domingo, 21 de março de 2010

Senna, 50


Há alguns anos atrás, assisti uma entrevista com o ex-boxeador George Foreman e lá pelas tantas, perguntaram a ele qual tinham sido os melhores peso-pesados da história. Ele não se furtou da pergunta e foi citando nomes, mas não tinha falado em Mohammed Ali. Claro que o interpelaram por isso e Foreman foi muito feliz na resposta. "Claro que Ali foi um dos grandes da história, mas na verdade ele foi o maior homem a lutar boxe. Ele se tornou maior do que o esporte." Essa resposta cai como uma luva para Ayrton Senna da Silva. Não restam dúvidas de que Senna foi um dos maiores pilotos de todos os tempos, que algumas de suas conquistas entraram para a história da F1, mas hoje, principalmente no Brasil, Senna é maior do que a própria F1. Extremamente carismático e conseguindo suas glórias num momento de carência do povo brasileiro, Senna se tornou em algo que é difícil ser explicado, pois sua idolatria supera em muito todos os nomes do esporte brasileiro que surgiram nos últimos anos. Eu mesmo já sofri bastante, quando digo que não o acho o melhor piloto de todos os tempos. Para o brasileiro comum, mesmo com Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, Senna foi insuperável e todas as datas em que é lembrado alguma coisa sobre ele, é impossível que não haja homenagens. Como seu aniversário de 50 anos seria hoje, farei uma pequena homenagem aqui, dentro as várias que acontecerão por aí, colocando 50 frases de pessoas importante da F1 sobre Senna. Muitos elogios, mas também muitos cutucões. Porém, ninguém fica impassível diante de Ayrton Senna, uma pessoa que transcendeu o esporte que o levou ao estrelato.


1) "Com os dois carros muito acertados, Prost batia Senna. Já com os McLaren regulares Senna levava alguma vantagem. Porém, com pista inadequada ou com os carros problemáticos, Senna era insuperável"
Jo Ramirez que, como chefe de mecânicos da McLaren, acompanhou cada detalhe dos duelos entre Senna e Prost nas temporadas de 88 e 89.


2) "Não me surpreendi nem um pouco pela forma como Ayrton Senna morreu. Não poderia ser outra a história. Foi um desfecho lógico pela trajetória dele, pelo que tinha na cabeça, pela dedicação e por seus objetivos. Todos os indivíduos que tiveram uma vida marcante têm um fim diferente".
Maurizio Sandro Sala, adversário de Senna no kart


3) "A maior marca do Ayrton foi esse patriotismo. Isso foi o que mais ficou marcado e certamente do que as pessoas mais se lembram"
Emerson Fittipaldi


4) "Me recordo de uma volta de Senna em Mônaco que valeu uma placa, a volta mais perfeita que um piloto já fez"
Enzo Ferrari


5) "Senna não era uma pessoa comum. Na verdade, ele era um homem muito maior fora do que dentro do carro"
Frank Williams


6) "Quando via o capacete amarelo no espelho retrovisor, sabia o que viria pela frente"
Gerhard Berger


7) "Nunca tinha visto alguém pilotar daquele jeito. Em plena curva, Ayrton estava freando, reduzindo a marcha, girando o volante, acelerando e mantendo a pressão do turbo. Parecia um polvo. Ver essa habilidade cerebral de separar os componentes e juntá-los com essa coordenação foi um privilégio"
John Watson, ex-piloto de F1 que fez uma corrida ao lado de Senna em 1985


8) "O que aconteceu é tão dramático e triste que eu nem sinto satisfação por ganhar (o GP de San Marino de 1994)"
Michael Schumacher


9) "Se Senna não tivesse morrido, não teria conquistado os títulos de 1994 e 1995 porque ele era melhor que eu"
Michael Schumacher


10) "Eu e o Prost já ganhamos tudo e estamos mais pra lá do que pra cá na carreira. O Ayrton, não. Vai se matar, se for preciso, para chegar ao título e ser considerado o maior de todos os tempos"
Nelson Piquet


