A perspectiva de 2010 para Robert Kubica era sombrio. A Renault vinha de duas temporadas terríveis e a venda de grande parte da equipe para um fundo de investimento desconhecido era a senha para um ano ruim. E os testes de pré-temporada confirmaram isso, onde nem Kubica e muito menos o novato Vitaly Petrov foram capazes de conseguir um único bom resultado. Muitos temeram pelo desperdício de talento que era ver Kubica andando num carro ruim. Porém, o polonês conseguir tirar leite de pedra e conseguiu colocar seu carro no Q3 no Bahrein, mas um toque na primeira curva acabou por estragar a corrida do polaco. Em Melbourne, Kubica novamente surpreendeu e pôs seu Renault entre os dez mais rápidos e a expectativa era de pontos. Contudo, se em Sakhir Kubica foi vítima na primeira curva, em Albert Park o piloto da Renault foi o grande beneficiado da conturbada primeira curva e pulou de 9º para 4º na primeira curva. Com uma posição claramente acima do potencial do seu carro, era de se esperar Kubica perdendo posições e até mesmo atrapalhando os pilotos mais rápidos. Que nada! O polonês fez uma corrida perfeita, onde andou próximo de Vettel e Button por alguns momentos, se defendeu de forma perfeita de Rosberg no início e de um insandecido Lewis Hamilton logo depois. Se o piloto da McLaren ultrapassou como quis a poderosa Ferrari de Felipe Massa, o inglês conseguiu o mesmo efeito em Kubica, que ainda tomou a arriscada decisão de não parar, permanecendo com os mesmos pneus (macios) até o final da prova, onde teria que andar com cuidado em um carro desequilibrado. Com isso, a Ferrari rapidamente se aproximou e assim como fez com Hamilton, Kubica não teve trabalho para segurar Massa. O incrível era que o piloto da Renault não fechava porta ou usava de manobras bruscas. Kubica teve uma atuação impressionante com um carro bem inferior aos que superou e o 2º lugar conquistado na Austrália prova que o talento deste polonês não pode (e nem deve) ser desperdiçado!
segunda-feira, 29 de março de 2010
Figurão (AUS): Mark Webber
Muitas vezes, o fato de se correr em casa pode ter um efeito contrário ao esperado e ser até prejudicial, por motivos que passam por técnicos e psicológicos. Não faltam casos clássicos, como o de Jacques Villeneuve no Grande Prêmio do Canadá e Rubens Barrichello no Grande Prêmio do Brasil. Esse também parece ser o caso de Mark Webber em sua corrida nativa. O australiano foi rápido em Melbourne como em qualquer pista, liderando treinos livres e conseguindo um lugar na primeira fila. Porém, na corrida, o nervosismo de Webber em conseguir uma boa corrida na frente dos seus compatriotas foi patente e seus erros, alguns até primários, foi a prova que os nervos do normalmente frio Mark Webber não estavam no lugar, culminando no inútil e totalmente evitável toque em Lewis Hamilton na penúltima volta da corrida, estragando não apenas sua corrida, como uma divertida disputa por posição que envolvia também Fernando Alonso, totalmente sem pneu no final da prova. Webber tem em mãos o melhor carro da F1 na atualidade, mas corridas como a de hoje, não importando onde seja, pode ser muito prejudicial a sua disputa pelo título e também dentro da própria equipe, onde Vettel vem sobrando.
domingo, 28 de março de 2010
Melboune continua lindo!
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Duas paradas obrigatórias? Piorar os pneus para criar uma diferença entre compostos duros e macios? A volta do reabastecimento? Com apenas uma corrida no insosso circuito de Sakhir, todos na F1 clamaram por mudanças após uma corrida monótona no Oriente Médio, mas quando a categoria foi para um circuito que proporciona emoção, vimos uma das melhores corridas dos últimos tempos, que ainda contou a ajuda da velha ajudante para melhorar as corridas da F1: a chuva. Jenson Button, outro que saiu com a imagem arranhada após a primeira etapa do mundial, usou a inteligência para ler primeiro que os outros a mudança de aderência na pista e vencer pela primeira vez na McLaren, mas o inglês não foi o único protagonista da corrida deste domingo.
Na verdade, não faltou emoção, alternativas e destaques na corrida em Melbourne. A chuva fina que melou a pista, como disse Galvão Bueno,
proporcionou uma enorme dor de cabeça para pilotos e equipes, mas todos largaram com pneus intermediários, porém a famosa primeira curva de Melbourne fez suas vítimas e a principal foi justamente o vencedor da corrida passada, Alonso. Metros mais tarde, um acidente assustador tirou três pilotos do meio do pelotão: Kamui Kobayashi, Sebastien Buemi e Nico Huckenberg. Ao contrário da expectativa inicial, esse acabou sendo a única entrada do safety-car. E que safety-car! A Mercedes caprichou com o novo carro de interferência. Porém, na medida em que a chuva passou e os pilotos precisariam trocar seus pneus, a emoção aumentou e houve várias brigas e, vejam só, ultrapassagens. Em todos os níveis do pelotão, houve troca de posições e piloto mostrando o bico. No final, a estratégia diferenciada de alguns pilotos trouxe um novo cenário para o final da prova e foi isso que causou uma grande emoção no final da corrida. Se no Bahrein houve uma espécie de conservadorismo exacerbado das equipes, em Melbourne, já houve quem arriscasse mais e de forma surpreendente, os pneus moles duraram muito mais do que o esperado. E foi assim que Jenson Button e os três pilotos que vieram a seguir conseguiram as primeiras posições da corrida. O inglês da McLaren teve uma prova atribulada no seu início, quando se envolveu no toque da largada e fez Fernando Alonso rodar na primeira curva, enquanto o próprio Button perdesse posições. Quando foi ultrapassado pelo seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton (que começava seu show), Button tomou a iniciativa de ir aos boxes e colocar pneus slicks, enquanto a chuva parava. Uma saída de pista e parecia tudo perdido para o inglês, mas quando seus pneus chegaram a temperatura ideal, Button passou a andar bem mais rápido do que os demais e quando a maioria dos pilotos foram aos boxes, o inglês pulou de sétimo para segundo. Sorte ou competência? Apesar dos dizeres globais, coloco mais na competência de Button, que usou a experiência para ler mais rápido do que os demais as mudanças nas condições de pista e para segurar o carro numa pista ainda úmida e com pneus frios. Sem condições de ataque sobre Vettel, Button parecia num tranqüilo segundo lugar quando o alemão da Red Bull teve problemas de freios e abandonou a corrida. A partir daí, o que era um tranqüilo segundo lugar se transformou numa tranqüila primeira posição, mas a grande corrida do inglês não havia acabado ainda. Já tendo usado dois tipos de pneus diferentes, Button preferiu ficar na pista com pneus moles, numa situação crítica, em que chegou a andar 2s mais lento do que os pilotos que tinha feito uma segunda troca. Porém, o atual
campeão mundial se usou, de forma involuntária, de um grande escudeiro para faturar uma grande vitória e ter a primazia, pelo menos nesse início de campeonato, de conseguir a primeira vitória da McLaren em 2010. Foi uma vitória para dar moral ao inglês, que parecia uma presa fácil para Hamilton, percepção aumentada pela corrida extremamente discreta no Bahrein. Agora com uma vitória e a 3º posição no Mundial de Pilotos, Button deverá ser visto com outros olhos pela cúpula da McLaren.
