quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História: 35 anos do Grande Prêmio da Argentina de 1974


Assim como em 2009, a temporada de 1974 começou com o signo da crise. Se hoje são as seguradoras americanas que estão levando terror ao mundo, trinta e cinco anos atrás o problema era o petróleo, algo que poderia afetar o automobilismo de forma muito mais profunda do que hoje. No entanto, essa crise só determinou o cancelamento do tradicional Rally de Monte Carlo, enquanto hoje, várias montadoras abandonaram o barco em várias categorias. Se hoje há, até agora, nove equipes, em 1974 haviam catorze.

Haviam muitas mudanças entre os times, principalmente nas duas equipes que dominaram o biênio 1972-73. A Tyrrell tinha perdido não apenas o campeão atual, como o seu potencial futuro campeão. François Cevert faleceu no último treino de Classificação de 1973 e isso fez com que Stewart, campeão em 1973, se retirasse das pistas antes de completar seu centésimo Grande Prêmio. Patrick Depailler, que seria o companheiro de equipe de Cevert, teria a companhia de Jody Scheckter, conhecida por sua impetuosidade selvagem. Na Lotus, Ronnie Peterson seria colocado como piloto número um após a saída de Emerson Fittipaldi. O brasileiro teve alguns problemas na hora de renovar seu contrato e por isso se juntou a McLaren, iniciando uma das grandes parcerias da história da F1. Para trazer Emerson, a McLaren contou com o apoio da Marlboro, que pagaria o salário milionário do campeão de 1972 e pintaria os carros da McLaren de vermelho e branco por 23 anos. Para o lugar de Fittipaldi, viria Jacky Ickx, após vários anos pela Ferrari, contudo, a Lotus vivia um drama. O histórico Lotus 72 já era para estar realmente na história e iniciava sua quinta temporada e os sinais de cansaço eram evidentes.

A Ferrari iniciava 1974 com várias mudanças. Luca di Montezemolo iniciava sua carreira nas corridas e traria de volta Clay Regazzoni para a equipe. Perguntado quem seria um parceiro ideal, Rega indicou seu companheiro de equipe na BRM: Niki Lauda. O austríaco tinha feito uma ótica temporada em 1973, dentro das limitações da sua pequena equipe e com a ajuda de Regazzoni, entrou pela porta de frente na Ferrari. Emerson teria ao seu lado na McLaren o campeão de 1967 Denny Hulme e a terceira McLaren, patrocinada pela Yardley, estava Mike "The bike" Hailwood. Peter Revson, que cedeu seu lugar a Fittipaldi, iria para a promissora equipe Shadow, onde correria ao lado do também promissor Jean-Pierre Jarier. Carlos Reutemann permanecia na Brabham e teria ao seu lado, em sua terra natal, o inexpressivo Richard Robarts, enquanto Wilsinho Fittipaldi saía da equipe para iniciar o sonho da equipe Fittipaldi.

Os organizadores argentinos decidiram utilizar o circuito de número 15, mais longo e muito mais rápido. Com várias mudanças em seu line-up, a F1 viu caras novas em diferentes carros. Mas o pole não. Peterson mostrou velocidade em todo o ano de 1973 e não foi diferente na primeira etapa de 1974, conseguido a pole à frente da Ferrari de Regazzoni. Ambos voltavam aos bons tempos. Em sua nova equipe, Emerson mostrava sua velocidade e conseguia um lugar na segunda fila, com o piloto que o substituiu na McLaren, Peter Revson, ao seu lado.

Grid:
1) Peterson (Lotus) - 1:50.78
2) Regazzoni (Ferrari) - 1:50.96
3) Fittipaldi (McLaren) - 1:51.06
4) Revson (Shadow) - 1:51.30
5) Hunt (Hesketh) - 1:51.52
6) Reutemann (Brabham) - 1:51.55
7) Ickx (Lotus) - 1:51.70
8) Lauda (Ferrari) - 1:51.81
9) Hailwood (McLaren) - 1:51.86
10) Hulme (McLaren) - 1:52.06

O dia 13 de janeiro de 1974 começou quente e com muito sol em Buenos Aires, mas isso não impediu que vários torcedores fossem ao Autodromo Oscar Gálvez gritar "Lole", em homenagem a Carlos Reutemann. No circuito número 15, a curva 1 era diferente do circuito nove e isso poderia trazer algumas dificuldades para os pilotos na primeira curva da temporada. Peterson larga bem e permanece em primeiro, enquanto logo atrás de si, uma confusão se iniciava. Hailwood faz uma super-largada e aparece entre os primeiros antes da primeira curva, junto com Hunt, Regazzoni e Revson, num bolo de carros no aproche da primeira curva. O acidente foi inevitável. Regazzoni e Revson rodaram, enquanto Jean-Pierre Jarier, que era companheiro de equipe de Revson, ficou sem ter para onde ir e atingiu... Revson! Ambos estavam fora da prova naquele mesmo local. Mais atrás Watson e Merzario danificaram seus carros, enquanto Scheckter, para evitar maiores problemas foi pela grama. Hunt parecia o grande beneficiado desta confusão, mas acabou desperdiçando essa chance ao rodar e cair para as últimas posições.

Após baixada a poeira, Peterson liderava à frente de Reutemann, Fittipaldi, Hailwood, Ickx e Hulme. O público argentino via com esperança Reutemann em segundo e na segunda volta a torcida foi ao delírio com o argentino assumindo a liderança da corrida. Na volta seguinte, Emerson saiu da pista e após uma rápida olhadinha, o brasileiro voltou ao carro. Ninguém entendeu nada, mas Fittipaldi tinha desligado o seu carro sem querer e estragou completamente sua estréia na McLaren. O próprio brasileiro admitiria mais tarde que este tinha sido o erro mais grave em sua longa carreira. No entanto, a equipe capitaneada por Teddy Meyers não estava fora do jogo e em terceiro já vinha Mike Hailwood, com Hulme logo atrás, após o neozelandês ultrapassar o companheiro de equipe três voltas depois. Peterson perdia rendimento com um problema nos freios e na décima volta foi ultrapassado por Hulme, e na seguinte por Ickx, que tinha ultrapassado Hailwood e o inglês era pressionado pela Ferrari de Niki Lauda.

