segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vexame


As autoridades americanas são conhecidas por serem mais cuidadosos durante as corridas, principalmente nos ovais, onde, como diria Nelson Piquet, um cocô de um pássaro pode ocasionar um acidente. Lógico que os patrocínios da TV fizeram com que bandeiras amarelas entrassem, vez por outra, em situações longe do necessário, mas algumas corridas já foram interrompidas por problemas estúpidos na pista, como água brotando de uma pista seca.

Daytona é sinônimo de Nascar e sua corrida anual, abrindo a temporada da Sprint Cup, é a mais importante do ano e chega a rivalizar com o Super Bowl e as 500 Milhas de Indianápolis no quesito importância para o esporte ianque. Portanto, cuidar bem da pista seria um item básico para que algo fora do comum não acontecesse e com o cuidado que as autoridades americanas tem, isso seria elevado exponencialmente na famosa Daytona 500. No entanto, o que vimos ontem foi um dos maiores fiascos dos grandes esportes americanos quando simplesmente um buraco (isso mesmo, um buraco) apareceu no meio da curva 2, ocasionando dois pneus furados. Após duas horas tentando a melhor fórmula para fazer secar rapidamente o 'arranjo técnico', a corrida foi reiniciada, mas logo depois o buraco reapareceu e as imagens mostravam que ele estava cada vez maior. Nova espera e a corrida reiniciou noturna e acabou com vitória de Jamie McMurray, que reestreava na Chip Ganassi após ser dispensado da equipe Roush, principal time da Ford.

Apesar da vitória emocionante de McMurray, como todo final em Daytona, fica o vexame dos organizadores da pista, que pensaram numa festa muito bonita e organizada, mas esqueceram que é no asfalto onde as emoções ocorrem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

T127


Para quem é tradicionalista, como eu, chega a ser estranho ver o lançamento do novo carro da Lotus. Se alguém da equipe tivesse no sobrenome 'Chapman', talvez ficasse menos estranho, mas por trás do 'retorno' da Lotus está um grupo malaio e o próprio governo da Malásia, que de inglês só tem mesmo as cores da bandeira. Porém, a cor verde com detalhes em amarelo que sempre caracterizou a antiga Lotus de Colin Chapman chega até mesmo a nos remeter aos anos 60.

Mesmo com a nova equipe não tendo nada a ver com a velha, seus pilotos cismaram em se comparar aos pilotos que andaram com a tradicional equipe no passado. Mike Gascoyne é um direto técnico brilhante, mas ao contrário de Ross Brawn e Adryan Newey, tem uma esquisita coceira em aparecer e por isso acabou não tendo o sucesso que prometia. Como fez em seus tempos na Toyota, Gascoyne convenceu os malaios a trazer dois pilotos sem nenhum traço de estrelismo e que sejam obedientes a tutela do inglês. Não por coinscidencia, Jarno Trulli e Heikki Kovalainen já trabalharam com Gascoyne e chegam com a missão distintas na Lotus. Enquanto Trulli tenta encerrar a longa carreira com alguma dignidade, Kovalainen tenta se reerguer após uma passagem nada brilhante na McLaren.

Gascoyne construiu bons carros, mas seus ataques de estrelismo acabaram por atrapalhar o desenvolvimento não apenas do bólido, como da equipe em si. Como novata e com o objetivo de, no mínimo, chegar a sola de sapato da 'antiga' Lotus, a 'nova' Lotus necessitará de uma estratégia de time pequeno. O problema que seus três protagonistas estão acostumados a times grandes...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

RB6


A Red Bull é mesmo uma equipe diferente. Ao invés de aproveitar os raros dias de testes coletivos que a F1 tem antes da temporada começar, a equipe austríaca preferiu ficar mais uma semana em sua fábrica para mostrar o seu novo modelo para 2010, o RB06, apenas uma semana depois. Mesmo com as modificações do tanque maior e os pneus dianteiros mais estreitos, o carro de 2010 parece muito com o de 2009, quando a equipe sentiu o gostinho de ser um time grande e dominou a metade final da temporada passada.