Apesar da grande vitória de Button e do show de Hamilton, para mim o grande piloto deste domingo se chama Robert Kubica. Não devemos esquecer que a F1 tem hoje uma espécie de G4, que engloba as quatro principais equipes do Mundial, no qual a Renault, longe dos seus momentos de glória, não faz parte. Por sinal, se valermos pela pré-temporada, os franceses corriam o risco de ser o fiasco do ano, mas quando se tem um talento como Kubica, certas verdades não são tão absolutas. O polonês já tinha impressionado no Bahrein, quando colocou seu problemático Renault no Q3, mas um toque na largada estragou a corrida do polaco, mas na Austrália, Kubica deu um show de como se defender durante uma prova com um carro muito inferior. Primeiramente, o piloto da Renault já tinha sido inteligente o suficiente para manobras evasivas, quando desviou com maestria das rodadas na largada e pulou de 9º para 4º na primeira volta. Claramente aquele não era o lugar do carro da Renault, mas Kubica usou do seu talento para se segurar de pilotos com carros claramente melhores do que o seu. Primeiro foi Rosberg, depois das paradas, foi a vez do agressivo Hamilton, que não tinha t
omado conhecimento de ninguém a sua frente, mas esbarrou em Kubica. Já em 2º lugar, o polonês resolveu seguir Button e ir até o final com os pneus slicks que havia trocado no início da corrida, mas para Kubica essa decisão era ainda mais arriscada, pois seu carro não tinha o equilíbrio dos demais e ainda tinha que agüentar a pressão das duas Ferraris, lideradas por Felipe Massa. O brasileiro se aproximou da Renault de Kubica, mas em nenhum momento o polonês deu alguma brecha ao brasileiro e de forma incrível, Robert Kubica conseguiu um pódio genial, chegando em 2º lugar. Foi uma prova de que Kubica tem condições de brigar por títulos e vitória se tiver um bom carro em mãos, mas ainda que esteja com um carro não considerado favorito, o polonês pode ser tornar a surpresa do ano. Vitaly Petrov foi outro que ganhou várias posições na largada (oito), mas a sua inexperiência fez com que rodasse assim que colocou pneus slicks. Porém, o russo vem mostrando seu valor nesse seu início de F1.
Após uma dobradinha dominante no Bahrein, a Ferrari teve uma corrida difícil em Melbourne, onde o pódio de Felipe acabou sendo um prêmio de consolação. Por sinal, Massa deu o troco em Alonso, quando o brasileiro ultrapassou o companheiro de equipe de forma sensacional na largada, assumindo a segunda posição ainda antes da primeira curva. Mas enquanto Alonso, favorito da Ferrari para conseguir um bom resultado na Austrália rodava, Felipe sofria com a falta de aderência do seu carro. Ele foi ultrapassado com certa facilidade por Webber e era pressionado por
Kubica, quando resolveu, junto com praticamente todo o pelotão, colocar slick. Aí, foi a vez de a Ferrari errar de novo e Massa perdeu duas posições, numa manobra em que a TV não mostrou. Felipe Massa ainda foi ultrapassado por Webber novamente, mas se aproveitou da intromissão de Hamilton na disputa para ultrapassar os dois, mas não foi capaz de segura-los mais tarde. Tentando uma estratégia diferente, Felipe emulou a tática de Button e Kubica, ficando na pista com pneus macios. Ainda que Massa não tenha conseguido ultrapassar Kubica quando colou no polonês, ninguém havia conseguido este feito e o pódio, o primeiro na Austrália, foi uma boa forma de marcar bons pontos quando o carro não ajudou. Alonso fez uma corrida agressiva e cheia de ultrapassagens. O espanhol, que parecia ser o único a ter condições de enfrentar as Red Bulls em condições normais, foi tocado por Button na largada e partiu para uma incrível corrida de recuperação. Porém, quando Alonso chegou em Massa, deve ter recebido uma ordem da Ferrari para ter mais calma na disputa e, opinião minha, por isso não ultrapassou o brasileiro, apesar de ter colocado de lados algumas vezes. Como era o último dos pilotos a não fazer a segunda parada, Alonso teve a indigesta missão de segurar um espevitado Hamilton 2s mais rápido do que ele. Quando o inglês colou na sua traseira, Alonso soube segurar com sua maestria habitual Lewis e ainda contou com a ajuda providencial do trapalhão do dia nas voltas finais. Mesmo fora do pódio, algo em que em condições normais não aconteceria, Alonso tem o que comemorar, pois conseguiu marcar pontos importantes e se manteve na liderança do Mundial. Mesmo fazendo parte do G4, a Mercedes vem se mostrando o elo mais fraco das equipes mais fortes e definitivamente não foi um fator em Melbourne. Nico Rosberg escapou bem dos acidentes da primeira volta, mas o alemão fez
uma prova discretíssima e chegou num 5º lugar sem ser muito mostrado, apesar de um ataque final a Alonso nas duas últimas voltas. Uma prova cabal disso foi a performance pífia de Schumacher. Um dos envolvidos no incidente da primeira curva, o alemão teve que troca o bico e caiu para último, mas com Alonso logo à sua frente. A corrida de ambos era de recuperação, mas Alonso se livrou dos adversários com categoria, enquanto Schumacher demorava um pouco mais para se livrar de Hispania, Virgin e Lotus, ficando mais de 50 voltas empacado atrás de Jaime Alguersuari, que tem a metade de sua idade! Quando finalmente deixou o espanhol para trás, com direito a toque de rodas, Schummy passou De La Rosa no final e ainda marcou um pontinho. Uma corrida desastrosa para o alemão, que havia começado tão bem o final de semana. No fundo, Schumacher e Ross Brawn devem ter sentido falta dos reabastecimentos e as estratégias de box.
Lewis Hamilton merece um capítulo a parte nesta corrida. O inglês se envolveu num incidente fora das pistas na sexta-feira e fez uma Classificação que beirou o ridículo no sábado, onde não passou para o Q3. Porém, passados dois dias do problema com a polícia, Hamilton colocou a cabeça no lugar e fez uma prova extremamente agressiva e cheia de ultrapassagens e briga por posições. Lewis deu um show! Apesar de Galvão insistir em culpar o inglês pelas manobras em que saiu da pista, Hamilton não teve culpa em nenhuma delas, pois Webber parecia emocionado demais em estar correndo em casa... O sexto lugar, apesar da batida que levou do australiano por trás nas últimas voltas, foi pouco pelo que Hamilton fez em Melbourne e como Button mostrou que a McLaren tem um bom carro em mãos, Lewis tem tudo para ser um dos favoritos ao título esse ano. De favorita absoluta no sábado, a Red Bull teve uma corrida para esquecer no domingo. Mesmo a leve chuva não ajudando a equipe austríaca no início, Vettel tinha tudo para vencer a corrida australiana, mas outro problema mecânico pôs tudo a perder, quando o alemão perdeu os freios ainda no início da prova, quando liderava com certa folga. Em duas corridas, Vettel liderou ambas, mas a foi a Red Bull que acabou tirando o doce da boca do alemão, podendo influenciar decisivamente no final do campeonato. Como in
fluenciou no ano passado. Mark Webber teve uma corrida para esquecer correndo em casa. A má largada foi corrigida com uma ultrapassagem sobre Massa no início da prova, mas a demora da Red Bull em chamar seus pilotos para colocar os pneus slicks acabou por atrapalhar o australiano, que caiu para o meio do pelotão e não soube lhe dar com os carros mais lentos que o seu. Na verdade, Webber foi um verdadeiro trapalhão, se envolvendo em dois incidentes com Hamilton, sendo que no final acabou acertando a traseira da McLaren a poucas voltas para o fim. Tendo que trocar o bico do seu, Webber caiu para nono e se vê distante na briga pelo Mundial, correndo o risco iminente de se tornar um segundo piloto a favor de Vettel.