Enquanto tudo isso acontecia, Reutemann permanecia soberano na ponta da corrida, com Denny Hulme num distante segundo lugar. Após deixar Hailwood para trás, Lauda passou a pressionar Ickx na briga pela terceira posição. A batalha durou até a volta 27, quando Ickx entrou nos boxes com um pneu furado, fazendo com que Lauda ficasse num isolado terceiro lugar. Numa grande recuperação após o problema na primeira curva, Regazzoni já aparecia em quarto após ultrapassar Hailwood e Peterson. Vendo a corrida na Casa Rosada, Juan Domingo Perón tem a ideia de ir ao autódromo entregar pessoalmente o troféu de vencedor ao grande ídolo argentino Carlos Reutemann. A torcida fica sabendo que Perón estava a caminho do circuito e aumentou ainda mais a festa. Estava tudo preparado, mas como um tango argentino, a história não seria muito feliz.

O asfalto do circuito de Buenos Aires era bastante ondulado e isso fez com que a entrada de ar do Brabham de Reutemann se soltasse. Aos poucos, o problema ia piorando, mas nem Reutemann e muito menos a torcida deu muita bola para isso. Porém, isso traria problemas mais tarde. Como havia diminuído a quantidade de ar entrando no motor, o consumo de combustível aumentou e isso fez com que Reutemann ficasse sem gasolina, de forma cruel, na penúltima volta da corrida. Perón teve que voltar imediatamente do seu helicóptero, enquanto outra pessoa era designada a dar o troféu de vencedor a Hulme, que se sensibilizava, mesmo na alegria pela vitória, com o sofrimento do povo argentino e de Reutemann. "Essa corrida era de Carlos. Ele merecia vencer".

Chegada:
1) Hulme
2) Lauda
3) Regazzoni
4) Hailwood
5) Beltoise
6) Depailler

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Subiu no telhado


O caso de Hélio Castroneves é grave e poucos ainda se deram conta disso. O paulista de Ribeirão Preto pode ficar preso por alguns anos, junto com sua irmã e antigo advogado, e as acusações contra eles são graves e, litealmente, federais! Como a Penske tem que pensar no seu futuro, não apenas na sua atual estrela, a equipe decidiu trazer o australiano Will Power para a pré-temporada e, pelo andar da carruagem, até o final do ano. Claro que o Helinho pode ser absolvido e ficar no mercado, mas dificilmente ficará na equipe Penske.

Quem não tem nada com isso é Will Power. O australiano começou sua carreira em seu país e após se destacar na F3 local, se mudou para o certame inglês e não fez um grande sucesso. De forma surpreendente, Power se mandou para a agonizante Champ Car e fez duas boas temporadas, tanto que foi chamado para participar da nova Indycar Series, donde se destacou em circuitos mistos e foi um dos melhores pilotos vindos da Champ Car. Num golpe de azar e sorte, perdeu o patrocínio que o mantinha na equipe KV e ficou disponível no mercado, fazendo com que se iniciasse as negociações com a Penske, uma equipe infinitamente maior e mais tradicional em comparação a KV. Power alinhará ao lado do seu compatriota Ryan Briscoe (ou Bryan Riscoe, como diria Luciano do Valle) e poderá ficar até o final do ano. Quanto ao Hélio, só nos resta torcer que essa provável demissão seja apenas um mal menor.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

F60


Para a F1, a Temporada 2009 começou hoje, com o lançamento do primeiro carro para este ano. Logo de cara, uma das favoritas ao título se mostrou ao mundo e a Ferrari mostrou ao mundo seu novo bólido: a F60. Ao contrário do esperado F2009, veio uma homenagem a temporada de número sessenta da F1, que sempre tinha uma Ferrari no grid. A F60 é o primeiro modelo com as novidades para a temporada vindoura e ao contrário do que se podia imaginar, o carro não ficou tão feio assim. Na minha opinião, ocorreu o inverso. Com linhas mais limpas, o carro ficou até mais bonito, fora que o tamanho diminuto da nova traseira deu a impressão que o carro é menor do que o ano passado, quando as medidas oficiais nos diz o contrário.

Para Felipe Massa e Kimi Raikkonen, a esperança de que a F60 seja o sinal de que 2008 já é passado é forte, mas por motivos diferentes. Enquanto Massa quer esquecer a decepção do ano passado, quando perdeu o título na última curva, Raikkonen quer esquecer sua pífia tentativa de manter o título de 2007. O brasileiro já deu algumas voltas em Mugello, mas ainda há um longo caminho rumo ao verdadeiro carro que estreará em Melbourne em março.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Feio! (2)


Não bastasse a "linda" presença do nasal Robert Kubica, a F1 ganhou nesta sexta-feira a chegada de mais um belo espécime do sexo masculino. Não entendo de homem, meu negócio mesmo é mulher, mas quando o negócio é feio, dá para perceber a quilomêtros. Como é o caso do suíço Sebastien Buemi, confirmado pela Toro Rosso em 2009.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mais uma se foi


A Kawasaki é uma marca tradicional e quando entrou na MotoGP, em 2003, depois de anos sem participar do Mundial, fiquei curioso em ver aquelas máquinas verdes contra Honda, Yamaha e cia. No entanto, a empresa não parecia com muita vontade de investir e nunca saiu das posições intermediárias. Com uma crise desse tamanho, não foi surpresa ver a montadora japonesa fechar sua equipe na MotoGP. Assim como as outras, foi uma pena e a MotoGP vai perdendo espaço cada vez mais. Estão programados apenas 17 motos para 2009, sendo que 15 marcam pontos por GP. Muito pouco e a crise vai fazendo suas vítimas no meio do esporte a motor.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O maior de todos


Poucos podem ficar indiferentes a esse homem. Ame-o ou deixe-o, Michael Schumacher foi um dos maiores pilotos da história e quebrou todos os recordes possíveis e imaginários na F1. Dono de uma velocidade exuberante e de muito espírito de liderança, Schumacher também tem umas das carreiras mais polêmicas do qual um piloto pode pensar em ter. No desenho "A corrida maluca", Schumacher sempre transitou entre o "Peter Perfeito" e "Dick Vigarista". Para quem tem entre 20 e 30 anos de idade, como eu, cresceu vendo Schumacher trucidar seus adversários ao longo de algumas gerações, como a sua (Hakkinen, Frentzen, Irvine, Coulthard e Barrichello) e a seguinte (Fisichella, Ralf Schumacher e Trulli). Completando quarenta anos ontem, vamos ver quarenta fatos marcantes desse piloto que, bem ou mal, entrou para a história.