Para muitos, Sebastian Vettell é um dos favoritos ao título e que o alemãozinho será um digno sucessor de Michael Schumacher e assim é tratado desde que despontou no automobilismo, cinco anos atrás. Agora mais experiente, no alto dos seus 22 anos, Vettel poderá maximizar seu talento gigantesco e diminuir o números de erros, que tanto lhe atrapalhou em 2009. Se conseguir manter a sua fase crescente na carreira, será difícil alguém segurar Vettel, principalmente se o carro for bom. Mark Webber tem uma incômoda sombra finlandesa para 2011 e por isso terá que mostrar um algo mais para se manter numa equipe de ponta como a Red Bull num futuro próximo. Por sinal, o australiano tem que mostrar logo a que veio na F1, pois está longe de ser um garoto (34 anos).

Não restam dúvidas que a Red Bull tem uma das melhores duplas para esta temporada e tem grandes chances de ser uma protagonista em 2010, mas terá que domar o ímpeto dos seus pilotos, que algumas vezes se mostraram pouco amistosos. Vettel é o favorito da equipe e da torcida, mas Webber não é do tipo que desiste de um desafio. Como terminou 2009 muito bem, a Red Bull foi o carro mais imitado nas apresentações de 2010 e Adryan Newey está novamente na crista da onda. Conta a lenda que o verdadeiro motivo da Red Bull não ter estreado em Valencia na semana passada era simplesmente para que as demais equipes não copiassem mais um desenho de Newey...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VJM03


A Force India inicia 2010 com uma certeza: não irá frequentar as últimas filas na temporada vindoura. Se nas duas primeiras temporadas a equipe de Vijay Mallya passou o ano fechando a fila, com excessão de algumas pistas de baixa pressão aerodinâmica em 2009, o ano de 2010 promete ser de boas atuações da equipe que usa o melhor motor da F1 (Mercedes), conta com o apoio da McLaren (vide a asa traseira idêntica do MP4/25), tem dois bons pilotos e vem motivada.

Adrian Sutil terá uma temporada crucial em sua carreira. Desde 2007 na F1, o alemão terá a chance de mostrar que não o pior tedesco a atuar na categoria e que tem chances de conseguir uma vaga numa equipe melhor. Sutil se mostrou rápido quando tinha carro ano passado, mas também estabanado em várias ocasiões. Ou seja, nada sutil... Liuzzi ressurgiu dos mortos e enterrados quando saiu escorraçado do programa da Red Bull no final de 2007 e passou praticamente dois anos assistindo corridas de F1 num lugar privilegiado, pois não testava e apenas acompanhava todas as provas do pit-wall, na esperança de algum titular se machucar. O italiano terá uma chance única na história da F1, que é voltar à categoria após uma passagem sem brilho poucos anos antes. Resta saber se Liuzzi irá aproveitá-la.

A Force India terá que melhorar muito em circuitos com média e alta pressão aerodinâmica, além de diminuir o ímpeto dos seus dois pilotos, reconhecidamente rápidos e desastrados (Sutil em especial). Porém, a certeza definitiva de que não fechará o grid em 2010 é que quatro novatas desorganizadas estrearão na F1. Se a Force India ficar atrás de qualquer uma delas, é melhor fechar as portas!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

VR-01


A primeira equipe da leva que Mosley proporcionou no crepúsculo do seu mandato da FIA finalmente deu as caras. A Virgin, que começou na F1 como patrocinadora da Brawn ano passado, quer continuar sua pequena e vitoriosa passagem na categoria como dono da Manor, uma das escolhidas para estrear na F1 como equipe independente, mas acabou engolida pelo conglomerado de Richard Branson.

Lucas di Grassi finalmente terá a chance que sempre sonhou e mesmo não sendo do jeito que imaginava (pela Renault, onde ficou piloto reserva por anos), ao menos achou uma vaga numa equipe que deverá, inevitavelmente, andar nas últimas posições, mas que tem um investidor que parece disposto a levar a F1 a sério através do seu time. Já Timo Glock viverá a experiência de sair da equipe mais rica da F1 (Toyota) no ano passado e ir para uma equipe que saiu praticamente do zero, além de não ter grandes investimentos. O alemão mostrou algum potencial ano passado, apesar do final de temporada atrapalhado.

