens do acidente e da tentativa de salvamento de David Purley. E com uma música de fundo dessa...

Um mártir


Uma amiga minha sempre falava que um fato histórico nem sempre era uma coisa boa. Hoje irei falar de um fato histórico bastante triste e terrível da F1. Roger Williamson era a maior esperança da Inglaterra na F1 no início dos anos 70 e seus resultados nas categorias de base serviam para comprovar isso. Ajudado pelo fiel amigo Tom Wheatcroft, Williamson chegou à F1 com toda a pompa de futuro campeão, mas o que marcou sua curtíssima carreira foi a sua trágica morte, o que também elevou David Purley como um dos grandes heróis da F1. Completando 35 anos daquele dia triste para a F1, iremos ver um pouco a carreira deste cometa que passou rapidamente pelo automobilismo.

Roger Williamson nasceu no dia 2 de fevereiro de 1948 em Leicester, na Inglaterra. A velocidade sempre foi algo corriqueiro para o pequeno Roger, pois seu pai, Donald, era um piloto de speedway, uma corrida de moto em pequenos circuitos ovais de terra. Quando tinha apenas oito anos, Williamson fez uma apresentação em um carro de corrida em miniatura no estádio de Leicester, na preliminar de uma corrida do seu pai. Com apenas doze anos ele fez sua estréia no kart e ganhava experiência na pequena pista de Narborough Road South, em Breunstone. Aos 14 anos, Williamson já tinha vencido tudo na categoria júnior de kart e quando passou para as categorias principais, seu domínio continuava, se tornando uma estrela do kartismo britânico. Em seu último no kart, em 1966, Roger venceu quatro títulos ingleses.

Como não era rico, Williamson teve que iniciar sua carreira no automobilismo no turismo, competindo com carros Minis, que eram mais baratos. Com apenas 19 anos, ele participou do Campeonato 850 Saloon e logo de cara, venceu 14 das 18 corridas do campeonato, se tornando campeão logo em sua estréia no automobilismo de competição. No final deste ano, Roger comprou um carro de F3, mas ele teve problemas mecânicos em uma prova e o carro pegou fogo, atrasando seu início nos monopostos. Sem muito dinheiro, Williamson resolveu permanecer mais algum tempo nos carros de turismo, mas desta vez andando com um Ford Anglia. Foi quando seu nome dentro do automobilismo inglês estourou de vez. Triunfando em várias provas, Roger venceu os campeonatos de turismo em 1969 e 1970.

Todo esse sucesso o fez, finalmente, estrear nos monopostos, com um F3 em 1971 e o sucesso foi imediato, com Williamson vencendo o Lombard Championship e sendo vice na Shell series. Ele também participou da Copa Européia de F3, terminando o torneio em quinto. Em sua primeira temporada nos monopostos, Williamson venceu 14 corridas e foi escolhido o piloto jovem inglês do ano. Participando do Grande Prêmio de Mônaco de F3, ainda em 1971 Roger conhece o homem que o ajudaria pelo resto da sua vida: Tom Wheatcroft. Mesmo com tanto sucesso, Williamson permanece mais um ano na F3 e em 1972, venceu os dois campeonatos ingleses de F3. Foram três títulos em dois anos! E Williamson não bateu em bêbado, pois enfrentou pilotos do naipe de James Hunt, Jody Scheckter, Tom Pryce e outras feras. Wheatcroft prepara uma equipe de F2 especialmente para Williamson e o inglês participa das primeiras etapas do Campeonato Europeu de F2 1973, inclusive com uma vitória de ponta a ponta em Monza. O que Williamson não sabia era que esta seria a sua última vitória.

As equipes de F1 já começavam a se impressionar com o talento de Williamson e não demorou para que o jovem inglês fizesse seu primeiro teste em um carro da categoria. Ele foi convidado pela BRM e seus resultados foram tão bons, que a equipe tentou contratá-lo, mas Wheatcroft não gostou da proposta e Williamson recusou a oportunidade de estrear na F1 pela tradicional equipe. Procurando um piloto jovem para comprar uma vaga, a BRM cedeu a vaga para um jovem e desconhecido austríaco que não tinha se destacado nas categorias de base européias: Niki Lauda. Na verdade, Wheatcroft estava planejando fazer uma equipe de F1 em torno de Williamson e na metade da temporada ele comprou um March 731 para o seu pupilo. Mesmo conhecendo com a palma da mão o circuito de Silverstone, Williamson só conseguiu a vigésima segunda posição no grid. Largando lá atrás, Roger estava a mercê de confusões e logo na primeira volta, esta confusão ocorreu. E que confusão! Jody Scheckter estava em terceiro e rodou na última curva, provocando um dos maiores acidentes da história da F1, envolvendo 14 carros, inclusive Williamson, que não voltou para a relargada.

O March ficou bastante danificado, mas foi consertado a tempo para o Grande Prêmio da Holanda, quinze dias depois. Zandvoort tinha ficado um ano sem receber a F1 a fim de melhorar as condições de segurança da pista, que eram precárias. Os organizadores construíram uma nova torre de controle, novas barreiras de pneus e a pista foi inteiramente recapeada. Durante os treinos, Emerson Fittipaldi sofreu o seu pior acidente na F1 ao capotar seu carro e ficar preso nas ferragens do seu Lotus. O brasileiro ainda largou para a corrida, mas abandonou a prova ainda no início, com o tornozelo machucado. Por isso, o clima estava tenso naquele dia 29 de julho de 1973. Ainda se adaptando ao carro, Williamson larga apenas em décimo oitavo, mas para um novato em um carro competitivo, o inglês já começava a chamar atenção dos demais chefes de equipe.