1 - Michael Schumacher nasceu no dia 3 de Janeiro de 1969 na pequena cidade de Hurth- Hurtelheim, nos arredores de Colónia, filho mais velho de Rolf e Elizabeth. Muito novo, a família Schumacher se mudou para Kerpen, onde existia um kartódromo que pertenceu a Wolfgang Von Trips, até aquele momento, única estrela do automobilismo alemão.

2 - Michael começou a correr de kart aos três anos idade, mas só foi competir aos doze, ainda assim com uma licença de Luxemburgo, pois na antiga Alemanha Ocidental, só se podia correr aos quatorze. Como era de família relativamente pobre, a família Schumacher se uniu para manter Michael correndo e Elizabeth passou a tocar o bar do kartodromo, enquanto Rolf era mecânico. Schumacher se tornou um grande kartista, vencendo dois campeonatos alemães e um europeu, mas nunca o mundial. Em 2001, quando já era uma super-estrela, ele tentou novamente, mas acabou em 3º lugar, atrás de Vitantonio Liuzzi. Até hoje, Schummy ama o kart e sempre que pode, dá algumas voltas.

3 - Em 1988, Michael estreou nos monopostos, disputando a F-Ford e a F-Köenig, sendo campeão do último. Quando procurava um lugar na F3, encontrou aquele que o acompanharia o resto da sua carreira: Willi Weber. Foi na equipe dele que Michael Schumacher se tornou campeão alemão de F3 em 1990. O interessante desta época foi que Schumacher não era o principal destaque das categorias de base. No cenário alemão, todos preferiam Heinz-Harald Frentzen, enquanto no europeu, Mika Hakkinen se destacava. Michael derrotou Frentzen no Campeonato Alemão e ainda lhe tomou a namorada, Corinna, hoje Sra. Schumacher. Já com Hakkinen, a briga foi histórica e aconteceu no GP de Macau. Os dois brigavam ferozmente pela liderança até Hakkinen bater na traseira de Schumacher e praticamente entregar o título ao alemão. Até hoje, falam que Schumacher tirou pé deliberadamente para Hakkinen bater. A vingança do finlandês viria dez anos depois.

4 - Ao contrário do que acontecia normalmente, o trio que dominou a F3 Alemã em 1990 (Schumacher, Wendlinger e Frentzen) não foram para o Europeu de F3000, mas para o Mundial de Esprote-Protótipos, contratados como pilotos júnior da Mercedes. Quando Schumacher estreou na F1, muito se falou que ele se transferiria para a equipe da Mercedes, que preparava sua volta à F1. No entanto, isso nunca aconteceu e Schummy foi o principal rival da estrela de três pontas.

5 - Quando Bertrand Gachot foi preso na Inglaterra na metade de 1991, ninguém imaginava que uma era estava se iniciando. Eddie Jordan precisava de um piloto (e de dinheiro) Willi Weber lhe ofereceu 150.000 dólares e Michael Schumacher. Jordan perguntou para Michael se ele já tinha andado em Spa e ele respondeu que sim. Jordan só tinha se esquecido de perguntar como Schumacher andou em Spa, pois o alemão só havia andado de bicicleta... No entanto, Schumacher foi um assombro nos treinos e mesmo quebrando a embreagem na primeira volta, chamou a atenção de Flavio Briatore, chefe da equipe Benetton, que dispensou Roberto Moreno e trouxe Schumacher por um contrato até 1995.

6 - Spa era mesmo especial para Michael. Se não bastasse ter sido o local da sua estréia, foi onde conseguiu sua primeira vitória na F1 exatamente um ano depois de sua primeira corrida na categoria. Se utilizando da estratégia, Schumacher derrotou as Williams “de outro planeta” e mostrou uma faceta do alemão: o de andar muito bem na chuva.

7 - Os ídolos de Schumacher na adolescência era Stefan Bellof e Ayrton Senna. Quando ele enfrentou o brasileiro nas pistas, Schummy o utilizou como referência. No entanto, a relação entre os dois foi, digamos, tensa. No GP do Brasil de 1992, Schumacher reclamou publicamente das manobras de Senna no início da corrida. “Um tricampeão não deveria se portar assim”, falou Michael. Na França, quando os dois bateram na primeira volta, Senna discutiu com o alemão na frente de todos. Num teste em Hockenheim, após trocarem fechadas, dizem que até tapa rolou. Eles passaram 1993 batendo pneus e trocando tintas e em 1994 não seria diferente.

8 - Pouca gente se lembra disso, mas Schumacher era a pessoa mais próxima de Senna quando este sofreu o seu acidente fatal. Michael venceu aquela corrida em Ímola, mas a morte de Senna o marcou profundamente. E até hoje não sabemos ao certo como seria uma briga entre Senna e Schumacher ao longo dos anos.

9 - Schumacher vinha de quatro vitórias consecutivas quando chegou à Espanha e quando liderava novamente teve um problema no câmbio que o deixou com apenas uma marcha. Era início da corrida e com todos os pit-stops a serem feitos. Com muita força de vontade e técnica, Schumacher conseguiu levar o carro a um excelente segundo lugar nessas condições.