11) "Senna era capaz de determinar em que ponto do circuito o carro dele gastava um decilitro de gasolina a mais. Nessa época, a Lotus de Senna tinha motor turbo, e esse controle era quase impossível de ser feito. Mas ele o fazia com precisão de relógio suíço"
Peter Warr, chefe da equipe Lotus e de Senna entre 1985 e 1987


12) "O melhor piloto com quem já trabalhei foi Ayrton, e isso não apenas por sua performance na pista, mas por sua amizade e clareza. Passamos muitos anos juntos, e eu dividi com ele suas angústias e alegrias. Considero que isto foi um privilégio para mim"
Ron Dennis


13) "Eu tinha muito apreço por ele e nos dávamos muito, muito bem. Era um vínculo muito peculiar, que eu não tive com nenhum outro piloto. E ele virou parte da minha família. Ele se dava bem com os meus filhos, era sempre agradável e eles quando eram crianças o idolatravam. Ele foi um dos melhores pilotos de todos os tempos, para mim o melhor. Ele era extremamente agressivo, ele era capaz de ultrapassar sem a menor hesitação. Esta era uma das suas grandes habilidades. E ele era muito, muito, veloz"
Sid Watkins, médico-chefe da F1 entre 1978 e 2004. Ele era muito amigo de Senna e foi um dos primeiros a lhe prestar socorro em Ímola/94


14)"De certa maneira, Ayrton Senna e eu fomos como irmãos, filhos do mesmo entusiasmo, compartilhando sonhos parecidos, presos ao mesmo cordão umbilical forte, magnético e absorvente do automobilismo".
Nelson Piquet


15) "Se eu fosse dono de uma equipe de Fórmula 1, contrataria o Ayrton como piloto."
Nelson Piquet


16) "Senna é o melhor piloto? Porra nenhuma! Melhor é o Prost, que é tetracampeão."
Nelson Piquet


17) "Existem os pilotos normais e os extraterrestres. Conheci 3 extraterrestres, o Jim Clark, José Carlos Pace e Ayrton Senna".
Luis Antônio Greco, ex-chefe de competição da Willys


18) "Senna é um obcecado que não deve dormir à noite, pensando nas corridas. Não sei se ele é feliz"
Alain Prost


19) "Se a Fórmula 1 tivesse dois Ayrton Senna, em todas as corridas haveriam acidentes"
Alain Prost


20) "Senna dedica ao automobilismo 100% de sua vida. Talvez 110%. Eu nunca fui tão longe, talvez tenha dedicado 85% ou 90%."
Alain Prost


21) "Disputei muitas corridas com o Ayrton Senna. Na maioria das vezes perdi e, mesmo quando ganhei, sabia que tinha tido a honra de derrotar o melhor piloto de todos os tempos"
Nigel Mansell


22) "Senna tirou de carros medíocres o que medíocres não conseguem tirar de carros perfeitos"
Sergio Quintanilha, jornalista brasileiro


23) "Ainda que Piquet não tenha razão, o Senna não deve se preocupar. Metade da população mundial é gay"
Alessandro Nannini, comentando o fato de Piquet ter dito que Senna não gosta de mulher


24) "Se você pegar 26 ônibus de dois andares com 26 pilotos de GP neles e fizer uma corrida em Silverstone, nós sabemos quem vai ganhar, não sabemos?"
Maurício Gugelmin, ex-piloto e um dos melhores amigos de Senna na F1


25) "Fiquei muito emocionado quando o Michael Schumacher dedicou seu primeiro título mundial ao Ayrton Senna. Mesmo assim, acho que ele tem o nariz um pouco empinado"
Rubens Barrichello


26) "Aprendi demais com o Ayrton. A morte dele foi até a hoje o pior momento da minha vida"
Rubens Barrichello


27) "Não costumo ler jornais e gasto meu tempo livre longe do automobilismo. Não sou como o Senna."
Nelson Piquet


28) "O Senna vive para o esporte e tira o máximo proveito do fato de ser considerado o grande herói das pistas. Às vezes fico pensando que não sabe fazer mais nada na vida."
Nelson Piquet


29) "Na Lotus, o Ayrton ganhava menos da metade do que vivia dizendo. Eu sei disso porque li o contrato dele."
Nelson Piquet


30) "Não"
Essa foi a resposta de Senna ao pequeno Felipe Massa, então com 10 anos, quando este lhe pediu um autógrafo.