Williamson faz uma largada convencional e era perseguido pelo seu amigo David Purley, que também tinha estreado na F1 no Grande Prêmio da Inglaterra. Mesmo correndo com um March, Purley não era companheiro de equipe de Roger. Na sétima volta, o pneu do carro de Williamson estourou sem aviso, no mesmo local do acidente que tinha matado Piers Courage três anos antes. O carro bateu no muro de contenção e capotou, se arrastando por longos 275 metros. O March capotado atravessou a pista e parou no guard-rail do outro lado, ainda capotado. Williamson ficou prensado no muro e mesmo ileso, estava preso dentro do seu carro. A tragédia começou quando o seu tanque, que estourou enquanto se arrastava, começou a pegar fogo. Ao ver a cena à sua frente, David Purley encostou seu carro e saiu correndo para ajudar o seu amigo.

No início, o fogo era baixo, mas uma série de fatores produziu uma das cenas mais dramáticas da história do automobilismo. Inicialmente os comentaristas da TV holandesa, os fiscais de prova e os outros pilotos pensaram que o carro ali destroçado era de Purley e vendo-o tentando virar o carro, concluíram que o piloto estava bem e estava apenas tentando diminuir o prejuízo da sua pequena equipe. Os “bombeiros” estavam mal equipados e mal treinados e somente um extintor foi usado por Purley para apagar o incêndio. Os comissários, que perceberam que o fogo estava aumentando, pediam para que Purley saísse de perto do carro e que esperasse pelo caminhão dos bombeiros. Os comissários usavam roupas comuns e não podiam encostar no carro por causa do calor, enquanto Purley, sozinho, pouco podia fazer. Graças aos chamados de Purley, alguns torcedores tentaram ir ao local do acidente, mas foram barrados pela organização e por policiais, que chegaram a usar cachorros para afugentar as pessoas. O caminhão de bombeiros só chegou oito minutos depois. Roger Williamson, de apenas 25 anos, morreu de asfixia.

Mesmo com um caminhão de bombeiros na pista e um piloto sem vida sendo resgatado, a corrida continuou sem problemas, apenas com uma bandeira amarela sendo mostrada para os demais pilotos. Denny Hulme disse depois da corrida que não imaginava que Purley estava tentando salvar Williamson e não entendia o desespero do piloto. Niki Lauda disse que ficou furioso por não ter parado o carro para ajudar. Anos depois, surgiu uma versão de que o diretor de prova havia olhado de seu posto para o local do acidente com um binóculo. Ao ver um piloto andando perto do carro em chamas, o diretor teria concluído que tudo estava bem e que os danos eram apenas materiais. Daí a decisão de não paralisar a corrida. Como não poderia deixar de ser, Purley ficou arrasado por não ter salvado o seu amigo, mas o seu gesto fez com que ele fosse condecorado com a George Medal, a condecoração civil mais alta da Inglaterra, por bravura. Após esse ocorrido, Purley ficou mais conhecido pelo seu ato de heroísmo do que pelo que fazia nas pistas. Ele encerrou sua carreira em 1977, após sobreviver milagrosamente a um seríssimo acidente nos treinos para o Grande Prêmio da Inglaterra, quando colocou seu nome no Guiness Book, como o homem a sobreviver a maior força-G já registrada. O funeral de Roger Williamson foi acompanhado por mais de 25.000 pessoas e a F1 em peso participou do rito. Jackie Stewart, que venceu a corrida, ficou tão triste, que muitas pessoas afirmam que foi nesse dia que Jackie decidiu abandonar a F1 no final de 1973.

Por sinal, Stewart e Williamson por pouco não foram companheiros de equipe. Sabendo que havia a possibilidade de Stewart se aposentar, Ken Tyrrell procurava um novo piloto e sondou Roger Williamson e Tom Wheatcroft. Ficou acertado que Williamson participaria dos Grandes Prêmios do Canadá e dos Estados Unidos pela Tyrrell e havia a possibilidade de um contrato para 1974. Porém, Williamson recusou a proposta, pois Wheatcroft já tinha acertado com a McLaren para um terceiro carro para ele em 1974.

A morte de Williamson foi a primeira da chamada "Geração Perdida", onde jovens e promissores pilotos ingleses faleceram ainda no início de suas carreiras na F1. Os outros foram Tony Brise (1975) e Tom Pryce (1977). No trigésimo aniversário da morte de Williamson, Wheatcroft ergueu uma estátua de bronze em tamanho natural para Roger no circuito de Donington Park, cujo dono é o velho chefe de equipe. "Aquele foi o dia mais triste da minha vida", falou Wheatcroft no dia da inauguração da estátua, junto com a irmã de Roger. Aquele foi um dia triste para o automobilismo em geral, pois se já tinha ocorrido várias mortes violentas nas corridas até então, pela primeira vez se viu uma cena tão dramática pela TV. As fotos tiradas pelo holandês Cor Mooij lhe renderam o prêmio World Press Photo para o esporte naquele ano. Da mesma forma que o talento de Roger Williamson nunca será esquecido, o heroísmo de Purley sempre será lembrado. Quando chegou aos boxes, após ajudar no resgate de Williamson, Purley ainda cedeu uma emocionante entrevista aos repórteres. Chorando, ele disse: “Eu não consegui desvirar o carro. Eu pude ver que ele estava vivo e pude ouvir ele gritando 'Pelo amor de Deus, tirem-me daqui!' , mas não consegui desvirar o carro. Eu tentei chamar outras pessoas para me ajudar e se eu conseguisse desvirar o carro, eu poderia tira-lo de lá.”