Apesar de não gostar das cores (torço Vasco...), a Virgin pelo menos tem um carro bonito e um rosto. Mesmo que tendo sido feito inteiramente por computador, a Virgin ao menos mostrou ao mundo o carro que correrá em 2010. Algo que as demais nem falam mais...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

STR05


Após vários anos dando ctrl+C e ctrl+V nos carros da Red Bull, a Toro Rosso pode bater no peito e dizer que construiu seu primeiro F1 da história. Será mesmo? Para quem não se lembra, a Toro Rosso é apenas a continuação energética da Minardi, equipe tão simpática como lenta, que fez história na F1 nas duas décadas anteriores. Sem muito dinheiro, é difícil crer que a Toro Rosso tenha tido cacife para construir um carro inteiramente novo para 2010 e quando a Red Bull lançar seu novo carros nos próximos dias, essa dúvida será tirada.

De qualquer forma, a equipe italiana foi mais rápida que a matriz e já colocou o novo modelo para correr logo no primeiro dia de teste da F1, aproveitando o ensejo para apresentar o novo carro. Sebastien Buemi fez uma temporada irregular ano passado, mas que pode ser facilmente perdoado pela falta de experiência, mas o suíço demonstrou velocidade e conhecendo todas as pistas, poderá mostrar mais. Já Jaime Alguersuari, espanhol que entrou para a história como o mais novo piloto a correr de F1, terá mais chance após ter demorado a ter seu nome confirmado na Toro Rosso. Ao contrário dos seus dois compatriotas na F1, Alguersuari parece ser bem espalhafatoso fora das pistas, com cabelos à la NX Zero e declarações, tipo, 'eu sou o máximo'. Seria bom que o espanhol baixasse mais a bola fora das pistas e baixasse mais a bota dentro delas!

Além de correrem juntos, Buemi e Alguersuari tem objetivos comuns: ir para a matriz em 2011, como fez, com sucesso, Sebastian Vettel ano passado. Para impressionar os dirigentes da Red Bull a lhes dar uma oportunidade, os dois jovens precisam de um bom carro, algo que a Toro Rosso espera conseguir com o STR05.

W01


Semana passada foi apenas a apresentação da nova pintura. Bonita, por sinal. Mas o verdadeiro carro novo da Mercedes foi mostrado, de forma simples, nessa manhã em Valência, no primeiro dia de testes livres da F1 em 2010. O W01 foi mostrado praticamente da mesma maneira de Sauber e Renault, ontem, com o carro escondendo o difusor traseiro e seus dois pilotos, rodeados por alguns dirigentes, sorrindo para as câmeras.

Um fato curioso nesse primeiro carro genuinamente Mercedes em mais de 50 anos foi o capacete de Michael Schumacher. O casco predominantemente vermelho apareceu pela primeira vez há dez anos atrás, no auge do caso de amor do alemão com a Ferrari. Agora se vestindo de prata, uma mudança pro antigo capacete, talvez até com detalhes prateados, mas Schumacher preferiu manter o vermelho. O coração do alemão ainda bate pelo vermelho. Rosberg, que fez mudanças em seu capacete para ficar mais lincado com a nova equipe, parece ser um infeliz coadjuvante na Mercedes, pois todos os holofotes estão em Michael e assim deve ser em toda a temporada, independentemente do desempenho de ambos. Nico terá que se desdobrar para conseguir a atenção da equipe e, principalmente, da mídia.

Se Ross Brawn conseguir uma temporada como a de 2009, algo que será facilitado com o dinheiro da Mercedes, e Schumacher pegar rapidamente o ritmo de corrida, um pouco enferrujado após três anos semi-aposentado, a nova Mercedes tem tudo para reestrear com o pé direito na F1.