31) "Ayrton Senna era um exemplo de coragem, dedicação, trabalho e aplicação. Um camarada feliz e de bom coração"
Nuno Cobra, preparador físico de Senna


32) "O mundo jamais verá outro piloto como Ayrton Senna. Ele não era simplesmente um tipo raro nem especial, era único. O melhor de todos os tempos".
Gerard Ducarouge, projetista da Lotus entre 1983 e 1988


33) "Ele irrita pela competência"
Thierry Boutsen, piloto belga de F1.


34) "Ele era talento puro"
Dick Bennet, chefe de equipe na Fórmula 3 quando Senna foi campeão inglês em 1983


35) "Veloz, sensível e temperamental. Senna era o único que poderia chegar ao meu pentacampeonato"
Juan Manuel Fangio, obviamente bem antes de Schumacher chegar ao seu pentacampeonato


36) "Fui um privilegiado. Tive um ídolo e um amigo ao meu lado".
Rubens Barrichello


37) "Dificilmente alguém o igualará nos próximos anos"
Roberto Moreno, ex-piloto da F1 e F-Indy


38) "O Ayrton sempre aprendeu as coisas muito rapidamente. É por isso que chegou a tricampeão. Andou na frente em todos os sentidos".
Maurício Gugelmin


39) "Tivemos a mesma profissão, nos envolvemos em acidentes e fomos contemporâneos. Somos animais semelhantes. Eu fui campeão uma vez, ele três".
Nigel Mansell


40) "Ele sempre foi muito exigente. Mas retribuía à altura cada melhora no equipamento. Esse foi o segredo de ter sido o maior vencedor da história da Mclaren".
Ron Dennis


41) "Eu fui tão importante para ele, no início de sua carreira no kart, em 1973, como ele era para mim hoje. Éramos grandes amigos".
Lucio Gascon Bascual, o "Tchê", primeiro preparador de kart de Senna.


42) "Você pode definir um piloto como razoável, bom, ótimo e até gênio. O Ayrton superava cada definição com seus argumentos dentro da pista. Ele foi o Senna."
Ralph Firman, dono da Van Dimen e patrão de Senna na Fórmula Ford 1600.


43) "É o melhor que conheci"
Gehard Berger, companheiro de Senna na McLaren.


44) "Você pode ser ético e se enquadrar entre os cinco pilotos mais rápidos sem ordem cronológica. Naturalmente do segundo para baixo. No topo sempre estará o Ayrton"
Michele Alboreto, ex-piloto de F1


45) "Tive a felicidade de prever que Senna seria um superpiloto quando trabalhamos juntos na Toleman. Acho que não em enganei"
Mike Cowlishaw, chefe de mecânicos da Toleman em 1984


46) "Seu estilo de pilotar é como eu gostaria de guiar"
Stirling Moss, ex-piloto de F1, vice campeão em 1955, 56, 57 e 58.


47) "Perdi a pole porque não tenho um instinto assassino"
Damon Hill, após perder a pole do GP da Inglaterra de 1993 para Senna


48) "Ayrton era a própria imagem da paixão pura dos pilotos"
Jean-Marie Balestre, ex-presidente da FISA


49) "No começo, (Nelson) Piquet era a referência, um competidor duro. Niki (Lauda) foi impressionante em termos de consistência de performance, quando ele me bateu no campeonato de 1984, eu na verdade era mais rápido nas corridas a maioria das vezes, mas ele usou suas forças melhor. Aprendi uma lição importante nisso. Mas se tem um piloto que ficou acima do resto, tanto por sua pilotagem quanto por suas habilidades mentais, foi Ayrton Senna"
Alain Prost


50) "O Ayrton sempre foi perfeccionista, desde os tempos do kart. Queria saber como tudo funcionava e por quê".
Milton Silva, pai de Senna

quinta-feira, 18 de março de 2010

Festança


As críticas ao Grande Prêmio do Bahrein obscureceu um pouco a grande festa que aconteceu no Oriente Médio pelos 60 anos de F1, onde 18 dos 20 campeões mundiais vivos marcaram presença, ao lado dos carros que fizeram história. Uma passagem bonita estragada pela impaciência dos dirigentes e pilotos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Enquanto isso no domingo...