10 - Schumacher venceria em Magny-Cours pela primeira vez em 1994 e começaria um dos seus recordes: o de maior número de vitórias em determinados GPs. Na França, foram oito: 1994, 95, 97,98, 01, 02, 04 e 06.

11 - A temporada de 1994 foi conturbada do começo ao fim. Schumacher estava com o título nas mãos quando a FIA decidiu punir o alemão, o desclassificando de duas provas e o suspendendo em outras duas. Havia uma desconfiança de que o Benetton estava irregular, mas Briatore ameaçou com um dossiê mostrando que as demais equipes também trapaceavam. Com tudo isso, a F1 chegou a Adelaide com Schumacher e Hill brigando pelo título, com Schumacher apenas um ponto à frente. O alemão segurava o rival quando errou e quebrou a suspensão. Hill não teve paciência e imediatamente partiu para cima de Schumacher e o alemão se meteu na primeira grande polêmica da carreira: jogou seu carro para cima do de Hill e garantiu o seu primeiro título. E também a antipatia de muita gente.

12 - Schumacher venceu pela primeira vez em casa em 1995, rumo ao bicampeonato. Mesmo não sendo uma unanimidade, Schummy colocou a Alemanha de volta ao mapa do automobilismo mundial.

13 - Para muitos, a sua obra-prima. Graças a um acidente nos treinos, Schumacher iria largar em 16º no Grande Prêmio da Bélgica de 1995. A corrida seria realizada debaixo de chuva e no circuito favorito do alemão. Segue a seqüência das primeiras quinze voltas:
- Volta 1: Schumacher ultrapassa Jean-Christophe Bouillon, Ukyo Katayama e Mika Salo.
- Volta 2: Schumacher ultrapassa Heinz-Harald Frentzen e Rubens Barrichello.
- Volta 3: Schumacher ultrapassa Olivier Panis e Martin Brundle.
- Volta 4: Ganha a sétima posição com o abandono de Jean Alesi.
- Volta 6: Ultrapassa Mark Blundell e ganha outra posição com a rodada de Herbert.
- Volta 10: Ultrapassa Eddie Irvine.
- Volta 13: Assume a terceira posição com o abandono de Coulthard.
- Volta 14: Ultrapassa Gehard Berger.
-Volta 15: Permanece com pneus slicks com chuva e assume a liderança da corrida.
Schumacher segura Hill, que estava com pneus para chuva, e vence a corrida. Quem disse que Schumacher não sabe ultrapassar?

14 - “Por que irei para eles, quando só os vejo pelo retrovisor?”, foi o que Schumacher perguntou a Willi Webber quando o empresário disse-lhe da proposta da Ferrari para 1996. A equipe italiana estava em crise e sem títulos de piloto desde 1979. Jean Todt convenceu Schumacher ir para a Ferrari com um contrato multimilionário e a promessa de um carro campeão o mais rápido possível. Era o início da parceria mais vitoriosa da história.


15 - Após conseguir a segunda pole consecutiva em Monte Carlo e bater na primeira volta, Schumacher não estava confiante para a corrida em Barcelona, circuito que favorecia claramente a Williams. “Não apostaria nenhuma peseta em mim”, falaria Schumacher antes da prova. Mas a chuva, sua velha companheira, deu as caras naquele domingo e Schummy deu um show, após cair para sétimo na largada, chegar à liderança ainda na décima primeira volta e ainda ter que se bater com um problema no motor, que o deixou com nove cilindros. Era a primeira vitória do alemão na Ferrari.

16 - Os primeiros tempos na Ferrari foram duros para Schumacher. No Canadá, o semi-eixo caiu do carro após um pit-stop. Após mais uma pole em Magny-Cours, o motor estourou... na volta de apresentação! Schummy teve que ter muita paciência para voltar aos bons tempos.




17 - Schumacher brigou cabeça a cabeça com Jacques Villeneuve pelo Campeonato Mundial de 1997. A última etapa em Jerez era decisiva. Após marcarem o mesmo tempo na Classificação, os dois faziam uma briga de gato e rato pela liderança, com Schumacher sempre à frente. Após o último pit-stop, Villeneuve partiu para cima de Schumacher e o alemão tentou a mesma manobra de 1994, jogando o seu carro para cima de um Williams. Só que o resultado foi o inverso e Villeneuve saiu de Jerez com o título e Schumacher, com a fama cada vez mais de Dick Vigarista e o vice-campeonato cassado.






18 - Schumacher venceu de todas as formas possíveis na F1. Até mesmo dentro dos boxes. No GP da Inglaterra de 1998, Schumacher foi punido no final da corrida por ter ultrapassado sob bandeira amarela. O alemão liderava e a Ferrari tomou uma decisão curiosa. Só trouxe o alemão para os boxes para cumprir a penalização na última volta. Como tinha construído uma vantagem boa para Hakkinen, Michael saiu do seu pit e recebeu a bandeirada passando atrás do diretor de prova.

19 - Em Hungaroring/98, Schumacher fez outra grande corrida, ao lado do gênio Ross Brawn. Sem chances de derrotar as McLarens, que dominavam a corrida, Brawn teve a idéia de mudar a estratégia e o alemão faria três pit-stops. Para conseguir êxito, Schumacher teria que fazer toda a corrida em ritmo de Classificação e assim o fez, derrotando as duas McLarens.

20 - Um dos momentos polêmicos de Schumacher ocorreu na Bélgica em 1998. Michael liderava debaixo de um dilúvio, quando encontrou o retardatário David Coulthard pelo caminho. Sem muita visão, Schummy acertou a traseira da McLaren do escocês e acabou com sua corrida. Quando voltou aos boxes, o alemão estava furioso e após empurrar os mecânicos da Ferrari, foi aos boxes da McLaren atrás de brigar com Coulthard, mas não conseguiu. A relação entre Schumacher e Coulthard foi de amor e ódio e só aumentaria ao longo dos anos.