Novamente Liuzzi conseguiu uma boa corrida após ser superado por Sutil na Classificação. O italiano apareceu ultrapassando De La Rosa, foi mais rápido do que Barrichello durante a prova e ainda ganhou uma posição com o incidente de Webber. Mesmo mais lento de Sutil, que abandonou ainda no início da prova, Liuzzi marcou todos os pontos da Force Índia em 2010 e ainda está a frente de Webber no campeonato. Rubens Barrichello ficou logo atrás de Kubica com a confusão da primeira volta, mas ao contrário do polonês, não segurou o rojão e foi sendo ultrapassado pelos pilotos que o atacavam e acabou bem longe do polaco. Em mais um discurso precipitado, Barrichello errou novamente quando disse que a Williams tinha voltado a ser uma grande equipe. Ainda falta muito para a tradicional equipe voltar aos bons dias e Barrichello, com toda a sua experiência, deveria saber disso e voltar a fazer boas corridas, algo que não aconteceu hoje. De La Rosa podia ter marcado o primeiro ponto da Sauber na temporada, mas o espanhol acabou ultrapassado por Schumacher no finalzinho da corrida e acabou em 11º, tendo que esperar um pouco mais para pontuar. A Sauber, que muitos diziam que poderia surpreender, vem se tornando cada vez mais uma equipe média para pequena, com sua falta de investimento. Jaime Alguesuari deverá guardar o dia de hoje em sua memória após ter segurado a corrida inteiro a lenda Michael Schumacher com seu humilde Toro Rosso. O jovem espanhol fez uma
corrida correta e só foi ultrapassado quando cometeu um pequeno erro e ainda assim tocou rodas com o alemão para então ceder a posição. Na segunda divisão, a mesma Lotus que parecia melhor que todo mundo sofreu com um problema com o carro de Trulli, que por isso nem largou. Kovalainen apareceu levando voltas de todos e quase foi crucificado por Galvão quando Massa quase perde a posição para Alonso enquanto era ultrapassado pelo brasileiro, mas o finlandês pouco pôde fazer no momento. A Virgin ainda sofre com seus problemas de confiabilidade e Karun Chandhok, devagar e sempre, conseguiu a proeza de levar seu carro até o final da corrida sem quebras, algo que não tinha sido visto até então na pequena equipe espanhola. Bruno Senna abandonou no início, enquanto Di Grassi demorou um pouco mais. Uma lástima para ambos.
Foi um corridão hoje em Melbourne e o novo regulamento já m
ostrou sua cara com uma corrida onde houve quem parasse um ou duas vezes. Apesar da chuva no início, a prova foi movimentada em todo momento e as ultrapassagens que faltaram no deserto do Bahrein, sobraram em Melbourne, uma pista mais apertada, mas muito mais divertida. Outro fato interessante foi a pontuação, com a valorização da vitória fazendo com que Button subisse de sétimo para terceiro no Mundial com a vitória, enquanto Alonso permaneceu na liderança com sua vitória. Isso pode indicar uma ainda maior procura pela vitória, mas a F1 mostrou que pode surpreender quando todos a criticam. Hoje ninguém pode reclamar de falta de emoção, enquanto Melbourne, com sua bela paisagem e sua pista incrível, fazendo com que tenhamos sempre ótimas corridas, continua linda!
Na verdade, não faltou emoção, alternativas e destaques na corrida em Melbourne. A chuva fina que melou a pista, como disse Galvão Bueno,
proporcionou uma enorme dor de cabeça para pilotos e equipes, mas todos largaram com pneus intermediários, porém a famosa primeira curva de Melbourne fez suas vítimas e a principal foi justamente o vencedor da corrida passada, Alonso. Metros mais tarde, um acidente assustador tirou três pilotos do meio do pelotão: Kamui Kobayashi, Sebastien Buemi e Nico Huckenberg. Ao contrário da expectativa inicial, esse acabou sendo a única entrada do safety-car. E que safety-car! A Mercedes caprichou com o novo carro de interferência. Porém, na medida em que a chuva passou e os pilotos precisariam trocar seus pneus, a emoção aumentou e houve várias brigas e, vejam só, ultrapassagens. Em todos os níveis do pelotão, houve troca de posições e piloto mostrando o bico. No final, a estratégia diferenciada de alguns pilotos trouxe um novo cenário para o final da prova e foi isso que causou uma grande emoção no final da corrida. Se no Bahrein houve uma espécie de conservadorismo exacerbado das equipes, em Melbourne, já houve quem arriscasse mais e de forma surpreendente, os pneus moles duraram muito mais do que o esperado. E foi assim que Jenson Button e os três pilotos que vieram a seguir conseguiram as primeiras posições da corrida. O inglês da McLaren teve uma prova atribulada no seu início, quando se envolveu no toque da largada e fez Fernando Alonso rodar na primeira curva, enquanto o próprio Button perdesse posições. Quando foi ultrapassado pelo seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton (que começava seu show), Button tomou a iniciativa de ir aos boxes e colocar pneus slicks, enquanto a chuva parava. Uma saída de pista e parecia tudo perdido para o inglês, mas quando seus pneus chegaram a temperatura ideal, Button passou a andar bem mais rápido do que os demais e quando a maioria dos pilotos foram aos boxes, o inglês pulou de sétimo para segundo. Sorte ou competência? Apesar dos dizeres globais, coloco mais na competência de Button, que usou a experiência para ler mais rápido do que os demais as mudanças nas condições de pista e para segurar o carro numa pista ainda úmida e com pneus frios. Sem condições de ataque sobre Vettel, Button parecia num tranqüilo segundo lugar quando o alemão da Red Bull teve problemas de freios e abandonou a corrida. A partir daí, o que era um tranqüilo segundo lugar se transformou numa tranqüila primeira posição, mas a grande corrida do inglês não havia acabado ainda. Já tendo usado dois tipos de pneus diferentes, Button preferiu ficar na pista com pneus moles, numa situação crítica, em que chegou a andar 2s mais lento do que os pilotos que tinha feito uma segunda troca. Porém, o atual
campeão mundial se usou, de forma involuntária, de um grande escudeiro para faturar uma grande vitória e ter a primazia, pelo menos nesse início de campeonato, de conseguir a primeira vitória da McLaren em 2010. Foi uma vitória para dar moral ao inglês, que parecia uma presa fácil para Hamilton, percepção aumentada pela corrida extremamente discreta no Bahrein. Agora com uma vitória e a 3º posição no Mundial de Pilotos, Button deverá ser visto com outros olhos pela cúpula da McLaren.Apesar da grande vitória de Button e do show de Hamilton, para mim o grande piloto deste domingo se chama Robert Kubica. Não devemos esquecer que a F1 tem hoje uma espécie de G4, que engloba as quatro principais equipes do Mundial, no qual a Renault, longe dos seus momentos de glória, não faz parte. Por sinal, se valermos pela pré-temporada, os franceses corriam o risco de ser o fiasco do ano, mas quando se tem um talento como Kubica, certas verdades não são tão absolutas. O polonês já tinha impressionado no Bahrein, quando colocou seu problemático Renault no Q3, mas um toque na largada estragou a corrida do polaco, mas na Austrália, Kubica deu um show de como se defender durante uma prova com um carro muito inferior. Primeiramente, o piloto da Renault já tinha sido inteligente o suficiente para manobras evasivas, quando desviou com maestria das rodadas na largada e pulou de 9º para 4º na primeira volta. Claramente aquele não era o lugar do carro da Renault, mas Kubica usou do seu talento para se segurar de pilotos com carros claramente melhores do que o seu. Primeiro foi Rosberg, depois das paradas, foi a vez do agressivo Hamilton, que não tinha t
omado conhecimento de ninguém a sua frente, mas esbarrou em Kubica. Já em 2º lugar, o polonês resolveu seguir Button e ir até o final com os pneus slicks que havia trocado no início da corrida, mas para Kubica essa decisão era ainda mais arriscada, pois seu carro não tinha o equilíbrio dos demais e ainda tinha que agüentar a pressão das duas Ferraris, lideradas por Felipe Massa. O brasileiro se aproximou da Renault de Kubica, mas em nenhum momento o polonês deu alguma brecha ao brasileiro e de forma incrível, Robert Kubica conseguiu um pódio genial, chegando em 2º lugar. Foi uma prova de que Kubica tem condições de brigar por títulos e vitória se tiver um bom carro em mãos, mas ainda que esteja com um carro não considerado favorito, o polonês pode ser tornar a surpresa do ano. Vitaly Petrov foi outro que ganhou várias posições na largada (oito), mas a sua inexperiência fez com que rodasse assim que colocou pneus slicks. Porém, o russo vem mostrando seu valor nesse seu início de F1.Após uma dobradinha dominante no Bahrein, a Ferrari teve uma corrida difícil em Melbourne, onde o pódio de Felipe acabou sendo um prêmio de consolação. Por sinal, Massa deu o troco em Alonso, quando o brasileiro ultrapassou o companheiro de equipe de forma sensacional na largada, assumindo a segunda posição ainda antes da primeira curva. Mas enquanto Alonso, favorito da Ferrari para conseguir um bom resultado na Austrália rodava, Felipe sofria com a falta de aderência do seu carro. Ele foi ultrapassado com certa facilidade por Webber e era pressionado por