A TV Bandeirantes chama a F-Indy de "Formula da Emoção", mas nessa corrida que foi organizada e praticamente trazida por ela, pode-se mudar de nome para "Formula do Caos". As corridas da Indy normalmente são mais animadas do que a F1, principalmente pelas constantes bandeiras amarelas, mas em São Paulo vimos uma corrida que teve de tudo. Isso sem contas com os treinos.

Para diminuir os efeitos da vergonhosa reta do sambódromo, a direção de prova resolveu fazer uma raspagem no piso e o resultado satisfatório, tanto que a Classificação ocorreu de forma tranquila, mas isso acabou por provocar o maior susto do final de semana. A poeira levantada pelos carros acabou por cegar quem vinha na parte de trás e o resultado foi um strike protagonizado por Takuma Sato (sempre ele!), que envolveu os favoritos Helio Castroneves e Scott Dixon. Mais atrás, Mário Moraes se assustou com a feada forte de Marco Andretti e literalmente voou por cima do carro do americano, causado uma cena dramática, onde a roda traseira de Mário estava bem em cima do cockpit de Marco. Após alguns momentos angustiantes, o representante da terceira geração Andretti saiu sem maiores problemas e a corrida foi reiniciada.

Dario Franchitti dominou a parte inicial da prova, seguido de perto do surpreendente Alexandre Tagliani, Ryan Hunter-Reay e Tony Kanaan. Tony, por sinal, era a maior esperança brasileira de vitória, mas ele acabaria atropelado por Tagliani, que fora atingido por trás por Dan Wheldon. A temida chuva tinha ameaçado cair antes da largada, mas ela veio forte bem no meio da prova, ocasionando a bandeira vermelha e a interrupção da prova. A organização ficou tão preocupada em acabar com as poças d'água, que o sol apareceu e praticamente secou a pista. Na bandeira verde, ficou aquela velha história: que pneu usar? Franchitti e um impressionante Dixon, em ótima corrida de recuperação, foram conservadores e usaram pneus de chuva, enquanto Hunter-Reay e os dois pilotos da Penske (Will Power e Ryan Briscoe) arriscaram e trocaram para pneus slicks. Aposta correta e rapidamente eles estavam na ponta e os três começaram a brigar pela ponta. Briscoe consegue a ultrapassagem sobre Hunter-Reay, mas acaba achando a proteção de pneus. Esse australiano é muito rápido, mas é tão desastrado quanto. Quando a bandeira verde reapareceu, faltavam poucos minutos e Power partiu para cima do americano, conseguido a ultrapassagem vencedora quando faltavam duas voltas.

Após uma temporada difícil, onde sofreu um grave acidente em que quebrou algumas vértebras, Power mostrou o motivo de Roger Penske apostar tanto nele, que abriu uma terceira vaga na sua famosa equipe, que aposentou de forma definitiva o famoso lay-out da Marlboro, que o automobilismo via desde 1974 com a McLaren de Emerson Fittipaldi. Foi uma corrida atípica, mas a pista precisa de melhorias urgentes e uma organização mais profissional e menos passional. A Band nos fazia parecer que tanto errata fazia parte e que tudo estava as mil maravilhas, apesar das críticas ferrenhas de todos que estavam presentes. Mas ao menos a corrida conseguiu ser realizada, algo que era duvidoso após o fiasco de sábado. Tomara que 2010 sirva de lição para os organizadores da São Paulo Indy 300 e que de 2011 em diantes as coisas melhorem. Pois piorar é impossível.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Figura (BAH): Ferrari