21 - Michael Schumacher não foi de se envolver em grandes acidentes, mas em Silverstone/99, o alemão sofreu o maior baque da sua carreira. Após ter uma pane nos freios, Schumacher passou reto no final da reta Hangar e bateu de frente na barreira de pneus. Quando tentou se levantar, Michael sentiu a perna direita. Ela estava fraturada em dois lugares e o joelho também estava avariado. Com isso, o alemão passou sete corridas no estaleiro e o título foi para vinagre.

22 - Após um início fulminante em 2000, Schumacher teve um péssimo meio de temporada, sendo alcançado por Hakkinen, que vinha em ótima fase. O ponto culminante foi a famosa ultrapassagem sofrida em Spa, com o finlandês se vingando de Macau dez anos antes. Quando chegou a Monza, a pressão era enorme, mas Schumacher conseguiu a vitória que ainda o mantinha na briga pelo título. No entanto, aquela era a 41º vitória, o fazendo se igualar a Senna. Quando foi lembrado deste fato na entrevista coletiva, Schumacher disse que era muito importante para ele e começou a chorar. Foi um dos poucos momentos de fraqueza vindo de Schumacher em público.

23 - “Prometo dar um título para a Ferrari em dois anos”, foi o que Schumacher prometeu aos tifosi logo quando foi contratado. O que era dois se tornou cinco, mas a promessa estava cumprida. Após uma vitória no GP do Japão, Schumacher tirava a Ferrari de um jejum de 21 anos e conquistava seu terceiro título.
24 - No Grande Prêmio do Brasil de 2001, Schumacher se preparava para a relargada quando foi surpreendido pelo atrevido novato Juan Pablo Montoya. Logo em sua terceira corrida, o colombiano tocou rodas com o alemão e assumia a liderança. Todos, naquele momento, tiveram a certeza de que Montoya seria o maior rival de Schumacher nos próximos anos, mas o colombiano, de temperamento difícil, acabou tomando caminhos diferentes e nunca brigou diretamente com Schumacher por um título.

25 - Michael tinha ajudado Ralf Schumacher a entrar na F1 e o apoiou nos primeiros momentos, mas o comportamento difícil do irmão fez com que a relação esfriasse com o tempo, inclusive com dois ficando sem se falar por alguns momentos. No verão de 2001, no entanto, os dois protagonizaram uma disputa animada com ambos fazendo algumas dobradinhas no grid e nas corridas. Isso fez com Hakkinen soltasse uma frase engraçada. “Ainda bem que são apenas dois, se fossem três, seria um problema!”

26 - No Grande Prêmio da Bélgica de 2001, Schumacher alcançaria a 52º vitória na F1, quebrando o recorde que era de Alain Prost e se tornando o piloto com o maior número de vitórias na história da F1 até hoje.

27 - Quando a F1 se preparava para o Grande Prêmio da Itália de 2001, o mundo foi abalado pelos atentados terrorista contras os Estados Unidos. Schumacher ficou extremamente impressionado com as cenas e pediu para não correr, algo que não foi aceito, mesmo ele já tendo conquistado o quarto título. Para piorar, na véspera da corrida, Alessandro Zanardi perdia as pernas num horrível acidente na F-Indy. O italiano era amigo de Schumacher e o alemão ficou ainda mais abalado e pensou em abandonar a corrida ainda na primeira volta, mas não o fez. Na prova italiana, Schummy fez questão de não subir ao pódio e ele demoraria a se recuperar dos dois choques de setembro de 2001.

28 - A Ferrari tinha construído o carro perfeito em 2002 e era 1.5s mais rápido do que qualquer carro naquele momento. Sempre mais rápido do que Barrichello, Schumacher liderava o campeonato com folga até chegar o GP da Áustria. Rubens já tinha andado mais forte do que Schummy em Zeltweg em 2001, quando uma ordem de equipe fez com que Rubinho cedesse a segunda posição para Michael na linha de chegada daquela corrida. “Isso nunca aconteceria se a posição fosse a primeira”, falou a Ferrari na ocasião. A prova-dos-nove seria em 2002, onde mais uma vez Rubinho ficou à frente de Schumacher a corrida toda. Quando ambos apontaram na reta, tudo viria a crer que Barrichello era o vencedor, mas o brasileiro tirou o pé e Schumacher venceu. A reação daquela manobra orquestrada da Ferrari foi de indignação em todo o mundo. Schumacher ficou tão envergonhado que nem subiu ao pódio em primeiro e entregou o troféu a Barrichello. A Ferrari foi multada e alguns meses depois, nos Estados Unidos, Schumacher daria uma vitória para Barrichello da mesma maneira. Só que sem querer!

29 - Quando Fangio conseguiu os seus cinco títulos nos anos 50, poucos podiam acreditar que esse recorde poderia ser igualado. Pois Schumacher o fez de forma arrasadora em 2002. Foi um domínio tão absurdo, que a FIA teve que mudar o regulamento para que Schumacher não vencesse de forma tão fácil. O que acabou não acontecendo.

30 - Os pais de Schumacher haviam se separado a muito tempo e Michael era mais ligado ao pai. Quando se preparava para o Grande Prêmio de San Marino de 2003, Michael foi informado que sua mãe, Elizabeth, estava hospitalizada em estado grave. Após conseguir a pole no sábado, Schumacher, junto com seu irmão, voou para a Alemanha para ficar junto da mãe nos momentos finais. Na manhã de domingo, Elizabeth Schumacher faleceu. A Ferrari dispensou Michael da corrida, mas o alemão não apenas voltou à Ímola, como venceu de forma incontestável e subiu ao pódio com uma tarja negra. Foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira.

31 - Ao contrário dos outros anos, Schumacher teve que suar para conquistar o hexacampeonato. A Michelin tinha os melhores pneus e Schumacher teve que se virar com os Bridgestone contra Raikkonen e as Williams de Ralf e Montoya. No final, Schumacher foi campeão com apenas um ponto de diferença para Raikkonen e após a corrida, protagonizou uma bebedeira homérica, onde quebrou tudo, juntamente com Ralf e Panis. Quando soube o que tinha realizado, Schumacher, assustado, disse: O que eu fui fazer?