Kubica, quando resolveu, junto com praticamente todo o pelotão, colocar slick. Aí, foi a vez de a Ferrari errar de novo e Massa perdeu duas posições, numa manobra em que a TV não mostrou. Felipe Massa ainda foi ultrapassado por Webber novamente, mas se aproveitou da intromissão de Hamilton na disputa para ultrapassar os dois, mas não foi capaz de segura-los mais tarde. Tentando uma estratégia diferente, Felipe emulou a tática de Button e Kubica, ficando na pista com pneus macios. Ainda que Massa não tenha conseguido ultrapassar Kubica quando colou no polonês, ninguém havia conseguido este feito e o pódio, o primeiro na Austrália, foi uma boa forma de marcar bons pontos quando o carro não ajudou. Alonso fez uma corrida agressiva e cheia de ultrapassagens. O espanhol, que parecia ser o único a ter condições de enfrentar as Red Bulls em condições normais, foi tocado por Button na largada e partiu para uma incrível corrida de recuperação. Porém, quando Alonso chegou em Massa, deve ter recebido uma ordem da Ferrari para ter mais calma na disputa e, opinião minha, por isso não ultrapassou o brasileiro, apesar de ter colocado de lados algumas vezes. Como era o último dos pilotos a não fazer a segunda parada, Alonso teve a indigesta missão de segurar um espevitado Hamilton 2s mais rápido do que ele. Quando o inglês colou na sua traseira, Alonso soube segurar com sua maestria habitual Lewis e ainda contou com a ajuda providencial do trapalhão do dia nas voltas finais. Mesmo fora do pódio, algo em que em condições normais não aconteceria, Alonso tem o que comemorar, pois conseguiu marcar pontos importantes e se manteve na liderança do Mundial. Mesmo fazendo parte do G4, a Mercedes vem se mostrando o elo mais fraco das equipes mais fortes e definitivamente não foi um fator em Melbourne. Nico Rosberg escapou bem dos acidentes da primeira volta, mas o alemão fez
uma prova discretíssima e chegou num 5º lugar sem ser muito mostrado, apesar de um ataque final a Alonso nas duas últimas voltas. Uma prova cabal disso foi a performance pífia de Schumacher. Um dos envolvidos no incidente da primeira curva, o alemão teve que troca o bico e caiu para último, mas com Alonso logo à sua frente. A corrida de ambos era de recuperação, mas Alonso se livrou dos adversários com categoria, enquanto Schumacher demorava um pouco mais para se livrar de Hispania, Virgin e Lotus, ficando mais de 50 voltas empacado atrás de Jaime Alguersuari, que tem a metade de sua idade! Quando finalmente deixou o espanhol para trás, com direito a toque de rodas, Schummy passou De La Rosa no final e ainda marcou um pontinho. Uma corrida desastrosa para o alemão, que havia começado tão bem o final de semana. No fundo, Schumacher e Ross Brawn devem ter sentido falta dos reabastecimentos e as estratégias de box.Lewis Hamilton merece um capítulo a parte nesta corrida. O inglês se envolveu num incidente fora das pistas na sexta-feira e fez uma Classificação que beirou o ridículo no sábado, onde não passou para o Q3. Porém, passados dois dias do problema com a polícia, Hamilton colocou a cabeça no lugar e fez uma prova extremamente agressiva e cheia de ultrapassagens e briga por posições. Lewis deu um show! Apesar de Galvão insistir em culpar o inglês pelas manobras em que saiu da pista, Hamilton não teve culpa em nenhuma delas, pois Webber parecia emocionado demais em estar correndo em casa... O sexto lugar, apesar da batida que levou do australiano por trás nas últimas voltas, foi pouco pelo que Hamilton fez em Melbourne e como Button mostrou que a McLaren tem um bom carro em mãos, Lewis tem tudo para ser um dos favoritos ao título esse ano. De favorita absoluta no sábado, a Red Bull teve uma corrida para esquecer no domingo. Mesmo a leve chuva não ajudando a equipe austríaca no início, Vettel tinha tudo para vencer a corrida australiana, mas outro problema mecânico pôs tudo a perder, quando o alemão perdeu os freios ainda no início da prova, quando liderava com certa folga. Em duas corridas, Vettel liderou ambas, mas a foi a Red Bull que acabou tirando o doce da boca do alemão, podendo influenciar decisivamente no final do campeonato. Como in
fluenciou no ano passado. Mark Webber teve uma corrida para esquecer correndo em casa. A má largada foi corrigida com uma ultrapassagem sobre Massa no início da prova, mas a demora da Red Bull em chamar seus pilotos para colocar os pneus slicks acabou por atrapalhar o australiano, que caiu para o meio do pelotão e não soube lhe dar com os carros mais lentos que o seu. Na verdade, Webber foi um verdadeiro trapalhão, se envolvendo em dois incidentes com Hamilton, sendo que no final acabou acertando a traseira da McLaren a poucas voltas para o fim. Tendo que trocar o bico do seu, Webber caiu para nono e se vê distante na briga pelo Mundial, correndo o risco iminente de se tornar um segundo piloto a favor de Vettel.Novamente Liuzzi conseguiu uma boa corrida após ser superado por Sutil na Classificação. O italiano apareceu ultrapassando De La Rosa, foi mais rápido do que Barrichello durante a prova e ainda ganhou uma posição com o incidente de Webber. Mesmo mais lento de Sutil, que abandonou ainda no início da prova, Liuzzi marcou todos os pontos da Force Índia em 2010 e ainda está a frente de Webber no campeonato. Rubens Barrichello ficou logo atrás de Kubica com a confusão da primeira volta, mas ao contrário do polonês, não segurou o rojão e foi sendo ultrapassado pelos pilotos que o atacavam e acabou bem longe do polaco. Em mais um discurso precipitado, Barrichello errou novamente quando disse que a Williams tinha voltado a ser uma grande equipe. Ainda falta muito para a tradicional equipe voltar aos bons dias e Barrichello, com toda a sua experiência, deveria saber disso e voltar a fazer boas corridas, algo que não aconteceu hoje. De La Rosa podia ter marcado o primeiro ponto da Sauber na temporada, mas o espanhol acabou ultrapassado por Schumacher no finalzinho da corrida e acabou em 11º, tendo que esperar um pouco mais para pontuar. A Sauber, que muitos diziam que poderia surpreender, vem se tornando cada vez mais uma equipe média para pequena, com sua falta de investimento. Jaime Alguesuari deverá guardar o dia de hoje em sua memória após ter segurado a corrida inteiro a lenda Michael Schumacher com seu humilde Toro Rosso. O jovem espanhol fez uma
corrida correta e só foi ultrapassado quando cometeu um pequeno erro e ainda assim tocou rodas com o alemão para então ceder a posição. Na segunda divisão, a mesma Lotus que parecia melhor que todo mundo sofreu com um problema com o carro de Trulli, que por isso nem largou. Kovalainen apareceu levando voltas de todos e quase foi crucificado por Galvão quando Massa quase perde a posição para Alonso enquanto era ultrapassado pelo brasileiro, mas o finlandês pouco pôde fazer no momento. A Virgin ainda sofre com seus problemas de confiabilidade e Karun Chandhok, devagar e sempre, conseguiu a proeza de levar seu carro até o final da corrida sem quebras, algo que não tinha sido visto até então na pequena equipe espanhola. Bruno Senna abandonou no início, enquanto Di Grassi demorou um pouco mais. Uma lástima para ambos.Foi um corridão hoje em Melbourne e o novo regulamento já m
ostrou sua cara com uma corrida onde houve quem parasse um ou duas vezes. Apesar da chuva no início, a prova foi movimentada em todo momento e as ultrapassagens que faltaram no deserto do Bahrein, sobraram em Melbourne, uma pista mais apertada, mas muito mais divertida. Outro fato interessante foi a pontuação, com a valorização da vitória fazendo com que Button subisse de sétimo para terceiro no Mundial com a vitória, enquanto Alonso permaneceu na liderança com sua vitória. Isso pode indicar uma ainda maior procura pela vitória, mas a F1 mostrou que pode surpreender quando todos a criticam. Hoje ninguém pode reclamar de falta de emoção, enquanto Melbourne, com sua bela paisagem e sua pista incrível, fazendo com que tenhamos sempre ótimas corridas, continua linda!sábado, 27 de março de 2010
Vimos mesmo!