Montezemolo chegou a dizer que 2009 tinha sido uma humilhação para a Ferrari, mesmo o time italiano ter conquistado uma vitória com Kimi Raikkonen no ano passado. O time de Maranello passou seis meses pensando unicamente no carro de 2010 e ainda trouxe Fernando Alonso, um sonho antigo da equipe, no lugar do desmotivado Kimi Raikkonen. O ano de 2010 foi metodicamente planejado pela cúpula ferrarista e a vinda do espanhol faz parte do plano da equipe voltar aos bons tempos, culminando com a espetacular dobradinha da equipe no Bahrein, com Alonso superando Massa, que vinha de uma difícil e comovente recuperação após seu terrível acidente. Desde os testes de pré-temporada a Ferrari impressionou a todos com seu bom desempenho tanto em ritmo de treino como de corrida. Mesmo debaixo de forte calor e tendo que enfrentar a Red Bull de Sebastian Vettel, a Ferrari confirmou as fortes expectativas nela depositadas e Alonso estreou da melhor forma possível, com Massa mostrando que está tão rápido quanto antes do acidente. Com uma dupla forte, um carro super competitivo e um ano planejado, a Ferrari promete um 2010 recheado de alegrias e conquistas.

Figurão (BAH): Segundos pilotos

Suas equipes irão negar até a morte, mas não há muitas dúvidas de que Nico Rosberg, Mark Webber e Jenson Button, mesmo este o atual Campeão Mundial, serão coadjuvantes em suas equipes em 2010 e a abertura da temporada foi a mostra de que isso se deve unicamente a falta de desempenho ou empenho. Jenson Button corre o sério risco de ser totalmente eclipsado por Lewis Hamilton no seio da McLaren se mantiver o ritmo discretíssimo que mostrou em Sakhir, onde ficou a léguas de distância do seu companheiro de equipe, que, ao contrário, fez uma bela corrida mais à frente, inclusive parecendo andar mais do que o carro. Essa mesma explicação serve para Mark Webber, com o agravante de que Vettel liderou a maior parte da corrida até ter seu problema no motor, enquanto Webber fechou a zona do G4 (as quatro equipes grandes). O caso de Nico Rosberg é significativo e mesmo andando mais rápido do que Schumacher todo o final de semana, o alemão acabou decepcionando com sua falta de atitude enquanto perseguia o carro quebrado de Vettel, que naquela altura apenas se arrastava à sua frente, andando até 3s mais lento do que sua Mercedes. Como ninguém pode duvidar do talento e a gana de Schumacher, o provável que a lenda se recupere nas próximas corridas e Rosberg seja colocado no seu devido lugar. Ou seja, como segundo piloto.

domingo, 14 de março de 2010

Realizando um sonho


Faziam anos que a Ferrari queria Alonso e o espanhol queria o time italiano. Na verdade, desde o ano 2000 se fala na contratação de Fernando por parte da equipe de Maranello, mas pelos motivos mais variados, isso acabou não acontecendo. O tempo passou, Alonso se tornou uma estrela e a Ferrari, sempre querendo os melhores pilotos para si, passou a correr atrás do espanhol. Alonso nunca escondeu de ninguém que queria a Ferrari e o acerto aconteceu no final do ano passado. Logo na estréia, lembrando Fangio, Giancarlo Baghetti, Mansell e Raikkonen, Fernando Alonso venceu sua primeira corrida vestido de vermelho na F1 e mostra que esse namoro de dez anos pode dar em um casamento duradouro e feliz.

A corrida no deserto barenita não foi das mais emocionantes, mas isso deve a um motivo bem específico. Com uma mudança tão grande nas estratégias de corrida, com o fim do reabastecimento, equipes e pilotos decidiram por uma atitude mais conservadora, não pensando em nada arriscado quando tudo ainda estar para ser descoberto. Todos pararam apenas uma vez nos boxes e não houve nada de mirabolante para acontecer uma ultrapassagem devido a estratégia. Os boxes influenciaram apenas pela velocidade dos mecânicos, no caso, com a McLaren derrotando Mercedes (Hamilton saindo à frente de Rosberg) e Red Bull (Button à frente de Webber). Com o tempo e dependendo das pistas, provavelmente veremos mais estratégias diferentes e algumas estratégias diferentes, mudando o marasmo que vimos nas últimas voltas de hoje. Porém, a disputa ficou essencialmente na pista, com Webber ficando a corrida inteira pressionando (em vão) alguém e Schumacher tendo que segurar alguém, isso sem contar as ultrapassagens ocorridas no meio do pelotão para trás. No fim, foi uma corrida laboratório para as equipes se acostumarem com o novo regulamento e a possibilidade das provas melhorarem são grandes ao longo da temporada.