32 - Dez anos após ter chegado ao fim do GP da Espanha com uma marcha, Schumacher teve outro susto em Barcelona. Ainda no início da corrida, Brawn lhe avisou que a sua Ferrari tinha um problema terminal e que podia quebrar a qualquer momento. Schummy não desistiu e levou o carro até o final, só que desta vez vencendo!

33 - Se em 2002 já tinha sido quase perfeito, 2004 foi ainda mais além. Se em 2002 a Ferrari era 1.5s mais rápido do que qualquer carro, em 2004 Schumacher fez a diferença. Foi outro domínio avassalador, com o alemão quebrando todos os recordes que ainda não tinham sido batidos. Por sinal, a maioria dos recordes eram dele mesmo.

34 - No entanto, Schumacher fez uma de suas maiores barbeiragens em 2004. No novo GP da China, Schumacher, que largaria das últimas posições por um erro nos treinos, bateu seu carro... antes da largada. Quando levava seu carro ao grid, Schumacher não prestou muita atenção na Minardi de Christijan Albers e acertou a traseira do holandês. Ele teve que largar dos boxes, todo sem jeito...

35 - Após vários anos, a Ferrari errou a mão no carro em 2005 e quem se aproveitou disso foi Fernando Alonso, que liderava o campeonato. Mas havia uma esperança. No GP de San Marino, Schumacher largaria lá atrás por causa de um erro nos treinos e partiria para uma corrida sensacional. Após pular de décimo para terceiro depois do primeiro pit-stop, ultrapassou Button e foi para cima de Alonso. Foi uma briga épica, com o jovem espanhol segurando experiente alemão. Alonso venceu e aquele foi um momento de mudança na F1. Schumacher finalmente tinha um rival à altura.

36 - Em Indianápolis/05, a Michelin, que tinha a maior parte do grid, teve problemas com seus pneus e fez com que todas as equipes abandonassem a prova após a primeira volta. A Ferrari, que usava Bridgestone, largou juntamente com outros quatro carros. Apenas Schumacher e Barrichello tinham chances de vitórias e Michael bateu Barrichello após um chega pra lá que o alemão deu no brasileiro após uma saída de pit-stop. Aquilo foi a gota d’água para Rubinho, que pouco tempo depois anunciou que sairia da Ferrari. Apesar das lamúrias, Rubens Barrichello foi o companheiro de equipe mais difícil de Schumacher.

37 - O último recorde que não estava nas mãos de Schumacher era o número de poles. O número de Senna parecia inalcançável e Schumacher passou anos andando com carros que não era o melhor do pelotão. No entanto, no Grande Prêmio do Bahrein Schumacher igualou ao brasileiro e finalmente, em Indianápolis/06, chegou a 66º pole na carreira. Sem choro, desta vez.

38 - Quase dez anos após Jerez, Schumacher estava praticamente sem manchas na sua carreira, mas em Mônaco, Michael aprontou a sua última grande polêmica. Em sua última volta na Classificação, com a pole na mão, Schumacher passou reto na Rascasse e estacionou a sua Ferrari ali. Alonso, que tinha parciais mais rápidas, teve que tirar o pé. Briatore quase tem um piripaque e o mundo condenou essa nova atitude de Schumacher, que disse que simplesmente errou. Horas depois, a FIA anulou o tempo de Schumacher e ele largaria em último.

39 - Muito se falou o momento no qual Schumacher pararia. E não faltaram “momentos”. Quando quebrou a perna. Em setembro de 2001. Quando foi penta. Quando foi hexa. Schumacher sempre respondia que se aposentaria “quando chegasse um moleque que me derrotasse”. Esse moleque se chamava Fernando Alonso e ainda havia Kimi Raikkonen. O ano de 2006 foi de expectativa e após sua vitória em Monza, Schumacher anunciou ao mundo que aquela era sua última corrida em Monza. Todos passaram a torcer pelo oitavo título mundial, mas um motor quebrado em Suzuka pôs tudo a perder. Na sua última corrida na F1, em Interlagos, Schumacher deu um show de pilotagem e ultrapassagem, chegando em quarto após ter ocupado a última posição.

40 - Os números de Michael Schumacher são estupendos e valem a pena ser ditos. Sete títulos mundiais (94/95/00/01/02/03/04), 249 Grandes Prêmios, 91 vitórias, 68 poles, 76 melhores voltas, 154 pódios e 1.369 pontos. Schumacher só andou em três equipes na carreira (Jordan, Benetton e Ferrari), além de um teste pela Ligier em 1995. Após sua aposentadoria, Schumacher virou uma espécie de consultor da Ferrari, indo a algumas corridas. Sempre que pode, Michael participa de eventos relacionados a corridas e ultimamente participa do Campeonato Alemão de Superbike. Casado com Corinna desde 1995 tem dois filhos (Gina Maria e Mick) e mora em Gland, na Suíça, onde inclusive, já participou de um time de futebol. Após anos vivendo no limite, Schumacher hoje apenas de diverte e curte o muito dinheiro que ganhou ao longo de sua carreira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O princípe da velocidade



Assim como Jackie Stewart fez na F1, Phil Read foi um dos primeiros pilotos do Mundial de Motovelocidade a entenderem a importância deles comercialmente e usufruiu amplamente do dinheiro que ganhou nos seus anos andando de moto, principalmente quando comprou o seu controverso Rolls-Royce branco. Contudo, para conseguir a fama e o dinheiro, Read foi um dos grandes pilotos de motovelocidade nos anos 60 e 70, conquistando vários títulos e se tornando um dos únicos pilotos a conquistar o Mundial das 125, 250 e 500. De personalidade forte e controversa, Read foi um piloto de poucos amigos dentro das pistas, mas que tinha grande admiração por parte dos fãs e completando 70 anos no dia de hoje, vamos olhar um pouco da carreira desse piloto inglês.