Lewis Hamilton já tinha declarado nessa semana que a Red Bull era ridiculamente mais rápida do que as outras, enquanto Felipe Massa, mais comedido, foi na mesma toada. Parecia incrível uma equipe que nem tinha ocupado o pódio no Bahrein estar com tanto cartaz na F1, mas em Melbourne, a equipe austríaca provou que está num melhor momento, mesmo com a dobradinha da Ferrari. Vettel e Webber colorirão a primeira fila de azul e partirão na frente nesta madrugada e esta será a chance do alemão de se vingar da Ferrari, que tomou uma vitória que parecia certa de Vettel no deserto duas semanas atrás. "Eles verão", bradou Vettel no rápido após a confirmação da sua pole.
Por ter perdido a hora e já me preparando para a corrida, não assisti aos treinos classificatórios e então comentarei apenas pelos resultados dos treinos. Adryan Newey voltou a projetar um carro extremamente rápido e juntando com o talento de Vettel, resultou em mais uma pole para a Red Bull. Correndo em casa, Mark Webber completou a primeira fila, mas nos resta saber se outra característica dos carros de Newey aparecerá: a inconfiabilidade, algo que já apareceu no Bahrein. A Ferrari, única a fazer frente a Red Bull no momento só teve em Fernando Alonso um adversário capaz de incomodar um pouco os carros energéticos e ficou em terceiro. Infelimente perdi o treino e não vi as desculpas globais pelo desempenho apenas discreto, já que desta vez não há a diferença de gasolina para explicar um desempenho ruim de Massa. No entanto, a verdade é que Massa nunca se deu muito bem em Melbourne e o frio que fez na Austrália pode indicar dificuldades da Ferrari em aquecer seus pneus.
A McLaren enfrentou alguns problemas com Hamilton, que incrivelmente não teve conseguiu passar para o Q3, mas o desempenho de Button, ficando em 4º, pode indicar que Lewis realmente está com a cabeça em outro lugar, após ter seu carro apreendido na sexta-feira. A Mercedes evolui a medida em que Schumacher cresce e o alemão ficou muito próximo de Nico Rosberg na Classificação e uma evolução tedesca pode facilmente acontecer nas próximas corridas. Com Hamilton fora do Q3, sobrou uma vaga na última parte da Classificação e essa ficou com Barrichello, que se aproveitou para superar Kubica e Sutil, que haviam conseguido o feito no Bahrein. Kubica, por sinal, vem sendo a grande surpresa do campeonato ao levar o carro da Renault a lugares nos quais o potencial verdadeiro do carro não mostra. Sauber, Toro Rosso e os segundos pilotos de Williams, Force India e Renault se expremeram no segundo pelotão, à frente do pelotão das novatas, com a Hispania ainda sofrendo com problemas de confiabilidade.
A corrida desta madrugada promete ter mais atrativos em comparação a monótona prova do Bahrein. A primeira curva em Melbourne sempre trouxe problemas e com tanque cheio de combustível, podemos ter surpresas. Agradáveis e desagradáveis. Sem contar que historicamente, o safety-car sempre aparece em Albert Park. Fora que o tempo carrancudo de hoje pode se repetir novamente, mas trazendo chuva, algo que já aconteceu na sexta. Porém, em condições normais, a Red Bull deve vencer, com a Ferrari (de Alonso) correndo por fora.
sexta-feira, 26 de março de 2010
História: 10 anos do Grande Prêmio do Brasil de 2000
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Faziam seis anos que o Brasil não sentia o gostinho de um compatriota seu ganhar o Grande Prêmio local. Após a morte de Senna, Rubens Barrichello sempre competiu em equipe pequenas e nunca teve chances reais de vencer a corrida em Interlagos, que ficava muito próximo a sua casa. Agora na Ferrari, o povo brasileiro se vestiu de vermelho e pintou de rubro as arquibancadas de Interlagos, na esperança de Barrichello derrotar as McLarens e, principalmente, Michael Schumacher, que jogou uma pelada no Maracanã, mas toda a mídia tratou de antipatizar ainda mais o alemão frente ao público brasileiro. Para muitos, se quisesse vencer, Barrichello teria que ganhar do alemão.
Porém, o que marcou aquela corrida no Brasil foi o vexame que aconteceu durante a Classificação. Os pilotos tinham pressa em tentar marcar um tempo, pois os céus paulistanos eram ameaçadores e chuva poderia cair a qualquer momento. Quando a dupla da McLaren já ponteava o treino, uma placa de publicidade caía suavemente dentro da pista, provocando a primeira bandeira vermelha. Quando a pista foi liberada, todos os pilotos foram à pista na medida em que o céu ficava cada vez mais escuro, mas outra placa publicitária caiu e o pano vermelho foi novamente mostrado. Placa recolocada, Barrichello estava com parciais que lhe dariam a pole, quando uma terceira placa publicitária caiu bem no momento em que Alesi vinha a toda na reta. O francês ainda atingiu a placa da Marlboro e o treino foi interrompido mais uma vez. De forma inacreditável, Galvão Bueno disse que a placa da Marlboro poderia cair, pois era ela quem pagava o salário de Barrichello... Me poupe! Como castigo, a chuva finalmente veio e o brasileiro ficou em 4º, frutrando a torcida brasileira e deixando os organizadores embaraçados, inclusive com acusações de sabotagem de grupos políticos querendo derrubar Celso Pitta da prefeitura. Houve ameaças de Interlagos sair do calendário, mas muito mais do que sabotagem, ficou evidente a falta de cuidado no qual a cidade de São Paulo tinha com seu autódromo na época.
Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:14.111
2) Coulthard (McLaren) - 1:14.285
3) M.Schumacher (Ferrari) - 1:14.508
4) Barrichello (Ferrari) - 1:14.636
5) Fisichella (Benetton) - 1:15.375
6) Irvine (Jaguar) - 1:15.425
7) Frentzen (Jordan) - 1:15.455
8) Villeneuve (BAR) - 1:15.484
9) Button (Williams) - 1:15.490
10) Zonta (BAR) - 1:15.515
O dia 26 de março de 2000 estava quente e nublado, havendo inclusive chance da chuva que atrapalhou a Classificação poder voltar durante a corrida. Desde os tempos de Senna, Interlagos não via tanta gente nas suas arquibancadas e
todo o público tinha uma certeza: Barrichello colocaria Schumacher no bolso e venceria na frente de ua torcida, ávidos por uma vitória consagradora do brasileiro, que ainda perseguia sua 1º vitória na F1. Desde os primeiros treinos, ficava claro e evidente que a vitória ficaria entre os pilotos de McLaren e Ferrari, que dominavam as duas primeiras filas e uma boa largada seria essencial. Por isso, Schumacher partiu com tudo para cima de Coulthard e como o escocês deixou seu carro patinar, o alemão já estava em 2º antes da primeira curva. Hakkinen cruzou a primeira volta em primeiro, mas com Schumacher em seu vácuo e numa clássica manobra de ultrapassagem em Interlagos, o alemão deixou o piloto da McLaren para trás no final da reta dos boxes, enquanto mais atrás Barrichello fazia exatamente a mesma coisa com Coulthard, assumindo a 3º posição.