A Ferrari confirmou a pinta de favorito, mas não aconteceu da forma como todos esperavam. A Red Bull de Sebastian Vettel deu muito mais trabalho do que o imaginado e se não fosse o problema no escapamento do energético, provavelmente os vermelhos estariam comemorando seus dois pilotos no pódio, mas em 2º e 3º. Alonso definiu a sorte da corrida na segunda curva da corrida, quando efetuou uma inteligente ultrapassagem sobre Massa e ficou atrás de Vettel. O espanhol ficou por fora e em desvantagem na primeira curva, mas o jogo virou metros depois e Fernando capitalizou a vantagem com a categoria habitual e ficou perseguindo, à distância, a Red Bull de Vettel. Após a única rodada de paradas, Alonso parecia disposto a partir para cima do líder da corrida, mas o asturiano não precisou de tanto trabalho assim e quando se preparava para a freada da primeira curva, Vettel estava bem à sua frente, com o escapamento partido. Alonso teve paciência para ultrapassar o alemão e vencer com categoria logo em sua estréia pela Ferrari, voltando ao topo do pódio após mais de um ano. Alonso ainda teve a sorte do problema no carro de Massa. O brasileiro sentiu que a corrida foi perdido na ultrapassagem sofrida na primeira volta e que apenas o pit-stop poderia salvá-lo. Não salvou. Felipe, que teve seu motor trocado pela manhã, passou a ter sérios problemas de superaquecimento após sua parada e recebeu a péssima notícia de que teria de diminuir o ritmo se quisesse terminar a prova, pois não apenas a temperatura do carro estava muito alta, como isso estava influenciando no consumo de combustível. A Ferrari ainda teve a sorte de Hamilton não perceber o problema e ter partido para cima de Massa, garantindo a dobradinha vermelha no Bahrein. Sorte de campeão?

Hamilton mostrou que pode andar mais do que o carro e garantiu o pódio mesmo com um carro que nunca andou no ritmo de Ferrari e Red Bull. O inglês ainda teve o azar de ser ultrapassado por Nico Rosberg na largada e ter que acompanhar o alemão até seus mecânicos fazer um ótimo trabalho e colocá-lo na pista na frente da Mercedes. Lewis era um dos carros mais rápidos da pista a partir de então, mas já tinha perdido muito terreno frente aos líderes, mas o 3º lugar pode ser importante num campeonato que promete ser apertado e onde a McLaren pode crescer bastante, como fez em 2009. E falando no ano passado, o campeão de 2009 fez uma corrida para lá de discreta e nem de longe acompanhou Hamilton. Está cedo para julgar Jenson Button, mas o inglês terá que provar nas próximas corridas que tem estofo de campeão e que pode ameaçara a soberania de Hamilton dentro da McLaren, com o risco de voltar a ser 2º não apenas na McLaren, como também no coração dos ingleses. A cada dia que passa, Vettel mostra o porquê de ser considerado um campeão em potencial num futuro próximo. Fez a pole ontem, largou perfeitamente, imprimiu um ritmo forte na frente das favoritas Ferraris e se não fosse seu problema mecânico garantiria mais uma vitória e a liderança do campeonato. O alemão ainda deu mostras do seu talento enorme quando segurou, sem condição nenhuma, Nico Rosberg nas últimas voltas da corrida, que vinha muito mais rápido do que ele. Em condições para lá de adversas, Seb conquistou pontos importante com o 4º lugar. Mark Webber foi outro que fez uma corrida discreta e nem de longe emulou o desempenho do seu companheiro de equipe. O australiano largou mal, ficou atrás de Schumacher na primeira parte da corrida, mas quando o pit-stop poderia lhe ajudar, acabou lhe atrapalhando, o deixando atrás de Button e por lá Webber ficou a corrida inteira, mesmo tendo um carro nitidamente mais rápido. Se em 2009 o australiano andou no ritmo de Vettel, Bahrein mostrou um piloto bem abaixo das expectativas.