Phillip William Read nasceu no dia primeiro de janeiro de 1939 na pequena cidade de Luton, próximo a Londres. Vindo de uma família muito ligada em motos, não demorou muito para que o pequeno Phil se apaixonasse por motos. O interessante foi quem o iniciou nessa paixão. Sua mãe era apaixonada por motos e a Sra. Read andava com uma moto Rudge 1922 para todo canto e foi ela quem ensinou Phil a pilotar. Com 13 anos, Read ganhou uma Matchless 250 e tendo como ídolos as estrelas da época Geoff Duke e John Surtees, Phil iniciou sua carreira em 1957, quando completou 18 anos, numa corrida em Mallory Park. Sua primeira vitória viaria apenas um ano depois, exatamente na mesma pista e sua fama crescia na medida em que conseguia vitórias nas pistas inglesas. Contudo, a fama de Phil Read como promessa surgiu quando ele, surpreendentemente, venceu a categoria novatos na perigosa pista da Ilha de Man, em 1960. No ano seguinte, ele venceria a Junior TT com uma Norton 350, onde Read teve que enfrentar Mike Hailwood e o rodesiano Gary Hocking, que acabaria se tornando Campeão Mundial no final do ano. Era a primeira vitória de Phil Read no Mundial.

Como acontecia na F1, o Mundial de Motovelocidade era dominada pelos pilotos britânicos no início dos anos 60 e as maiores estrelas do momento era Mike Haiwood e Jim Redman. Para se tornar campeão, Read teria que derrubar essas duas lendas. Para 1962, Read permanecia como piloto particular da Norton, participando das 350 e 500cc. Na sua segunda temporada completa no Mundial, Read surpreende ao ser terceiro colocado no Mundial das 500cc, derrotado apenas pela MV Augusta oficial de Haiwood e por Alan Shepherd, na época piloto oficial da Matchless. Read é escolhido o melhor piloto privado do Mundial e isso chama a atenção de Geoff Duke, que tinha sido ídolo de Read na adolescência, e agora era diretor da equipe de fábrica da Gilera. Ao contrário dos anos 50, a Gilera já não era uma potência e Read pouco pôde fazer para evitar o domínio de Haiwood e Redman nas categorias 350 e 500. No entanto, seguindo a Honda e a Suzuki, a Yamaha começa a sua participação no Mundial de Motovelocidade em 1963 com o piloto Fumio Itoh, nas categorias 125cc e 250cc. Sentindo que o futuro do Mundial passava pelas grandes fábricas japonesas, Read aceita o convite da Yamaha para participar dos Mundiais das 125 e 250, enquanto permanecia na equipe de Duke nas 500, que havia perdido o apoio da Gilera. A agressividade de Read leava a Yamaha RD 56 de dois tempos ao pelotão da frente e para a alegria dos japoneses, a briga pelo Mundial das 250cc seria entre a Yamaha da Read e a Honda de Redman. Read dá a primeira vitória do Mundial a Yamaha em Clermont-Ferrand, na França, e o título foi decidido no Grande Prêmio da Itália em Monza, com Read conquistando seu primeiro título com uma vitória. Além de ter sido o primeiro título da Yamaha, foi também o primeiro título de uma moto de dois tempos. Nas 500cc, Read é o melhor piloto privado novamente com um terceiro lugar e uma vitória. Com esses resultados, Read já era considerado um dos melhores pilotos do Mundial e candidato a estrela.

Para 1965, Read domina o Mundial das 250cc de maneira arrasadora, vencendo sete das treze etapas do ano, sendo que cinco de forma consecutiva. Read participa do desenvolvimento da nova Yamaha 350cc e participa de algumas etapas deste Mundial, onde encotraria aquele que seria seu maior adversário nos próximos anos: o novo piloto da MV Augusta, Giacomo Agostini. Após duas temporadas em que levou uma surra da rival Yamaha, a Honda reage e contrata Mike Haiwood para acabar com o domínio de Read nas 250cc. A Yamaha tinha uma nova moto V4, mas isso trouxe alguns problemas para Read, que viu atônito as dez vitórias de Hailwood com sua Honda, enquanto nas 125cc, termina o campeonato atrás do seu novo companheiro de equipe na Yamaha, Bill Ivy. Isso traria problemas mais tarde. Mesmo com uma vitória nas 125cc e nas 350cc, 1966 não tinha sido um grande ano para a Phil Read e ele exige que a Yamaha reaja para a temporada seguinte. Para isso, Read decide se concentrar apenas nas 125 e 250. A Honda investia em praticamente todas as categorias do Mundial, mas deixou um pouco de lado as 125cc e a Yamaha aproveitou para dominar a categoria, com Ivy dominando o campeonato, enquanto Read teve que se conformar com o vice-campeonato, causando uma ponta de rancor no piloto inglês. No entanto, a Yamaha deu uma ótima moto para Read nas 250cc e ele disputou o campeonato palmo a palmo com a Honda de Hailwood. Os dois chegam para a última prova, o Grande Prêmio do Japão em Fisco, empatados com 50 pontos. Quem chegasse à frente, seria o campeão, mas como nenhum dos dois viu a bandeirada, o título ficou para Hailwood, que tinha uma vitória a mais (5x4).

Durante a temporada das 250cc, Ivy conseguiu algumas vitórias e terminou o campeonato em terceiro, pouco ajudando Read na briga contra Hailwood. Isso deixa o inglês irritado e acabou causando um das maiores confusões da história do esporte a motor. Para 1968, a Honda surpreendeu o mundo ao abandonar o Mundial de Motovelocidade, enquanto Hailwood faz o mesmo, ganhando o farto salário da Honda para ficar em casa, pensando na sua mudança para o automobilismo. Sem a sua maior rival e com Hailwood de fora, a Yamaha era a favorita destacada para a temporada 1968. Sabendo que Read e Ivy não se davam muito bem e o primeiro não estava muito satisfeito, a Yamaha resolveu decidir o campeonato antes da largada para a primeira corrida. Foi decidido que Read finalmente venceria o Mundial das 125cc, enquanto Ivu seria o campeão das 250cc, o que seria o primeiro do inglês. Como acordado, Read venceu seis das primeiras sete etapas do Mundial das 125cc e garantiu mais um título Mundial, mas resolve desobedecer as ordens da equipe Yamaha e começa a vencer no Mundial das 250cc. Como resultado, acaba o ano empatado com Ivy em 50 pontos. Como ambos tinham o mesmo número de vitórias (5), o campeonato seria decidido na somatória de tempo das dez corridas do ano. Read foi campeão por 2:05s2. A Yamaha fazia dobradinha nas 125 e 250, com Read à frente, mas ficou irritadíssima com a rebeldia do seu piloto e o demitiu no final dessa temporada.