todo o público tinha uma certeza: Barrichello colocaria Schumacher no bolso e venceria na frente de ua torcida, ávidos por uma vitória consagradora do brasileiro, que ainda perseguia sua 1º vitória na F1. Desde os primeiros treinos, ficava claro e evidente que a vitória ficaria entre os pilotos de McLaren e Ferrari, que dominavam as duas primeiras filas e uma boa largada seria essencial. Por isso, Schumacher partiu com tudo para cima de Coulthard e como o escocês deixou seu carro patinar, o alemão já estava em 2º antes da primeira curva. Hakkinen cruzou a primeira volta em primeiro, mas com Schumacher em seu vácuo e numa clássica manobra de ultrapassagem em Interlagos, o alemão deixou o piloto da McLaren para trás no final da reta dos boxes, enquanto mais atrás Barrichello fazia exatamente a mesma coisa com Coulthard, assumindo a 3º posição.Imediatamente Schumacher passou a imprimir um ritmo aluc
inante e em poucas voltas tinha uma diferença significativa para Hakkinen, que tentava segurar Barrichello, que o pressionava fortemente. O brasileiro chegou a errar e perder a 3º posição para Coulthard, retomando logo depois. Com o tempo, estava ficando claro que as duas Ferraris estavam mais leves e parariam mais cedo, mas enquanto Schumacher fazia sua parte, Barrichello era atrasado por Hakkinen. Apenas na 15º volta, o brasileiro consegue assumir a 2º posição, mas já estava incríveis 16s atrás do companheiro de equipe. Schumacher, confirmando as expectativas, pára cedo e indica sua estratégia de três paradas.
inante e em poucas voltas tinha uma diferença significativa para Hakkinen, que tentava segurar Barrichello, que o pressionava fortemente. O brasileiro chegou a errar e perder a 3º posição para Coulthard, retomando logo depois. Com o tempo, estava ficando claro que as duas Ferraris estavam mais leves e parariam mais cedo, mas enquanto Schumacher fazia sua parte, Barrichello era atrasado por Hakkinen. Apenas na 15º volta, o brasileiro consegue assumir a 2º posição, mas já estava incríveis 16s atrás do companheiro de equipe. Schumacher, confirmando as expectativas, pára cedo e indica sua estratégia de três paradas.Após sua parada nos boxes, Barrichello estava em 4º, mas seu acelerador passou a não funcionar direito. Para piorar, outros aciona
mentos hidráulicos começaram a falhar e na volta 28, após um pequeno incêndio, o piloto brasileiro encostou no box da Ferrari para abandonar. Parte da torcida brasileira, frustrada, também abandonava Interlagos. E uma quebra começava a cair na boca das equipes de F1: problema hidráulico. Porém, nem tudo era ruim para a Ferrari, quando Mika Hakkinen chega aos boxes lentamente quatro voltas mais tarde para abandonar mais uma vez, ficando zerado em pontos. Para melhorar a vida de Schumacher, o segundo colocado Coulthard estava tendo problemas de câmbio, já tendo perdido a primeira e a terceira marchas.
mentos hidráulicos começaram a falhar e na volta 28, após um pequeno incêndio, o piloto brasileiro encostou no box da Ferrari para abandonar. Parte da torcida brasileira, frustrada, também abandonava Interlagos. E uma quebra começava a cair na boca das equipes de F1: problema hidráulico. Porém, nem tudo era ruim para a Ferrari, quando Mika Hakkinen chega aos boxes lentamente quatro voltas mais tarde para abandonar mais uma vez, ficando zerado em pontos. Para melhorar a vida de Schumacher, o segundo colocado Coulthard estava tendo problemas de câmbio, já tendo perdido a primeira e a terceira marchas. Lá na frente, Schumacher estava sem pressão, mas ainda assi
m andando muito rápido e fixando o recorde da pista de Interlagos de então e após sua última parada, Michael tinha uma vantagem confortável e venceu com enorme tranquilidade, liderando o campeonato com 100% de aproveitamento. Coulthard marcava os primeiros pontos da McLaren, mas a vistoria após a corrida indicou que vários carros estavam irregulares, inclusive a Ferrari de Schumacher e a McLaren de Coulthard. Contudo, apenas a McLaren do escocês foi punida por estar com o aerofólio baixo demais e o escocês, assim como a equipe de Ron Dennis, saía do Brasil com as mãos abanando. Com a desclassificação de Coulthard, um jovem inglês de 20 anos marcava um ponto pela primeira vez na F1. Seu nome? Jenson Button.
m andando muito rápido e fixando o recorde da pista de Interlagos de então e após sua última parada, Michael tinha uma vantagem confortável e venceu com enorme tranquilidade, liderando o campeonato com 100% de aproveitamento. Coulthard marcava os primeiros pontos da McLaren, mas a vistoria após a corrida indicou que vários carros estavam irregulares, inclusive a Ferrari de Schumacher e a McLaren de Coulthard. Contudo, apenas a McLaren do escocês foi punida por estar com o aerofólio baixo demais e o escocês, assim como a equipe de Ron Dennis, saía do Brasil com as mãos abanando. Com a desclassificação de Coulthard, um jovem inglês de 20 anos marcava um ponto pela primeira vez na F1. Seu nome? Jenson Button.Chegada:
1) M.Schumacher
2) Fisichella
3) Frentzen
4) Trulli
5) R.Schumacher
6) Button
História: 15 anos do Grande Prêmio do Brasil de 1995
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Após a trágica temporada de 1994, a FIA introduziu um pacote de mudanças que fizeram os carros de 1995 serem muito diferentes em comparação ao ano anterior. Alguns anos depois, quando Max Mosley promovia um pacotão de mudanças, as equipes sentiam calafrios, mas desta vez era em prol da segurança e ninguém parecia reclamar em ter que mudar seus carros da água para o vinho em apenas um ano. Visualmente falando, os cockpits estavam muito mais largos e a cabeça dos pilotos estava mais protegida, além de que, o banco do piloto era uma espécie de maca médica quando precisasse. Porém, ninguém esperava que o banco fosse usado como tal após um ano tão terrível como 1994.
Além dos acidentes, também havia a polêmica que tinha marcado o ano anterior e Michael Schumacher, mesmo campeão, era visto com certa desconfiança por todos e os torcedores brasileiros elegeram o alemão como inimigo número um, começando uma antipatia que dura até hoje. Porém, Schumacher teria mais chances de repetir seu sucesso, pois a Benetton havia conseguido os motores Renault, considerado o melhor da F1 na época. Como havia acontecido em 1994, Schummy não teria com quem se preocupar dentro do seio da equipe, pois Johnny Herbert iria ser claramente um segundo piloto obediente. Na Williams, Damon Hill estreava como primeiro piloto de uma equipe de ponta desde o início da temporada e ainda não teria a sombra de um grande piloto ao seu lado, pois o jovem David Coulthard, em sua primeira temporada completa, mais aprenderia do que atrapalharia Hill. Após vencer em Adelaide, Nigel Mansell se sentiu forte o suficiente para ficar na F1, mesmo aos 41 anos de idade, mas não acertou com a Williams, tendo que se conformar com a McLaren. Ron Dennis não gostava de Mansell e sabia que havia recíproca nesse sentimento, mas teve que ceder as pressões da Philip Morris, que reclamava ter nenhuma grande estrela vestindo seu macação vermelho. Os atritos começaram cedo, quando Mansell deixou a McLaren em posição difícil ao dizer que não cabia no carro e Mark Blundell teve que correr as primeiras corridas, enquanto um novo cockpit era feito para caber o traseiro de Mansell. E os pilotos brasileiros? Quase um ano após a morte de Ayrton Senna, todas as expectativas estavam voltadas em Rubens Barrichello, que havia feito uma pré-temporada surpreendente em seu Jordan e o brasileiro, com apenas 22 anos, foi na onda e aceitou toda a expectativa criada em cima dele. Barrichello se arrependeria amargamente disso mais tarde. A novidade entre os brasileiros era a criação da Forti Corse, uma equipe patrocinada pela família de Pedro Paulo Diniz, que estreava na F1, e teria Roberto Moreno como professor.
Logo nos primeiros treinos, ficou claro que a Williams tinha o melhor carro, mas novamente encontraria em Schumacher um adversário duro de ser batido, mesmo em um carro inferior. Damon Hill conquista a pole-position com facilidade, enquanto Schumacher, após dois acidentes nos treinos, tira um segundo lugar da cartola. Coulthard e Herbert completam uma quadra da Renault, deixando claro que Ferraris e McLarens estavam um degrau abaixo. E Barrichello? O brasileiro chegou a Interlagos usando um capacete em homenagem a Senna e criou em torno de si a imagem que seria o substituto natural de Senna no coração dos brasileiros. Porém, os primeiros resultados foram pífios e Rubens acabou apenas em 16º no grid, mais de 1s mais lento que seu companheiro de equipe, Irvine.