Ninguém duvida da velocidade de Nico Rosberg, mas seus críticos veem muito sua falta de agressividade e isso ficou claro e evidente no final da prova. Numa corrida sem ser muito notado, o piloto da Mercedes viu a possibilidade de ultrapassar, até mesmo sem muito drama, seu compatriota Sebastian Vettel, que vinha com problemas e 2s mais lento. Rosberg percebeu o potencial de conquistar mais alguns pontos e partiu para cima, tirando a enorme desvantagem que tinha com relação a Vettel, mas quando colou na Red Bull do alemão, Rosberg simplesmente não tentou uma única vez (pelo menos a TV não mostrou) a ultrapassagem sobre Vettel, ficando duas voltas atrás de um piloto claramente com problemas mecânicos. A falta de atitude de Rosberg o colocou na 5º posição, apenas uma à frente do seu famoso companheiro de time. Michael Schumacher não teve uma atuação muito auspiciosa e apenas serviu de tampão na maior parte do tempo. O alemão largou bem ao ultrapassar Webber, mas segurou o australiano até a única parada de todos, mas quando foi Button quem surgiu atrás de si, Schumacher passou a fazer exatamente a mesma coisa, apenas se segurando à frente do inglês e sem chance de pressionar seu companheiro de equipe. Michael ainda precisa de tempo para se readaptar a um carro muito diferente de 2006, isso sem contar que a Mercedes, que era Brawn em 2009, não tem um carro tão bom quanto o campeão de 2009. No entanto, nunca é bom duvidar de um piloto heptacampeão mundial.

Atrás do G4, o melhor do 'resto' foi a Force India, mas não o piloto esperado. Vitantonio Liuzzi fez uma excelente largada, sendo agressivo quando todos foram cautelosos e saiu da 12º posição para nono. Porém, isso causou um toque em Robert Kubica e em seu companheiro de equipe, atrapalhando a corrida dos dois. Sutil não apareceu mais durante a prova e ficou pelo meio do pelotão, enquanto Liuzzi começo o ano muito bem, marcando dois pontos preciosos onde nenhum dos oito carros do G4 teve problemas. Logo atrás, Rubens Barrichello capitalizou a escolha dos pneus duros e uma largada sem problema para beliscar o último pontinho do dia com a 10º colocação. Se o brasileiro esperava pressionar os quatro grandes, uma corrida decepcionante, mas ao menos se colocou bem frente as demais equipes. Nico Hulkenberg é que não fez uma corrida muito boa, ao largar mal e rodar quando perdeu o controle do seu carro num esse de alta. Tendo que trocar os pneus que ficaram destruídos, Hulkenberg apenas fez figuração durante a corrida e acabou tomando uma volta dos líderes, um dos poucos numa pista enorme. A Renault não foi de toda má após uma pré-temporada ruim, apesar dos resultados não mostrarem isso. Robert Kubica teve sua corrida estragada com o toque recebido por Liuzzi na largada e caiu para a última posição, mas o polonês fez várias ultrapassagens e chegou na 11º posição, apenas uma de marcar ponto. Levando-se em conta o equilíbrio que também domina as equipes médias, Kubica fez outra corrida em que seu talento ficou novamente evidente. Falando em talento, apesar de muitos terem dito que Petrov só está na F1 por causa de dinheiro, o russo não foi de todo mal enquanto esteve na pista. Vitaly largou bem, chegou a pressionar Barrichello pela 10º posição, mas um problema identificado enquanto fazia sua parada acabou com o dia do russo, que apesar disso deixou uma boa impressão.