Apesar da manobra discutível da Yamaha, Read foi duramente criticado por pilotos e as demais equipe, que não o contratam para 1969. Apesar de Read ter tido a gana para vencer o título daquele ano, o acordo estava acertado antes da temporada começar e todos os demais disseram que Read não tinha palavra. Fora das pistas, o inglês era considerado arrogante e para aumentar ainda mais essa impressão, ele ia para os autódromos europeus com um Rolls-Royce branco. Read ganhava muito dinheiro com sua fama e passou a usar isso para conseguir patrocínio para sua própria equipe, já que nenhuma fábrica o quis contratar para os próximos anos. Como esperado, os resultados de Read minguam, mas em 1971 o inglês dá a volta por cima. Com uma Yamaha privada, Read disputa apenas o Mundial das 250cc e teria pela frente a sensação Jarno Saarinen e Rodney Gould, com uma Yamaha oficial. O resultado seria uma temporada acirrada, onde Read acabaria conquistando mais um Mundial!

Nas categorias maiores, 350 e 500cc, o Mundial vinha sendo amplamente dominado pela MV Augusta de Giacomo Agostini, com o italiano vencendo em ambas as categorias em 1969 após triunfar em todas as corridas. Com sua equipe própria, Read voltava à 500cc à bordo de uma Ducati, mas pouco pode fazer para evitar as vitórias de Agostini. Se não podia vencer na pista, Read começou a mexer no psicológico de Agostini. No início de 1972, Read declarou que podia vencer o italiano com máquinas iguais e quanto Agostini começou a temporada sendo derrotado pela Yamaha particular de Jarno Saarinen nas 350cc, Read disse que venceria o finlandês facilmente se tivesse uma MV Augusta nas mãos. Em Clermont Ferrand, Read se inscreve para a corridas das 500cc com uma Yamaha 250cc e por poucas voltas fica à frente de Agostini. Conde Augusta fica encantado e contrata Read para o Mundial das 350cc. Mesmo assim, Agostini permanece com seu domínio e derrota seu desafeto no Mundial das 350cc.

A MV Augusta tinha um "doce" problema para 1973. Como ter dois grandes pilotos que não se gostavam dentro da equipe? Nem se cogitava tentar fazer a mesma jogada da Yamaha em 1968, enquanto Read e Agostini se degladiavam dentro e fora das pistas. Nas 500cc, a Yamaha tinha Jarno Saarinen em ótima forma e quando o finlandês tinha tudo para se tornar campeão, ele veio a falecer no Grande Prêmio da Itália em Monza. Agostini não teve uma temporada muito regular e isso fez com que Phil Read conquistasse o principal campeonato do Mundial de Motovelocidade. Só que Agostini evitou a dobradinha do inglês ao faturar o Mundial das 350cc e se despediu da MV Augusta, que tantos títulos tinha lhe dado nos últimos tempos. Motivos? O ambiente da equipe era insuportável ao lado de Read e uma proposta milionária da Yamaha. Infelizmente para o italiano, a Yamaha erra a mão a moto das 500cc e isso permite o sétimo e último título de Phil Read. Após um ano de desenvolvimento, a Yamaha dá a Agostini uma grande moto para 1975 e foi com ela que o italiano disputaria palmo a palmo o Mundial das 500cc com a MV Agusta de Read. Foi um campeonato extremamente disputado entre a ágil Yamaha dois tempos de Agostini contra a pesada MV Augusta de quatro tempos de Read. Apesar de ter forçado tudo o que podia e ter conquistado duas vitórias, o inglês teve que se contentar com o vice-campeonato.

Vendo o surgimento de uma nova era, das motos dois tempos, a MV Augusta decidiu se retirar do Mundial de forma oficial e isso foi praticamente o fim dos bons tempos de Phil Read. Já com 36 anos, Read via surgir novos pilotos como Marco Lucchinelli, Johnny Cecotto e Barry Sheene, que tirou uma foto com Read quando era uma criança. Read volta a ser um piloto privado e mesmo correndo com a mesma Suzuki que dominou o ano com Sheene, Phil se contenta com a décima posição no campeonato. Read decide se afastar do Mundial após dezessete temporadas, sete títulos mundias (1964{250}, 1965{250}, 1968 {125 e 250}, 1971 {250}, 1973 {500} e 1974 {500}), 113 Grandes Prêmios, 52 vitórias, cinco poles, uma volta mais rápida e 121 subidas ao pódio, contabilizando as três categorias. Até o surgimento da lenda Valentino Rossi, Phil Read foi o único a ter vencido pelo um título Mundial nas três categorias (125, 250 e 500). Read passa a disputar corridas esporádicas, inclusive com uma vitória marcante no TT, na Ilha de Man, em 1977, derrotando na ocasião Mike Hailwood, levando o troco no ano seguinte. A última corrida de forma competitiva de Phil Read foi o TT de 1982, quando o inglês tinha 43 anos. Até hoje, Read, mais conhecido na Inglaterra como o "Princípe da Velocidade", participa de eventos históricos de motos e em 2002 entrou, de forma legítima, no hall das legendas do Mundial de Motociclismo. Read pode ter tido seus defeitos e trazido vários inimigos para si, mas não restam dúvidas que o inglês foi um dos grandes da história do Mundial de Motociclismo.

Parabéns!
Phil Read