Grid:
1) Hill (Williams) - 1:20.081
2) Schumacher (Benetton) - 1:20.382
3) Coulthard (Williams) - 1:20.422
4) Herbert (Benetton) - 1:20.888
5) Berger (Ferrari) - 1:20.906
6) Alesi (Ferrari) - 1:21.041
7) Hakkinen (McLaren) - 1:21.399
8) Irvine (Jordan) - 1:21.749
9) Blundell (McLaren) - 1:21.779
10) Panis (Ligier) - 1:21.914
O dia 26 de março de 1995 estava nublado em São Paulo, num clima bem parecido com o que marcou a corrida do ano anterior, onde a torcida lotou o autódromo de Interlagos para ver Senna vencer. Um ano depois, houve
muitas homenagens ao ídolo morto e nenhuma esperança de vitória brasileira. Afinal, nem o fã mais Policarpo Quaresma poderia esperar que Barrichello, Diniz e Moreno pudessem fazer algo largando tão de trás. Um dos dispositivos irregulares no quais a Benetton foi acusada de usar em 1994 foi que um sensor eletrônico ligado ao sinal verde fazia o carro largar no momento correto, nem mais, nem menos. Provado ou não a irregularidade, Schumacher fez outra largada relâmpago e ultrapassou Hill na primeira curva, assumindo a ponta da corrida, enquanto Hakkinen faz uma largada assombrosa e pula de 7º para 4º, ficando logo atrás de Coulthard e à frente das duas Ferraris.
muitas homenagens ao ídolo morto e nenhuma esperança de vitória brasileira. Afinal, nem o fã mais Policarpo Quaresma poderia esperar que Barrichello, Diniz e Moreno pudessem fazer algo largando tão de trás. Um dos dispositivos irregulares no quais a Benetton foi acusada de usar em 1994 foi que um sensor eletrônico ligado ao sinal verde fazia o carro largar no momento correto, nem mais, nem menos. Provado ou não a irregularidade, Schumacher fez outra largada relâmpago e ultrapassou Hill na primeira curva, assumindo a ponta da corrida, enquanto Hakkinen faz uma largada assombrosa e pula de 7º para 4º, ficando logo atrás de Coulthard e à frente das duas Ferraris.No início, Schumacher tentou imprimir um ritmo mais forte e tentava se desgarrar de Hill, mas o inglês teimava em acompanhar o alemão de perto, enquanto
Coulthard já ficava para trás. As estratégias de corrida, principalmente com a chegada do reabastecimento, ainda não haviam sido plenamente estudadas e por isso havia uma maior tentativa por parte das equipes e Ross Brawn, estrategista da Benetton, sabia que seu carro era inferior a Williams e propôs a Schumacher uma tática agressiva, onde o alemão teria que acelerar mais forte, pois largava mais leve e pararia uma vez mais em comparação a Williams. A estratégia de três paradas ficou clara quando alemão fez seu primeiro pit-stop na volta 17, com o alemão retornando à pista em 6º, ultrapassando a Ferrari de Berger na volta seguinte.
Coulthard já ficava para trás. As estratégias de corrida, principalmente com a chegada do reabastecimento, ainda não haviam sido plenamente estudadas e por isso havia uma maior tentativa por parte das equipes e Ross Brawn, estrategista da Benetton, sabia que seu carro era inferior a Williams e propôs a Schumacher uma tática agressiva, onde o alemão teria que acelerar mais forte, pois largava mais leve e pararia uma vez mais em comparação a Williams. A estratégia de três paradas ficou clara quando alemão fez seu primeiro pit-stop na volta 17, com o alemão retornando à pista em 6º, ultrapassando a Ferrari de Berger na volta seguinte. Quando a estratégia da Benetton ficou clara, Hill passou a acelerar mais e quando completou sua primeira parada algumas voltas mais tarde, o inglês emergiu à frente de Schumacher, que desta vez não vinha num ritmo tão
forte como no começo da corrida. Contudo, o inglês começou a perder rendimento e quando estava para ser apanhado por Schumacher, Hill encostou seu Williams na grama com o câmbio quebrado. O ritmo forte dos dois pilotos que brigaram pelo título de 1994 fez com que Schumacher tivesse uma diferença considerável para Coulthard, que vinha num solitário 2° lugar. Mika Salo estava numa estratégia diferente e estava em 3º, mas um problema em seu braço fez com que o finlandês perdesse rendimento no final e ficasse longe do pódio. Berger e Hakkinen trocaram de posições ao sabor da estratégia, mas o veterano austríaco acabou tendo a vantagem sobre o piloto da McLaren.
forte como no começo da corrida. Contudo, o inglês começou a perder rendimento e quando estava para ser apanhado por Schumacher, Hill encostou seu Williams na grama com o câmbio quebrado. O ritmo forte dos dois pilotos que brigaram pelo título de 1994 fez com que Schumacher tivesse uma diferença considerável para Coulthard, que vinha num solitário 2° lugar. Mika Salo estava numa estratégia diferente e estava em 3º, mas um problema em seu braço fez com que o finlandês perdesse rendimento no final e ficasse longe do pódio. Berger e Hakkinen trocaram de posições ao sabor da estratégia, mas o veterano austríaco acabou tendo a vantagem sobre o piloto da McLaren.Quando Schumacher fez sua terceira parada, o alemão partiu tranquilo rumo a mais uma vitória, com Coulthard 11s atrás. Mostrando o quanto Williams e Benetton eram os carros da moda, Berger completou o pódio, mas uma volta atrás. O pódio não teve a animação de outros anos, mas a polêmica começaria após as festividades dos três primeiros. Depois de tantas manobras fora das pistas, a F1 não precisava de outra polêmica, mas foi e
xatamente isso o que aconteceu. Horas depois, a FIA anunciou que Schumacher e Coulthard tinham sido desclassificados por que a Elf, fornecedora de gasolina da Williams e Benetton, tinha utilizado uma gasolina diferente da amostra que tinha passado a FIA no início do ano. A Ferrari chegou a estourar o champanhe em comemoração a vitória de Berger, mas a confusão ainda não havia acabado. Benetton e Williams apelaram da decisão e algumas semanas depois, a vitória voltou para as mãos de Schumacher, mas tanto Williams como Benetton foram multadas pesadamente e sem os pontos dos constutores, enquanto a Ferrari ficou uma arara com a decisão posterior. A F1 iniciava em 1995 com poucas emoções dentro da pista e muita confusão fora dela.
xatamente isso o que aconteceu. Horas depois, a FIA anunciou que Schumacher e Coulthard tinham sido desclassificados por que a Elf, fornecedora de gasolina da Williams e Benetton, tinha utilizado uma gasolina diferente da amostra que tinha passado a FIA no início do ano. A Ferrari chegou a estourar o champanhe em comemoração a vitória de Berger, mas a confusão ainda não havia acabado. Benetton e Williams apelaram da decisão e algumas semanas depois, a vitória voltou para as mãos de Schumacher, mas tanto Williams como Benetton foram multadas pesadamente e sem os pontos dos constutores, enquanto a Ferrari ficou uma arara com a decisão posterior. A F1 iniciava em 1995 com poucas emoções dentro da pista e muita confusão fora dela. Chegada:
1) Schumacher
2) Coulthard
3) Berger
4) Hakkinen
5) Alesi
6) Blundell
quinta-feira, 25 de março de 2010
História: 20 anos do Grande Prêmio do Brasil de 1990
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Faziam dez anos que Interlagos havia perdido a F1 para Jacarepaguá e o tradicional circuito paulistano atravessou a década de 80 com muitas dificuldades, mas o autódromo do Rio começava a sofrer ameaças pela falta de organização e o acidente que deixou Phillipe Streiff paralítico durante um teste de pneus no início de 1989 foi a senha para que Interlagos entrasse em contato com Bernie Ecclestone para que a pista voltasse a sediar o Grande Prêmio Brasil de F1. Porém, a pista era muito grande para os já rígidos padrões da FIA e mesmo tendo um dos melhores traçados da história do automobilismo, a pista estava um pouco defasada para a F1. Ayrton Senna foi um dos que ajudaram a refazer a pista, inclusive criando o S do Senna, praticamente acabando com as famosas curvas um e dois de Interlagos. Numa obra em tempo recorde, Interlagos perdeu 3km de extensão e seus boxes eram modernizados. Erundina, do PT, gastou dinheiro público a beça para que a corrida fosse realizada, mas parece que os mesmos que criticaram a vinda da Indy para São Paulo quinze dias atrás não lembram muito disso...