A Sauber, que fez uma boa pré-temporada decepcionou redondamente não apenas um treino ruim, como também com um ritmo de corrida deficiente, longe de brigar pelo título de melhor do 'resto'. Kobayashi esteve longe de repetir suas atuações que fizeram com que todos torcessem que ele tivesse um cockpit em 2010 e De la Rosa foi uma figura apagada o tempo inteiro. A Toro Rosso apareceu apenas quando Buemi, retardando ao máximo sua parada, chegou a ficar nas primeiras posições, mas o suíço acabaria por abandonar no finalzinho da prova. Alguersuari correu? Da novatas, Lotus e Virgin preferiram seguir por caminhos diferentes e isso ficou bem claro na corrida, mesmo que seguindo as devidas proporções. A Lotus preferiu construir um carro robusto e que chegasse ao final das provas, algo que Kovalainen e Trulli conseguiram, mesmo que muito lentamente, ao contrário da Virgin, que fez um carro mais rápido, mas que quebra com a facilidade de uma lâmpada de 100W. Di Grassi abandonou no comecinho e Glock, após uma luta interessante com Trulli, faria o mesmo antes do final. Ambas tem muito a crescer, mas a falta de testes atrapalhará e muito ambas. Sobre a Hispania não há muito a dizer. Se Karun Chandhok conseguiu anda 30km em todo o final de semana barenita, pode-se considerar muito, enquanto Bruno Senna, talvez pela importância do sobrenome, tem recebido um tratamento ligeiramente melhor e conseguiu a proeza de dar lentas 19 voltas até estrourar o motor.

A corrida de hoje respondeu algumas questões levantadas na pré-temporada, mas ainda assim a temperatura e o clima no Bahren foi bem diferente do encontrado na Espanha. Porém, muitas coisas foram confirmadas, como a força de Ferrari e Red Bull, mas com a segunda ainda tendo problemas de confiabilidade. Mercedes e McLaren ainda estão um degrau abaixo das duas rivais, mas com a McLaren ainda usando o talento de Hamilton para sobressair. As demais equipes brigarão forte para um lugar nos dois lugares pontuáveis restantes, enquanto as novatas ainda lutarão pela sobrevivência. Alonso superou Massa em seu primeiro embate, mas o espanhol ainda tem muito chão pela frente para realizar o sonho do tricampeonato pela Ferrari.

sábado, 13 de março de 2010

Cheirinho de fiasco


Lá no trabalho, o pessoal vivia me perguntando sobre a pista de rua em São Paulo, que ela parecia muito legal e tal, mas sempre tinha uma resposta na ponta da língua. A reta do sambodrómo poderia causar problemas, pois ao menos pela TV, parecia muito lisa e como poderia chover, aquilo poderia se tornar um verdadeiro sabão! Pois bem, nem precisou a chuva dar as caras em São Paulo para que a reta da passarela do samba fizesse com que os carros literalmente sambassem e o que vimos hoje chegou a ser ridículo.

Os pilotos simplesmente tinham que domar seus carros pela traiçoeira reta, que escorregava como uma manteiga e fazia com que os pilotos rodassem no meio da reta. A gritaria foi geral e como resultado uma gambiarra de emergência terá que ser feita durante a noite para que a corrida e a classificação seja realizada com alguma normalidade amanhã. Isso sem contar as terríveis ondulações na reta da marginal, que faz com que os carros pulem excessivamente.

Enquanto isso, a Bandeirantes preferiu mostrar uma imagem diferente a todos nós, querendo minimizar as cenas ridículas em que a TV restransmitia de forma terrível para todo mundo. Foi um show de câmeras on-board e poucas informações na tela, onde até mesmo Luciano do Valle parecia mais perdido do que o normal, mas ao menos ele foi coerente. Há vários anos na categoria, Ryan Briscoe continuou sendo chamado pelo veterano narrador de Bryan Riscoe...

De resto, esse início de temporada na Indy tem os mesmo pilotos dominando as primeiras posições, vários estreantes desconhecidos ou renegados de categorias européias e várias mulheres correndo. Bia Figueiredo, coitada, só está chamando a atenção mesmo por ser mulher e bonita, algo bem parecido com a versão feminina de Bryan Herta, a Danica Patrick. Se existisse uma versão para a F-Indy do site 'f1rejects', a primeira que eu colocaria era a Milka Duno. É impressionante como ela é ruim e ninguém avisou a ela disso. Com carros iguais para todos, Duno conseguiu desempenho da Hispania de um desesperado Karun Chandhok nos treinos de hoje. Ao menos a novata Simona de Silvestro parece andar bem.

Espero que a corrida aconteça sem muitos problemas, mas pelo o que vimos até agora, isso dificilmente acontecerá.