Voltando à pista, Senna correria pela primeira vez como profissional em sua cidade natal e não decepciona ao conseguir mais uma pole em sua vasta coleção, tendo Berger ao seu lado, completando a dobradinha da McLaren. Depois da primeira fila da McLaren, a segunda fila era toda da Williams e a terceira toda da Ferrari, com Alesi novamente surpreendendo ao ficar entre os dez primeiros. Se até Phoenix os pilotos com pneus Pirelli sempre garantiam bons lugares no grid por causa da borracha de Classificação, em Interlagos isso não funcionou muito bem, com o piloto da Tyrrell sendo o melhor com pneus Pirelli.
Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:17.277
2) Berger (McLaren) - 1:17.888
3) Boutsen (Williams) - 1:18.150
4) Patrese (Williams) - 1:18.288
5) Mansell (Ferrari) - 1:18.509
6) Prost (Ferrari) - 1:18.631
7) Alesi (Tyrrell) - 1:18.923
8) Martini (Minardi) - 1:19.039
9) De Cesaris (Dallara) - 1:19.125
10) Alliott (Ligier) - 1:19.309
O dia 25 de março de 1990 estava nublado em São Paulo e havia o risco bem rea
l de cair a chuva que tanto atrapalhou as obras de 'mutilação' de Interlagos e a sexta-feira. Correndo em São Paulo, na frente de sua torcida que gritava de forma emocionante seu nome antes da largada, e não tendo muita sorte no Brasil, Senna queria a vitória de qualquer maneira, ainda mais com a presença de Jean-Marie Balestre nos boxes, que foi devidamente insultado de tudo quanto era jeito pela torcida brasileira, ainda rescaldo da polêmica em Suzuka em 1989. Mostrando sua gana de vencer naquele dia, Senna largou muito bem e não teve problemas em segurar a ponta, à frente de Berger, Boutsen e Prost, que havia largado muito bem e pulara para quarto. Com cinco vitórias no Brasil, Prost fazia sua costumaz corrida de espera. Mais atrás, Andrea de Cesaris continuava com sua chama por acidentes e saía da corrida logo na primeira curva.
l de cair a chuva que tanto atrapalhou as obras de 'mutilação' de Interlagos e a sexta-feira. Correndo em São Paulo, na frente de sua torcida que gritava de forma emocionante seu nome antes da largada, e não tendo muita sorte no Brasil, Senna queria a vitória de qualquer maneira, ainda mais com a presença de Jean-Marie Balestre nos boxes, que foi devidamente insultado de tudo quanto era jeito pela torcida brasileira, ainda rescaldo da polêmica em Suzuka em 1989. Mostrando sua gana de vencer naquele dia, Senna largou muito bem e não teve problemas em segurar a ponta, à frente de Berger, Boutsen e Prost, que havia largado muito bem e pulara para quarto. Com cinco vitórias no Brasil, Prost fazia sua costumaz corrida de espera. Mais atrás, Andrea de Cesaris continuava com sua chama por acidentes e saía da corrida logo na primeira curva.
No início da prova, não havia quem dissesse que Senna perderia aquela prova e seu ritmo no início da corrida e
ra avassalador, como se aquela McLaren número 27 estivesse numa categoria à parte. Berger ainda tentou acompanhar seu companheiro de equipes, mas o austríaco logo perdeu rendimento por pura falta de pneus e já na sétima volta ele foi ultrapassado por Boutsen e algumas voltas depois por Prost. Boutsen vinha fazendo uma ótima prova e se mantinha num sólido segundo lugar até que resolveu fazer seu pit-stop na volta 30. O belga se atrapalhou na entrada do box e quase atropela seus mecânicos, atingindo um pneu e quebrando o nariz do seu Williams. Como resultado, Boutsen perdeu muito tempo no box e acabava com suas chances de conquistar um bom resultado naquele momento.
ra avassalador, como se aquela McLaren número 27 estivesse numa categoria à parte. Berger ainda tentou acompanhar seu companheiro de equipes, mas o austríaco logo perdeu rendimento por pura falta de pneus e já na sétima volta ele foi ultrapassado por Boutsen e algumas voltas depois por Prost. Boutsen vinha fazendo uma ótima prova e se mantinha num sólido segundo lugar até que resolveu fazer seu pit-stop na volta 30. O belga se atrapalhou na entrada do box e quase atropela seus mecânicos, atingindo um pneu e quebrando o nariz do seu Williams. Como resultado, Boutsen perdeu muito tempo no box e acabava com suas chances de conquistar um bom resultado naquele momento.
Com Boutsen fora do páreo, Senna
tinha agora Prost como segundo colocado, mas o francês não tinha a mínima condição de se aproximar da McLaren, que mantinha praticamente o mesmo ritmo após as paradas. Senna tinha 13s de vantagem sobre seu arqui-rival quando se aproximou para colocar uma volta na Tyrrell de Satoru Nakajima, 12º colocado. Piquet e Prost sempre criticaram a forma como Senna ultrapassava os retardatários, dizendo que ele era agressivo demais, preferindo arriscar sua posição ou até mesmo um acidente para deixar um piloto mais lento para trás. Nakajima também era conhecido pelas suas trapalhadas, mas nunca um piloto desonesto. Porém, Satoru passou a ser motivo de chacota nacional quando Senna, agressivo como sempre, tentou uma ultrapassagem para lá de otimista em cima d
o japonês no Bico de Pato. Senna não tinha um quarto de carro à frente do Tyrrell de Nakajima, mas não recolheu seu McLaren e o resultado foi um sórdido acidente, em que Satoru Nakajima saiu ileso, mas Senna perdeu o bico do seu carro e teve que fazer uma parada não programada.
tinha agora Prost como segundo colocado, mas o francês não tinha a mínima condição de se aproximar da McLaren, que mantinha praticamente o mesmo ritmo após as paradas. Senna tinha 13s de vantagem sobre seu arqui-rival quando se aproximou para colocar uma volta na Tyrrell de Satoru Nakajima, 12º colocado. Piquet e Prost sempre criticaram a forma como Senna ultrapassava os retardatários, dizendo que ele era agressivo demais, preferindo arriscar sua posição ou até mesmo um acidente para deixar um piloto mais lento para trás. Nakajima também era conhecido pelas suas trapalhadas, mas nunca um piloto desonesto. Porém, Satoru passou a ser motivo de chacota nacional quando Senna, agressivo como sempre, tentou uma ultrapassagem para lá de otimista em cima d
o japonês no Bico de Pato. Senna não tinha um quarto de carro à frente do Tyrrell de Nakajima, mas não recolheu seu McLaren e o resultado foi um sórdido acidente, em que Satoru Nakajima saiu ileso, mas Senna perdeu o bico do seu carro e teve que fazer uma parada não programada.
O público brasileiro imediatamente murchou, pois Senna tinha não apenas perdido a liderança, como caiu para terceiro e longe dos seus adversários. Como desgraça pouca era bobagem, Alain Prost, o grande vilão brasileiro na época, assumia a liderança da corrida e com mais uma de suas famosas corridas cerebrais, vencia pela primeira vez na Ferrari, a sexta no Brasil. Ao chegar aos boxes, Prost estava nitidamente emocionado e chegou a chorar nos boxes da Ferrari. O Rei do Rio, com suas cinco vitórias em Jacarepaguá, também triunfava em São Paulo, recebendo o trófeu do presidente Fernando Collor, com o gostinho de conseguir essa vitória no quintal da casa de Senna, que amargou uma de suas derrotas mais doloridas da carreira.
Chegada:
1) Prost
2) Berger
3) Senna
4) Mansell
5) Boutsen
6) Piquet
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